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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Fim do dia


Por: Dom Murilo S.R. Krieger, SCJ*

O dia terminou. Um dia que nunca mais se repetirá em sua vida. Dia diferente de todos os outros, por mais semelhante que possa ter com o de ontem ou com aquele que o aguarda amanhã. É possível que o cansaço, o desânimo e as preocupações não lhe tenham possibilitado refletir sobre o significado deste dia e da importância dele em sua vida. E isso é uma pena, pois você acabará perdendo a oportunidade de dar um passo de qualidade em sua vida. Suas alegrias seriam mais valorizadas, seus sofrimentos seriam mais bem compreendidos e as experiências vividas o amadureceriam mais, se você recordasse das pessoas que conheceu e das amizades que aprofundou. Então, um sorriso brotaria em seu rosto, pois se convenceria de quanto foi positivo o dia que termina.
Seu olhar sobre a realidade que o cerca lhe mostraria que, infelizmente, o dia de hoje foi marcado por muitos desentendimentos, desastres e mortes violentas; mostrar-lhe-ia, também, que, em muitos setores, o ser humano ficou até mais pobre, uma vez que se tornou escravo do prazer, do poder ou dos bens materiais. Entretanto, e os atos de bondade que a IMPRENSA não registrou? E os gestos de dedicação que foram feitos, silenciosamente, em benefício de doentes e necessitados? E o carinho de inúmeras mães no interior de seus lares? E os livros que foram escritos, reacendendo a esperança no coração de muitos?
Contudo, por mais completa que fosse sua reflexão sobre o dia que chega ao fim, você não conseguiria ser suficientemente objetivo e justo em sua analise. Na verdade, não conseguiria ter um olhar abrangente sobre tudo o que vivenciou ou aconteceu no mundo. Para isso, seria preciso que você pudesse subir muito alto, acima da sua cidade, acima do mundo, acima do tempo, para ver tudo com os olhos do SENHOR. Aí, sim, você veria o dia que termina como o Pai viu e teria a exata dimensão do que esse dia representou em sua vida e na caminhada da humanidade. Com o olhar do Pai, que penetra no mais profundo dos acontecimentos, você veria, em meio ao ódio, às desgraças e ao pecado que empobreceram a vida de muitos, a humanidade, faminta, caminhou à procura do amor – do amor eterno, capaz de saciar sua fome e seu vazio. Veria que nessa corrida desenfreada atrás de coloridas bolhas de sabão, que desapareceram quando as pessoas as tocaram, houve sempre, mesmo que inconscientemente, a procura de valores que nenhum outro é capaz de comprar. Dito isso de forma mais clara: em toda parte, houve sempre a procura de “alguém” capaz de saciar a fome de paz e de felicidade do coração humano. Essa experiência foi vivenciada por Agostinho de Hipona (+430), que assim traduziu: “Criaste-nos para ti, Senhor, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em ti”.

Feita a reflexão, você se sentiria na obrigação de agradecer, reconhecer suas limitações e pedir. Agradecer ao Pai, que mais uma vez, caminhou ao seu lado, animando-o e atraindo-o a Ele. A todo momento, Ele lhe deu inúmeras oportunidades de tirar lições dos próprios erros, transformando-os em trampolim para um salto maior em sua direção. No reconhecimento de suas limitações, longe de se sentir deprimido, você descobriria que justamente porque o egoísmo tende a se manifestar sob muitas formas em sua vida é que o Pai enviou seu Filho ao mundo. É missão do Salvador. É missão do Salvador nos ensinar a ler, em nossa vida, os sinais que o Pai deixou para que pudéssemos encontra-lo a cada hora e sempre. Então, um pedido nasceria espontâneo , em seu coração – pedido que nasceu antes no coração do Salmista, que assim o traduziu: “ Senhor, ouve a minha oração, sê atento à minha súplica, tu és fiel, e pela tua justiça responde-me... Recordo os tempos antigos, medito todas as tuas obras, reflito sobre os teus atos... Não me escondas o teu rosto... De manhã faze –me  sentir tua bondade, pois em ti confio. Indica-me a estrada que devo seguir, porque a ti elevo minha alma... Ensina-me a cumprir tua vontade, porque é meu Deus!” (Sl 142 [143], 1.5.7.10)
* Revista Mensageiro do Coração de Jesus Vol.118. n° 1.305 novembro de 2012 página 05.

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