Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

domingo, 15 de outubro de 2017

Jesus Cristo não é a “Rainha do Céu”

Por: Dom Tomé Ferreira da Silva

Na cidade de São José do Rio Preto, na noite do dia 16 de setembro, numa promoção do SESC, ocorreu a encenação da peça intitulada“O Evangelho segundo Jesus, rainha do céu”, recusada em outras cidades e proibida pela justiça, na mesma ocasião, na cidade de Jundiaí. Alguns dias antes, a exposição “Queermuseu” foi cancelada em Porto Alegre, promovida pelo banco Santander. Um outro “artista” nu tem se apresentado usando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida como tapa-sexo e depois “rala”, literalmente, a imagem reduzindo-a a pó; a mesma pessoa também usou hóstias para escrever palavras impróprias em uma exposição. No ano passado, na Catedral de São José do Rio Preto a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo Crucificado foi estraçalhada. Nos últimos anos, inúmeras igrejas em São José do Rio Preto foram arrombadas e roubadas, em flagrante desrespeito ao Santíssimo Sacramento e a símbolos católicos. São apenas alguns fatos, dentre tantos, que formam uma corrente sucessiva de “agressões” às religiões e igrejas, atingindo seus valores, símbolos, sacramentos, sacramentais e pessoas.

O homem é o produtor da cultura. A arte, em qualquer uma de suas manifestações, é uma expressão da cultura, uma entre tantas outras. Das expressões da cultura, a mais ampla, profunda e madura é formada pelo conjunto dos valores que norteiam a vida humana e a sociedade e que são fundantes da ética. Os valores possuem horizonte mais amplo que as demais manifestações culturais. A arte, como uma expressão de cultura, está também ela circunscrita aos valores. Antropológica e culturalmente não é possível pensar a arte sem a ética dos valores, como também não é possível pensar nenhuma manifestação cultural fora do horizonte da ética da responsabilidade.

De muitas formas, Cristo continua sendo violentado
 e rejeitado nos nossos dias!
Do mesmo modo que a cultura é plural nas suas manifestações, também a arte se expressa de variados modos. Cultura e arte estão sempre condicionadas pelo tempo e espaço, são plurais, ambivalentes e sujeitas a ambiguidades. As artes são modos de exprimir o belo. O belo é o mais frágil dos transcendentais, junto com o uno, a verdade e o bom. As manifestações artísticas estão sujeitas aos limites que lhe são próprios por natureza. O belo é tão sublime que não se deixa exprimir por um único meio, e cada expressão do belo carrega consigo uma ausência da plenitude da beleza. A fragilidade das expressões artísticas abre espaço para a ambivalência e ambiguidade, que podem ser o caminho para a transgressão e a absolutização da subjetividade, quando o eu tem a tentação de tornar-se maior que o belo.

Basta adjetivar algo de “artístico” para ser arte? A arte é totalmente subjetiva se não tem critérios que ajudam no discernimento do que é a obra de arte. A arte em qualquer uma de suas manifestações possui uma dimensão objetiva. Esta objetividade da arte, como também dos valores, está intimamente vinculada com a vida cultural e social da pessoa humana. A adjetivação de algumas produções culturais como “arte” parece estar sendo usada como artifício para fugir da ética dos valores e da responsabilidade social, como se as expressões artísticas estivessem para além dos valores e dispensadas deles. Em muitas situações estas produções culturais que se autodeterminam de artísticas parecem buscar os benefícios do Estado ou de outras expressões da sociedade civil para incomodar, provocar e agredir pessoas e grupos específicos que pensam diferente, expressão sensível e doída da intolerância, pois atinge a “alma” das pessoas e dos grupos.

A sociedade, através das suas instituições de governo ou não, deve ser garantidora dos valores éticos e das artes, assegurando a pluralidade das manifestações artísticas e garantindo o respeito aos valores consolidados que balizam a vida humana e social. Por que as religiões e igrejas podem ser criticadas, caluniadas, vilipendiadas por pessoas e grupos, que em alguns casos se apresentam como artistas? E por que as religiões e igrejas, ao se manifestarem diante das críticas em sua autodefesa, são taxadas de ignorantes, fanáticas e retrógradas? Por que uns “podem” usar os meios de comunicação para divulgarem suas “obras” e os ofendidos não podem usar os mesmos meios para uma reação pedindo respeito e uma ética de responsabilidade dos produtores de arte e dos mecenas? Por que os “artistas” podem tudo e as pessoas religiosas e seus líderes não podem nada?

É dever da sociedade organizada acompanhar as manifestações da arte para que não saiam da esfera de uma ética dos valores e da responsabilidade, não transgridam os limites do respeito aos diversos grupos que formam a sociedade e não agridam valores humanos e religiosos. Para tanto, basta observar o que está na constituição e nos dispositivos legais do nosso Brasil. Quando a sociedade organizada não faz o seu papel de supervisora, a partir da legislação vigente, a transgressão livre, consciente e proposital levará indubitavelmente à agressão. Quando os poderes constituídos da sociedade civil não cumprem a sua missão, fica o espaço aberto para o vandalismo e o desrespeito gratuito diante do diferente. A imensa maioria dos produtores de arte e dos artistas são bons e sabem exprimir a beleza de modo adequado sem fugir à ética dos valores e da responsabilidade. Estes realizam interpretações de temas religiosos com inteligência, beleza e bom gosto, contribuindo para a difusão do bem na sociedade. Muitos deles realizam edificantes leituras da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo e das manifestações de fé próprias dos cristãos; muitas destas obras são patrimônio cultural da humanidade.

Quando a arte usa de elementos religiosos precisa de uma atenção singular, pois Deus, as pessoas santificadas, os valores religiosos, os livros sagrados, seus símbolos e seus sinais são frutos da Revelação e da história, muitas vezes milenar, como é o caso do Cristianismo. A Bíblia, seus personagens e fatos, não pode ser vista de igual modo como se olha livros de outra natureza. A linguagem e os conteúdos bíblicos devem ser interpretados através de uma hermenêutica própria. O mesmo ocorre com a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, que precisa ser apreciado sem fugir dos instrumentais adequados para compreendê-lo. Uma “leitura livre”, artística ou não, da Bíblia e de Nosso Senhor Jesus Cristo, pode correr o risco de falsificar a verdade, induzir ao erro e relativizar erroneamente a fé e a moral, criando e promovendo a divisão na sociedade, pois ao agredir a fé perturba também a paz.

Não cabe às religiões e Igrejas “demonizar a arte”, mas contribuir para fazer dela instrumento de aproximação e / ou de recepção e manifestação do belo e também do sagrado. Não existe religião ou igreja que não tenha contribuído para o desenvolvimento da arte, pois o belo é sagrado, é divino. O cristianismo, desde a sua origem, sempre foi estreitamente vinculado às expressões artísticas; a sua história é também um capítulo da história da arte. Por outro lado, a história da arte não pode suprimir a contribuição do catolicismo para a música, a pintura, a escultura, a arquitetura, o teatro e o cinema. Não há incompatibilidade entre religiões, igrejas e manifestações artísticas. Os valores éticos e religiosos contribuem para que a arte realize bem a sua missão de ser transmissora dos valores artísticos. No entanto, lamentamos e repudiamos todas as manipulações ideologizadas de expressões artísticas, como a ocorrida no SESC, em São José do Rio Preto, que agrediu a fé e os valores de noventa e cinco por cento da população cristã da cidade. Ética, responsabilidade e respeito são bons e nós, cristãos, merecemos e queremos.

*Bispo de São José do Rio Preto/SP, in www.cnbb.org.br.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

10 curiosidades de Aparecida nestes 300 anos de História

Certamente você já ouviu falar da história e dos milagres de Nossa Senhora Aparecida e sabe que essa devoção mariana surgiu da descoberta de sua imagem nas águas do Rio Paraíba do Sul, nos arredores de Guaratinguetá – região que se tornou o atual município de Aparecida. Mas essa história de 300 anos é cheia de detalhes: aqui vão 10 coisas que você não sabia sobre a história da devoção à Padroeira do Brasil.


A imagem não foi encontrada em um 12 de outubro

Não se sabe ao certo em que dia a imagem foi encontrada pelos pescadores. O máximo que se sabe é que, provavelmente, a aparição aconteceu durante a segunda quinzena de outubro – período em que o governador da Província de São Paulo e Minas Gerais estaria visitando a região, razão da pesca de Felipe, Domingos e João. Foi baseando-se nessa data que o dia 12 foi escolhido, por aproximação, para celebrar a festa de Nossa Senhora Aparecida – mas isso só aconteceu em 1953. No começo, a sua festa era no dia da Imaculada Conceição, em 8 de dezembro, já que se trata de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Antes da data atual, a festa também já foi celebrada em 7 de setembro, dia da independência do país, devido à proclamação de Aparecida como padroeira do Brasil.
Dom Pedro I visitou Aparecida duas semanas antes de proclamar a independência

Na viagem por São Paulo durante a qual proclamou a independência do Brasil, o então príncipe regente Pedro I passou por Aparecida e visitou a imagem em seu santuário – isso aconteceu em 22 de agosto de 1822. Dom Pedro prometeu a Nossa Senhora Aparecida consagrar o Brasil a ela caso a sua situação política complicada se resolvesse. Seu filho e sucessor, dom Pedro II, também esteve no santuário, em 1843 e 1865.


Aparecida tinha os cabelos curtos


Os cabelos da imagem original eram curtinhos: não chegavam sequer aos ombros. Os cabelos compridos apareceram só em 1978, quando a imagem foi restaurada – seria melhor dizer “reconstruída” – depois de ser quebrada em centenas de fragmentos, por um rapaz com distúrbios psicológicos que a tirou do nicho. O objetivo era que os cabelos maiores ajudassem a fixar melhor a cabeça ao corpo. Nesse restauro, conduzido por Maria Helena Chartuni, do Museu de Arte de São Paulo (MASP), Aparecida foi praticamente refeita – sobretudo a cabeça, que foi a parte mais danificada. É clara a diferença dos traços ao comparar fotos de antes e depois do restauro: além dos cabelos, nota-se que ela era mais rechonchuda e de traços mais suaves.


Aparecida já recebeu presentes de quatro papas

A rosa de ouro é uma honraria conferida pelo papa que data pelo menos do século XI e consiste justamente em uma escultura de uma roseira feita em ouro puro. Comumente ofertada a membros da realeza – como a Princesa Isabel, que ganhou uma de Leão XIII quando assinou a lei áurea –, a entrega da rosa de ouro tem sido reservada desde o Concílio Vaticano II a santuários marianos. Aparecida já ganhou três: uma de Paulo VI, em 1967, outra de Bento XVI, em 2007, e uma de Francisco, em 2017. As rosas podem ser vistas no museu que fica na torre da basílica. Além disso, os mosaicos que adornam a Capela do Santíssimo, na basílica, foram um presente de João Paulo II, em 1980.


Aparecida é a Generalíssima do Exército Brasileiro

Na mesma ocasião em que a rosa de ouro ofertada por Paulo VI foi entregue ao santuário, em 1967, o presidente Artur da Costa e Silva outorgou a Nossa Senhora Aparecida um título único: Generalíssima do Exército Brasileiro – a patente mais alta do exército de nosso país.


São Josemaria Escrivá, o fundador do Opus Dei, já visitou Aparecida

“Com que alegria fui a Aparecida! Com que fé vocês todos rezavam! Eu dizia à Mãe de Deus, que é Mãe de vocês e minha: Minha Mãe, Mãe nossa, eu rezo com toda esta fé dos meus filhos. Te queremos muito, muito. E parecia escutar, no fundo do coração: com obras!” Essa foi uma das frases de São Josemaria Escrivá quando esteve na Basilica Velha, em 28 de maio de 1974, junto daquele que seria seu sucessor, o Beato Álvaro del Portillo. A passagem do santo pelo santuário ocorreu um ano antes da sua morte. Ali, ele rezou o terço junto com fiéis do Opus Dei. A visita é lembrada com uma imagem de São Josemaria, instalada na basílica em 2008.


