Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Data do nascimento de Jesus


Uma matéria antiga mas que serve de boa reflexão para os leitores do SFC!
 
Devo corrigir um erro que cometi. Aconteceu que num momento de mau humor, desejei – precisamente num meu artigo – que a Igreja se decidisse a fazer uma alteração no calendário: que transferisse para o dia 15 de Agosto aquilo que celebra no dia 25 de Dezembro. Um Natal no deserto estivo – argumentava eu – libertar-nos-ia das insuportáveis iluminações, dos enjoativos trenós com renas e Pais Natais, e até da obrigação de mandar cartões de Boas Festas e prendas. De fato, quando todos estão fora, quando as cidades estão vazias, a quem – e para onde – mandar cartões de Boas Festas e embrulhos enfeitados de fitas e laçarotes? Não são os próprios Bispos que trovejam contra aquela espécie de orgia consumista a que se reduziram as nossas Festas de Natal? Então, “fintemos” os comerciantes: passemos tudo para o dia 15 de Agosto. A coisa – observava eu – não parece ser impossível: de facto, não foi a necessidade histórica, mas sim a Igreja a escolher o dia 25 de Dezembro para contrastar e substituir as festas pagãs nos dias do solstício de Inverno: colocar o nascimento do Cristo em lugar do renascimento do Sol Invictus. No início houve, portanto, uma decisão pastoral, mas esta pode ser mudada, consoante as necessidades.

Era uma provocação, obviamente, mas que se baseava naquilo que é (ou, melhor, que era) pacificamente aceite por todos os estudiosos: a colocação litúrgica do Natal é uma escolha arbitrária, sem ligação com a data do nascimento de Jesus, a qual ninguém estaria em condições de poder determinar. Ora bem, parece que os especialistas se enganaram mesmo; e eu, obviamente, com eles. Na realidade, hoje – graças também aos documentos de Qumran* – estamos em condições de poder estabelecê-lo com precisão: Jesus nasceu mesmo num dia 25 de Dezembro. Uma descoberta extraordinária a sério e que não pode ser alvo de suspeitas de fins apologéticos cristãos, dado que a devemos a um docente judeu, da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Procuremos compreender o mecanismo, que é complexo, mas fascinante. Se Jesus nasceu a 25 de Dezembro, a sua concepção virginal ocorreu, obviamente 9 meses antes. E, com efeito, os calendários cristãos colocam no dia 25 de Março a Anunciação do Anjo S. Gabriel a Maria. Mas sabemos pelo próprio Evangelho de S. Lucas que, precisamente seis meses antes, tinha sido concebido por Isabel, João, o precursor, que será chamado o Baptista. A Igreja Católica não tem uma festa litúrgica para esta concepção, mas a Igreja do Oriente celebra-a solenemente entre os dias 23 e 25 de Setembro; ou seja, seis meses antes da Anunciação a Maria. Uma lógica sucessão de datas, mas baseada em tradições não verificáveis, não em acontecimentos localizáveis no tempo. Assim acreditávamos todos nós, até há pouquíssimo tempo. Mas, na realidade, parece mesmo que não é assim.

De fato, é precisamente da concepção do Baptista que devemos partir. O Evangelho de S. Lucas abre-se com a história do velho casal, Zacarias e Isabel, já resignado à esterilidade – considerada uma das piores desgraças em Israel. Zacarias pertencia à casta sacerdotal e, um dia, em que estava de serviço no Templo de Jerusalém, teve a visão de Gabriel (o mesmo anjo que aparecerá seis meses mais tarde a Maria, em Nazaré), o qual lhe anunciou que, não obstante a idade avançada, ele e a mulher iriam ter um filho. Deviam dar-lhe o nome de João e ele seria grande «diante do Senhor».

