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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Vida consagrada no coração da Igreja


INTRODUÇÃO 

A origem da vida consagrada está, pois, no seguimento de Jesus Cristo a partir da profissão pública dos conselhos evangélicos. A referência vital e apostólica são os carismas de fundação. Sua função consiste em dar testemunho de santidade e do radicalismo das bem-aventuranças. Exige-se do consagrado total disponibilidade e testemunho de vida, levando a todos o valor da vocação cristã . São sinais visíveis do absoluto de Deus através do sinal de Jesus Cristos pobres,castos e obedientes. 

A par da hierarquia da Igreja, concretizou-se, a partir do século IV, um movimento religioso de natureza ascética iniciado por Santo Antão e outros eremitas egípcios. Era um movimento místico, de renúncia ao mundo, que se opunha à atitude social corrente na época de viver bem a vida numa sociedade supostamente decadente. Essa atitude de recusa de tudo o que é material a favor do espiritual levou a que proliferassem os eremitas e os anacoretas – religiosos solitários, que viviam por desertos e ermos, entre jejuns, penitências e orações. 

Este mesmo espírito levou à criação na Europa de agrupamentos de pessoas muito religiosas que viviam em comunidades sob votos de pobreza, castidade e obediência. Eram os primeiros conventos de monjas e monges. 







ORIGEM 




Coube a São bento, no século V, regulamentar o comportamento destas comunidades com leis e caráter social e religioso – a Regra. Mediante esta regra, passou a ser possível aos religiosos levar uma vida contemplativa e simultaneamente praticar trabalho manual árduo e simples, essencial à manutenção daqueles conventos. 

Muitas vezes esses trabalhos transcendiam o manual e tornavam-se intelectuais e até artísticos com qualidade. Esses mosteiros ou conventos foram por isso repositórios de conhecimentos, arquivos de livros e documentos raros, que, escapando à fúria dos tempos conturbados que se viviam, foram depois fontes de ensino e um precioso meio de conservação da cultura da antiguidade. 

Embora cumprindo a sua missão meritória, os conventos e os mosteiros foram-se degradando com o tempo e a regra monástica teve de ser reestruturada por notáveis reformadores, São Bernardo (1090-1153) e São Bruno (1030-1101). 

Mesmo depois destas reformas, e embora os monges e freiras se mantivessem no estado de pobreza requerido pelos seus votos, os conventos e mosteiros enriqueceram, e aos poucos começaram a esquecer-se do ideal de pobreza original. 

Contrariando esta tendência e assumindo uma forma de pobreza, total, surge nos princípio do século XIII, as ordens de frades mendicantes – os Franciscanos e os Dominicanos primeiros, e a seguir os Carmelitas. 




AS VIRGENS CONSAGRADAS 

Esta constitui a primeira forma de vida feminina especialmente consagrada. Sua Origem data dos tempos apostólicos, onde inúmeras jovens ofertavam-se inteiramente ao Senhor na consagração voluntária e perpétua de sua virgindade. Através das virgens consagradas o Espírito de Deus testemunha no interior da Igreja Primitiva, o início de um novo tempo, do tempo do Reino dos Céus. Pelo testemunho daquelas mulheres que se consagravam incondicionalmente a Deus, percebia-se que nascia a partir de Cristo, uma nova mentalidade, a mentalidade do Reino de Deus, o voltar-se para as coisas do alto. Tal mentalidade era diferente daquela do judaísmo, fundada na terra e na posteridade. 

As virgens consagradas constituem uma imagem escatológica especial da Esposa celeste e da vida futura, quando finalmente, a Igreja viverá em plenitude o seu amor por Cristo Esposo. 




O EREMITISMO 

No Séc. III a vida consagrada tomou a forma eremítica. Esta foi à primeira forma de vida consagrada masculina. Alguns historiadores encontram em data anterior a vida eremítica, uma certa forma de vida organizadas, formadas pelos ascetas cristãos e denominadas "monacato urbano". A vida eremítica teve expressões de grande generosidade: os eremitas retiravam-se para o deserto, viviam na solidão e no silêncio, na oração e na penitência, não deixando de lado o trabalho manual e a direção espiritual, muitas vezes feita através de cartas que são verdadeiros tratados. Santo Antão (251-356 d.C) é considerado o patriarca da vida eremítica de teologia ascética e mística. Os homens e mulheres eremitas, testemunham através da separação interior e exterior do mundo o caráter provisório do tempo presente, e pelo jejum e pela penitência atestam que o homem não vive sé de pão, mas da Palavra de Deus. Uma vida Assim "no deserto" é convite aos indivíduos e á própria comunidade eclesial para nunca perderem de vista as vocações supremas, que é estar sempre com o Senhor. 




