Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição dos Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Reflexão: A data do nascimento de Jesus

Por: Pe. José Eduardo de Oliveira*

Como fazemos para tabelecer o dia do nascimento de Jesus? A contagem dos dias começa pelo anúncio do nascimento de São João Batista. A Bíblia diz:

“Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de ABIAS; sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, NA ORDEM DA SUA CLASSE, coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume” (Lc 1,5.8-9).

Pois bem, mas quando era o turno da classe de Abias?

No Primeiro Livro de Crônicas (1Cr 24,1-7.19), está estabelecida a ordem das 24 classes sacerdotais. Cada uma das classes deveria servir duas vezes ao ano, por uma semana, de sábado a sábado. A ordem sorteada e imutável foi a seguinte:

1a.) Joiarib, 2a.) Jedei, 3a.) Harim, 4a.) Seorim, 5a.) Melquia, 6a.) Maimã, 7a.) Acos, 8a.) ABIAS, 9a.) Jesua, 10o.) Sequenia, 11a.) Eliasib, 12a.) Jacim, 13a.) Hofa, 14a.) Isbaab, 15a.) Belga, 16a.) Emer, 17a.) Hezir, 18a.) Afses, 19a.) Fetéia, 20a.) Ezequiel, 21a.) Jaquim, 22a.) Gamul, 23a.) Dalaiau, 24a.) Maziau.

Alguns irmãos se apegam a esta ordem, alegando que não corresponde a uma possibilidade de que o Natal fosse em dezembro, pois o ano religioso judaico, começando por volta de março, daria ao oitavo turno, provavelmente, o final do mês de junho, começo do mês de julho. Daí, fazendo os cálculos, Jesus teria nascido em finais de setembro, inícios de outubro, pela festa dos Tabernáculos.

CONTUDO, ninguém se pergunta se a ordem dos turnos, nos tempos de Cristo, estava estabelecida exatamente assim. A pergunta é razoável, pois, desde os tempos da construção do Templo, o culto já havia sido interrompido diversas vezes, e um descompasso entre os turnos e o calendário poderia ter-se dado. E, por incrível que pareça, foi isso mesmo que aconteceu! É o que constatou Annie Jaubert, uma especialista francesa.

Por outro lado, o especialista Shemarjahu Talmon, da Universidade Hebraica de Jerusalém, trabalhou sobre os escritos de Qumram e sobre o calendário do Livro dos Jubileus, e CONSEGUIU PRECISAR A ORDEM SEMANAL DOS 24 TURNOS. Na lista que o Prof. Talmon reconstruiu, O SEGUNDO TURNO DE ABIAS CORRESPONDIA AOS DIAS DE 24 A 30 DE SETEMBRO.

Portanto, quando São Lucas recolhe essa indicação, sendo ele um atencioso narrador da história, nos dá a possibilidade de reconstruir a data histórica do nascimento de Jesus.

AGORA, RESTA-NOS FAZER AS CONTAS.
O anúncio do nascimento de São João Batista seria no dia 24 de setembro (no calendário ortodoxo, esta festa se celebra no dia 23 de setembro). NOTE-SE QUE ESTA FESTA É MUITO ANTIGA NA TRADIÇÃO DA IGREJA ORIENTAL;
seis meses depois, seria o anúncio a Nossa Senhora, no dia 25 de março (festa litúrgica da ANUNCIAÇÃO);
três meses depois, o nascimento de São João Batista (dia 24 de junho, festa litúrgica do seu natal);
e seis meses depois, 25 de dezembro, o nascimento de Jesus (Solenidade do Natal do Senhor).

Portanto, essas teorias de que o Natal surgiu para cristianizar a festa pagã do “SOL INVICTO”, do solstício de verão etc., não passam de banais conjecturas.
A DATA DO NATAL, O INVERNO E OS PASTORES

Algumas pessoas argumentam que Jesus não poderia ter nascido em 25 de dezembro por um motivo simples: no hemisfério norte, sendo inverno, os pastores não poderiam estar com suas ovelhas ao relento.

Contudo, o argumento é falso, e carece de conhecimento bíblico e histórico.

Segundo o Talmud -- que recolhe as tradições orais das explicações rabínicas da Torah --, as ovelhas eram divididas em três categorias, de acordo com a sua "pureza" ou "ausência de defeitos": 1) sem mancha (por isso, São Pedro chama Jesus de "Cordeiro sem mancha, nem defeito algum", 1Pd 1,19); 2) com algumas manchas; 3) totalmente manchadas ou até mesmo negras.

Somente as primeiras poderiam entrar na cidade. As segundas poderiam viver nos muros. E as terceiras deveriam estar rigorosamente fora, NOS CAMPOS.

Assim, quando o Evangelho afirma que os pastores estavam nos campos não significa que as ovelhas estavam pastando ou tinham acabado de pastar, mas que eram manchadas ou defeituosas e, portanto, não poderiam entrar na cidade. Os pastores precisavam viver, também, nos campos, junto com as ovelhas, e guardá-las em seu redil. Os leitores imediatos de Lucas sabiam disso!

Contudo, vale a pena ler uma tradução literal do texto grego de Lc 2,8, para entendermos melhor o que está escrito. Aí vai, primeiro o texto grego; depois, a tradução palavra por palavra:
"Καὶ ποιμένες ἦσαν ἐν τῇ χώρᾳ τῇ αὐτῇ ἀγραυλοῦντες καὶ φυλάσσοντες φυλακὰς τῆς νυκτὸς ἐπὶ τὴν ποίμνην αὐτῶν".
"E pastores estavam em a região aquela vivendo no campo e guardando vigílias da noite sobre o rebanho deles".

Em outras palavras, os pastores viviam no campo (porque as ovelhas seriam impuras ou defeituosas) e, na ocasião, precisavam revezar durante a noite sobre o rebanho, que devia ser guardado em redis como cabanas ou em alguma encosta... MAS, POR QUE PRECISAVAM REVEZAR?

