Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Reflexão: A data do nascimento de Jesus

Por: Pe. José Eduardo de Oliveira*

Como fazemos para tabelecer o dia do nascimento de Jesus? A contagem dos dias começa pelo anúncio do nascimento de São João Batista. A Bíblia diz:

“Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de ABIAS; sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, NA ORDEM DA SUA CLASSE, coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume” (Lc 1,5.8-9).

Pois bem, mas quando era o turno da classe de Abias?

No Primeiro Livro de Crônicas (1Cr 24,1-7.19), está estabelecida a ordem das 24 classes sacerdotais. Cada uma das classes deveria servir duas vezes ao ano, por uma semana, de sábado a sábado. A ordem sorteada e imutável foi a seguinte:

1a.) Joiarib, 2a.) Jedei, 3a.) Harim, 4a.) Seorim, 5a.) Melquia, 6a.) Maimã, 7a.) Acos, 8a.) ABIAS, 9a.) Jesua, 10o.) Sequenia, 11a.) Eliasib, 12a.) Jacim, 13a.) Hofa, 14a.) Isbaab, 15a.) Belga, 16a.) Emer, 17a.) Hezir, 18a.) Afses, 19a.) Fetéia, 20a.) Ezequiel, 21a.) Jaquim, 22a.) Gamul, 23a.) Dalaiau, 24a.) Maziau.

Alguns irmãos se apegam a esta ordem, alegando que não corresponde a uma possibilidade de que o Natal fosse em dezembro, pois o ano religioso judaico, começando por volta de março, daria ao oitavo turno, provavelmente, o final do mês de junho, começo do mês de julho. Daí, fazendo os cálculos, Jesus teria nascido em finais de setembro, inícios de outubro, pela festa dos Tabernáculos.

CONTUDO, ninguém se pergunta se a ordem dos turnos, nos tempos de Cristo, estava estabelecida exatamente assim. A pergunta é razoável, pois, desde os tempos da construção do Templo, o culto já havia sido interrompido diversas vezes, e um descompasso entre os turnos e o calendário poderia ter-se dado. E, por incrível que pareça, foi isso mesmo que aconteceu! É o que constatou Annie Jaubert, uma especialista francesa.

Por outro lado, o especialista Shemarjahu Talmon, da Universidade Hebraica de Jerusalém, trabalhou sobre os escritos de Qumram e sobre o calendário do Livro dos Jubileus, e CONSEGUIU PRECISAR A ORDEM SEMANAL DOS 24 TURNOS. Na lista que o Prof. Talmon reconstruiu, O SEGUNDO TURNO DE ABIAS CORRESPONDIA AOS DIAS DE 24 A 30 DE SETEMBRO.

Portanto, quando São Lucas recolhe essa indicação, sendo ele um atencioso narrador da história, nos dá a possibilidade de reconstruir a data histórica do nascimento de Jesus.

AGORA, RESTA-NOS FAZER AS CONTAS.
O anúncio do nascimento de São João Batista seria no dia 24 de setembro (no calendário ortodoxo, esta festa se celebra no dia 23 de setembro). NOTE-SE QUE ESTA FESTA É MUITO ANTIGA NA TRADIÇÃO DA IGREJA ORIENTAL;
seis meses depois, seria o anúncio a Nossa Senhora, no dia 25 de março (festa litúrgica da ANUNCIAÇÃO);
três meses depois, o nascimento de São João Batista (dia 24 de junho, festa litúrgica do seu natal);
e seis meses depois, 25 de dezembro, o nascimento de Jesus (Solenidade do Natal do Senhor).

Portanto, essas teorias de que o Natal surgiu para cristianizar a festa pagã do “SOL INVICTO”, do solstício de verão etc., não passam de banais conjecturas.
A DATA DO NATAL, O INVERNO E OS PASTORES

Algumas pessoas argumentam que Jesus não poderia ter nascido em 25 de dezembro por um motivo simples: no hemisfério norte, sendo inverno, os pastores não poderiam estar com suas ovelhas ao relento.

Contudo, o argumento é falso, e carece de conhecimento bíblico e histórico.

Segundo o Talmud -- que recolhe as tradições orais das explicações rabínicas da Torah --, as ovelhas eram divididas em três categorias, de acordo com a sua "pureza" ou "ausência de defeitos": 1) sem mancha (por isso, São Pedro chama Jesus de "Cordeiro sem mancha, nem defeito algum", 1Pd 1,19); 2) com algumas manchas; 3) totalmente manchadas ou até mesmo negras.

Somente as primeiras poderiam entrar na cidade. As segundas poderiam viver nos muros. E as terceiras deveriam estar rigorosamente fora, NOS CAMPOS.

