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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Cantamos a Beleza Encarnada

Por: Irmã Míria Kolling, ICM*
“Brilha hoje uma luz sobre nós, pois nasceu para nós o Senhor!” (Salmo 96/97) Com que emoção, alegria e espírito de adoração devemos nós celebrar este evento central da nossa fé - a Encarnação do Filho Eterno, Jesus Cristo, a beleza em pessoa, cuja luz resplandece para a humanidade em seu Natal! É através do Verbo feito Carne que temos acesso à beleza, à santidade e à glória de Deus. Em sua manifestação histórico-salvífica, a Beleza eterna de Deus se revela no tempo, o Infinito irrompe no finito, o Invisível se torna visível, o céu desce à terra e o Amor faz morada entre nós. “Apareceu a bondade do nosso Salvador”, diz Paulo a Tito (Tito 3,4), verdade que o sensível poeta Pe. Lucio Floro traduziu de forma tão terna e densa em nossa Missa da Noite Feliz :“Se Deus põe todo o seu amor divino no coração assim de uma criança, nas mãos fofinhas deste Pequenino vou pôr meu ser, vou pôr minha esperança!” Jesus Cristo, o rosto humano de Deus, é a Beleza Divina que nos salva, o Sol nascente e sem ocaso que nos visita, a Luz resplandecente que se derrama sobre a nossa noite, inundando-nos da alegria, da graça e do esplendor do céu. Em Jesus, a Palavra se faz Carne e habita entre nós (Jo 1, 14))!

O Verbo Eterno visitou o tempo, assumindo nossa humanidade, transformando a nossa história em história da salvação, devolvendo-nos a luz e a beleza para as quais fomos criados. É de tal forma admirável e maravilhoso este mistério, que palavra alguma pode traduzir, arte alguma consegue expressar. Cabe-nos acolher esta presença misteriosa, abrir-nos ao Amor e deixar-nos banhar pela divina beleza! Pois, no dizer de João Paulo II, em sua Carta aos Artistas, “A beleza é para dar entusiasmo ao trabalho, o trabalho para ressurgir!” Assim, mais do que simples aniversário e comemoração do nascimento de Jesus, o Natal é a memória e celebração do seu mistério redentor, realizando já na manjedoura a salvação que culmina com sua cruz, morte e ressurreição. É a Páscoa presente no Natal do Senhor! Este “Deus-Mistério”, este Mistério Pascal de Cristo, nós o celebramos sobretudo na Sagrada Liturgia, quando entramos em sintonia com a Divina Beleza e expressamos, através da Palavra e do silêncio, da ação ritual, dos gestos e símbolos, a Beleza e a Santidade de Deus em seu Filho Jesus, que se fez nosso Irmão! Sabemos que, entre os símbolos usados na Liturgia, a música é linguagem privilegiada para evocar o mistério, traduzir a beleza, expressar o indizível, encontrar o divino, levar-nos do visível ao Invisível, porque ela fala diretamente ao coração.
Nunca é demais lembrar que o canto, como parte integrante da liturgia, deve favorecer a experiência de beleza e alegria, remetendo-nos a Deus e favorecendo nosso encontro pessoal com o Senhor, “o mais belo entre os filhos dos homens”, conforme o Salmo 44. A liturgia, por si só, é “obra de arte”, poema completo e perfeito, no dizer da nossa poetisa mineira Adélia Prado, e não admite enfeites ou “verniz de purpurinas”, coisas supérfluas e artificiais, como completa Cláudio Pastro, nosso grande artista sacro. “A beleza litúrgica não é uma qualidade acessória ou secundária, mas pertence à própria identidade da celebração”. (Artigo “A beleza na liturgia”, de Joan Maria Canais, CMF, na revista Grande Sinal, janeiro-fevereiro 2002, pág. 97, Editora Vozes). E “a liturgia só é bela e, portanto, verdadeira, quando despojada de qualquer outro motivo que não seja a celebração de Deus, para Ele, por meio Dele, com Ele e Nele!” (Via pulchritudinis – o caminho da beleza, pág. 58 – Loyola). Como resposta à beleza luminosa de Cristo que vem ao nosso encontro e nos toca, na graça deste Natal, sobretudo pela Palavra e a Eucaristia, irrompa em nós o canto de adoração e ação de graças, traduzindo a alegria de saber-nos amados pelo Amor. Seja a nossa música uma solene profissão de fé! Transpareçam em nosso canto a luminosidade e a beleza do Deus Encarnado em Jesus! Alma em festa, coração de joelhos, mergulhados na Divina Beleza, o Deus Trindade, entoemos com a voz, a mente e a vida, nosso hino de louvor: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos que Ele ama...”

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