Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Descorbertas novas relíquias atribuídas a São Pedro

Descobertas durante o restauro da Igreja de Santa Maria em Capela, consagrada em 1090 sob o pontificado de Papa Urbano II.
Relíquias atribuídas a Pedro foram encontradas em uma igreja de Trastevere - Roma, estavam depositadas em um altar, durante o trabalho de restruturação na Igreja de "Santa Maria em Capela", consagrada em 1090 sob o pontificado do Papa Urbano II. Estamos esperando novos exames e talvez uma comparação entre as diferentes relíquias atribuídas a Pedro, da Basilica de S.Pedro no Vaticano.
A descoberta "se comprovada", se adicionará ao antigo túmulo de Pedro, que lhe foi atribuído na colina do Vaticano, onde sofreu o martírio e onde foi edificada a Basílica de São Pedro. O destino dos ossos do primeiro Papa da Igreja há muito tempo era envolto em um mistério. Papa Paulo VI, em 26 de junho de 1968, anunciou que eles foram "identificados para que possamos prestar veneração e culto ". Certamente com a recém descoberta, abre um novo capítulo de estudos e confirmação do santo padre o Papa Francisco junto ao magistério da Igreja.
Durante as obras de restauração na igreja de "Santa Maria em Capela", em Trastevere, trouxeram à luz, em um altar medieval, duas ampolas em argila contendo as (alegadas) relíquias dos primeiros papas, incluindo São Pedro. Os fragmentos de ossos, portanto, seriam adicionados as relíquias preservadas na cripta do Vaticano.
A igreja de Santa Maria em Capela, de propriedade da família Doria Pamphilj, foi consagrada em 25 de março de 1090 por dois bispos, Ubaldo da diocese de Sabina e Joao bispo da diocese Tuscolo - castelli Romani. Uma inscrição em pedra, estudada pelo arqueólogo Cristiano Mengarelli, atesta as importantes relíquias encontradas: a lista inicia com um fragmento da túnica de Maria mãe de Jesus (não encontrada dentro do altar) e continua citando as relíquias de São Pedro e dos papas Cornelius, Callisto e Felice, originalmente sepultados em vários cemitérios. Como também dos mártires Ippolito, Anastasio, Melix e Marmenia. "Este complexo de relíquias se adicionam, as demais, que ja se encontram em outras consagrações documentadas neste período em outras igrejas", observou o arqueólogo.

Embora a cobertura da cavidade do relicário depositada abaixo do altar de mármore nem sempre tenha sido selada - existem duas abordagens de reconhecimento no século XVI, e no final do século XIX - onde foram perdidas a memória da existência do seu conteúdo. A Igreja, permaneceu fechada desde 1982 por problemas estruturais, e foi objeto de trabalho de restruturação nos últimos anos. Segundo o testemunho de Massimiliano Floridi, marido da princesa Gesine Pogson Doria Pamphilj, conta: que "as relíquias foram descobertas por um operário que estava movendo a a lastra de mármore da parte superior do altar".

A caixa de chumbo (relicário), continha dois pequenos potes em cerâmica purificada, com coberturas correspondentes feitas de uma placa de chumbo com nomes em "graffiti" dos santos, repetidos, com uma caligrafias diferentes, em placas de chumbo Colocados dentro dos dois frascos. De acordo com o arqueólogo Mengarelli, estes são artefatos que remontam ao tempo em que a igreja foi consagrada. Relíquias, foram entregues ao "Vicariato de Roma", que colocou novos selos.
A igreja de "Santa Maria em Capela" é fortemente ligada ao Papa Urbano II, nascido a Eudes de Châtillon (papa legítimo de 1088 a 1099), citado na pedra fundamental, que morava na Ilha da Tiberina no centro do rio Tevre de Roma . Naquele tempo, também morava em Roma o Antipapa Clemente III (1080-1100), eleito pelo Imperador Henrique IV, que ocupava o Palácio Lateranense. Há a hipótese de que a igreja de Trastevere poderia ter sido usada como capela do pontífice legítimo quando ele estava na cidade.
Nada ainda se pode dizer sobre a origem das relíquias ou sua autenticidade, enquanto as relíquias não forem identificadas como compatíveis com as de São Pedro, presentes no túmulo do Príncipe dos Apóstolos que viveu no primeiro século dC presentes na Basílica Vaticana. Estamos aguardando novos exames e talvez uma comparação entre as diferentes relíquias atribuídas a S. Pedro.
Cidade do Vaticano - Da publicação na edição de hoje no Jornal "La Stampa" mod. 31/08/2017 reliquias entregues ao vicariato de Roma.