O CENOBITISMO OU MONAQUISMO ORGANIZADO 

Inicialmente devemos afirmar que a origem do monacato organizado permanece em discreta penumbra. Segundo a maioria dos historiados eclesiais, o cenobitismo tem como berço o eremitismo. Aos poucos a vida eremítica foi cedendo lugar à vida cenobitica (comunitária). O cenobitismo ou monaquismo organizado apresentava suas vantagens: a vida comunitária, com ocasiões freqüentes de se praticar a caridade; a presença de um superior (abade), que governava e controlava a comunidade, suas atitudes e comportamentos; a Regra, que regulamentava a vida dos monges na oração, no trabalho, no vestuário, na alimentação, no estudo. A vida e a espiritualidade cenobita era muito semelhante da eremita (oração, ascese, trabalho manual, direção espiritual), porém, alguns fatores faziam a diferença: a vida comunitária, o abade, a regra e a dedicação aos estudos. Vale destacar que a "comunidade" para os cenobitas não é simples meio de serviço da perfeição evangélica, mas pertence ao projeto mesmo do "seguimento de Cristo".São Pacômio (346 d.C) foi o primeiro organizador da vida cenobítica (koinonia). O primeiro mosteiro data de 320 e foi fundado por São Pacômio em Tabenisi, a 575 Km ao sul da moderna cidade do Cairo. O oriente foi o berço do monaquismo, que se difundiu pelos lugares retirados do Egito, da Palestina, da Síria. São Basílio Magno, foi o grande legislador do monaquismo oriental, dando a este uma ampla motivação teológica. são Martinho de Tours (+397 d.C) é o primeiro monge documentado no Ocidente , São Bento é conhecido como "patriarca do monges ocidentais que escreveu sua regra, valendo-se da tradição monástica oriental e ocidental e adaptando-a às condições de vida de época. A regra beneditina tornou-se famosa na Igreja por sua psicologia e linguagem jurídica segura. O triunfo da regra beneditina se deu em 817 quando todos os mosteiros do Ocidente adotaram a Regra de São Bento como norma única. De fato, até o século XI os monges do ocidente identificavam-se com os monges beneditinos. O fundamento evangélico da vida consagrada está na relação que Jesus estabeleceu com alguns de seus discípulos, convidando-os a colocarem sua existência ao serviço do Reino, deixando tudo e imitando mais de perto a sua forma de vida. 




DEFINIÇÃO TEOLÓGICA DA VIDA RELIGIOSA 




A vida religiosa é uma experiência de fé. Por isso, só pode ser entendida a partir da fé. Querer compreendê-la a partir de outros pressupostos é condenar-se irremediavelmente a não compreendê-la. 

A vida religiosa é uma pré-representação sacramental na Igreja de Cristo. O adjunto sacramental deve ser compreendido como se referindo explicitamente ao sacramento, por isso mesmo indica a idéia de visibilidade de realidade e de eficácia. Não se trata simplesmente de algo convencional ou meramente intencional, porém sim de algo real e verdadeiro. 

A vida religiosa representa, isto é, apresenta de novo, perpétua, renova e prolonga na igreja o gênero da vida vivido por Cristo, ou, mais exatamente, a Cristo mesmo que segue vivendo, não obstante, suas três dimensões essenciais. 

Essa representação denomina-se sacramentalmente porque é visível, verdadeira e real. A conotação de visibilidade é própria de todo o sinal e na vida religiosa e plenitude dessa visibilidade se consegue e se expressa na vida comunitária. 

Os conselhos evangélicos sãos os aspectos principais dessa representação sacramental. 

A missão insubstituível da vida religiosa - sua identidade - é tornar de novo visível e realmente presente entre os homens Cristo casto – obediente - pobre. 

