Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição dos Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

sábado, 25 de março de 2017

Domingo Laetare: Alegra-te!

Na antiguidade cristã, o dia de hoje era o “dia das rosas”, no qual os cristãos se presenteavam mutuamente com as primeiras rosas do Verão. Ainda hoje o Santo Padre benze, neste dia, uma rosa de ouro e a oferece a uma pessoa, ou instituição em sinal de particular atenção. 


A flor dourada que brilha reflecte a majestade de Cristo, com uma simbologia muito apropriada porque os profetas O chamaram "flor do campo e o lírio dos vales". A fragrância da rosa, de acordo com o Papa Leão XIII, "mostra o odor doce de Cristo que deve ser difundido extensamente pelos seus seguidores fiéis” (Acta, vol. VI, 104), e os espinhos e o matiz vermelho relembram a Sua paixão". 
A Santa Igreja, como o faz no Advento, interrompe também na Quaresma a sua penitência. Demonstra alegria pelo toque do órgão, pelo enfeite dos altares e pelo rosa dos paramentos. Esta alegria é expressa de igual modo pela própria denominação deste Domingo, chamado de 'Laetare', que significa 'Alegra-te', e que corresponde ao início da antífona deste IV Domingo da Quaresma:


"Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos todos os que amais; entregai-vos à alegria, vós que estivestes na tristeza para que exulteis e vos sacieis na abundância de vossa consolação. Ps. Alegrei-me com o que me foi dito: iremos à casa do Senhor."

quinta-feira, 23 de março de 2017

CNBB contra a Reforma da Previdência



Para CNBB, Reforma da Previdência “escolhe o caminho da exclusão social”

Entidade se manifesta após reunião do Conselho Permanente, realizada em Brasília, entre os dias 21 e 23 de março
A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, nesta quinta-feira, dia 23 de março, uma nota sobre a Reforma da Previdência. No texto, aprovado pelo Conselho Permanente da entidade, os bispos elencam alguns pontos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, considerando que a mesma “escolhe o caminho da exclusão social” e convocam os cristãos e pessoas de boa vontade “a se mobilizarem para buscar o melhor para o povo brasileiro, principalmente os mais fragilizados”.
Em entrevista coletiva à imprensa, também foram apresentadas outras duas notas. Uma sobre o foro privilegiado e outra em defesa da isenção das instituições filantrópicas. Na ocasião, a Presidência da CNBB falou das atividades e temas de discussão durante a reunião do Conselho Permanente, que teve início na terça-feira, dia 21 e terminou no fim da manhã desta quinta, 23.

Apreensão

Na nota sobre a PEC 287, a CNBB manifesta apreensão com relação ao projeto do Poder Executivo em tramitação no Congresso Nacional. “A previdência não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio”, salientam os bispos.
O Governo Federal argumenta que há um déficit previdenciário, justificativa questionada por entidades, parlamentares e até contestadas levando em consideração informações divulgadas por outros governamentais. Neste sentido, os bispos afirmam não ser possível “encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias”. 
A entidade valorizou iniciativas que visam conhecer a real situação do sistema previdenciário brasileiro com envolvimento da sociedade.
Leia na íntegra:

NOTA DA CNBB SOBRE A PEC 287/16 – “REFORMA DA PREVIDÊNCIA”


“Ai dos que fazem do direito uma amargura e a justiça jogam no chão”
 (Amós 5,7)