Assim, quando o Evangelho afirma que os pastores estavam nos campos não significa que as ovelhas estavam pastando ou tinham acabado de pastar, mas que eram manchadas ou defeituosas e, portanto, não poderiam entrar na cidade. Os pastores precisavam viver, também, nos campos, junto com as ovelhas, e guardá-las em seu redil. Os leitores imediatos de Lucas sabiam disso!

Contudo, vale a pena ler uma tradução literal do texto grego de Lc 2,8, para entendermos melhor o que está escrito. Aí vai, primeiro o texto grego; depois, a tradução palavra por palavra:
"Καὶ ποιμένες ἦσαν ἐν τῇ χώρᾳ τῇ αὐτῇ ἀγραυλοῦντες καὶ φυλάσσοντες φυλακὰς τῆς νυκτὸς ἐπὶ τὴν ποίμνην αὐτῶν".
"E pastores estavam em a região aquela vivendo no campo e guardando vigílias da noite sobre o rebanho deles".

Em outras palavras, os pastores viviam no campo (porque as ovelhas seriam impuras ou defeituosas) e, na ocasião, precisavam revezar durante a noite sobre o rebanho, que devia ser guardado em redis como cabanas ou em alguma encosta... MAS, POR QUE PRECISAVAM REVEZAR?

PORQUE ESTAVA MUITO FRIO!!! E, assim, tinham que fazer turnos nas vigílias da noite, afim de protegerem o rebanho.

PORTANTO, o argumento é exatamente o contrário do que querem os divergentes: o texto é uma prova de que o Messias nasceu em tempos de inverno, e comprova a tese, também bíblica e de São Lucas, que Jesus nasceu em 25 de dezembro!

Fonte da pesquisa:
TIGHE. William J. Calculating Christmas. Site Touchstone
LATTIER, Daniel. The Myth of the Pagan Origins of Christmas. Site Intellectual Takeout
JAUBERT, Annie. Le calendrier des Jubilées et de la secte de Qumran. Ses origines bibliques, in Vetus Testamentum”. Suppl. 3 (1953) pp. 250-264.
JAUBERT, Annie. Calendario di Qumran, in Enciclopedia della Bibbia 2. (1969) pp. 35- 38.
JAUBERT, Annie. La date de la Cène,Calendrier biblique et liturgie chrétienne, Études Bibliques, Paris 1957.
TALMON, Shemarjahu. The Calendar Reckoning of the Sect from the Judean Desert. Aspects of the Dead Sea Scrolls, in Scripta Hierosolymitana. vol. IV, Jerusalém 1958, pp. 162-199.
FEDERICI. Tommaso. “25 dicembre, una data storica”. artigo da Revista “30 giorni”. 11/2000.
*sacerdote da Diocese de Osasco e Doutor em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Roma).

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Onde nasce Deus nasce a esperança!

MENSAGEM URBI ET ORBI
DO PAPA FRANCISCO

NATAL 2015

Queridos irmãos e irmãs, feliz Natal!

Cristo nasceu para nós, exultemos no dia da nossa salvação!

Abramos os nossos corações para receber a graça deste dia, que é Ele próprio: Jesus é o «dia» luminoso que surgiu no horizonte da humanidade. Dia de misericórdia, em que Deus Pai revelou à humanidade a sua imensa ternura. Dia de luz que dissipa as trevas do medo e da angústia. Dia de paz, em que se torna possível encontrar-se, dialogar, e sobretudo reconciliar-se. Dia de alegria: uma «grande alegria» para os pequenos e os humildes, e para todo o povo (cf. Lc 2, 10).

Neste dia, nasceu da Virgem Maria Jesus, o Salvador. O presépio mostra-nos o «sinal» que Deus nos deu: «um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Como fizeram os pastores de Belém, vamos também nós ver este sinal, este acontecimento que, em cada ano, se renova na Igreja. O Natal é um acontecimento que se renova em cada família, em cada paróquia, em cada comunidade que acolhe o amor de Deus encarnado em Jesus Cristo. Como Maria, a Igreja mostra a todos o «sinal» de Deus: o Menino que Ela trouxe no seu ventre e deu à luz, mas que é Filho do Altíssimo, porque «é obra do Espírito Santo» (Mt 1, 20). Ele é o Salvador, porque é o Cordeiro de Deus que toma sobre Si o pecado do mundo (cf. Jo 1, 29). Juntamente com os pastores, prostremo-nos diante do Cordeiro, adoremos a Bondade de Deus feita carne e deixemos que lágrimas de arrependimento inundem os nossos olhos e lavem o nosso coração. Disto todos temos necessidade.