PORQUE ESTAVA MUITO FRIO!!! E, assim, tinham que fazer turnos nas vigílias da noite, afim de protegerem o rebanho.

PORTANTO, o argumento é exatamente o contrário do que querem os divergentes: o texto é uma prova de que o Messias nasceu em tempos de inverno, e comprova a tese, também bíblica e de São Lucas, que Jesus nasceu em 25 de dezembro!

Fonte da pesquisa:
TIGHE. William J. Calculating Christmas. Site Touchstone
LATTIER, Daniel. The Myth of the Pagan Origins of Christmas. Site Intellectual Takeout
JAUBERT, Annie. Le calendrier des Jubilées et de la secte de Qumran. Ses origines bibliques, in Vetus Testamentum”. Suppl. 3 (1953) pp. 250-264.
JAUBERT, Annie. Calendario di Qumran, in Enciclopedia della Bibbia 2. (1969) pp. 35- 38.
JAUBERT, Annie. La date de la Cène,Calendrier biblique et liturgie chrétienne, Études Bibliques, Paris 1957.
TALMON, Shemarjahu. The Calendar Reckoning of the Sect from the Judean Desert. Aspects of the Dead Sea Scrolls, in Scripta Hierosolymitana. vol. IV, Jerusalém 1958, pp. 162-199.
FEDERICI. Tommaso. “25 dicembre, una data storica”. artigo da Revista “30 giorni”. 11/2000.
*sacerdote da Diocese de Osasco e Doutor em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Roma).

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Onde nasce Deus nasce a esperança!

MENSAGEM URBI ET ORBI
DO PAPA FRANCISCO

NATAL 2015

Queridos irmãos e irmãs, feliz Natal!

Cristo nasceu para nós, exultemos no dia da nossa salvação!

Abramos os nossos corações para receber a graça deste dia, que é Ele próprio: Jesus é o «dia» luminoso que surgiu no horizonte da humanidade. Dia de misericórdia, em que Deus Pai revelou à humanidade a sua imensa ternura. Dia de luz que dissipa as trevas do medo e da angústia. Dia de paz, em que se torna possível encontrar-se, dialogar, e sobretudo reconciliar-se. Dia de alegria: uma «grande alegria» para os pequenos e os humildes, e para todo o povo (cf. Lc 2, 10).

Neste dia, nasceu da Virgem Maria Jesus, o Salvador. O presépio mostra-nos o «sinal» que Deus nos deu: «um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Como fizeram os pastores de Belém, vamos também nós ver este sinal, este acontecimento que, em cada ano, se renova na Igreja. O Natal é um acontecimento que se renova em cada família, em cada paróquia, em cada comunidade que acolhe o amor de Deus encarnado em Jesus Cristo. Como Maria, a Igreja mostra a todos o «sinal» de Deus: o Menino que Ela trouxe no seu ventre e deu à luz, mas que é Filho do Altíssimo, porque «é obra do Espírito Santo» (Mt 1, 20). Ele é o Salvador, porque é o Cordeiro de Deus que toma sobre Si o pecado do mundo (cf. Jo 1, 29). Juntamente com os pastores, prostremo-nos diante do Cordeiro, adoremos a Bondade de Deus feita carne e deixemos que lágrimas de arrependimento inundem os nossos olhos e lavem o nosso coração. Disto todos temos necessidade.

Ele, só Ele, nos pode salvar. Só a Misericórdia de Deus pode libertar a humanidade de tantas formas de mal – por vezes monstruosas – que o egoísmo gera nela. A graça de Deus pode converter os corações e suscitar vias de saída em situações humanamente irresolúveis.

Onde nasce Deus, nasce a esperança: Ele traz a esperança. Onde nasce Deus, nasce a paz. E, onde nasce a paz, já não há lugar para o ódio e a guerra. E no entanto, precisamente lá onde veio ao mundo o Filho de Deus feito carne, continuam tensões e violências, e a paz continua um dom que deve ser invocado e construído. Oxalá israelitas e palestinenses retomem um diálogo directo e cheguem a um acordo que permita a ambos os povos conviverem em harmonia, superando um conflito que há muito os mantém contrapostos, com graves repercussões na região inteira.

Ao Senhor, pedimos que o entendimento alcançado nas Nações Unidas consiga quanto antes silenciar o fragor das armas na Síria e pôr remédio à gravíssima situação humanitária da população exausta. É igualmente urgente que o acordo sobre a Líbia encontre o apoio de todos, para se superarem as graves divisões e violências que afligem o país. Que a atenção da Comunidade Internacional se concentre unanimemente em fazer cessar as atrocidades que, tanto nos referidos países, como no Iraque, Líbia, Iémen e na África subsaariana, ainda ceifam inúmeras vítimas, causam imensos sofrimentos e não poupam sequer o património histórico e cultural de povos inteiros. Penso ainda em quantos foram atingidos por hediondos actos terroristas, em particular pelos massacres recentes ocorridos nos céus do Egipto, em Beirute, Paris, Bamaco e Túnis.

Aos nossos irmãos, perseguidos em muitas partes do mundo por causa da sua fé, o Menino Jesus dê consolação e força. São os nossos mártires de hoje.

Paz e concórdia, pedimos para as queridas populações da República Democrática do Congo, do Burundi e do Sudão do Sul, a fim de se reforçar, através do diálogo, o compromisso comum em prol da edificação de sociedades civis animadas por sincero espírito de reconciliação e compreensão mútua.

Que o Natal traga verdadeira paz também à Ucrânia, proporcione alívio a quem sofre as consequências do conflito e inspire a vontade de cumprir os acordos assumidos para se restabelecer a concórdia no país inteiro.

Que a alegria deste dia ilumine os esforços do povo colombiano, para que, animado pela esperança, continue empenhado na busca da desejada paz.