A imagem era colorida

Manto azul com forro em vermelho vivo, pele clara, túnica esbranquiçada, com detalhes em amarelo. A imagem de Aparecida era assim quando foi produzida, provavelmente no século XVII, pelo Frei Agostinho de Jesus. Supõe-se que a imagem fosse conservada em uma capela de Nossa Senhora do Rosário às margens do Paraíba e que, após uma enchente na igrejinha ou depois de ter a cabeça quebrada, foi descartada nas águas do rio – que apagaram as cores da imagem. As cores do manto vinham de uma ordem de dom João VI, que, ao proclamar a Virgem da Conceição padroeira de Portugal, ordenou que o seu manto fosse sempre colorido de azul e vermelho, as cores do Reino de Portugal.


Os redentoristas que vieram cuidar de Aparecida já tinham experiência na área

Quando o Vaticano pediu a missionários redentoristas alemães que assumissem o cuidado do santuário, em 1894, os padres do convento de Gars, na Alemanha, tinham acabado de transferir para outra congregação a responsabilidade por um outro santuário mariano: o da padroeira da Bavária, Nossa Senhora de Altötting. Como Aparecida, a imagem de Altötting é pequena, rústica e enegrecida. O seu santuário fica a apenas 20 minutos de carro de Marklt am Inn, a cidade natal do papa Bento XVI, que tem muito carinho pela Virgem de Altötting. Ele até mesmo ofereceu o anel que usava como cardeal ao santuário e hoje a peça faz parte do cetro da imagem. Além disso, quando o pontífice alemão esteve em Aparecida, os padres redentoristas fizeram questão de colocar no quarto em que ele ficou hospedado uma reprodução da Virgem de Altötting.


Aparecida está se espalhando pelo mundo

Se você for ao conhecido santuário do Menino Jesus de Praga, na República Checa, vai se deparar com uma imagem da padroeira do Brasil, entronizada lá em 2007. Também é possível encontrar Aparecida em igrejas da Colômbia, da Eslovênia, dos Estados Unidos, de Portugal, da Eslováquia, da Argentina, da França, do Líbano e até mesmo nos Jardins Vaticanos: um monumento dedicado a Nossa Senhora Aparecida foi inaugurado no local pelo papa Francisco, em 2016. O maior responsável por levar Aparecida pelo mundo tem sido o cardeal Raymundo Damasceno Assis, que foi arcebispo de Aparecida entre 2004 e 2016 e presidente da CNBB entre 2011 e 2015.


O Brasil também tem outros padroeiros

Aparecida divide o título de padroeira do Brasil com outras duas figuras. O primeiro santo a ser declarado padroeiro do Brasil foi São Pedro de Alcântara, em 1826, quatro anos depois da independência. Quem o proclamou patrono foi o papa Leão XII, a pedido do imperador Pedro I, que envergava justamente o nome de Pedro de Alcântara. Embora o patronato do franciscano espanhol tenha sido esquecido, nunca foi anulado. Só em 1930 Aparecida foi proclamada também padroeira, por Pio XI. Já em 2015, a CNBB declarou copadroeiro do Brasil o jesuíta São José de Anchieta, um ano depois de sua canonização.



quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Custódia celebra fundador da Ordem

Nos quatro cantos da Custódia Provincial Imaculada Conceição, os frades Franciscanos Conventuais celebraram o dia do Seráfico pai São Francisco de Assis. Os festejos em muitas paróquias, assistidas por eles, iniciaram com a novena em preparação a este dia solene. E ontem, juntamente com a Casa de Formação e também no Eremitério, através de orações, encenação, cantatas e celebração lembraram o Trânsito do Poverello de Assis.
Tiveram almoço festivo e exposição de objetos, quadros e imagem que remetiam a realidade, espiritualidade e história Franciscana e a tradicional bênção dos animais.
O dia foi mais intenso na sede Custodial e paróquia São Francisco no Rio Comprido na cidade carioca.
Que São Francisco abençoe novamente todos os seguidores e seguidoras do Cristo Pobre e Crucificado. E que possamos ser um vivo e eficaz testemunho de paz e bem no mundo de hoje!






















quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Reflexão sobre a Oração da Ave Maria

Cada parte da oração da Ave-Maria tem um significado baseado nas Sagradas Escrituras e na Tradição

“Ave, cheia de graça”

Na Anunciação, o Anjo a saudou: “Ave, cheia de graça”. Maria foi a única que achou graça diante de Deus, porque foi a única “concebida sem o pecado original”. Nas aparições a Santa Catarina Labouré, na França, em 1830, ela pediu que fosse cunhada o que ficou sendo chamada de “Medalha milagrosa”. Em letras de ouro, Catarina viu escrita a bela frase: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!”.

O Senhor é convosco

“O Senhor é convosco”, disse-lhe o Arcanjo Gabriel. Maria tem uma intimidade profunda com Deus. Diz o nosso Catecismo que “desde toda eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré na Galileia, ‘uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria’ (Lc 1,26-27)”. Ela é Filha do Pai, é a Mãe do Filho, e é a Esposa do Espírito Santo. Está em plena unidade com a Santíssima Trindade. Numa única mulher Deus tem Mãe, Filha e Esposa.

Bendita entre todas as mulheres...

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1,42). Foi assim que Santa Isabel saudou a Virgem, “em alta voz” e “cheia do Espírito Santo”. E o menino João Batista estremeceu em seu seio. Isabel deixou claro por que Maria é “bendita entre todas as mulheres”: “Donde me vem a honra de vir a mim a Mãe do meu Senhor?” (v.43). E Isabel completa: “Bem-aventurada és tu que creste…” (v.44).

O bendito fruto do seu ventre é o próprio Deus, Filho de Deus, encarnado em seu seio virginal: Jesus. Ela é a Mãe de Deus. Quando o herege Nestório, patriarca de Constantinopla, quis negar essa verdade, o povo se revoltou, e o Concílio de Niceia, em 431, confirmou a maternidade divina de Maria: (Theotókos). “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48), por isso a piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão.

Depois de saudar a Virgem Maria, Mãe de Deus, com essas palavras que desceram do céu, a oração da Ave-Maria nos leva a implorar as graças do Senhor pela intercessão daquela a quem Deus nada pode negar.


Santa Maria, Mãe de Deus

O que não consegue a Mãe do Altíssimo? O que não pode conseguir, diante do trono da graça, aquela que é Sua Mãe, Esposa e Filha? O milagre das Bodas de Caná (João 2) diz tudo, mostra o grande poder intercessor da Mãe diante do Filho. Por isso, a Igreja sempre nos ensinou: “Peça à Mãe que o Filho atende!”. O bom filho nada nega à sua mãe, por isso São Bernardo de Claraval, doutor da Igreja, a chamava de “Onipotência suplicante”. Consegue tudo, por graça, o que Deus pode por natureza.

Rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte

E nós pecadores lhe imploramos: “Rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte”. Consegue do Rei os grandes benefícios aqueles que estão perto d’Ele, aqueles que têm intimidade com Ele. Quem mais do que Maria tem intimidade com Deus? Quantas pessoas me pedem para mediar um pedido junto ao fundador da Canção Nova, monsenhor Jonas Abib, porque sabem que tenho intimidade com ele! O mesmo acontece com Deus. Esse é o poder da intercessão.

A Mãe Santíssima diante do seu Filho roga por nós sem cessar. Disse o Concílio Vaticano II, que “assunta aos céus (…), por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. (…) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora e medianeira.” (n.969).

“A missão materna de Maria em favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui a mediação única de Cristo; pelo contrário, até ostenta sua potência, pois todo o salutar influxo da bem-aventurada Virgem (…) deriva dos superabundantes méritos de Cristo, baseia-se em sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a sua força.” (n.970)

A nossa Mãe roga por nós a cada momento, mesmo que não tenhamos consciência disso; especialmente protege aqueles que lhe são consagrados fervorosamente. De modo especial, defende-nos na hora da morte. Quantas almas a Virgem Maria salva na hora da morte! Especialmente aqueles que lhe são consagrados. São Bernardo dizia que não é possível que se perca um bom filho de Maria. Por isso, pedimos insistentemente que ela rogue por nós, sobretudo na hora decisiva de nossa morte. Quando rezamos o Santo Rosário, a ela oferecemos rosas espirituais, que ela leva a Deus por nós. Ela não as retém para si, pois o rosário é a meditação de toda a vida de Jesus Cristo, nosso Senhor.

(Fonte: Canção Nova)

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Franciscanos Conventuais chegam à capital Mineira

Ontem a tarde, Frei Ronaldo Gomes, OFMConv e Frei Carlos Charles, OFMConv, representando o Governo Custodial, no encontro com o Arcebispo Dom Walmor, assinaram o convênio entre a Custódia Imaculada Conceição e a Arquidiocese de Belo Horizonte, neste encontro estavam presentes o futuro pároco e vigário paroquial, escolhidos no último Capítulo Ordinário Custodial em julho desde ano. Um sonho muito antigo desta jurisdição começa a se tornar realidade, com esta nova presença ministerial na capital mineira, um momento histórico para ambas as partes.
Ligados a Paróquia de Santa Cecília no bairro Europa, na região de Venda Nova em Belo Horizonte, os Frades José Cardozo, Francisco Antônio e Fábio Soares irão compor a casa filial batizada de Nossa Senhora dos Anjos.
Hoje, por volta das 20h00, o bispo auxiliar, responsável pela Região Episcopal Nossa Senhora da Conceição, Dom Edson Orilo, presidiu a Celebração Eucarística em honra a São Vicente de Paula, na qual deu início ao ministério do Frades Menores Franciscanos Conventuais e assumiu como pároco Frei Fábio Soares,OFMConv, como Vigário paroquial Frei José Cardozo e como Assistente de Pastoral Frei Franisco Antônio na Paróquia de Santa Cecília – Belo Horizonte / MG 
A paróquia citada estava vacante fazia uns cinco meses, sendo cuidada sacramentalmente pelos padres da região e pelo Vigário Episcopal Padre Antônio Moacir e pela perseverança e orações do povo desta comunidade paroquial.
Para esta celebração, a igreja ficou pequena, devido ao grande número de paroquianos, de religiosos e religiosas, padres e frades presentes. Dentre eles estava o Custódio Provincial Frei Ronaldo Gomes, os definidores Frei Carlos Charles, Frei Michel da Cruz; Frei Leonardo Rodrigues e Frei Marcelo dos Santos além dos Frades Franciscanos Capuchinhos e um ônibus de amigos e paroquianos de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Nossa Senhora do Rosário de Juiz de Fora/ MG, lugar onde Frei Fábio residiu até esta semana, e sua mãe Luiza Anete veio junto com a comunidade juizforana se alegrar com os frades.
Foi uma celebração festiva e bem preparada pela Comunidade Paroquial, que aguardava com esperança e ansiedade a chegada deste dia, depois foi servido no salão paroquial um jantar para todos os presentes.
Peçamos a Deus que abençoe este novo trabalho e que Santa Cecília e o Arauto de Assis interceda e ilumine esta nova caminhada na vida desta comunidade e da Custódia.