Lucas teve o cuidado de precisar que Zacarias pertencia à classe sacerdotal de Abias e que quando teve a aparição «desempenhava as funções sacerdotais no turno da sua classe». Com efeito, no antigo Israel, os que pertenciam à casta sacerdotal estavam divididos em 24 classes, as quais, alternando-se segundo uma ordem fixa e imutável, deviam prestar o serviço litúrgico no Templo, por uma semana, duas vezes por ano. Já se sabia que a classe de Zacarias – a classe de Abias – era a oitava no elenco oficial. Mas quando é que ocorriam os seus turnos de serviço? Ninguém o sabia. Ora bem, o enigma foi desvendado pelo professor Shemarjahu Talmon, docente na Universidade Hebraica de Jerusalém, utilizando investigações desenvolvidas também por outros especialistas e trabalhando, sobretudo, com textos encontrados na Biblioteca essena de Qumran. O estudioso conseguiu precisar em que ordem cronológica se sucediam as 24 classes sacerdotais. A de Abias prestava serviço litúrgico no Templo duas vezes por ano, tal como as outras, e uma das vezes era na última semana de Setembro. Portanto, era verosímil a tradição dos cristãos orientais que coloca entre os dias 23 e 25 de Setembro o anúncio a Zacarias. Mas esta verosimilhança aproximou-se da certeza porque os estudiosos, estimulados pela descoberta do Professor Talmon, reconstruíram a “fileira” daquela tradição, chegando à conclusão que esta provinha directamente da Igreja primitiva, judaico-cristã, de Jerusalém. Esta memória das Igrejas do Oriente é tão firme quanto antiga, tal como se confirma em muitos outros casos.

Eis, portanto, como aquilo que parecia mítico assume, improvisamente, uma nova verosimilhança – Uma cadeia de acontecimentos que se estende ao longo de 15 meses: em Setembro o anúncio a Zacarias e no dia seguinte a concepção de João; seis meses depois, em Março, o anúncio a Maria; três meses depois, em Junho, o nascimento de João; seis meses depois, o nascimento de Jesus. Com este último acontecimento, chegamos precisamente ao dia 25 de Dezembro; dia que não foi, portanto, fixado ao acaso.

Sim, parece que festejar o Natal no dia 15 de Agosto é coisa não se pode mesmo propor. Corrijo, portanto, o meu erro, mas, mais que humilhado, sinto-me emocionado: depois de tantos séculos de investigação encarniçada, os Evangelhos não deixam realmente de nos reservar surpresas. Parecem detalhes aparentemente inúteis (o que é que importava se Zacarias pertencia à classe sacerdotal de Abias ou não? Nenhum exegeta prestava atenção a isto) mas que mostram, de improviso, a sua razão de ser, o seu carácter de sinais duma verdade escondida mas precisa. Não obstante tudo, a aventura cristã continua.

[tradução realizada por pensaBEM.net]

Nota:
* Os manuscritos de Qumran foram descobertos em 1947, perto das margens do Mar Morto, na localidade de Qumran, localidade onde a seita hebraica dos Essénios tinha nos tempos de Jesus a sua sede principal. Os manuscritos foram encontrados em ânforas, provavelmente escondidos pelos monges da seita, quando tiveram de fugir dos romanos provavelmente entre 66 e 70 d. C. Aqueles pergaminhos deram-nos os textos de quase todos os livros da Bíblia copiados de dois a um século antes de Jesus e perfeitamente coincidentes com os que são usados hoje pelos hebreus e pelos cristãos(cfr. Hipóteses sobre Jesus, Porto, Edições Salesianas, 1987, p. 101).


Fonte: Corriere della Sera, 9 de Julho de 2003



Tradução: pensaBEM.netFonte: Corriere della Sera, 9 de Julho de 2003. Tradução: pensaBEM.net

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Enganando o Menino do Presépio?

