Por: Frei Robson Malafaia Barcellos, OFMConv.*

“... tenho uma dívida de gratidão para com meu Pai Francisco. Ainda me recordo perfeitamente que em minha infância fui salvo das garras da morte por sua intercessão e por seus méritos... Sei que Deus salvou-me a vida por intermédio dele, pois senti em mim o poder de sua prece”.
(São Boaventura de Bagnorégio)



Celebramos a Festa de São Boaventura, em especial, patrono deste Convento e Casa de Formação.
Reconhecendo-se indigno e incapaz de escrever a vida de um homem “que merece ser imitado e venerado por todos”, nosso pai São Francisco de Assis, São Boaventura declara entre outros motivos deste empreendimento o fato de ter tido sua vida salva das garras da morte por intercessão dele. E acrescenta: “... senti em mim o poder de sua prece”.
“Sei que Deus salvou-me a vida por intercessão dele”. Esta experiência de fé o levou mais tarde a tornar-se um frade menor. Na Ordem Franciscana, foi exemplo de santidade, de serviço a Igreja e de um apaixonado desejo de busca da verdade.
Nosso patrono nasceu em 1221, na cidade de Bagnoregio. Aos quatro anos de idade, caindo gravemente enfermo, sua mãe, levou-o a São Francisco de Assis, implorando sua intercessão. O Poverello tomou o menino nos braços e o abençoou. Tendo-o curado milagrosamente, devolveu-o à mãe, dizendo: “ó buona ventura” .
Aos 21 anos ingressou na Ordem de São Francisco, demonstrando desde cedo grande fervor. Anos depois foi enviado a Universidade Paris para completar seus estudos sob a orientação do grande mestre Alexandre de Hales. Formou-se em 1243 na mesma Universidade e em 1254 quando recebeu o doutorado onde foi colocado a frente da mesma até 1254. Alexandre de Hales, vendo como em meio à multidão de alunos, Boaventura conservava a alma tão pura dizia: “Nele, parece que Adão não pecou”
São Boaventura interveio decididamente nas controvérsias de sua época e opôs-se aos que atacavam as ordens mendicantes, como a dos franciscanos. A defesa que fez acerca das ordens mendicantes e sua crescente fama como teólogo e orador levaram-no, em 1257, ao generalato da Ordem, com apenas 36 anos de idade, que nesta época contava com mais de 20 mil membros, em cerca de mil conventos por toda a Europa. Ocupou este importante cargo durante 17 anos.
Contribuiu eficazmente com a Igreja no sentido de ‘pacificar alguns problemas internos e apresentou muitas prescrições relativas a liturgia’ como p.ex: o estabelecimento da Festa da Santíssima Trindade após o Domingo de Pentecostes; a instituição das Festas da Visitação e da Conceição de Maria; de Sant’Ana, dos Anjos da Guarda, Santa Clara, Santa Marta, Santo Agostinho. Foi ele que determinou que se rezasse – quando possível – aos sabados uma missa em honra da Santissima Virgem e que em todas as tardes se fizessem ressoar os sinos e se rezasse três Ave-Marias com saudação a Mãe de Deus. Foi ele ainda que determinou que se conservasse o círio pascal aceso durante o tempo pascal até a Festa da Ascensão.
Alguns fatos curiosos acerca da vida de nosso patrono. Certa vez, um frei lhe perguntou se poderia salvar-se, já que desconhecia a ciência teológica; a resposta do santo não foi outra: "Se Deus dá ao homem somente a graça de poder amá-Lo isso basta... Uma simples velhinha poderá amar a Deus mais que um professor de teologia”.
Frei Egídio propôs o seguinte problema a São Boaventura: Quando se pensa nas luzes que os doutores de tua categoria recebem do céu, como pretender que os ignorantes como eu venham a conseguir a salvação? O essencial para a salvação respondeu o Doutor Seráfico – é amar a Deus. Apesar disso – insistiu Frei Egídio – poderá um inculto amar a Deus tanto como um sábio? E São Boaventura confirmou: “Não só O pode amar tanto, mas ultrapassar nesse amor até mesmo os maiores teólogos”. Passava justamente na estrada, junto ao convento, uma pobre carregando um feixe de lenha. Frei Egídio não se conteve e gritou-lhe: Alegra-te, boa velhinha! Acabo de saber que depende só de ti amares a Deus ainda mais do que Frei Boaventura. Logo depois, Frei Egídio caiu em êxtase, que durou três dias.
Em 1273 foi nomeado cardeal-bispo de Albano e, no segundo Concílio de Lyon, desempenhou papel fundamental na reconciliação entre o clero secular e as ordens mendicantes. Foi nesse encontro que são Boaventura morreu, em 15 de julho de 1274.
Homem tão inteligente quanto humilde! Íntimo amigo de São Luís IX (Rei de França), de Santo Anselmo e de Santo Tomás de Aquino. Nosso patrono adormeceu no Senhor no dia 15 de Julho de 1274, aos 53 anos de idade, 30 de profissão religiosa, após receber a Unção dos Enfermos das mãos do Papa Gregório X, que o nomeara Cardeal e Bispo de Albano.
Foi canonizado em 1482, sendo depois proclamado Doutor da Igreja, sob o título de "Doctor Seraphicus", em 1588 pelo Papa Sixto V, ao lado São Gregório Magno, Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Jerônimo e Santo Tomás de Aquino. Infelizmente, protestantes huguenotes profanaram seu túmulo no século XVI. Os ossos foram incinerados e as cinzas jogadas ao rio. Com muito custo, somente seu crânio foi salvo. Segue algumas fotos desta solenidade:





























































(*Frei Robson é formador e coordenador do Convento e Casa de Formação São Boaventura em Petrópolis/RJ)