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, dos dias 21 a 23 de março de 2017, em comunhão e solidariedade pastoral com o povo brasileiro, manifesta apreensão com relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, de iniciativa do Poder Executivo, que tramita no Congresso Nacional.
O Art. 6º. da Constituição Federal de 1988 estabeleceu que a Previdência seja um Direito Social dos brasileiros e brasileiras. Não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os Direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio.
Abrangendo atualmente mais de 2/3 da população economicamente ativa, diante de um aumento da sua faixa etária e da diminuição do ingresso no mercado de trabalho, pode-se dizer que o sistema da Previdência precisa ser avaliado e, se necessário, posteriormente adequado à Seguridade Social.
Os números do Governo Federal que apresentam um déficit previdenciário são diversos dos números apresentados por outras instituições, inclusive ligadas ao próprio governo. Não é possível encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias. É preciso conhecer a real situação da Previdência Social no Brasil. Iniciativas que visem ao conhecimento dessa realidade devem ser valorizadas e adotadas, particularmente pelo Congresso Nacional, com o total envolvimento da sociedade.
O sistema da Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética. Ele é criado para a proteção social de pessoas que, por vários motivos, ficam expostas à vulnerabilidade social (idade, enfermidades, acidentes, maternidade...), particularmente as mais pobres. Nenhuma solução para equilibrar um possível déficit pode prescindir de valores éticos-sociais e solidários. Na justificativa da PEC 287/2016 não existe nenhuma referência a esses valores, reduzindo a Previdência a uma questão econômica.
Buscando diminuir gastos previdenciários, a PEC 287/2016 “soluciona o problema”, excluindo da proteção social os que têm direito a benefícios. Ao propor uma idade única de 65 anos para homens e mulheres, do campo ou da cidade; ao acabar com a aposentadoria especial para trabalhadores rurais; ao comprometer a assistência aos segurados especiais (indígenas, quilombolas, pescadores...); ao reduzir o valor da pensão para viúvas ou viúvos; ao desvincular o salário mínimo como referência para o pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), a PEC 287/2016 escolhe o caminho da exclusão social.
A opção inclusiva que preserva direitos não é considerada na PEC. Faz-se necessário auditar a dívida pública, taxar rendimentos das instituições financeiras, rever a desoneração de exportação de commodities, identificar e cobrar os devedores da Previdência. Essas opções ajudariam a tornar realidade o Fundo de Reserva do Regime da Previdência Social – Emenda Constitucional 20/1998, que poderia provisionar recursos exclusivos para a Previdência.
O debate sobre a Previdência não pode ficar restrito a uma disputa ideológico-partidária, sujeito a influências de grupos dos mais diversos interesses. Quando isso acontece, quem perde sempre é a verdade. O diálogo sincero e fundamentado entre governo e sociedade deve ser buscado até à exaustão.   
Às senhoras e aos senhores parlamentares, fazemos nossas as palavras do Papa Francisco: “A vossa difícil tarefa é contribuir a fim de que não faltem as subvenções indispensáveis para a subsistência dos trabalhadores desempregados e das suas famílias. Não falte entre as vossas prioridades uma atenção privilegiada para com o trabalho feminino, assim como a assistência à maternidade que sempre deve tutelar a vida que nasce e quem a serve quotidianamente. Tutelai as mulheres, o trabalho das mulheres! Nunca falte a garantia para a velhice, a enfermidade, os acidentes relacionados com o trabalho. Não falte o direito à aposentadoria, e sublinho: o direito — a aposentadoria é um direito! — porque disto é que se trata.” 
Convocamos os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados.
Na celebração do Ano Mariano Nacional, confiamos o povo brasileiro à intercessão de Nossa Senhora Aparecida. Deus nos abençoe!

Brasília, 23 de março de 2017.


Cardeal Sergio da RochaArcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

segunda-feira, 13 de março de 2017

Irmã Miria T. Kolling fala das composições para Nossa Senhora Aparecida

O Santuário Nacional de Aparecida, todo dia 12 de cada mês, nesse ano de 2017 celebra a coroação de Nossa Senhora em comemoração ao jubileu dos 300 anos do encontro da imagem.
::As canções dessa celebração foram compostas pela Irmã Miria T. Koling que contou ao A12.com como Nossa Senhora a inspira no trabalho com a música católica.
Ir Miria
 