O estado religioso atesta o Concílio Vaticano II: 




Imita mais de perto e representa na igreja o gênero de vida que o Filho de Deus, abraçou quando veio a este mundo para cumprir a vontade do Pai e que propôs aos seus discípulos que o seguiam (LG 44) 







O religioso é um cristão, convocado por especial e derradeira vocação divina e consagrado por Deus mediante a profissão religiosa configurando-se realmente com Cristo, para deste modo faze-lo visivelmente presente na Igreja nas suas três dimensões essenciais de seu projeto de vida. Por isso, o religioso é a presença ou representação sacramental na igreja de Cristo. 

A virgem Maria, como afirmou o Papa Paulo VI no encerramento da III Sessão do Concílio Vaticano II, realizou na sua vida terrena a perfeita figura do discípulo de Cristo encarnando as bem-aventuranças evangélicas. Em vista disso, toda a igreja nela encontra a mais autêntica forma da perfeita imitação de Cristo. 

A vida religiosa é também imitação e seguimento de Maria. Os mesmos conselhos evangélicos realizam uma verdadeira configuração com Maria no seu gênero de vida casta, obediente e pobre e na sua consagração total à Pessoa e à obra do seu Filho. 

Ela é modelo e princípio ativo do seguimento evangélico de Cristo e penhor de fidelidade a deus a aos homens, 




VOCAÇÃO CRISTà




O aceno de Deus à existência não pode ser definido simplesmente como vocação, como também Deus não chama ninguém para uma tarefa humana ou temporal. Somente num sentido mais amplo pode-se falar de vocação a uma missão de ordem temporal. 

Deus chama à salvação sobrenatural, chama a fim de trabalhar pela salvação sobrenatural dos outros. Deus chama o homem à amizade e filiação divina. 

Entretanto, Deus chama o homem numa comunidade de salvação a partir duma comunidade de salvação denominada igreja, Daí ser vocação cristã a vocação em Cristo e vocação na Igreja. Essa índole social da salvação é um dos pontos mais explicitamente afirmados pelo Concílio. 

Esta é a vocação cristã, comum a todos os homens, que é a vocação fundamental por excelência. Somente assim tem sentido e são compreendidas as “vocações de consagração” - mesmo que tal denominação não nos convença plenamente. 

Vocação cristã, que é um convite gratuito do Pai - em Cristo – à amizade e filiação, que se efetiva pessoalmente, porém, nessa comunidade chamada Igreja. Esta vocação é uma eleição de Deus livre, gratuita, excluindo, por isso mesmo, toda idéias de mérito. O amor é sua última raiz. 

A graça é dom, é convite, ao mesmo tempo. Convite eficaz, porque eficaz. E o convite é graça, puro dom desinteressado. 

Essa é a vocação universal, o chamado espontâneo de Deus a todo homem. Um convite que, em Cristo torna-se voz humana e palavra encarnada. Porém, assim como todos fomos de somos chamados em Cristo a ser o que ele é - filhos do Pai e da Virgem Mãe – também fomos e somos chamados na Igreja a ser família, povo e Reino de Deus. A igreja é comunidade de convocados e comunidade convocada e invitada. 

Dentro dessa vocação comum e universal - não à margem ou paralelamente a ela - registrem-se a vocação religiosa e a vocação sacerdotal que, além de serem vocações estritamente pessoais, tem uma dimensão marcadamente social e afazeres específicos na Igreja. 




O MISTÉRIO DA IGREJA 




A Igreja é uma sociedade de salvação sobrenatural. É sinal, sacramento, da presença salvífica de Cristo. Por isso, sua missão é intrinsecamente religiosa. 

A Igreja é a realização histórica, temporal e atual do plano salvador do Pai. Por isso é um mistério da salvação sobrenatural que se efetua em Cristo. Daí não ser ela mais do que o prolongamento da Pessoa e da missão salvífica de Cristo. A Igreja pode ser definida como uma comunhão de vida com Deus invisível e visivelmente com os homens na profissão de fé, na participação dos sacramentos e na obediência à mesma autoridade hierárquica. 




