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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

“Levar a Deus todas as almas possíveis”



Padre Michel Marie Zanotti Sorkine, arauto da Nova Evangelização

Levar a Deus todas as almas possíveis”. O Padre Michel Marie Zanotti Sorkine tomou esta frase a sério, e é o seu principal objetivo como sacerdote. É o que está a fazer depois de ter transformado uma igreja a ponto de fechar e de ser demolida na paróquia com mais vida de Marselha. O mérito é ainda maior dado que o templo está no bairro com uma enorme presença de mulçumanos numa cidade em que menos de 1% da população é católica praticante.
Foi um músico de sucesso
A para este sacerdote que antes foi músico de êxito e cabarés de Paris e Montecarlo é a “presença”, tornar Deus presente no mundo de hoje. As portas de sua igreja estão abertas de par em par o dia inteiro e veste a Batina porque “todos, cristãos ou não, tem direito a ver um sacerdote fora da igreja”.
Na missa: 50 a 700 assistentes
O balaço é impressionante. Quando em 2004 chegou à paróquia de S. Vicente de Paulo no centro de Marselha a igreja estava fechada durante a semana a única missa dominical era celebrada na cripta para apenas 50 pessoas.
Segundo o que conta, a primeira coisa que fez foi abrir a igreja todos os dias e celebrar no altar-mor. Agora a igreja fica aberta quase todo o dia e é preciso buscar cadeiras para receber todos os fiéis. Mais de 700 todos os domingos, e mais ainda nas grandes festas. Converteu-se num fenômeno de massa não só em Marselha, mas em toda a França, com reportagens nos meios de comunicação de todo o país, atraídos pela quantidade de conversões.
Um novo ‘cura de Ars’ numa Marselha agnóstica
Umas das iniciativas principais do padre Zanotti Sorkine para revitalizar a fé da paróquia e conseguir a influência de pessoas de todas as idades e condições sociais é a confissão. Antes da abertura do templo ás 08h00min da manhã já há gente à espera à porta para poder receber este sacramento ou para pedir conselhos a este sacerdote francês.
Os franceses contam que padre Michel Marie está boa parte do dia no confessionário, muitas vezes depois das onze da noite. E se não esta lá, anda pelos corredores ou na sacristia consciente da necessidade de que os padres estejam sempre visíveis e próximos, para ir à ajuda de todos aqueles que precisam.

