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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Enganando o Menino do Presépio?

Por: Raymundo Dantas
É Natal sobre a Terra. Falam-nos dele as ruas, os comerciais, os cartões que enviamos, as mensagens na internet, nas redes sociais, os brindes que são trocados. Indiscutivelmente é Natal !
Mas é natal de quem ? Quem é o aniversariante, quem é o dono da festa ? Por onde andará o menininho da manjedoura ? Onde poderemos vê-lo ? 
Não mais em Belém de Judá, que agora é Belém da Palestina, centro nervoso de uma guerra estúpida e sem fim, fruto da intolerância e da disputa de poder entre povos irmãos.
Não mais nos lares e escritórios, onde o presépio já não ocupa o centro das atenções e as ovelhas foram substituídas pelas renas da Lapônia, num cenário polar, asséptico e frio.
Não mais nos agrupamentos urbanos onde a violência mantém as pessoas acuadas, fazendo o medo superar o desejo do encontro e da convivência.
Não mais nos centros de poder, onde a usura tem prevalecido sobre o bem comum, o poder do mando e do dinheiro tem feito crescer a corrupção cínica e despudorada.
Não mais nas escolas, onde o saber tem excluído o sentir, debaixo da pressão dissociadora das regras, das técnicas, das cotas e das vagas.
E lamentavelmente já não está nos corações dos homens, presépio preferencial, território ocupado pela ambição, atitude agora indispensável à sobrevivência, desde os lares, ao trânsito das ruas, nas pelejas políticas ou nas lutas do mercado.
Porém, distraídos, nós continuamos a trocar votos de paz e de felicidade. Estaremos enganando o menino de Belém ? Ou enganamos a nós próprios ?
Paz e felicidade não são apenas cumprimentos, mas compromissos.
Quem realmente deseja a paz e a felicidade, já as deve estar construindo, no dia a dia, com espírito desarmado e coração disponível para o outro. Quem está comprometido com a paz já tem as mãos calejadas de construtor do entendimento e o coração aberto para receber e acolher. Não usa subterfúgios, não sorri maledicente, não se encastela, não se omite, não foge do sofrimento alheio.
Quem realmente está comprometido com a felicidade já a está construindo com labor desinteressado e honesto. Porque a felicidade não é uma mágica que acontece ao ser formulada como desejo. É o fruto autêntico do fazer-se solidário, igual, fiel a si mesmo e aos que o cercam, é o hálito da consciência pacífica, o calor do coração pulsante. E sim, é o modo de ser dos justos.
Só há Natal de verdade quando estamos sinceramente decididos a construí-lo. Quando impomos a solidariedade ao egoísmo, a colaboração à competição, a paz à guerra, a comunhão ao enfrentamento. Aí então o menino da manjedoura renasce, em nossos corações, trazendo-nos de presente a humildade, o desapego e o desejo de servir - a confirmação da paz e da felicidade.
Vamos então encher esta cidade – já vocacionada para o Natal – com a Esperança ativa dos que fazem acontecer, dos que mudam a face da terra, sempre para melhor, com seu trabalho generoso e persistente.
E possamos então dizer conscientemente : Feliz Natal, Feliz Ano Novo, com muita paz para todos nós.

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