Onde nasce Deus, nasce a esperança; e, onde nasce a esperança, as pessoas reencontram a dignidade. E, todavia, ainda hoje há multidões de homens e mulheres que estão privados da sua dignidade humana e, como o Menino Jesus, sofrem o frio, a pobreza e a rejeição dos homens. Chegue hoje a nossa solidariedade aos mais inermes, sobretudo às crianças-soldado, às mulheres que sofrem violência, às vítimas do tráfico de seres humanos e do narcotráfico.

Não falte o nosso conforto às pessoas que fogem da miséria ou da guerra, viajando em condições tantas vezes desumanas e, não raro, arriscando a vida. Sejam recompensados com abundantes bênçãos quantos, indivíduos e Estados, generosamente se esforçam por socorrer e acolher os numerosos migrantes e refugiados, ajudando-os a construir um futuro digno para si e seus entes queridos e a integrar-se nas sociedades que os recebem.

Neste dia de festa, o Senhor dê esperança àqueles que não têm trabalho – e são tantos! – e sustente o compromisso de quantos possuem responsabilidades públicas em campo político e económico a fim de darem o seu melhor na busca do bem comum e na protecção da dignidade de cada vida humana.

Onde nasce Deus, floresce a misericórdia. Esta é o presente mais precioso que Deus nos dá, especialmente neste ano jubilar em que somos chamados a descobrir a ternura que o nosso Pai celeste tem por cada um de nós. O Senhor conceda, particularmente aos encarcerados, experimentar o seu amor misericordioso que cura as feridas e vence o mal.

E assim hoje, juntos, exultemos no dia da nossa salvação. Ao contemplar o presépio, fixemos o olhar nos braços abertos de Jesus, que nos mostram o abraço misericordioso de Deus, enquanto ouvimos as primeiras expressões do Menino que nos sussurra: «Por amor dos meus irmãos e amigos, proclamarei: “A paz esteja contigo”»! (Sal 122/121, 8).

Terminada a Mensagem Urbi et Orbi, o Santo Padre desejou Boas-Festas Natalícias:

A vós, queridos irmãos e irmãs, congregados dos quatro cantos do mundo nesta Praça [de São Pedro] e a quantos estais unidos connosco nos vários países através do rádio, da televisão e doutros meios de comunicação, dirijo os meus votos mais cordiais.

É o Natal do Ano Santo da Misericórdia. Por isso desejo, a todos, que possais acolher na própria vida a misericórdia de Deus, que Jesus Cristo nos deu, para sermos misericordiosos com os nossos irmãos. Assim faremos crescer a paz. Feliz Natal!

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana
Fonte do texto: http://www.zenit.org/pt/articles/mensagem-de-natal-do-papa-onde-nasce-deus-nasce-a-esperanca

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Igreja emite carta de reconciliação com padre Cícero

“É inegável que o padre Cícero Romão Batista, no arco de sua existência, viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo e, por isso mesmo, desde o início, foi compreendido e amado por este mesmo povo”, expressou o papa Francisco, em carta assinada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin. O texto recorda a incansável missão do padre Cícero no território nordestino e o serviço em prol dos pobres.

A decisão da Santa Sé foi anunciada durante a solenidade da abertura da Porta Santa na diocese de Crato (CE), realizada no dia 13 de dezembro. O bispo diocesano, dom Fernando Panico lembra a alegria da comunidade na celebração, que teve significado ainda maior. Para o bispo, padre Cícero foi um exemplo de evangelizador.

Na homilia, dom Fernando Panico comunicou ao povo a decisão do papa Francisco em autorizar a reconciliação do “Padim Ciço”, como é chamado pelos devotos. Na mensagem, o Vaticano reconhece a fé simples e a devoção de padre Cícero a Nossa Senhora. O papa ainda caracterizou como atual o modo de evangelização, vivido pelo sacerdote no final do século XIX e início do XX.

“Atitude de saída, ao encontro das periferias existenciais, a atitude do padre Cícero em acolher a todos, especialmente os pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui sem dúvida, um sinal importante e atual”, afirmou.

Vida e testemunho

Padre Cícero morreu em 1934, suspenso do Uso de Ordem. Na região, teve início forte devoção popular, principalmente em Juazeiro do Norte. Em 2006, dom Fernando Panico formou comissão para solicitar a Congregação para Doutrina da Fé, no Vaticano, a reabilitação do sacerdote. Porém, na decisão o papa Francisco estabelece não apenas a reabilitação que trata da recuperação de ordens que estavam suspensas, mas da reconciliação, anulando qualquer oposição à ação do padre Cícero.

“Como bispo diocesano dessa Igreja particular, fico feliz por poder receber essa grande graça, em nome do padre Cícero e de seus romeiros e romeiras, em nome de todos aqueles bispos – dom Quintino, dom Delgado – que alguma vez pediram que a Igreja e padre Cícero se reconciliassem, em nome de todas as pessoas que queriam ver o Seu Padrinho ser, de novo, acolhido pela Igreja Católica da mesma forma que sempre foi acolhido por seus afilhados!”, recorda dom Fernando.

A decisão da Santa Sé reconhece as romarias e devoção ao padre Cícero, possibilitando maior aproximação dos romeiros com a Igreja Católica.

FONTE: http://www.cnbb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17827%3Aigreja-emite-carta-de-reconciliacao-com-padre-cicero&catid=88%3Anordeste-1&Itemid=209

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Oração para o Ano Santo da Misericórdia


