Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

sábado, 9 de junho de 2012

Música e Canto Litúrgico I



Por:Ir. Miria T. Kolling*

I – Introdução – Sobre a Música Sacra e Litúrgica:

Santo Agostinho
     O que diz Santo Agostinho, da sua experiência: a) Conversão, na Bas
í
lica de Milão: “Quantas lágrimas verti, quão violenta emoção experimentada, Senhor, ao ouvir em vossa Igreja os hinos e cânticos que o louvam. Ao mesmo tempo em que aqueles sons penetravam em meus ouvidos, vossa verdade se derretia em meu coração, excitando os movimentos de piedade, enquanto corriam minhas lágrimas.”... b) Diz ele aos seus fiéis: “Vós sois a trombeta e o saltério, a cítara, o tímpano, o coro, as cordas e o órgão”, salientando a importância da voz, o instrumento mais importante para o louvor de Deus.
São também de Santo Agostinho as afirmações: “Se queres saber o que cremos, vem ouvir o que cantamos.” Ainda: “Cantar é próprio de quem ama.” E “Quem canta bem, reza duas vezes.”
E é ainda do grande doutor e bispo de Hipona a bendita afirmação: “Poucas coisas são tão próprias para excitar a piedade nas almas e inflamá-las com o fogo do amor divino como o canto.”

   São Basílio:A melodia torna o texto desejável e agradável, como o mel que se acrescenta a um medicamento para dar-lhe bom sabor. A melodia terá de possibilitar que cantemos e louvemos a Deus com gosto e com júbilo, com alegria e simplicidade de coração.” 

   E São João Crisóstomo afirma que  “Os salmos encerram toda a ciência.”
   Santo Ambrósio, cantor e compositor de hinos religiosos:“Canta-se o salmo e até mesmo os corações de pedra se abrandam. Vemos os pecadores mais obstinados chorarem, e os recalcitrantes dobram-se.”
E ainda: ”Na verdade, não vejo o que os fiéis podiam fazer de melhor, de mais útil, de mais santo, do que cantar”, quando reunidos para celebrar o Senhor como Igreja.

Martinho Lutero: “A música é um dom lindo e precioso de Deus... digna de estar junto à Teologia”... “A música é a coisa mais divina, depois da teologia.”


  
Beethoven:

  “A Música é 
pressentimento das coisas celestiais... é uma revelação mais alta que a sabedoria e a filosofia.”

  
Santo  Tomás de Aquino:

“Onde a palavra termina, ali começa o canto.

  
São Jerônimo,

comentando o salmo 136
“Como cantar os c
ânticos de Sião em terra estrangeira?
nos diz: “Quando estamos servindo ao pecado e aos vícios e estamos desterrados em terra estrangeira, n
ão podemos cantar a Deus.
  
E Orígenes completa: “O homem velho que se

corrompe seguindo os desejos da carne, não pode cantar o cântico novo”.
  O Concílio Vaticano II: “A renovação da música litúrgica não é mera quest
ão de técnica e artística; requer a renovação do homem que canta, expressando as coisas do espírito. Cantam realmente o Cântico novo s
ó aqueles que “se despem do homem velho e vestem o novo.”
(cf Ef 4, 24).
  
Gelineau:

"A m
úsica e o canto são sacramentos do Verbo Encarnado!"




"A Música desperta no homem esta inquietude pelo Infinito, este desejo da Beleza, do Amor, esta 
ânsia pela Plenitude, e to
r
na-se assim um sinal de Deus e o caminho mais curto para o encontro com Ele."

(Grande Sinal,  Ed. Vozes – A música como caminho de espiritualidade, 1985, pág. 730)