quinta-feira, 21 de setembro de 2017

CRB Nacional: Reflexão séria sobre um tema atual

Pe. Giovanni Cipriani, passionista
Doutor em psicologia
Doutor em bioética
Alguns dias atrás, mais precisamente em agosto deste ano, passaram-me um vídeo onde um bispo, durante a celebração da Missa, na homilia, argumentou sobre a homossexualidade chegando afirmar que a “homossexualidade é dom de Deus”. A fala soou estranha e causou confusão no meio católico, deixando as pessoas desorientadas.
Pessoalmente penso que esse bispo, antes de fazer da homilia uma aula de sexualidade, deveria estudar um pouco mais.
1. A palavra do bispo.
a). “O Evangelho por excelência é Evangelho da inclusão”. Acredito. E o cristão não deve excluir ninguém. Porém o Evangelho por excelência é ‘Evangelho da verdade’, e a verdade nos torna livres.[1]
b). “Numa perspectiva de fé a homossexualidade é dom de Deus”. Dom de Deus não é a homossexualidade, e sim, realizar o projeto inato na natureza humana. “Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele os criou”.[2]
Assim, o homem é imagem de Deus na dualidade de macho e fêmea: nem o macho nem a fêmea são, isolados, imagem de Deus. A ‘dialogicidade’ dos sexos diferentes já se abre ao dom, ao amor, à fecundidade, reproduzindo assim a imagem de Deus, que é essencialmente amor que se doa e cria. [3]
Acolher essa dualidade, inata na natureza humana, e vivê-la na unidade, isso sim é considerado dom de Deus. A homossexualidade nega essa dualidade.
Agora, “na perspectiva de fé”, ou seja, da caridade e da misericórdia, somos chamados sempre a acolher e amar a pessoa homossexual.
Acolher, porém, não é aprovar. Jesus acolhe a mulher pecadora e diz: “Vai, e de agora em diante não peques mais”.[4]
c). “Na perspectiva da fé...”. E na perspectiva da ciência? Será que há contradição entre fé e ciência? Entre fé e razão? Sugiro ler a Carta Encíclica Veritatis splendor do papa João Paulo II sobre algumas questões fundamentais do ensinamento moral da Igreja (1993); e, novamente do papa João Paulo II, a Carta Encíclica Fides et ratio sobre as relações entre fé e razão (1998).
d) “Já que a Organização Mundial da Saúde desde a década de 90 não considera a homossexualidade mais como doença...”. A Organização Mundial da Saúde (OMS), a partir de 1990, não considera mais a homossexualidade como doença, porque a Associação Psiquiátrica Americana (APA), em 1973, a tirou da lista das doenças.
Mesmo assim, a APA fala que não é doença, mas não fala que é ‘normal’. Não é considerada mais uma ‘desviância’ (desvio) mas uma ‘variância’ (variação). Mas será que todas as variâncias são ‘normais’? Será que todos os comportamentos não ‘doentios’ são normais?
O tê-la retirada do capítulo das doenças, não significa que a homossexualidade seja algo normal e natural, como a heterossexualidade. Ela deixa de ser uma ‘doença’, mas não deixa, por isso, de ser ‘não normal’, ou seja, não conforme ao desenvolvimento psíquico e sexual normal de um indivíduo humano.
2. Definição da homossexualidade.
A homossexualidade - como a heterossexualidade - é um fenômeno multiforme, no qual precisamos diferenciar o comportamento, a orientação e a identidade homossexual.
O comportamento homossexual consiste na atividade e na experiência puramente física.
A orientação homossexual caracteriza-se pela preponderância na esfera da consciência de uma carga de sentimentos, pensamentos eróticos e fantasias que têm como objeto um indivíduo do mesmo sexo.
A identidade homossexual consiste em um contínuo autorreconhecimento do sentir e viver a homossexualidade.
O termo homossexual [5] foi cunhado em 1868 pelo escritor austro-húngaro Karl-Maria Kertbeny, referindo-se aos homens que mantinham relacionamentos sexuais com parceiros do mesmo sexo.[6]
A palavra homossexual é um termo hibrido,[7] formado a partir do grego ÓmÕj que significa: semelhante, igual, o mesmo; com o latim clássico sexŭs, que quer dizer literalmente sexo. Assim, a tradução literal é ‘o mesmo sexo’.
Os psicólogos definem a homossexualidade como uma “atração emotiva, física e sexual por indivíduos do mesmo sexo”. Isso ocorre entre os indivíduos masculinos e femininos (neste caso, fala-se de lesbianismo).
É uma atração ‘exclusiva’ e ‘predominante’ para pessoas do mesmo sexo.[8] Quem tem relacionamento homo- e heterossexual não é homossexual mas viciado.[9]
Em geral, o homossexual não vive os aspectos físicos do sexo de maneira ambígua e conflitante, não deseja mudar de sexo, mas simplesmente ter relações sexuais com indivíduos do mesmo sexo.
3. O que a psicanálise pensa sobre a homossexualidade.
S. Freud (1856-1939), destacou a importância do narcisismo e do com­plexo de castração na gênese da homossexuali­dade. Ele acreditava que a orientação sexual não era predeterminada no nascimento, mas que era determinada pela evolução dos complexos psíquicos e considerava a homossexualidade como resultado de um complexo de Édipo não completado.
Na realidade, ao fazermos um exame todos os seus escritos, percebemos que ele demonstra uma atitude ambivalente em relação à homossexualidade. De um lado, a considera uma patologia, tratando-a como um bloco de desenvolvimento psicossexual, por outro, afirma que é uma variante da função sexual. Pensava que a homossexualidade se desencadearia na infância e a considerava uma fase transitória a partir da qual se chegava à heterossexualidade típica da idade adulta.
Nos Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905), propõe sua teoria da homossexualidade, e diz que ela se resume numa inibição do desenvolvimento psicossexual, apontando a causa numa fixação[10] no estágio do complexo de Édipo durante o desenvolvimento psicossexual, usando o termo inversão sexual.
Na Carta a uma mãe de um jovem homossexual de 1935, ele escreve que a homossexualidade “obviamente não é uma vantagem, mas não há nada nela que precise se envergonhar, não é um vício ou um aviltamento, e não pode ser definida uma doença. Nós a consideramos como uma variante na função sexual, causada por uma certa interrupção do desenvolvimento sexual”.
Para Freud, a sexualidade da criança é polimorfa (indeterminada), somente com a adolescência ela começa a se diferenciar e se orientar. E todos, para ele, têm impulsos homossexuais, somente em alguns indivíduos, eles se tornam dominantes e se manifestam na atividade sexual.
S. Ferenczi (1873-1933), fundador do movimento psicanalítico húngaro, em 1909, em suas Novas Observações sobre a Homossexualidade, compara a homossexualidade às neuroses intimamente relacionadas à impotência, pois elas têm em comum a fuga diante da mulher. Em 1911, no Homoerotismo: nosologia do homossexual masculino adota a teoria freudiana dos estádios: os homossexuais são aqueles que ficaram fixados no estágio narcisista.
Para o psicólogo e psiquiatra austríaco A. Adler (1870-1937), “a homossexualidade manifesta-se como uma tentativa de compensação fracassada em indivíduos com um complexo de inferioridade manifesto”.[11] Segundo ele, tratar-se-ia de um sentimento de infe­rioridade (o temor do fracasso faz o indivíduo bus­car um parceiro de seu sexo). No menino, frequen­temente é a consequência de uma educação mal conduzida: o homem, apegado demais à mãe, identifica-se com ela, comportando-se como gostaria que ela se comportasse com ele.

