Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição dos Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

domingo, 28 de abril de 2013

Papa Francisco e o Ano da Fé

Com um convite a ter a coragem de «ir contra a corrente» e a apostar «em grandes ideais», o Papa Francisco dirigiu-se aos 44 fiéis crismados durante a missa presidida na manhã de domingo 28 de Abril, na praça de São Pedro. Participando no primeiro grande evento do Ano da fé, o Papa Bergoglio propôs aos presentes «três pensamentos simples e breves sobre os quais meditar».

Em primeiro lugar, inspirou-se na segunda leitura. E ressaltou «a novidade de Deus», a qual «não se assemelha às novidades mundanas, que são todas provisórias. A novidade que Deus oferece à nossa vida — explicou — é definitiva, e não só no futuro, quando estaremos com Ele, mas também hoje: Deus renova tudo, o Espírito Santo transforma-nos verdadeiramente e quer mudar, inclusive através de nós, o mundo em que vivemos». Daqui deriva a exortação a abrir «a porta ao Espírito», deixando «que a obra contínua de Deus nos transforme em homens e mulheres novos. Como seria bonito, comentou, se à tarde cada um pudesse dizer: hoje na escola, em casa, no trabalho, guiado por Deus, cumpri um gesto de amor».
Para o segundo pensamento, o Papa Francisco retomou a primeira leitura, tirada dos Actos dos Apóstolos (14, 22). A vereda da Igreja, bem como «o nosso caminho cristão pessoal, nem sempre são fáceis. Seguir o Senhor, deixar que o seu Espírito transforme as nossas áreas de sombra, os nossos comportamentos em desarmonia com Deus e os nossos pecados, é um caminho que encontra muitos obstáculos fora de nós, no mundo e também dentro de nós mesmos, no coração», recordou. No entanto — acrescentou imediatamente — «as dificuldades, as tribulações fazem parte da senda para alcançar a glória de Deus». Por isso, não devemos «desanimar. Temos a força do Espírito para vencer estas tribulações».

Enfim, o terceiro pensamento foi dirigido sobretudo aos jovens crismandos. «Permanecei firmes no caminho da fé — disse-lhes o Santo Padre — com a esperança certa no Senhor. Eis o segredo do nosso caminho!», pois «ir contra a corrente faz bem para o coração», e «não existem dificuldades, tribulações e incompreensões que nos possam amedrontar. Também e sobretudo se nos sentimos pobres, frágeis e pecadores, porque Deus dá força à nossa debilidade, riqueza à nossa pobreza, conversão e perdão ao nosso pecado». Com efeito, nós cristãos «não somos escolhidos pelo Senhor para coisas pequenas», concluiu, exortando a ir «sempre além, rumo às coisas grandes».

No final, o Pontífice presidiu à prece mariana do Regina Caeli, dirigindo um pensamento às vítimas do desabamento de uma fábrica no Bangladesh e lançando um «apelo a fim de que seja sempre tutelada a dignidade e a segurança do trabalhador».

terça-feira, 23 de abril de 2013

Papa celebra seu onomástico

O Papa Francisco celebrou missa na Capela Paulina com todos os cardeais presentes em Roma, por ocasião do seu onomástico, São Jorge.

Estavam também na Capela o Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, e o Cardeal-decano, Angelo Sodano, que leu um discurso de parabéns ao Bispo de Roma em nome de todos. Em resposta, Francisco agradeceu por se sentir bem acolhido: “Obrigado, me sinto bem com vocês e gosto disso” – disse.
Recordando a data, o Cardeal Sodano invocou para o Papa e os cardeais “o dom da força cristã, o mesmo que teve São Jorge quando deixou o uniforme militar para vestir o uniforme da fé”.


Na homilia, Francisco lembrou que a identidade cristã não é uma carteira de identidade, mas pertence à Igreja. “É uma dicotomia absurda querer amar Jesus sem a Igreja: identidade significa pertença”. Improvisando, o Papa prosseguiu afirmando que “se não formos cordeiros de Jesus, nossa fé não terá substância”.
Em seguida, invocou o “fervor apostólico”, recordando que é sempre necessário pensar na missionariedade da Igreja, na mãe Igreja que cresce com novos filhos. A este respeito, disse que o a vida cristã e a vida da Igreja caminham sempre das “perseguições do mundo às consolações do Senhor”.

“Se quisermos proceder no caminho da mundanidade, negociando com o mundo como os Macabeus queriam fazer, jamais teremos a consolação do Senhor. Claro, se quisermos apenas a consolação, será superficial, e não a do Senhor”.

Ao descobrir a sua dimensão missionária, a primeira comunidade cristã conheceu a perseguição, mas também a alegria. “A Igreja, assim, é mais Mãe; Mãe de muitos filhos. Torna-se cada vez Mãe, Mãe que nos dá a fé, Mãe que nos dá a identidade”.
Ainda esta manhã, Papa Francisco publicou um novo tuíte dedicado à Mãe de Jesus: “Maria é a mulher do «Sim». Maria, fazei-nos conhecer cada vez melhor a voz de Jesus e ajudai-nos a segui-la!”. 

A conta do Pontífice no Tweeter, em português, é https://twitter.com/Pontifex_pt.

Franciscanos de Assis parabenizam o Papa Francisco


Por ocasião deste aniversário, os frades da Basílica de São Francisco de Assis e de toda a Igreja exprime a sua afeição pelo Papa, Jorge Mario Bergoglio. Muitas felicitações estão vindo para o Papa neste momento de todo o mundo.


São Jorge é venerado como um mártir de Cristo, segundo a tradição, viveu no terceiro século. A figura de São Jorge está envolta de mistério. Há pouca informação que recebemos sobre a sua vida, no entanto, muitas são as lendárias histórias atribuídas a ele. O que é certo é que o culto de São Jorge é muito popular tanto no Oriente como no Ocidente, desde o século IV. Só para dar alguns exemplos: 21 municípios italianos levam o seu nome, é o santo padroeiro da Inglaterra e vários reis escolheram ser chamados como ele. A pouca informação que temos estão no "Passio Georgii" que o "Decretum Gelasianum" entre as várias obras apócrifas.
É claro que São Jorge nasceu na Capadócia e foi trazido pelos pais para a fé cristã. Como adulto, torna-se tribuno do exército do imperador da Pérsia Daciano, mas de acordo com alguns comentários que seria do exército de Diocleciano em 303 e este começou a perseguir os cristãos.
Foi então que Jorge distribuiu os seus bens aos pobres, e de ter rasgado o edital, ele confessa a sua fé, é submetido a torturas e jogado na prisão onde o Senhor teria previsto a sua morte três vezes, e três vezes a sua ressurreição. Assim, os hagiógrafos contar uma série de episódios surpreendentes. A lenda do dragão aparece na Idade Média, quando se processa a sua identidade como um cavaleiro heroico.
Diz-se que na cidade de Silene, na Líbia, os moradores para satisfazer um dragão que vivia em uma lagoa, ofereciam a cada dia um, primeiro duas ovelhas e em seguida uma ovelha e um jovem por sorteio. Um dia, a filha do rei foi sorteada. Passando Jorge neste momento, interveio para salvá-la e atravessou o dragão com sua lança. Então o rei e as pessoas foram convertidos à fé cristã.
A história influenciou profundamente as artes em volta deste episódio, simbolizando, entre outras coisas, a luta contra o mal. Em obras literárias posteriores, como "De situ Terrae Sanctae", de Theodore Perigeta de cerca de 530, afirma-se que em Lida, na Palestina hoje em Lod Tel Aviv, em Israel, houve uma Basílica Constantiniana construída sobre o túmulo de São Jorge e seus companheiros. Embora, portanto, os estudiosos ainda tentam determinar quem era realmente São Jorge, mas sua história, inspirada profundamente pela arte e sua figura foi e ainda é muito querido por todo o mundo cristão.

Fontes: http://www.sanfrancescopatronoditalia.it/23357_San_Giorgio__onomastico_del_Papa__auguri_anche_dai
_frati_della_Basilica_di_San_Francesco_d_Assisi.php#.UXZ5Vj7Mglk e  http://pt.radiovaticana.va/news/2013/04/23/francisco:_a_igreja_é_mãe_de_todos,_cada_vez_mais/bra-685557


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Papa Francisco: Beatificação e convite

Beatificação de Dom Romero avançará

O arcebispo italiano Vincenzo Paglia, Presidente do Pontifício Conselho para a Família, anunciou à imprensa no último domingo, 21, que o processo de beatificação do arcebispo de São Salvador, Oscar Arnulfo Romero, será ‘desbloqueado’.
Conhecido como “a voz dos sem voz” na América Latina, Dom Romero foi assassinado por um comando da extrema-direita enquanto celebrava missa na capela de um hospital de doentes de câncer ,de São Salvador, em 24 de março de 1980. A causa para beatificá-lo chegou Roma em 1997 e ficou estancada vários anos. Agora, segundo seu postulador, poderá avançar de novo, por determinação do Papa Francisco. O processo encontra-se atualmente nas mãos da Congregação para as Causas dos Santos.

Sem se envolver nas lutas mais radicais e sem recorrer às armas, o arcebispo salvadorenho correu grandes riscos. Denunciou que agricultores salvadorenhos, autorizados a tomar posse de terras pela lei da reforma agrária, eram executados; colocou a rádio da diocese à sua disposição e acusou os militares, paramilitares e esquadrões da morte pelos massacres.

Foi trucidado por denunciar a injustiça social e a repressão militar, tornando-se o mártir da América Latina e símbolo da defesa dos mais pobres e oprimidos.

