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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Celebração dos 800 anos do Carisma Franciscano


CELEBRAÇÃO 800 ANOS DO CARISMA FRANCISCANO 


  Estas origens do carisma franciscano que jorrou para o mundo e para nós franciscanos, em particular, do eterno amor do Pai Celeste, desejam celebrar no quadriênio 2005/2009, com o coração e a mente abertos para acolher o dom de salvação e de graça que o Senhor quer derramar sobre nós, através da releitura e da e da reflexão da caminhada evangélica de Francisco e seus primeiros irmãos. 


  Comemorar estes 800 anos do carisma franciscano é comemorar a inspiração divina que Francisco teve ao iniciar sua uma vida de conversão, aceitando ser penitente, servo de Javé e que recebeu de Deus a missão se ser luz das nações para levando a salvação e atingindo todos os povos. O jovem de Assis aceitou vivenciar o evangelho com determinação e unir com Cristo seguindo a vida e exemplo como os apóstolos. 

HISTÓRICO: 

   Filho de um rico comerciante de tecidos  teve uma juventude imprudente e descuidada em companhia de outros jovens. 
  Aos 24 anos de idade Francisco descobre sua vocação recebendo uma revelação na igreja de são Damião, abandona tudo e sai em busca de sua verdadeira paz ajudando os doentes, os leprosos importando com eles e amando todos como irmãos. Ele foi se doando a Deus e aos pobres e visto como louco por dar opção aos mais doentes e marginalizados da sociedade, mas a crítica a ele é o que tornaria mas forte. 
   O fascinante de Francisco é a sua capacidade de ter reinterpretado a mensagem do Evangelho para as pessoas humildes como uma mensagem libertadora. Não o faz com explicações complicadas e profundas sobre a essência deste Jesus de Nazaré, mas sim, simplesmente, à base das suas ações. Pois não entra em discussões teológicas sobre o significado da encarnação de Deus em Jesus. Se Jesus, o Filho do Homem, é totalmente homem com um carisma especial de união divina, ou o Filho de Deus, que também na sua vida terrestre até à Crucificação e até à morte ficou sempre Deus. Esta foi à disputa teológica durante séculos. E quanto mais Jesus foi divinificado, tanto mais se podia praticar na Igreja uma veneração que pouco tinha que ver com as necessidades concretas das pessoas. Via-se só o Jesus sublimado, muito longe dos baixos níveis dos homens. Podia-se venerá-Lo, sem que isso tivesse conseqüências sociais. 
  Francisco, no entanto, redescobriu em Jesus o Deus humilde que renuncia a tudo, o Jesus de Nazaré, que se dedicava a todas as misérias humanas. Concretamente encontra-O no rosto desfigurado do leproso. E, a partir daí, tenta simplesmente fazer o mesmo que este Jesus de Nazaré humilde e amante dedicando-se aos pobres e aos marginalizados. Imitar Jesus, seguir as Suas pegadas, assim pregou a mensagem libertadora do Evangelho. 
  E quanto maior foi a semelhança com este Jesus, tanto mais brilhante ficou a mensagem. Um Deus que ama, que se faz homem como nós, que prescinde de todo o domínio, que se dedica aos pobres e aos necessitados, que não quer impor pesos a eles, não faz dos homens objetos. Quer um seguimento voluntário, quer dizer, homens livres, que não queiram cultivar o seu “ego”, através do domínio de outros. Em todas as partes onde os homens convertem outros em objetos, os mesmos são escravos “da ânsia de querer possuir e dominar.” E esta é a raiz de todas as catástrofes no mundo, o antagonismo entre pobres e ricos, entre os que sabem e os que não sabem, entre preservar e explorar a Criação. 
  A situação da estrutura social do tempo de Francisco não era muito diferente dos tempos de hoje, existiam ricos e pobres, mas a verdadeira inovação de Francisco foi enfrentar estas situações unindo-se aos pobres fazendo-se pobre. 
  Francisco vive uma radicalidade as palavras sagradas vendo nelas um forte chamado. Ele não condena os ricos e tenta transformá-los através dos seus exemplos, isto é, coloca-se como modelo ao  qual todos devem ver a pobreza como algo belo e acessível.. Ele aparece como criador de algo novo que supre as ansiedades dos seus contemporâneos, vive as duvidas e problemáticas de seu tempo e assume em sua missão o papel de tentar respondê-las. Ele como homem medieval, coloca-se disposto ao evangelho como caminho para o seu apostolado, mostra que o reino de Deus e a beleza da vida evangélica já estão presentes em nosso meio e que também aquele que arrisca ama, pois através do amor há uma criação do novo, aquele que doa a vida ao Senhor e aos irmãos tem como um fundamento real à presença de Deus. 
  A proposta do carisma franciscano neste 800 anos é que todos se tornem servos e lavam os pés uns dos outros como Jesus fez com seus discípulos, tornando “menor” pequeno e submisso a todas as criaturas. Uma outra proposta do carisma é que viva segundo a forma do santo evangelho. 
  A experiência de São Francisco ensina que temos sempre que retornar ao nosso itinerário de penitencia evangélica (a conversão) usando de gestos concretos para encarar a vida pessoal de cada dia. Ao longo da historia ele ensina que temos que renascer como testemunha da existência de Deus e o seu amor por nós sempre em comunhão com Ele; mostra que através da graça devemos ser os herdeiros deste projeto e revitalizar a nossa espiritualidade tão desejada pelos homens de  nosso tempo. São Francisco experimenta e mostra a nós que a paixão por Deus nasce do chamado de um encontro vivo e vivificante com o Senhor que restaura a existência humana. Encontrar-se com Cristo significa colocar-se num caminho de conversão 
  Os 800 anos do carisma franciscano mostra que há um desafio no seguimento do Senhor e na missão. A ousadia, a coragem, a disponibilidade, a coerência sem medo deve ser o propósito de todos e nunca paralisar pelo caminho. 
  Ser franciscano não é apenas conteúdo, é espírito, maneira de ver as coisas, de vivenciá-las, de assumi os grandes conflitos da vida e da morte 