A igreja sempre aberta
Outra das suas originalidades mais características é a ter a igreja permanentemente aberta. Isto gerou críticas doutos padres da diocese, mas ele assegura que a missão da paróquia é “permitir e facilitar o encontro do Homem com Deus” e o padre não pode ser obstáculo para que isso aconteça.
O templo deve favorecer a relação com Deus
Numa entrevista a uma televisão disse estar convencido de que “se hoje em dia a igreja não está aberta é porque de certa maneira não temos nada a propor, que tudo o que oferecemos já acabou. No nosso caso em que a igreja esta aberta todo o dia, há gente que vem, praticamente nunca vemos roubos, há gente que reza e garanto que a igreja se transforma num instrumento extraordinário que favorece o encontro entre a alma e Deus”.
Foi à última oportunidade para salvar a paróquia
O Bispo mandou-o para esta paróquia como último recurso para salvá-la, e fê-lo de modo literal quando lhe disse que abrisse as portas. “há cinco portas sempre abertas e todos podem ver a beleza da casa de Deus”. 90.000 carros e milhares de transeuntes passam e vêem a igreja e com os padres à vista. Este é o seu método: a presença de Deus e de sua gente no mundo secularizado.
A importância da liturgia e da limpeza
E aqui está o outro ponto chave para este sacerdote. Assim que toou posse, co a ajuda de um grupo de leigos renovo a paróquia, limpo-a resplandecente.  Para ele, este è outro motivo que levou as pessoas a voltarem à igreja: “Como é que podemos querer que as pessoas acreditem que Cristo vive nu lugar se esse lugar não estiver impecável, é impossível”.
Por isso, as toalhas do altar e do sacrário têm um branco imaculado. “É o pormenor que faz a diferença. Com o trabalho bem feito damos conta do amor que manifestamos às pessoas e às coisas”. De maneira taxativa assegura que “estou convicto que quando se entra numa igreja onde não está tudo impecável é impossível acreditar na presença gloriosa de Jesus”.
A liturgia torna-se o ponto central de seu ministério e muitas pessoas sentiram-se atraídos a esta igreja pela riqueza da Eucaristia. “Esta é a beleza que conduz a Deus”, afirma.
As missas estão sempre cheias e incluem procissões solenes, incenso, cânticos bem cantados... Tudo ao detalhe.
“Tenho um cuidado especial com a celebração da missa para mostrar o significado do sacrifício eucarístico e a realidade de sua Presença”. “A vida espiritual não é concebível sem adoração ao Santíssimo Sacramento e sem um ardente amor a Maria”, por isso introduziu a adoração e o terço diário, rezado por estudantes e jovens.
Os sermões são também muito aguardados e, inclusive, os paroquianos põem-nos on-line.  Há sempre uma referencia à conversão, para a salvação do homem. Em sua opinião, a falta desta mensagem na igreja de hoje “é talvez uma das principais causas de indiferença religiosa que vivemos no muno contemporâneo”. Acima de tudo clareza na mensagem evangélica. Por isso, previne quanto à frase de que “vamos para o céu”. Para ele esta é uma “música que nos pode enganar”, pois é preciso lutar, a começar pelo padre, para chegar até o Paraíso.
O padre de batina
Se alguma coisa distingue este sacerdote alto num bairro de maioria mulçumana é a batina, que veste sempre, e o terço na mão. Para ele é primordial que o padre seja descoberto pelas pessoas. “todos os homens, a começar por aquela pessoa que entra numa igreja, tem direito de se encontrar com um sacerdote. O serviço que oferecemos é tão essencial para salvação que o ver-nos deve ser tangível e eficaz para permitir esse encontro”.
Deste modo, para padre Michel, o sacerdote, é sacerdote 24 horas por dia. “O serviço deve ser permanente. Que pensaríamos de um marido que a caminho do escritório de manhã tirasse a aliança?
Neste aspecto é muito insistente: “quanto àqueles que dizem que o traje cria distância e porque não conhece o coração dos pobres para quem o que se vê diz mais do que o que se diz”.
Por último, lembra um pormenor relevante. Os regimes comunistas a primeira coisa que faziam era eliminar o traje eclesiástico sabendo a importância que tem para transmissão da fé. “Isto deve fazer pensar a igreja da França”, acrescenta.
No entanto, sua missão não se realiza apenas no interior do templo. É uma personalidade conhecida em todo o bairro, também pelos mulçumanos. Toma o pequeno almoço nos cafés do bairro, aí conversa com os fiéis e com a s pessoa que não praticam. Ele chama isso de sua pequena capela. Assim, conseguiu que muitos visinhos sejam agora assíduos da paróquia, e tenham convertido esta Igreja de São Vicente de Paulo numa paróquia totalmente ressuscitada.

Uma vida peculiar: cantor em cabarés
A vida de padre Michel Marie foi agitada. Nasceu e 1959 e tem origem russa, italiana e da Córsega. Aos 13 anos perdeu ma mãe, o que causou uma “fratura devastadora” que o levou a unir-se ainda mais a Nossa Senhora.
Com um grande talento musical, apagou a perda da mãe com a música. Em 1977 depois de ter sido convidado a tomar café em Paris de Montecarlo mudou-se para capital onde começou a sua carreira de compositor e cantor de cabarés. No entanto o apelo de Deus foi mais forte e em 1988 entrou na Ordem Dominicana por devoção a S. Domingos. Esteve com eles por quatro anos, e perante o fascínio por S. Maximiliano Kolbe passou pela Ordem Franciscana, onde permaneceu quatro anos.
Foi em 1999 quando foi ordenado sacerdote para diocese de Marselha com quase 40 anos. Além da música, que agora dedica a Deus, também é escritor de êxito, tendo publicado já seis livros, e ainda poeta.


Fonte: http://iluminareaquecer.blogspot.co.at/2012/padre-michel-zanotti.html
    


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