– Partindo de Jesus Cristo, músico, salmista e cantor do Pai, ele o Kyrios, o Senhor.
a)      O Ambiente musical de Jesus – nasce num ambiente que expressa sua fé através do canto: desde o seu nascimento, o Glória cantado pelos anjos... a subida a Jerusalém com os pais , cantando os salmos de subida (120 a 134): Eu me alegrei, fiquei feliz...Na Infância, o Magnificat, Benedictus, Nunc dimitis... A volta do filho pródigo é celebrada com  canto,  dança e festa...  Na entrada de Jesus em Jerusalém, é recebido com cantos, vivas, aclamações...
“Chegada a plenitude dos tempos ,” Jesus apareceu como a expressão e o canto de Deus, o canto do novo salmo, o melhor intérprete do seu povo.
Santo Agostinho: Quando o leitor sobe ao púlpito, é Cristo quem nos fala. Cristo tampouco permanece silencioso em vocês, quando cantam... não é porventura o próprio Cristo quem canta em sua voz?...
b)     Jesus Cristo, o salmista do Pai.
-          Os Salmos- composições líricas , foram feitas para serem cantados,  e são o livro de cantos do povo de Israel, parte importante do culto sinagogal. Jesus, como bom judeu, freqüenta o templo, participa da liturgia.  Cantou com a voz, o coração e a vida os cantos, hinos e salmos... – Lc 4, 16 – Como de costume, ele vai à sinagoga no dia de sábado, e lê o profeta Isaías... Cita os salmos, por exemplo o Sl 133 (132) “Como é bom e agradável viverem os irmãos  unidos! Os salmos do Hallel (= cantar hinos de alegria e louvor” , conjunto dos salmos 113 ao 118, são cantados nas grandes solenidades, como a Páscoa... “Depois de terem cantado salmos”, ele e seus discípulos “foram para o monte das Oliveiras”...
-          Em Jesus, músico, integram-se todos os valores. Ele dirige a orquestra do mundo,  desde o nascente até o poente... Ele, o músico, a nossa música... e a ele se dirige nossa música. Nós, humanidade, somos como partitura de Deus... cada qual, uma nota... às vezes dissonantes pelo pecado, mas convocados a  ser notas harmônicas, acordes  harmoniosos, por uma vida  autêntica e fiel a Deus.
-          A tradição viu nos salmos ao mesmo tempo  a voz de Cristo rezando ao Pai e a voz da Igreja voltada para o seu Senhor. Santo Agostinho: “Os salmos são a voz do Cristo total: a cabeça e o corpo.”
-          Jesus Cristo, regente da orquestra do mundo...  Ele dá sentido pleno  à sinfonia de Deus, a interpreta e dirige, Ele a Palavra que se fez Carne, se fez Música... Nele integram-se todos os valores. É ele o animador e diretor da sinfonia cósmica que “ressoa desde o Oriente até o ocaso...” Cada um de nós, uma nota na grande sinfonia da vida... Deus, o “Cantus Firmus”. Na Missa do início do pontificado de Bento XVI, a 24 de abril de 2005, alguém comentava (TV Canção Nova): “O cantor mudou, mas a música é a mesma”, diríamos, continua... Porque JC é o Cantor do Pai, o divino regente, que une as vozes e corações em torno de si, atraindo-nos ao Pai, a quem se dirige o nosso louvor...Ele é o músico e a própria música!...
-         
"Jesus Cristo,
assumindo a natureza humana, trouxe para este exílio terrestre aquele hino que é cantado por todo o sempre nas h
a
bitações celestes. Ele associa a Si toda a comunidade dos homens e une-a consigo na celebraç
ão de
s
te divino cântico de louvor.” (SC83) Cristo, tendo cumprido sua obra redentora, enviou-nos o Esp
írito Prometido. Desde o dia 
de 
Pentecostes, o cântico novo continua a vibrar nas cordas da harpa dedilhada pelo Espírito Santo  na liturgia da Igreja
,
como um harmonioso e incess
ante 
di
álogo entre o Esposo e a Esposa. Este cântico é ainda a imagem e o anúncio do louvor celeste, do cântico novo que o Apocalipse deixa entrever (Ap 5,9). Aquele, sim, ser
á o cântico novo por excelência, liberto dos limites materiais.”




(Grande Sinal Editora Vozes, dezembro 1985, no artigo A Música como expressão da espiritualidade” de José Weber, pág. 733.)

