Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Estigmas de São Francisco




No dia 17 de setembro a família franciscana celebra a festa litúrgica da impressão das chagas do seráfico pai São Francisco. Esta antiga festa, aprovada pelo papa Bento XI (1303-1304), faz memória daquele fato miraculoso ocorrido no Monte Alverne em 1224.






MONTE ALVERNE
O Alverne é um monte que se ergue majestoso no centro da Itália, região da Toscana, na diocese de Arezzo. O ponto mais alto deste monte alcança os 1283 metros acima do nível do mar.

A relação de São Francisco com o monte Alverne começa exatamente no dia 08 de maio de 1213 no castelo de São Leão em Montefeltro por ocasião de uma solenidade (investidura na cavalaria de um filho do conde de Montefeltro). Passando por ali, São Francisco e Frei Leão resolveram entrar no castelo para observar o que ali acontecia.

Estava participando daquela solenidade um nobre senhor da Toscana que há muito tempo desejava conhecer São Francisco. O nome desse nobre era Orlando Cattani, Conde de Chiusi. Neste mesmo dia, depois de conversar com o santo, ele deu de presente a São Francisco um monte rochoso chamado Alverne para que fosse utilizado como eremitério. O santo pai se encheu de alegria por causa daquela oferta do piedoso senhor e aceitou-a com humildade.

Ao longo de sua vida o seráfico pai subiu muitas vezes àquele santo lugar para seus retiros. A primeira ida do santo ao Alverne se deu no verão de 1214:
Chegando ao monte Alverne, São Francisco “andou um pouco e encontrou, quase destruída, a cabana preparada um ano antes pelos frades que tinham sido mandados para conhecer o monte. Era exatamente isso que ele queria: um monte solitário, selvagem, privado de todo conforto e sem nenhuma defesa. Assim era o Alverne. Tomou posse dele e aí voltou muitas vezes” (Dicionário Franciscano, Vozes, 1999, 2ª edição, pág. 219).

 

O conde Orlando foi grande benfeitor da Ordem de São Francisco. Mandou construir no Alverne algumas cabanas para os frades e ajudou na construção de uma igreja dedicada a Nossa Senhora dos Anjos que o santo pai ergueu naquele monte entre os anos de 1216 a 1218.

O seráfico pai amava profundamente o Alverne porque ali ele podia reviver mais intensamente o mistério da Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo:
“A ânsia e o desejo de Deus atingem aqui o cume do amor e da dor. Tal como o monte se lhe apresentava: as imensas crateras das rochas, os antros e as cavernas faziam com que ele pensasse na paixão e morte de Jesus no Calvário. Vinha à sua mente o Santo Evangelho: ‘E fenderam-se as rochas’ (Mt 27,51). Um anjo lhe diz que também os rochedos do Alverne se abriram no exato momento da morte do Salvador” (Dicionário Franciscano, Vozes, 1999, 2ª edição, pág. 219).


Após a morte do santo pai Francisco, muitas outras construções foram sendo erguidas ao longo dos séculos para honrar e dignificar aquele santo lugar.
“A doação do monte que o Senhor Orlando fez a Francisco e a seus companheiros realizou-se somente oralmente. Durante 61 anos os frades moraram ali pacificamente, fiados na palavra do doador. O presente foi ratificado pelos filhos: Orlando Júnior, Cungio, Bandino e Guilherme, a 9 de julho de 1274. Através desse ato de confirmação conhecemos a extensão do território doado por seu pai, benfeitor e amigo de Francisco (Dicionário Franciscano, Vozes, 1999, 2ª edição, pág. 217).

Ainda hoje os frades residentes no monte Alverne conservam uma antiga tradição que remonta ao ano de 1432: todos os dias, após o Ofício das três horas da tarde (Noa), os frades saem em procissão da igreja principal até a igreja dos Sagrados Estigmas onde o santo pai recebeu as chagas de Cristo.

Procissão até a igreja dos Sagrados Estigmas.

Corredor que conduz à igreja dos Sagrados Estigmas. 

Igreja dos Sagrados Estigmas: aqui foi o lugar onde São Francisco viu o Serafim crucificado. 