 A MISSÃO FRANCISCANA: 

  É partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar as crostas do egoísmo que fecham o nosso “eu”. É preciso parar de dar voltas ao redor de nós  como se fossemos o centro do mundo e da vida. Viver a missão franciscana nesses 800 anos é sempre partir, sobretudo abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrando-os é preciso amá-los. Nisso se resume à missão franciscana. 
  Assim como Francisco seguiu Cristo em uma particular doação, fugindo dos seus ideais, a todos o vê como exemplo de cristão. A Igreja mantém um profundo respeito por Francisco, pois ele mesmo infundiu no coração dela o amor e o respeito pelos pobres e marginalizados da sociedade de sua época.  
  Cada franciscano deve ter a mesma ousadia de usar da frase : “Senhor que queres que eu faça” e nós como cristãos seguidores do seráfico pai São Francisco temos que lutar para que todos se tornem uma comunidade verdadeiramente cristã. o compromisso não é só hoje, é sempre pois o Senhor se faz presente em nossa vida. 

FRANCISCO DE ASSIS E A CRIAÇÃO 

  Francisco tinha um grande respeito e uma relação fraterna com todos os seres da criação e por tudo louvava a Deus. Para ele, todas as criaturas eram espelhos de Deus. 
  O propósito dos 800 anos do carisma é dar continuidade ao amor que são Francisco pelas coisas e criaturas criadas por Deus. E hoje mas do que nunca, este propósito deixado nos é indicado como missão evangelizadora. Mas a poluição que embaça os horizontes, também embaçam nossos olhos, onde enfraquece a luz do sol, impedindo-nos de agir. 
  A degradação do meio ambiente, a poluição do planeta, o descaso pela natureza atinge a qualidades de vida existente. Vida que Francisco louvava sempre ao Senhor por existir. Devemos como Francisco proteger essas vidas existentes, pois elas refletem a beleza e o amor de Deus para todos os homens.
COMEMORAÇÃO DOS 800 ANOS DA ORDEM FRANCISCANA. 