Ele, só Ele, nos pode salvar. Só a Misericórdia de Deus pode libertar a humanidade de tantas formas de mal – por vezes monstruosas – que o egoísmo gera nela. A graça de Deus pode converter os corações e suscitar vias de saída em situações humanamente irresolúveis.

Onde nasce Deus, nasce a esperança: Ele traz a esperança. Onde nasce Deus, nasce a paz. E, onde nasce a paz, já não há lugar para o ódio e a guerra. E no entanto, precisamente lá onde veio ao mundo o Filho de Deus feito carne, continuam tensões e violências, e a paz continua um dom que deve ser invocado e construído. Oxalá israelitas e palestinenses retomem um diálogo directo e cheguem a um acordo que permita a ambos os povos conviverem em harmonia, superando um conflito que há muito os mantém contrapostos, com graves repercussões na região inteira.

Ao Senhor, pedimos que o entendimento alcançado nas Nações Unidas consiga quanto antes silenciar o fragor das armas na Síria e pôr remédio à gravíssima situação humanitária da população exausta. É igualmente urgente que o acordo sobre a Líbia encontre o apoio de todos, para se superarem as graves divisões e violências que afligem o país. Que a atenção da Comunidade Internacional se concentre unanimemente em fazer cessar as atrocidades que, tanto nos referidos países, como no Iraque, Líbia, Iémen e na África subsaariana, ainda ceifam inúmeras vítimas, causam imensos sofrimentos e não poupam sequer o património histórico e cultural de povos inteiros. Penso ainda em quantos foram atingidos por hediondos actos terroristas, em particular pelos massacres recentes ocorridos nos céus do Egipto, em Beirute, Paris, Bamaco e Túnis.

Aos nossos irmãos, perseguidos em muitas partes do mundo por causa da sua fé, o Menino Jesus dê consolação e força. São os nossos mártires de hoje.

Paz e concórdia, pedimos para as queridas populações da República Democrática do Congo, do Burundi e do Sudão do Sul, a fim de se reforçar, através do diálogo, o compromisso comum em prol da edificação de sociedades civis animadas por sincero espírito de reconciliação e compreensão mútua.

Que o Natal traga verdadeira paz também à Ucrânia, proporcione alívio a quem sofre as consequências do conflito e inspire a vontade de cumprir os acordos assumidos para se restabelecer a concórdia no país inteiro.

Que a alegria deste dia ilumine os esforços do povo colombiano, para que, animado pela esperança, continue empenhado na busca da desejada paz.

Onde nasce Deus, nasce a esperança; e, onde nasce a esperança, as pessoas reencontram a dignidade. E, todavia, ainda hoje há multidões de homens e mulheres que estão privados da sua dignidade humana e, como o Menino Jesus, sofrem o frio, a pobreza e a rejeição dos homens. Chegue hoje a nossa solidariedade aos mais inermes, sobretudo às crianças-soldado, às mulheres que sofrem violência, às vítimas do tráfico de seres humanos e do narcotráfico.

Não falte o nosso conforto às pessoas que fogem da miséria ou da guerra, viajando em condições tantas vezes desumanas e, não raro, arriscando a vida. Sejam recompensados com abundantes bênçãos quantos, indivíduos e Estados, generosamente se esforçam por socorrer e acolher os numerosos migrantes e refugiados, ajudando-os a construir um futuro digno para si e seus entes queridos e a integrar-se nas sociedades que os recebem.

Neste dia de festa, o Senhor dê esperança àqueles que não têm trabalho – e são tantos! – e sustente o compromisso de quantos possuem responsabilidades públicas em campo político e económico a fim de darem o seu melhor na busca do bem comum e na protecção da dignidade de cada vida humana.

Onde nasce Deus, floresce a misericórdia. Esta é o presente mais precioso que Deus nos dá, especialmente neste ano jubilar em que somos chamados a descobrir a ternura que o nosso Pai celeste tem por cada um de nós. O Senhor conceda, particularmente aos encarcerados, experimentar o seu amor misericordioso que cura as feridas e vence o mal.

E assim hoje, juntos, exultemos no dia da nossa salvação. Ao contemplar o presépio, fixemos o olhar nos braços abertos de Jesus, que nos mostram o abraço misericordioso de Deus, enquanto ouvimos as primeiras expressões do Menino que nos sussurra: «Por amor dos meus irmãos e amigos, proclamarei: “A paz esteja contigo”»! (Sal 122/121, 8).

