Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

domingo, 30 de setembro de 2012

Sobre a Esperança Cristã


Primeiramente destacamos a incapacidade do homem transcender a si mesmo por intermédio do próprio poder, colocando a alma em esperanças seculares e, não em poucas vezes na modernidade, fiando-se nas ciências como fonte de resposta para tudo que cerca a vida humana. Esta incoerência é chamada por Eric Voegelin de “imanentização do escháton” da qual o Santo Padre Bento XVI vem cunhar uma nova expressão: “deimanentizar” o escháton através das finalidades últimas de Deus para o homem na originalidade das três virtudes teológicas, como salienta a Encíclica Spe Salvi, ou seja, o lugar da esperança em nossa vida está fundamentada no destino transcendente do homem em se tornar pessoalmente um membro da cidade/Reino de Deus, sem claro, excluir a experiência da morte e do sofrimento, que fazem parte da condição do homem como criatura e pecador, dando sentido e esperança na possibilidade de serem redentoras. Como nos aponta a Encíclica: Neste sentido, é verdade que quem não conhece Deus, mesmo podendo ter muitas esperanças, no fundo está sem esperança, sem a grande esperança que sustenta toda a vida (cf. Ef 2,12). A verdadeira e grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amou, e ama ainda agora “até ao fim”, “até à plena consumação” (cf. Jo 13,1 e 19,30). Quem é atingido pelo amor começa a intuir em que consistiria propriamente a « vida ». Começa a intuir o significado da palavra de esperança que encontramos no rito do Batismo: da fé espero a “vida eterna” – a vida verdadeira que, inteiramente e sem ameaças, em toda a sua plenitude é simplesmente vida. Jesus, que disse de Si mesmo ter vindo ao mundo para que tenhamos a vida e a tenhamos em plenitude, em abundância (cf. Jo 10,10), também nos explicou o que significa “vida”: “A vida eterna consiste nisto: Que Te conheçam a Ti, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste” (Jo 17,3). A vida, no verdadeiro sentido, não a possui cada um em si próprio sozinho, nem mesmo por si só: aquela é uma relação. E a vida na sua totalidade é relação com Aquele que é a fonte da vida. Se estivermos em relação com Aquele que não morre, que é a própria Vida e o próprio Amor, então estamos na vida. Então “vivemos”.
Surge agora, porém, a questão: não será que, desta maneira, caímos de novo no individualismo da salvação? Na esperança só para mim, que, aliás, não é uma esperança verdadeira porque esquece e descuida os outros? Não. A relação com Deus estabelece-se através da comunhão com Jesus – sozinhos e apenas com as nossas possibilidades não o conseguimos. Mas, a relação com Jesus é uma relação com Aquele que Se entregou a Si próprio em resgate por todos nós (cf. 1 Tm 2,6). O fato de estarmos em comunhão com Jesus Cristo envolve-nos no seu ser “para todos”, fazendo disso o nosso modo de ser. Ele compromete-nos a ser para os outros, mas só na comunhão com Ele é que se torna possível sermos verdadeiramente para os outros, para a comunidade. Neste contexto, queria citar o grande doutor grego da Igreja, S. Máximo o Confessor († 662), o qual começa por exortar a não antepor nada ao conhecimento e ao amor de Deus, mas depois passa imediatamente a aplicações muito práticas: “Quem ama Deus não pode reservar o dinheiro para si próprio. Distribui-o de modo ‘divino’ [...] do mesmo modo segundo a medida da justiça”. Do amor para com Deus consegue a participação na justiça e na bondade de Deus para com os outros; amar a Deus requer a liberdade interior diante de cada bem possuído e de todas as coisas materiais: o amor de Deus revela-se na responsabilidade pelo outro. A mesma conexão entre amor de Deus e responsabilidade pelos homens podemos observá-la com comoção na vida de S. Agostinho. Depois da sua conversão à fé cristã, ele, juntamente com alguns amigos possuídos pelos mesmos ideais, queria levar uma vida dedicada totalmente à palavra de Deus e às realidades eternas. Pretendia realizar com valores cristãos o ideal da vida contemplativa expressa pela grande filosofia grega, escolhendo deste modo “a melhor parte” (cf. Lc 10,42). Mas as coisas foram de outro modo. Participava-o na Missa dominical, na cidade portuária de Hipona, quando foi chamado pelo Bispo do meio da multidão e instado a deixar-se ordenar para exercer o ministério sacerdotal naquela cidade. Olhando retrospectivamente para aquela hora, escreve nas suas  Confissões :
“Aterrorizado com os meus pecados e com o peso da minha miséria, tinha resolvido e meditado em meu coração, o projeto de fugir para o ermo. Mas Vós mo impedistes e me fortalecestes dizendo: ‘Cristo morreu por todos, para que os viventes não vivam para si, mas para Aquele que morreu por todos’ (cf. 2 Cor 5, 15)”. Cristo morreu por todos. Viver para Ele significa deixar-se envolver no seu “ser para” .