M. Klein (1982-1960), psicanalista austríaco-britânica, entendia a homossexualidade masculina como um problema esquizoide da personalidade ou como uma defesa contra a paranoia, e a feminina como uma identificação a um pênis sádico: em ambos os casos, trata-se de uma patologia grave, uma variante de um estado psicótico mortífero e destruidor.[12]
Nas interpretações antropológicas de C. G. Jung (1875-1961), a homossexualidade é uma ruptura no caminho de desenvolvimento intrapsíquico normal causado por comportamentos maternos pouco adequados. A relação homossexual, portanto, não é considerada uma relação madura como a heterossexual.[13] Para ele a homossexualidade é um arquétipo, um modelo de comportamento que reflete o desejo de ser um ‘Se’ completo.
Outro autor que deu uma contribuição significativa aos estudos sobre a homossexualidade é o psiquiatra psicoanalista neofreudiano I. Bieber (1909-1991). Ele fixou sua atenção no que diz respeito à frequência com a qual, nas histórias familiares de pessoas homossexuais, podia se perceber um certo pattern (padrão) relacional entre as pessoas com tendência homossexual e os pais.
Bieber chamou esse ‘pattern’ “a clássica tríade relacional”, caracterizada por “uma intimidade viscosa ambivalente materna e por desapego/hostilidade paterna”. Ele estava convencido de que a homossexualidade poderia ter vários fatores predispostos, mas que o único fator causal era a presença da “clássica tríade relacional”.[14]
A partir daí, para Bieber, a homossexualidade era uma espécie de adaptação psicossexual e biossocial patológica, determinada por medos irracionais pela expressão de impulsos heterossexuais. Para ele, em cada homossexual se esconde um heterossexual latente.
Ao contrário de Freud, ele negava e que a homossexualidade derivava de uma bissexualidade inconsciente e a existência dessa bissexualidade; para ele, a homossexualidade, desencadeia-se a partir de sintomas histéricos, gerados de um conflito neurótico.
J. Lacan (1901-1981), psiquiatra, filósofo e psicoanalista francês, freudiano ortodoxo e não cristão, explica a homossexualidade dentro da dinâmica do complexo de Édipo. Na realidade a posição de Lacan é bastante complexa.[15] Para ele, a homossexualidade não era, como para Freud, uma orientação sexual, e sim uma perversão, comparada à pedofilia, ao fetichismo e à zoofilia; ele explicava a perversão como uma contestação radical à ordem social burguesa. Ele - que dizia haver sempre uma disposição perversa em toda forma de amor - entendia o homossexual de uma maneira bem próxima à de Proust: um personagem sublime e maldito; um ‘perverso’, pois ele subverte, perverte o discurso dominante da civilização. Por conseguinte, o reconhecimento da homossexualidade como ‘subversão’ não podia levar nem à discriminação nem a discursos repressivos.[16]
Para Lacan “o verdadeiro significado da sexualidade é renúncia à posse do outro, mas também renúncia à ingênua pretensão de se fundir um com o outro”. Ele explica que “precisamos de bipolaridade sexual para reconhecer nosso limite antropológico”, porque “a reivindicação do amor total leva à autodestruição”.[17]
J. Nicolosi (1947-2017) define a homossexualidade como um “sintoma de necessidades afetivas” não satisfeitas durante a infância ou no início da adolescência. Ele retoma e aprofunda o esquema relacional de I. Bieber, e descreve a ‘clássica tríade relacional’ nestes termos:
• mãe superprotetora e dominante;
• pai fraco, ausente ou hostil; ou muito distante fisicamente ou psicologicamente das questões de casa;
• filho quieto, sensível e artístico, que ama os jogos tranquilos; com temperamento tímido e introvertido; não propenso ao esporte e à atividade física; muito ligado a sua mãe e com relacionamento conflituoso com os irmãos e as irmãs.
Ele descreve a relação entre mãe/pai como caracterizada pela falta de comunicação; a entre mãe/filho como um relacionamento ‘especial’; e a entre o pai/criança como antagonista, sem uma comparação leal.
Nas décadas de 1950 e 1960, continuam a aparecer teorias psicanalíticas que explicam a homossexualidade como uma espécie de refúgio patológico e fóbico dos medos de castração, como um transtorno evolutivo precoce genérico ou relacionada a outros distúrbios de personalidade sérios dos quais se acredita que todos os homossexuais sofrem.[18]
Hoje, a hipótese mais aceita é a do desenvolvimento sexual de cada indivíduo, há uma componente homossexual e heterossexual, devido ao fato de sermos constituídos pela união de duas células sexuais, o óvulo (feminino) e o espermatozoide (masculino). A partir daí, Freud e a escola freudiana criaram a teoria da bissexualidade, deduzindo que a homossexualidade é uma fixação na primeira fase do desenvolvimento sexual, e de regressão[19] ao nível infantil, ao complexo de Édipo, etapa de desenvolvimento em que ocorrem o narcisismo, o complexo de castração, resumido no apego à mãe e a tentativa de remover a presença do pai.[20]
Analisando os vários posicionamentos da psicanálise sobre a homossexualidade, percebemos que existe uma ‘opinião discordante’.[21] A conclusão mais óbvia e equilibrada me parece a de Stanton L. Jones, professor de Psicologia da Universidade de Wheaton: “Eu não consideraria a homossexualidade como uma psicopatologia no mesmo senso da esquizofrenia ou dos distúrbios fóbicos. Mas ela nem sequer pode ser considerada uma normal ‘variante de estilo de vida’, como poderia ser dito da introversão ou da extroversão”.[22]
4. A decisão da American Psychiatric Association (APA).
Neste panorama de diferentes, e até opostas, explicações e teorias, é publicado em 1952, o DSM-I (Manual Diagnóstico Estatístico dos Distúrbios Mentais), onde a homossexualidade é inserida entre os ‘Distúrbios Sociopáticos de Personalidade’.
Em 1968, é publicado o DSM-II, que menciona o homossexualismo como "Desvio Sexual" na categoria de ‘outros transtornos mentais não psicóticos’, juntamente com a pedofilia, transvestismo, transexualismo, fetichismo, necrofilia e voyeurismo.
Em 1973 temos uma mudança.[23] A APA afirma que a homossexualidade é uma ‘variante natural da sexualidade’.[24] Essa mudança aparece no lançamento do DSM-III, publicado em 1974.
A homossexualidade é distinguida em ‘egosintônica’ (quando ela é vivida com serenidade) e ‘egodistônica’ (quando a orientação homossexual é fonte de angústia e não é aceita pela pessoa).[25] No DSM-III é classificada como patológica apenas a homossexualidade egodistônica, para a qual os terapeutas podiam propor procedimentos destinados a modificar a orientação sexual para a heterossexualidade.
Esta mudança não foi simples.[26] Alguns dos psiquiatras da APA contestaram duramente a decisão, convencidos de que a homossexualidade era uma doença a ser tratada e avançaram o pedido para que essa decisão fosse submetida a voto referendário entre todos os membros da Associação.[27]
O plebiscito deu um resultado favorável para tirar a homossexualidade ‘egosintônica’ do DSM.[28] Mas a votação dentro da APA não foi unânime. Entre os 25 mil membros da Association, apenas um quarto deles devolveu a própria ficha. A conta final estabeleceu que apenas o 58% dos votantes era favorável à remoção da homossexualidade da lista dos transtornos mentais.
O debate estava concluído? Era verdade que a maioria dos psiquiatras aprovava a decisão da APA? Em 1977, foi feita uma pesquisa entre dez mil membros da Associação, escolhidos aleatoriamente, pedindo sua opinião sobre este assunto. A revista Time, num artigo intitulado Sick Again? (Ainda doente?), publicou os resultados da pesquisa: daqueles que responderam, 69% acreditavam que “geralmente a homossexualidade é uma adaptação patológica, oposta a uma variação normal”, 18% não concordam e 13% indecisos.[29]
Pode-se discutir se a homossexualidade seja um transtorno patológico ou não, mas é claro que a decisão tomada em 1973 da American Psychiatric Association não pode ser citada como um consenso médico de que a homossexualidade seria uma expressão ‘normal’ da sexualidade.
Socarides, que participou do debate, afirmou que a decisão dos administradores da American Psychiatric Association foi ‘a zombaria médica do século’.[30]
Em 17 de maio de 1990 foi decidido tirar também a homossexualidade egodistônica do DSM-IV (editado em 1994).
5. A pessoa nasce ou se torna homossexual?
Na opinião pública está difundida a ideia de que a ciência moderna teria provado que a homossexualidade seria inata e imutável. Ou seja, os homossexuais teriam nascido gay (ou lésbicas), assim como se pode nascer canhoto ou com olhos azuis. A consequência, claramente, é que, se se nasce assim, a homossexualidade não pode ser considerada imoral ou inatural e o homossexual estaria simplesmente seguindo seus genes.[31]
Já S. Freud, a respeito dos que defendiam a dimensão biológica e o determinismo genético (homossexuais se nasce, não se torna), era lapidário. No ensaio Uma lembrança da infância do Leonardo da Vinci, escrevia: “Precisa dizer, infelizmente, que os porta-vozes científicos dos homossexuais não aprenderam nada do que a psicanálise estabeleceu com seguro fundamento”.
Para Lacan, a escolha do sexo, que é uma escolha inconsciente, implica, por um lado, a anatomia, isto é, na pertença do corpo a um gênero, e por outro lado, os condicionamentos que a pessoa sofreu no contexto social, cultural e familiar em que cresceu.
Virginia Eshleman Johnson e Robert C. Kolodny afirmavam categoricamente que “a teoria genética da homossexualidade é geralmente descartada”.[32]
Robert Kronemeyer - psicólogo familiarizado com as ideias do médico, psicanalista e cientista natural Wilhelm Reich (1897-1957) - escrevia: “Exceto raras exceções, a homossexualidade não é hereditária nem o resultado da disfunção glandular ou de uma combinação de genes ou cromossomos. Os homossexuais se tornam tais, não nascem ‘assim’. Eu acredito firmemente que a homossexualidade seja uma resposta induzida pelas primeiras experiências dolorosas, e que pode ser superada. Para aqueles homossexuais que são infelizes por causa de suas vidas e buscam uma terapia eficaz, quero dizer que seu problema é ‘curável’”.[33]
Nestes últimos anos, multiplicaram-se as pesquisas sobre a origem genética e biológica da homossexualidade, mas eles não levaram a resultados que confirmassem a hipótese.
Em 1991, o neurologista LeVay descobre que um minúsculo cacho de neurônios no hipotálamo seria maior nos homossexuais.[34]
Um estudo da McMaster University de Hamilton, no Canadá, provaria que o istmo do ‘corpus callosum’, órgão que liga a parte direita e esquerda do cérebro, seria mais grosso do 13% entre os homossexuais.[35]
Em 1993, um pesquisador do National Cancer Insitute ad Harvard teria descoberto a existência do «gene da homossexualidade», o cromossomo Xq28.[36] Outra pesquisa nos EUA, em 2005, com mil irmãos homossexuais confirmaria que a homossexualidade parece derivar dos fatores biológicos e genéticos.[37]
Foram chamados em causa também os hormônios, sobretudo o nível dos androgênios, em particular da testosterona, mas nada foi confirmado.[38]
A maioria dos psiquiatras e psicólogos nega que a homossexualidade seja determinada por fatores biológicos e acreditam que ela seja causada por vários fatores ambientais.
Gerard van den Aardweg, psicólogo com trinta anos de experiência psicoterapêutica com homossexuais escreve: “Não se deve a genes nem a fatores hereditários... Se algum fator biológico fosse descoberto como estreitamente re­lacionado com a homossexualidade, isso não seria argumento em favor da sua normalidade. Nem seria necessariamente uma causa direta... Entretanto, ainda é um grande 'se'. As evidências todas no campo bio­lógico mostram uma causalidade não fisiológica, não biológica... A homossexualidade tem geralmente sua origem em falhas da edu­cação... que cria em si o com­plexo de inferioridade... Inferioridade que têm origem na relação com os pais e com os companheiros na infância e na adolescência”.[39]
A posição de Aardweg é confirmada pelos terapeutas que ajudam os homossexuais que se sentem infelizes a causa de sua condição. Eles mencionam uma miríade de casos que mostram que as experiências negativas da primeira infância são o único fator comum encontrado em quase todos os pacientes. O fator basilar encontrado nesses casos é que essas pessoas foram criadas em um ambiente familiar afetivamente carente, sem nunca conhecer e experimentar nem amor nem aceitação por parte da mãe ou do pai ou de ambos.
De acordo com esses estudos, a reação da criança diante da recusa e da falta de cuidados forma-se em uma idade muito precoce, geralmente antes dos cinco anos de idade.[40]
Richard Cohen, de acordo com a Associação Americana de Psicologia, acredita que não se nasce necessariamente com a atração pelo mesmo sexo. “Apesar de que se tenham investigado muito as possíveis influências genéticas, hormonais, do crescimento, sociais e culturais sobre a orientação sexual, não há evidências que permitam os cientistas concluir que a orientação sexual esteja determinada por um ou por mais fatores concretos. Muitos acreditam que tanto a natureza quanto a educação desempenham um papel complexo”.[41]
Hoje, os psicólogos são mais orientados a estudar o fundamento psicológico da homossexualidade, e consideram relevante o ambiente, as experiências da primeira infância[42] e os fatores socioculturais que desencadeariam tendências inconscientes e levariam à homossexualidade.
Nesse sentido, alguns falam de uma causa estrutural e conflitual. No primeiro caso, a homossexualidade estaria mais ligada à estrutura familiar. Em tal sentido, pensa-se que o homossexual seja alguém que, nos primeiros três anos de vida, os mais decisivos para a formação da personalidade, cresceu sem a presença do pai e de outras figuras masculinas, enquanto abundavam as femininas.[43]
O complexo de Édipo, se não foi vivido com equilíbrio, teria piorado a situação. [44]
No segundo caso, a homossexualidade seria ligada a traumas infantis, como acontece em crianças vítimas de violência ou que tiveram experiências homossexuais precoces das quais não conseguem libertar-se (conflitos não resolvidos).