"No caso de Aparecida, sinto-me um pouco intérprete da alma cantante do nosso povo devoto, traduzindo seus sentimentos filiais de fé e confiança em Maria..."
“Já compus outras Missas e muitos cantos a Nossa Senhora, sob vários títulos. Maria sempre me inspira, também pelo fato de eu pertencer a uma Congregação Mariana – somos Irmãs do Imaculado Coração de Maria. No caso de Aparecida, sinto-me um pouco intérprete da alma cantante do nosso povo devoto, traduzindo seus sentimentos filiais de fé e confiança em Maria, Mãe e intercessora junto ao Filho, para que jamais nos falte o vinho da alegria e do amor, da justiça e da vida... O desejo está um pouco expresso no título do CD “Glorifica minha alma ao Senhor”, por essa história tocante da imagem da Virgem Aparecida, um dia recolhida nas águas do Paraíba, mais tarde invocada e venerada como padroeira do Brasil. Não há como resistir ou ficar indiferente à sua presença materna em nossa história, em nossas vidas. O que as palavras não conseguem expressar, que o diga a música, glorificando o Senhor com Maria, pelas suas maravilhas em nós e por nós.”
Há mais de 45 anos evangelizando por meio da música, Irmã Miria recebeu um pedido do Santuário Nacional para compor as músicas da missa dos 300 anos e para isso fez uma preparação espiritual.
 
"...estive algumas vezes em Aparecida, sentindo “in loco” a presença maternal de Maria, o que sempre me comove. Assim, por mais de um ano, fui compondo e trabalhando a Missa."
“Num primeiro momento, fiz retiro de alguns dias com Jesus e Maria no Carmelo de Santa Teresa, bairro Jabaquara, aqui em São Paulo. Sou muito amiga das Irmãs Carmelitas, e nada melhor do que o Carmelo, ambiente orante e silencioso, bem favorável à experiência de Deus, à contemplação e inspiração musical para o louvor do Senhor, segundo o Coração de Maria, nossa querida Mãe Aparecida. Depois, ao longo de vários meses, fui buscando inspiração, rezando, compondo... Também estive algumas vezes em Aparecida, sentindo “in loco” a presença maternal de Maria, o que sempre me comove. Assim, por mais de um ano, fui compondo e trabalhando a Missa”, contou.
A celebração dos 300 anos no Santuário Nacional acontece todo dia 12 com missa e coroação, as canções são executadas pela orquestra do PEMSA (Projeto de Educação Musical do Santuário Nacional).

Quatro anos com Papa Francisco


Por: Dom João Orani Tempesta, O. Cist*

Rio de Janeiro (RV) - No dia 13 de março de 2013 o mundo conhecia o novo Papa “vindo quase do fim do mundo”. Em 4 anos de Pontificado, Francisco deixa com seu magistério uma marca indelével na história da Igreja. Nós ouvimos o Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta.

Dom Orani também escreveu um artigo para esta ocasião. Eis a íntegra:

O mês de março nos traz as comemorações da eleição e início do Pontificado do Papa Francisco. Na semana passada, pudemos assistir em nosso Auditório do Edifício João Paulo II ao lançamento do filme sobre sua vida: “Papa Francisco, Conquistando Corações”. Um filme hispano-argentino que está iniciando sua exibição no Brasil nesta semana. Além de uma série televisiva, também os jornais e revistas se interessam por esses momentos e, por isso, nesses próximos dias 13 e 19 farão suas reportagens e artigos sobre o fenômeno “Papa Francisco” que, além de chefe da Igreja Católica, tornou-se o grande líder mundial do momento.

Somos convidados a refletir um pouco mais detidamente a respeito dos quatro anos de pontificado do Papa Francisco, que estamos comemorando. Logo me veio à mente uma desafiadora questão: qual o segredo da liderança mundialmente reconhecida do Pontífice argentino?