Ao receber a notícia, segunda-feira, 22, a Igreja salvadorenha expressou sua alegria e confiança. O bispo auxiliar de São Salvador, Dom Gregorio Rosa Chávez, adiantou à EFE que “Dom Romero foi como o Bom Pastor, que deu a vida por suas ovelhas, e o fato que a notícia foi divulgada neste domingo é um detalhe que diz muito”.

Também o Presidente salvadorenho, Mauricio Funes, quer agradecer o Papa e anunciou que virá ao Vaticano em fins de maio para uma eventual audiência com Francisco, na qual lhe informará sobre o trabalho de seu governo em prol da pacificação do país.
(CM)

Papa é convidado a visitar Assis


Na manhã desta segunda-feira, durante o encontro com os bispos italianos da região da Úmbria, o bispo de Assis convidou o Papa a visitar a cidade italiana, ligada a São Francisco, que o inspirou na escolha do nome para o pontificado.

Dom Domenico Sorrentino disse à Rádio Vaticano que Francisco se mostrou “muito interessado” no convite, feito por todos os bispos da Úmbria, região do centro da Itália. “Juntamente com os irmãos da Úmbria, nós o convidamos para visitar Assis”, disse o prelado, após a audiência conjunta concedida aos bispos de Perúgia, Assis, Città di Castello, Foligno, Gúbbio, Spoleto, Orvieto e Terni.

O Papa Francisco já se referiu ao Santo de Assis por diversas vezes, destacando a sua atenção aos pobres e à natureza. (SP)




sexta-feira, 19 de abril de 2013

JMJ 2013 e Quibombolas na Assembléia Episcopal


Quilombolas e JMJ recebem destaque em coletiva na Assembleia dos Bispos

A Jornada Mundial da Juventude e os povos quilombolas foram pauta para os jornalistas que participaram da coletiva de imprensa desta quarta-feira, 17 de abril, durante a 51ª Assembleia Geral da CNBB.
Atenderam a imprensa Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro (RJ); Dom Eduardo Pinheiro, bispo auxiliar de Campo Grande (MS) e Dom Pedro Cunha Cruz, bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ).
O Porta voz da Assembleia, Dom Dimas Lara Barbosa destacou que entre as atividades de hoje na Assembleia foram discutidos assuntos relacionados aos povos indígenas, Sínodo dos Bispos, Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e a possibilidade de uma coleta especial para ajudar nos custos da JMJ.
Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) apresentou aos jornalistas as últimas informações de organização da Jornada Mundial da Juventude.
“O Rio de Janeiro já tem vocação em sediar grandes eventos e a JMJ é um serviço prestado a sociedade e a juventude do mundo”, afirmou.
O Arcebispo ressaltou também que está será a primeira visita internacional do Papa Francisco para falar com os jovens, 26 anos após a primeira JMJ da América Latina, que aconteceu na Argentina.
“O Rio de Janeiro tem características próprias e estamos trabalhando em conjuntos com o Estado no que se diz respeito a transporte e segurança. Ressalto também que as inscrições ainda estão abertas e continuamos a animar as pessoas para acolher a juventude em suas casas”.
Dom Orani citou ainda que a JMJ terá eventos culturais como exposições, apresentações, cinema entre outros.
“A JMJ é feita para os jovens e pelos jovens e desta forma a Igreja está olhando e investindo em pessoas para o futuro da humanidade, este é o grande diferencial da jornada”.
Ainda sobre a JMJ, dom Eduardo Pinheiro, bispo auxiliar de Capo Grande (MS) e referencial a juventude, falou sobre a dedicação da Igreja a juventude.
“A Igreja no Brasil tem um carinho muito grande com a juventude e neste ano, em especial, foi ainda mais valorizada com a Campanha da Fraternidade”, afirmou.
Para dom Eduardo a Campanha da Fraternidade visa atingir as estruturas da Igreja e o mundo adulto, que precisa valorizar os jovens.
O bispo citou ainda a peregrinação dos ícones da JMJ que percorrem todo o Brasil, sendo um momento muito importante e particular de reunir os jovens nas dioceses.
Situação dos povos quilombolas
Dom Pedro Cunha Cruz, bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) abordou as questões referentes ao povo quilombola e o Documento Verde.
“Nosso objetivo é tornar publico as violações dos direitos humanos sofridas por estes grupos ao longo dos anos”, afirmou.
O bispo manifestou preocupação com Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 215 foi aprovada em março do ano passado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e significou um retrocesso às garantias e direitos constitucionais dos povos indígenas.
“A Igreja se coloca solidaria no que se diz respeito a dignidade cultural destes povos e a especulação feita pelos grandes grupos financeiros”, finalizou.
“A questão da moradia é universal e inviolável”, diz dom Pedro Cunha sobre os povos quilombolas 
Foi aprovado pelo plenário da 51ª Assembleia Geral da CNBB o texto de estudos sobre os povos quilombolas. Esse material, que será publicado na série verde de estudos da CNBB afirma a compreensão de que evangelizar significa também apoiar as reivindicações por políticas de enfrentamento ao racismo e à discriminação. De acordo com Dom Pedro Cunha Cruz, bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ), este tema trata da própria historicidade da Igreja no Brasil e das comunidades quilombolas.
“O objetivo do documento é tornar pública as violações dos direitos sofridas por essas comunidades, que ainda hoje lutam pela titulação de suas terras”, explica dom Pedro. De acordo com ele, o desejo dos bispos é dar força à voz da comunidades quilombolas, especialmente no reconhecimento de sua identidade cultural e étnica, na demarcação de suas terras e preservação de sua cultura. “A luta e a resistência não é pequena diante das constantes violações e invasões que elas sofrem em suas terras. Muitas vezes, o Incra e outras instancias estaduais não cumprem o seu papel”, afirmou.
Sintetizando o propósito do texto de estudos, o desejo dos bispos é “sensibilizar as autoridades e a sociedade sobre essa questão, e de poder também lutar juntamente com eles pela titulação e homologação da terra”. Dom Pedro lembrou também que muitas dessas comunidades quilombolas vivem apenas de roça de subsistência.
O bispo também destacou a importância da presença da Igreja junto a estas comunidades. “O Papa emérito Bento XVI, ao se despedir de maneira pública de seu ministério, disse que a Igreja é um organismo vivo. Portanto, sua palavra e ação ecoam por todos os cantos. A Igreja coloca a mão onde ninguém quer tocar. Ela vai às periferias. Nós consideramos que a questão da terra e da moradia são direitos universais e invioláveis. Não podemos fazer com que essas comunidades sejam também destinatários de nossa missão evangelizadora? Portanto, consideramos os valores desta e de qualquer cultura. Não são grupos folclóricos. São pessoas que tem seus valores, e que devem ser preservados. E nós evangelizamos a partir desses valores positivos”.
Bispos lembram a luta e causa dos afrodescendentes 
O compromisso com a promoção e a dignidade dos afrodescendentes foram colocados sob o Altar na Santa Missa desta quarta-feira, 17 de abril, durante a 51ª Assembleia Geral da CNBB, no Santuário Nacional.
A Celebração Eucarística foi presidida pelo bispo de São Mateus (ES), Dom Zanoni Demettino de Castro.
No início da missa, o bispo da Diocese de Guarapuava (PR), Dom Antônio Wagner da Silva leu uma mensagem fazendo memória aos 125 anos da Leia Áurea, do fim de uma luta e inicio de outra em busca dos direitos da negritude.
De acordo com Dom Antônio Wagner, atualmente existe mais de 30 bispos afrodescendentes entre o episcopado brasileiro.
Em sua homilia, dom Zanoni Demettino destacou as batalhas do povo negro na história, o sofrimento durante o período da escravidão e as suas lutas atuais.
“No primeiro momento do dia, nos reunidos no Santuário da mãe negra, Nossa Senhora Aparecida, oferecendo no altar do Pai as alegrias e dores do povo negro. Somos descendentes daquele povo que foi arrancado de suas terras, um povo que constitui as nossas raízes e ao Senhor confiamos o seu cuidado”, afirmou.
Dom Zanoni ainda ressaltou que embora vivamos em um tempo novo ainda precisamos lutar pela causa dos afrodescendentes e pela Pastoral Afro-Brasileira.
O bispo de São Mateus destacou as palavras de Jesus no Evangelho de hoje em que diz ‘Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede. Eu, porém, vos disse que vós me vistes, mas não acreditais. Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei’.
“Jesus é o pão da vida, aquele que desceu do céu para fazer a vontade do Pai. Que não se percam nenhum daqueles que lhe foram confiados”.
Dom Zanoni afirmou também que em sua diocese, São Mateus no Espírito Santo, existem 32 comunidades quilombolas.
O bispo lembrou entre tantas lutas, a Batalha do Cricaré, um dos mais sangrentos massacres promovido pelos portugueses contra índios Tapuias. Aconteceu no Rio São Mateus, também conhecido como Cricaré, atualmente município de São Mateus, onde é bispo diocesano.
“Esse infeliz episódio é narrado pelo beato José de Anchieta, que fundou a cidade de São Mateus”, destacou.
“Agradeço a Deus, colocando no seu Altar a vida tantos irmãos e irmãs afrodescendentes que testemunharam em sua vida a fé que receberam. As consequências dos 300 anos de escravidão ainda não foram reparados. Ainda nos nosso dias convivemos com a discriminação no trabalho, na escola, nas relações cotidianas”, acrescentou.
“Peçamos a Deus, com a intercessão da soberana Mãe de Deus, a Senhora Aparecida, pelo compromisso com o povo negro”, concluiu.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

A força da Ternura


Passou um mês desde a eleição para a Cátedra de Pedro do Cardeal Jorge Mário Bergoglio. Desde os primeiros momentos do seu pontificado, o Papa Francisco conquistou fiéis e não-fiéis com a sua simplicidade, a sua ternura, a sua espontaneidade. Algumas das suas palavras, bem como alguns dos seus gestos, já fazem parte da memória coletiva.
Abaixo, a crônica Alessandro Gisotti (intitulada “A força da ternura”), publicada no site Rádio Vaticano.
Um mês apenas com o Papa Francisco e, no entanto, parece que esteve sempre conosco. Aquele “boa noite” dirigido aos fiéis poucos minutos depois da eleição e que tanto tinha espantado pela sua surpreendente simplicidade tem agora o sabor da familiaridade para todos, e não apenas para os fiéis de Buenos Aires, que ao longo dos anos aprenderam a conhecer e a amar o estilo simples, humilde – numa palavra, evangélico – do seu pastor. Bispo e povo, precisamente. Um binômio que Francisco quis imediatamente sublinhar ao aparecer na Varanda central da Basílica do Vaticano, na noite de 13 de Março. Povo ao qual o novo bispo de Roma, de forma inédita, pediu para rezar, inclinando-se para receber também ele, antes de mais, a bênção de Deus invocada pelos fiéis.

