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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O CORDÃO DE SÃO FRANCISCO


(Artigo publicado na Santa Cruz. Nov/1982 e no Boletim da Comissão Mineira de Folclore. Ago/1986)

Seu uso no Século XIII

Já no primeiro século franciscano o cordão de São Francisco chamava muita atenção. Vejamos o que diz a seu respeito Tomás de Celano)em três textos distintos:

"Quando saíram, o bem-aventurado Domingos pediu a São Francisco que se dignasse dar-lhe a corda que trazia na cintura. São Francisco custou para fazer isso, negando-se com tanta humildade quanto era a amizade com que o outro fazia o pedido. Mas o pedido devoto acabou vencendo, e ele cingiu a corda com muito respeito embaixo de sua túnica" (II Cel. 150).

"Então o demônio lhe aprontou uma gravíssima tentação de luxúria. Mas o Santo-Pai, logo que percebeu, tirou a roupa e se açoitou duramente com uma corda, dizendo: Vamos, irmão asno, é assim que te deves comportar, é assim que tens de ser castigado" (II Cel. 116).

"Gualfredúcio (...) tinha consigo uma corda que São Francisco já tinha usado na cintura. Aconteceu que naquela cidade muitos homens e não poucas mulheres sofressem de várias doenças e febre. O homem de que falamos visitava a casa de cada um dos doentes, mergulhava a corda na água ou misturava alguns de seus fiapos dentro dela. Dava-a de beber aos pacientes e assim, no nome do Senhor, todos conseguiam a saúde" (I Cel. 64) (cf. I Cel. 120).

Descobrimos aqui: São Domingos que usa o cordão num ato, digamos, de devoção; São Francisco, ele mesmo, açoita-se com a corda contra a tentação do demônio; e Gualfredúcio cura com ele as doenças.


Durante a História

A devoção do cordão de São Francisco continuou através dos séculos. Surgiram até confrarias de Cordígeros. Encontramos uma notícia sobre cordígeros na Bahia: No Arquivo Histórico Ultramarino em Lisboa existe o 'Compromisso da Venerável Ordem dos Cordigérios da Penitência do Patriarca São Francisco de Assis (...) na sua igreja própria de Santa Maria dos Anjos da Portiúncula deste Arcebispado da Bahia. Roma, 1720, 2 de maio.'(Cód.1494) Não nos é possível uma leitura do compromisso da Bahia, por isso consultamos o 'Manual da Arquiconfraria do Cordão de São Francisco de Assis'(Rio, 1957), que diz: O belo gesto de São Domingos espalhou-se por toda parte (...). Muitos, impedidos de entrar na primeira ou na segunda ordem franciscana e não tendo suficiente preparo para se tornarem terceiros, fizeram por si mesmos cordões semelhantes àquele usado pelo Santo, cingindo-se ao modo dele. (...) Em sinal de aprovação eclesiástica deste piedoso costume o Papa Sixto V, franciscano conventual, reuniu todos os cordígeros existentes e todas as confrarias, que para o futuro fossem eretas, na Arquiconfraria do Cordão de São Francisco por ele assim fundada em 1581. (Const: Ex supremae dispositionis). Determinou também que a sede universal da arquiconfraria fosse ereta na Basílica Papal de São Francisco de Assis na Itália, onde jaz o corpo do Seráfico Pai São Francisco (Const. Divinae Caritatis, 1587). Também outros papas demonstraram seu apoio à arquiconfraria entre os quais o Papa Pio XI (Rite Expiatis, 1926).

Sobre o uso do cordão encontramos coisas curiosas na "Collecção de Bençãos Ecclesiasticas Approvadas pela Santa Igreja Catholica Romana"(Porto,l797). Neste livro constam uma benção do cordão recebido por devoção(pág.207) e uma benção do hábito de São Francisco para os defuntos(pág.209).

Um comentário:

Giancarlo Salvagni disse...

prezado, gostaria muitíssimo de ter um cordão desses... vejo que tem nós especiais e a tradição daso orações...
como seria isso possível, pode me ajudar?
gratidão!
Paz e Bem!
Giancarlo Salvagni
reikibahia@gmail.com

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