Utilizo os dados e também como resposta à pergunta o livro de autoria de Jeffrey A. Krames: “Liderar com humildad: 12 leciones de liderazgo del Papa Francisco”. (Buenos Aires: V&R, 2014). Tal obra, que vale a pena ser lida na íntegra, a meu ver projeta luz ao pontificado de Bergoglio e leva-nos à profunda reflexão em nossos próprios campos de ação.

Pois bem, já se vão quatro anos que, para a surpresa da grande maioria, inclusive de órgãos de imprensa com suas listas de papáveis (papabili), era anunciado um nome um tanto fora de cogitação no balcão da Praça São Pedro, após a tradicional fumaça branca: Jorge Mario Bergoglio que, dali em diante, assume o nome de Francisco. Nome de Papa também inédito na bimilenar da História da Igreja, mas que bem revela o seu “programa de pontificado”: ser um reformador da “Casa de Deus” sem dela sair, assim como há muitos séculos fez seu inspirador homônimo, Francisco de Assis, grande santo da Igreja e querido também por muitos não católicos e até mesmo não crentes.

No entanto, o que me proponho a refletir, como afirmava de início, é sobre a liderança operante de Francisco, que Krames assim interpreta: “Que tem este líder para atrair a atenção de tanta gente? Talvez a humildade que desprende tanto em seu modo de viver, como na maneira que conduz seu rebanho. Quiçá é a genuína preocupação que ele mostra pelos demais, muito além de sua inserção no estrato social. Talvez é a forma com que abraça a sinceridade e a austeridade... É tudo isso e muito mais. Este Papa se mostra como um dirigente que compreende que os líderes conduzem pessoas, não instituições. Lamentavelmente, pouca gente entende que este é um entorno cada vez mais impessoal e de alta tecnologia”. (p. 24 – tradução livre).

Evidentemente, que citar todos os grandes feitos do Papa Bergoglio demandaria grande espaço, e outros meios de informação já o fizeram com precisão, de modo que me limito a lembrar apenas de alguns dados: canonizou 833 santos(as), entre processos comuns e “equipolentes”, ou seja, quando a fama de santidade vem de longos anos, mas não há um reconhecimento formal ou oficial da Igreja; declarou beatos(as) outras 974 pessoas superando, assim, São João Paulo II nesse quesito. Fez doze viagens em território italiano e 17 internacionais por 24 países, incluindo o Brasil nos dias 22 a 29 de julho de 2013, ocasião em que esteve aqui na nossa querida Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), e também visitou a cidade de Aparecida, em São Paulo, – a capital nacional da fé. Sou-lhe imensamente grato por esse gesto de deferência para com o povo brasileiro. Até hoje a nossa cidade não se esquece daquele momento de renovação espiritual e de testemunho da catolicidade em terras cariocas.

Até aqui, proferiu 787 discursos e 215 homilias; escreveu duas encíclicas: a Lumen Fidei, de 29/06/2013, e a Laudato Si, publicada em 18/06/2015; duas exortações pós-sinodais: a Evangelium Gaudium, de 24/11/2013, e a Amoris Laetitia, de 08/04/2016. Assinou também 16 Constituições Apostólicas, 99 Cartas, 38 Cartas Apostólicas, 18 Motu Proprios (documento de livre iniciativa), recebeu milhares de peregrinos em 168 audiências gerais, e presidiu 367 celebrações na Casa Santa Marta, no Vaticano. Realizou o Ano Extraordinário da Misericórdia em 2016. Combateu e combate com veemência os abusos de menores, de modo especial por parte de maus clérigos, publicando, inclusive, o Motu proprio “Como uma mãe amorosa”, no qual alerta que os bispos ou superiores religiosos maiores que acobertarem casos de abusos graves responderão na seara administrativa, podendo ser até removidos para sempre da função que ocupam. Tal medida traz, sem dúvida, maior segurança e confiança ao Povo de Deus.