“E agora, gostaria de dar a bênção, mas antes… antes peço-vos um favor: antes de o bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que Ele me abençoe: a oração do povo que pede a bênção para o seu bispo. Façamos em silêncio esta oração de vós sobre mim”. (13 de Março 2013)
No dia após a eleição, como tinha anunciado aos fiéis, o Papa Francisco foi logo de manhã à Basílica de Santa Maria Maior, para prestar homenagem à Virgem. O novo Bispo de Roma levou flores à Virgem Maria. Um gesto que evoca firmemente a dimensão mariana de Jorge Mário Bergoglio. Nesse mesmo dia, de tarde, a primeira missa celebrada como Papa, na Capela Sistina, juntamente com aqueles que ele chama “irmãos cardeais”. Papa Francisco centra a homilia sobre três palavras, três verbos: caminhar, edificar, confessar. No centro destas ações que caracterizam a vida de discípulos de Cristo, é a sua advertência, há de estar sempre a Cruz:
“Quando caminhamos sem a Cruz, quando edificamos sem a Cruz e quando confessamos um Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papas, mas não discípulos do Senhor”. (Missa Pro Ecclesia, 14 de Março)

De novo, aos cardeais, recebidos em audiência no dia seguinte, 15 de Março, o Papa exorta com força a não ceder “ao pessimismo”, à amargura que o “diabo nos oferece todos os dias”. Não devemos ceder ao pessimismo, observa ele, porque “o Espírito Santo dá à Igreja, com o seu sopro poderoso, a coragem de perseverar e de procurar também novos métodos de evangelização”. Nos próximos dias de pontificado, parece a todos natural pensar que o nome escolhido pelo Papa está ligado a São Francisco de Assis. Um pensamento que ele mesmo confirma no encontro com os jornalistas de todo o mundo na Sala Paulo VI. O Santo Padre confia algumas emoções vividas no Conclave e em particular recorda o convite do Cardeal brasileiro Cardeal Hummes a não esquecer os pobres: “Não te esqueças dos pobres!’. E aquela palavra entrou aqui: os pobres, os pobres. Depois, imediatamente em relação aos pobres, pensei em Francisco de Assis.. E’ o homem que nos dá este espírito de paz, o homem pobre … Ah, como gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres”. (Audiência aos Jornalistas, 16 de Março)
O primeiro domingo como Papa é vivido por Francisco como um “dia normal”. E’ um sacerdote, um bispo e, portanto, celebra Missa na paróquia de Sant’Ana, no Vaticano. À saída, entre alegria e espanto, saúda um a um os participantes da assembleia e mesmo os muitos fiéis concentrados fora da porta. É o primeiro banho de multidão para o papa Francisco, um pastor que não quer subtrair-se ao abraço dos seus fiéis. E que entra na lógica da Misericórdia, no DNA de Jorge Mário Bergoglio, como se pode perceber também pelo seu lema episcopal, Miserando atque elegendo.. Não é de estranhar, portanto, que no primeiro Angelus perante uma Praça de São Pedro superlotada, ele fale exatamente do amor de Deus que nunca se cansa de perdoar: “Ele, nunca se cansa de perdoar, mas nós, por vezes, cansamo-nos de pedir perdão. Nunca nos cansemos, nunca nos cansemos! Ele é o Pai amoroso que perdoa sempre, que tem um coração de misericórdia para todos nós. E também nós aprendamos a ser misericordiosos para com todos”. (Angelus, 17 de março)
Passam dois dias e a Praça de São Pedro enche-se novamente, desta vez, não apenas de simples fiéis mas também de chefes de Estado e líderes religiosos, entre os quais o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I. É 19 de março, festa de São José, Padroeiro da Igreja universal, e o Papa Francisco celebra missa para o início do seu ministério petrino. O Papa percorre várias vezes a Praça a bordo de um jeep descoberto, parando aqui e além para saudar os fiéis, para beijar as crianças. Vai ao encontro dos doentes, dos que sofrem, das pessoas com deficiência: abençoa, abraça. O abraço amoroso de um pai aos filhos que mais necessitam. A escutar o 266° (ducentésimo sexagésimo sexto) Pontífice estão, portanto, os poderosos da Terra, mas Francisco quis perto de si também os últimos, como um representante dos “cartoneros” de Buenos Aires. Da homilia, centrada no tema do “guardar”, o próximo e a criação, permanecerá na memória a passagem do poder como serviço: “Nunca nos esqueçamos que o verdadeiro poder é o serviço e que também o Papa para exercer o poder deve entrar cada vez mais naquele serviço que tem seu vértice luminoso na Cruz”. (Missa para o Início do pontificado, 19 de Março)
E um dos serviços que o Papa pode fazer à humanidade é ser construtor de pontes, pontífice precisamente, e promotor da paz. São Francisco é o homem do diálogo e o Papa que foi o primeiro a adotar este nome, quer situar-se na esteira do Pobrezinho de Assis, como dirá aos embaixadores de todo o mundo, na audiência ao Corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé : “Desejo mesmo que o diálogo entre nós ajude a construir pontes entre todos os homens, para que cada um possa encontrar no outro não um inimigo, não um concorrente, mas um irmão a acolher e a abraçar”. (Audiência ao Corpo Diplomático, 22 de Março)
No dia seguinte, um evento que entra nos livros de história: Francisco desloca-se a Castelgandolfo para se encontrar com Bento XVI. Pela primeira vez um Papa abraça um Papa emérito. E’ o abraço entre dois “irmãos”, como Francisco sublinha num momento de grande emoção. Significativamente, este evento único ocorre na véspera da primeira Semana Santa celebrada pelo novo bispo de Roma. No dia 24 de Março, Domingo de Ramos, um sol tépido ilumina os mais de 200 mil fiéis reunidos na Praça de São Pedro para a Missa. Muitíssimos os jovens presentes. Também a eles, o Santo Padre dirige palavras de encorajamento: “E por favor, não deixeis que vos roubem a esperança! Não deixeis que roubem a esperança! Aquela que nos dá Jesus”. (Domingo de Ramos, 24 de Março)
Na Quinta-feira Santa o Papa reitere pessoalmente esta exortação aos jovens internados da prisão romana de Casal del Marmo. O Papa Francisco lava os pés a 12 deles, incluindo duas jovens. A estes jovens, leva “a carícia de Jesus,” a misericórdia de Deus que nunca se cansa de perdoar. Antes desta Missa in Coena Domini, celebrada na Prisão de Menores, de manhã o bispo de Roma tinha celebrado a Missa Crismal com os sacerdotes da sua diocese. Na homilia, o convite aos sacerdotes (romanos, e não só), para saírem de si próprios e irem para as periferias, físicas e existenciais, onde o povo mais sofre. Um pastor, adverte, não pode não conhecer as suas ovelhas: “Isto eu vos peço: sede pastores com o odor das ovelhas, pastores no meio do próprio rebanho, e pescadores de homens”. (Missa Crismal, 28 de Março)
E um pastor, na verdade qualquer cristão – recorda o Papa na sua primeira Via Sacra no Coliseu – deve saber que a “Cruz de Jesus é a Palavra com a qual Deus respondeu ao mal do mundo”. Eis donde nasce a esperança do cristão, proclama com força no Domingo de Páscoa: do amor de Jesus que venceu a morte. Passaram menos de três semanas depois da eleição e o Papa Francisco volta a aparecer na Varanda central da Basílica Vaticana. “Cristo ressuscitou”, anuncia com face cheia de alegria. E na mensagem pascal, incentiva a todos, “em Roma e no mundo”, a deixarem-se transformar por Jesus: “Deixemo-nos renovar pela misericórdia de Deus, deixemo-nos amar por Jesus, deixemos que o poder do seu amor transforme também a nossa vida; e tornemo-nos instrumentos desta misericórdia, canais através dos quais Deus pode irrigar a terra, guardar a criação e fazer florescer a justiça e a paz”. (Bênção Urbi et orbi, 31 de março)
Antes da Bênção Urbi et Orbi, o Papa Francisco tinha dado diversas voltas à Praça de São Pedro a bordo do jeep para saudar a maior número possível de fiéis. Muitas as crianças que o Santo Padre beija e abençoa, como vai acontecer em cada uma das audiências gerais. Comovente o abraço prolongado que reserva a um jovem deficiente. Imagem que é já um símbolo do pontificado. 
Entre os gestos que chocam, nestas primeiras semanas, está também a decisão do Papa de ficar a residir na Casa Santa Marta. Todas as manhãs, o Santo Padre celebra Missa na Capela. As homilias são sintetizadas pela nossa emissora, e assim os fiéis de todo o mundo podem ter o comentário do Papa ao Evangelho do dia. Ecumenismo, empenho pelos pobres, impulso para a nova evangelização: estão entre os temas que o novo Papa coloca no centro do seu ministério, já no primeiro mês. Entre estes, destaca-se também a importância que o Papa atribui aos leigos e em particular às mulheres. Na audiência geral de 3 de Abril, entre os aplausos da Praça, o Papa Francisco elogia o gênio feminino ao serviço do Evangelho: “E isto é belo, e isto é um pouco a missão das mulheres, das mães, das avós. Dar testemunho aos filhos, aos netos, que Jesus está vivo, é o Vivente, ressuscitou. Mães e mulheres, para frente com o testemunho!” (Audiência Geral, 3 de Abril)
“Para frente com este testemunho”. Uma exortação que, com palavras diferentes mas com o mesmo espírito, o Papa Francisco repete no Domingo dia 7 de Abril, quando no Regina Caeli na Praça de São Pedro, recorda o Beato Wojtyla na exortação aos fiéis a não terem medo de proclamar Jesus e levá-lo até mesmo às praças entre as pessoas. E uma Praça o espera ansiosa logo nesse dia à tarde. E’ a Praça São João de Latrão, repleta de fiéis para a tomada de posse da Basílica de Latrão, Cátedra de Bispo de Roma. Bispo e povo: o binômio com o qual se se tinha apresentado ao mundo na noite de 13 de março, soa novamente com grande força na saudação que Papa Francisco dirige aos romanos: “E vamos para a frente todos juntos, o povo e o bispo, todos juntos, sempre para frente com a alegria da Ressurreição de Jesus: Ele está sempre ao nosso lado”. (Missa em São João de Latrão, domingo 7 de Abril).