Senhor Jesus Cristo,
Vós que nos ensinastes a ser misericordiosos como o Pai celeste,
e nos dissestes que quem Vos vê, vê a Ele.
Mostrai-nos o Vosso rosto e seremos salvos.
O Vosso olhar amoroso libertou Zaqueu e Mateus da escravidão do dinheiro;
a adúltera e Madalena de colocar a felicidade apenas numa criatura;
fez Pedro chorar depois da traição,
e assegurou o Paraíso ao ladrão arrependido.
Fazei que cada um de nós considere como dirigida a si mesmo as palavras que dissestes à mulher samaritana:
Se tu conhecesses o dom de Deus!
Vós sois o rosto visível do Pai invisível,
do Deus que manifesta sua omnipotência sobretudo com o perdão e a misericórdia:
fazei que a Igreja seja no mundo o rosto visível de Vós, seu Senhor, ressuscitado e na glória.
Vós quisestes que os Vossos ministros fossem também eles revestidos de fraqueza
para sentirem justa compaixão por aqueles que estão na ignorância e no erro:
fazei que todos os que se aproximarem de cada um deles se sintam esperados, amados e perdoados por Deus.
Enviai o Vosso Espírito e consagrai-nos a todos com a sua unção
para que o Jubileu da Misericórdia seja um ano de graça do Senhor
e a Vossa Igreja possa, com renovado entusiasmo, levar aos pobres a alegre mensagem
proclamar aos cativos e oprimidos a libertação
e aos cegos restaurar a vista.
Nós Vo-lo pedimos por intercessão de Maria, Mãe de Misericórdia,
a Vós que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.
AmeM

sábado, 5 de dezembro de 2015

Martíres Franciscanos do Peru

Frei José Carlos Matias
 
Quem são estes dois servos de Deus Frei Zbigniew Strzalkowski e Frei Michal Tomaszek?

Estes dois Frades foram martirizados no Peru, no dia 9 de agosto de 1991. 24 anos depois do seu martírio, esta Beatificação será um dom para a Igreja do Peru, para a Polónia, mas igualmente para a Ordem dos Frades Menores Conventuais e para toda a Igreja.

Frei Zbigniew Strzalkowski e Frei Michal Tomaszek nasceram na Polónia, na Província de Cracóvia; Frei Michal Tomaszek, em 1960 e Frei ZbigniewStrzalkowski, em 1958. Quando foram martirizados, tinham 31 e 33 anos, respetivamente.
Eram Frades Menores Conventuais da Província religiosa de Cracóvia e estavam em missão no Peru há cerca de 2 anos. Faziam parte do primeiro grupo de Missionários da nossa Ordem.

Uma vocação que se tornou missão
Os dois foram enviados como missionários para Pariacoto, Diocese de Chimbote. Já no Seminário, o seu testemunho de vida era exemplar. Depois de uma breve experiência de vida Pastoral na sua Pátria, a Polónia, foram enviados em missão.

Por que é que o ódio dos guerrilheiros levou os dois frades a sofrer o martírio?

Eles começaram a estar na mira dos guerrilheiros do Sendeiro Luminoso, um grupo de homens armados, que, com os rostos cobertos invadiram a Casa Paroquial. Foram acusados devido ao seu trabalho no meio dos habitantes da Cordilheira dos Andes, que visitavam nas numerosas aldeias das suas paróquias, ajudando os mais pobres e os mais necessitados. Era essa a sua prática Pastoral na Diocese de Chimbote, numa zona em que aqueles guerrilheiros estavam a assumir cada vez mais o controle. A Igreja, que estava a fazer um excelente trabalho naquela zona, era vista como uma ameaça por parte dos guerrilheiros.

A perseguição violenta

Em agosto de 1991, os guerrilheiros começaram a desenvolver uma reação violenta à Igreja Católica, como oposição ao seu testemunho de solidariedade para com os mais pobres e miseráveis. Os guerrilheiros anunciaram publicamente que iriam matar um Padre cada semana naquela Diocese de Chimbote e começaram a cumprir as ameaças.

O martírio

O primeiro Sacerdote que os guerrilheiros tinham marcado para ser executado sumariamente conseguiu escapar. No dia 9 de agosto, tocou a vez aos dois Frades Conventuais Polacos, Frei Zbigniew Strzalkowski e Frei Michal Tomaszek. Foram levados da igreja, no fim da celebração da Eucaristia da tarde e sujeitos a um julgamento sumário. Depois foram conduzidos para fora da aldeia e mortos junto ao cemitério. Com eles foi assassinado também o presidente da junta daquele lugar.
No dia 25 de agosto, mataram outro Padre, italiano, da Diocese de Bergamo, Itália. Este foi abatido em emboscada, quando voltava de celebrar a Eucaristia numa Capela.

Testemunhos de fé

O sacrifício destes Frades e destes Sacerdotes contribuiu para que os cristãos daquela população tomassem consciência da importância do testemunho cristão até à morte. O funeral destes Frades manifestou o enorme afeto e amor que os fiéis tinham por eles. Tiveram a coragem de dar a cara, de perder o medo, de saírem e irem ao funeral destes Frades. Entre os muitos cartazes que acompanhavam a procissão fúnebre alguns diziam: “Os padres não morreram”. Isso ajudou estas populações a continuar a própria vida e a empenhar-se no caminho da reconciliação e da solidariedade. Passados 24 anos, estes dois Frades vão ser declarados Beatos.  Para a Igreja do Peru é uma novidade e uma graça: já tem outros Santos, mas estes são os primeiros Beatos Mártires do Peru.

São para nós um testemunho de coragem, de uma fé que precisa ser anunciada, arriscando a própria vida, se necessário.
 
FONTE: http://www.mensageirosantoantonio.com/messaggero/pagina_articolo.asp?IDX=666IDRX=124

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Sacramento da Penitência III

5. Religioso com votos perpétuos, não clérigo, que atenta matrimônio (cânon 1394, 4).

– Pecados que geram interdito e suspensão (somente se for clérigo):

1. Violência física a um bispo.
2. Atentado de celebrar missa.
3. Atentado de absolver e ouvir em confissão (quem não pode fazê-lo validamente).
4. Falsa denúncia de solicitação.

5. Clérigo que atenta matrimônio: suspensão "latae sententiae".

Com relação a quem pode absolver estes pecados, como regra geral, é o bispo diocesano. Em alguns casos, ele pode delegar esta função a vigários gerais e ao clérigo penitenciário.

