Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

domingo, 28 de outubro de 2012

Não somos do mundo, mas vivemos no mundo


Por: Frei Antônio Molisani Telles, OFMConv*
1. Viver como irmãos a serviço dos outros

A escolha de viver uma “vida evangélica” inevitavelmente se contrapõe a outras formas de vida. Sabemos que acolher o convite à conversão implica numa ruptura com certo mundo de valores e de estilos de vida e pensamentos estranhos para viver a lógica do Evangelho, mas ao mesmo tempo nos conduz a viver em comunhão com todos os seres humanos.
Enquanto a sociedade é estratificada e dividida pela concorrência feroz, visando a obter o sucesso econômico e riqueza material, acessando cada vez mais sofisticados bens tecnológicos e de informação, nós, ao contrário, dizemos ao mundo, antes de tudo que somos irmãos e que queremos viver como irmãos, quebrando todas as barreiras da discriminação social. Caminhamos pelas estradas do mundo com simplicidade e humildade, pondo a nossa vida a serviço dos outros, através de gestos concretos de solidariedade que nascem do nosso coração e que tornam resposta ao homem de hoje, o qual está à procura do sentido da vida. Sentimos a urgência de sermos operários da justiça, de querermos proteger este nosso mundo pleno de vida da destruição promovida pelo desejo de enriquecer-se sempre mais, também a custo de pisotear os valores. Estamos felizes de poder falar com quem é diferente ou com aqueles que tem uma fé diferente da nossa. Nestas e outras coisas encontramos o nosso lugar e o nosso modo de ser no mundo: testemunhas da paz que vem de Cristo.

2. REALMENTE COMPREENDEMOS O MUNDO DE HOJE?

Dialogar significa ter também a capacidade de escutar. Os nossos principais interlocutores são o Evangelho, os homens e as mulheres da nossa sociedade. Queremos entender as palavras do mundo de hoje, as suas opções e as suas orientações, para não nos tornarmos surdos e cegos aos seus grandes sucessos e vitórias. Da mesma forma devemos estar atentos aos seus legítimos pedidos e exigências. Queremos partilhar com eles a nossa experiência de Jesus, o que significa para nós, viver segundo as exigências do seu amor radical manifestado na cruz, e como, aproximando-nos d’Ele, podemos saciar a nossa fome da verdade, da justiça e da liberdade. Apenas se mantivermos a nossa mente aberta e atenta às mudanças do mundo contemporâneo, poderemos garantir que o nosso testemunho seja verdadeiro e credível. Nós não condenamos aqueles que pensam diferente, mas os consideramos companheiros no caminho comum da vida, como irmãos e irmãs com os quais compartilhamos o desejo de encontrar verdadeiros processos de humanização para caminharmos juntos.    
A renovação interior está diretamente ligada ao esforço de compreender o outro e à capacidade de por em marcha um processo de sincera autocrítica. Além disso, também nos sentimos desafiados a encontrar uma linguagem adequada e compreensível para o nosso testemunho evangélico. Queremos que Cristo encontre em nós os evangelizadores capazes de anunciar a Boa Nova em um mundo novo, com o entusiasmo que caracterizou o apóstolo Paulo, que levou este anúncio de maneira criativa a uma sociedade diferente daquela na qual Jesus e os seus primeiros discípulos nasceram e viveram.

3. O MUNDO É O NOSSO CLAUSTRO.

Esta afirmação, que encontramos no Sacrum Commercium (cf. n. 63), adquire hoje um valor diferente, que nos impulsiona para uma nova dimensão.Uma expressão que pode ser tomada como símbolo da necessidade de inventar novos modos de testemunhar o Evangelho. Não nascemos para permanecer bloqueados nas estruturas surgidas no passado, mas para descobrir com os outros homens modos melhores de realização pessoal e coletiva. Nesta ótica São Maximiliano Kolbe é um exemplo. A sua visão pessoal de evangelização lhe permitiu utilizar todos os recursos a sua disposição para anunciar Cristo. Novos meios que devem servir, sobretudo, para criar comunhão.
Isto significa acolher a força da ação do Espírito que nos leva a ser irmãos. Porque uma verdadeira fraternidade no mundo de hoje deve ser um lugar de encontro, de respeito recíproco e de ajuda contínua e sincera. Este é o verdadeiro ambiente missionário da nossa Ordem: viver como irmãos e demonstrá-lo ao mundo, que verá, graças a esta nossa relação, a realização do plano de amor de Deus para a humanidade. Um projeto que é um caminho de liberdade, de alegria e que é possível realizar. Nós, com o nosso compromisso somos a prova. Nós que estamos comprometidos a inspirar e viver em nossas fraternidades uma comunidade de pluralidade cultural e que dão vida nos modelos de comunidades evangélicas cada vez mais interculturais.

*Frei Antônio é Custódio Provincial da jurisdição do Rio de Janeiro e escreve esta reflexão aos Capítulos Conventual. 

Nenhum comentário:

Os Mais Vistos