Terminada a Mensagem Urbi et Orbi, o Santo Padre desejou Boas-Festas Natalícias:

A vós, queridos irmãos e irmãs, congregados dos quatro cantos do mundo nesta Praça [de São Pedro] e a quantos estais unidos connosco nos vários países através do rádio, da televisão e doutros meios de comunicação, dirijo os meus votos mais cordiais.

É o Natal do Ano Santo da Misericórdia. Por isso desejo, a todos, que possais acolher na própria vida a misericórdia de Deus, que Jesus Cristo nos deu, para sermos misericordiosos com os nossos irmãos. Assim faremos crescer a paz. Feliz Natal!

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana
Fonte do texto: http://www.zenit.org/pt/articles/mensagem-de-natal-do-papa-onde-nasce-deus-nasce-a-esperanca

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Igreja emite carta de reconciliação com padre Cícero

“É inegável que o padre Cícero Romão Batista, no arco de sua existência, viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo e, por isso mesmo, desde o início, foi compreendido e amado por este mesmo povo”, expressou o papa Francisco, em carta assinada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin. O texto recorda a incansável missão do padre Cícero no território nordestino e o serviço em prol dos pobres.

A decisão da Santa Sé foi anunciada durante a solenidade da abertura da Porta Santa na diocese de Crato (CE), realizada no dia 13 de dezembro. O bispo diocesano, dom Fernando Panico lembra a alegria da comunidade na celebração, que teve significado ainda maior. Para o bispo, padre Cícero foi um exemplo de evangelizador.

Na homilia, dom Fernando Panico comunicou ao povo a decisão do papa Francisco em autorizar a reconciliação do “Padim Ciço”, como é chamado pelos devotos. Na mensagem, o Vaticano reconhece a fé simples e a devoção de padre Cícero a Nossa Senhora. O papa ainda caracterizou como atual o modo de evangelização, vivido pelo sacerdote no final do século XIX e início do XX.

“Atitude de saída, ao encontro das periferias existenciais, a atitude do padre Cícero em acolher a todos, especialmente os pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui sem dúvida, um sinal importante e atual”, afirmou.

Vida e testemunho

Padre Cícero morreu em 1934, suspenso do Uso de Ordem. Na região, teve início forte devoção popular, principalmente em Juazeiro do Norte. Em 2006, dom Fernando Panico formou comissão para solicitar a Congregação para Doutrina da Fé, no Vaticano, a reabilitação do sacerdote. Porém, na decisão o papa Francisco estabelece não apenas a reabilitação que trata da recuperação de ordens que estavam suspensas, mas da reconciliação, anulando qualquer oposição à ação do padre Cícero.

“Como bispo diocesano dessa Igreja particular, fico feliz por poder receber essa grande graça, em nome do padre Cícero e de seus romeiros e romeiras, em nome de todos aqueles bispos – dom Quintino, dom Delgado – que alguma vez pediram que a Igreja e padre Cícero se reconciliassem, em nome de todas as pessoas que queriam ver o Seu Padrinho ser, de novo, acolhido pela Igreja Católica da mesma forma que sempre foi acolhido por seus afilhados!”, recorda dom Fernando.

A decisão da Santa Sé reconhece as romarias e devoção ao padre Cícero, possibilitando maior aproximação dos romeiros com a Igreja Católica.

FONTE: http://www.cnbb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17827%3Aigreja-emite-carta-de-reconciliacao-com-padre-cicero&catid=88%3Anordeste-1&Itemid=209

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Oração para o Ano Santo da Misericórdia


Senhor Jesus Cristo,
Vós que nos ensinastes a ser misericordiosos como o Pai celeste,
e nos dissestes que quem Vos vê, vê a Ele.
Mostrai-nos o Vosso rosto e seremos salvos.
O Vosso olhar amoroso libertou Zaqueu e Mateus da escravidão do dinheiro;
a adúltera e Madalena de colocar a felicidade apenas numa criatura;
fez Pedro chorar depois da traição,
e assegurou o Paraíso ao ladrão arrependido.
Fazei que cada um de nós considere como dirigida a si mesmo as palavras que dissestes à mulher samaritana:
Se tu conhecesses o dom de Deus!
Vós sois o rosto visível do Pai invisível,
do Deus que manifesta sua omnipotência sobretudo com o perdão e a misericórdia:
fazei que a Igreja seja no mundo o rosto visível de Vós, seu Senhor, ressuscitado e na glória.
Vós quisestes que os Vossos ministros fossem também eles revestidos de fraqueza
para sentirem justa compaixão por aqueles que estão na ignorância e no erro:
fazei que todos os que se aproximarem de cada um deles se sintam esperados, amados e perdoados por Deus.
Enviai o Vosso Espírito e consagrai-nos a todos com a sua unção
para que o Jubileu da Misericórdia seja um ano de graça do Senhor
e a Vossa Igreja possa, com renovado entusiasmo, levar aos pobres a alegre mensagem
proclamar aos cativos e oprimidos a libertação
e aos cegos restaurar a vista.
Nós Vo-lo pedimos por intercessão de Maria, Mãe de Misericórdia,
a Vós que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.
AmeM

sábado, 5 de dezembro de 2015

Martíres Franciscanos do Peru

Frei José Carlos Matias
 
Quem são estes dois servos de Deus Frei Zbigniew Strzalkowski e Frei Michal Tomaszek?