   O itinerário celebrativo proposto ao longo de 4 anos visa fundamentalmente lembrar com gratidão esse passado, para que os franciscanos de hoje vivam com paixão o presente e perspectivem com confiança ao futuro.  
Neste sentido, o Ministro geral da Ordem dos Frades menores, Frei José Rodríguez Carballo, na sua carta “A graça das origens” (cf. www.ofm.org), convida a Ordem a pôr-se a caminho numa atitude de conversão, de discernimento e de retorno ao cerne do carisma franciscano: “Chamados a re-propor com coragem a audácia, a criatividade e a santidade de Francisco e a cultivar uma fidelidade dinâmica como resposta aos sinais dos tempos que surgem no mundo de hoje (cf. VC 37), propomos voltar ao essencial de nossa forma de vida, relendo-a e reencarnando-a na atual realidade cultural; desejamos ser fiéis ao nosso carisma e, ao mesmo tempo, ter presentes as exigências do mundo atual, antecipando o futuro”.  
   Esta celebração quer ser um kairós (um tempo de graça) para toda a Fraternidade da Ordem e para a Família franciscana. Um verdadeiro e real momento de graça para fomentar a “re-fundação” da própria Ordem, em vista de uma renovação da vitalidade franciscana. É uma ocasião propícia para voltar ao essencial da experiência humana, cristã e vocacional franciscana, reacendendo a chama do carisma; É uma hora providencial “para nutrir, mediante a oferta libertadora do Evangelho, o nosso mundo dividido, desigual e faminto de sentido, como fez no seu tempo, Francisco e Clara de Assis” (Sdp 2), promovendo a reconciliação, a justiça e a paz; Deve ser um “tempo forte” de caminhada e crescimento na vida evangélica e no seguimento de Jesus Cristo (cf. FP 38) em fidelidade criativa (cf. VC 37). 
   As celebrações do VIII Centenário desenvolvem-se em três etapas: 2006, centrada no discernimento; 2007, sobre o projeto de vida; 2008-2009, sobre a celebração do dom da vocação. As diversas iniciativas procuram ajudar os Frades a dar uma resposta criativa e adequada aos desafios da Igreja e do mundo atual. O Capítulo Geral Extraordinário (15 de Setembro a 1 de Outubro de 2006) constitui um momento marcante desta caminhada. Ao nível de toda a Ordem, outras atividades, no âmbito destas celebrações, merecem também referência: o Congresso Internacional sobre Justiça, Paz e Integridade da Criação (2006); o Congresso Internacional para os Moderadores da Formação Permanente (2007); o Congresso Internacional Histórico: “A Ordem dos Frades Menores: ontem e hoje”; e também Congressos continentais sobre a evangelização ad gentes. E ainda: uma nova publicação dos Escritos de São Francisco (Ed. Esser); publicação da Regra nas principais línguas faladas na Ordem; publicação das Constituições da Ordem, do início até hoje (texto latino); publicação do Enchiridion dos Documentos oficiais da Ordem (de 1966 até hoje); e um número extraordinário de Archivum Franciscanum Historicum; Divulgação, através da Net e bibliografia editada, das grandes figuras e feitos que marcaram a história franciscana. 
   Por seu lado, cada país e entidade desenvolverão também as suas iniciativas específicas. Para os Franciscanos portugueses a abertura oficial do Centenário será nos dias 15 e 16 de Janeiro, em Leiria, por ter sido nesta cidade que se estabeleceu uma das primeiras presenças franciscanas, presença essa que se conserva, embora em local diferente, até aos dias de hoje. Também porque no dia 16 se celebram os primeiros Mártires franciscanos (Cinco Mártires de Marrocos), patronos da Província Portuguesa da Ordem Franciscana, que estiveram na gênese da vocação franciscana e missionária de Santo António de Lisboa e foram as sementes fecundas do franciscanismo em Portugal que continuou vivo até aos nossos dias. 

 OS 800 ANOS DO CARISMA FRANCISCANO PARA OS CONVENTUAIS 

 Para a celebração dos 800 anos a família conventual constituiu um itinerário feito de memória para que todos nós reconhecemos em Francisco o nosso pai no carisma e se renove a fidelidade á forma de vida evangélica e a vontade de testemunhar cristo em verdade e sinceridade e a missão de anunciar a todos os homens o evangelho do amor do pai celeste. 


AS QUATRO ETAPAS DA MEMÓRIA PARA O CENTENÁRIO DAS ORIGENS DO CARISMA FRANCISCANO: 

I - “Senhor, que queres que eu te faça?” Tema de 2005-2006 
Da inquietude e da busca existencial á conversão: 

II - “O senhor deu a mim, frei Francisco, começar a fazer penitência” Tema de 2006-2007 
Francisco no seguimento de Cristo: 

III - “O Senhor me deu irmãos” Tema de 2007-2008 
Os inícios da vida em fraternidade e da missão apostólica fundada sobre o evangelho: 

IV - “A regra e a vida dos frades menores é esta: observar o santo evangelho de nosso senhor Jesus cristo” Tema de 2008-2009 
O dom da regra: 

 *De 29 de novembro a 3 de dezembro de 2005 realizou a assembléia das conferências européias para refletirem sobre a renovação da presença e do testemunho franciscano conventual no continente  europeu. Em janeiro de 2006 aconteceu o congresso internacional para o estudo de uma renovação missiologia e missionariedade da ordem dos frades menores conventuais. 
 Algumas iniciativas  para comemoração do ano do carisma franciscano foram propostas, A peregrinação dos frades a Rivotorto, Fazer um congresso ou capitulo local  sobre a situação social ou religiosa em que vivemos e sobre eventuais opções ou iniciativas a serem realizadas como franciscanos. 
 Outra iniciativa é a valorização a lectio divina um ato pessoal e comunitário como lugar em que podemos reencontrar hoje a fonte da nossa renovação de vida. 
 Como conclusão do centenário, na proximidade da festa de  São Francisco, cada circunscrição celebre um capítulo espiritual sintetizando comunitariamente os compromissos de renovação da vida, do testemunho e da missão, próprio de nosso carisma. Os frades de cada jurisdição, nesta ocasião renovem juntos a profissão dos votos.

BIBLIOGRAFIA:

CONTI, Martinho.  Leitura bíblica da regra franciscana. Petrópolis, Vozes:1983. 
CONTI, Martinho, Estudos e pesquisas sobre o Franciscanismo das origens. Petrópolis, Vozes: 2004. 
___________. Com Francisco no seguimento de Cristo, hoje .Roma, Villaggio Gráfica: 2005. 
Disponível em: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=27220&seccaoid=3&tipoid=148. Acesso em: 14/12/2008.

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