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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Falece o pensador da "sociedade líquida"

Cidade do Vaticano (RV) - Faleceu esta segunda-feira (09/01) aos 91 anos de idade, na cidade inglesa de Leeds, Zygmunt Bauman, intelectual célebre pela definição de “sociedade líquida”. Nascido na Polônia no seio de uma família judia, Bauman ocupou-se, entre os muitos temas de seus estudos, de pós-modernidade e globalização.

Recorda-se a participação do filósofo e sociólogo nos últimos encontros internacionais, promovidos no “espírito de Assis” pela Comunidade romana de Santo Egídio, como o de setembro passado, em que expressou com convicção a visão de um diálogo necessário entre leigos e fiéis para a construção da paz.

Para um rápido olhar sobre a figura de Bauman e seu legado, a Rádio Vaticano entrevistou a docente de Sociologia dos processos culturais da Universidade Roma Três, Cecilia Costa. Eis o que disse:

Cecilia Costa:- “Era um estudioso de grande envergadura, porque se ocupou de fenômenos e de temas de atualidade muito importantes. Talvez seja recordado pelo termo “líquido”, que usou de modo apropriado, aplicando-o a uma série de conceitos: por exemplo “sociedade líquida”, “amor líquido”. Considero que os estudos mais importantes que fez foram sobre a ambivalência e sobre a modernidade. Ou seja, ele colheu um traço característico da modernidade avançada, que é o da contradição, contínua e constante, que está transversalmente presente em todos os fenômenos sociais. Fez estudos muito sérios sobre a pobreza hoje, que não é mais a falta de trabalho, mas a falta de consumo. E ultimamente escreveu um texto no qual indica os males de uma democracia que está em involução, ao invés de evoluir-se. Ademais, ao contrário daquilo que habitualmente se imagina e se pensa, essa conexão contínua, que é vista como democratização das informações, na realidade não produz conhecimento.”

RV: Qual estudioso visionário que foi dos nossos tempos, qual é a herança que Bauman nos deixa?

Cecilia Costa:- "Certamente a atitude: de uma honestidade intelectual absoluta, o que não é pouco para um estudioso. De certo modo como os clássicos do pensamento, ele viveu intensamente, intelectualmente e existencialmente os problemas sobre os quais se debruçou. A meu ver, esta é uma herança muito séria, porque há um envolvimento pleno da personalidade e da reflexão científica.”

RV: Bauman era polonês e viveu tanto a experiência do nazismo quanto a do comunismo. Quanto essas experiências influenciaram em seu percurso intelectual?

Cecilia Costa:- “Muito, muito. Foi quase uma capacidade de sofisticar a sua elaboração teórica e científica, propriamente porque viveu essas experiências e elas de algum modo foram vitais, permaneceram presentes em seu pensamento. Não as colocou entre parênteses, sempre quis recordá-las, conservá-las, para poder elaborar posteriormente toda a sua produção no signo de uma honestidade intelectual absoluta.” (MR – RL)

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