Pensando na vida da Família de nossos dias, realizou dois Sínodos, um ordinário e outro extraordinário, e redigiu dois Motu Proprios, em 15 de agosto de 2015, com a reforma do processo canônico para as causas de nulidade do matrimônio: Mitis et misericors Iesus, no Código Canônico das Igrejas Orientais; e Mitis Iudex Dominus Iesus, no Código de Direito Canônico da Igreja Latina, a fim de ajudar a não poucos casais cujo casamento, apesar de todas as aparências de validade, nunca existiu.

Não posso deixar de mencionar a criação de 44 cardeais eleitores e de alguns não eleitores de diversos países, demonstrando, desse modo, a catolicidade ou a totalidade abrangente da Igreja, aberta a todos os homens e mulheres de boa vontade. Dentre os cardeais criados por Francisco se inclui – por imerecidos méritos próprios, mas pela graça de Deus – este irmão que está à frente da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, buscando caminhar ao lado do Santo Padre no projeto de uma Igreja pobre para os pobres. Igreja que não exclui, mas procura trazer para si todos os desejosos de abraçarem o amor de Deus em suas vidas.

O Papa Francisco está criando pontes! Neste propósito ele convocou o Ano Santo Extraordinário da Misericórdia. Constantemente, o Papa tem dado testemunho de que a esperança cria pontes e não muros. O próprio Papa sintetiza o seu agir como Bispo de Roma na sua tradicional catequese: “.... a esperança cristã não pode renunciar à caridade genuína e concreta. Na Carta aos Romanos, o próprio Apóstolo das Nações afirma com o coração na mão: ‘Nós, que somos os fortes – que temos fé, esperança, ou que não temos muitas dificuldades – devemos suportar as fraquezas dos que são frágeis, e não agir à nossa maneira’(15,1). Suportar as debilidades do próximo. Depois, este testemunho não permanece fechado nos confins da comunidade cristã: ressoa em todo o seu vigor também fora, no contexto social e civil, como apelo a não criar muros, mas pontes; a não pagar o mal com o mal, a vencer o mal com o bem, a ofensa com o perdão – o cristão nunca pode dizer: vais pagar, nunca; este não é um gesto cristão; a ofensa vence-se com o perdão – a viver em paz com todos. Assim é a Igreja! E é isto que faz a esperança cristã, quando assume os lineamentos fortes, e ao mesmo tempo ternos, do amor. O amor é forte e terno. É bonito!” (Cf. L’Osservatore Romano, quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017, número 6, página 16).

Além disso, chamou um grupo de Cardeais para a reforma da Cúria Romana e tomou muitas medidas administrativas com relação ao IOR, e também na nova disposição dos dicastérios da cúria romana. Grandes e importantes mudanças que vão ocorrendo nessa dinâmica. Enfim, são tantas atividades e mudanças que vieram para ficar e marcam seu pontificado. Nesta semana que antecede seus aniversários, participou do retiro anual da Quaresma com a Cúria Romana, agora sendo realizado fora do Vaticano.


Grande destaque merece sua liderança mundial com relação aos refugiados, à fome e à procura da paz. São temas que retornam sempre em suas exortações. A sua proximidade e preocupação com os pobres têm sido demonstradas não só com palavras, mas com muitos gestos concretos seja pessoalmente pelo Papa, seja pelos seus emissários, para estarem presentes junto aos excluídos e marginalizados.

É um pastor preocupado com seu povo e para que seu povo seja bem assistido e respeitado. É o pastor que vai em busca da ovelha perdida e quer acolher a todos. É aquele que dialoga com quem está longe e procura construir pontes para o presente e para o futuro.

A Igreja de São Sebastião do Rio de Janeiro, pelo seu Arcebispo Metropolitano, com os seus Bispos Auxiliares e Eméritos, o Presbitério, os Diáconos, os Religiosos e Religiosas, as forças vivas da ação evangelizadora e todo o povo de Deus, que aqui caminha como Igreja peregrina, quer se unir espiritualmente oferecendo nesta semana do aniversário de seu pontificado coroas espirituais de orações nas suas intenções, para que o seu Pontificado continue sendo a graça da santificação do povo de Deus que peregrina na Urbe e no Orbe.