Por: Raymundo Dantas
É Natal sobre a Terra. Falam-nos dele as ruas, os comerciais, os cartões que enviamos, as mensagens na internet, nas redes sociais, os brindes que são trocados. Indiscutivelmente é Natal !
Mas é natal de quem ? Quem é o aniversariante, quem é o dono da festa ? Por onde andará o menininho da manjedoura ? Onde poderemos vê-lo ? 
Não mais em Belém de Judá, que agora é Belém da Palestina, centro nervoso de uma guerra estúpida e sem fim, fruto da intolerância e da disputa de poder entre povos irmãos.
Não mais nos lares e escritórios, onde o presépio já não ocupa o centro das atenções e as ovelhas foram substituídas pelas renas da Lapônia, num cenário polar, asséptico e frio.
Não mais nos agrupamentos urbanos onde a violência mantém as pessoas acuadas, fazendo o medo superar o desejo do encontro e da convivência.
Não mais nos centros de poder, onde a usura tem prevalecido sobre o bem comum, o poder do mando e do dinheiro tem feito crescer a corrupção cínica e despudorada.
Não mais nas escolas, onde o saber tem excluído o sentir, debaixo da pressão dissociadora das regras, das técnicas, das cotas e das vagas.
E lamentavelmente já não está nos corações dos homens, presépio preferencial, território ocupado pela ambição, atitude agora indispensável à sobrevivência, desde os lares, ao trânsito das ruas, nas pelejas políticas ou nas lutas do mercado.
Porém, distraídos, nós continuamos a trocar votos de paz e de felicidade. Estaremos enganando o menino de Belém ? Ou enganamos a nós próprios ?
Paz e felicidade não são apenas cumprimentos, mas compromissos.
Quem realmente deseja a paz e a felicidade, já as deve estar construindo, no dia a dia, com espírito desarmado e coração disponível para o outro. Quem está comprometido com a paz já tem as mãos calejadas de construtor do entendimento e o coração aberto para receber e acolher. Não usa subterfúgios, não sorri maledicente, não se encastela, não se omite, não foge do sofrimento alheio.
Quem realmente está comprometido com a felicidade já a está construindo com labor desinteressado e honesto. Porque a felicidade não é uma mágica que acontece ao ser formulada como desejo. É o fruto autêntico do fazer-se solidário, igual, fiel a si mesmo e aos que o cercam, é o hálito da consciência pacífica, o calor do coração pulsante. E sim, é o modo de ser dos justos.
Só há Natal de verdade quando estamos sinceramente decididos a construí-lo. Quando impomos a solidariedade ao egoísmo, a colaboração à competição, a paz à guerra, a comunhão ao enfrentamento. Aí então o menino da manjedoura renasce, em nossos corações, trazendo-nos de presente a humildade, o desapego e o desejo de servir - a confirmação da paz e da felicidade.
Vamos então encher esta cidade – já vocacionada para o Natal – com a Esperança ativa dos que fazem acontecer, dos que mudam a face da terra, sempre para melhor, com seu trabalho generoso e persistente.
E possamos então dizer conscientemente : Feliz Natal, Feliz Ano Novo, com muita paz para todos nós.

Franciscanos despedem-se de Dom Frei Paulo Evaristo Arns

Por: Moacir Beggo (texto e fotos)

Luciney Martins (Arquidiocese de S. Paulo)
São Paulo (SP) – A Família Franciscana se reuniu na manhã desta sexta-feira (16/12), às 10 horas, para prestar a última homenagem a Dom Paulo Evaristo Arns e, como destacou o Ministro Provincial da Província Imaculada Conceiçãos dos OFM, Frei Fidêncio Vanboemmel, “celebrar, no espírito de São Francisco de Assis, a visita da Irmã Morte e o mistério pascal deste nosso querido confrade e pastor”.

Frei Fidêncio presidiu a celebração e teve como concelebrantes o Arcebispo de Porto Alegre e seu confrade, Dom Jaime Spengler, e o arcebispo de Ribeirão Preto, Dom Moacir Silva. Entre os religiosos presentes, o Ministro Provincial dos Frades Menores Capuchinhos, Frei Carlos Silva, e do Ministro Provincial dos Frades Menores Conventuais, Frei Gílson Nunes.

A Ação de Graças dos Franciscanos aconteceu cinco horas antes do sepultamento, previsto para após a Missa das 15 horas. A celebração foi simples, mas emocionante e fraternal como se esperava dos seus confrades e da Família Franciscana. Frei Fidêncio, na sua homilia lembrou que Dom Paulo rezava e repetia com muita frequência o “Cântico das Criaturas”, o hino que o próprio São Francisco pediu que os frades cantassem no momento de sua morte. No final da celebração, o Ministro Provincial repetiu o gesto e chamou todos os frades para perto do corpo de Dom Paulo. Pediu que cantassem este hino enquanto fez a encomendação do corpo. Foi difícil segurar as lágrimas neste momento!