terça-feira, 16 de abril de 2013

Ser ou estar


Por Frei Mariano Soares

Para o cristão católico não há outra possibilidade de se portar no mundo após o Batismo sacramental ou o encontro íntimo e verdadeiro com o Senhor: dá o salto vital em direção ao Amado jogando de lado o mando das certezas e seguranças deste mundo ou se deixar levar pelos valores que não conduzem ao Reino de Amor proposto por Jesus (cf. Mc 10, 46-52).
Estando atento ou não, ou simplesmente para cumprir um rito familiar, místico e em muitos casos um rito supersticioso, o Batismo marca/sela um elemento importante e radical na vida do ser humano, somos a partir do renascimento das águas sacramental não só membros de uma determinada profissão doutrinal/religiosa, mas adeptos Aquele que nos levou e chamou até aquele lugar. Quiçá tenha sido um fim de uma experiência do encontro primeiro e verdadeiro com o Senhor da Vida um assumir vocacional de adesão em Seguir Jesus por e para onde ele for “custe o que custar”... Não é a toa que o Batismo é a “mãe dos demais sacramentos” a porta de entrada para a comunhão com o Senhor, com os irmãos e irmãs na comunidade Eclesial que tem como “sustento e remédio” fundamento e expressão desta mesma Igreja, que por vocação é chamada a ser, “comunidade de Amor”: a Eucaristia.
E quando o Batizado, por vocação, deseja radicalizar, como consagrado religioso, o que prometeu na pia batismal, radicaliza também o desejo de imitar e estar cada vez mais perto, mais intimamente ligado com Aquele que o chamou a ser sinal, desta comunhão íntima, na comunidade religiosa, na comunidade Eclesial e no mundo que o rodeia.
Isso imprime caráter, um modo de ser e de se portar no mundo, não existe possibilidade como Batizado e/ou religioso consagrado de estar na Igreja, estar na Ordem/Instituto/Congregação, estar com o Senhor Jesus. É mais, muito mais que isso! Devemos ser religiosos consagrados, devemos ser Igreja, devemos ser “outros Cristos” nos relacionar e se deixar envolver por Ele, nunca por desobriga!
A proposta e a meta que o religioso busca é a santidade e levar outros a alcança-la. E assumir os dons dados pelo Senhor e fazê-los multiplicar a fim de que os dons do Reino sejam visíveis na nossa existência e na nossa forma de ser religioso. Para isso deve se assumir também a identidade vocacional do Caminho (carisma) que se está percorrendo. Um religioso consagrado deve se entregar nos braços do seu Senhor e não nas delícias do mundo, deve buscar o Senhor enquanto se pode encontrar (Is 55, 6) e não somente quanto “tiver um tempinho” ou “nada de mais importante para fazer”.
Estranho é o religioso consagrado deixar de rezar em comum e/ou em particular, de participar do Banquete sagrado e de se colocar a serviço de Deus e dos irmãos por se deleitar dos sabores etílicos, por se prostrar em adoração perpétua aos canais de televisão, por desejar ter individualmente o que em comunidade não poderia alcançar, por usufruir em benefício próprio “investimentos” de anos: financeiro, humano, religioso, acadêmico em prol da comunidade e do povo que acreditou na “sinceridade” daquele vocacionado. Por fim, é estranho o estranhamento para com os irmãos querem ter uma vida reta, justa, realizada, procurada, buscada no caminho do Seguimento do Crucificado, do Amor, do doar-se aos irmãos e não há estranhamentos ao contrário só em conformidade com o mundo e não com a cruz.
Aos que põe a mão no arado e olham para trás o Senhor é bem claro: Não é apto para o Reino! (Lc 9, 62); aos que enterram os dons por negligência com “medo” da cobrança do Senhor: lancem fora o servo inútil! (Mt 25, 30) Aos que buscam estar “antenados” com o mundo de pecado, do poder, e do ter sentencia o “Mestre de Nazaré”: Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de aderir a um e desprezar o outro. (Lc 16, 13)
Porém, aos que desejam, querem e procura de todo coração seguir o Cristo pobre e crucificado, tem o desafio de fazer o Evangelho sua vida, ser aquilo que o Senhor desejou quando o chamou a conhecê-Lo mais de perto. A se colocar a caminho do encontro Daquele que nos faz enxergar mais longe e melhor o que buscamos. A fim de sermos sinais transfigurados neste mundo desfigurado, de sermos “transcriados” pelo “Espírito do Senhor e o seu santo modo de operar” neste mundo caótico. Sermos Filhos do Senhor Deus altíssimo exalando o perfume das “Bem-aventuranças” nas realidades e corações fétidos do medo, do pecado e da morte.
Exortara-nos o Senhor nos textos Lucanos: A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido. (12, 48) e ainda, aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes. (16, 10)
E aos que se escondem na fraqueza do pecado, nos consola São Paulo com as palavras do Senhor: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. (2 Cor 12, 9) E se desejas a glória do mundo, do sucesso e dos aplausos o “Apóstolo das Gentes” nos alerta: : “Quanto a mim só quero me gloriar da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo!" (Gl 6,14) e aos têm olhos, mas não veem e têm ouvidos, mas não ouvem (Jr 5, 21; Mc 8, 18) por se deixarem guiar pela mediocridade e pelo comodismo, Jesus adverte: “Quem não toma a sua cruz e não me segue não é digno de mim” (Mt 10,18).

domingo, 14 de abril de 2013

Se aproxima a JMJ Rio 2013

Daqui a 100 dias...
Por: Dom Orani João Tempesta

Quando por volta do meio dia do domingo, dia 21 de agosto de 2010, em Madri, na Espanha, o então Papa Bento XVI, em espanhol, anunciou ao mundo que o Rio de Janeiro, no Brasil, seria a sede da próxima Jornada Mundial da Juventude em julho de 2013, um antigo sonho da juventude brasileira começava a se tornar realidade.


Esse evento, criado pelo Beato Papa João Paulo II, tinha até então ocorrido na maioria das vezes no hemisfério norte do planeta. Apesar de muitos jovens latino-americanos terem participado de todas as edições da JMJ, sempre eram poucos, no entanto, com relação à grande massa de jovens europeus que acabaram tendo uma tradição “de jornadas” que marca a vida e a organização da pastoral juvenil de muitos países. O pedido feito e aprovado pelos Bispos em Assembleia de Itaici tornou-se público ao Santo Padre no encontro com a juventude no Pacaembu em 2007. Agora torna-se realidade.

O olhar do mundo jovem se volta pela segunda vez para a América Latina. Depois de 26 anos que ocorreu a primeira e única jornada em nossa região, agora com um Papa Latino Americano, ela retorna para ser realizada em nosso país. Será a primeira em língua portuguesa.

Como já tinha acontecido em 2005 com a jornada em Colônia, na Alemanha, que João Paulo II preparou e Bento XVI é quem foi presidir, ocorre pela segunda vez uma jornada de dois Papas: Bento XVI quem escolheu, preparou e o Papa Francisco é que presidirá. É uma oportunidade única para o nosso país e um grande serviço da cidade do Rio de Janeiro para os jovens do mundo.
A Jornada atinge a todos os jovens. Embora sejamos nós que organizamos em colaboração com as autoridades federais, estaduais, municipais, de segurança, das forças armadas e tantos outros atores, a Jornada é dar ao jovem o protagonismo de um grande evento, preparado em sua maioria por jovens que constituem o Comitê Organizador Local (COL) para todos os jovens de boa vontade. Já temos encontro entre jovens das três religiões monoteístas – judeus, cristãos e muçulmanos – se preparando com reuniões. Os jovens cristãos de diversas denominações se apresentam como voluntários e suas casas são disponibilizadas para hospedagem. A riquíssima dimensão cultural com filmes, teatros, exposições, museus, palcos e outras oportunidades poderá ser um belo momento mesmo para o jovem que não professa nenhuma fé.