Por: José Renato Ramos - Roma.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Conclusão do ano jubilar do Perdão de Assis

Na tarde de 29 de julho de 2017 preparando os peregrinos e toda a Família Fraciscana de Assis presidiu a celebração das Vésperas Solenes o Ministro Geral Frei Marco Tasca, OFMConv. e por esta ocasião anexamos, na íntegra o texto abaixo:

Queridos irmãos e irmãs,

Paz e bem!

É claro, é uma grande graça para nós estarmos aqui juntos esta tarde neste lugar tão amado por Francisco, na Porciúncula para prepararmos para um evento de graça, o 800º aniversário deste pedido feito por FRANCISCO ao Papa, que é o grande perdão de Assis. Quantos homens e mulheres têm atravessado esta porta para pedir perdão, para achar graça, para sentir-se perto do Senhor! Por isso nos encontramos esta tarde para introduzirmos ao seguimento de Cristo, acompanhados por esta realidade que é o perdão de Assis.
Detenhamo-nos um momento na contemplação da segunda leitura de Paulo à comunidade cristã de Corinto, a palavra que ressoa mais fortemente é Reconciliação. Geralmente pensamos, quando falamos de reconciliação, na reconstrução das “boas relações” depois um período de desacordo ou inimizade e se pensamos na reconciliação em termos do Antigo Testamento pensamos na ideia de confronto com Deus, que se expressa no culto pelo fato da expiação baseado em sacrifícios, purificações, etc… todos voltados para “aplacar” o que chamaram a ira de Deus, praticamente todo o Antigo Testamento parece ser o homem que tem que tomar a iniciativa sempre no seu relacionamento com Deus, bem “como eu sou um pecador” abro minhas mãos, por meio de sacrifícios, purificações e os pedidos; para obter o perdão do Senhor para que ele me veja agora com bondade.

É curioso contemplar como Paulo, em sua Carta aos Coríntios, muda completamente a perspectiva, não é o homem que vem a se reconciliar com Deus, o texto deixa claro, não é o homem que procura a reconciliação com o Senhor, é uma iniciativa, unilateral e livre que vem de Deus, sem que seja necessária uma resposta humana correspondente, não somos nós que de alguma forma temos que “fazer bom a Deus”, mas é o Senhor que busca a reconciliação comigo.

E o serviço desta iniciativa gratuita do Senhor torna-se, como diz Paulo, o “ministério da reconciliação”, Paulo e seus colaboradores não são mediadores da reconciliação, Isto Cristo já o fez, eles estão anunciando as obras que o Senhor tem feito pela humanidade, este deve ser o nosso grande compromisso hoje: anunciar a todos o que o Senhor tem feito pela humanidade, pensai no salmo responsorial que ouvimos “Bendito seja o Senhor que perdoa, que dá força às nossas vidas a graça do Senhor está sempre conosco ” ou pensai no Magnificat em que o sujeito é sempre o Senhor,”O Senhor fez isso… o Senhor fez isso… o Senhor fez isso…” esta iniciativa do Senhor para reconciliar-se com a gente nos obriga a ser anunciadores de tudo o que o Senhor tem feito em nossas vidas, não apenas pessoal, também comunitária.E eu acho que agora, nesta tarde, neste momento é un tempo importante de gratidão ao Senhor, que se revelou a nós na forma de um amor superabundante, e completamente livre, como o livro de Deuteronômio diz:

“Como é grande este povo que têm o Senhor tão perto dele! “(Dt 4,7), parece que essa superabundância é a norma da vida cristã, e o Senhor foi o único quem a viveu muito, apesar da traição, Jesus tratou o apóstolos de forma diferente, mas pelo que nós sabemos do Evangelho, um deles, dos mais próximos com quem havia compartilhado a vida, por isso às vezes quando pensamos sobre a superabundância não podemos deixar de pensar sobre na aparente superabundância do mal entre nós e nosso ambiente: pensemos no terrorismo, nos acontecimentos da história recente, pensemos na tortura, pensemos nos genocídios, nas noticias cotidianas… parece que nos aperta esta superabundância do mal…

Mas nós sabemos que isso não é verdade, porque há uma superabundância de bem, pensemos em FRANCISCO que se despoja na presença do pai para provar que sua riqueza não está nem sua família nem seus amigos; Ou pensemos em FRANCISCO ao beijar leproso mostrando uma superabundância do bem; Ou pensemos na madre TERESA DE CALCUTA, que deixa seu convento, onde ela poderia ter vivido uma vida honrosa para deixar tudo e dedicar-se aos moribundos; pensemos em todas aquelas pessoas que realmente sabemos que não vivem de acordo com o critério de que “eu vou fazer isso, você me deve tanto…” Todos nós conhecemos pessoas que não têm esse estilo de vida, que não vivem de acordo com estes critérios, mas têm equilíbrio “Eu te dou tudo porque você me deu tudo,” a vida cristã é excesso, excesso, superabundância! FRANCISCO, foi um exemplo disso, madre TERESA DE CALCUTA foi um exemplo disso, as pessoas que dissemos são exemplos disso, e eu realmente acredito nas palavras que FRANCISCO disse ao Papa quando ele deu este grande dom do perdão “Queridos irmãos, eu quero levá-los todos para o paraíso”, vede que ele não disse que quer que “algum vá para o paraíso” mas “quer enviar-nos a todos para o paraíso” compreendei, essa é a beleza da vida cristã, caminhar juntos para o paraíso! Ninguém tem mais sorte que os outros, “eu quero levá-los todos para o paraíso” se paramos um momento para perceber isso, teríamos o mais belo dos pensamentos ao entrar por esta porta santa “irmãos, eu quero levá-los todos para o paraíso “Que a nossa vida, queridos irmãos e irmãs, seja sempre experiência desse excesso, dessa superabundância, desta caminhada ao lado de todos os que pensam, de todos aqueles que dizem, de todos os que fazem, que seja uma vida de excesso, porque assim como vocês sabe, faz mais barulho uma árvore que cai que toda uma floresta que cresce. Que FRANCISCO, por sua intercessão, nos ajude a caminhar dessa maneira.



Frei Marco Tasca, OFMConv. 20/07/2017

Tradução: Frei Manuel Araya OFMConv

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Quaresma de São Miguel Arcanjo

Devoção muito querida por São Francisco de Assis, os anjos marcaram a vida e as orações do Seráfico pai. Ele que buscava ter maior intimidade com Deus através da oração e contemplação, por muitas vezes durante o ano realizava muitas quaresmas, isto é, quarentas dias de oração, penitência e meditação com diversas motivações. Seja para honrar o nascimento do Senhor (Festa de todos os Santos até o Natal) ou até os apóstolos São Pedro e São Paulo (20 de maio até 29 de junho)... (cf.: https://saofranciscoemconversa.blogspot.com.br/2015/02/uma-quaresma-com-sao-francisco-de-assis.html)
Porém, uma dessas quaresmas era muito querida pelo Poverello e se popularizou e chegou aos nossos tempos que é a Quaresma de São Miguel Arcanjo. (do dia 15 de agosto ao dia 28 de setembro)
A última ida de São Francisco ao Monte Alverne se deu no final do verão de 1224. Sendo grande devoto de São Miguel, o santo pai se dirigiu ao Alverne para fazer mais uma quaresma em honra deste arcanjo no qual Francisco tinha um profundo amor, e durante esta quaresma recebeu os sagrados estigmas de Cristo! 