Parabéns, Papa Francisco, pelos quatro anos à frente da Barca de Pedro, ouvindo-nos como irmãos no Batismo, no Sacerdócio e no Episcopado e orientando-nos como um pai amoroso que nos ensina não só por sábias e precisas palavras, mas também pelo luminoso exemplo de seus pequenos gestos, repletos de grande humildade.
Papa Francisco com o Ministro Geral da Ordem Franciscana

Obrigado! Muito obrigado pelo seu testemunho! De nossa parte continuamos rezando, sempre e diariamente, pelo seu ministério e pela sua pessoa, pela sua vida!


*Cardeal e Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

quinta-feira, 9 de março de 2017

CRB contra a Reforma da Previdência

CRB NACIONAL
Of. 007/2017
Brasília, DF, 08 de março de 2017
“Felizes sois vós quando vos insultam e perseguem e mentindo
dizem contra vós toda espécie de mal por minha causa.
Alegrai-vos e regozijai-vos”. (Mt 5,11)
Queridas Religiosas e Queridos religiosos!
É em nome pessoal e em nome da CRB Nacional, que representa mais de 35 mil religiosos e religiosas, que lhes escrevo. Faço-o com o coração entristecido por, mais uma vez, ver os interesses de poucos solaparem os direitos de muitos, especialmente das crianças e jovens mais pobres e vulneráveis. Literalmente querem nos tirar as migalhas.
Pessoas com passado não muito transparente se sentem no direito de legislar e de impor suas ideias, valendo-se do cargo que ocupam como representantes do povo. Como cristãos e como religiosos devemos aguçar o nosso senso crítico para não legitimar posições assumidas que vão contra o Evangelho e os direitos dos mais pobres.
Nos próximos dias estará sendo discutida, e talvez votada, por nosso parlamento, a Reforma da Previdência, na qual o Governo Federal busca alterar a Constituição Federal por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 287/2016. Além de outros absurdos, no bojo dessa reforma, nossos representantes querem extinguir o direito à Filantropia a que muitas instituições beneficentes e de caridade tem direito. Trata-se de um dos efeitos colaterais de contornos imprevisíveis que tal emenda produzirá contra os pobres dessa nação no presente e no futuro.
O deputado federal Arthur Maia (PPS-BA), relator da proposta, tem se pronunciado categoricamente contra as desonerações fiscais em favor de alguns setores da sociedade, em especial das instituições filantrópicas. Chegou ao ponto de apelar à difamação pública dessas instituições centenárias, imputando-lhe adjetivos como: “pilantropia”, “pouca vergonha” e “aberração” no infeliz intuito de desqualificar a imunidade tributária das entidades beneficentes e de assistência social. É triste ver nas redes sociais anúncios do PMDB afirmando: “Se a reforma da previdência não sair – Adeus Bolsa Família – Adeus FIES …”. Uma campanha bem ao estilo autoritário e segundo a ética de quem a patrocina e, quem sabe, a financia.
O cronograma de tramitação dessa matéria no Congresso Nacional é extremamente curto. Já nos próximos dias, por volta do dia 22/03/2017, deverá ser votada na Plenária da Câmara. O atual domínio da bancada do Governo certamente garantirá a aprovação sem o menor esforço, pouco se lixando com as consequências de tal decisão. O que importa é arrecadar mais impostos.
A única forma de mudarmos esse triste panorama é o engajamento de todos: lideranças, religiosos/as, colaboradores, atendidos das nossas unidades sociais, escolas e universidades, hospitais, centros de atendimentos. Ou nós nos mobilizamos e defendemos o direito das nossas instituições e dos pobres, ou mais uma vez pagaremos a conta dos desmandos palacianos.
Permitam-me oferecer-vos alguns dados e ilustrações para melhor compreensão da gravidade do assunto:
  • Pesquisa do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas – FONIF, realizada a partir de dados oficiais fornecidos pela própria Administração Pública, revela que as entidades imunes proporcionam um retorno social da ordem de 5,92 x 1. Isto é, para cada R$ 1,00 não cobrado em tributos, R$ 5,92 são convertidos em benefício da população, na forma de serviços, empregos, infraestrutura, qualidade de vida e conhecimento. Ou seja: se o governo tirar a filantropia das instituições que prestam esses serviços, ele terá que arcar com a assistência a essas pessoas, gastando 5,92 vezes mais do que arrecada para dar o atendimento necessário. Como percebemos, essa decisão é pouco inteligente e incidirá diretamente na queda ou desqualificação do atendimento dos mais necessitados.
  • As isenções das entidades filantrópicas correspondem a apenas 3% da arrecadação total da Previdência Social, de modo que a suspensão de tal isenção não vai solucionar o problema. A devolução do dinheiro desviado no “propinoduto” daria muito mais resultado financeiro do que terminar com as filantrópicas;
  • Caso as entidades filantrópicas percam esse incentivo, centenas ou milhares de escolas, hospitais, universidades, centros sociais, centros de atendimentos a vulneráveis pertencentes a estas instituições deverão fechar as portas. Milhões de pessoas serão privadas de atendimento digno e humanitário nas unidades atendidas pelas filantrópicas e passarão para a rede pública, já incapaz de oferecer ao nosso povo o mínimo em saúde e educação.
  • A consequência de curto prazo, será o aumento de crianças e adolescentes vivendo na rua, com muita possibilidade de futuramente assaltarem os que hoje lhe negam um tratamento digno. E então, a economia feita hoje, será insuficiente para construir prisões para abrigar os infratores produzidos pelo abandono produzido por tal decisão. Uma pena que a maioria dos nossos políticos não consigam ver além da próxima eleição.
Irmãos e Irmãs, precisamos mobilizar as nossas instituições! Precisamos defender os nossos direitos e os direitos dos pobres e vulneráveis! Não se trata de luta ideológica, mas de posicionamento evangélico.
Como ação prática, sugiro que enviem centenas, milhares, milhões de e-mails, aos deputados e senadores. Usemos as redes sociais para denunciar mais esse abuso de poder econômico e político de poucos que marginaliza quem trabalhou com seriedade durante séculos em favor dos necessitados. Participemos de manifestações públicas com esse objetivo. Alertemos os nossos atendidos, alunos, enfermos, sobre esse perigo e peçamos a eles que se manifestem nas redes sociais contra esse “assalto” a dignidade das instituições e das pessoas. Não poupemos nenhum esforço no sentido de esclarecer e de influir na decisão dos nossos representantes em Brasília.
Termino pedindo a todos os religiosos e religiosas, especialmente aos anciãos, aos enfermos e aos de clausura, que rezem fervorosamente a Deus, para que o Espírito Santo ilumine as mentes e os corações dos que devem decidir nosso futuro. Se Deus ouviu o clamor de Israel quando o Faraó escravizou o seu povo, certamente nos ouvirá também. Ele é Pai e Mãe e cuidará de nós e dos pobres do mundo. Recordo o Evangelho: “Existem certos demônios que só são expulsos mediante muita oração” (Mt 17,21). Quem sabe, estejamos diante de um deles.
Que o Deus bondoso tenha para nosso país olhos de misericórdia e nos conduza pelos caminhos da justiça e da fraternidade. Que a Virgem de Aparecida nos proteja e nos abençoe.
Em união de preces

IR. MARIA INÊS VIEIRA RIBEIRO
Presidente da CRB Nacional
CONFERÊNCIA DOS RELIGIOSOS DO BRASIL

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