A VIDA RELIGIOSA 




A vida religiosa não é um estado intermediário entre o sacerdócio e o laicato, já que tanto os sacerdotes como leigos podem ser religiosos. Não pertencem obviamente, à estrutura hierárquica da Igreja, porém, de maneira incontroversível à sua vida a sua santidade, vale dizer, à estrutura interior, pneumática ou carismática. 

A vida religiosa é um carisma, um dom de graça outorgado à Igreja. É estado de vida provocado na Igreja pelo Espírito Santo para representar o teor de vida de Cristo. 

Próprio do carisma é ser uma manifestação do poder e da força do Espírito Santo, que vive e transita na Igreja e em cada um dos cristãos. A vida religiosa é manifestação vigorosa e permanente desse Espírito, que é o Espírito do Senhor ressuscitado que, desde dentro da Igreja e dentro de cada cristão, agita eficazmente a seguir e imitar o modo de viver de Cristo. 

Os conselhos evangélicos, desenvolvidos de maneira constante e com caráter estável e de sacralidade que recebem do voto, transformam-se em lei de vida para os religiosos. Esta consagração é feita na Igreja mediante seu ministério. 

Os conselhos evangélicos são patrimônio da Igreja, são um bem comum a ela inteira outorgado, dela e nela, alguns dos seus filhos, para que vivam com a mesma expressão sensível que tiveram em Cristo. O Concílio ressalta expressamente que são um dom divino que a igreja recebeu do seu Senhor que com sua graça sempre o mantém. Como todos os dons de graça ofertados por Deus à Igreja, é também irrevogável (Rm 11,28). O teor de vida alicerçado nesses conselhos jamais poderá faltar à Igreja. 

A Igreja não responderia cabalmente aos desejos de Cristo, assinalava Pio XII aos Superiores Gerais, se não houvesse nela aqueles que vivessem os conselhos evangélicos (11/2/1958: AAS, 50 (1958), p. 154). Daí dizer-se que: 

A Igreja seria infiel ao seu Esposo e Senhor se dissonasse, não conservando esse dom. A vida da Igreja, sem a vida religiosa, permaneceria inacabada na ordem objetiva da santidade, sendo ela a consagração batismal levada até às últimas exigências objetivas. 




Ainda que a vida religiosa seja um carisma e os Institutos religiosos, a evolução de um carisma, não são pura espontaneidade, mas recebem da Igreja formas estáveis que, de certo modo, convertem-nos em instituição. 

Na verdade, a vida consagrada está colocada mesmo no coração da Igreja, como elemento decisivo para sua missão, visto que exprime a íntima natureza da vocação cristã e a tensão da Igreja-Esposa para a união como o único Esposo. Sua função de ajuda e apoio exercida pela vida consagrada à Igreja não se restringe aos tempos passados, mas continua a ser um dom precioso e necessário também no presente e para o futuro do Povo de Deus, porque pertence intimamente à sua vida, santidade e missão. 




CRISTO E A IGREJA 




O vocábulo “testemunho” só tem sentido e valor teológico em conexão com Cristo e com a Igreja. Transforma-se, sem mais nem menos, numa palavra profana quando com ela não fazemos referência explícita à Igreja ou a Cristo. 

Na realidade, toda a teologia do testemunho exaure de Cristo, e somente se entende a partir dele. Cristo é o Amém, o grande Sim do Pai, o Testemunho Fiel, como o denomina o Apocalipse. 

Assim fala o Amém, o Testemunho Fiel e veraz (Ap 3,14). Cristo, assevera São Paulo, não foi sim e não, nele não houve senão sim, pois todas as promessas feitas por Deus foram um sim nele, por isso dizemos por ele o Amém à glória de Deus (II Cor 1,19-20). 




Cristo veio para ser testemunho da verdade. Foi para isto que nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade (Jo 18,37). Cristo é testemunha do Pai, demonstração e testemunha de seu amor aos homens, de nossa vocação sobrenatural de seus filhos e da realidade dos bens celestiais. O apóstolo Paulo denomina Cristo “Pontífice dos bens vindouros” (Hb 9,11), isto é, dos bens definitivos. 