Uma característica elementar da fé Judaico-cristã é estar inserida na história concreta da humanidade (Jo 1,14) e o seu caráter comunitário (Jo 17, 11-21), mesmo a vocação seja feita a cada individuo a sua repercussão é de total alteridade para com Deus que chama e com os irmão que deve servir. Logo, a esperança não pode estar alheia aos acontecimentos da história e nem ser individualista. Isso O Santo Padre salienta em toda a Encíclica como poderemos observar: Façamos um resumo daquilo que emergiu no desenrolar das nossas reflexões. O homem, na sucessão dos dias, tem muitas esperanças – menores ou maiores – distintas nos diversos períodos da sua vida. Às vezes pode parecer que uma destas esperanças o satisfaça totalmente, sem ter necessidade de outras. Na juventude, pode ser a esperança do grande e fagueiro amor; a esperança de certa posição na profissão, deste ou daquele sucesso determinante para o resto da vida. Mas quando estas esperanças se realizam, resulta com clareza que na realidade, isso não era a totalidade. Torna-se evidente que o homem necessita de uma esperança que vá mais além. Vê-se que só algo de infinito lhe pode bastar, algo que será sempre mais do que aquilo que ele alguma vez possa alcançar. Neste sentido, a época moderna desenvolveu a esperança da instauração de um mundo perfeito que, graças aos conhecimentos da ciência e a uma política cientificamente fundada, parecia tornar-se realizável. Assim, a esperança bíblica do reino de Deus foi substituída pela esperança do reino do homem, pela esperança de um mundo melhor que seria o verdadeiro “reino de Deus”. Esta parecia finalmente à esperança grande e realista de que o homem necessita. Estava em condições de mobilizar – por um certo tempo – todas as energias do homem; o grande objetivo parecia merecedor de todo o esforço. Mas, com o passar do tempo fica claro que esta esperança escapa sempre para mais longe. Primeiro deram-se conta de que esta era talvez uma esperança para os homens de amanhã, mas não uma esperança para mim. E, embora o elemento “para todos” faça parte da grande esperança – com efeito, não posso ser feliz contra e sem os demais – o certo é que uma esperança que não me diga respeito a mim pessoalmente não é sequer uma verdadeira esperança. E tornou-se evidente que esta era uma esperança contra a liberdade, porque a situação das realidades humanas depende em cada geração novamente da livre decisão dos homens que dela fazem parte. Se esta liberdade, por causa das condições e das estruturas, lhes fosse tirada, o mundo, em última análise, não seria bom, porque um mundo sem liberdade não é de forma alguma um mundo bom. Deste modo, apesar de ser necessário um contínuo esforço pelo melhoramento do mundo, o mundo melhor de amanhã não pode ser o conteúdo próprio e suficiente da nossa esperança. E, sempre a este respeito, pergunta-se: Quando é “melhor” o mundo? O que é que o torna bom? Com qual critério se pode avaliar o seu ser bom? E por quais caminhos se pode alcançar esta “bondade”?

 Mais ainda: precisamos das esperanças – menores ou maiores – que, dia após dia, nos mantêm a caminho. Mas, sem a grande esperança que deve superar tudo o resto, aquelas não bastam. Esta grande esperança só pode ser Deus, que abraça o universo e nos pode propor e dar aquilo que, sozinhos, não podemos conseguir. Precisamente o ser gratificado com um dom faz parte da esperança. Deus é o fundamento da esperança – não um deus qualquer, mas aquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até ao fim: cada indivíduo e a humanidade no seu conjunto. O seu reino não é um além imaginário, colocado num futuro que nunca mais chega; o seu reino está presente onde Ele é amado e onde o seu amor nos alcança. Somente o seu amor nos dá a possibilidade de perseverar com toda a sobriedade dia após dia, sem perder o ardor da esperança, num mundo que, por sua natureza, é imperfeito. E, ao mesmo tempo, o seu amor é para nós a garantia de que existe aquilo que intuímos vagamente e, contudo, no íntimo esperamos: a vida que é “verdadeiramente” vida. Procuremos concretizar ainda mais esta idéia na última parte, dirigindo a nossa atenção para alguns “lugares” de aprendizagem prática e de exercício da esperança.

Antes de qualquer resumo à última parte da Encíclica, trago a luz o exemplo de vida, fé, esperança, caridade e justiça que brilharam na história de Santa Bakhita, donde o Santo Padre, de forma iluminada, apresenta brevemente no início da Spes Salvi onde vemos a providencia e a graça de Deus se manifesta na ação e no sofrer caritativo desta que antes de conhecer pessoalmente o Deus Revelado, sabia em seu coração que era uma “Afortunada” do Senhor!
Diz-nos o Papa Bento XVI: O exemplo de uma santa da nossa época pode, de certo modo, ajudar-nos a entender o que significa encontrar pela primeira vez e realmente este Deus. Refiro-me a Josefina Bakhita, uma africana canonizada pelo Papa João Paulo II. Nascera por volta de 1869 – ela mesma não sabia a data precisa – no Darfur, Sudão. Aos nove anos de idade foi raptada pelos traficantes de escravos, espancada barbaramente e vendida cinco vezes nos mercados do Sudão. Por último, acabou escrava ao serviço da mãe e da esposa de um general, onde era diariamente seviciada até ao sangue; resultado disso mesmo foram as 144 cicatrizes que lhe ficaram para toda a vida. Finalmente, em 1882, foi comprada por um comerciante italiano para o cônsul Callisto Legnani que, ante a avançada dos mahdistas, voltou para a Itália. Aqui, depois de “patrões” tão terríveis que a tiveram como sua propriedade até agora, Bakhita acabou por conhecer um “patrão” totalmente diferente – no dialeto veneziano que agora tinha aprendido, chamava “paron”  ao Deus vivo ao Deus de Jesus Cristo. Até então só tinha conhecido patrões que a desprezavam e maltratavam ou, na melhor das hipóteses, a considerava uma escrava útil. Mas agora ouvia dizer que existe um “paron” acima de todos os patrões, o Senhor de todos os senhores, e que este Senhor é bom, a bondade em pessoa. Soube que este Senhor também a conhecia, tinha-a criado; mais ainda, amava-a. Também ela era amada, e precisamente pelo “Paron” supremo, diante do qual todos os outros patrões não passam de miseráveis servos. Ela era conhecida, amada e esperada; mais ainda, este Patrão tinha enfrentado pessoalmente o destino de ser flagelado e agora estava à espera dela “à direita de Deus Pai”. Agora ela tinha “esperança” ; já não aquela pequena esperança de achar patrões menos cruéis, mas a grande esperança: eu sou definitivamente amada e aconteça o que acontecer, eu sou esperada por este Amor. Assim a minha vida é boa. Mediante o conhecimento desta esperança, ela estava  “redimida” , já não se sentia escrava, mas uma livre filha de Deus. Entendia aquilo que Paulo queria dizer quando lembrava aos Efésios que, antes, estavam sem esperança e sem Deus no mundo: sem esperança porque sem Deus. Por isso, quando quiseram levá-la de novo para o Sudão, Bakhita negou-se; não estava disposta a deixar-se separar novamente do seu “Paron”. A 9 de Janeiro de 1890, foi batizada e crismada e recebeu a Sagrada Comunhão das mãos do Patriarca de Veneza. A 8 de Dezembro de 1896, em Verona, pronunciou os votos na Congregação das Irmãs Canossianas e desde então, a par dos serviços na sacristia e na portaria do convento, em várias viagens pela Itália procurou, sobretudo incitar à missão: a libertação recebida através do encontro com o Deus de Jesus Cristo, sentia que devia estendê-la, tinha de ser dada também a outros, ao maior número possível de pessoas. A esperança, que nascera para ela e a “redimira”, não podia guardá-la para si; esta esperança devia chegar a muitos, chegar a todos.
Podemos perceber como a esperança se manifesta no agir, no sofrer e no juízo daqueles que buscam o Caminho, a Verdade e a Vida com sinceridade de coração sem se desligar dos acontecimentos experimentados na história de vida de cada pessoa, pois é nestas experiências de encontro que Deus vai se revelando, sobretudo no escândalo da Cruz e na esperança que dela brota! Este é o centro da reflexão do número 43 da Encíclica Spes Salvi: o cristão pode e deve aprender sempre de novo no Deus que fez-Se uma “imagem”: em Cristo que Se fez homem. N'Ele, o Crucificado, a negação de imagens erradas de Deus é levada ao extremo. Agora, Deus revela a sua Face precisamente na figura do servo sofredor que partilha a condição do homem abandonado por Deus, tomando-a sobre si. Este sofredor inocente tornou-se esperança-certeza: Deus existe, e Deus sabe criar a justiça de um modo que nós não somos capazes de conceber, mas que, pela fé, podemos intuir. Sim, existe a ressurreição da carne. Existe uma justiça. Existe a “revogação” do sofrimento passado, a reparação que restabelece o direito. Por isso, a fé no Juízo final é, primariamente, e, sobretudo esperança – aquela esperança, cuja necessidade se tornou evidente justamente nas convulsões dos últimos séculos. Estou convencido de que a questão da justiça constitui o argumento essencial – em todo o caso o argumento mais forte – a favor da fé na vida eterna. A necessidade meramente individual de uma satisfação – que nos é negada nesta vida – da imortalidade do amor que anelamos, é certamente um motivo importante para crer que o homem seja feito para a eternidade; mas só em conexão com a impossibilidade de a injustiça da história ser a última palavra, é que se torna plenamente convincente a necessidade do retorno de Cristo e da nova vida.