Pecados absolvidos somente pela Santa Sé (Penitenciaria Apostólica):

– Excomunhões "latae sententiae":

1. Sacrilégios: profanação de espécies consagradas.
2. Atentado contra a vida do Papa.
3. Absolver o cúmplice de pecado contra o 6º mandamento.
4. Sendo bispo, consagrar outro bispo sem mandato pontifício.
5. Para o sacerdote, violar o sigilo da confissão.
6. Atentado de ordenação sacerdotal de uma mulher.
http://pt.aleteia.org/2015/02/25/ha-pecados-que-um-padre-normal-nao-pode-perdoar/3/

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Sacramento da Penitência II

Observações sobre o ministério sacerdotal

O sacramento da confissão é regulamentado pelo Direito Canônico. Portanto, para administrar este sacramento, é preciso levar em consideração certas situações:

1. Para absolver validamente, é preciso, além da ordem sagrada, a faculdade (cânon 966).

2. Os sacerdotes não podem confessar em qualquer âmbito ou território (cânon 968).

3. Em caso de cumplicidade na qual um padre estiver envolvido direta ou indiretamente, ele não pode absolver seu(s) cúmplice(s). Por exemplo, quando o cúmplice é o próprio sacerdote confessor, em questões relativas ao 6º mandamento, sua absolvição é nula (cânon 977).

4. Em perigo de morte, o âmbito se amplia totalmente, de maneira que qualquer sacerdote pode absolver qualquer fiel de qualquer pecado e de qualquer censura (cânon 976).

5. Na confissão, é preciso levar em consideração as censuras, porque, caso existam, não se pode dar a absolvição. As censuras, "penas medicinais" dirigidas à emenda do cristão, são: a excomunhão, o interdito e a suspensão. Seu principal efeito é a privação de determinados bens espirituais (ou materiais anexos). Sua eliminação depende do cessar da contumácia do fiel (cânon 1358).



Condições por parte dos penitentes

A contrição dos fiéis é tão importante, que o Código a exige rotundamente: "sem contrição, não há perdão dos pecados".

Para receber o remédio do sacramento da penitência, o fiel precisa estar de tal maneira disposto que, rejeitando os pecados cometidos e tendo o propósito de emenda, se converta a Deus (cânon 987). Por isso, na impossibilidade física ou moral de confessar-se, "a reconciliação pode ser obtida por outros meios" (cânon 960).

Pecados reservados

São pecados que geram excomunhão. A excomunhão é a pena eclesiástica mais severa, que impede de receber os sacramentos. O termo "excomunhão" significa exclusão de um membro da Igreja. O excomungado fica separado daqueles com quem compartilhava sua fé.

Quem comete determinados pecados que ferem gravemente a comunhão eclesial, se auto exclui; ele mesmo se marginaliza da unidade com a Igreja. Logicamente, ainda que possa assistir à missa, não pode comungar, pois justamente a Eucaristia é o sacramento que expressa e causa a comunhão e unidade com Deus e com a Igreja.

É necessário ser precisos: o que se castiga não é o pecado, mas o delito. E, no Direito Canônico, "delito canônico" não é a mesma coisa que "pecado". Os delitos que são castigados com a excomunhão e que, portanto, não podem ser absolvidos por um sacerdote, são os seguintes:

Pecados absolvidos somente pelo bispo:

– Excomunhões "Latae sententie". É a excomunhão automática que se produz ainda que não exista uma declaração escrita de excomunhão por parte da Igreja contra uma pessoa concreta. Cometer o delito já leva à excomunhão automática.

1. Heresia (negação pertinaz de uma verdade da fé católica), cisma (rejeição da submissão ao Papa) e apostasia (renúncia da fé).

2. Aborto provocado, quando ele de fato acontece. E colaboração com esse aborto.

– Excomunhões "Ferende sententiae" (excomunhão declarada):

3. Fingir ser padre e, assim, celebrar missa ou ouvir confissões (cânon 1378).

4. Gravação ou divulgação, por meios técnicos, do que se diz em confissão.

– Pecados que geram interdito:

"Latae sententiae"

1. Violência física a um bispo.
2. Atentado de celebrar missa.
3. Atentado de absolver ou ouvir em confissão por parte de um fiel.
4. Falsa denúncia de solicitação (acusar falsamente um padre de aproveitar a intimidade da confissão para fazer pedidos sexuais ou toques desonestos).
http://pt.aleteia.org/2015/02/25/ha-pecados-que-um-padre-normal-nao-pode-perdoar/2/

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Sacramento da Penitência I

Alguns pecados só podem ser perdoados pelos bispos, e outros só pela Santa Sé


"Com espírito contrito, (os fiéis) submetam seus pecados à Igreja no sacramento da penitência" (Vaticano II, Presbyterorum Ordinis, 5).

Antes de mais nada, dois esclarecimentos:

1. Os pecados não são perdoados pelo padre em si. Os pecados são perdoados por Deus, mediante a absolvição do ministro ordenado: bispo ou padre.

2. Todos os pecados têm perdão em Deus, menos um: o pecado contra o Espírito Santo (cf. Mt 12, 31). O único pecado que Deus não perdoa é a blasfêmia contra o Espírito Santo.

Em que consiste o pecado contra o Espírito Santo?

A blasfêmia não é somente com palavras, mas também com fatos. Quem blasfema? Quem não se sente necessitado de Deus, quem não se sente pecador ou se considera sem pecado. Trata-se de fechar-se ao convite de Deus à conversão, endurecer o coração, a tal ponto que a pessoa não se interessa mais por Deus.

É pecado endurecer o coração e dizer a Deus: você não me interessa, estou bem sem você, não preciso de você. É pecado considerar que Deus não pode perdoar, ou negar o perdão de Deus na confissão. Diante desta circunstância, o que Deus pode fazer? Nada, só deixar que a pessoa morra em seu pecado. Aqui Deus não pode agir, não tem nada a fazer, não tem nada para perdoar, não perdoa nada.

A Bíblia nos dá mais luz: "Quem oculta seus pecados não prosperará, mas quem os confessa e se afasta deles alcançará misericórdia" (Prov 28, 13).

