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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Uma reflexão sobre o sacrifício


* O que entendemos por sacrifício?
Do Latim SACRIFICIUS, de mesmo significado, formado por SACER, “sagrado”, mais a raiz de FACERE, “fazer”, ou seja, é uma maneira de tornar sagrado um ato. O termo sacrifício origina-se do latim sacrificium, de sacrum facere, que consiste numa oferta feita à divindade, seguida de certas cerimônias.
Em português, designa a ação de sacrificar, que consiste exatamente em oferecer (-se) em sacrifício a uma divindade, como expiação. Também denota o ato de consagrar-se ou devotar-se; e, igualmente: o ato de renunciar a algo ou desprezar algo em benefício de outra coisa. Ainda se refere ao ato de se matar um animal. Já segundo o Dicionário de Mitologia latina, de Tassilo Orpheu Spalding: “Os sacrifícios remontam a mais alta antiguidade. O Gênese descreve os primeiros homens da terra oferecendo sacrifícios a Deus, frutos da terra e animais. Os sacrifícios humanos foram praticados por quase todos os povos antigos. Na própria Roma tornaram-se raros, mas nunca deixaram de existir. O sacrifício romano era assaz complexo. O sacrificador, vestido de branco e coroado de folhagens, começava, sempre, a cerimônia por meio de votos e preces. No princípio somente se ofereciam aos deuses os frutos da terra; o Rei Numa fez uma rigorosa prescrição nesse sentido; mas, depois deste rei, o uso de imolar animais espalhou-se em Roma e consideravam a efusão de sangue como muito agradável à divindade. Contudo, deuses ou divindades havia que não admitiam sacrifícios cruentos, como, p. ex., Pomona. Os animais destinados ao sacrifício chamavam-se "vítimas" ou "hóstias". Deveriam ser sadios e fisicamente perfeitos, i. é, não poderiam ter defeitos congênitos” (Editora Culturix, 1972, p. 164).
Na Bíblia podemos encontrar vários tipos de sacrifícios:
·         De Construção: Feito por humanos para proteção de novas edificações como no Egito (Jos 6,26; 1Rs 16,34)
·         De libação: Feito em derramar/libar vinho ou azeite para perfumar o sacrifício de animais (Dt 32,38; Os 9,4; Gn 28,18; 35,14; Mq 6,7)
·         De incenso: Feito junto com os de comidas e somente mais tarde era feito separadamente no altar dos perfumes (Am 4,5; Lv 2, 2. 15 ss)
·         Dos frutos da Terra: “sacrifício pelos pecados” para os pobres, consistia em farinhas, bolos, com óleos e incenso ou frutos da terra era queimado no altar e parte ficava para o sacerdote (Lv 2, 1-16; 6,7-11).
·         De Ação de Graças: Toda carne consumida era um sacrifício aos deuses, ou se oferecia as gorduras de um animal e se consumia o restante para criar  comunhão entre os convivas e a divindade (Gn 4,4 1 Sm 2, 16)
·         Expiatório: para apagar os pecados afim de restabelecer a união vital entre o homem e Deus Lv 16, 1ss; 14,6ss. 50-52. Consistia em solta um animal bode ou pássaro expulsando a impureza;
·         Humano: Muito combatido na escritura, podemos perceber o exemplo do sacrifício de Isaac e da filha de Jetfé (Gn 22, 1-13; Jz11, 31-39);
·         Matutino/vespertino: acontecia ao nascer do dia ou no fim como um sacrifício cruento Nm 28, 3-8;
·         Purificatório: é o sacrifício que opera a purificação de uma impureza ritual como o parto, lepra, fluxo doentio, tocar em cadáveres ou por algum pecado;


 * Sacrifício de Cristo por nós, especialmente a Cruz (como meio de salvação)
Santa Missa é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, oferecido em nossos altares, em memória do Sacrifício da Cruz. O Santo sacrifício da Missa é oferecido para adorar e glorificar a Deus, para obter o perdão dos pecados, para pedir graças e favores pessoais e também pelas almas do Purgatório. É o Sacrifício da Nova Lei, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, no qual são oferecidos a Deus o Corpo e o Sangue de Jesus, sob as aparências do pão e do vinho.

É uma prolongação perene e incruenta (sem derramamento de sangue) do mesmo Sacrifício do Calvário. Ambos os sacrifícios, o da Cruz no Calvário, e o da Missa em nossos altares, constituem um único e idêntico sacrifício, pois que a Vítima e o Oferente destes sacrifícios é o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. O Sacerdote, como "Mediador entre Deus e os Homens" (1 Tim. 2, 5) oferece o Santo Sacrifício da Missa em nome de Jesus Cristo e da sua Igreja, pela salvação do mundo.

A Paixão de Cristo constitui a essência mesma do Santo Sacrifício da Missa. Por isso, afirmou o Apóstolo São Paulo: "Todas as vezes que comerdes deste Pão e beberdes deste Vinho, relembrarei a morte do Senhor, até que Ele venha". (I Cor, 11,26).
O sacrifício de Cristo na cruz substitui qualquer outro sacrifício, porque não oferece animais ou alimentos, mas oferece a si próprio para a remissão dos pecados sendo Ele mesmo altar, sacerdote e vítima inocente. Só Deus poderá reparar o homem.
Deus não quer animais, e holocaustos, mas um coração contrito e humilde!
Amós 5, 25-27; Um coração obediente (ob audire) vale mais que os sacrifícios... 1 Sm 15, 22; Os 6,6 e Sl 50.
 * Col 1,24
Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja.  Como participantes e em comunhão com Cristo na Igreja somos chamados a tomar posse de nossa cruz para que a redenção aconteça, ou melhor, seja aceita em nossa vida! Na Eucaristia o sacrifício e a ação de graças se atualiza perenemente na terra.


Frei F. Soares,OFMConv.

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