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sexta-feira, 1 de junho de 2012

História do Culto ao Sagrado Coração de Jesus.


Devoção franciscana
Entre os franciscanos, como em toda a Igreja, o culto ao Coração de Jesus teve duas origens: alguns chegaram a ele através da meditação privada da Paixão; outros, através da revelação bíblica ou particular. 

No século XII, os teólogos transmitiram a tradição da Teologia do Coração de Jesus. Nos séculos seguintes (XIII e XIV), essa planta cresceu e tornou-se uma árvore. Esse desenvolvimento foi preparado por uma grande devoção à Paixão de Cristo, por um amor especial ao apóstolo João e por um grande número de comentários sobre o Cântico dos Cânticos. Os grandes responsáveis por isso foram os franciscanos, as religiosas de Helfta e os dominicanos. Vamos nos ocupar agora com os franciscanos. 

A Ordem Seráfica contribuiu muito para a preparação e propagação do atual culto ao Coração de Cristo. Isso aconteceu no longo período de transição da idade patrística até as ‘revelações’ de Margarida Maria, com afirmações de ordem doutrinal, ascética e devocional, que se inserem particularmente no apogeu da devoção mística medieval (1250-1350) e constituem, para a própria ordem, a base das sucessivas manifestações e práticas de piedade. Dois fatos suscitaram e favoreceram essa contribuição: a espiritualidade e devoção de são Francisco à humanidade de Cristo, particularmente aos mistérios da Paixão, e a renovação desses mistérios na própria vida do Patriarca estigmatizado – dois fatos novos e inspirantes que mantiveram a atenção dos franciscanos voltada para o Redentor e para são Francisco. 
A representação característica de são Francisco abraçado pelo crucificado e querendo beijar-lhe a chaga do lado (pintura de Murilo) encontrou, assim, uma feliz correspondência na apaixonada contemplação franciscana dos sofrimentos e das cinco chagas de Cristo, especialmente da chaga do lado. Dessa contemplação, aconteceu uma passagem, fácil e natural, ao próprio Coração de Cristo, em si mesmo e como símbolo do amor e fonte de toda a graça. Podemos dizer que uma devoção explícita ao Coração de Jesus nasceu no ambiente de espiritualidade cristocêntrica e de misticismo criado em torno às ordens beneditina e franciscana.

O franciscano são Boaventura, no seu Itinerarium Mentis in Deum, guia do coração do peregrino em seu itinerário em busca de Deus, afirma que o único caminho para o Pai é um grande amor ao Senhor crucificado. Esse amor deve levar a uma verdadeira comunhão de corações, com Cristo e os irmãos. E no seu livro Vitis Mystica, encontramos um primeiro aceno explícito à devoção ao Coração de Jesus: “O Coração de nosso Senhor foi transpassado por uma lança para que através da ferida visível possamos ver a ferida invisível do seu amor”. São Boaventura pode ser considerado um dos primeiros devotos do Coração de Jesus. 
Muito cedo, os frades menores fizeram do Coração de Cristo objeto de meditação e pregação, de estudo e ilustração ascético-doutrinal, de invocação e culto, chegando a ver no Coração de Cristo a síntese e a verdadeira meta de toda a sua espiritualidade ligada ao divino Redentor. Com Boaventura, a verdadeira devoção, a espiritualidade e o culto do Coração de Jesus começam a tomar forma concreta na Ordem Seráfica. Ele já falava de um duplo objeto do culto ao Coração de Jesus: o Coração físico e o simbólico. Tratou ainda da finalidade do culto e das práticas devocionais. Afirmou que o objeto desse culto é o infinito amor, a infinita ternura do Coração de Cristo. Que o Coração de Jesus é o símbolo de seu grande amor pela humanidade. É um amor pleno, total e permanentemente novo. Disse também que o nosso amor por Cristo também precisa ser assim, porque a finalidade da devoção ao Coração de Cristo é exatamente a resposta de amor a esse amor do Senhor. 

pe. Francisco Sehnem, scj
Especialista na Espiritualidade do Coração de Jesus

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