Bibliografia:

BENTO XVI, Papa. Carta Encíclica Spes Salvi: sobre a esperança cristã. São Paulo: Edições Loyola, 2007.

COMMUNIO. Revista Internacional de Teologia e Cultura. Vol: XXVIII, nº3 (Jul/ Set. 2009). pp 713-722.



Dom Orani fala sobre Dom Antonio Maria Mucciolo

"A Rede Vida foi moldada com seu coração e sua generosidade"
Por: Dom Orani João Tempesta

Falecimento de Dom Antônio Maria Mucciolo, Arcebispo Emérito de Botucatu e presidente do INBRAC-RedeVida de Televisão

Recebo, comovido, a notícia da páscoa de meu amado irmão no episcopado, Dom Antônio Maria Mucciollo, que, depois de 89 anos de uma vida iluminada, contempla o rosto sereno e radioso de Deus.


Tive a graça de conviver com Dom Antônio Maria Mucciolo desde o início de meu ministério episcopal, quando fui eleito Bispo de São José do Rio Preto, SP, e por ele e pelo inesquecível irmão Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, SJ fui chamado a compor o conselho do INBRAC, Instituto Brasileiro de Comunicação Cristã, órgão mantenedor da Rede Vida de Televisão. Ali, nestes mais de quinze anos, pude observar a sua tenacidade, o seu amor à Igreja, a sua preocupação com as comunicações sociais e pelo anúncio do Evangelho pela Televisão.

Dom Antônio, junto com Dom Luciano e o Senhor João Monteiro Filho construíram a Rede Vida de Televisão, e o sonho destes três homens se transformou na primeira rede de televisão de inspiração católica de nosso país. Dom Antônio deu a sua vida pela RedeVida e a RedeVida foi moldada segundo o seu coração e a sua generosidade, pelo seu franco sorriso e pela sua conhecida caridade e acolhida a todas as pessoas.

É importante salientar o papel que ele teve na criação da primeira rede de televisão de inspiração católica no Brasil. É admirável a coragem e o ânimo com que superou todos os obstáculos. Esta história necessita ser proclamada para a memória da comunicação no Brasil. Será necessário dar o devido valor histórico a esse momentoespecial da comunicação da Igreja.

Quero elevar a Deus, por intercessão de Nossa Senhora de Fátima, minha prece especial pela vida e pelo legado de Dom Mucciolo. No céu, as comunicações sociais ganham um grande intercessor. Para todos os que, como eu, na RedeVida, choram a ausência física de Dom Antônio nos confortemos sempre com o seu permanente espírito de fé e de confiança inabalável em Deus.



Ele voltou ao Pai no dia dos Arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel. Esse é o dia que o Santo Padre escolheu para anunciar ao mundo o tema do Dia Mundial das Comunicações Sociais (Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização). Tudo a ver com a missão que Deus concedeu a D. Mucciolo.

Às Igrejas de Barretos e de Botucatu, das quais foi pastor próprio, aos seus distintos Bispos, Dom Edmilson Amador Caetano, e seu Arcebispo, Dom Maurício Grotto de Camargo, bem como aos respectivos presbitérios, apresento a minha solidariedade cristã e a minha proximidade neste momento de esperança da comunhão dos santos.

Aos familiares de Dom Antônio, na pessoa de seus irmãos, sobrinhos e das pessoas mais próximas, seus colaboradores, minhas condolências e preces de que Deus os ajude e reconforte neste momento por que passam. Ele foi por certo um Bom Pastor, que muitas marcas deixará na Igreja e em todo o Brasil.

Que Dom Antônio Maria Mucciolo descanse em paz!
Rio de Janeiro, RJ, 29 de setembro de 2012, Festa dos arcanjos Gabriel, Rafael e Miguel.

*Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

Entenda o "Ano da Fé"


Entenda de maneira simples e catequética o que significa o "Ano da Fé":

1. O que é o Ano da Fé?

"É um convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo" (Porta Fidei, 6).


