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sábado, 15 de março de 2014

Serviços religiosos virtuais: comodidade ou necessidade?


Vela, Terço, pedidos e capelas virtuais invadem o espaço cibernético. Através do computador, o fiel internauta acende uma vela. Produtos religiosos virtuais fazem parte do chamado “apego ao sagrado”. O que pensar disso tudo? Só novos meios técnicos de devoção, catequese, evangelização?



Por: Padre Antônio Clayton Sant'Anna, C.Ss.R.*

Estamos na era da Igreja eletrônica! A participação da Igreja no universo tecnológico e cultural midiático é significativa e crescente. A linguagem teológica e pastoral da ação evangelizadora não pode ignorar essa nova cultura religiosa.

Mas, os serviços beneficiam o prestador ou o usuário? Em ambos os casos a utilidade é o valor apreciado. Acender velas, rezar Terços virtuais e coisas tais podem ser úteis para alavancar o acesso ao site. Ao mesmo tempo oferece, ocasião fácil para devotos satisfazerem seu 'consumo' espiritual. É serviço?

De certo modo, entra aqui a lei do mercado: oferta e procura na competição religiosa on line. Aí o uso da “tecnologia religiosa” se configura mais para 'artigo de consumo' ao gosto do fiel do que propõe uma real inserção na comunidade. Neste contexto o caminho da fé leva ao fechamento de si, ao individualismo espiritual. O perigo é enfraquecer ainda mais a já débil dimensão comunitária na vivência da fé. Até que ponto os serviços religiosos virtuais seriam veículos da Boa Nova? A ponta dos dedos no teclado baixando o produto desejado não substitui o 'rezar em espírito e verdade'? Ou o mergulho do pensamento e da sensibilidade do coração no mistério da sabedoria divina? As igrejas e comunidades não seriam cada vez mais dispensáveis como espaço de oração?
Internet e rede sociais constituem sim um novo fórum onde fazer ressoar o Evangelho, tendo o cuidado para que o mundo virtual jamais substitua o real, pois o encontro pessoal permanece insubstituível. Ora, perguntar pela necessidade ou comodidade desse serviço é coisa secundária quanto à fé. A questão de fé é anterior. Vale dizer, se a oferta e/ou o uso virtual religioso não levar para a comunhão com Deus e com os outros de modo concreto no seguimento de Jesus Cristo, para nada serve.

A ação benevolente da graça divina supõe a colaboração real, isto é: caridade ativa, a santidade e justiça na convivência social, a conversão na comunidade. O virtual não substitui o real, muito menos na vida eclesial cristã centralizada nos sete sacramentos.

“A questão se põe gravemente no risco de mera substituição de uma Igreja real, comunitária, por uma Igreja virtual, através da pastoral midiática não clarividente e substitutiva da vida concreta eclesial” (Padre Libânio, SJ)


*Texto, sugerido por uma leitora do SFC, da Revista de Aparecida ANO 11 nº 128 – novembro de 2012, página 12.

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