O sacramento da confissão

Só Deus perdoa os pecados (cf. Mc 2, 7). Porque Jesus é o Filho de Deus, diz de si mesmo: "O Filho do homem tem poder de perdoar os pecados na terra" (Mc 2, 10) e exerce esse poder divino: "Teus pecados estão perdoados" (Mc 2, 5; Lc 7, 48).

Mais ainda: em virtude da sua autoridade divina, Jesus confere este poder aos homens (cf. Jo 20, 21-23) para que o exerçam em seu nome (Catecismo da Igreja Católica, 1441). Todos os pecados submetidos ao "poder das chaves" (Mt 16, 19) têm perdão.

Portanto, tenhamos cuidado ao dizer: "Deus perdoa este pecado, mas este outro Ele não perdoa". Uma coisa é o julgamento social e outra, muito diferente, é o que Deus pensa e o poder que Ele tem de perdoar o pecado – poder delegado aos seus apóstolos.

Cristo deu poder de perdoar aos apóstolos, aos bispos como sucessores deles e aos padres que colaboram com os bispos. Eles são os ministros do sacramento (Cânon 965).


Os bispo, que possuem em plenitude o sacramento da Ordem e têm todos os poderes que Cristo deu aos apóstolos, delegam aos presbíteros (padres) sua missão ministerial, fazendo parte deste ministério a capacidade de poder perdoar os pecados.

Isso foi definido pelo Concílio de Trento como verdade de fé, contra a postura de Lutero, que dizia que qualquer batizado tinha a potestade para perdoar os pecados. Cristo só deu este poder aos apóstolos (cf. Mt.18, 18; Jo 20, 23).

O sacerdote é muito importante, porque, ainda que seja Jesus Cristo quem perdoe os pecados, ele é seu representante e possui a autoridade de Cristo.

O sacerdote deve ter a faculdade de perdoar os pecados, ou seja, por ofício e porque isso lhe foi autorizado pela autoridade competente. Nem todos os padres têm a faculdade de exercê-la: para poder exercer, é preciso estar capacitado para emitir um juízo sobre o pecador.

Para obter as faculdades, deve-se superar um exame chamado "ad audiendas confessionis". Diz o cânon 970: "A faculdade de ouvir confissões só pode ser concedida aos presbíteros que tenham sido considerados aptos mediante um exame, ou cuja idoneidade conste de outro modo".

Tais faculdades são concedidas por escrito; são também as chamadas "licenças ministeriais" (cânon 973). Ou seja, um sacerdote recém-ordenado não pode absolver enquanto não receber as licenças ministeriais. Em muitos casos, o exame "ad audiendas confessionis" é feito justamente antes da ordenação.
http://pt.aleteia.org/2015/02/25/ha-pecados-que-um-padre-normal-nao-pode-perdoar/

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Todo Sacerdote pode ouvir confissões?

Nem todos os sacerdotes estão aptos a ouvir confissões. O Código de Direito Canônico, em seu cânon 965, diz que "o ministro do sacramento da penitência é somente o sacerdote", o que significa, em linguagem canônica, tão somente o padre e o bispo. Ora, sendo ambos ordenados validamente, não se pode presumir que estejam aptos a ouvir as confissões e perdoar os pecados? Sim, eles têm o poder, mas não o podem usar. É o que diz o cânon 966:

Cân. 966 — § 1. Para a absolvição válida dos pecados, requer-se que o ministro, além do poder de ordem, possua a faculdade de o exercer sobre os fiéis a quem concede a absolvição.

Assim, é necessário um ato da Igreja que dê ao sacerdote a licença para confessar os fiéis. Esta medida se faz justa, pois ser ordenado não implica necessariamente que o padre tenha a capacidade de vislumbrar como manda a Igreja o sacrário da consciência do fiel. Infelizmente, existem padres que jamais terão essa capacidade. Como medida de prevenção, a Igreja aplica uma espécie de teste, um exame para o padre ordenado ser avaliado em sua capacidade de ouvir confissões. O Cânon 970 é bem claro quando diz:

Cân. 970 — Não se conceda a faculdade de ouvir confissões a não ser a presbíteros que tenham sido considerados idôneos mediante exame, ou de cuja idoneidade conste por outra via.

O confessionário não é um tribunal qualquer. É o tribunal da misericórdia de Deus, portanto, o padre deve ensinar o que ensina a Igreja e julgar conforme julga a Igreja. O CDC continua:

Cân. 978 — § l. Ao ouvir confissões lembre-se o sacerdote de que exerce as funções simultaneamente de juiz e de médico, e de que foi constituído por Deus ministro ao mesmo tempo da justiça e da misericórdia divina, a fim de procurar a honra divina e a salvação das almas.
§ 2. O confessor, uma vez que é ministro da Igreja, na administração do sacramento, atenha-se com fidelidade à doutrina do Magistério e às normas dadas pela autoridade competente.


O trabalho do confessor é por demais delicado, não basta ser apenas ordenado, precisa estar disposto a estudar a vida dos santos, a doutrina católica, a Sagrada Escritura, pois precisa atender à necessidade de não julgar por si mesmo, mas de acordo com e em nome da Igreja.

Sentar-se generosamente no confessionário é uma das coisas que a Igreja pede de seus sacerdotes. Os grandes santos que a Igreja aponta como exemplo de sacerdócio não foram aqueles que obtiveram altos cargos, mas precisamente àqueles que se desgastaram amorosamente em ouvir confissões.