A ESTIGMATIZAÇÃO DE SÃO FRANCISCO


A última ida de São Francisco ao monte Alverne se deu no final do verão de 1224. Sendo grande devoto de São Miguel, o santo pai se dirigiu ao Alverne para fazer mais uma quaresma em honra deste arcanjo.
Um antigo escrito franciscano chamado de “Considerações sobre os Sacrossantos Estigmas” registra uma oração que o santo pai Francisco dirigiu a nosso Senhor Jesus Cristo enquanto estava retirado no Alverne:

“Ó Senhor meu Jesus Cristo, duas graças te peço que me faças antes que eu morra: a primeira é que em vida eu sinta na alma e no corpo, quanto for possível, aquelas dores que tu, doce Jesus, suportaste na hora de tua arcebíssima paixão; a segunda é que eu sinta no meu coração, quanto for possível, aquele excessivo amor do qual tu, Filho de Deus, estavas inflamado para voluntariamente suportar uma tal paixão por nós pecadores” (Considerações dos Estigmas 3).


“Dois anos antes de devolver sua alma ao céu, permanecendo ele no eremitério que pelo lugar em que estava situado se chama Alverne, viu, numa visão divina, um homem à semelhança de um Serafim que tinha seis asas, o qual pairava acima dele com as mãos estendidas e com os pés unidos, pregado à cruz. Duas asas se elevavam sobre a cabeça, duas se estendiam para voar, duas enfim cobriam todo o corpo. E o bem-aventurado servo do Altíssimo, ao ver isto, enchia-se da mais profunda admiração, mas não sabia o que esta visão queria significar. Também rejubilava-se muito e alegrava-se mais intensamente pelo benigno e gracioso olhar com que percebia era olhado pelo Serafim, cuja beleza era demasiadamente inestimável, mas embaraçava-o completamente a crucifixão e a crueldade da paixão dele. E assim, ele se levantou, por assim dizer, triste e alegre, e a alegria e a tristeza alternavam-se nele. Pensava solícito o que poderia significar esta visão, e o espírito dele ficava muito ansioso para captar o sentido inteligível dela. E como não percebesse nada dela com inteligência clara e como a novidade desta visão se apoderasse do coração dele, começaram a aparecer-lhe nas mãos e nos pés as sinais dos cravos, à semelhança do homem crucificado que pouco antes vira acima dele” (1Celano 94).


“Depois que o verdadeiro amor de Cristo transformou o amante na própria imagem, tendo completado o número de quarenta dias, de acordo com o que decretara, sobrevindo também a solenidade do Arcanjo Miguel, Francisco, o homem angélico, desceu do monte, trazendo consigo a imagem do Crucificado, não esculpida em tábuas de pedra ou de madeira pela mão de um artífice, mas desenhada nos membros de carne pelo dedo do Deus vivo” (Legenda Maior 13,5).


Como eram os estigmas de São Francisco?

“Suas mãos e os pés pareciam traspassados no meio por cravos, aparecendo as cabeças dos cravos na parte interior das mãos e na superior dos pés, e saindo as pontas deles do lado oposto. E aqueles sinais eram redondos na parte interna das mãos e longos na parte externa, e aparecia um pedaço de carne como se fosse ponta dos cravos, retorcida e rebatida, que surgia da carne restante. Assim também nos pés os sinais dos cravos foram impressos e sobressaíam da carne restante. Igualmente, o lado direito fora como que traspassado por uma lança, ficando fechada uma cicatriz, e dele muitas vezes jorrava sangue, de modo que sua túnica e os calções, muitas vezes, ficavam molhados com o sangue sagrado” (1Celano 95, 1-4).

São Francisco desejava que aquelas sagradas chagas ficassem sempre ocultas:
“O homem de Deus escondeu-as como pôde, até à morte, não querendo manifestar em público o sacramento do Senhor, embora não conseguisse escondê-las totalmente, sem que pelo menos se tornasse manifesto aos companheiros que tinham familiaridade com ele.


Mas, depois de seu felicíssimo trânsito, todos os irmãos que estavam presentes e um grande número de seculares viram de modo muito evidente o seu corpo ornado com os estigmas de Cristo. Pois percebiam em suas mãos e pés, não certamente as perfurações dos cravos, mas os próprios cravos compostos de sua carne” (Legenda dos Três Companheiros 69,6-70,1-2).

“Quão poucos, enquanto vivia o servo crucificado do Senhor crucificado, mereceram ver a sagrada chaga do lado! Mas feliz foi Elias que, enquanto o santo vivia, de algum modo mereceu vê-la; mas não menos feliz foi Frei Rufino que a tocou com as próprias mãos. (...) Com muito empenho escondia estas coisas dos estranhos, ocultava-as com muita cautela dos mais próximos, de modo que os irmãos que estavam a seu lado e eram devotíssimos seguidores por muito tempo as ignoraram” (1Celano 95, 5-6.9).


Nenhum comentário:

Os Mais Vistos