Fatores de relacionamento.
Para alguns sociólogos e psicólogos, antes de ser um problema sexual, a homossexualidade seria um problema de relacionamento. Ela expressa a incapacidade do indivíduo de se relacionar com o sexo oposto, geralmente por conflitos infantis não resolvidos. Segundo A. Adler, como vimos, trata-se de um sentimento de inferioridade: o temor do fracasso diante do sexo oposto faz buscar um parceiro do próprio sexo. Mesmo pensamento tem Van Den Aardweg: “o homossexual sofre de um complexo de inferioridade sexu­al; fica sendo uma criança ou um adolescente”.[45]
Na clínica psicanalítica da homossexualidade masculina, podemos ver que a orientação homossexual quase sempre nasce e se desenvolve a partir de uma falta simbólica da função paterna. Muitas vezes, estes são pais que abdicaram de sua função e que, por várias razões, não souberam ou puderam propor à criança uma transmissão ‘suficientemente saudável’ do papel masculino.
Outro fator determinante para o desenvolvimento da homossexualidade seria também representado pelo relacionamento usado com os próprios semelhantes no início da adolescência, relacionamento que representa um componente decisivo no desenvolvimento da personalidade, isto é, a visão que o adolescente tem de si mesmo como homem ou como mulher.
Uma má integração no grupo dos contemporâneos do mesmo sexo e um profundo senso de exclusão fariam amadurecer no individuo frustração e, portanto, um complexo de inferioridade quanto à própria masculinidade ou feminilidade.
Também os fatores socioculturais teriam sua parte.[46] De um lado, a emancipação da mulher, de outro lado, o relativismo moral globalizado, unido a uma grave distorção do sentido da sexualidade humana e a um eficaz mecanismo legal de legitimação de condutas sociais, fazem que o problema da homossexualidade, tanto em seus atos como em suas tendências e aspiração de reconhecimento social, se torne normal.[47]
Há autores que acreditam que a causa da homossexualidade deve ser procurada também na desconstrução da identidade do homem e da mulher a nível social: é um dado factual que uma sociedade que tende a ignorar, ou até anular, o conceito de dimorfismo sexual (ou seja, um modo masculino e um modo feminino de ser), torna difícil a identificação da pessoa com seu próprio sexo e, portanto, a correta orientação heterossexual.
Sedução. Para alguns estudiosos, os homossexuais seriam induzidos a esse comportamento porque tiveram experiências sexuais sedutoras com homens mais velhos. Esta teoria tem sua fundamentação na função do imprinting (estampagem)[48] ou reforço após a sedução. Esta perspectiva, porém, não satisfaz plenamente o ponto de vista científico. É verdade que experiências homossexuais satisfatórias na adolescência - período durante o qual estamos diante de uma ambivalência sexual -, especialmente se seguidas de experiências heterossexuais insatisfatórias, pode orientar a pessoa à homossexualidade, mas certamente não é a causa.
Segregação. Sabemos que os comportamentos homossexuais aumentam nos lugares fechados onde os dois sexos não podem se encontrar. Mas não é comprovado que tais circunstâncias sejam a causa da homossexualidade. A segregação sexual (como ambientes militares, navios, prisões, colégios, seminários etc.) pode levar a uma homossexualidade temporária, mas não cria um comportamento homossexual.
A respeito dos fatores de relacionamento, a partir do que foi dito, podemos sintetizar dizendo que à base da homossexualidade, há:
- uma educação errada, que gera ‘medo do outro sexo’;
- a presença de um abuso, por parte do educador, da autoridade, tal a favorecer a estruturação de um ‘eu’ muito fraco;
- uma atitude educativa que leva a exaltar uma liberdade muitas vezes entendida como ‘tudo é permitido’, e que não favorece o amadurecimento do ‘eu’, pois se trata de uma liberdade sem referência a valores absolutos e submissa ao hedonismo imperante. Isso explica a atitude de alguns jovens dispostos para uma experiência homossexual ‘tanto para tentar’.
Discurso ainda aberto.
Há mais de cinquenta anos que a comunidade científica internacional, entre controvérsias, teorias questionáveis e debates, se interroga sobre a hipótese de que a orientação sexual dependa de fatores biológicos ou genéticos. Mas até hoje, ninguém conseguiu provar cientificamente uma das teses. Nenhum estudo conclusivo mostra a existência de uma ligação direta entre atração sexual para o mesmo sexo e fatores genéticos e biológicos. E ninguém pode afirmar cientificamente que a homossexualidade tem origem no cérebro (origem neurológica) e nos hormônios.[49]
Os cientistas, hoje, incentivam à cautela: uma orientação como a homossexualidade não pode de modo algum ser atribuída exclusivamente a fatores genéticos ou epigenéticos.[50]
Para comprovar que a homossexualidade é uma realidade complexa e que até agora ninguém conseguiu encontrar uma explicação científica certa, temos o caso de gêmeos homozigotos[51] crescidos na mesma família e no mesmo ambiente social, com patrimônio genético idêntico, mas orientação sexual oposta: um heterossexual e outro homossexual. Se a homossexualidade tivesse sua explicação e origem na educação recebida e/ou no patrimônio genético, como explicar o caso de gêmeos homozigotos, que receberam a mesma educação e têm o mesmo patrimônio genético e um se revelar homossexual e o outro heterossexual?
Meu posicionamento é que a homossexualidade é uma tendência que tem várias causas e depende da interação de vários fatores (biológico, hormonal, social, psicológico ect.) e, por isso, sua abordagem deve ser pluridisciplinar.
É uma situação complexa, e hoje não podemos mais falar de ‘causalidade linear’, mas de ‘causalidade circular’, onde o efeito interfere também na causa.[52]
6. A homossexualidade é uma doença, um distúrbio, um desvio ou uma forma de ser?
Há que defende a tese de que a homossexualidade seja ‘natural’ porque ela faz parte da natureza humana. Mas ‘natural’ não quer dizer que seja também ‘normal’. Se assim fosse, deveríamos considerar ‘normais’ tantas outras tendências. Como, por exemplo, a cleptomania (compulsão que leva um indivíduo a roubar) é uma atitude da natureza humana, mas não normal, e ninguém se deixa roubar por um cleptômano somente porque a sua tendência é natural!
Para S. Freud, as pulsões homossexuais são um fenômeno normal, já que os seres humanos são intimamente bissexuais. Na Psicanálise das Massas e Análise do Ego, ele argumenta que a sublimação das pulsões homossexuais determina os relacionamentos de amizade entre pessoas do mesmo sexo e os comportamentos amistosos cotidianos. E destaca que certo grau de homossexualidade seja propedêutica ao desenvolvimento de uma personalidade heterossexual.
O escritor Andrea Galli, citando o livro do psicólogo G. Ricci, Il padre dov’era,[53] escreve que “a homossexualidade, para aqueles que se dirigem a um terapeuta, é quase sempre uma ferida; ou melhor, uma das muitas maneiras pelas quais um sujeito procura curar uma ferida. Muitas vezes, alguns pacientes falam sobre o incômodo esforço de ‘desempenhar um papel’ ou de dever ‘usar uma máscara’. O jogo é duplo: para si mesmos e para os outros”. Para Galli, por trás da homossexualidade em suas várias declinações, há muitas vezes um desconforto que diz respeito à parte mais íntima do homem, que, como sempre observava Freud, é o único ser que nasce duas vezes à sexualidade: uma vez no sentido biológico, como homem ou mulher, uma segunda vez tornando-se homem ou mulher, num delicado processo de subjetivação psíquica que a psicanálise chama de sexuação.[54]
O psicólogo Gerard van den Aardweg é categórico: “a homossexualidade não é normal”. [55] E psiquiatras que trabalham com pessoas homossexuais afirmam que a «homossexualidade deve ser tratada como um distúrbio da orientação sexual e ser curada com oportuna psicoterapia». [56]
7. Mudar é possível?
S. Freud perguntava-se: “É possível eliminar a homossexualidade e substituí-la pela heterossexualidade normal? Sua resposta é que não podemos prometer alcançar esse resultado. Em alguns casos, é possível que se desenvolvam as sopitadas tendências heterossexuais presentes em cada homossexual, mas na maioria dos casos isso não é possível”.[57]
Posteriormente, esta posição foi revista e Freud chegou a acreditar que fosse justo submeter uma pessoa homossexual ao tratamento psicanalítico somente se sua atitude fosse egodistônica, ou seja, fonte de sofrimento.
Alguns pesquisadores e psicoterapeutas que lidam com problemas homossexuais negam que exista essa possibilidade. Richard Isay, psiquiatra, é categórico: “A orientação central de um gay não pode ser alterada”.[58]
Também o Kinsey Institute New Report on Sex (1990) afirma que “a orientação sexual, heterossexual e homossexual, não podem ser alterada por qualquer tipo de intervenção”.[59]
E o Movimento pelos Direitos dos Homossexuais condena qualquer tentativa de corrigir a orientação sexual ou a preferência sexual dos gays.[60]
Nem todos, porém concordam. A maioria dos psiquiatras e psicólogos acredita que é possível mudar. William H. Masters e Virginia E. Johnson, certamente não homofóbicos, escrevem: “Fornecer suporte terapêutico para aqueles homens ou mulheres orientados para a homossexualidade que querem se converter ou regredir à heterossexualidade é parte integrante da prática psicoterapêutica durante décadas”.[61]
John P. De Cecco, professor da San Francisco State University e diretor do Journal of Homosexuality, expressava a mesma opinião: “A ideia de que as pessoas nasceriam predispostas a um determinado comportamento sexual é completamente absurda. A homossexualidade é um comportamento, não uma condição, algo que as pessoas podem mudar e mudam, assim como ás vezes mudam certos gostos ou características da personalidade”.[62]
A NARTH (National Association for Research & Therapy of Homosexuality = Associação Nacional de Pesquisa e Terapia da Homossexualidade) oferece terapia de reorientação sexual para indivíduos que se sentem insatisfeitos com sua orientação homossexual.[63]
A intervenção é conhecida como ‘Terapia reparativa’: trabalho psicoterapêutico que tem como objetivo reparar as feridas originais através da analise das causas do sofrimento. [64]
Ela é sempre uma proposta, nunca uma imposição: “Nós respeitamos o direito de todos os indivíduos de escolher seu próprio destino. NARTH é uma organização científica profissional que oferece esperança aos que estão lutando com a homossexualidade indesejada. Como organização, divulgamos informações educacionais, conduzimos e reunimos pesquisas científicas, promovemos um tratamento terapêutico eficaz e fornecemos referências para aqueles que procuram nossa ajuda. A NARTH defende os direitos das pessoas com atração homossexual indesejada para receber eficaz apoio psicológico e o direito dos profissionais de oferecer esse atendimento”.[65]
Os organizadores relatam numerosos casos de reorientação sexual, de homossexuais que se converterem à heterossexualidade.[66]
Richard Cohen, psicoterapeuta, que trabalha com os homossexuais, baseando-se na sua própria experiência, já que ele mesmo foi homossexual, afirma que a transição da homossexualidade para a heterossexualidade é possível. “Durante os últimos vinte e dois anos, como psicoterapeuta na International Healing Foundation, tive um sucesso notável ajudando homens e mulheres a resolverem sua atração indesejada por pessoas do mesmo sexo e realizar seus sonhos de heterossexualidade”. Como? “Nosso plano de transição em quatro etapas funciona se alguém estiver realmente interessado na mudança. Através do nosso programa, as pessoas mudam de dentro para fora. Não é apenas a mudança de comportamento. Quando alguém identifica e corrige as feridas do seu passado, e experimenta o amor numa relação saudável e não sexual com pessoas do mesmo sexo, surge naturalmente o desejo heterossexual”. “Os quatro ingredientes da mudança são: 1) motivação pessoal, 2) um tratamento eficaz, 3) o apoio dos demais, 4) o amor de Deus”.[67]
Cohen deixa aos homossexuais, que querem deixar de sê-lo, uma mensagem de esperança: “Nunca desista, a mudança é possível”.[68]
Vários estudos mostram que homens e mulheres com tendência homossexual que fazem tratamento psicoterápico, uma porcentagem entre 25 e 50% passa a viver uma vida heterossexual normal e satisfatória. [69]