QUARESMA DE SÃO MIGUEL ARCANJO
 (Preparar um pequeno oratório com uma imagem (ou estampa) de São Miguel e uma vela* abençoada pelo sacerdote ou diácono. *Acender quando for rezar a Quaresma. Não tem necessidade de ficar acesa os 40 dias. Você deve também oferecer uma penitência, seguindo a inspiração que vier ao seu coração (Exemplo: Não fumar, oferecendo pela sua libertação do vício; não tomar aquele café de todo “meio de tarde”, oferecendo pela sua família). 

* Fazer o sinal da Cruz 
* Rezar a Oração Inicial 
* Rezar a Ladainha de São Miguel 
* Consagração a São Miguel 

ORAÇÃO INICIAL (Pequeno Exorcismo): São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. Rogai por nós, santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém. 

LADAINHA DE SÃO MIGUEL 
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós. 
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo ouvi-nos. 
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós. 
Filho, Redentor do Mundo, que sois Deus, tende piedade de nós. 
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós. 
Trindade Santa, que sois um único Deus, tende piedade de nós. 
Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós. 
São Miguel, rogai por nós. 
São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai por nós. 
São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, rogai por nós. 
São Miguel, coroado de honra e de glória, rogai por nós. 
São Miguel, poderosíssimo Príncipe dos exércitos do Senhor, rogai por nós. 
São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, rogai por nós. 
São Miguel, guardião do Paraíso, rogai por nós. 
São Miguel, guia e consolador do povo israelita, rogai por nós. 
São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, rogai por nós. 
São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, rogai por nós. 
São Miguel, Luz dos Anjos, rogai por nós. 
São Miguel, baluarte dos Cristãos, rogai por nós. 
São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da Cruz, rogai por nós. 
São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, rogai por nós. 
São Miguel, socorro muito certo, rogai por nós. 
São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, rogai por nós. 
São Miguel, arauto da sentença eterna, rogai por nós. 
São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, rogai por nós. 
São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas que estão no Purgatório, rogai por nós.
São Miguel, nosso Príncipe, rogai por nós. 
São Miguel, nosso Advogado, rogai por nós. 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor. 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, atendei-nos, Senhor. 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. 
Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, Príncipe da Igreja de Cristo, para que sejamos dignos de Suas promessas.
Oremos: Senhor Jesus, santificai-nos, por uma bênção sempre nova, e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, esta sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do Céu e a trocar os bens do tempo pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos. Amém

Ao final, reza-se:
Um Pai Nosso em honra de São Miguel Arcanjo.
Um Pai Nosso em honra de São Gabriel.
Um Pai Nosso em honra de São Rafael.

Gloriosíssimo São Miguel, chefe e príncipe dos exércitos celestes, fiel guardião das almas, vencedor dos espíritos rebeldes, amado da casa de Deus, nosso admirável guia depois de Cristo; vós, cuja excelência e virtudes são eminentíssimas, dignai-vos livrar-nos de todos os males, nós todos que recorremos a vós com confiança, e fazei pela vossa incomparável proteção, que adiantemos cada dia mais na fidelidade em servir a Deus.
V. Rogai por nós, ó bem-aventurado São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo. 
R. Para que sejamos dignos de suas promessas. 

Oremos: Deus, todo poderoso e eterno, que por um prodígio de bondade e misericórdia para a salvação dos homens, escolhestes para príncipe de Vossa Igreja o gloriosíssimo Arcanjo São Miguel, tornai-nos dignos, nós vo-lo pedimos, de sermos preservados de todos os nossos inimigos, a fim de que na hora da nossa morte nenhum deles nos possa inquietar, mas que nos seja dado de sermos introduzidos por ele na presença da Vossa poderosa e augusta Majestade, pelos merecimentos de Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém!