É um evento mundial em que os jovens nos ensinarão que é possível ter esperança em um mundo novo e que é possível ser jovem nesse atual momento de mudança de época cultural da humanidade, tendo valores importantes para a vida da pessoa humana e da sociedade. Nossa certeza é o Cristo Ressuscitado a quem anunciamos e que nos conduz ao Pai. Os acontecimentos mundiais, nacionais e locais sobre a violência, guerra, incoerência, corrupção, intolerância, pobreza, dependência e tantas outras situações recordam que muitas vezes o nosso progresso científico, comunicacional, midiático, logístico e outros não foi acompanhado por um progresso na fraternidade e no entendimento das pessoas e no respeito uns pelos outros. Em muitas situações humanas parece que estamos mais atrasados do que aqueles povos que chamamos de “bárbaros” na história. Não apenas porque destruíam os monumentos e as civilizações, mas também pensando na truculência e na falta de respeito à dignidade humana. Tempos e consequências que sentimos que a “pedra angular” da sociedade está sendo esquecida. Assim nenhuma casa construída resiste aos vendavais da história.

A JMJ é um tempo em que se sinalizam belos sinais de esperança e confiança no futuro com compromisso do povo jovem com uma presença alegre, mas responsável pelos valores que realmente fazem diferença na vida da pessoa humana. Temos certeza que estamos servindo a humanidade de hoje e de amanhã com esse serviço que prestamos.

A nossa Arquidiocese se prepara com muito carinho. A unidade e os belos sinais concretos que recebo dos padres e do povo que se colocam disponíveis para ajudar e partilhar é muito consolador. A peregrinação dos símbolos da Jornada, que no dia 18 de setembro de 2011 iniciou o seu caminho no Campo de Marte em São Paulo, está chegando ao final: no dia 21 de abril chegará ao Estado do Rio de Janeiro e no dia 6 de julho à cidade do Rio de Janeiro. Esses símbolos trazem consigo toda uma esperança e alegria de um povo que confia em tempos melhores e se compromete com a vida. Já de per si só esses sinais motivaram para que o “setor juventude” em nosso país possa contar com a participação de todas as expressões de trabalho jovem.

O trabalho tem sido árduo. Já tivemos que aumentar o local do COL. A Arquidiocese procura corresponder mesmo com dificuldades a tantas demandas. As notícias sobre a JMJ e principalmente sobre a vinda do Papa pipocam pelas mídias. Algumas vezes sem muita correspondência com a verdade. Mas agradecemos muito a esse importante serviço que fazem em prol da verdade e da comunicação. As várias dificuldades surgidas nesses dois anos, longe de nos desanimar nos deram renovado ânimo. Quanto mais provados e quanto mais dificuldades, mais temos confiança que o Senhor nos prepara para um serviço importante para o mundo, para a Igreja, para os jovens. Levamos com alegria essa missão que a Igreja nos confiou e procuramos fazer o melhor que podemos. Sempre me causou uma grande alegria ver e constatar a criatividade dos vários setores do COL e o empenho de cada grupo com o seu trabalho, mesmo com algumas limitações de espaço, de autorizações ou dificuldades financeiras. Nada disso os tirou do sonho de prepararem um momento importante para a vida do jovem do mundo aqui no Rio de Janeiro. Vocês jovens empenhados nessa bela aventura de fé nos renovam o ânimo e a coragem de continuar lutando pela evangelização.

A nossa cidade, como tantas outras, tem suas limitações e dificuldades. Temos contado com muita sinceridade e disponibilidade para procurar vencer os problemas e montar um esquema para receber o melhor possível aqueles que para cá virão. Claro que os que não poderão vir, e esses são a maioria, poderão acompanhar por vários meios de comunicação antigos e novos. Teremos oportunidade de viver a “aldeia global” nesses dias com a participação das mídias sociais que nos trazem também as várias opiniões daqueles que estão longe.

Agora, 100 dias nos restam para os preparativos. Entramos na reta final. Muito serviço temos pela frente. Não podemos perder um só momento para podermos estar prontos para acolher aqueles que começarão a chegar após as semanas missionárias pelo país. De coração desde já os abraçamos e desejamos as boas-vindas! Vocês são nossos irmãos e assim os recebemos: com carinho de família!

Sabemos também que nos vários países e nas outras cidades do Brasil todos se preparam para a JMJ – alguns para se deslocarem para o Rio de Janeiro e viver o belo momento junto com o Papa Francisco, que temos certeza, assim como tem acontecido até hoje, encantará os jovens do mundo aqui no Rio de Janeiro. Os outros que não se deslocarão, mas que farão seus encontros assistindo tanto as celebrações do Papa como através das mídias alternativas os demais eventos da Jornada, também se preparam para viver esse momento único para o nosso país.

Mas todos estaremos voltados para o futuro. Além dos legados materiais de uma jornada: questão ecológica, trabalho com os adictos, movimentação financeira para o país, treinamento das pessoas que se tornam líderes, saber acolher o outro como irmão e tantas outras situações, o grande legado é justamente levar Deus para o coração do jovem que, de certo modo já O encontrou, mas que O continua procurando e que é a razão de sua vida. Queremos também demonstrar a confiança que temos no jovem e constatar a responsabilidade alegre do jovem com o amanhã do mundo. O encontro com Cristo que nos conduz ao Pai dos jovens de mais de 160 países, junto com o Papa Francisco, transforma esse evento em um evento para o futuro. O “ide e fazei discípulos entre os povos” que marca o tema dessa Jornada levará, sem dúvida, os discípulos jovens de Cristo a viverem com muito entusiasmo e alegria a sua missionariedade, e sabendo construir um mundo com sua presença e atuação. Já estão hoje em diversos locais de responsabilidade e também no amanhã estarão dirigindo empresas e nações. Eles sempre se lembrarão de que a fraternidade entre os povos de diversas línguas e ideologias é possível, e que é possível também nos sentirmos irmãos e sermos acolhidos como tais mesmo com línguas e costumes diversos.

Meus irmãos e irmãs: 100 dias nos separam desse grande e belo momento. Convido a todos para redobrarem suas orações e intercessão para que o Senhor nos conceda todas as luzes necessárias para essa vivência de fé e nos ajude a discernir os melhores caminhos para este belo e grande serviço à humanidade.

Venham meus amigos, para serem enviados por Cristo como missionários do Reino! Nós nos encontraremos daqui a 100 dias aqui no Rio de Janeiro! Deus os acompanhe na viagem até aqui. Em nome de todos digo: bem-vindos! A paz esteja com todos!

Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O serviço ao Evangelho, o "irmão Mosca" e o verdadeiro Frade Menor

Por: Frei Luiz Pinheiro Sampaio, OFMCap*

Introdução

“Vamos começar a servir a Deus, meus irmãos, porque até agora fizemos pouco ou nada.” (1Cel 103,3; LM 14,1)

A caminhada franciscana, enquanto serviço, deve ser pautada pelo Evangelho nas dimensões concretas da vida. Deve haver uma estreita relação entre as realidades da Palavra e do cotidiano. Em todo o seu peregrinar, São Francisco e Santa Clara de Assis harmonizaram muito bem essas dimensões. Para eles era impossível separar o Evangelho da vida e vice-versa. Portanto, quando falamos de serviço evangélico e de fraternidade evangélica precisamos ter diante de nós, franciscanos e franciscanas, a compreensão de que estamos servindo a Jesus Cristo (Evangelho do Pai) e à Fraternidade, que abrange a comunidade de irmãos e irmãs (koinonia), a igreja-povo de Deus (ecclesia), a sociedade humana e a ecologia (a harmonia entre as pessoas e todas as criaturas).
Para os iniciadores do Movimento Franciscano, o compromisso assumido significava não descansar nunca nem se acomodar frente aos desafios e apelos concretos da existência humana. Entretanto, encontramos no seio da Fraternidade franciscana, de ontem e de hoje, quem acha mais fácil servir ao Evangelho como algo maravilhoso e bonito, aquilo que agrada e é suave, sem amargor e dificuldades. Para São Francisco, o amargo se lhe transformara em doçura (Test. 1), pois aprendera a encarar as mazelas da vida com muita coragem. É neste sentido que o Santo se posicionava tenazmente contrário ao irmão que não assumia a própria vocação de frade menor. A quem agia desse modo, ele dava o apelido de “irmão mosca”, porque, como tal, não contribuía com nada e só queria se beneficiar das coisas da Fraternidade.



Nos primórdios da Ordem, quando os frades residiam em Rivotorto, próximo de Assis, havia um frade entre eles que rezava pouco, não trabalhava e comia bem! Considerando essa conduta, São Francisco, inspirado pelo Espírito Santo, conheceu que era um homem carnal e lhe disse: “Segue teu caminho, irmão mosca, porque queres te alimentar do trabalho de teus irmãos e ficar ocioso na vinha do Senhor. És como o zangão ocioso e estéril, que nada produz, porque não trabalha, e, contudo, se nutre do trabalho e do ganho das laboriosas abelhas.”

Nesta reflexão, vamos procurar identificar alguns elementos que nortearam a experiência franciscana a partir de um olhar sobre o Evangelho e seus reflexos nas vidas de São Francisco e Santa Clara e, sem dúvida, na história do Movimento Franciscano. O assunto em destaque será tratado sob duas linhas: servir ao Evangelho de Jesus Cristo e servir ao irmão e à fraternidade. Para tanto, usaremos alguns textos das Fontes Franciscanas e outros referenciais.