Em dois dias de velório, o povo fez filas para se despedir de Dom Paulo e participar de uma das 23 missas de corpo presente, enchendo sempre a Catedral. No intervalo entre as celebrações, o público pôde se aproximar do corpo de Dom Paulo, que será sepultado na cripta da catedral, localizada no subsolo, onde estão sepultados 11 bispos, dois arcebispos, o cacique Tibiriçá, que foi catequizado por jesuítas, além do regente Feijó e o padre Bartholomeu de Gusmão, que ficou conhecido pela invenção dos balões. Dom Paulo será o terceiro arcebispo e o primeiro cardeal a ser sepultado no local. Dom José Gaspar, em 1943, foi o último arcebispo sepultado ali.

Tendo presente este hino de São Francisco, Frei Fidêncio disse que a atitude, enquanto franciscanos/as, religiosos/as e povo de Deus, neste dia em que sepultamos o corpo de Dom Paulo, deve ser a da gratidão ao “Altíssimo, Onipotente e Bom Senhor”.

“Louvado sejas, meu Senhor, pela vida de Dom Paulo. Louvado sejas, meu Senhor, porque cumulastes este vosso servo Dom Paulo com tantas virtudes. Virtudes enaltecidas por multidões de pessoas que aprenderam, no ouvir e ver, a amar e a admirar este homem de Deus. Louvado sejas, meu Senhor, porque nos destes este confrade. Como São Francisco de Assis, também nós, seus Confrades, agradecemos e nos alegramos no Altíssimo e Bom Senhor porque Ele enriqueceu-nos com este “homem de tanto valor, … o companheiro tão necessário e o amigo tão fiel” (1Cel 24)”, rezou o Provincial.

Frei Fidêncio explicou que Dom Paulo teve uma “passagem curta”, mas muito significativa, pela Província da Imaculada Conceição até ser nomeado bispo-auxiliar da Arquidiocese de São Paulo. Nesses 50 anos como bispo, contudo, nunca deixou de visitar o Convento São Francisco, no Centro de São Paulo. “Os Frades que viveram no Convento São Francisco, nos seus 50 anos de Bispo, são testemunhas desta alma franciscana que em vários momentos significativos continuava a valorizar a fraternidade como um dos pilares do carisma de São Francisco de Assis”.

O Ministro Provincial explicou que a certeza que alimentou e levou São Francisco a acolher a morte como amiga e irmã, é a proclamação desta verdade: “Felizes os que ela encontrar conformes à tua santíssima vontade”.

“Creio que todas as pessoas que acompanharam Dom Paulo, certamente hoje compreendem a tamanha entrega que ele fez de si a tudo o que foi valoroso e significativo na vida dele: a família, a vida religiosa franciscana e o seu pastoreio como bispo, cuidador do povo a ele confiado, para que todas as pessoas fossem respeitadas a partir da dignidade como direito inalienável. E foi assim que a irmã Morte encontrou Dom Paulo: vivendo em conformidade à santíssima vontade, segurando na mão sua cruz peitoral para nos dizer que a ‘Perfeita Alegria’, isto é, a glória maior da vida cristã está na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”, explicou o Ministro Provincial dos Frades Menores da Imaculada.

