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domingo, 11 de maio de 2014

Reflexão do 4º Domingo da Páscoa no Dia das Mães

Por: Frei Carlos Roberto de Oliveira Charles, OFMConv

Queridos irmãos e irmãs, celebramos este dia o Quarto Domingo da Páscoa, e com ele, a figura do Bom Pastor, que é Jesus, cuja imagem, figura nos faz lembrar também da comemoração que se estende por todo o solo Brasileiro: o Dia das Mães!

A “Mãe” é uma figura muito, muito interessante, para que a gente possa entender Deus. Sempre quando falamos de Deus, falamos por analogia, por comparação. Usamos imagens que nós temos, usamos o conhecimento que nós temos, mas toda imagem que nós utilizamos para falar de Deus, ainda será sempre uma imagem... Uma imagem, utilizada pelo recurso humano, uma imagem vaga, pequena, completamente humana. Mas se há uma imagem, profunda, que fala perfeitamente da realidade, da natureza de Deus, da missão de Deus, da vida de Deus é a imagem da mãe!

O primeiro elemento que encontramos nesta imagem materna, é o acolhimento da ideia de ser mãe. Quando a mulher concebe em sua consciência, na sua cabeça, a ideia, o desejo, a felicidade, a alegria de poder exercer a sua maternidade, este é um jeito de Deus, que ao desejar nos criar, nos ama profundamente. Com a mãe não é diferente, no gesto de acolher na sua vida, no seu corpo um outro ser. A mãe é assim! Deus é assim também! Deus acolhe a ideia de nos criar, de nos ter como filhos e filhas! Este é o primeiro elemento que nós encontramos na essência estrutural de ser mãe. O segundo elemento é a geração, a mulher em sua maternidade gesta, gera... cria na criação de Deus, Deus é o Criador! E ela colabora com Deus no processo da criação; ela dá à natureza, ao mundo, à terra um novo ser, um ser que sai de suas entranhas, que é misturado à sua própria realidade, que faz parte de sua dinâmica, em conformação “com a sua ideia”, com o seu amor, e sua concepção. O terceiro elemento que a gente vê na vida da mulher que expressa sua maternidade é justamente este modo análogo, explícito ao ser de Deus, que se caracteriza nesta preservação, nesta luta pela vida, neste amor incondicional, desde quando concebe um filho, ainda na gestação e depois do nascimento, acompanhando seus primeiros passos. Mas esta imagem figurativa só serve para a mãe que é saudável (não aquela mãe patológica que nunca devia ser mãe: estas mães patológicas que matam seus filhos, esquecem seus filhos, vendem seus filhos... fazem tudo com eles! Estas não servem como exemplo), mas as mães saudáveis, são protótipos em uma escala infinitamente menor comparável ao modo de amar de Deus, que cria, que ama, que preserva, que defende, que educa e ama incondicionalmente. Assim é o amor de Deus! Deus nos ama e nunca espera nada em troca, por isso quando falamos no amor de Deus, pensamos no amor de mãe que é o amor que nos faz entender um pouco da dimensão do amor de Deus.

E hoje, quando nós reconhecemos o Ressuscitado como o “Bom Pastor”, a imagem da “mãe” também nos ajuda a entender o que é ser “Bom Pastor”: a mãe é pastora de seu lar, de seus filhos de sua casa, e, ela manifesta bondade naquilo que faz. O Pastor, na linguagem de Jesus é aquele que é reconhecido pelo seu rebanho. A mãe é reconhecida pelos filhos. Só a mãe conhece perfeitamente aquilo que criou, aquilo que preserva, aquilo que cuida. Então, a mãe é singular figura, imagem do bom pastoreio de Jesus.

E hoje, ao reconhecer Jesus como o Bom Pastor, nós somos chamados a reconhecermos como bons discípulos, bons seguidores. Ao reconhecer nossas mães como boas figuras e reflexos de Deus, reconhecer também que somos e devemos ser bons filhos. Outra imagem que nós podemos classificar hoje, sobretudo, no dia de hoje dia das mães, é esse poder efetivo que as mães, com autoridade, exerce sobre seus filhos. Se por um lado as mães, hoje, não conseguem muita coisa com os seus filhos no dia a dia, na perseverança, na continuidade, pelo menos no dia das mães conseguem trazer seus filhos para a Igreja, para rezar, para participar da celebração, para agradecer a Deus pelo dom da vida de sua mãe, sua realidade. Vocês podem notar, por todos os lugares do Brasil, as igrejas hoje estão cheias... não é normalmente assim! Mas isto é obra da mãe! Ela é missionária, ela consegue se fazer pela sensibilidade, pela emoção, pela ligação que tem com seu filho, seu próprio filho. E esta é uma oportunidade, talvez única, ímpar, de o Espírito Santo agir na mãe e tocar o coração do filho. Para dizer a seguir: que a fé não é só vivida no dia das mães, mas é compromisso com Deus. Amar a sua mãe é também buscar a amar este Deus, com comprometimento, na alegria, na perseverança, na construção de um mundo novo, de um Reino de justiça, e de amor... dia das mães é dia de reconhecer que Jesus é este Bom Pastor que nos chama, que nos congrega, que nos redime. É a porta aberta, a possibilidade de receber, é a possibilidade de salvação. Precisamos atender a este chamado de Deus, que de uma ou outra circunstância nos fala ao coração, nos desperta para a vida, para o amor, para o compromisso e para a fé. Para finalizar, uma outra linguagem bonita que nós podemos ter na cabeça e no coração é a linguagem da Eucaristia. Quando estamos ainda no útero materno, nos confundimos com a realidade da mãe, nos alimentamos da própria mãe, não precisamos de mais nada, estamos ali no aconchego, somos uma só coisa com a mãe, um único ser com a mãe, e nos alimentamos da mãe... A Eucaristia, também por analogia, é aquele lugar, aquele momento que nos faz perceber que precisamos nos alimentar de Deus. Se não nos alimentamos de Deus, nada somos, mas quando nos alimentamos de Deus, crescemos, nos tornamos pessoas, avançamos, caminhamos, crescemos na fé, em direção a Ele. Portanto hoje, ao rezarmos pelas nossas mães, por cada uma destas mulheres, que biologica ou afetivamente, deram à luz a seus filhos, formando-os, educando-os na fé, para que possam ter o reconhecimento de Deus, a Sua Graça e a Sua bênção. E que todo o seu sofrimento seja minimizado. Porque mãe não é padecer no purgatório, conforme o dito “mãe é padecer no paraíso...” E que todas as mães, no seu sofrimento, na sua angústia, nas suas tristezas, na sua decepção, no seu fracasso, possam ser hoje agraciadas com o dom de Deus, pela intercessão da Mãe maior, que é Maria, para que com seu modelo possam alcançar toda a felicidade que reside no coração de Deus. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!



Fonte: http://nsperpetuosocorrojf.blogspot.com.br/2014/05/homilia-da-santa-missa-no-dia-das-maes.html

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