 O canto e a música na Liturgia

Introdução:
No sentido cristão, a celebração é a festa pela obra salvífica de Cristo, atualizando a História da Salvação(sentido teológico), manifestação visível da salvação e da Igreja (sentido litúrgico). (Pe. Lucio Floro: A Liturgia é a curtição da salvação que o Pai nos deu em Jesus Cristo).
A celebração tem um corpo (conjunto de sinais) e um espírito (motivo e estilo). Tem atos (os momentos da celebração), mas também tem fatores (os ingredientes de iluminação, ventilação, acolhida, personalização, etc). Ela possui um dinamismo interno e um ritmo: no conjunto (início, ápice e encerramento), em cada parte (entre assembléia, presidente, ministros; entre palavra, canto e silêncio); nos modos de participação e nas atitudes, na oração comum (convite, oração pessoal, oração comunitária e oração presidencial).
Esse dinamismo, com a estrutura da celebração tem um  encadeamento lógico, que  se realiza em torno de 4 pólos:  os momentos sucessivos da celebração: a convocação  em torno do Ressuscitado (assembléia); o diálogo salvífico (proclamação da Palavra e resposta do povo); os sinais com que a Aliança se renova e sela (memorial da História da Salvação); por último, a dimensão do testemunho, missão e serviço (dissolução da assembléia).- Do livro “Manual de Liturgia II” – CELAM,  Editora Paulus, pág. 61-63.
1)      FundamentosFunção e papel do canto litúrgico: por que cantar?
A música é “parte essencial, necessária, integrante da liturgia (SC 112) – expressão da fé e da vida cristã de cada assembléia. Em ordem de importância e, após a comunhão sacramental, é o elemento que melhor colabora para a verdadeira participação pedida pelo Concílio.”:
-           Expressa melhor
e mais profundamente
a oração - Pelo canto, a oração se expressa com mais suavidade Mais que as outras artes, é aquela que expressa a essência, o próprio ser e o mistério celebrado.
-          Mais claramente se manifestam o mistério da liturgia
e da Igreja, Corpo Místico de Cristo,
sua índole hierárquica e comunitária, uma vez que a liturgia é ação de toda a igreja.
-          Favorece e expressa a unidade - Mais profundamente se atinge a unidade dos corações, pela unidade das vozes, vencendo o isolamento, criando sintonia e  harmonia, acima de diferenças, idade, cultura e idiomas... Cantar em comum produz união, torna os membros coesos entre si. (Canto do Hino Nacional: todo um ideal, um povo, assembléia)
. Portanto, o canto faz a comunidade. (Gelineau: uma comunidade que canta é mais unida que uma que não canta.)

-          Enriquece e soleniza a celebração, gerando festa: “Nada mais festivo e mais grato nas celebrações sagradas do que uma assembléia que, em seu todo, expressa sua fé e sua piedade por meio do canto.” (MS 16).
O canto soleniza um rito,
tornando a celebração mais plena, mais intensa, mais clara, possibilita sua melhor realização, sendo gesto vocal que realiza o rito.
-          Exerce uma “função ministerial”, não apenas como humilde serva da liturgia, mas uma nobilíssima serva, como “ministra da liturgia”. Isso “implica em duas condições: a) subordinar sua própria identidade a uma função, b)  e por outro, sua ação se transforma em verdadeira atividade sagrada, celebrante e santificadora. Pela primeira, a música não atua na liturgia como único critério de sua autonomia estética, porém, longe de perdê-la, sua própria identidade artística e seu ofício exercem um autêntico ministério.”
-           Eleva as almas mais facilmente, pelo esplendor das coisas santas até as realidades supraterrenas, sobrenaturais.
Sua solenidade não se dá tanto pela polifonia, por um coral, mas pela participação de todos. A celebração em comum, e cantada, é a festa.”  (Nossas festas em família que o digam!...)
-     


     Prefigura a Jerusalém celeste - Enfim, toda a celebração mais claramente prefigura aquela efetuada na celestial Jerusalém. (Quem não experimentou um pouco do céu na morte do nosso querido  João Paulo II?... Como que pequena fresta da janela da casa do Pai se abriu... e foi um antegozo da  liturgia celeste).
O livro do Apocalipse: canto novo dos resgatados diante do Cordeiro, quando Ele se manifestar em sua glória. Nossa liturgia terrestre deve prefigurar ado céu...
-          Ajuda a sair de nós mesmos,  do nosso individualismo e comodismo, para viver o comunitário, indo ao encontro do outro. Deixamos o eu para assumir o nós!
-         
É símbolo da polifonia da vida, onde somos tão diferentes, como as notas de uma sinfonia, mas regidos por Deus, nosso cantus firmus , formamos a bela e harmoniosa sinfonia da vida, pela fé e o amor celebrados na liturgia.
-          Gelineau cita três serviços da Música Litúrgica:
. ser instrumento de oração e celebração
. viabilizar a festa
. fazer entender o inaudito (música não cheia de si mesma, mas portadora de silêncio e adoração).

