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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"É preciso amar na dor e saber sofrer no amor": Reflexão sobre São Maximiliano Maria Kolbe.


Por: Frei Donil Alves, OFMConv.*
Em seu livro Amor é vida, Frei Anselmo Fracasso, recordando todos aqueles que passaram para dor do martírio, escreve: “Martírio, o que é martírio? Martírio é suportar grandes sofrimentos, ou mesmo a própria morte, em defesa de alguém ou de algum ideal. Mártir da fé é a pessoa que suportou grandes sofrimentos ou a grande morte em defesa de sua doutrina. O amor exige martírio, isto é, a disposição de sofrer tudo. Estar pronto a dar tudo, até a própria vida pela pessoa amada”. Perguntamos? Maximiliano conhecia Francisco, homem que implorava pela sua vida em favor de sua família? O Amor de Maximiliano irmanado no amor do próprio Jesus, lhe fez oferece a sua vida em benefício de uma pessoa no qual ele construiu uma história curta sedimentadas na dor, no mesmo sofrimento e na mesma privação. O espaço onde somente os olhares poderiam comunicar um fio de esperança e a certeza de que a morte a cada dia se aproximava, não pela vontade de Deus, mas pelas mãos dos algozes; era o campo de concentração de Auschwitz.


A palavra amor rima com a palavra dor, porque para amar é preciso sofrer. O amor de Maximiliano levado ao extremo não poderia lhe criar mais nenhum obstáculo a favor da vida. O sofrimento o leva a doação. Assim como todos seus companheiros, Ele já havia sido despojado de tudo, não tinha mais um nome, mas somente um número 16670, não possuía mais um título, não sinalizava mais a Igreja enquanto hábito religioso, estola, missa, sacramentos. Tinha a possibilidade e o fez as escondidas mesmo sabendo da real possibilidade de ser descoberto. Com o rosário escondido nas mãos, olhar sempre manso, sorriso terno e amor supremo amparavam seus amigos e irmãos. “O amor dá força para sofrer, e a dor purifica o amor”. “É preciso amar na dor e saber sofrer no amor.” Quem mais sofre na vida é aquele que ama profundamente o próximo, e diante dos sussurros e gemidos de seus irmãos, Maximiliano seria capaz de dar a vida por todos, não somente por um. Seria capaz de carregar a cruz de cada um porque em nenhum deles se via culpa alguma. Ele precisava ser forte porque conhecera pela sagrada Teologia os relatos da Paixão de Cristo. Agora sentia em corpo, alma e espírito a mesma dor de Cristo. Não somente ele, mas todos aqueles que enfileirados, sem nenhuma defesa, sentiam se aproximar o mesmo fim. Como uma mãe que vigia desveladamente à cabeceira da cama o filho doente, Maximiliano vigiava, dia após dia, pelos seus filhos ali presentes. A oração era sua força. Ensinar seus irmãos a não perderem a esperança era sua árdua tarefa.
A Imaculada mãe de Deus vigiava por ele. Conhecia seu amor filial , porque tudo que o filho sofre no corpo, ela sofre na alma. “ A dores físicas que afligiam o corpo de seus filhos em morada sem leito, sem alento e sem possibilidade de expressar nenhum afeto visível tornam-se para a Imaculada e para Maximiliano dores morais e espirituais que torturam suas almas. 
Maximiliano conhece Maria, a mãe de Deus. “Ela muito sofreu porque muito amou”. Quem ama está sujeito as mais intensas dores e às mais profundas alegrias. “a intensidade da alegria suaviza a aspereza da dor e ameniza o peso da cruz.”. Se posicionar à frente, oferecer-se em sacrifício, colocar sua identidade religiosa em favor da vida: “sou sacerdote católico”, já se tornara naquele momento para Maximiliano a certeza de que não havia mais volta. Maximiliano já havia experimentando dores cruéis, mas também alegrias profundas e intensas. Conhecera ali no campo de concentração o martírio de Jesus e o Amor de sua mãe, Maria Imaculada não mais pela letra, mas pela carne. Assim como Maria carregou Jesus em seus braços e o acompanhou em sua via cruz, agora ele será levado para ser crucificado no bunker da morte. Para Maximiliano dar em sacrifício era dar-se em amor porque o amor modifica as realidades dos fatos. Resta-lhe agora esperar seu momento do encontro com Cristo pela intercessão da Imaculada, caminhando tranquilo para seu leito de morte, sabendo que uma vida foi poupada. O amor é mais forte do que a morte.

Maximiliano nos ensina que “quanto mais profundo e intenso for o seu amor, tanto mais profunda e intensa será sua alegria de viver”. E a alegria de viver não tem limites quando se ama de verdade. Na vida de amor, dor e alegria se revezam sempre, pois eles crescem no terreno da fé. O Amor é um ofertório perene, é oferecer-se continuamente em uma entrega sempre renovada. Quando falamos de Maximiliano Kolbe, resumimos toda sua história na palavra ENTREGA. A solidão e a incerteza do futuro desapareceram da vida deste Pai de Família porque uma pessoa o escolheu, o amou, lhe dando uma nova vida. Maximiliano lhe deu a possibilidade de começar uma nova vida. Vidas e histórias se entrecruzam. 
Há a história de Kolbe e a história de Francisco, e um conta ao outro, a história do amor que é Jesus.  Daí nasce um projeto novo que é a família nova que não é mais a família deles, mas a nova família que surge do amor incondicional. Maximiliano vai ao encontro de Jesus sendo guiado pelas mãos da Imaculada; Francisco, homem renovado por esta prova de amor de um sacerdote aguarda tem a esperança de encontrar sua família. Um sonhando com a família espiritual, outro sonhando com a família terrena. E nós, irmanados por tantos exemplos, não podemos deixar de celebrar a vida pedindo a São Maximiliano Kolbe que ilumine a nossa e todas as famílias que procuram viver o caminho da doação da entrega do martírio.
* Formador dos frades estudantes de Teologia na Casa de Formação São Francisco de Assis no Rio de Janeiro.

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