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quarta-feira, 8 de maio de 2013

A pobreza que Deus espera de mim

Por Frei Marcelo dos Santos Silva OFMConv
Podemos começar a nossa reflexão, com a seguinte afirmação: “é mais difícil receber do que dar”. Aos Bem-aventurados, Jesus afirma serem herdeiros do Reino dos céus, (Mt 5, 1-12). A primeira Bem-aventurança vai tratar dos “Pobres de Espírito”, como aqueles que são felizes por serem chamados a herdarem o Reino dos Céus.


Mas qual é a Pobreza que Deus espera de mim?
Para responder a essa pergunta, vamos nos reportar a afirmação feita anteriormente; de que é mais difícil receber do que dar, mas em que sentido?
Acabamos de passar pelo tempo do Natal do Senhor, em que Verbo de Deus vem ao nosso encontro, para armar a sua Tenda em nosso meio; e cabe a nós, fazer como João Batista, mostrar o Cordeiro de Deus, e recebe-lo como Ele se apresenta, e não fazer de Jesus uma projeção de minha própria subjetividade, em que Deus passa a ser um “produto manipulável”, servindo só e unicamente para atender pedidos. A fé vira um relacionamento de barganha, e não de encontro.
Receber Jesus Cristo como Ele se apresenta, é olhar para própria vida e ver no cotidiano dela, a face do Amado, que me interpela a uma mudança de mentalidade para assim acontecer o salto qualitativo, saindo da mediocridade existencial; Somos convidados a ir ao encontro de Jesus, e permanecer junto Dele (vindi e vede).
Essa postura de deixar Deus ser Deus, nos levar a subir cada vez mais os degraus da vida em um contínuo amadurecimento da fé, deixando de lado a fé infantilizada. Assim tudo que me rodeia passa a ser visto como expressão do amor de Deus; e a partir desse encontro, sou levado a manifestar esse mesmo amor gratuito, ao meu irmão, e aceita-los como são, e não como eu gostaria que ele fosse.
Mateus chama de “Bem-aventurados” os “Pobres de Espírito”; já João (13, 17), vai afirmar, nos lábios de Jesus, que seremos “Felizes” se externarmos ao próximo essa mesma gratuidade, como expressão de quem tem fé. Assim a vida ganha um verdadeiro um verdadeiro sentido, já que somos chamados a sermos irmãos de todos.
Queridos irmão e irmãs, S. Sebastião soube realmente, ver e ouvir do Senhor o que ele queria, sem jamais se colocando na frente daquilo que Deus lhe pedia tão insistentemente, como a Samuel; que era Testemunhar a sua fé (Martiría), a ponto de dar a sua própria vida, como oferta agradável, fruto do encontro com o amado; mas isso só é possível, porque esse valente cristão soube “Receber” Jesus em seu coração; e quando isso aconteceu de fato, a sua riqueza passou a ser o Senhor, o Kyrios, que o seu coração inquieto ardia de desejo e não se cansava em busca-lo.
Amados, Deus quer que o nosso coração seja pobre, sem amarras, livre e aberto para amar gratuitamente sem esperar retribuições, e somente assim seremos Felizes, seremos Bem-aventurado...
                                         Pax Bonumque. 
                                                                      Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

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