                   

2) Características da música litúrgica – critérios  principais:
-          Santidade – sua finalidade última: glorificação de Deus e  santificação dos fiéis... “A MS será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver ligada à ação litúrgica” (SC 112) – do sacro ao santo, ao litúrgico... Do conteúdo genérico, geral, religioso, à música com finalidade exclusivamente litúrgica, a serviço do Mistério, da Palavra, do rito, música para a liturgia. Assim, a santidade da música vem de sua “sacramentalidade”, na dimensão do visível e sensível, quando o gênio, a arte, a técnica e a execução musical revelam de forma humana o Mistério Divino celebrado – JESUS CRISTO  “ é a Imagem que se vê, a Palavra que se escuta, o Pão que se consome no interior do tecido eclesial”, na Igreja,  quando celebramos o mistério da fé. O Concílio: “Cristo está sempre presente na sua Igreja, e de modo especial, nas ações litúrgicas. Por isso, cada ação da Igreja, unida a Cristo, é ação santa. Na liturgia, a música não se canta nem se venera a si mesma, mas se torna epifania –glória do mistério celebrado: “Deus canta o seu Verbo e concede-o; o artista  encarna o Verbo e canta-o”. (L´Osservatore Romano, 17 de janeiro 2004  “Música Santa para a Liturgia”).


-          correção e singeleza das formas:/ beleza  expressiva da oração - o texto da SC diz que a Igreja  “aprova e admite no culto todas as formas  de verdadeira arte, dotadas das devidas qualidades” : sentido da oração,  da dignidade e da beleza. “Os cantos e as músicas devem corresponder às legítimas exigências de adaptação e inculturação”, evitando a leviandade e a superficialidade. João Paulo II nos diz da “Necessidade de purificar o culto de dispersões de estilos, das formas descuidadas de expressão, de músicas e textos descurados e pouco condizentes com a grandeza do ato que se celebra.”
Quanto ao texto: sem academismos nem vulgaridades! Nem sofisticação da linguagem nem expressões regionalistas inadequadas a um repertório comum. Inspiração bíblica: Sagrada Escritura e a própria Liturgia - fontes bíblicas e litúrgicas,  levando em conta a vida e realidade do povo. O texto deve  focalizar a função ministerial, a festa, o tempo litúrgico... estar mais na linha do louvor gratuito, ação de graças, súplica e perdão, numa linguagem dialogal e orante, e não moralizante ou catequética. Leve em conta a dimensão comunitária e social.
A Igreja oriental possui  hinos litúrgicos  riquíssimos. A  Igreja ocidental, romana adotou o  latim, língua concisa, difícil de traduzir... Após o Vaticano  II, convocados  a compor cantos para a liturgia, as composições muitas vezes, tiveram uma débil sustentação tanto teológica, como doutrinária e espiritual, além de pouca qualidade musical. A música deve ajudar a penetrar no mistério, num crescendo...(Exemplos – Vigília Pascal, recolhida... de repente um aleluia em ritmo de twist, desconcentrando... Comunhão – canto de adoração à Eucaristia... O canto de entrada “Mãezinha do céu” em plena festa de Pentecostes!...)
Quanto à melodia: (linguagem privilegiada, que fala à alma, toca o mais íntimo... arte do tempo e do som, a mais abstrata, por isso a mais espiritual  e  divina das artes), deve ser simples mas bela -  a  simplicidade não se opõe à qualidade. Necessidade de assessoria técnica – características rítmicas e harmônicas;  conteúdo de melodia e texto correspondam aos diversos momentos da ação litúrgica. Deve ser nobre e ao mesmo tempo despojada do mundano, pois sua função é sublinhar, revelar o sentido das palavras, “favorecendo melhor interiorização do mistério que se celebra, realçar o texto, provocar o louvor, a súplica, o perdão, a interiorização, a aclamação, a entrega, a comunhão...A música  é um dos caminhos mais curtos para o encontro entre Deus e o homem...” A Música é “serva humilde” (conforme Bach e Pio X), mas “serva extremamente nobre” da liturgia, no dizer do Papa Pio XI em sua Constituição Apostólica Divini Cultus (1928): “O canto e a música são a “encarnação” da Palavra revelada, do diálogo salvífico... uma experiência orante feita pela Igreja que celebra o mistério pascal de Jesus Cristo.”  Deve favorecer o canto do povo.
-          Entre os gêneros preferidos, está o Canto Gregoriano, mas  também os outros gêneros de música sacra, sobretudo a polifonia e o canto popular religioso. Quanto a este, diz a SC: “O canto popular, de fato, constitui um vínculo de unidade, uma expressão alegre da comunidade orante, promove a proclamação de uma única fé e dá às grandes assembléias litúrgicas uma incomparável e recolhida solenidade.”
Admirável a afirmação: “Graças à palavra, a música pode nomear a Deus de Jesus Cristo; graças à música, a voz humana pode pronunciar o inefável.! (Universa Laus, citada por Antonio Alcalde). Portanto, os três grandes tesouros da música sacra são: o canto gregoriano,  a polifonia sacra e  o canto popular religioso.
Relação entre música e Palavra – a Palavra tem uma função central. Nosso culto único e definitivo é Jesus Cristo; Ele é a Palavra definitiva. E essa palavra com que o Filho ( e nós, nele, com ele, por ele), responde em obediência ao Pai, faz com que a Liturgia tenha essa estrutura dialogal: Palavra entregue, proclamada, que responde como oferenda espiritual..... Palavra plena, palavra-música, que “sai do coração e chega até o coração” (Beethoven).