1. A serviço do Evangelho de Jesus Cristo

Os franciscanos e as franciscanas de ontem e de hoje se caracterizam por uma peculiar experiência vivencial e concreta do Evangelho, seja em nível de serviço dentro da fraternidade ou em nível de serviço fora dela, procurando assim responder aos diversos contextos do mundo. Foi desse modo que os fundadores da Família Franciscana entenderam, assimilaram e praticaram profundamente a proposta de Jesus Cristo. Cada aspecto das vidas de São Francisco e Santa Clara reflete a capacidade que tiveram de ir alem das letras e das palavras escritas. Podemos lembrar, por exemplo, a superação de Santo Pai quanto ao “nojo” de leprosos (Test 1). Da Mãe Clara, recordamos a ousadia que teve de abandonar as comodidades familiares e fugir de casa pela “porta dos mortos” (LSC 7-8). Foi dessa maneira que os dois se deixaram contagiar por Jesus Cristo e, nesse entusiasmo, encantaram muita gente.

1.1 A Regra franciscana: “observar o Evangelho”

Sabemos muito bem e vale a pena acentuar, que as Regras de São Francisco, de Santa Clara e da Ordem Franciscana Secular têm como núcleo o Evangelho de Jesus Cristo com suas reais consequências para a vida cotidiana, seja na dimensão religiosa ou leiga. Embora canonizadas, isto é, reconhecidas pela Igreja, essas regras não podem ser vistas e tomadas como normas jurídicas em si, mas como um conjunto de princípios vitais que dão sentido à vocação de cada pessoa inspirada a abraçar o ideal de vida franciscano.
A Regra não Bulada (1221) de São Francisco, em duas passagens, enfatiza o conteúdo da vocação evangélica dos frades menores com os seguintes termos: “Esta é a vida do Evangelho de Jesus Cristo, que Frei Francisco pediu que lhe fosse concedida e confirmada pelo senhor Papa. E ele o concedeu e confirmou para si e seus irmãos, presentes e futuros.” (RNB prol. 2). E continua mais adiante: “A regra e vida destes irmãos é esta, a saber, viver em obediência, em castidade e sem nada de próprio, e seguir a doutrina e as pegadas de nosso Senhor Jesus Cristo…” (RNB 1,1).
Por sua vez, de forma mais sintética, a Regra Bulada (1223) retoma e reitera o mesmo teor evangélico da regra anterior: “A Regra e a vida dos Frades Menores é esta: observar o santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem nada de próprio e em castidade.” (RB 1,1).
Santa Clara, fiel companheira do Santo de Assis, introduziu em sua Regra, aprovada depois de muitas lutas em 1253, o mesmo propósito evangélico dos frades menores: “A forma de vida da Ordem das Irmãs Pobres, que o bem-aventurado Francisco instituiu, é esta: observar o santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem nada de próprio e em castidade.” (RSC 1,1).
A Regra da Ordem Franciscana Secular, após referir-se sobre a pertença desse ramo à Família Franciscana, afirma que os irmãos e as irmãs seculares estão comprometidos pela Profissão, a partir da convivência fraterna, a viver o Evangelho, espelhando-se na experiência do Seráfico Pai: “Nelas [nas fraternidades], os irmãos e as irmãs, impulsionados pelo Espírito a atingir a perfeição da caridade no próprio estado secular, são empenhados pela Profissão a viver o Evangelho à maneira de São Francisco e mediante esta Regra confirmada pela Igreja.” (RegOFS 2). Mais adiante, no capítulo II, encontramos a caracterização da forma de vida desses irmãos e irmãs: “A Regra e a vida dos franciscanos seculares é esta: observar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo o exemplo de São Francisco de Assis, que fez do Cristo o inspirador e o centro da sua vida com Deus e com os homens.” (RegOFS 4). Todavia, conforme o mesmo texto, essa proposta só será eficaz a partir do momento que se realizar a passagem do “Evangelho à vida e da vida ao Evangelho” (RegOFS 4).
Baseados nas fontes acima, percebemos que a Regra franciscana é a mesma para todos: “observar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Nesta perspectiva das três regras, o que significa observar ? Esse termo, aqui empregado, não é simplesmente uma questão de olhar ou prestar atenção em algo que foi feito ou se faz, como se viveu ou se vive. Expressa, sobretudo, envolvimento e participação nos acontecimentos atuais. E mais, tem a acepção de colocar em prática aquilo que é inerente à identidade do projeto que uma pessoa ou um grupo abraçou. Em outras palavras, na ótica franciscana, observar implica seguimento de uma proposta de vida, obediência a princípios fundamentais, vivência de valores essenciais, comprometimento com as situações concretas da comunidade, inserção no mundo e serviço à vida dos seres humanos e de todas as criaturas através do anúncio de Jesus Cristo e pelo testemunho do amor fraterno.
Nesta dimensão da observância do Evangelho, tão fundamental para São Francisco e Santa Clara, cada franciscano e franciscana, subjetiva e objetivamente, terá uma definição plausível da vocação e da caminhada quando projetar essas no horizonte da experiência e vivência profundas dos valores que significam o jeito de ser e agir, aqui e agora, no chão da história.

2. A serviço dos irmãos e da Fraternidade

Não há fraternidade sem irmãos e tampouco estes sem aquela. Ambos são indispensáveis para que o serviço ao Evangelho seja eficazmente situado. Tanto São Francisco, como Santa Clara, apreenderam o verdadeiro sentido da fraternidade e, principalmente, aprenderam a ser irmão e irmã na relação fraterna e no empenho das obrigações cotidianas. O itinerário dos dois compreendia as diferentes dimensões da vida religiosa: oração, formação, relação fraterna, trabalho manual, cuidado dos irmãos e irmãs sadios e doentes, comunhão eclesial, missão, etc . Assim, a fraternidade primitiva franciscana pode ser vista e entendida sob vários ângulos: reconhecimento e valorização das qualidades uns dos outros, intensidade das relações afetivas, interesse e cuidado uns com os outros, disponibilidade para os trabalhos internos e externos e, naturalmente, enfrentamento de desafios e dificuldades.

2.1 Uma “fraternidade perfeita”

De modo absoluto, não há nenhuma sociedade humana perfeita, terminada e pronta, de forma que não necessite mais de mudanças e renovação no tempo e no espaço. O que existe, de fato, é um processo dinâmico, porque o ser humano caminha e se transforma no curso da história, da qual ele é o protagonista. Neste mesmo sentido, a primitiva fraternidade estava em vias de construção paulatina. Quem ingressava nela tinha a grave tarefa de fazer parte desse processo de crescimento.
A fraternidade franciscana estava (e está) no rumo da perfeição. São Francisco tinha uma visão muito nítida das capacidades de cada um dos companheiros. Acolhia indistintamente a todos como “dom” de Deus (Test 14) e com eles queria fazer a singular experiência evangélica. Nessa atmosfera, o Santo de Assis havia aprendido que a “fraternidade perfeita” correspondia à soma qualitativa dos dons e virtudes dos irmãos. Assim, depois de uma percepção profunda dos próprios valores, destacou de cada um deles os aspectos de significativa importância para o amadurecimento pessoal e fraterno.
A biografia Espelho da Perfeição apresenta uma bela lista de nove frades com suas virtudes, que segue: 1- Frei Bernardo com sua ardente fé e seu amor à pobreza; 2- Frei Ângelo com sua simplicidade, pureza, grande cortesia e gentileza; 3- Frei Masseo e sua distinção e o bom senso natural, sua bela e piedosa eloquência; 4- Frei Gil e seu espírito elevado à contemplação; 5- Frei Rufino e sua prece virtuosa e constante; 6- Frei Junípero, sua paciência e ardente desejo de imitar a Cristo; 7- Frei João das Laudes e seu vigor corporal e espiritual; 8- Frei Rogério e sua ardente caridade; e, por fim, 9- Frei Lúcio e sua inquietação, que não queria ficar em um mesmo lugar mais que um mês, dizendo: “Não temos morada aqui, mas no céu” .
Pela exposição acima, o frade tem seu valor não pelo número de qualidades que possui, mas pela relevância da virtude dele, mesmo que seja só uma. Além disso, o elencamento dos dons aponta para dimensões específicas da vocação franciscana: seguimento de Jesus Cristo, vida de oração, contemplação, pobreza, simplicidade, cortesia (gentileza e acolhida), paciência, piedade, caridade fraterna, dom da pregação (eloquência), itinerância (inquietação). A fraternidade é servida no compartilhamento dos talentos de todos e se expande no serviço ao Reino através dos dons colocados em prática.

