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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Erro de Marketing




Disseram-me que, se eu aceitasse Jesus, eu seria um vencedor. Encontrei João Batista degolado e Jesus crucificado e eles disseram que, às vezes, é preciso perder para ganhar mais lá na frente. Então eu entendi que a religião que garante dinheiro, sucesso e vitória está usando de marketing errado.

Disseram-me que Jesus liberta de todo o sofrimento e que os seguidores de Jesus são pessoas vitoriosas e escutei Jesus dizendo que quem não toma sua cruz e não o segue não é digno de ser do grupo dele. E Jesus ainda me disse que só ganhará sua vida aquele que aceita perde-la. Então eu entendi que a religião que promete uma vida sem cruz está usando de marketing errado.

Disseram-me que, com Jesus, eu receberia 100 por 1 e que Deus dá prosperidade, casas, carros e emprego a quem paga o dízimo e faz promessas, correntes e novenas e encontrei Jesus pregando no meio de o pobres e dizendo o contrário: que ele não veio distribuir fortunas nem se meter em assunto de dinheiro ou de herança e que devíamos aprender com os lírios do campo e com as aves do céu.

Mostraram-me uma oração infalível e garantiram que Deus não resiste a quem a reza. Ofereceram-me um milheiro delas por 60 reais e eu vi Jesus orando ao Pai na última noite pedindo que o Pai afastasse dele o cálice. E o Pai não afastou. Então entendi que igrejas que oferecem orações infalíveis está usando de marketing errado.

Tentaram me assustar aumentando o poder de fogo o demônio e ouvi Jesus e Paulo dizendo que não tivéssemos medo de nada porque para os que amam tudo acaba dando certo. E tornei a ouvir Jesus falando que o demônio quis derruba-lo, mas Jesus orou por ele. Então eu entendi que as igrejas que falam todos os dias do demônio são como os pais que contam histórias assustadoras para crianças na esperança de que elas não os desobedeçam. A impressão é a de que o marketing do demônio naqueles templos é tão forte como o de Jesus. Afinal é só ver o tempo que gastam falando dele.

Disseram-me que, naquele dia, às três da tarde, Jesus faria milagres naquela igreja e que todos fossem àquele endereço que veriam milagres. E Jesus me disse que o Espírito sopra onde quer e como quer. E vi Jesus dizendo que no fim dos tempos viria muita gente garantindo que sabiam onde Deus estaria e onde atuaria. Jesus mandou duvidar deles e tomar cuidado com esses falsos profetas.

Disseram-me que quem fosse lá na frente e proclamasse sua adesão a Jesus teria a salvação garantida e encontrei Judas que se enforcou, mesmo tendo ido lá na frente, aderido e vivido três anos com Jesus. Então eu entendi que isso de garantir a salvação numa determinada igreja ou pedir adesão proclamando salvo aquele que aderiu é marketing errado. São Paulo diz que ninguém está salvo só por dizer Senhor, Senhor. Temos que continuar atuando com respeito e cuidado para não errar. E Pedro diz que quem está em pé tome cuidado para não cair. Jesus vai ainda mais longe quando diz que muitos pregadores que até expulsaram demônios e curaram gente não têm o céu garantido.

Disseram-me que eu deveria me afastar deste mundo pecador e que contemplasse louvasse o Senhor que isso é que salva. Falar de política não me salvaria. Encontrei Jesus dizendo o contrário. Que quem tivesse uma oferta diante do altar e se lembrasse que seu irmão não estava em paz com ele deveria parar de orar e de ofertar e fosse primeiro fazer a paz com o irmão. Tornei a encontrar Jesus dizendo que gritar: “Senhor, Senhor” não salva nem os pregadores e que o que salva é cuidar de pobres, doentes, carentes, pessoas feridas no corpo e na alma. E que era preciso fazer as duas coisas e não apenas uma delas. Orar e servir .

Alguém, num rasgo de marketing, saiu de uma reunião dizendo que Jesus lhe tinha acabado de pedir a ele que me desse seu recado especial. Perguntei-lhe que garantias ele me dava de que não tinha sido ilusão. Porque razão eu deveria acreditar nele, se Jesus mandou tomar cuidado com quem se proclama seu porta-voz? Ele se magoou por eu ter feito o que Jesus mandou fazer e por não ter aceito o seu marketing de mensageiro especial do Cristo.

O locutor dizia que só na sua emissora religiosa havia pregação correta e música religiosa de qualidade. Ouvi de novo para ter certeza. Ele repetia: “só lá”. Tive pena dos seus ouvintes que se deixavam enganar por um marketing preconceituoso, que negava às demais 300 emissoras de sua igreja ou de outras igrejas o direito a uma pregação correta e a músicas de qualidade. Condenam tanto os pecados do mundo e adotaram o jeito de falar deste mesmo mundo, o de que sempre o seu produto é o melhor e o único que deve ser comprado.

Vi gente demais dizendo que Jesus lhes disse coisas que não batem com os evangelhos. Vi propagandas de igrejas e grupos que negam frontalmente o que Jesus ensina. Então me perguntei sobre o marketing da fé que eles assumiram. Deve haver um marketing verdadeiro que não mente, não deturpa e não acentua apenas a passagem que ajuda seu grupo. Se houver que seja usado. Porque agora, o que vejo é muita gente puxando a lata para a sua sardinha e encurralando a verdade dentro de suas igrejas.


Não aceito este tipo de marketing e não quero nada com ele. Sou daqueles que acham que o sol que brilha no telhado de minha igreja também brilha do telhado das outras igrejas. Jesus nunca mentiu para fazer mais adeptos.

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