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sábado, 1 de março de 2014

Liturgia, santo remédio contra o estresse


Por: Pe. Valeriano dos Santos Costa*
Atualmente, uma das situações mais preocupantes do mundo é a intranquilidade estressante em que vivem as pessoas, por fatores diversos. As causas são múltiplas, mas uma causa fonte é o processo de “individuação”, segundo o qual cada indivíduo é o único responsável pelo sucesso ou pela derrota em sua vida. As metas impostas no trabalho, na vida social, na criação dos filhos e a impressão que estamos perdendo a batalha contra o tempo estão levando a uma sensação de derrota tão grande que gerou um estresse permanente.
Como já temos tratados nessas catequeses litúrgicas, o tempo em que a liturgia é celebrada, na verdade, pequeno em quantidade, mas grande em qualidade, não é o tempo do mundo, mas uma brecha no próprio tempo do mundo, para nos fazer perceber o tempo de Deus, o tempo do amor.
Isso tem de ser preservado com todo o empenho tanto pela comunidade que promove a liturgia, quanto pelo fiel que participa. Não se pode ir à oração comunitária eclesial sem se desligar das preocupações comuns, como tudo aquilo que se faz no dia a dia.

Por isso, celulares devem ser desligados na porta da igreja e religados somente quando se sair desse local. Não é só esquecimento, pois há pessoas que não desligam o celular porque esperam alguma ligação durante a celebração. É o típico exemplo de como misturamos o tempo sagrado com o tempo comum. Isso não fica bem nem quando estamos à mesa, quanto mais quando estamos no encontro litúrgico com Deus. Isso não quer disser que não se deve levar para as liturgias os anseios e as esperanças. Há lugar para tudo isso, mas não há lugar para o estresse, porque a liturgia bem celebrada é o remédio contra o estresse.
(…)

O tempo da liturgia é o tempo do “repouso” em Deus de que fala a Carta aos Hebreus, aludindo ao salmo 94, em cujo encerramento se diz do povo rebelde: “Não entrarão no meu repouso prometido” (Sl 95 [94], 11b)... É um momento privilegiado dese viver a confiança da fé, que nos dá a experiência profunda do amor de Deus. Então a liturgia, como momento privilegiado da experiência do repouso em Deus é munida de uma ritualidade que deve ser respeitada e zelada, tanto pela comunidade quanto pelos fiéis. Algumas indicações são pedagogicamente importantes.

A comunidade deve zelar pela beleza, pela ordem e pela harmonia, que são intrínsecas à liturgia. É por isso que tudo o que se faz e se usa durante a liturgia deve ser providenciado e preparado anteriormente. Os livros litúrgicos são mestres em mostrar isso, indicando os passos da celebração e orientando o que deve ser providenciado com antecedência. Nada deve ser improvisado, a não ser o que faz parte da inspiração do próprio Espírito de Deus e que só pode acontecer na hora. Só se encaixa nisso o que não pode ser previsto anteriormente. Em alguns lugares, há improvisação e muita agitação. Tudo isso é considerado ruído que atrapalha a experiência do repouso da fé no momento celebrativo.
(…)
Na missa, todos devem se entregar de corpo e alma à experiência de Deus, para viver um momento de qualidade muito superior ao tempo comum, que nos deixa tão estressados a ponto de buscarmos o repouso n'Ele para salvar nossa fé e nossa estrutura pessoal diante de tanta pressão que sofremos no dia a dia. Sem o repouso em Deus para reativar nossa capacidade de amar e prestar atenção nas pessoas e em tudo o que fazemos, nossa vida sucumbe.
(…)
Se for tratada conforme sua natureza por toda a assembleia em oração, a liturgia será, teologicamente, um momento privilegiado de repouso em Deus e, humanamente, terá uma consequência terapêutica de enorme importância para ajudar os fiéis a se curar do estresse, que tem causado tanto dano. Ninguém deve participar da liturgia sob pressão, nem mesmo da obrigação de rezar. Deus quer-nos por inteiro e, por isso, Cristo instituiu os sacramentos para nos curar do pecado. Não ter tempo para Deus, para o outro e para nós mesmos é o pecado e a doença da modernidade, que não ajuda a ser pessoa, mas simplesmente força o indivíduo a ser eficiente naquilo que faz, segundo os interesses dos que controlam a sociedade.

Pedimos que os leitores levem muito a sério o que falamos nesta catequese litúrgica, porque, em matéria de liturgia, mais do que saber como fazer os ritos, é importante compreender como viver a graça de Deus derramada em abundância no precioso momento da celebração.

*Padre Valeriano é doutor em Liturgia pelo Pontifício Ateneo Santo Anselmo de Roma; professor de Teologia na PUC-SP e colunista na Revista O Mensageiro de Santo Antônio de Santo André/SP.
Trecho da matéria publicada na Revista O Mensageiro de Santo Antônio ANO 58 – março de 2014 – número 572. páginas 14 e 15. www.omensageiro.org.br Assinaturas pelos telefones: (11) 4472-5843 / 4475-1003.

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