2. Quando se inicia e quando termina?
Inicia-se a 11 de outubro de 2012 e terminará a 24 de novembro de 2013.




3. Por que nessas datas?
Em 11 de outubro coincidem dois aniversários: o 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II e o 20º aniversário da pu
blicação do Catecismo da Igreja Católica. O encerramento, em 24 de novembro, será a solenidade de Cristo Rei do Universo.


4. Por que é que o Papa convocou este ano?
“Enquanto no passado era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade, devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas” (PF, 2). Por isso, o Papa convida para uma "autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo" (PF, 6). O objetivo principal deste ano é que cada cristão "possa redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo" (PF, 2).



5. Quais meios apontou o Santo Padre?
 No Motu Proprio "Porta Fidei", o Santo Padre apontou: intensificar a celebração da fé na liturgia, especialmente na Eucaristia; dar testemunho da própria fé; e redescobrir os conteúdos da fé, expostos principalmente no Catecismo.



6. Onde terá lugar?
Como disse Bento XVI, o alcance será universal. "Teremos oportunidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas nossas casas e no meio das nossas famílias, para que cada um sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé de sempre. Neste Ano, tanto as comunidades religiosas como as comunidades paroquiais e todas as realidades eclesiais, antigas e novas, encontrarão forma de fazer publicamente profissão do Credo" (PF, 8).



7. Onde encontrar indicações mais precisas?
Numa nota publicada pela Congregação para a doutrina da fé. Aí se propõe, por exemplo:
- Encorajar as peregrinações dos fiéis à Sé de Pedro (Vaticano/Roma);
- Organizar peregrinações, celebrações e reuniões nos principais Santuários;
- Realizar simpósios, congressos e reuniões que favoreçam o conhecimento dos conteúdos da doutrina da Igreja Católica e mantenham aberto o diálogo entre fé e razão;
- Ler ou reler os principais documentos do Concílio Vaticano II;
- Acolher com maior atenção as homilias, catequeses, discursos e outras intervenções do Santo Padre;
- Promover transmissões televisivas ou radiofônicas, filmes e publicações, inclusive a nível popular, acessíveis a um público amplo, sobre o tema da fé;
- Dar a conhecer os santos de cada território, autênticos testemunhos de fé;
- Fomentar o apreço pelo patrimônio artístico religioso,
- Preparar e divulgar material de caráter apologético para ajudar os fiéis a resolver as suas dúvidas;
- Eventos catequéticos para jovens que transmitam a beleza da fé;
- Aproximar-se com maior fé e frequência do sacramento da Penitência;
- Usar nas escolas ou colégios o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica;
- Organizar grupos de leitura do Catecismo e promover a sua difusão e venda;




8. Que documentos posso ler agora?
- O motu proprio de Bento XVI "Porta Fidei" (A Porta da Fé);
- A nota da Congregação para a Doutrina da Fé com indicações pastorais para o Ano da Fé;
- Os documentos do Concílio Vaticano II e
- O Catecismo da Igreja Católica. (CEC; YOUCat; Compêndio do CEC)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Rio Preto ganha novo bispo.

Rio Preto amanhece com um bispo novo, o quarto, para administrar a Diocese que está vacante desde abril de 2012, quando Dom Paulo Mendes Peixoto foi nomeado arcebispo de Uberaba.

Quem assume é Dom Tomé Ferreira da Silva, bispo-auxiliar de São Paulo, responsável pela Região Episcopal do Ipiranga.

Dom Tomé tem 51 anos, assina um blog e está presente nas redes sociais (Facebook e Twiter) com quase 5 mil seguidores. É um bispo articulado. Escreve bem sobre política, com argumentação direta. Está antenado com a modernidade. Seu lema episcopal é: ‘Santidade na Verdade e na Caridade’. E ele pode se tornar arcebispo, já que na Nunciatura Apostólica, em Brasília, tramita processo de elevação de Rio Preto à Arquidiocese. Dom Tomé tem prazo de 60 dias para assumir o cargo em Rio Preto.


Nascido na cidade de Cristina (MG), em 17 de maio de 1961, filho de Sebastião e Ana Ferreira da Silva, já falecidos, ele entrou no Seminário Diocesano Nossa Senhora das Dores, em Campanha, aos 14 anos. Ordenou-se sacerdote no dia 1º de janeiro de 1987, em Cristina. Concluiu Filosofia no Seminário Diocesano São José (1982), em Três Corações, e Teologia no Instituto Teológico Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté, (1986).

Fez Estudos Sociais e História na Universidade Vale do Rio Verde, em Três Corações. Defendeu mestrado em Roma, entre outros cursos. De volta ao Brasil, trabalhou em paróquias de Boa Esperança, Natércia, Heliodora, Conceição das Pedras e Três Corações, todas em território mineiro.

Participou ativamente de organismos diocesanos e pastorais, além de lecionar no Seminário São José, onde foi vice-reitor e reitor. Também foi professor de Filosofia no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, na Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Na CNBB, integrou o Regional Leste 2, representando a diocese de Campanha na Organização dos Seminários e Institutos Filosofico-Teológicos do Brasil e na Comissão de Liturgia.

Eleito bispo no dia 9 de março de 2005, foi sagrado no dia 13 de maio em Cristina. Assumiu cargo de bispo-auxiliar na Arquidiocese de São Paulo no dia 28 de maio de 2005. Além de bispo da Região Episcopal Ipiranga, Dom Tomé é vigário-geral da Arquidiocese de São Paulo, assessor da Pastoral Vocacional, dos Seminários e da Dimensão Missionária na Arquidiocese de São Paulo.

Fonte: Diário da Região

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Não há salvação fora da Igreja?


