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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

"A infância de Jesus": último livro da triologia de Bento XVI

Jesus nasceu em Belém no ano 15 do império de Tibério César, e seu nascimento virginal "não é um mito, mas uma verdade", afirma o papa Bento XVI em seu livro "A infância de Jesus", apresentado na última terça-feira (20) no Vaticano. O livro será vendido a partir da quarta, em 21 línguas, nas livrarias de 50 países.

"É certo que Jesus foi concebido por obra e graça do Espírito Santo e nasceu de santa Virgem Maria?. Sim, sem reservas", escreve o pontífice, que ressalta que há dois pontos na história de Jesus nas quais a ação de Deus intervém diretamente no mundo material: no parto de Nossa Senhora e na Ressurreição no Sepulcro, "no qual não permaneceu nem sofreu a corrupção".

"A infância de Jesus" é o terceiro livro da trilogia de Joseph Ratzinger-Bento XVI (são usados os dois nomes no volume, já que ele começou a escrevê-la quando ainda era cardeal) sobre Jesus.

O livro, de 176 páginas, tem um prólogo do papa e está dividido em quatro capítulos e um epílogo. O primeiro capítulo é dedicado à genealogia do Salvador nos Evangelhos de Mateus e Lucas, ambos muito diferentes, segundo o papa, mas com o mesmo significado teológico-simbólico: a colocação de Jesus na história.

O segundo capítulo fala do anúncio do nascimento de João Batista e de Jesus, e nele Bento XVI escreve que lendo o diálogo entre Maria e o anjo Gabriel, se vê como Deus, por intermédio de uma mulher busca "uma nova entrada no mundo".

O terceiro capítulo aborda o nascimento em Belém e seu contexto histórico, no Império Romano que, sob Augusto, se estende entre Oriente e Ocidente e que, com sua dimensão universal, "permite a entrada no mundo de um portador de salvação universal".

O quarto capítulo trata dos Reis Magos. No texto, o papa reconstrói uma ampla gama de informação histórico linguística e científica.

No epílogo, Bento XVI lança mão do Evangelho de Lucas e conta o último episódio da infância de Jesus, a última notícia que se tem dele antes do início de sua vida pública com o batismo nas águas do rio Jordão. Trata-se do episódio de três dias durante a peregrinação da Páscoa, na qual Jesus, com 12 anos, se afasta de Maria e José e permanece no Templo de Jerusalém debatendo com doutores da Lei.

A publicação é assinada por Joseph Ratzinger-Bento XVI (são usados os dois nomes porque ele iniciou a trilogia como cardeal). Os dois volumes anteriores tratam da vida adulta de Jesus e de seus ensinamentos públicos. 

Texto: http://riodasostrasjornal.blogspot.com.br/2012/11/papa-bento-xvi-lanca-livro-sobre.html



Segue alguns trechos publicado no Brasil pelo site UNISINOS (http://www.ihu.unisinos.br/noticias/515763-a-infancia-de-jesus-alguns-trechos-do-novo-livro-do-papa)


Publicamos aqui alguns trechos do novo livro do Papa Bento XVI, A Infância de Jesus. O texto foi publicado no jornal dos bispos italianos, Avvenire, 22-11-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O papel de uma mulher, Maria, na história do mundo

[A genealogia de Mateus] termina com uma mulher: Maria, que, na realidade, é um novo início e relativiza a genealogia inteira. Através de todas as gerações, tal genealogia havia procedido segundo o esquema: "Abraão gerou Isaac...". Mas, no fim, aparece algo bem diferente. Acerca de Jesus não se fala mais do que uma geração, mas se diz: "Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo" (Mt 1, 16).

No seguinte relato do nascimento de Jesus, Mateus nos diz que José não era o pai de Jesus e que ele pretendia repudiar Maria em segredo por causa do suposto adultério. E, então, lhe é dito: "O que nela foi concebido é obra do Espírito Santo" (Mt 1, 20).

Assim, a última frase dá toda uma nova abordagem à genealogia inteira. Maria é um novo início. O seu bebê não provem de nenhum homem, mas é uma nova criação, foi concebido por obra do Espírito Santo. A genealogia permanece importante: José é juridicamente o pai de Jesus. Mediante ele, Ele pertence, segundo a Lei, "legalmente", à tribo de Davi. Mas, mesmo assim, vem de outro lugar, "do alto" – do próprio Deus.

O mistério do "onde", da dupla origem, vem ao nosso encontro de um modo muito concreto: a sua origem é determinável, mas, contudo, é um mistério. Só Deus é, no sentido próprio, o seu "Pai". A genealogia dos homens tem a sua importância no que diz respeito à história do mundo. E, apesar disso, no fim, é Maria, a humilde virgem de Nazaré, aquela em que acontece um novo início, recomeça de modo novo o ser pessoa humana.

Capítulo 1: "De onde tu és?" (Jo 19, 9), p. 15-16.

O quadro histórico e teológico da narração do nascimento no Evangelho de Lucas

"Naqueles tempos apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra" (Lc 2, 1). Com essas palavras, Lucas introduz o seu relato sobre o nascimento de Jesus e explica por que ele aconteceu em Belém: um censo com o objetivo de determinar e depois cobrar os impostos é a razão pela qual José e Maria, sua esposa, que está grávida, vão de Nazaré a Belém.

O nascimento de Jesus na cidade de Davi se coloca no quadro da grande história universal, mesmo que o imperador não sabe nada do fato de que essa gente simples, por sua causa, está em viagem em um momento difícil, e assim, aparentemente por acaso, o menino Jesus nascerá no lugar da promessa.