O padre validamente ordenado deve, então, ser julgado pela Igreja, que decidirá se está apto ou não para sentar-se no confessário. Caso receba autorização, que ele se empenhe para ser fiel a Deus, libertando tantas almas dos seus pecados.

https://padrepauloricardo.org/episodios/todos-os-sacerdotes-podem-ouvir-confissoes

http://www.vatican.va/archive/cod-iuris-canonici/portuguese/codex-iuris-canonici_po.pdf

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Ordenação Diaconal em Paraíba do Sul/RJ

Temos a alegria de convidar para a Ordenação Diaconal dos Frades Luis Henrique e Willian Gomes no dia 05 de dezembro de 2015 às 10 horas, na Paróquia São Pedro e São Paulo na Celebração Eucarística presidida por Dom Frei Elias James Manning, OFMConv, Bispo emérito de Valença! Segue abaixo o convite:

sábado, 3 de outubro de 2015

O Hábito Religioso

Ao longo da história da Igreja, o hábito dos religiosos teve uma grandíssima importância, porque os religiosos não só estão chamados a uma vida de total consagração a Deus, mas também a manifestar e testemunhar publicamente sua consagração.
O Concílio Vaticano II afirma que “o hábito é sinal de consagração” (Cf. Perfectae Caritatis, n. 17). Os sinais devem ser empregados mais que nunca, “sobretudo neste mundo de hoje, que se mostra tão sensível à linguagem das imagens…onde se é tão timidamente debilitado o sentido do sagrado, o povo sente a necessidade destes apelos a Deus, que não podem ser abandonados sem um certo empobrecimento do nosso serviço sacerdotal”[1].
Este sinal “para o religioso expressa sua consagração e põe em evidência o fim escatológico da vida religiosa”[2]. Os religiosos de nosso Instituto vestem o santo hábito, que é sinal de sua consagração e testemunho de sua pobreza[3]. O valor do hábito está dado “não só porque contribui com o decoro do sacerdote em seu comportamento externo ou no exercício de seu ministério, mas, sobretudo, porque evidencia na comunidade eclesiástica o testemunho público que cada sacerdote está chamado a dar da própria identidade e especial pertença a Deus”[4]. Amamos, pois, o hábito, que vestimos como uma segunda pele. Dizia São Francisco de Assis que só com a presença do religioso vestido com seu santo hábito já se prega[5].


“O hábito faz referência a uma realidade mais profunda, interior, espiritual, que é o fato de pertencer a Cristo”

O religioso que deixa as vestes seculares para vestir o hábito, manifesta que deixa o mundo e as coisas do mundo, para abraçar o mesmo modo de vida de Cristo: casto, pobre e obediente. Por esta razão o hábito é sinal de consagração.
O hábito é um sinal e como tal faz referência a uma realidade mais profunda, interior, espiritual, que é o fato de pertencer a Cristo, a união íntima com Ele. Quem veste o hábito manifesta na realidade que se revestiu de Cristo. Todo batizado se reveste de Cristo com o batismo, mas muito mais ainda o religioso, porque consagra toda sua vida a uma união mais perfeita com Ele. Por isso se diz que a consagração religiosa é como um segundo batismo, porque leva a plenitude as exigências do batismo. O Concílio Vaticano II afirma: “A profissão religiosa tem suas mais fundas raízes na consagração batismal, que a aperfeiçoa de modo pleno” (Perfectae Caritatis, 5). João Paulo II na exortação post sinodal Redemptionis donum, n. 7 afirma: «A consagração religiosa constitui, sobre a base sacramental do santo batismo, uma nova vida para Deus em Jesus Cristo». E por esta razão se pode dizer que o religioso é aquele que por excelência se reveste de Cristo, o que se manifesta justamente, vestindo o hábito do Instituto.

 “O hábito é sinal de consagração.”

No mundo do sensível, é necessária também uma manifestação sensível de nossa consagração. Da batina que usamos como sacerdotes religiosos se pode aplicar as palavras do Beato Manuel González falando daquilo que pode fazer um Padre só com a sua presença[6]. Só a presença do Padre, independentemente de suas virtudes e talentos, de sua simpatia e antipatia, exerce um grande poder. Para o mundo a presença do Padre é um protesto, uma lembrança e um remorso.

Um protesto: em uma sociedade, por corrompida que esteja, o hábito combate a  imposição do vício e dos enganos, porque a presença de uma pessoa consagrada diz a muitas pessoas que o que elas estão fazendo está mal.

Uma lembrança de seus deveres: não se pode ver um Padre, veja-se como se veja, sem que nos lembremos de que Deus existe, que existe um Credo, que existem os mandamentos, que existe outra vida com castigos e prêmios. Prova disso são as discussões que só o passar de um Padre levanta. O Padre com seu hábito, até sem dar-se conta, é uma constante promulgação do catecismo, é como se fosse o Evangelho andando pela rua.

Um remorso: e isso explica o rancor e a raiva que a muitos provoca a presença de um padre, seja conhecido ou desconhecido.

O Padre com seu hábito pode ser chamado de consciência visível da humanidade e a raiva que contra ele se sente não é nem mais nem menos que a mesma que se sente contra o grito inoportuno e ameaçador da própria consciência que recrimina as más ações.

[1] JOÃO PAULO II, Carta La cura dell’amata diocesi ao Card. Ugo Poletti, Vigário Geral para a Diocese de Roma (08/09/82); OR (24/10/82), p.5.
[2] Ibidem.
[3] Cf. CODIGO DE DIREITO CANÔNICO, c. 669, § 1.
[4] JOÃO PAULO II, Carta La cura dell’amata diocesi ao Card. Ugo Poletti, Vigário Geral para a Diocese de Roma (08/09/82); OR (24/10/82), p.5.
[5] Cf. FRANCISCO DE ASSIS, Fioretti.
[6] Cf. MANUEL GOZÁLEZ, Lo que puede un Cura hoy
http://verboencarnadobrasil.org/o-habito-religioso/