       
Mesmo aqueles que nada conhecem da Igreja católica além de seu nome, talvez já tenham ouvido falar que ela é o único veiculo da salvação eterna. Aos que tem alguma noção de Teologia reconhecem nesta questão uma antiga afirmação: extra ecclesiam nulla salus. Houve a preocupação com a salvação dos não-cristão e não católicos, e ao questionamento de si mesma e na legitimidade de sua fé. Na modernidade se sabe que a salvação vai muito além da instituição jurídica e religiosa e nem chega ser um problema! Diferente dentro da instituição que se apresentou como o único meio de salvação durante séculos como um elemento de autoafirmação, se este deixar de existir comprometerá a sua identidade e natureza.
            O pensamento católico-romano se identifica com a Igreja visível, institucionalizada e se agrega em torno do papa, pois, independentemente disto, desde o início, entra na essência da fé cristã, como único caminho de salvação, o solafide que, afinal de contas, pode ser encontrado nas cartas paulinas e desde o início a fé cristã se apresentou universal e se colocou contrária a todas as demais religiões. É o que se originou a partir do século II pela concretização eclesial da fé. Lembremos que a frase usada na antiguidade cristã não se refere em primeiro lugar àqueles que estão fora da Igreja, mas a ela mesma, por não bastar-se nas belas teorias sobre a salvação dos outros.
A antiguidade e a modernidade devem ser levadas em conta a realidade histórica de cada época para se tentar tornar o tema de maneira mais objetiva, real e clara.
1.      A evolução histórica da doutrina
Hugo Rahner observou que as raízes desta formulação já se encontravam no pensamento tardio do judaísmo. É constituído no episódio de Noé pelo modo de como se salvou do dilúvio, ocasião em que o resto do mundo foi condenado. A teologia judaica vê na salvação de Noé e de sua família um símbolo da salvação do resto de Israel e através do livro da Sabedoria capítulo 10 verso 4 insiste em algo que fomentará mais tarde a teologia cristã, ou seja, na esperança do mundo estar ligada a simples pedaços de madeira como declara: “ porque bendito o madeiro pelo qual se opera a justiça” (14,7). Os Padres da Igreja ligam esta imagem do livro com o lenho da cruz, o único capaz de salvar a humanidade inteira de uma catástrofe geral.
O Novo Testamento, em parte nenhuma dá a entender que a Igreja seja o meio único e exclusivo em vista da salvação, não explicitamente, mas as bases para poder defender esta doutrina. Como no Evangelho de Marcos 16,16 e nos Atos dos Apóstolos explícita a salvação exclusiva pelo nome de Jesus (4,11-12).
            O pensamento evoluiu simultaneamente do Oriente e no Ocidente, sobretudo no século III quando Orígenes e Cipriano esforçaram-se por estudar este axioma a fundo. Encontramos na terceira homilia de Orígenes sobre Josué (Jos 6,23-24), conservada na tradução latina de Rufino. Podemos dizer que o autor lê e interpreta o Antigo Testamento à luz da fé em Cristo. Orígenes interessa-se, de modo especial em fazer uma exortação aos judeus ao dizer: Vós tendes o Antigo Testamento, mas também vós tendes de contar com o sangue de Cristo, vós precisais da Igreja que veio dos pagãos, que antes era prostituta, mas agora se tornou esposa, graças ao sangue de Cristo o esposo. Orígenes faz simplesmente uma admoestação àqueles que só se apegam ao Antigo Testamento numa tentativa de diálogo entre cristãos e judeus. Cipriano estudou o mesmo tema, mas em outro contexto, teve que lutar contra algumas ameaças de divisão que estavam surgindo na comunidade e de defender a Igreja. Segundo Cipriano, toda divisão é pecado e falta de um caminho que conduz à salvação, que conduz à perdição. Ele propõe analisar e defender é a unidade da Igreja que externamente vem sendo abalada pela perseguição e internamente pelas divisões e pela desunião.
Para deixar mais clara toda questão, lembremos ao menos de mais três pontos de vistas:
a)      Santo Agostinho foi quem mais defendeu a tese que a Igreja já existe desde os primórdios da humanidade;
b)      Exclusividade da Igreja como meio de salvação tendo se em mente, logo após o período da patrística, que todo o mundo conhecido era cristão, ou seja, deve se levar em conta a compreensão geográfica para compreender o sentido teológico de então e a imagem do mundo da Idade Antiga.
c)      A frase não surgiu isoladamente, nela cada afirmação só pode ser considerada devidamente no contexto de toda a história. E a fidelidade da Igreja na modernidade a tudo o que ela herdou.
A Igreja conservou o caminho aberto para repensar o velho problema ante situações novas. Assim, por exemplo, a assertiva de que “fora da Igreja não há nenhuma salvação”, podia e mesmo hoje só pode ser admitida juntamente com esta outra afirmação que diz: “fora da Igreja não existe a graça”, Perceber-se-á então que só esta dialética corresponde à situação da doutrina eclesiástica. Com Pio IX parece que a asserção chega a uma exacerbação radical. No Syllabus, por exemplo, empregando o termo “indiferentismo”, condena-se a seguinte maneira de pensar:“ Mesmo aqueles que não têm nada em comum com a Igreja de Cristo, podem nutrir esperança de poderem alcançar a salvação” Condenar este pensamento, parece-nos um absurdo. Mas antes de tais juízos é preciso indagar sobre o que realmente se quis dizer ou sobre o que de fato aconteceu. O pontífice acentua ainda que a verdade de que a salvação depende dessa Igreja é uma verdade ex fide tenendam e, por isso, a afirmação tem valor dogmático, isto é, faz parte da forma essencial e objetiva da fé.
O Concílio Vaticano II também se referiu aos problemas aos quais já Pio IX procurara dar uma resposta, mostrando muito mais compreensão ante o universalismo encarado como esperança e como promessa feita a todos, colocando em relevo os elementos positivos das religiões existentes, considerando-as como caminho para a salvação... Conclui apenas que tudo quanto é “caminho” fora de Cristo, é caminho em virtude dele e, portanto, pertence a ele.
2.      O estado atual do nosso problema
Temos uma visão histórica muito mais ampla nos nossos dias do que no início da Idade Moderna, porém nestes tempos apenas uma pequena maioria dos que se dizem católicos tomem o Evangelho de Cristo como norma de vida. A Igreja receia, ou muito mais ainda, ela precisa preocupar-se com a santificação e a salvação dos seus fiéis. Deus oferece a todos, porém é missão da Igreja trabalhar afim de que todos se sirvam realmente desses meios que lhes são oferecidos.
Hoje a questão não é tanto de saber se e como os “outros” podem se salvar. Deixemos isso para Deus, a questão agora é: por que eu ainda devo crer! Precisamos assumir as nossas próprias responsabilidades como cristãos. Notemos, no entanto que o homem não pode conseguir a sua salvação pela simples manifestação de sua boa vontade. Devemos estar atentos a isso e saber que a boa vontade, não passa de simples autoconsolação bem vazia.
A salvação não pode depender do próprio indivíduo, não é uma conquista puramente humana; ela é antes de qualquer coisa e acima de tudo um dom divino.
a)      O lado subjetivo do problema da salvação
Quem vive e quem pratica o amor pode dizer que está com tudo. O amor basta. (Mt 22, 35-40; 25,31- 46) e (Rm 13,9ss). O sacramento da fraternidade surge aqui como o único caminho e perfeitamente suficiente da salvação e o irmão/próximo, aparecem como o incógnito de Deus. Cristo com a superabundância do seu amor pagou e cancelou o déficits de nossa vida. Uma só coisa se faz necessária: que abramos os braços e aceitemos o dom de sua benevolência. Este movimento de abrir-se diante do dom de amor do Senhor, Paulo chama-o de fé. O Novo Testamento diz ao mesmo tempo: Só o amor basta; só a fé basta.
            A grande verdade é que o Novo Testamento exige que o homem vença e ultrapasse a si mesmo. O evangelho pede que o homem renuncie a si mesmo, lute contra o seu egoísmo e se achegue sempre mais ao seu próximo. O Evangelho quer que o homem, mediante o tu do seu próximo encontre também o tu de Deus, o qual nos fala e se revela de muitas maneiras. O que realmente é capaz de salvá-lo é algo que está acima de todos os sistemas de pensamento, ou seja, o amor e a fé. As religiões concorrem para a obtenção da salvação, enquanto levam a aceitar a fé e o amor e, evidentemente, elas impedem a salvação, enquanto afastam o homem do amor e da fé. Deus convida a cada um e a todos a viverem na fé e a testemunharem o amor.
b)      A parte objetiva do problema da salvação
A humanidade inteira vive do ato de amor do Cristo. A missão da Igreja consiste em participar do serviço de mediação do Cristo, serviço no qual o Cristo quis empenhar-se inteiramente como “Cabeça e membros”. A fé cristã tem por certo que o Cristo age diretamente na salvação de cada pessoa. E sendo justos podemos afirmar: onde está Cristo está também a Igreja. Só Cristo é que salva, mas este Cristo não permanece só e isto porque a sua ação salvadora tem uma característica: ele não faz do homem um simples recebedor passivo de seus dons, mas Cristo o engaja em sua própria missão. O homem se salva enquanto ajuda o seu próximo. Cada homem se salva para salvar a outros. Isto porque o cristão autêntico não se considera um redimido privilegiado que tem a salvação garantida. Ele não ousa pensar que todos os demais serão condenados. O verdadeiro cristão rejubila porque será por meio dele, como instrumento de Cristo, que também outros muitos serão salvos. Deus constrói a história por intermédio dos homens, guiados pela luz de Cristo.
            A Igreja não é um circulo fechado, e sim muito pelo contrário, uma força viva que marcha em direção dos demais. A Igreja é uma comunidade aberta para o mundo e não uma sociedade esotérica, para realizar-se precisa difundir-se e comunicar-se aproveitando a alegria do Evangelho a missão da Igreja é a expressão da hospitalidade divina.    