Estes dois Frades foram martirizados no Peru, no dia 9 de agosto de 1991. 24 anos depois do seu martírio, esta Beatificação será um dom para a Igreja do Peru, para a Polónia, mas igualmente para a Ordem dos Frades Menores Conventuais e para toda a Igreja.

Frei Zbigniew Strzalkowski e Frei Michal Tomaszek nasceram na Polónia, na Província de Cracóvia; Frei Michal Tomaszek, em 1960 e Frei ZbigniewStrzalkowski, em 1958. Quando foram martirizados, tinham 31 e 33 anos, respetivamente.
Eram Frades Menores Conventuais da Província religiosa de Cracóvia e estavam em missão no Peru há cerca de 2 anos. Faziam parte do primeiro grupo de Missionários da nossa Ordem.

Uma vocação que se tornou missão
Os dois foram enviados como missionários para Pariacoto, Diocese de Chimbote. Já no Seminário, o seu testemunho de vida era exemplar. Depois de uma breve experiência de vida Pastoral na sua Pátria, a Polónia, foram enviados em missão.

Por que é que o ódio dos guerrilheiros levou os dois frades a sofrer o martírio?

Eles começaram a estar na mira dos guerrilheiros do Sendeiro Luminoso, um grupo de homens armados, que, com os rostos cobertos invadiram a Casa Paroquial. Foram acusados devido ao seu trabalho no meio dos habitantes da Cordilheira dos Andes, que visitavam nas numerosas aldeias das suas paróquias, ajudando os mais pobres e os mais necessitados. Era essa a sua prática Pastoral na Diocese de Chimbote, numa zona em que aqueles guerrilheiros estavam a assumir cada vez mais o controle. A Igreja, que estava a fazer um excelente trabalho naquela zona, era vista como uma ameaça por parte dos guerrilheiros.

A perseguição violenta

Em agosto de 1991, os guerrilheiros começaram a desenvolver uma reação violenta à Igreja Católica, como oposição ao seu testemunho de solidariedade para com os mais pobres e miseráveis. Os guerrilheiros anunciaram publicamente que iriam matar um Padre cada semana naquela Diocese de Chimbote e começaram a cumprir as ameaças.

O martírio

O primeiro Sacerdote que os guerrilheiros tinham marcado para ser executado sumariamente conseguiu escapar. No dia 9 de agosto, tocou a vez aos dois Frades Conventuais Polacos, Frei Zbigniew Strzalkowski e Frei Michal Tomaszek. Foram levados da igreja, no fim da celebração da Eucaristia da tarde e sujeitos a um julgamento sumário. Depois foram conduzidos para fora da aldeia e mortos junto ao cemitério. Com eles foi assassinado também o presidente da junta daquele lugar.
No dia 25 de agosto, mataram outro Padre, italiano, da Diocese de Bergamo, Itália. Este foi abatido em emboscada, quando voltava de celebrar a Eucaristia numa Capela.

Testemunhos de fé

O sacrifício destes Frades e destes Sacerdotes contribuiu para que os cristãos daquela população tomassem consciência da importância do testemunho cristão até à morte. O funeral destes Frades manifestou o enorme afeto e amor que os fiéis tinham por eles. Tiveram a coragem de dar a cara, de perder o medo, de saírem e irem ao funeral destes Frades. Entre os muitos cartazes que acompanhavam a procissão fúnebre alguns diziam: “Os padres não morreram”. Isso ajudou estas populações a continuar a própria vida e a empenhar-se no caminho da reconciliação e da solidariedade. Passados 24 anos, estes dois Frades vão ser declarados Beatos.  Para a Igreja do Peru é uma novidade e uma graça: já tem outros Santos, mas estes são os primeiros Beatos Mártires do Peru.

São para nós um testemunho de coragem, de uma fé que precisa ser anunciada, arriscando a própria vida, se necessário.
 
FONTE: http://www.mensageirosantoantonio.com/messaggero/pagina_articolo.asp?IDX=666IDRX=124

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