Participaram da Missa familiares de Dom Evaristo, que ressaltaram o toque franciscano da celebração. Dom Evaristo Arns morreu na quarta (14) em decorrência de uma broncopneumonia, aos 95 anos.
Frei Gilson Nunes, Provincial dos Frades Menores Conventuais, leu a mensagem do presidente da Conferência da Família Franciscana, Frei Ederson Queiroz, OFMCap: “A Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFF), unida à Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e à Arquidiocese de São Paulo, canta os louvores do Senhor pela irmã morte. A irmã morte corporal que introduziu na alegria da Ressurreição nosso confrade e bom pastor, Dom Paulo Evaristo Arns. Frei Paulo, digno filho de São Francisco de Assis, deixou-nos um rastro de fidelidade a Deus, à Igreja e aos pobres. Sua vida franciscana o mergulhou na realidade da grande cidade de São Paulo. Tornou-se a voz dos sem voz, sobretudo daqueles que foram perseguidos pela ditadura militar. Fez do púlpito sua arma pela paz e, como pai, bradava pela vida dos seus filhos, tragados pela malícia de um sistema perverso. Como seguidor doPoverello de Assis, deu a vida pelos pobres. Por isso, tornou-se conhecido como o Cardeal das Periferias, o Cardeal dos Operários, o Cardeal do Vaticano II, o Cardeal do Diálogo Inter-religioso, o Cardeal Franciscano. Sua vida simples e próxima dos simples irradiava ternura e alegria, própria de quem vivia sob o signo da esperança. E de “Esperança em esperança”, foi mais do que seu lema episcopal, foi a maneira de estar na vida irradiando confiança de quem acreditava que, para além da escuridão da noite, lindo seria o nascer de um novo dia.

Hoje, um sentimento de orfandade toma o nosso coração; o filho de São Francisco levou consigo muitos segredos, sobretudo os segredos dos pobres, as lágrimas das mães, a rebeldia da juventude, o sonho de uma nova Pátria e os introduziu nos céus, junto ao trono do Cordeiro. Podemos imaginá-lo como anjo da Igreja da Pauliceia, dizendo: Amém, Amém! Vem Senhor Jesus!”.

Já o Vigário Provincial da Província da Imaculada, Frei César Külkamp, leu a mensagem do Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Frei Michael Perry, que destacou que “Dom Paulo antecipou o que o Papa Francisco vem insistindo ao pedir uma Igreja em saída” 

O povo, que veio em massa para prestar as últimas homenagens, pôde acompanhar a celebração antes do sepultamento por telões na praça da Sé.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Um Eremitério Franciscano Conventual em Andrelândia-MG

Um Eremitério Franciscano em Andrelândia

Domus Perfectae Laetitiae
Casa da Perfeita Alegria

A experiência de São Francisco de Assis nos eremitérios de sua época teve uma particular importância tanto na sua vida como no de sua Ordem. Ele, pessoalmente, viveu a maior parte de sua vida no ermo levando vida contemplativa e, ao mesmo tempo, no meio do povo pregando o Evangelho.
Para os eremitérios escreveu uma Regra - pouco conhecida – onde mais do que normas disciplinares sobressai um espírito de santa simplicidade e de amor fraterno – “Dois deles sejam as mães e tenham dois ou ao menos um por filho. Aqueles levem a vida de Marta e estes a de Maria” - aliado a uma busca de solidão e silêncio contemplativo não fechado ao mundo; ao contrário, ‘aberto’ dando frutos na ação evangelizadora.
Nosso eremitério tem como meta o primado de Deus, recolocando-o no centro de nossa vida cristã, religiosa e ministerial, através de uma redescoberta de uma dimensão mais interiorizada que procura manifestar-se na vida litúrgica, fraterna, no testemunho de uma vida simples e dependente do povo, num lugar de acolhimento e de hospitalidade para quem procura respostas para as suas ‘inquietudes’.
No último dia 14 de setembro, Festa da Santa Cruz, ao final da missa conventual, tivemos a grata honra de depositar num dos ossuários de nosso cemitério Nossa Senhora do Carmo os restos mortais de Fr. André Wild, ofm conv. No mesmo cemitério, 22/06/1999 foi sepultado Fr Martinho de Porres, ofm conv.
Frei André Wild foi o ‘primeiro frade franciscano conventual a fixar residência no Brasil nos tempos modernos... Húngaro de nascimento, mas cidadão romeno, ele chegou ao Brasil em 12/12/1939 para visitar seu irmão o Dr. Luiz Wild... Foi este frade que escrevendo em 1945 à Província Imaculada Conceição nos USA, despertou-lhes o interesse missionário pelo Brasil” (‘Fazei tudo o que ele vos disser’ (Jo 2,3): celebração da custódia provincial Imaculada Conceição nos seus 70 anos de presença franciscana conventual no Brasil, p 92)
Nesse ano, em que celebramos os 70 anos de presença franciscana conventual na América Latina e no Caribe, redemos graças a Deus pelo testemunho desses dois frades, essas duas sementes vindas de outras terras e agora plantadas em terras andrelandenses. Ao mesmo tempo, imploramos de Deus as bençãos para a experiência do eremitério franciscano, primeiro na América Latina e no Brasil, a fim de que possa crescer e dar os frutos esperados.”