Fonte Bibliografica:
J. RATZINGER. O novo Povo de Deus, São Paulo: Paulinas, 1974. p, 311 – 333.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Papa Bento XVI transfere Bispos

NOMEAÇÕES: Papa transfere bispos para as dioceses de Mogi das Cruzes e Santarém
O papa Bento XVI transferiu na manhã de hoje, 19 de setembro, os bispos de Franca (SP) e Abaetetuba (PA), respectivamente, dom Pedro Luiz Stringhini e dom Flávio Giovenale, para as dioceses vacantes de Mogi das Cruzes (SP) e Santarém (PA). Dom Pedro Luiz Stringhini nasceu em 1953, na cidade de Laranjal Paulista (SP). Foi ordenado em 2001, como bispo auxiliar de São Paulo, Região Belém, onde ficou ate 2009, quando foi nomeado bispo de Franca. Além disso, dom Stringhini foi presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz (2007 a 2011). Na diocese de Mogi das Cruzes, dom Pedro Stringhini sucederá a dom José Airton dos Santos, transferido para a arquidiocese de Campinas (SP), em fevereiro desse ano. Dom Flávio Giovenale nasceu em 1954, em Murello, Itália. Foi ordenado bispo de Abaetetuba em 1997. Foi secretário (1999-2003), vice-presidente (2003-2004) e presidente (2004-2007) do Regional Norte 2 da CNBB. Antes, trabalhou na Pastoral Vocacional no Pará entre 1982 e 1983. Foi Reitor do Seminário Menor em Manaus de 1986 a 1989. Foi Reitor do Seminário Maior em Manaus de 1990 a 1991. Foi Ecônomo da Província de 1992 a 1997. Também foi Procurador Missionário para o Brasil de 1994 a 1997. Dom Flávio sucederá, na diocese de Santarém, dom Esmeraldo Farias Barreto, transferido em dezembro de 2011 para a arquidiocese de Porto Velho (RO). 
Fonte: cnbb.org.br

terça-feira, 18 de setembro de 2012

São José de Copertino, o Santo dos Estudantes.



Nasceu em Copertino (Lecce) a 17 de junho de 1603. Foi caçula de seis filhos. Uma doença grave fê-lo interromper os estudos que iniciara aos sete anos de idade. Aos 17 anos entrou no convento dos Frades Menores Conventuais. Na hora de folga e a noite estudava escondido. Os exames revelavam uma assistência providencial de Nossa Senhora. Tornou-se sacerdote em 1628, com 25 anos de idade. No seu apostolado teve especial cuidado pelos estudantes os quais se aproximavam dele para confiar-lhe as suas ânsias e propósitos. A todos recomendava a devoção a Nossa Senhora e a freqüência aos sacramentos.
É chamado o “santo dos vôos” pelos freqüentes êxtases que o transportavam no ar. Faleceu a 18 e setembro de 1663 em Osimo (Ancona) onde seu corpo é venerado especialmente pelos estudantes que o invocam como protetor pelo seu empenho no estudo e pela assistência Divina que teve nos exame.