2.2 Fraternidade e relações afetivas sinceras

O que mais nos chama a atenção nas primeiras gerações franciscanas é a forma como se dava o cultivo das relações fraternas. Conforme Tomás de Celano, quando se encontravam, em algum lugar, para celebrar momentos importantes, por ocasião de capítulos ou por outras razões, os frades tratavam-se de forma calorosa. Os irmãos se portavam do mesmo jeito ad intra e ad extra, isto é, agiam igualmente dentro e fora da fraternidade (espaço físico). Esse modo de relacionar-se deixava impressões positivas no meio do povo, que passava a estimar e admirar os frades.
Apresentamos a seguir três sucintos textos que caracterizam o clima afetivo que existia entre os irmãos menores das primeiras gerações, a solicitude de um para com o outro e o impacto que isso suscitava nas pessoas.
O primeiro texto, de Celano, retrata o intenso amor fraterno que aquecia a vida daqueles frades: “Quando se reuniam em algum lugar, ou quando se encontravam na estrada, reacendia-se o fogo do amor espiritual, espargindo suas sementes de amizade verdadeira sobre todo o amor. E como? Com castos abraços, com terno afeto, com ósculos santos, uma conversa amiga, sorrisos modestos, semblante alegre, olhar simples, ânimo suplicante, língua moderada, respostas afáveis, o mesmo desejo, pronto obséquio e disponibilidade incansável.” (1Cel 38).
O segunda texto, da Legenda dos Três Companheiros, destaca sobretudo a dedicação e empenho dos irmãos na oração e no trabalho, e a solicitude fraterna que tomava conta de todos: “Todos os dias eram solícitos para rezar e trabalhar com as próprias mãos para afastar absolutamente toda ociosidade, inimiga da alma… Amavam-se com entranhado amor e cada qual servia e nutria o outro como uma mãe com seu filho único e dileto. ”(LTC 41).
Por fim, o terceiro texto, do Anônimo Perusino, chama a atenção para o impacto que o testemunho de vida dos irmãos provocava no meio do povo: “O povo, vendo-os serenos em meio aos sofrimentos aceitos pacientemente pelo Senhor, e sempre esforçados para rezar com devoção, recusando receber e ter consigo dinheiro, como o faziam os outros pobres, e eles querendo bem um ao outro, sinal de que eram discípulos de Cristo: muitos ficaram comovidos e arrependidos, e foram pedir-lhes desculpas pelos maus tratos… Alguns até acabavam pedindo para serem recebidos em seu grupo…” (AP 24; cf. Tb LTC 41).

2.3 Fraternidade e desafios cotidianos

Enquanto realidade mutável, sujeita às vicissitudes históricas, a fraternidade franciscana se deparou (e ainda se depara) com situações concretas de diferentes naturezas: humana, formativa, estrutural, econômica, administrativa, social etc. Paulatinamente, depois de identificados, os desafios eram superados dentro do tempo certo.
São Francisco não era alheio a nenhuma dessas situações. Estava atento a tudo que se passava ao seu redor. Acompanhava todos os passos da fraternidade em todas as dimensões. Conhecia as necessidades pessoais e básicas dos irmãos. Procurava servi-los com esmero e especial cuidado, pois o confrade lhe era muito caro.

2.3.1 Serviço gratuito ao irmão: amor caritativo

O amor caritativo é aquele amor fraterno desinteressado, isto é, aquela expressão de compaixão incondicional que se dobra diante das necessidades do próximo. Ademais, significa um modo informal, espontâneo e gratuito, sempre disponível para ajudar e servir o outro sem medir esforços ou impor barreiras. Trata-se de uma experiência vital que transcende os limites pessoais, sociais, religiosos e culturais. Sem dúvida, é algo que revela também a capacidade que o ser humano tem de sair de si mesmo e ir ao encontro do semelhante (o/a leproso/a e o/a samaritano/a).
A espiritualidade franciscana está marcada profundamente por esse amor entranhado. As Fontes Franciscanas e, de forma mais direta, os Escritos de São Francisco, sublinham, com relevância, a experiência desse amor-serviço caritativo. O Santo de Assis, durante a sua vida, soube cuidar do irmão sem reservas ou medo de perder alguma coisa. Foi alguém todo comprometido com a caminhada pessoal, vocacional e espiritual dos companheiros (irmãos).
O caso típico que ilustra a disposição do Poverello para apoiar o outro é o do Frei Leão que precisou da ajuda e foi benevolamente atendido, conforme o texto da singela carta que o Seráfico Pai lhe enviou, que aqui transcrevemos: “1 Frei Leão, teu irmão Francisco deseja-te saúde e paz. 2 Assim te digo, meu filho, como uma mãe: coloco brevemente nesta frase todas as palavras que falamos pelo caminho e [te] aconselho; e, se depois precisares por motivo de conselho vir a mim, assim te aconselho: 3 qualquer que seja o modo que te pareça melhor agradar ao Senhor Deus (cf. 1Cor 7,32) e seguir seus passos (cf. 1Pd 2,21) e pobreza, faze-o com a bênção do Senhor Deus e com minha obediência. 4 E, se te for necessário outra consolação para tua alma e quiseres vir a mim, Frei Leão, vem!”
De igual modo, todos os irmãos eram educados a manifestar uns aos outros as próprias necessidades e a ter aquele amor sincero e prestativo de mãe pelo confrade em todas as circunstâncias da vida (RNB 9,10-11) . Portanto, acreditamos que esta orientação pedagógica, quando posta em prática, fortalece os vínculos fraternos, estimula a convivência nas diferenças e sustenta, hoje também, os passos dos franciscanos e franciscanas.
Outrossim, na mesma dimensão do amor-doação, o Papa Bento XVI, na sua primeira carta encíclica, Deus Caritas Est (2005), ao citar alguns Santos, menciona também o nome de São Francisco de Assis que, entre tantos homens e mulheres suscitados por Deus, procurou servir ao Senhor na pessoa do próximo, respondendo às situações prementes do seu tempo (cf. n. 40). Portanto, o Santo de Assis não foi alguém surdo e indiferente aos gritos e necessidades do irmão, tanto dentro como fora da comunidade. O Evangelho se encarnava em São Francisco através de sua experiência(vivência) cotidiana.

2.3.2 Trabalho e serviço: compromisso fraterno

Quando olhamos e sentimos de perto as situações concretas da primitiva fraternidade franciscana, descobrimos muitos outros aspectos que nos levam a compreender a dinâmica de vida de São Francisco e seus companheiros. Acima já constatamos alguns. Mas, outro elemento caro ao Santo Pai era a questão do trabalho . Este era (e ainda o é hoje) um meio pelo qual o irmão dava significado ao seu sentido de pertença à fraternidade e colaborava com o seu suor para o bem de todos.
Ele, o próprio Poverello, dava testemunho com o trabalho manual que fazia e queria realizar em todo tempo (Test. 20), pois tinha-o como graça recebida de Deus: “Os irmãos a quem o Senhor deu a graça de trabalhar, trabalhem fiel e devotamente.”(RB V,1). É nesse entendimento que Insistia para que todos os frades trabalhassem e se não soubessem, procurassem aprender, não por interesses particulares, mas para descruzar os braços e fugir das acomodações (Test. 21).
Em síntese, podemos afirmar que o trabalho era (e continua sendo) uma das maneiras de colocar em prática aquilo que se aprendia na escola franciscana. Além do mais, sob essa ótica, pelo trabalho e como assalariados, os frades davam testemunho do estilo de vida que haviam assumido e, através desse instrumento de subsistência, podiam exercer sua missão de evangelizadores. Sendo assim, o trabalho adquiria um significado mais amplo, isto é, não visava apenas o provimento das necessidades básicas, mas também o anúncio do Reino de Deus e sua justiça.

2.3.3 Correção fraterna do comodismo

A caminhada é um processo de crescimento, discernimento e amadurecimento da pessoa frente às escolhas e opções que faz e abraça. No seio da fraternidade franciscana, cada irmão e irmã é conduzido a ter clareza da vocação para observar o Evangelho. São Francisco considerava indispensáveis o esforço e a austeridade pessoais para se levar adiante o propósito de vida.
É partindo daí, que o Santo chamava a atenção do irmão que não assumia nem se comprometia com os desafios do dia a dia fraternidade local (e também em sentido mais amplo) a que pertencia. Entretanto, por outro lado, esse tal irmão queria ser bem servido com os frutos do suor dos companheiros. São Francisco denominava-o fraternalmente de “irmão mosca” (fraternalmente porque não chamava-o simplesmente de mosca, mas de irmão mosca).
A título de ilustração, tomamos o texto da Segunda biografia de São Francisco escrita por Frei Tomás de Celano (2Cel 75) , que trata da questão do comodismo, com algumas nuances interessantes.
O parágrafo 75 destaca, em primeiro lugar, o alerta do Santo para que nenhum irmão deixasse de se ocupar nalguma tarefa significativa, ou seja, não admitia que o frade ficasse desocupado ou à-toa: “São Francisco dizia muitas vezes que o verdadeiro frade menor não devia ficar muito tempo sem ir mendigar” (cf. 2Cel 75).
Em segundo lugar, temos a constatação de um caso nada animador para São Francisco e, certamente, para todo o grupo. E este que era “ninguém” para o trabalho, “valia” por muitos na hora das refeições:
“Havia em certo lugar um frade que não era ninguém na hora de esmolar mas valia por vários na hora de comer.”(cf. 2Cel 75).
Por fim, destacamos a figura do “irmão mosca”. A reação do Seráfico admoestou e desaprovou o comportamento desse frade e o rumo tomado por aquele irmão, que, como acentua o texto, saiu da fraternidade e continuou sendo “ninguém”: “Vendo que era comilão, participava dos frutos mas não do trabalho, disse-lhe uma vez: `Segue teu caminho, irmão mosca, porque queres comer o suor de teus irmãos e ficar ocioso no trabalho de Deus. Pareces com o irmão zângão, que não ajuda as abelhas a trabalhar, mas quer comer o mel por primeiro`. Quando esse homem carnal viu que sua glutoneria tinha sido descoberta, voltou para o mundo, que nunca tinha deixado. Saiu da Ordem: já não era frade nenhum, ele que nunca tinha sido ninguém para esmolar.” (cf. 2Cel 75).
Notamos, então, nesta ocasião, a conduta desaprovável desse frade, que faltava com o dia a dia da fraternidade. As suas atitudes eram contrárias à identidade do autêntico frade menor. A exortação e o discernimento de São Francisco visavam, sem dúvida, preservar o espírito de colaboração mútua e reforçar o sentido de pertença à fraternidade.