Como deve ser a música litúrgica:
-          fácil e simples (não vulgar nem simplória)
-          melódica e não estridente (não pegajosa)
-          diatônica e de estilo silábico (cada sílaba corresponda à sua nota musical)
-          clareza de tom e modo
-          evoque um mundo de mistério e transcendência
-          esteja a serviço da palavra, cantando-a com clareza; aderência!
-          Penetre e vivifique a palavra, meditando e aprofundando o texto.
O silêncio sagrado – função musical do silêncio: pausa reflexiva, de concentração, de eloqüência do interior (ato penitencial, oração, após leituras, relato da  Paixão, após a Comunhão...) x barulho, agitação, ruído...Só sabe cantar quem sabe silenciar para ouvir Deus. É um silêncio fecundo...
-          As exigências da própria liturgia: “O canto da liturgia é Palavra que se faz canto, canto que nasce do coração em que o Verbo se encarna por obra do Espírito Santo”. Deve exprimir a solenidade da celebração e a unanimidade da assembléia, tendo como finalidade a glória de Deus e a santificação dos fiéis.
Frei Alberto Beckäuser, citando o Cardeal Daneels, em artigo, diz: “A Liturgia não nos pertence... ela é de Deus,  dom oferecido à humanidade por  Cristo e em Cristo. Não somos nós que a fazemos, ela é que nos faz. Não a possuímos, é ela que nos possui... devemos  deixar-nos conduzir por ela. Quem celebra e faz memória é a Igreja, que celebra a Sagrada Liturgia de JC, seu serviço de salvação da humanidade, que ele realizou por sua Encarnação, Paixão-Morte, Ressurreição e Ascensão aos céus... Celebramos através dos gestos, sinais, símbolos ( pessoas concretas,  a Palavra, elementos da natureza, objetos,  gestos e posturas do corpo, o tempo da Liturgia e a Liturgia no tempo, a linguagem do silêncio, da arte do tempo que é a música, o canto... Todos os sinais, símbolos, ritos –  são formas de viver a comunhão com Deus, de fazer a experiência com o Senhor.(Mistério é o próprio Deus. Comunhão de vida e de amor que nos é comunicado.)
-          A participação da comunidade – tomar parte, ser participante... A assembléia toda, como povo profético, sacerdotal e real, tem direito e dever de participar da Sagrada Liturgia – participação consciente (formação litúrgica) ativa (escuta e silêncio -  escuta da Palavra,  e palavras, gestos, canto... os 5 sentidos participam)  e plena  ( de corpo e alma, ser inteiro...) de maneira frutuosa  (frutos de vida, amor, conversão)... A assembléia tem a PRIMAZIA!
-          Resumindo – as características da música sacra/ litúrgica (João Paulo II, no seu Quirógrafo, retomando Pio X): “A ML deve, de fato, responder aos seus requisitos específicos: a plena adesão aos textos que apresenta, a consonância com o tempo e o momento litúrgico para o qual é destinada, a adequada correspondência aos gestos que o rito propõe. Os vários momentos litúrgicos exigem, de fato, uma expressão musical própria, sempre apta a fazer emergir a natureza própria de um determinado rito, ora proclamando as maravilhas de Deus, ora manifestando sentimentos de louvor, de súplica ou ainda de melancolia pela experiência de dor humana, uma experiência, porém, que a fé abre à perspectiva da esperança cristã.” (n. 5)

(CONTINUA...)

Nenhum comentário:

Os Mais Vistos