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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Franciscanos despedem-se de Dom Frei Paulo Evaristo Arns

Por: Moacir Beggo (texto e fotos)

Luciney Martins (Arquidiocese de S. Paulo)
São Paulo (SP) – A Família Franciscana se reuniu na manhã desta sexta-feira (16/12), às 10 horas, para prestar a última homenagem a Dom Paulo Evaristo Arns e, como destacou o Ministro Provincial da Província Imaculada Conceiçãos dos OFM, Frei Fidêncio Vanboemmel, “celebrar, no espírito de São Francisco de Assis, a visita da Irmã Morte e o mistério pascal deste nosso querido confrade e pastor”.

Frei Fidêncio presidiu a celebração e teve como concelebrantes o Arcebispo de Porto Alegre e seu confrade, Dom Jaime Spengler, e o arcebispo de Ribeirão Preto, Dom Moacir Silva. Entre os religiosos presentes, o Ministro Provincial dos Frades Menores Capuchinhos, Frei Carlos Silva, e do Ministro Provincial dos Frades Menores Conventuais, Frei Gílson Nunes.

A Ação de Graças dos Franciscanos aconteceu cinco horas antes do sepultamento, previsto para após a Missa das 15 horas. A celebração foi simples, mas emocionante e fraternal como se esperava dos seus confrades e da Família Franciscana. Frei Fidêncio, na sua homilia lembrou que Dom Paulo rezava e repetia com muita frequência o “Cântico das Criaturas”, o hino que o próprio São Francisco pediu que os frades cantassem no momento de sua morte. No final da celebração, o Ministro Provincial repetiu o gesto e chamou todos os frades para perto do corpo de Dom Paulo. Pediu que cantassem este hino enquanto fez a encomendação do corpo. Foi difícil segurar as lágrimas neste momento!

Em dois dias de velório, o povo fez filas para se despedir de Dom Paulo e participar de uma das 23 missas de corpo presente, enchendo sempre a Catedral. No intervalo entre as celebrações, o público pôde se aproximar do corpo de Dom Paulo, que será sepultado na cripta da catedral, localizada no subsolo, onde estão sepultados 11 bispos, dois arcebispos, o cacique Tibiriçá, que foi catequizado por jesuítas, além do regente Feijó e o padre Bartholomeu de Gusmão, que ficou conhecido pela invenção dos balões. Dom Paulo será o terceiro arcebispo e o primeiro cardeal a ser sepultado no local. Dom José Gaspar, em 1943, foi o último arcebispo sepultado ali.

Tendo presente este hino de São Francisco, Frei Fidêncio disse que a atitude, enquanto franciscanos/as, religiosos/as e povo de Deus, neste dia em que sepultamos o corpo de Dom Paulo, deve ser a da gratidão ao “Altíssimo, Onipotente e Bom Senhor”.

“Louvado sejas, meu Senhor, pela vida de Dom Paulo. Louvado sejas, meu Senhor, porque cumulastes este vosso servo Dom Paulo com tantas virtudes. Virtudes enaltecidas por multidões de pessoas que aprenderam, no ouvir e ver, a amar e a admirar este homem de Deus. Louvado sejas, meu Senhor, porque nos destes este confrade. Como São Francisco de Assis, também nós, seus Confrades, agradecemos e nos alegramos no Altíssimo e Bom Senhor porque Ele enriqueceu-nos com este “homem de tanto valor, … o companheiro tão necessário e o amigo tão fiel” (1Cel 24)”, rezou o Provincial.

Frei Fidêncio explicou que Dom Paulo teve uma “passagem curta”, mas muito significativa, pela Província da Imaculada Conceição até ser nomeado bispo-auxiliar da Arquidiocese de São Paulo. Nesses 50 anos como bispo, contudo, nunca deixou de visitar o Convento São Francisco, no Centro de São Paulo. “Os Frades que viveram no Convento São Francisco, nos seus 50 anos de Bispo, são testemunhas desta alma franciscana que em vários momentos significativos continuava a valorizar a fraternidade como um dos pilares do carisma de São Francisco de Assis”.

O Ministro Provincial explicou que a certeza que alimentou e levou São Francisco a acolher a morte como amiga e irmã, é a proclamação desta verdade: “Felizes os que ela encontrar conformes à tua santíssima vontade”.

“Creio que todas as pessoas que acompanharam Dom Paulo, certamente hoje compreendem a tamanha entrega que ele fez de si a tudo o que foi valoroso e significativo na vida dele: a família, a vida religiosa franciscana e o seu pastoreio como bispo, cuidador do povo a ele confiado, para que todas as pessoas fossem respeitadas a partir da dignidade como direito inalienável. E foi assim que a irmã Morte encontrou Dom Paulo: vivendo em conformidade à santíssima vontade, segurando na mão sua cruz peitoral para nos dizer que a ‘Perfeita Alegria’, isto é, a glória maior da vida cristã está na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”, explicou o Ministro Provincial dos Frades Menores da Imaculada.

Participaram da Missa familiares de Dom Evaristo, que ressaltaram o toque franciscano da celebração. Dom Evaristo Arns morreu na quarta (14) em decorrência de uma broncopneumonia, aos 95 anos.
Frei Gilson Nunes, Provincial dos Frades Menores Conventuais, leu a mensagem do presidente da Conferência da Família Franciscana, Frei Ederson Queiroz, OFMCap: “A Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFF), unida à Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e à Arquidiocese de São Paulo, canta os louvores do Senhor pela irmã morte. A irmã morte corporal que introduziu na alegria da Ressurreição nosso confrade e bom pastor, Dom Paulo Evaristo Arns. Frei Paulo, digno filho de São Francisco de Assis, deixou-nos um rastro de fidelidade a Deus, à Igreja e aos pobres. Sua vida franciscana o mergulhou na realidade da grande cidade de São Paulo. Tornou-se a voz dos sem voz, sobretudo daqueles que foram perseguidos pela ditadura militar. Fez do púlpito sua arma pela paz e, como pai, bradava pela vida dos seus filhos, tragados pela malícia de um sistema perverso. Como seguidor doPoverello de Assis, deu a vida pelos pobres. Por isso, tornou-se conhecido como o Cardeal das Periferias, o Cardeal dos Operários, o Cardeal do Vaticano II, o Cardeal do Diálogo Inter-religioso, o Cardeal Franciscano. Sua vida simples e próxima dos simples irradiava ternura e alegria, própria de quem vivia sob o signo da esperança. E de “Esperança em esperança”, foi mais do que seu lema episcopal, foi a maneira de estar na vida irradiando confiança de quem acreditava que, para além da escuridão da noite, lindo seria o nascer de um novo dia.

Hoje, um sentimento de orfandade toma o nosso coração; o filho de São Francisco levou consigo muitos segredos, sobretudo os segredos dos pobres, as lágrimas das mães, a rebeldia da juventude, o sonho de uma nova Pátria e os introduziu nos céus, junto ao trono do Cordeiro. Podemos imaginá-lo como anjo da Igreja da Pauliceia, dizendo: Amém, Amém! Vem Senhor Jesus!”.

Já o Vigário Provincial da Província da Imaculada, Frei César Külkamp, leu a mensagem do Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Frei Michael Perry, que destacou que “Dom Paulo antecipou o que o Papa Francisco vem insistindo ao pedir uma Igreja em saída” 

O povo, que veio em massa para prestar as últimas homenagens, pôde acompanhar a celebração antes do sepultamento por telões na praça da Sé.

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