Oração 
Ó Senhor, que em Cristo levantado da terra, quiseste elevar a ti todas as criaturas, dai-nos força para fazer a tua vontade no estudo, na família e na profissão (trabalho) sob o exemplo e pela interseção de São José de Copertino.

Pax et Bonum – Osimo (Ancona Itália)
Con approvazione Ecclesiastica e dell`Ordine.
Alma-Milano-Riproduz-vietata

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Estigmas de São Francisco




No dia 17 de setembro a família franciscana celebra a festa litúrgica da impressão das chagas do seráfico pai São Francisco. Esta antiga festa, aprovada pelo papa Bento XI (1303-1304), faz memória daquele fato miraculoso ocorrido no Monte Alverne em 1224.






MONTE ALVERNE
O Alverne é um monte que se ergue majestoso no centro da Itália, região da Toscana, na diocese de Arezzo. O ponto mais alto deste monte alcança os 1283 metros acima do nível do mar.

A relação de São Francisco com o monte Alverne começa exatamente no dia 08 de maio de 1213 no castelo de São Leão em Montefeltro por ocasião de uma solenidade (investidura na cavalaria de um filho do conde de Montefeltro). Passando por ali, São Francisco e Frei Leão resolveram entrar no castelo para observar o que ali acontecia.

Estava participando daquela solenidade um nobre senhor da Toscana que há muito tempo desejava conhecer São Francisco. O nome desse nobre era Orlando Cattani, Conde de Chiusi. Neste mesmo dia, depois de conversar com o santo, ele deu de presente a São Francisco um monte rochoso chamado Alverne para que fosse utilizado como eremitério. O santo pai se encheu de alegria por causa daquela oferta do piedoso senhor e aceitou-a com humildade.

Ao longo de sua vida o seráfico pai subiu muitas vezes àquele santo lugar para seus retiros. A primeira ida do santo ao Alverne se deu no verão de 1214:
Chegando ao monte Alverne, São Francisco “andou um pouco e encontrou, quase destruída, a cabana preparada um ano antes pelos frades que tinham sido mandados para conhecer o monte. Era exatamente isso que ele queria: um monte solitário, selvagem, privado de todo conforto e sem nenhuma defesa. Assim era o Alverne. Tomou posse dele e aí voltou muitas vezes” (Dicionário Franciscano, Vozes, 1999, 2ª edição, pág. 219).

 

O conde Orlando foi grande benfeitor da Ordem de São Francisco. Mandou construir no Alverne algumas cabanas para os frades e ajudou na construção de uma igreja dedicada a Nossa Senhora dos Anjos que o santo pai ergueu naquele monte entre os anos de 1216 a 1218.

O seráfico pai amava profundamente o Alverne porque ali ele podia reviver mais intensamente o mistério da Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo:
“A ânsia e o desejo de Deus atingem aqui o cume do amor e da dor. Tal como o monte se lhe apresentava: as imensas crateras das rochas, os antros e as cavernas faziam com que ele pensasse na paixão e morte de Jesus no Calvário. Vinha à sua mente o Santo Evangelho: ‘E fenderam-se as rochas’ (Mt 27,51). Um anjo lhe diz que também os rochedos do Alverne se abriram no exato momento da morte do Salvador” (Dicionário Franciscano, Vozes, 1999, 2ª edição, pág. 219).


Após a morte do santo pai Francisco, muitas outras construções foram sendo erguidas ao longo dos séculos para honrar e dignificar aquele santo lugar.
“A doação do monte que o Senhor Orlando fez a Francisco e a seus companheiros realizou-se somente oralmente. Durante 61 anos os frades moraram ali pacificamente, fiados na palavra do doador. O presente foi ratificado pelos filhos: Orlando Júnior, Cungio, Bandino e Guilherme, a 9 de julho de 1274. Através desse ato de confirmação conhecemos a extensão do território doado por seu pai, benfeitor e amigo de Francisco (Dicionário Franciscano, Vozes, 1999, 2ª edição, pág. 217).

Ainda hoje os frades residentes no monte Alverne conservam uma antiga tradição que remonta ao ano de 1432: todos os dias, após o Ofício das três horas da tarde (Noa), os frades saem em procissão da igreja principal até a igreja dos Sagrados Estigmas onde o santo pai recebeu as chagas de Cristo.

Procissão até a igreja dos Sagrados Estigmas.

Corredor que conduz à igreja dos Sagrados Estigmas. 

Igreja dos Sagrados Estigmas: aqui foi o lugar onde São Francisco viu o Serafim crucificado. 

A ESTIGMATIZAÇÃO DE SÃO FRANCISCO


A última ida de São Francisco ao monte Alverne se deu no final do verão de 1224. Sendo grande devoto de São Miguel, o santo pai se dirigiu ao Alverne para fazer mais uma quaresma em honra deste arcanjo.
Um antigo escrito franciscano chamado de “Considerações sobre os Sacrossantos Estigmas” registra uma oração que o santo pai Francisco dirigiu a nosso Senhor Jesus Cristo enquanto estava retirado no Alverne:

“Ó Senhor meu Jesus Cristo, duas graças te peço que me faças antes que eu morra: a primeira é que em vida eu sinta na alma e no corpo, quanto for possível, aquelas dores que tu, doce Jesus, suportaste na hora de tua arcebíssima paixão; a segunda é que eu sinta no meu coração, quanto for possível, aquele excessivo amor do qual tu, Filho de Deus, estavas inflamado para voluntariamente suportar uma tal paixão por nós pecadores” (Considerações dos Estigmas 3).