Muda realmente a vida das pessoas que eram exclusivamente homossexuais e se tornaram heterossexuais? Já S. Freud escreveu: “Se lançarmos um cristal no chão, ele se desmorona, mas não de maneira arbitrária; ele se racha de acordo com suas linhas de clivagem em pedaços cujos contornos, embora invisíveis, foram previamente determinados pela estrutura”.[70] O mesmo acontece com uma pessoa submetida a tratamento psicoterapêutico: ela recebe uma melhora na qualidade de vida, mas sempre terá uma fragilidade particular em algumas áreas de sua estrutura pessoal.
Isso para os psicoterapeutas é normal. É normal que as pessoas tenham uma recaída, sobretudo em situações particulares de estresse, fadiga ou frustração. Tal como acontece com aqueles que se aproximam dos Alcoólicos Anônimos, a estrada raramente é fácil e requer um sério compromisso por parte do indivíduo que busca a recuperação ou a cura. Às vezes ele tropeça e não se levanta mais. Às vezes ele tropeça, se levanta e continua no processo de recuperação. Ocasionalmente, alguns foram curados instantaneamente e nunca voltaram para seus passos.[71]
8. Como ajudar a pessoa com tendência homossexual?
No meu trabalho aprendi duas coisas: respeito e verdade. Aceitar a pessoa homossexual e respeitá-la, nunca julgá-la; mas, dizer sempre e sem meios termos, que a homossexualidade é um ‘desvio’ da orientação sexual natural e, se ela quer, pode tornar-se heterossexual.[72]
Como ajudar:
a) Ajudar a pessoa a se conhecer, a compreender seus conflitos emocionais que geram atrações para com o mesmo sexo.
b) Ajudar a pessoa a com­preender a variedade de causas que estão à base dos próprios sentimentos e a reforçar a própria identidade sexual.
c) Estabelecer com ela um itinerário de educação à sexualidade.
d) Oferecer motivações. A pessoa homossexual muda comportamento só se tem um motivo para fazê-lo.
Os resultados serão tanto mais positivos quanto mais precocemente a terapia for realizada.[73]
Com esse ‘plano’ eu acompanhei homossexuais que chegaram a ter uma vida heterossexual e hoje são casados, têm filhos e vivem felizes.
Um jovem, que tinha um comportamento homossexual, procurou-me dizendo que queria saber se ele era homo- ou heterossexual. Após algumas consultas, falei claramente que ele não ‘era’ homossexual, mas tinha uma tendência homossexual por motivos relacionados à infância. Ele continuava afirmando que ‘era’ homossexual porque tinha nascido tal, e reforçava essa convicção dizendo: “somente pensando na possibilidade de dormir na mesma cama com uma mulher, eu entro em pânico!”. Eu continuava defendendo minha tese. Aceitou fazer um acompanhamento, mas, de repente, desapareceu. Dois anos depois, me liga convidando-me para o casamento. Hoje tem dois maravilhosos filhos e sem nenhum problema de relacionamento com a esposa. E me confiou: “O que me levou a refletir e a deixar, foi a sua convicção que eu não era homossexual”.
9. A missão da Igreja é ‘acolher’
O papa Francisco quando retornava para Roma,da sua viagem ao Brasil, em 28 de julho de 2013, após a Jornada Mundial da Juventude, numa entrevista disse: “Se uma pessoa é gay, procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?... Não se devem marginalizar estas pessoas por isso”.
Na fala do Papa, podemos perceber que ele distingue claramente entre ‘tendência’ e ‘ato’, e tem bem claro que uma coisa é ser homossexual (ou lésbica) e outra é ter prática homossexual. A pessoa homossexual moralmente não é responsável pela ‘tendência’ homossexual, mas pela prática homossexual.
Acolher, não julgar e não excluir é a posição da Igreja.[74] Papa Francisco, reafirma isso também na Amoris laetitia: “cada pessoa, independentemente da própria orientação sexual, deve ser respeitada na sua dignidade e acolhida com respeito”. Às famílias, “deve-se assegurar um respeitoso acompanhamento, para todos que manifestam a tendência homossexual possam dispor dos auxílios necessários para compreender e realizar plenamente a vontade de Deus na sua vida”.[75].
A Igreja, enquanto não expressa qualquer julgamento sobre a complexidade da condição homossexual, ao mesmo tempo, reitera que o lugar legítimo para a intimidade sexual é o casamento homem-mulher e que os atos homossexuais não podem, em caso algum, ser aprovados.[76]
Apoiando-se na Sagrada Escritura, que apresenta a homossexualidade como depravação grave,[77] a tradição da Igreja sempre declarou que “os atos homossexuais são intrinsecamente desordenados”.[78] Eles são contrários à lei natural. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira.[79]
O papa Francisco, na entrevista, fala do homossexual que “procura o Senhor”. Também as pessoas homossexuais “são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição”.[80]
Elas também “são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã”.[81]
Como traduzir concretamente as orientações da Igreja em acompanhamento pastoral para as pessoas homossexuais cristãs que desejam ser parte da vida da Igreja a partir de sua identidade?
Eu sugiro:
a) Delinear uma pastoral que desencadeia processos de mudança, conversão, promoção, libertação.[82]
b) Manter o justo equilíbrio entre acolhimento misericordioso das pessoas e acompanhamento gradual rumo a uma autêntica maturidade humana e cristã.
c) Apresentar o valor humano e cristão da sexualidade,[83] e a partir daí, mostrando que ‘a homossexualidade não é dom de Deus’, mas uma tendência ‘não natural’ surgida por causas cientificamente ainda desconhecidas.
d) Ajudar a pessoa homossexual a manter a esperança em Deus, na Igreja, na comunidade. Existem muitos ex-homossexuais e ex-lésbicas que foram transformados/as pela graça de Jesus Cristo.
10. Homossexualidade e Vida Religiosa e Sacerdotal.
Sobre os critérios de discernimento vocacional no que diz respeito às pessoas com tendências homossexuais, em vista da sua admissão á Vida religiosa e ao Sacerdócio, a Instrução vaticana sobre homossexualidade e admissão a Seminários e Ordens Sacras da Congregação para a Educação Católica, do dia 4 de novembro de 2005, é muito clara:
“O candidato ao ministério ordenado deve atingir a maturidade afetiva. Tal maturidade torná-lo-á capaz de estabelecer uma correta relação com homens e com mulheres, desenvolvendo nele um verdadeiro sentido da paternidade espiritual em relação à comunidade eclesial que lhe será confiada” (n. 1).
“No que respeita às tendências homossexuais profundamente radicadas, que certo número de homens e mulheres apresenta, também elas são objetivamente desordenadas e constituem frequentemente, mesmo para tais pessoas, uma provação. Estas devem ser acolhidas com respeito e delicadeza; evitar-se-á, em relação a elas, qualquer maneira de discriminação injusta. Essas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que possam encontrar” (n. 2).
“À luz de tal ensinamento, este Dicastério, de acordo com a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, considera necessário afirmar claramente que a Igreja, embora respeitando profundamente as pessoas em questão, não pode admitir ao Seminário e às Ordens sacras aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente radicadas ou apoiam a chamada cultura gay” (n. 2).
“Diversamente, no caso de se tratar de tendências homossexuais que sejam apenas expressão de um problema transitório como, por exemplo, o de uma adolescência ainda não completa, elas devem ser claramente superadas, pelo menos três anos antes da Ordenação diaconal” (n. 2).
“O simples desejo de ser sacerdote não é suficiente, e não existe um direito de receber a sagrada Ordenação. Compete à Igreja, na sua responsabilidade de definir os requisitos necessários para a recepção dos Sacramentos instituídos por Cristo, discernir a idoneidade daquele que quer entrar no Seminário acompanhá-lo durante os anos da formação e chamá-lo às Ordens sacras, se for julgado possuidor das qualidades requeridas” (n. 3).
“No discernimento da idoneidade para a Ordenação, compete ao diretor espiritual uma função importante. Apesar de estar vinculado pelo segredo, ele representa a Igreja no foro interno. Nos colóquios com o candidato, o diretor espiritual deve recordar, nomeadamente, as exigências da Igreja acerca da castidade sacerdotal e da maturidade afetiva específica do sacerdote, e também ajudá-lo a discernir se tem as qualidades necessárias. Ele tem a obrigação de avaliar todas as qualidades da personalidade e assegurar-se de que o candidato não apresente distúrbios sexuais incompatíveis com o sacerdócio. Se um candidato pratica a homossexualidade ou apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas, o seu diretor espiritual, bem como o seu confessor, têm o dever, em consciência, de dissuadí-lo de prosseguir para a Ordenação” (n. 3).
A Instrução recorda que não pode ser admitido às Ordens sacras e à Vida religiosa quem:
- pratica a homossexualidade,
- apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas,
- apoia a chamada ‘cultura gay’.
E fala de “tendências homossexuais profundamente radicadas” e de “tendências homossexuais que são apenas expressão de um problema transitório”. Ou seja, tendências radicais ou estruturais e tendências transeuntes.
Como vimos, a homossexualidade pode estar ligada à primeira infância (falta de identificação com o pai do mesmo sexo, etc.), neste caso seria uma homossexualidade estrutural; ou a experiências no período pré-adolescente que impediram a passagem da fase homoerótica para a heteroerótica, neste caso seria a homossexualidade transeunte.[84]
Às vezes, ela parecem idênticas exteriormente e não é fácil discernir.
“Tendência profundamente radicadas”
A homossexualidade estrutural origina-se nos primeiros anos de vida, como já foi dito, devido à falta de identificação com os pais do mesmo sexo por várias razões; ela está relacionada a um explícito desejo de relação genital-sexual (o que torna precário o relacionamento e difícil a fidelidade); afeta toda a personalidade; pode influenciar a escolha vocacional (sendo uma maneira de se defender dela ou como sublimação dela); há uma rejeição do outro como diferente de si.[85]
O homossexual estrutural considera totalmente normal sua tendência, justifica-a, não a vive com sofrimento, nem a combate, ele não vê por que deve mudá-la, a considera uma simples variante; tende também a negar os aspectos conflitantes relacionados à mesma tendência. Sua atitude é egosintónica em relacionamento à própria tendência homossexual.[86]
A homossexualidade profundamente radicada ou estrutural tende a permanecer como tendência na pessoa (que pode aprender a controlá-la) e cuja presença desaconselharia, de acordo com a Instrução, a admissão ao caminho à Vida religiosa e ao Sacerdócio. Ao contrário da outra, que pode ser tratada e com bons resultados.
“Tendências transeuntes”
A homossexualidade não estrutural geralmente surge na idade pré-adolescência (às vezes por brincadeira, curiosidade, exibicionismo ou violência sofrida); determina uma atração pelo mesmo sexo motivada por tendências não necessariamente genitais-sexuais, mas por outros impulsos não resolvidos (por exemplo, por sentimentos de inferioridade ou por medo do outro sexo, por uma necessidade de intimidade, por um medo da diversidade etc.); não invade a personalidade toda, nem está sempre presente, e é controlável pela pessoa.
O homossexual não-estrutural reconhece sua tendência e a vive como um corpo estranho (não se identifica com ela), como algo que sofre e não queria, e que vive diante de Deus como uma fraqueza, como algo que o mantém consciente de suas limitações, como algo de que ele consegue ver os aspectos objetivamente carentes e luta todos os dias para aprender sempre mais a controlá-la, não só na vontade e no comportamento, mas também no desejo e na atração.
Ele está convencido de que a superação é possível. Sua atitude em relação a sua própria tendência homossexual é egoestranha.
Cultivar a vida espiritual.
Também as pessoas homossexuais devem ser conscientes do fato de que a paz e a graça necessárias para viver uma vida casta só se encontram cultivando uma vida espiritual forte, através da oração, da vida sacramental, da lectio divina e do acompanhamento espiritual.
