Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição dos Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

terça-feira, 16 de abril de 2013

Ser ou estar


Por Frei Mariano Soares

Para o cristão católico não há outra possibilidade de se portar no mundo após o Batismo sacramental ou o encontro íntimo e verdadeiro com o Senhor: dá o salto vital em direção ao Amado jogando de lado o mando das certezas e seguranças deste mundo ou se deixar levar pelos valores que não conduzem ao Reino de Amor proposto por Jesus (cf. Mc 10, 46-52).
Estando atento ou não, ou simplesmente para cumprir um rito familiar, místico e em muitos casos um rito supersticioso, o Batismo marca/sela um elemento importante e radical na vida do ser humano, somos a partir do renascimento das águas sacramental não só membros de uma determinada profissão doutrinal/religiosa, mas adeptos Aquele que nos levou e chamou até aquele lugar. Quiçá tenha sido um fim de uma experiência do encontro primeiro e verdadeiro com o Senhor da Vida um assumir vocacional de adesão em Seguir Jesus por e para onde ele for “custe o que custar”... Não é a toa que o Batismo é a “mãe dos demais sacramentos” a porta de entrada para a comunhão com o Senhor, com os irmãos e irmãs na comunidade Eclesial que tem como “sustento e remédio” fundamento e expressão desta mesma Igreja, que por vocação é chamada a ser, “comunidade de Amor”: a Eucaristia.
E quando o Batizado, por vocação, deseja radicalizar, como consagrado religioso, o que prometeu na pia batismal, radicaliza também o desejo de imitar e estar cada vez mais perto, mais intimamente ligado com Aquele que o chamou a ser sinal, desta comunhão íntima, na comunidade religiosa, na comunidade Eclesial e no mundo que o rodeia.
Isso imprime caráter, um modo de ser e de se portar no mundo, não existe possibilidade como Batizado e/ou religioso consagrado de estar na Igreja, estar na Ordem/Instituto/Congregação, estar com o Senhor Jesus. É mais, muito mais que isso! Devemos ser religiosos consagrados, devemos ser Igreja, devemos ser “outros Cristos” nos relacionar e se deixar envolver por Ele, nunca por desobriga!
A proposta e a meta que o religioso busca é a santidade e levar outros a alcança-la. E assumir os dons dados pelo Senhor e fazê-los multiplicar a fim de que os dons do Reino sejam visíveis na nossa existência e na nossa forma de ser religioso. Para isso deve se assumir também a identidade vocacional do Caminho (carisma) que se está percorrendo. Um religioso consagrado deve se entregar nos braços do seu Senhor e não nas delícias do mundo, deve buscar o Senhor enquanto se pode encontrar (Is 55, 6) e não somente quanto “tiver um tempinho” ou “nada de mais importante para fazer”.
Estranho é o religioso consagrado deixar de rezar em comum e/ou em particular, de participar do Banquete sagrado e de se colocar a serviço de Deus e dos irmãos por se deleitar dos sabores etílicos, por se prostrar em adoração perpétua aos canais de televisão, por desejar ter individualmente o que em comunidade não poderia alcançar, por usufruir em benefício próprio “investimentos” de anos: financeiro, humano, religioso, acadêmico em prol da comunidade e do povo que acreditou na “sinceridade” daquele vocacionado. Por fim, é estranho o estranhamento para com os irmãos querem ter uma vida reta, justa, realizada, procurada, buscada no caminho do Seguimento do Crucificado, do Amor, do doar-se aos irmãos e não há estranhamentos ao contrário só em conformidade com o mundo e não com a cruz.
Aos que põe a mão no arado e olham para trás o Senhor é bem claro: Não é apto para o Reino! (Lc 9, 62); aos que enterram os dons por negligência com “medo” da cobrança do Senhor: lancem fora o servo inútil! (Mt 25, 30) Aos que buscam estar “antenados” com o mundo de pecado, do poder, e do ter sentencia o “Mestre de Nazaré”: Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de aderir a um e desprezar o outro. (Lc 16, 13)
Porém, aos que desejam, querem e procura de todo coração seguir o Cristo pobre e crucificado, tem o desafio de fazer o Evangelho sua vida, ser aquilo que o Senhor desejou quando o chamou a conhecê-Lo mais de perto. A se colocar a caminho do encontro Daquele que nos faz enxergar mais longe e melhor o que buscamos. A fim de sermos sinais transfigurados neste mundo desfigurado, de sermos “transcriados” pelo “Espírito do Senhor e o seu santo modo de operar” neste mundo caótico. Sermos Filhos do Senhor Deus altíssimo exalando o perfume das “Bem-aventuranças” nas realidades e corações fétidos do medo, do pecado e da morte.
Exortara-nos o Senhor nos textos Lucanos: A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido. (12, 48) e ainda, aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes. (16, 10)
E aos que se escondem na fraqueza do pecado, nos consola São Paulo com as palavras do Senhor: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. (2 Cor 12, 9) E se desejas a glória do mundo, do sucesso e dos aplausos o “Apóstolo das Gentes” nos alerta: : “Quanto a mim só quero me gloriar da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo!" (Gl 6,14) e aos têm olhos, mas não veem e têm ouvidos, mas não ouvem (Jr 5, 21; Mc 8, 18) por se deixarem guiar pela mediocridade e pelo comodismo, Jesus adverte: “Quem não toma a sua cruz e não me segue não é digno de mim” (Mt 10,18).

Nenhum comentário:

Os Mais Vistos