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terça-feira, 19 de novembro de 2013

A Fé hoje (5a parte)

Todo ser humano precisa crer de alguma maneira.
(Bento XVI)

O que é fé, numa mudança de época? Em nome da fé se fez e se faz muitas coisas, justas injustas, tudo porque o homem decidiu se fechar em si.
 O Jovem rico era rico de si, o próprio eu, (Adm X), Jesus lhe dá um toque, para que saia de si, “vai e dá dos teus bens aos pobres, e vem e segue-me”. O Leproso voltou, para agradecer, porque mudou o sentido, a orientação do sentido. 
Numa mudança épocal, abalam-se os paradigmas, tudo entra em colapso, crise de identidade, de Fé. Elas solicitam a recompreensão das categorias centrais da existência humana.
O crente, diante de tal cenário, vai se deparar com a falta de relevância, já que não tem quem a escute; como o palhaço que tenta advertir sobre o incêndio; ou a falta de pertinência, quando se tenta reduzir o seu conteúdo, para ganhar a atenção; o Joãozinho feliz, que nas suas trocas simplificadas, vai assim perdendo a sua identidade.
O Cristão está como o palhaço em sua roupagem, não é tomado a sério, pois fica fechado ao “papel que representa”; tudo o que disser, será uma representação, com pouco ou nenhum nexo com a realidade. Com a crise de mudança de época, Cristo passa a ser “O óbvio mais difícil de ver”, Bastaria tirar a maquiagem.
O Nada

O cristão que tenta levar a sério a sua fé, não só sentirá as dificuldades de interpretação, mas a insegurança da própria fé, ele perceberá que é ao mesmo tempo o palhaço e o povo descrente; a ponto de chegar a conclusão de que a incerteza foi destinada como único lugar possível a sua fé, já que o crente vive ameaçado pela queda no nada.
O problema de Deus toca crentes e não-crentes, eles participam da dúvida da fé (sentido), desde que não se ocultem de si mesmo e da verdade, sua existência (próprio de quem leva a sério). O destino humano é ser capaz de encontrar o definitivo da sua existência, no inevitável embate: Dúvida-fé.
Em outras palavras, não existe escapatória para o dilema da existência humana. Quem deseja fugir à incerteza da fé, há de experimentar a incerteza a descrença. Pois o crente é capaz de realizar-se em sua fé, somente sobre o oceano das águas salgadas do nada; e o oceano da incerteza foi-lhe destinado como único lugar possível de sua fé. O crente está sempre ameaçado pela queda no nada.
O descrente, por sua vez, estará a se perguntar se realmente o positivismo, a objetividade está realmente com a última palavra; aqui temos também, a dúvida do incrédulo quanto a sua descrença, ele esta constantemente na ameaça do - “quem sabe” – a fé venha a representar e a afirmar a realidade, ou que exista algo que não se limite ao empírico?
O crente é constantemente ameaçado pela descrença, obrigado a ver nela a sua perene provação; como também a fé representa uma ameaça e uma tentação ao incréu, dentro do seu universo aparentemente fechado e completo.
A transmissão da fé implica deixar-se fascinar por Deus, cair no seu “nada”. Pois o seu Filho Jesus, mergulhou por primeiro no “nada do Pai”; é o Kénosis, que na divina dança eterna, fascinado se esvazia. (Fl 2, 5-10)
Os cristãos nos momentos de crise devem voltar às fontes, para daí retirar o essencial, o Papa Bento XVI, afirma que a fé é o “Pressuposto óbvio da vida diária (2), o fundamento da vida cotidiana, o básico para poder avança; ela é basilar na vida do crente.  
A sagrada Escritura nos aponta que, o encontro com Jesus Cristo é transformador, na medida em o discípulo se coloca na dinâmica de escuta, levando a novos olhares criteriosos, onde tudo passa a ser visto sob a ótica do Absoluto. Levando os corações à alegria de estar dentro de uma dinâmica de alteridade, numa adesão, que é individual, mas que a confirmação desta mesma adesão se desdobra na dinâmica comunitária.
A fé não é algo estático na vida, ela é dínames, pulsão, vitalidade, como a própria vida o é, por isso mesmo, ela é um processo belo e contínuo, na vida do crente; é todo dia, de novo, como se fosse à primeira vez, tocando as várias etapas de nossa vida.

A fé no mundo pós-moderno se torna grande desafio, em meio ao medo das realidades líquidas, que revela claramente a nossa incapacidade de se lançar; o segredo está na eterna aplicação do risco. O documento de Aparecida (131) mostra que a fé do discípulo é pura graça, ou seja, é Ele que dá o primeiro passo. Portanto seja audaz.

Por isso, a primeira condição para se ter fé, é sair de si e ir ao encontro do diferente, num eterno lava-pés, na comum busca do novo. O crer tem gosto de abertura, sair de si, gerando assim um misto de fascínio e medo; o problema é quando não causa nada, caindo nas geleiras da indiferença. 

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