Elas podem também procurar organizações católicas que oferecem assistência espiritual às pessoas com atração pelo mesmo sexo. Uma dessas é a Courage, um modelo que está dando bons resultados. Ela visa dar assistência moral e espiritual às pessoas que vivem a atração pelo mesmo sexo e ao mesmo tempo desejam viver de acordo com a doutrina da Igreja Católica.[87]
A Courage não utiliza curas terapêuticas, mas um programa moral e espiritual, valorizando a vocação cristã da pessoa, que vai além da condição homossexual. [88]
Seu programa se resume em cinco objetivos, sendo o primeiro muito claro e decisivo: viver a castidade. Os outros quatro objetivos são: oração e dom de si, amizade em Cristo, necessidade de amizades castas e disseminação do bom exemplo.[89]
Significativas as palavras do psiquiatra italiano, Vittorino Andreoli, um não crente que por anos entrevistou sacerdotes: “Em razão da minha profissão, conheci alguns sacerdotes homossexuais, que desejavam superar essa tendência comportamental, que - castos - queriam saber como conter os impulsos homossexuais... Eram pessoas que desejavam viver na autenticidade, mas que sentiam e viviam dramaticamente sua fragilidade... Pessoas que sofriam para se manter fieis à sua vocação. A eles eu - não crente - queria dizer: procurem a Deus e peçam para que essa ‘fragilidade’ se torne uma riqueza ao serviço da missão a que estão dedicando suas vidas...
A Igreja quer que vocês sejam santos, eu, como psiquiatra, gostaria que vocês fossem serenos e felizes” [90]
[1] Jo 8,32.
[2] Gn 1,27.
[3] S. Cipriani, «Matrimonio», em Nuovo Dizionario di Teologia Biblica, Cinisello Balsamo, 19966, p. 924.
[4] Jo 8,11.
[5] Como substituto do pejorativo pederasta em voga na Alemanha e na França da sua época.
[6] Cfr. Karl-Maria Kertbeny, Manuscrito de 1968, Biblioteca Nacional Húngara.
[7] As regras de formação de palavras geralmente proíbem a combinação de elementos gregos com latinos. Se fossem utilizadas somente palavras do grego, o novo termo teria ficado homoerótico e homoeroticista.
[8] G. Marmor, L’inversione sessuale, Milano 1970; Dipartimento Fa­coltà di Teologia dell'Università Co­millas, Madrid, Omosessualità. Scienza e co­scienza, Cittadella Editrice, Assisi 1983.
[9] Certo dia, fui procurado por um homem casado há mais de trinta anos, com filhos e netos, ele deixara a esposa e os filhos e estava vivendo com um jovem, com a justificativa: “conheci este jovem e... me descobri homossexual”. Após alguns meses de psicoterapia voltou para sua família.
[10] S. Freud chama de fixação de uma tendência o fato desta se demorara em uma determinada fase do desenvolvimento psicossexual. Por exemplo, a criança que mamou além dos limites normais teria dificuldade para ultrapassar a fase oral, na qual se deleitou. Abandona-a de má vontade e tende, de maneira inconsciente, a recriar imaginariamente as condições do passado, do qual sente saudade sempre que sofre um fracasso (Norbert Sillamy, Dicionário de Psicologia, Larousse, 1998).
[11] A. Adler, Il problema dell'omosessualità, 1917.
[12] M. Klein, La psicoanalisi dei bambini, 1932.
[13] Cfr.: C. G. Jung, Lo sviluppo della personalità, Boringhieri.
[14] Irving Bieber et. al, Homosexuality: A Psychoanalytic Study, Basic Books, New York, 1962.
[15] Para entender a metamorfose do pensamento de Lacan sobre a homossexualidade sugiro ler sobretudo os textos dos anos 1956 a 1959. Pela precisão: o Seminário IV (A relação ogetual) de ‘56; o Seminário V (A formações do inconsciente) de ‘57-‘58; A significação do falo, sempre de ‘58; o VI Seminário (O desejo e a sua interpretação) de ‘58 -’59. Outro texto importante de ‘58, é o das Anotações diretivas para um Congresso sobre a sexualidade Feminina (congresso realizado-se dois anos depois, em 1960).
[16] Numa época em que as sociedades psicanalíticas francesas seguiam o modelo americano de impedir o acesso de homossexuais à formação analítica, Lacan os recebia em análise, os aceitava como membros da École Freudienne de Paris, fundada por ele, e nunca tentou transformá-los em heterossexuais.
[17] Cfr.: G. Contri (a cura di), J. Lacan, Scritti, Einaudi, Torino1974, vol. II, La significazione del fallo; J. Lacan, Il seminario, Libro V, Le formazioni dell’inconscio, 1957-1958, tr. it. di A. Di Ciaccia e M. Bolgiani, a cura di A. Di Ciaccia, Einaudi, Torino 2004; J. Lacan, Il seminario, Libro VI, 1958-1959, Il desiderio e la sua interpretazione, tr. it. A. Di Ciaccia e L. Longato, a cura di A. Di Ciaccia, Einaudi, Torino 2016.
[18] Na verdade, a psicanálise aborda o problema da pessoa homossexual, partindo não tanto da causa para eliminá-la, mas encarando-a como uma neurose desencadeada no indivíduo e que é resultado da repressão que o sujeito sofre em relação á sua própria tendência.
[19] Retorno a um estágio anterior do desenvolvimento quando a realidade impõe uma frustração. Chupar o dedo diante de uma frustração é um exemplo típico de regressão. São condutas regressivas também a enurese ou o reaparecimento da ‘linguagem de bebê’.
[20] Cfr.: S. Freud, Totem e tabù, 1913. Sobre a ausência do pai na infância cfr.: Giancarlo Ricci - estudioso de Freud e membro da ‘Associazione Lacaniana Italiana di Psicoanalisi’ - Il padre dov’era: le omosessualità nella psicanalisi, Sugarco Edizioni, 2013.
[21] Sobre as opiniões contraditórias da psicanálise, cfr.: Parin Moss Moor Drescher Isay Blechner Phillips Morgenthaler Mitchell, L’omosessualità nella psicoanalisi, a cura di Fabiano Bassi e Pier Francesco Galli, Einaudi, 2000.
[22] Cfr. S. L. Jones, Homosexuality According to Science («A homossexualidade segundo a ciência»); cit. in I. Yamamoto, The Crisis of Homosexuality («A crise da homossexualidade»), Victor Books, Wheaton 1990, pag. 10.
[23] Lembremos que a partir do ‘Sessenta e oito’, na onda da chamada Revolução sexual, preparada pela Escola de Frankfurt, começou gradualmente a aparecer a ideia que também os homossexuais devem ter os mesmos direitos que os casais heterossexuais.
A ‘Escola de Frankfurt’ é uma Escola de pensamento planejada por Stalin (1879-1953) e fundada em 1923 na cidade alemã. A elas pertenceram os vários ‘profetas’ e preparadores do ‘Sessenta e oito’, entre eles Herbert Marcuse (1898-1979). Falando sobre a finalidade da Escola, Willy Munzenberg, um dos seus porta-vozes dizia: “Nós corromperemos tanto o Ocidente que vai feder” (Cfr. R. De Toledano, L'école de Francfort, pag. 26).
[24] Sobre esta decisão tiveram influência as pesquisas de A. Kinsey entre as décadas de 1940 e 1950 (Alfreg Kinsey, Sexual Behavior in the Human Male, Saunders Company, Philadelphia 1948; Sexual Behavior in the Human Female, Saunders Company, Philadelphia 1953). A metodologia da pesquisa e as conclusões foram fortemente contestadas pelo psicólogo A. Maslow (A. Maslow-J. M. Sakoda, «Volunteer Error in the Kinsey Study» («Erro voluntário no estudo de Kinsey»), in Journal of Abnormal and Social Psychology, nº 47, abril 1952, p. 259-262).
Importantes foram também os estudos de Master e Johnson (décadas de 70), que ressaltaram que as pessoas homossexuais e heterossexuais podem potencialmente desenvolver as mesmas patologias (William Masters, Virginia Eshelman Johnson, L'atto sessuale nell'uomo e nella donna, Milano, Feltrinelli, 1978).
[25] Essa distinção é baseada sobretudo nas pesquisas de Hooker (Evelyn Hooker, The Adjustment of the Male Overt Homosexual, 1957).
[26] Alguns anos depois, Charles W. Socarides, que participou das reuniões como especialista na área da homossexualidade, com mais de vinte anos de experiência, descreve o clima político que levou à votação de 1973 (Cfr. C. W. Socarides, Beyond Sexual Freedom («Além da liberdade sexual»), Quadrangle Books, New York 1977).
[27] Antes da votação de 1973, Socarides liderou uma equipe da American Psychiatric Association que estudava a homossexualidade e que publicou um relatório declarando por unanimidade que a homossexualidade é um distúrbio devido ao desenvolvimento psicossexual. Este relatório, considerado ‘politicamente incorreto’, foi arquivado, e foi publicado apenas em 1974 como relatório de um ‘grupo de estudo’.
[28] Os opositores desta escolha fundaram, posteriormente, uma organização, o NARTH (National Association for Research & Therapy of Homosexuality), que defende o princípio de que “os homossexuais têm o direito de serem curados”. A organização existe ainda hoje e propõe terapias de cura da homossexualidade, destinadas a ‘converter’ o homossexual em heterossexual (Cfr. R. Nicolosi - psicoterapeuta, Omosessualità maschile: un nuovo approccio, Sugarco, Milano, 2002).
[29] Cfr. «Sick Again? Psychiatrists Vote on Gays», em Time, de 20 de fevereiro de 1978, p. 102.
[30] Cfr. C. W. Socarides-R. Kronenmeyer, Overcoming Homosexuality («Homossexualidade vencedora»), Macmillan Publishing Co., New York 1980, pag. 5.
[31] Cfr. C. Crabb, «Are Some Men Born to Be Homosexual»? («Alguns homens nasceram para serem homossexuais»?), in U.S. News & World Report, nº 9 - setembro 1991).
[32] Cfr. W. H. Masters-V. E. Brown-R. Kolodny, Human Sexuality, Little, Brown and Company, Boston 1982, p. 319.
[33] Cfr. C. W. Socarides-R. Kronenmeyer, Overcoming Homosexuality («Homossexualidade vencedora»), Macmillan Publishing Co., New York 1980, pag. 7
[34] Simon LeVay, Gay, Straight, and the Reason Why. The Science of Sexual Orientation, 1991.
[35] Em Journal Neurol Neurosurg Peychiatry, 2004 Feb; 75(2): 221-225.
[36] DH Hamer, S Hu, VL Magnuson, N Hu e AM Pattatucci, A linkage between DNA markers on the X chromosome and male sexual orientation, em Science, vol. 261, nº 5119, 1993, pp. 321-7.
[37] Michael Bailey, em Psychological Medicine, 2005.
[38] CP. Dancey, Sexual orientation in women: an investigation of hormonal and personality variables, Biol Psychol. 1990 Jun; 30(3):251-64.
[39] Gerard J. M. VanDenAardweg, A batalha pela normalidade sexual, 2000, Editora Santuário, Aparecida - SP, p. 235.
[40] Cfr. também a Teoria do apego e da perda do psicólogo, psiquiatra e psicanalista britânico J. Bowlby (1907-1990): J. Bowlby (1969/1990) Apego e perda: Apego - A natureza do vínculo, São Paulo, Martins Fontes, vol. 1; J. Bowlby (1973/1980), Apego e perda: Tristeza e depressão, São Paulo, Martins Fontes, vol. 3; J. Bowlby (1973/1984), Apego e perda: Separação, São Paulo, Martins Fontes, vol. 2; J. Bowlby (1979/2001), Formação e rompimento dos laços afetivos, São Paulo, Martins Fontes; J. Bowlby (1989), Uma base segura: Aplicações clínicas da teoria do apego, Porto Alegre, Artes Médicas.
[41] Richard Cohen, Comprender y sanar la homosexualidad, LibrosLibres, 2012.
[42] Há quem está estudando até o rol da ansiedade durante a gestação. Uma mãe estressada durante a gravidez teria mais probabilidade de dar à luz filhos homossexuais.
[43] Para alguns psicólogos essa é uma condição presente em mais de 90% dos casos. Pesquisas da Northwestern University demonstram que o menino que brinca com bonecas, usa roupas femininas e prefere a companhia das meninas, de dois em três casos, quando for grande, será homossexual
[44] S. Freud levantou a hipótese de que o medo de castração, a intensa fixação edipiana na mãe, o narcisismo e a escolha narcisista de objeto, e a identificação com irmãos rivais com amor supercompensatório secundário por eles são importantes fatores etiológicos na homossexualidade masculina. A vista dos órgãos genitais femininos provoca ansiedade de castração, proporcionando provas concretas de que a castração é uma realidade e, através da associação com antigas ansiedades orais, levando à percepção dos órgãos genitais como instrumento castrador. Tal ansiedade de castração pode levar o rapaz a abandonar a rivalidade com o pai, mediante o repúdio e a renúncia a todas as mulheres (Cfr.: Robert J. Campbell, Dicionário de Psiquiatria, Martins Fontes, São Paulo 1986, p. 301).
[45]Gerard J. M. VanDenAardweg, A batalha pela normalidade sexual, 2000, Editora Santuário, Aparecida - SP, pp. 64s.
[46] O fator sociocultural não se refere unicamente a aspectos intelectuais ou culturais, mas tam­bém a padrões de comportamento e de aceitação por parte da sociedade.
[47]Bares J.J., La homosexualidad masculina. Aspectos teoricos, clinicos, y tecni­cos, em “Revista de Psicoanalisis” 1989, 1(2), 10-127.
[48] Cfr. K. Lorenz (1903-1989): King Solomon's ring (O Anel do Rei Salomão) (1949), Evolution and Modification of Behaviour (1965), Studies in Animal and Human Behavior, Volume I (1970), Studies in Animal and Human Behavior, Volume II (1971).