Para Lucas, o contexto histórico-universal é importante. Pela primeira vez é registrada "toda a terra", o ecumene no seu todo. Pela primeira vez existe um governo e um reino que abraça o orbe. Pela primeira vez existe uma grande área pacificada, em que todos os bens podem ser registrados e postos ao serviço da comunidade. Só nesse momento, em que existe uma comunhão de direitos e de bens em larga escala e em que uma língua universal permite a uma comunidade cultural o entendimento no pensamento e no agir, uma mensagem universal de salvação, um portador universal de salvação pode entrar no mundo: de fato, é "a plenitude dos tempos".

Capítulo 3: O nascimento de Jesus em Belém, p. 71-72.

Astrologia e religião na história dos Magos

Gregório Nazianzeno diz que, no momento mesmo em que os Magos se prostraram diante de Jesus, teria chegado o fim da astrologia, porque, a partir daquele momento, as estrelas teriam girado na órbita estabelecida por Cristo (Poem. dogm. V, 55-64: PG 37, 428-429).

No mundo antigo, os corpos celestes eram vistos como potências divinas que decidiam o destino dos seres humanos. Os planetas traziam nomes de divindades. Segundo a opinião de então, eles dominavam o mundo de algum modo, e o ser humano devia tentar entrar em acordo com essas potências.

A fé no único Deus, testemunhada pela Bíblia, realizou aqui bem logo uma desmitificação, quando o relato da criação, com magnífica sobriedade, chama o sol e a lua – as grandes divindades do mundo pagão – de "lâmpadas" que Deus, juntamente com todas as hostes das estrelas, suspende na cúpula celeste (cf. Gn 1,16s).

Entrando no mundo pagão, a fé cristã devia novamente abordar a questão das divindades astrais. Por isso, nas Cartas da prisão aos Efésios e aos Colossenses, Paulo insistiu fortemente no fato de que o Cristo ressuscitado venceu todo Principado e Potestade do ar e domina todo o universo. Nessa linha também está o relato da estrela dos Magos: não é a estrela que determina o destino do Menino, mas sim o Menino que guia a estrela. Querendo, pode-se falar de uma espécie de reviravolta antropológica: o homem assumido por Deus – como aqui se mostra no Filho unigênito – é maior do que todas as potências do mundo material e vale mais do que o universo inteiro.

Capítulo 4: Os Magos do Oriente e a fuga ao Egito, p. 118-119.

Jesus deixa a família porque deve ser junto do Pai

A resposta de Jesus à pergunta da mãe é impressionante: Mas como? Vocês me procuraram? Não sabiam onde um filho deve estar? Ou seja, que deve se encontrar na casa do Pai, "nas coisas do Pai" (Lucas 2, 49)? Jesus diz aos genitores: encontro-me justamente lá onde é o meu lugar – junto do Pai, em sua casa.

Nessa resposta, são importantes sobretudo duas coisas. Maria dissera: "Teu pai e eu, angustiados, te procurávamos". Jesus a corrige: eu estou junto do Pai. Não é José o meu pai, mas sim um Outro – Deus mesmo. A Ele pertenço, junto dele Ele me encontro. Talvez poderia ser expressa mais claramente a filiação divina de Jesus?

Com isso, está diretamente conectada a segunda coisa. Jesus fala de um "dever" ao qual Ele se atém. O filho, o menino deve estar junto do pai. A palavra grega deî, que Lucas usa aqui, sempre retorna nos Evangelhos lá onde é apresentada a disposição da vontade de Deus, a qual Jesus se submete. Ele "deve" sofrer muito e ser rejeitado, ser morto e ressurgir, assim como diz aos discípulos depois da profissão de Pedro (cf. Mc 8, 31).

Esse "deve" já vale nesse momento inicial. Ele deve estar junto do Pai, e assim fica claro que o que aparece como desobediência ou como liberdade inconveniente com relação aos genitores, na realidade, é justamente expressão da sua obediência filial. Ele está no Templo não como rebelde contra os genitores, mas sim exatamente como Aquele que obedece, com a mesma obediência que levará à Cruz e à Ressurreição.

Epílogo: Jesus aos 12 anos no Templo, p. 143-144.


Também é importante o que Lucas diz sobre o crescimento de Jesus não só em idade, mas também em sabedoria. De um lado, na resposta do menino de 12 anos, tornou-se evidente que Ele conhece o Pai – Deus – a partir de dentro. Ele conhece a Deus não só apenas através das pessoas humanas que o testemunham, mas Ele também o reconhece em si mesmo. Como Filho, Ele está face a face com o Pai. Ele vive na sua presença. Ele o vê.

João diz que Ele é o Único que "está no seio do Pai" e, por isso, pode revelá-lo (Jo 1, 18). É justamente isso que se torna evidente na resposta do menino de 12 anos: Ele está junto do Pai, vê as coisas e os seres humanos na sua luz.

No entanto, também é verdade que a sua sabedoria cresce. Como homem, Ele não vive em uma onisciência abstrata, mas está enraizado em uma história concreta, em um lugar e em um tempo, nas várias fases da vida humana, e disso recebe a forma concreta do seu saber. Assim aparece aqui, de modo muito claro, que Ele pensou e aprendeu de forma humana.

Fica realmente claro que Ele é verdadeiro homem e verdadeiro Deus, como se expressa a fé da Igreja. Em última análise, não podemos definir o profundo entrelaçamento entre uma e outra dimensão. Permanece um mistério e, todavia, aparece de modo muito concreto na breve narração do menino de 12 anos – uma narração que, assim, ao mesmo tempo, abre a porta para o todo da sua figura, que depois nos é relatado pelos Evangelhos.

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