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

BEATO JUNÍPERO SERRA

QUEM FOI SÃO JUNÍPERO SERRA 
O Beato Junípero Serra nasceu em Petra (Maiorca) Espanha, aos 24 de novembro de 1713, e se chamou Miguel José. Seus piedosos pais o enviaram a estudar com um cônego de Palma, que lhe despertou o germe da vocação religiosa. Com 17 anos ingressou na Ordem Franciscana, e após o ano de noviciado pronunciou os votos trocando seu nome pelo de Junípero, em memória do companheiro de São Francisco de Assis. Dedicava-se à leitura das vidas dos santos que tinham sido martirizados nas Missões. Ensinou filosofia por 15 anos em Palma, sendo ainda bom teólogo e excelente pregador. Em 1749, foi enviado ao México. Acompanharam-no seus irmãos em religião : Francisco Paulo
(seu discípulo, amigo e mais tarde seu biógrafo), Crespi, Vicente e Verger. Passou alguns anos catequizando índios e outros no Colégio de S. Fernando, na capital mexicana. Contando 56 anos, realizou o sonho de sua vida : levar a fé de Cristo a regiões longínquas. Como superior de um grupo de franciscanos, estabeleceu em 1769 a primeira missão na Califórnia, dando-lhe o nome de San Diego "pedra angular da civilização na Califórnia" São nove as missões por ele fundadas : S. Diego, S. Carlos de Monterrey, Santo Antonio
de Padua, S. Gabriel Arcanjo, S. Luiz O Bispo, S. Francisco, S. João Capistrano, Santa Clara e S. Boaventura. Seu quartel general era Monterrey, visitando a pé todas as missões, que deram origem a tantas importantes cidades. É considerado um dos primeiros colonizadores da região, e reverenciado como santo. Em 1884 ficou constituída oficialmente na Califórnia, a festa periódica de seu
centenário. Sua estátua figura na Galeria da Fama do Capitólio, em Washington. Diversos monumentos perpetuam sua memória: Em Petra, Monterrey, S. Francisco de Califórnia e no alto da montanha Robidoux. O capuchinho malhorquim é digno de grato reconhecimento pelos homens. Durante os trinta e cinco anos como missionário, percorreu a pé 10.000 milhas, apesar de uma úlcera na perna. Seu martírio foi uma longa vida de trabalho, solidão e sacrifício. Para tornar-se santo canonizado, o candidato deve ter praticado as tres virtudes divinas e as quatro virtudes cardeais, em um grau heróico.
A Fé de Junípero Serra vê-se na sua vida apostólica; a Esperança no seu espírito de piedade; e a caridade, em ambos. Sua Prudência pode ser discernida especialmente nas sábias medidas que adotou a favor dos índios. Estes índios freqüentemente tornavam seu trabalho difícil, devido às suas idéias supersticiosas. Por exemplo: assim que ele levantava suas mãos para derramar água sobre a primeira
criança trazida para ser batizada, os pais amedrontados, arrebatavam-na e fugiam. O fiel cumprimento dos seus deveres apesar dos desapontamentos, das oposições e dos sofrimentos corporais, evidenciavam sua fortaleza. Energicamente defendeu os índios e os direitos da Igreja através de toda a sua dura vida de Missionário. Sua temperança manifestava-se na sua vida de mortificação. Já na sua viagem para a América ele havia manifestado heroísmo fora do comum. A viagem durou mais de noventa dias, durante os quais os viajantes sofriam por falta de água. Ele considerou a escassez de água, como treinamento para o futuro e ingenuamente observou quando foi perguntado se não sentia sede: "é preciso comer pouco e falar menos, para não desperdiçar saliva". Outra prova de sua virtude heróica encontra-se na sua recusa em beneficiar-se do transporte disponível de Vera Cruz para a Cidade do México. Ele e mais um companheiro iniciaram essa longa e estafante caminhada de 100 léguas, confiados unicamente na Providência Divina e na bondade do povo que encontrassem. Junípero Serra morreu na missão de são Carlos, também
chamada Carmelo, a 28 de agosto de 1784, e foi enterrado na Igreja da Missão. Em 1934, estudos preliminares foram feitos para apresentá-lo como candidato a canonização, e os procedimentos legais, iniciados na Califórnia, foram despachados para Roma em 1950. Finalmente em 25 de setembro de 1988, foi Beatificado por S.Santidade João Paulo II., restando aos seus admiradores, principalmente os membros do Serra, continuarem rezando para que logo a Santa Igreja, possa torná-lo Santo Canonizado e elevado à honra dos altares. Como nosso patrono o Serra adotou o lema : "SEMPRE EM FRENTE, JAMAIS RETROCEDER"


RELÍQUIAS DO BEATO JUNÍPERO SERRA
Em 1994, o Padre Henrique Osvaldo Fraga de Azevedo, da
Arquidiocese de Juiz de Fora - MG, consegue trazer para o Brasil, um fragmento de osso do Beato Junípero Serra. Conduzido pelo Espírito Santo, entregou esta relíquia ao Padre Paulo Dione Quintão, sabedor de que em Barbacena existia um Serra, cujo patrono é o Beato Junípero Serra. O Padre Paulo procurou a direção do Serra de Barbacena para saber o que fazer com a relíquia. Após alguns contatos, ficou estabelecido, que seria confeccionado um relicário a ser colocado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade, para veneração pública dos fiéis e dos membros Serra. Assim sendo, por ocasião da XVII Convenção Nacional Serra do Brasil em 1995, em cerimônia presidida por Dom Pedro Antonio Marchetti Fedalto, Arcebispo Metropolitano de Curitiba e Assistente Episcopal do Conselho Nacional Serra do Brasil, houve a entronização oficial e solene da relíquia do Patrono do Serra, na Matriz de Nossa Senhora da Piedade, em Barbacena, MG. Feliz Barbacena, que em lugar de uma simples estátua de bronze ou uma artística imagem, venera uma verdadeira relíquia do nosso Patrono. Certamente, muitos companheiros e irmãs Serra, virão alegres e piedosos, um dia, fazer uma prece, junto ao Relicário de nosso Patrono, em Barbacena. Relíquia Itinerante Tendo em vista que o nosso presidente, de saudosa memória - Luiz Carlos Toledo Barros - falecido em 26 de abril de 1998, tinha como meta da sua gestão - 1997 / 1999 - visitar a maioria dos serras do movimento, espalhados por todo o território nacional, solicitou, em agosto de 1996, da ordem dos frades menores da província napolitana do sagrado coração de Jesus, uma relíquia do Beato Junípero Serra para que as comunidades por onde ele passasse fossem visitadas pelo nosso patrono.








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