[49] “Não sabemos como se torna homossexuais, assim como não sabemos como se torna heterossexual. Sabemos que não existe nenhuma configuração familiar verdadeiramente previsível. [...] A orientação sexual não está de modo algum relacionada a sintomas ou síndromes psicopatológicos nem determina distúrbios ou consequências negativas” (Rigliano P., Ciliberto J. e Ferrari F., Curare i gay? Oltre l'ideologia riparativa dell'omosessualità, Milano, Raffaello Cortina Editore, 2012, p. 30 e p. 34).
[50] Milly Barba, em: https://oggiscienza.it/2016/05/23/teorie-biologia-genetica-omosessualita/
[51] Gêmeos homozigotos são aqueles que vieram da mesma célula ovo (ou zigoto). Por isto, apresentam a mesma carga gênica e apresentam o mesmo sexo. São também chamados ‘univitelinos’.
[52] Cfr.: J. R. Prada, La Persona Homosexual, «Studia Moralia», 2004, 42, pp. 45-50.
[53] Giancarlo Ricci, Il padre dov’era: le omosessualità nella psicanalisi, cit.
[54] Cf.: Jornal L'Avvenire, 10 de abril de 2013.
[55]Gerard J. M. VanDenAardweg, A batalha pela normalidade sexual, 2000, Editora Santuário, Aparecida - SP.
[56] Cfr.: C. Socarides, B. Kaufman, J. Nicolosi, J. Santinover, R. Fitzgibbons, Don’t Forsake Homosexuals Who Want Help, “The Wall Street Juornal”, 09.01.1997.
[57] S. Freud, Carta uma mãe de um jovem homossexual, 1935.
[58] Richard Isay, ABC News, 24 abril 1992.
[59] Cfr. J. M. Reinisch, The Kinsey Institute New Report on Sex (Instituto Kinsey, Novo Relatório sobre o sexo), St. Martin's Press, New York, 1990, pág. 147.
[60] Também no Brasil o CFP (Conselho Federal de Psicologia), proíbe a pessoa de buscar ajuda psicológica para superar, curar seus traumas e distúrbios ligados aos comportamentos homoeróticos, pois a “homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”. “Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades” (Resolução CFP N° 001/99 de 22 de março de 1999).
[61] Cfr. W. H. Masters-V. E. Johnson, Homosexuality in Perspective (Homossexualidade em Perspectiva), Brown and Company, Boston 1979, pag. 333. Após um estudo de dez anos sobre homossexualidade, os autores descobriram que aqueles que desejavam a ‘conversão’ para a heterossexualidade tinham uma taxa de falha apenas de 21% (p. 396).
[62] Cfr. K. Painter, «A Biological Theory for Sexual Preference» («Uma teoria biológica para as preferências sexuais»), in USA Today, do 1º de janeiro de 1989, pág. 4D. Veja também A. P. Bell, Sexual Preference («Preferência sexual»), University Press, Bloomington 1981), pág. 221.
Esses autores não acreditam que a biologia possa determinar a preferência sexual e nem sequer acreditam que os pais podem de alguma forma serem a causa. Eles estão convencidos de que existe uma relação causal naquelas crianças que têm problemas precoces de ‘identidade sexual’ e homossexualidade.
[63] A NARTH define a si mesma como uma “organização científica profissional que oferece esperança para aqueles que lutam com uma homossexualidade indesejada”.
[64] Uma pesquisa sobre os resultados positivos da ‘terapia reparativa’ foi a realizada por Robert Spitzer em 2003. Esta pesquisa é particularmente significativa porque Spitzer foi presidente da ‘Seção Nomenclatura’ da APA quando a Associação retirou, em 1973, a homossexualidade do manual de diagnóstico DSM (Cfr.: Robert L. Spitzer, Can Some Gay Men and Lesbians Change Their Sexual Orientation? 200 Participants Reporting a Change from Homosexual to Heterosexual Orientation, Archives of Sexual Behavior, Vol. 32, No. 5, October 2003, pp. 403-417).
[65] Joseph Nicolosi, Reparative Therapy of Male Homosexuality: A New Clinical Approach, 1997.
[66] Cfr. 20/20, ABC News, 24 de abril de 1992; C. W. Socarides-R. Kronenmeyer, Overcoming Homosexuality, Macmillan Publishing Co., New York 1980, págs. 141-167.
“Talvez vocês possam estar interessados pela nossa pesquisa recente com 882 homens e mulheres que antigamente era homossexuais. Eles experimentaram um nível significativo de mudança em suas orientações sexuais. Esta pesquisa foi publicada na edição de junho/2000 do jornal profissional Psychological Report. Dos dados encontrados:
- Um total de 45,4% das pessoas que responderam informaram que tinham tido uma mudança que lhes fazia mais heterossexuais que homossexuais. Aqueles que se submeteram à psicoterapia concordavam em sua maioria absoluta que a terapia tinha lhes ajudado a reduzir suas atrações homossexuais. Muitos perceberam suas condutas homossexuais como um vício.
- Uma grande maioria disse que suas religiões e crenças espirituais desempenharam um papel crucial em vencer a homossexualidade.
- Os participantes da pesquisa informaram que tiveram melhorias significativas nas seguintes áreas de funcionamento: autoaceitação, autocompreensão, sensação de poder pessoal, assertividade, sensação de clareza e segurança em relação à identidade de gênero, autoestima, diminuição da solidão, melhoria na estabilidade emocional e maturidade, diminuição da depressão, melhoria na habilidade de resolver os conflitos interpessoais, diminuição dos pensamentos, sentimento e condutas homossexuais.
- Antes de fazerem terapia, 68% dos participantes se percebiam como exclusivamente ou quase exclusivamente homossexuais. Depois do tratamento, apenas 13% se percebiam como exclusivamente ou quase exclusivamente homossexuais.
- Além do mais, os seguintes profissionais altamente conceituados têm expressado seu apoio em relação à possibilidade de mudança de orientação sexual:
Robert Spitzer, MD, o psiquiatra conhecido como o “arquiteto da decisão de 1973” que retirou a homossexualidade do manual DSM, recentemente expressou uma preocupação séria em relação ao movimento contra à terapia de reorientação sexual. Daqui a dois meses, o Dr. Spitzer deve apresentar os resultados do seu próprio estudo à Associação Americana de Psiquiatria. Ele estudou 200 indivíduos que dizem que alcançaram uma mudança de orientação sexual e que conseguiram manter essa mudança por, no mínimo, os últimos 5 anos.
Diz o Dr. Spitzer: “A partir das entrevistas que eu fiz com as pessoas, estou convencido... que muitas delas... conseguiram fazer mudanças substanciosas em tornar-se heterossexuais. Eu cheguei a este estudo muito cético. Agora eu reivindico e afirmo que essas mudanças podem ser sustentadas.”
- Em relação às pessoas que dizem ser exclusivamente homossexuais, ele concedeu que, “Penso que, implicitamente, algo não está funcionando bem.”
- Dr. Raymond Fowler, o Secretario Executivo (CEO) da Associação Americana de Psicologia , diz que a sua interpretação da posição da APA sobre terapia reparativa é que aqueles que querem explorar os sentimentos ou condutas heterossexuais emergentes têm o direito de fazê-lo como o direito inerente de cada cliente a sua autodeterminação.
- Dr. Brent Scharman, antigo presidente da Associação Psicologia de Utah, considera-se um “típico” psicólogo, não um ativista por qualquer das posições em relação à homossexualidade. Ele afirma que todos os indivíduos homossexuais têm direito de perseguir a mudança. “É o cliente que deve determinar a direção do seu tratamento.”
- Dr. Warren Throckmorton, antigo presidente da Associação Americana de Conselheiros da Saúde Mental, estudou uma grande amostra de pesquisas sobre mudança de orientação sexual. Ele diz que tal tratamento tem sido eficaz, que pode ser conduzido de forma ética, e que deve estar disponível a todos os clientes que pedem por este tipo de ajuda. Seu artigo foi publicado há dois anos (“Tentativas de Modificação da Orientação Sexual: Uma Revisão da Literatura Resultante e Temas Éticos,”) Journal of Mental Health Counseling, Out, 1998, vol 20, pp. 283-304.
- Dr. Martin Seligman, Presidente (1998) da Associação Americana de Psicologia, cita as pesquisas no seu livro, “O Que se Pode Mudar e o que Não se Pode Mudar”. Ele é otimista em relação à mudança para aquelas pessoas que tiveram menos experiências homossexuais e/ou alguns sentimentos bissexuais (Cfr.: http://rozangelajustino.blogspot.com.br/2009/05/narth-associacao-americana-de-pesquisa.html. Acessado em 31 de agosto de 2017).
[67] Richard Cohen, Comprender y sanar la homosexualidad, LibrosLibres, 2012.
[68] Richard Cohen, Comprender y sanar la homosexualidad, LibrosLibres, 2012.
[69] Cfr.: C. Socarides, B. Kaufman, J. Nicolosi, J. Santinover, R. Fitzgibbons, Don’t Forsake Homosexuals Who Want Help, “The Wall Street Journal”, 09.01.1997.
[70] S. Freud, Introdução à Psicanálise, 1933.
[71] G. Prati, L. Pietrantoni, E. Buccoliero, M. Maggi, Il bullismo omofobico, Franco Angeli 2010; C. Chiari, L. Borghi, Psicologia dell’omosessualità, Carocci 2009
[72] Com aos adolescentes, temos que evitar de julgar apressadamente a existência de uma inclinação homossexual, pois todos os adolescentes passam por uma fase de homossexualidade.
[73]Casamassima Franca, L'omosessualità fra identità e desiderio, Rivista di Ses­suologia 1992, 16, 2.
[74] Há quem pensa que os católicos somos homofóbicos. Nada mais equivocado. Atitudes de violência física ou moral, ridicularizações são tão contrários à doutrina católica como qualquer outro pecado contra a caridade.
Não devemos, porém, confundir a ‘dissidência’ com o ‘preconceito’.
[75] Papa Francisco, Amoris laetitia, 2016, n. 250.
[76] Catecismo da Igreja Católica, 2357
[77] O Antigo Testamento contem condenações explícitas da homossexualidade: “Não dormirás com um homem como se dorme com mulher: é uma abominação” (Lv 18,22).
“Se um homem dormir com outro, como se fosse com mulher, ambos cometem uma abominação e serão punidos com a morte: seu sangue cairá sobre eles” (Lv 20,13).
Cfr. também: Cf Gn 19,1-29; Rm 1,24-27; 1 Cor 6,9-10; 1 Tm 1,10.
[78] Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Pessoa humana, 8: AAS 68 (1976) 85.
[79] Gn 1,27.
[80] Catecismo da Igreja Católica, 2358.
[81] Catecismo da Igreja Católica, 2359
[82] Na pastoral com pessoas homossexuais, pode ajudar o livro do Pe. John F. Harvey, Attrazione per lo stesso sesso - Accompagnare la persona, Edizioni Studio Domenicano-ESD, 2016. O Pe. Harvey (1918-2010) por mais de 50 anos cuidou de muitas pessoas que o procuravam, desejosas de se aproximar da Igreja e de serem bem acolhidas.
[83] “A pessoa humana... é tão profundamente afetada pela sexualidade, que esta deve ser considerada como um dos fatores que conferem à vida de cada um dos indivíduos os traços principais que a distinguem. É do sexo, efetivamente, que a pessoa humana recebe aqueles caracteres que, no plano biológico, psicológico e espiritual, a fazem homem e mulher, condicionando por isso, em grande escala, a sua consecução da maturidade e a sua inserção na sociedade” (Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração, Persona humana. Sobre alguns pontos de ética sexual, 1975, n. 1).
[84] Na pré-adolescência, após o período de latência da energia sexual, há um despertar da mesma que passa por essas fases: autoerotismo, homoerotismo e relação heterossexual. Quando algo tropeça nessas passagens, é possível o fenômeno da fixação. A fixação, de fato, é um mecanismo defensivo através do qual a pessoa se recusa, de alguma forma, a crescer, no nosso caso, na área afetivo-sexual, bloqueando-se numa certa estação evolutiva, que, sempre no nosso contexto, poderia ser ou a infantil ou a pré-adolescência (momento autoerótico ou homoerótico).
[85] C. Zuccaro, «Unità della persona e integrazione sessuale. Possibilità e limiti», em Rassegna di teologia 36 (1995) 6, 713, nota 43.
[86] Amedeo Cencini, L’ora di Dio. La crisi nella vita credente, EDB 2010, pp. 187-233.
[87] Courage originou-se em 1980 por iniciativa do então cardeal de Nova Iorque Terence Cooke, que encarregou a um teólogo reconhecido a mensagem de caridade e de verdade da Igreja: Padre John Harvey dos Oblatos de São Francisco de Sales (1918-2010).
[88] Cfr. Zenit, 15 de julho de 2014.
[89] Além de formar esses grupos de apoio, Courage oferece treinamento para sacerdotes e seminaristas, ajudando-os a compreender o seu desafio na compreensão da complexidade da homossexualidade e ajudar, por sua vez, homens e mulheres com essa inclinação.
[90] Vittorino Andreoli, Preti, Viaggio fra gli uomini del sacro (Padres, Viagem entre os homens do sagrado), Piemme, 2009.

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