A Igreja, como alongamento de Cristo e continuadora de sua missão, projeta-se diante do mundo como testemunhas e signo de salvação. Salvação, contudo, sobrenatural. Anuncia, se faz presente, ou melhor, representa Cristo, salvação, não sendo sua tarefa promover uma salvação temporal, mas eterna. 




TESTEMUNHAS DE CRISTO 




O espírito do Senhor ressuscitado transforma os apóstolos em testemunhas de Cristo: de sua vida de sua palavra e, sobretudo, de sua ressurreição (At 1,8). 

Quando nos evangelhos sinóticos nos deparamos com a palavra evangelho, em São João temos palavra testemunha e enquanto em São João temos a palavra vida, nos sinótico reino. Por isso, do mesmo modo com reino, vida são sinônimos, assim também evangelho e testemunha. Logo, dar testemunho corresponde a evangelizar, ou seja, a fazer apostolado. 

Para ser e denominar testemunha ou apóstolo de Cristo, nesse sentido técnico, mesmo antes de o vocábulo ter sofrido evolução, tendo simplesmente o significado de discípulo, cristão ou anunciador da Boa Nova, não era suficiente ter conhecido Jesus, nem ter ouvido suas palavras desde seu batismo no Jordão. Urgia-se, além do mais, ter testemunho e recebido o dom especial do Espírito Santo. 

A pregação cristã e a vida inteira do crente devem proclamar Cristo, testificar sua vida ao mundo, a realidade de sua carne, sua condição de Filho de Deus, de Messias, de Salvador, etc. Proclamar que Cristo veio e que retornará ao fim dos tempos, proclamá-lo comesse matiz de segurança e de alegria dos apóstolos, partindo do Pentecostes, é evangelizar e fazer apostolado. 

VIDA RELIGIOSA E ADVENTO 




Maranatha! 




A palavra “advento” é a primeira e última do ano litúrgico, abrindo e fechando o ciclo das celebrações dos mistérios cristãos. 

Todo o Antigo Testamento foi um gigantesco advento: preparação, anelo e expectação do Messias. Viver era esperar. Não somente aguardar passivamente o desenvolvimento dos eventos, mas desejar com viva ânsia o estabelecimento do Reino, a chegada do Enviado de Deus. Viver era esperar e ir, ao mesmo tempo, preparando os caminhos do Senhor. 

O Senhor já veio! Aquilo que um dia foi objeto de esperança, é hoje uma realidade histórica e objeto já realizado de nossa fé. A quilo que agora é todavia promessa, de imediato se converterá também em posse e contentamento. Assim como afirmamos e sabemos que o Senhor veio, sabemos e afirmamos que o Senhor retornará. 

Em virtude da morte e da ressurreição gloriosa, Cristo, conseguiu um novo modo de ser e de atuar com vivo contrate com o estado de “aniquilamento” que caracterizou sua primeira vinda. E toda a igreja vive agora na segurança e certeza gozosa desta primeira vinda e num desejo incontido e na firme esperança da derradeira e definitiva vinda do Senhor no final dos tempos. 

Esta segunda vinda do Senhor já se iniciou. Não é só um acontecimento futuro, nem uma realidade estática, mas essencialmente dinâmica, que se vai realizando todos os dias como o estabelecimento do Reino. 

Maranatha, resume e encerra toda atitude de esperança, de fé e de oração da Igreja primitiva. É uma palavra polivalente. É, ao mesmo tempo, a solidificação de um fato já realizado: O Senhor veio! O Senhor está ai! É um ato de fé e de esperança na próxima vinda do Senhor. Um desejo que começou já a se efetivar e que será realizado um dia plenamente: O Senhor virá! O Senhor está perto, está vindo! É também uma oração, a oração do Espírito e da Esposa: “Vem!... Vem, Senhor Jesus!”. 













A VIDA CONSAGRADA COMO SINAL DE DEUS 




Pode-se analisar por primeiro a palavra sinal. E o seu significado São vários, vejamos: 1)Aquilo que serve de advertência,ou que possibilita conhecer,reconhecer,ou prever alguma coisa. 2)Expediente convencionado para se transmitirem a distancia ,por meios visíveis ou auditivos,ordens,noticias,avisos,etc. 3)Demonstração interior de um pensamento ou de uma intenção. 4)Indicio,rastro. 5) Marca,traço,vestígio. 6) Manifestação,prova,prenuncio. 7) Símbolo de uma operação. 