“Dois anos antes de devolver sua alma ao céu, permanecendo ele no eremitério que pelo lugar em que estava situado se chama Alverne, viu, numa visão divina, um homem à semelhança de um Serafim que tinha seis asas, o qual pairava acima dele com as mãos estendidas e com os pés unidos, pregado à cruz. Duas asas se elevavam sobre a cabeça, duas se estendiam para voar, duas enfim cobriam todo o corpo. E o bem-aventurado servo do Altíssimo, ao ver isto, enchia-se da mais profunda admiração, mas não sabia o que esta visão queria significar. Também rejubilava-se muito e alegrava-se mais intensamente pelo benigno e gracioso olhar com que percebia era olhado pelo Serafim, cuja beleza era demasiadamente inestimável, mas embaraçava-o completamente a crucifixão e a crueldade da paixão dele. E assim, ele se levantou, por assim dizer, triste e alegre, e a alegria e a tristeza alternavam-se nele. Pensava solícito o que poderia significar esta visão, e o espírito dele ficava muito ansioso para captar o sentido inteligível dela. E como não percebesse nada dela com inteligência clara e como a novidade desta visão se apoderasse do coração dele, começaram a aparecer-lhe nas mãos e nos pés as sinais dos cravos, à semelhança do homem crucificado que pouco antes vira acima dele” (1Celano 94).


“Depois que o verdadeiro amor de Cristo transformou o amante na própria imagem, tendo completado o número de quarenta dias, de acordo com o que decretara, sobrevindo também a solenidade do Arcanjo Miguel, Francisco, o homem angélico, desceu do monte, trazendo consigo a imagem do Crucificado, não esculpida em tábuas de pedra ou de madeira pela mão de um artífice, mas desenhada nos membros de carne pelo dedo do Deus vivo” (Legenda Maior 13,5).


Como eram os estigmas de São Francisco?

“Suas mãos e os pés pareciam traspassados no meio por cravos, aparecendo as cabeças dos cravos na parte interior das mãos e na superior dos pés, e saindo as pontas deles do lado oposto. E aqueles sinais eram redondos na parte interna das mãos e longos na parte externa, e aparecia um pedaço de carne como se fosse ponta dos cravos, retorcida e rebatida, que surgia da carne restante. Assim também nos pés os sinais dos cravos foram impressos e sobressaíam da carne restante. Igualmente, o lado direito fora como que traspassado por uma lança, ficando fechada uma cicatriz, e dele muitas vezes jorrava sangue, de modo que sua túnica e os calções, muitas vezes, ficavam molhados com o sangue sagrado” (1Celano 95, 1-4).

São Francisco desejava que aquelas sagradas chagas ficassem sempre ocultas:
“O homem de Deus escondeu-as como pôde, até à morte, não querendo manifestar em público o sacramento do Senhor, embora não conseguisse escondê-las totalmente, sem que pelo menos se tornasse manifesto aos companheiros que tinham familiaridade com ele.


Mas, depois de seu felicíssimo trânsito, todos os irmãos que estavam presentes e um grande número de seculares viram de modo muito evidente o seu corpo ornado com os estigmas de Cristo. Pois percebiam em suas mãos e pés, não certamente as perfurações dos cravos, mas os próprios cravos compostos de sua carne” (Legenda dos Três Companheiros 69,6-70,1-2).

“Quão poucos, enquanto vivia o servo crucificado do Senhor crucificado, mereceram ver a sagrada chaga do lado! Mas feliz foi Elias que, enquanto o santo vivia, de algum modo mereceu vê-la; mas não menos feliz foi Frei Rufino que a tocou com as próprias mãos. (...) Com muito empenho escondia estas coisas dos estranhos, ocultava-as com muita cautela dos mais próximos, de modo que os irmãos que estavam a seu lado e eram devotíssimos seguidores por muito tempo as ignoraram” (1Celano 95, 5-6.9).


domingo, 16 de setembro de 2012

Solenidade de São Francisco no Rio Comprido

Os Frades Franciscanos Conventuais tem a alegria de convidar para os festejos de nosso fundador na única Paróquia São Francisco de Assis, na cidade do Rio de Janeiro, cuidada pelos Frades Franciscanos! 
Começando pela novena em preparação da festa do dia 25 de setembro a 03 de outubro. No último dia da novena, haverá a encenação do Trânsito (últimas horas de vida, passagem para o Pai) de São Francisco pelo grupo de jovens Tau.
No dia de São Francisco (04/10) haverá missas de hora em hora com diversos frades e padres, muitas barraquinhas, cantina, shows e bençãos dos animais pelos Frades durante todo o dia. As 16hs, no pátio da Igreja, uma celebração especial de benção aos animais: tragam seu bichinho! E no dia 07/04 procissão pelas ruas do bairro!
Será um dia de muita alegria, fraternidade, paz e bem!
Maiores informações pelo telefone: 2273-6243 (horário comercial)

O Pároco Frei Brás José, OFMConv, os vigários, Equipe de Festa e os Frades da Casa de Formação aguardam a sua presença!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Hino da JMJ 2013

Acaba de ser lançado oficialmente, na Vigília dos jovens adoradores em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro o hino da Jornada Mundial da Juventude 2013! Confira a letra da canção:






"Esperança do amanhecer"(Hino Oficial da JMJ Rio2013)

Autor: Padre José Cândido*

Sou marcado desde sempre
com o sinal do Redentor,
que sobre o monte, o Corcovado,
abraça o mundo com Seu amor.

(Refrão)

Cristo nos convida:
"Venham, meus amigos!"
Cristo nos envia:
"Sejam missionários!"

Juventude, primavera:
esperança do amanhecer;
quem escuta este chamado
acolhe o dom de crer!
Quem nos dera fosse a terra,
fosse o mundo todo assim!
Não à guerra, fora o ódio,
Só o bem e paz a não ter fim.

Do nascente ao poente,
nossa casa não tem porta,
nossa terra não tem cerca,
nem limites o nosso amor!
Espalhados pelo mundo,
conservamos o mesmo ardor.
É Tua graça que nos sustenta
nos mantém fiéis a Ti, Senhor!

Atendendo ao Teu chamado:
"Vão e façam, entre as nações,
um povo novo, em unidade,
para mim seus corações!"
Anunciar Teu Evangelho
a toda gente é transformar
o velho homem em novo homem
em mundo novo que vai chegar.


Ouça o Hino: (desligue a "rádio franciscana" no fim da página antes) *Da paróquia de São Sebastião em Belo Horizonte, Minas Gerais é autor de mais de 200 canções litúrgicas como "Bendito sejas, ó Rei da Glória", "Toda bíblia é comunicação" e "Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo"

Confira mais:http://www.rio2013.com/pt/a-jornada/hino

Os Mais Vistos