CONSAGRAÇÃO A SÃO MIGUEL ARCANJO: 
Ó Príncipe nobilíssimo dos Anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os Anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro, me dou e me ofereço e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração; recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça da amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima, obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para obter a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e com a vossa alma poderosa lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para que não pereçamos no supremo juízo. Amém.

domingo, 6 de agosto de 2017

Capítulo das Esteiras: Carta de Aparecida

“ Ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres. ” LS,49 

A Conferência da Família Franciscana do Brasil, celebrando o Capitulo Nacional das Esteiras, consciente de sua missão de “levar ao mundo a misericórdia de Deus”, dirige-se a todas as pessoas de boa vontade: àquelas que continuam acreditando em um mundo de justiça e fraternidade e àquelas que, em meio às contradições e crueldades de nosso tempo, vivem a dor da desilusão e da falta de esperança.


As partilhas realizadas nesses dias nos levam a afirmar: vivemos um verdadeiro Pentecostes. Neste sentido, o Capítulo nos chamou a um revigoramento do Carisma e nos levou a fazer memória da herança, da inspiração originária que deu início ao movimento franciscano. A experiência das esteiras nos leva a retomar nossa vocação enquanto peregrinos e forasteiros.



As bases nas quais foram construídas a nossa história estão marcadas pelo sangue dos pobres e pequenos, indígenas, mulheres e jovens negros, por um extrativismo desmedido e destruidor, por uma economia que exclui a maioria, por destruição de povos, culturas e da natureza. À luz do nosso carisma, compreendemos que se faz necessário construir um novo horizonte utópico que nos comprometa com a construção de um projeto de país com justiça e paz em respeito à integridade da criação.



Somos sensíveis ao grito dos empobrecidos e da Mãe Terra! É preciso agir com misericórdia para com eles e, com indignação diante desse sistema que exclui, empobrece e maltrata, e convocarmos a todos para se unirem à luta que hoje assumimos juntos: participar da reconstrução da Igreja com o Papa Francisco e reconstruir o Brasil em ruínas.



É chegado o momento de recolhermos nossas esteiras e as lançarmos sobre o chão das periferias do mundo, transformando continuamente nossa maneira de Ser, Estar e Consumir em reposta aos apelos do Papa Francisco.



A realidade ecológica e sócio-política-econômica do nosso país nos exige compromisso profético de denúncia e anúncio. Assistimos, tomados de ira sagrada, à violação dos direitos conquistados, através de muitos esforços, empenhos e articulação pelo povo brasileiro. Por isso, não podemos deixar de nos empenhar junto aos movimentos sociais na luta “por nenhum direito a menos”, contra golpes, reformas retrógadas e abusivas conduzidas por um governo ilegítimo, um parlamento divorciado dos interesses da população e uma justiça que tem se revelado fora dos parâmetros da equidade “que no lugar de fortalecer o papel do Estado para atender às necessidade e os direitos do mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital”¹.




Dessa Cidade de Aparecida, Nossa Senhora, Padroeira do Brasil, resgatada das águas de um rio, hoje poluído e degradado, nos faz eleger dentre os diversos apelos um compromisso particular com a Irmã Água. Deste modo, nos empenharemos na construção de um processo de reflexão e ação em defesa da água como bem comum, que se dará através da participação da família em jornadas, fóruns e nas iniciativas de fortalecimento dos trabalhos ligados à promoção da Justiça e da Integridade da Criação.



Tudo isso acontece, irmãs e irmãos, porque São Francisco nos ensinou que nos momentos mais difíceis de nossas vidas devemos voltar à Casa da Mãe. Ele e seus irmãos voltavam, com frequência, à pequena igreja de Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula. Nós voltamos ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, neste 300 anos de caminhada com os pequenos desta terra.




“Óh Mãe preta, óh Mariama, Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão, que é comunismo. É Evangelho de Cristo, Mariama!”, ainda assim, invocamos suas bênçãos sobre toda a nossa família e sobre um Brasil sedento de “Paz – fruto da justiça, do bem e da Misericórdia de Deus”



06 de agosto de 2017



Conferência da Família Franciscana do Brasil

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