Por Fr Robson Malafaia Barcellos, ofm conv.
Fonte: Jornal Correio do Papagaio, Ano XXIII no. 943, 27 de Outubro de 2016 

Maria e o advento

Nossa Senhora está grávida! “Ela carrega Jesus em silêncio, mas todos os que a encontram sentem uma profunda paz”. 

Hoje a liturgia faz um parêntese para recordar que Aquela que se encontra grávida e prestes a dar à luz o Filho de Deus, foi preservada de toda mancha de pecado original.

No dia 08\12\1854, o papa Pio IX declarava como dogma de fé a doutrina segundo a qual ‘por uma graça e um especial privilégio de Deus Todo Poderoso e em virtude dos méritos de Jesus Cristo, salvador do gênero humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada de toda a mancha do pecado original no primeiro instante de sua conceição’.
Quatro anos depois, era a própria Virgem Maria, em pessoa, que quis confirmar este dogma. No dia 25 de março de 1858, festa da Anunciação, ela revelou o seu nome a Bernadete em Lourdes: ‘Eu sou a Imaculada Conceição’. 
Este dia para toda a Igreja e, sobretudo, para nós franciscanos, reveste-se de uma singular particularidade. Desde São Francisco, passando por grandes teólogos franciscanos entre eles o beato João Duns Scotus até São Maximiliano Maria Kolbe, todos os frades sempre defenderam o dogma da Imaculada Conceição como também difundiram este especial título. 


Decuit, potuit, fecit! Convinha e Deus podia, Deus o fez!

‘A Festa de hoje, entre tantos aspectos, nos fala da alegria, daquele júbilo autêntico que se difunde no coração livre do pecado. O pecado traz consigo uma tristeza negativa, que nos induz a fecharmo-nos em nós mesmos... 
A Graça traz a alegria genuína, que não depende da posse dos bens, mas está enraizada no íntimo, no profundo da pessoa, e que nada e ninguém podem tirar. 
O Cristianismo é, essencialmente, um «evangelho», uma «notícia alegre», enquanto alguns pensam que é um obstáculo para a alegria, porque vêem nele um conjunto de proibições e de regras. 
Na realidade, o Cristianismo é o anúncio da vitória da Graça sobre o pecado, da vida sobre a morte. 
E se comporta renúncias e uma disciplina da mente, do coração e do comportamento, é precisamente porque no homem existe a raiz venenosa do egoísmo, que faz mal a si mesmo e ao próximo. 
Portanto, é necessário aprender a dizer não à voz do egoísmo e a dizer sim à voz do amor autêntico. A alegria de Maria é completa, porque no seu coração não há sombra de pecado. 
Esta alegria coincide com a presença de Jesus na sua vida: Jesus concebido e levado no seu ventre, depois confiado aos seus cuidados maternos, e enfim adolescente, jovem e homem maduro; Jesus visto partir de casa, seguido à distância com fé, até à Cruz e à Ressurreição: Jesus é a alegria de Maria, a alegria da Igreja e de todos nós.
Neste tempo de Advento, Maria Imaculada ensina-nos a ouvir a voz de Deus que fala no silêncio; a acolher a sua Graça, que nos liberta do pecado e de todo o egoísmo, para assim saborearmos a alegria verdadeira’. 

Eremitério Franciscano Conventual
Domus Perfectae Laetitiiae (Casa da Perfeita Alegria)

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