Ao analisar essa palavra fica fácil,falar da vida consagrada como sinal de Deus,pois se percebe que a consagração é a marca que Deus imprime nos homens, para preanunciarem a manifestação da vida que há de vir. è o reconhecer de Deus na vida do homem ,da igreja e de toda a criação,Também é a prova do segmento de Cristo sendo expediente para transmitir por meios visíveis as ordens,a noticia dada pelo Altíssimo Rei. Sendo uma grande demonstração interior do pensamento Cristão e do próprio Deus, Portanto é um grande símbolo da operação salvífica de Deus para homem 

Cristo ao anunciar a Boa Nova propôs uma “nova forma” de vida ,na realidade o Senhor,não modificou a lei,mas mostrou como realmente o homem deveria viver. E a vida religiosa é um sinal d’Ele para testemunhar a união da Santíssima trindade e a vida futura no céu. Pois Ele mesmo disse: “Vos sois o sal da terra. Se sal perde o sabor ,com que ser lhe – as restituído o sabor?Pra nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens.”. A vida religiosa deve se sinal porque Cristo pediu para se sal da terra. Ela é um tipo de sal da sentido de vida a muitas almas. È Através da vida religiosa que Deus se manifesta,quando um religioso leva o nome de Deus aonde se precisa . O mundo precisa de sinais divinos para viver e encontrar Deus . E a vida religiosa faz bem o seu papel. 

O santo pai Francisco de Assis Passou por algumas dessas fases quando Deus lhe deu a marca (Sinal) do chamado a vivencia evangélica. Começou a seguir a Cristo nas grutas como eremita buscando intimidade com Deus e dando sentido a sua vida ,partindo dessa intimidade vai até os leprosários para confirmar esse amor por Deus,que o fez lançar-se para o outro ,comprometendo-se como um sinal de Deus, e enfim como religioso quando Deus lhe deu irmãos para vivencia fraterna. São Francisco Quis ser sinal de Deus quando pediu ao papa que aprovasse sua regra: “A regra e a vida dos Frades Menores é esta:observar o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus cristo,vivendo em observância,sem nada de próprio e em castidade.” Ao indicar no caminho da castidade mostrou um modo pobre de ser e de segui o Cristo como testemunho dos anjos que contemplam a face de Deus. Fica claro quando se usa a palavra do documento a vida consagrada em comunidade.“A vida consagrada anuncia e de certo modo antecipa o tempo futuro,quando alcançada a plenitude daquele Reino dos céus que agora está presente apenas em gérmen e no ministério,os filhos da ressurreição não tomarão esposa nem marido,mas serão como anjos de Deus”.A entrega total dos bens que são Francisco propõe é a prova que ele pode dar ao mundo.É possível viver a liberdade interior,Proclamando que Deus é o Sumo Bem,e que para Ele deve converge as nossas vidas. 

A vida Franciscana é um belo sinal de Deus,porque a sua missão não se restringe,não se limita,mas é bem abrangente por causa da regra que é o próprio evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. O interessante é que o franciscanismo deve cantar a alegria da criação,louvar a irmã morte,em todos e em tudo reconhecer-se irmão como obras do Criador e seguir o Cristo crucificado,pobre e sevo. Fazendo como o próprio Cristo Fez. 




Palavras de exortação 

“ouvi pobrezinhas” 

Ouvi, pobrezinhas, Chamadas pelo Senhor, 

que de muitas partes e províncias sois congregadas: 

Vivei sempre na verdade, e que sempre na obediência morrais. 

Não olheis a vida lá de fora,porque a do espírito é melhor. 

Eu vos peço com grande amor,que tenhais discrição 

nas esmolas que vos dá o Senhor. 

As que estão agravadas por enfermidade 

e as que por elas estão fatigadas, 

umas e outras suportem tudo isso em paz, 

pois haveis de vender bem caro esta fadiga, 

porque cada uma será coroada rainha no céu 

com a virgem Maria. 