CONCLUSÃO
O Evangelho é a força vital que ontem deu sentido à vocação de São Francisco e de Santa Clara e hoje dinamiza e revigora a própria essência do Carisma Franciscano. A observância dos princípios e valores evangélicos por parte dos irmãos e irmãs franciscanos significa manter viva a chama do propósito assumido.
Como vimos acima, a vida fraterna compreende um conjunto de componentes ou forças que solidificam a caminhada pessoal e comunitária. Os membros da Família Franciscana são os personagens principais para a construção da Fraternidade, em sentido mais amplo, sem fronteiras, aqui e agora. Para tanto, faz-se necessária a participação, o compromisso e a colaboração de cada um e de todos para a eficácia do “projeto de vida franciscano”, servindo ao Evangelho e à Fraternidade, como bem entendeu e viveu o Pobrezinho de Assis, quando disse: “Como sou servo de todos, a todos estou obrigado a servir e a prestar-lhes em serviço as odorosas palavras de meu Senhor”(2CtaFi 2).
De tudo isso, podemos afirmar que a fidelidade ao Evangelho ou à forma vitae (forma de vida) alcançará a sua significação à medida que forem contemplados os diversos componentes que caracterizam a fisionomia do itinerário franciscano, enquanto realidade dinâmica e prenhe de vitalidade. Ou seja, aqueles aspectos que conhecemos – relações fraterno-afetivas, formação, oração, trabalho e serviço, missão e evangelização, responsabilidade com a vida do ser humano e das criaturas e outros – são exigências fundamentais que garantem a permanência do Evangelho na atuação e itinerância dos franciscanos e das franciscanas de todos os tempos e em todos os lugares.

ABREVIATURAS USADAS NO TEXTO:
1- RNB: Regra NÃO Bulada de São Francisco
2- RB: Regra Bulada de São Francisco
3- Test. – Testamento de São Francisco
4- CtLe: Carta a Frei Leão
5- 2CtFi: Segunda Carta aos Fiéis
6- RSC: Regra de Santa Clara
7- LSC: Legenda de Santa Clara
8- RegOFS: Regra da Ordem Franciscana Secular
9- 1Cel: Primeira Vida de Tomás de Celano
10- 2Cel: Segunda Vida de Tomás de Celano
11- LM: Legenda Maior de São Boaventura
12- EP: Espelho da Perfeição (Biografia de São Francisco de Assis);
13- LP: Legenda Perusina

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
FONTES FRANCISCANAS E CLARIANAS. Apres. Sérgio M. Dal Moro; Trad. Celso Mácio Teixeira [et. al.]. Petrópolis, (RJ): Vozes 2004.
BOFF, Leonardo. São Francisco de Assis – Ternura e vigor – Uma leitura a partir dos pobres. 9ª edição, Petrópolis (RJ): Vozes, 2002.

CONTI, Martino. Il “Codice” di Comunione dei Frati Minori: Introducione e commento alla Regola. Roma (Itália): Edizioni Antonianum, 1999.
SABATIER, Paul. Vida de São Francisco de Assis. Trad. Fr. Orlando A. Bernardi, OFM. Bragança Paulista (SP): IFAN / Editora Universitária São Francisco de Assis, 2006.
URIBE ESCOBAR, Fernando , La Regla de San Francisco. Letra y espíritu, collana Textos – 3, Ed. Inst. Teol. Franciscano, Murcia, 2006, p. 381.
URIBE ESCOBAR, Fernand, ofm. A Todos Estoy Obligado a Servir (2 CtaF 2): El servicio, según los escritos de san Francisc: In: http://www.franciscanos.net/teolespir/servicio%20uribe.htm
BENTO XVI. Deus Caritas Est: sobre o amor cristão. 2005. In: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html

REFERÊNCIAS VIRTUAIS:

http://www.franciscanos.net/teolespir/servicio%20uribe.htm

http://www.fratefrancesco.org/fot/e.libros.htm

http://www.paxetbonum.net/

http://www.franciscanos.org/frandp/menup.html

http://ofsaraxa.blogspot.com.br/2012/02/belissima-reflexao-do-saudoso-frei.html

http://200.241.192.6/cgi-bin/houaissneth.dll/cabec?palavra=b&Res=0

http://www.intratext.com/Catalogo/Autori/Aut154.HTM

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html

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1 Cf. o texto latino de 1Cel: “Incipiamus, fratres, servire Domino Deo, quia hucusque vix vel parum in nullo profecimus”. In: http://www.procasp.org.br/paragrafo_subcapitulo.php?indice=104&titulo=Primeira Vida (1Cel)&parágrafo=225&cSubCap=46#1Cel 103.
E também a passagem latina de São Boaventura,LM 14,1: ”Incipiamus, fratres, servire Domino Deo nostro, quia usque nunc parum profecimus”. In http://www.procasp.org.br/paragrafo_subcapitulo.php?indice=140&titulo=Legenda Maior&cParagrafo=620&cSubCap=57#LM XIV,1
2 Cf. Dicionário Eletrônico Houaiss: OBSERVAR: verbo transitivo direto e pronominal- 1 fixar os olhos em (alguém, algo ou si mesmo); considerar(-se) com atenção, com aplicação; ver-se mutuamente; estudar(-se): Ex.: ; transitivo direto: 1.1 fazer uma observação científica de: Ex.: dedicou sua vida a o. o comportamento animal; transitivo direto e bitransitivo: 2 olhar, fitar com atenção e minúcia, buscando chegar a um julgamento, a uma conclusão; constatar, perceber, notar, considerar, verificar: Ex.: ; transitivo direto: 3 olhar às escondidas; espiar, espreitar: Ex.: os meninos queriam o. as meninas pelo buraco da fechadura; transitivo direto: 4 conformar-se a (uma regra, uma lei, um regulamento); praticar, obedecer; transitivo direto e bitransitivo: 5 atentar para ou fazer atentar para: Ex.: ; transitivo direto e bitransitivo: 6 expressar uma opinião ou um julgamento; ponderar, replicar: Ex.: observou(-lhe) que a renúncia seria humilhante.
3 NB: As regras e os escritos de São Francisco e Santa Clara, em geral, contemplam todos esses elementos.
4 O texto completo é o seguinte: EP capítulo 85: “Tendo o Seráfico Pai, de algum modo, transformado os frades em santos pelo ardor do seu amor e pelo zelo fervoroso que nutria pela perfeição, examinava em si mesmo as qualidades e as virtudes de que deveria ser dotado o bom frade menor. E dizia que seria um bom frade menor o que reunisse em si a vida e os méritos destes santos frades: “A fé de Frei Bernardo, que a tinha tão perfeita quanto seu amor à pobreza; a simplicidade e a pureza de Frei Ângelo que foi o primeiro cavaleiro a entrar na Ordem e foi dotado de grande cortesia e gentileza; a distinção e o bom senso natural de Frei Masseo com sua bela e piedosa eloquência; o espírito elevado à contemplação que Frei Gil teve em toda perfeição; a prece virtuosa e constante de Frei Rufino que rezava constantemente, sem parar: fosse dormindo ou trabalhando seu espírito estava sempre com o Senhor; a paciência de Frei Junípero que alcançou um estado de paciência perfeita, porque tinha constantemente na consciência a evidente realidade de sua própria vileza e um ardente desejo de imitar a Cristo, seguindo a via da cruz; o vigor corporal e espiritual de Frei João das Laudes que no seu tempo suplantava em força corporal os outros homens; a caridade de Frei Rogério cuja vida inteira e a conversão foram inspiradas por uma fervente caridade; enfim, a inquietação de Frei Lúcio que estava sempre muito preocupado, não querendo ficar em um mesmo lugar mais que um mês, pois quando começava a gostar de um lugar punha-se de novo a caminho, dizendo: ‘Não temos morada aqui, mas no céu”‘
5 Entendida aqui também como Movimento Franciscano, que, desde o seu nascimento no início do século XII, sofreu transformações estruturais e teve grande repercussão ao longo dos tempos.
6 Cf. texto original: “1 Frater Leo, frater Francisco tuo salutem et pacem. 2 Ita dico tibi, fili mei, sicut mater: quia omnia verba, quae diximus in via, breviter hoc verba [!] dispono et consilio, et si dopo [tibi?] oportet propter consilium venire ad me, quia ita consilio tibi: 3 In quocumque modo melius videtur tibi placere Domino Deo, et sequi vestigiam [!] et paupertatem suam, faciatis cum benedictione Domini Dei et mea obedientia. 4 Et, si tibi est necessarium animam tuam propter aliam consolationem tuam, et vis, Leo, venire ad me, veni”
Cf. RNB 9,10-11: “10 E com segurança manifeste um ao outro sua necessidade, para que encontre o que lhe é necessário e o sirva. 11 E cada um ame e nutra seu irmão, como a mãe ama e nutre seu filho (cfr. 1Ts 2,7), naquilo em que Deus lhe der a graça”.
Veja também RNB X e RB VI (sobre os doentes).
7 Sobre o assunto há alguns poucos artigos disponíveis na internet. Nos Escritos de São Francisco (veja RNB 7, RB V e o Test. 20-23) se insiste sobre a importância do trabalho para o frade enquanto pessoa e enquanto fraternidade.
8 Sobre o tema temos basicamente nas Fontes Franciscanas os seguintes: 2Cel 75; LM 5,6; LP 62; EP 24.
9 Cf. tb. LM 5,6; LP 62; EP 24

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