Seráfico pai são Francisco de Assis 










ANEXO 

A importância da vida consagrada 







Quando a Igreja fala de Vida Consagrada, está se falando de uma vocação, que tem várias modalidades de vida dentro da Igreja. Seguem essa vocação os Monges e Monjas, os Religiosos e Religiosas, das Ordens, Congregações e Institutos Religiosos. Vida Consagrada constitui um grande tesouro na Igreja e é uma excepcional força e serviço em atividades da igreja e no mundo. O Concílio Vaticano 2º, ao tratar da Vida Consagrada, diz: “O estado de vida Consagrada é constituído pelos conselhos evangélicos, embora não pertença à estrutura hierárquica da Igreja, está contudo firmemente relacionado com sua vida e santidade” (LG, 44). “Os conselhos evangélicos da castidade consagrada a Deus, da pobreza e da obediência se baseiam nas palavras e nos exemplos do Senhor. São recomendados pelos Apóstolos, Santos e Padres e pelos mestres e pastores da Igreja. Constituem um dom divino que a Igreja recebeu do seu Senhor e por graça dele sempre conserva. A própria autoridade da Igreja, guiada pelo Espírito Santo, cuidou de interpretar os conselhos evangélicos, regulamentar-lhes a prática e estabelecer formas estáveis de vida” (LG 43).A Vida Consagrada é sobretudo um sinal. Diz o Concílio: “A profissão dos conselhos evangélicos se apresenta como um sinal que pode e deve atrair eficazmente todos os membros da Igreja para o cumprimento dedicado dos deveres impostos pela vocação cristã. Como, porém, o Povo de Deus não possui aqui (no mundo) morada permanente, mas busca a futura, o estado religioso (de Vida Consagrada), pelo fato de deixar seus membros mais desimpedidos dos cuidados terrenos, ora manifesta já aqui neste mundo a todos os fiéis à presença dos bens celestes, ora dá testemunho da nova e eterna vida conquistada pela redenção de Cristo, ora prenuncia a ressurreição futura e a glória do Reino celeste” (LG 44). Assim, a Vida Consagrada é sinal das coisas de Deus, da nossa ressurreição futura e da glória do Reino celeste, pois faz destas realidades sua vida já aqui no mundo. João Paulo II diz: “A primeira tarefa da Vida Consagrada é tornar visíveis às maravilhas que Deus realiza na frágil humanidade das pessoas chamadas. Mas do que com as palavras, elas testemunham essas maravilhas com a linguagem eloqüente de uma existência transfigurada, capaz de suscitar a admiração do mundo”. 

Dom Cláudio Cardeal Hummes 

Arcebispo de São Paulo 

CONCLUSÃO 




O verdadeiro consagrado, em vez de dizer que nada possui, que sacrificou ou perdeu sua liberdade ou, ainda, que deve levar uma vida privada do amor humano, testemunhará, com a própria vida ser homem plenamente livre, rico e cheio de amor, porque quem nele vivi é Cristo – homem perfeito – que cada um de nós amou e por cada um de nós se entregou até a morte e morte de Cruz. Por isso diz Jesus no Evangelho: Em verdade, vos digo, ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos ou irmãs, ou pai ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras -, com perseguições, - e no século vindouro a vida eterna. 

Por tudo isso pode dizer que a vida consagrada vale por si. Seu fazer, sua utilidade na Igreja e no mundo consiste justamente em ser ela manifestação particularmente rica dos valores evangélicos mais radicais e atuação mais completa do objetivo da Igreja: a santificação da humanidade. Por isso, é a ela que, dentro da Igreja, mais compete anunciar, e de certo modo antecipar, o tempo futuro, quando na plenitude do Reino dos céus os homens serão como anjos de Deus. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALONSO, Severino. A Vida Consagrada. São Paulo: Ave Maria, 1991.
DOCUMENTO PONTIFÍCIO. Lumen Gentium de Ecclesia. São Paulo: Paulinas, 1967.
DOCUMENTO PONTIFÍCIO. Vita Consecrata. São Paulo: Paulinas, 1998.
FASSINI, Frei Dorvalino Francisco. Vida Consagrada e Formação. Porto Alegre: Evangraf, 2002.
TAVARES, Jorge Campos. Dicionário de Santos. Porto: Lello & Irmão, 1990. p.169.

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