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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Elementos constitutivos da Conventualidade

Continuação do texto: A Conventualidade no carisma Franciscano... (1ª parte)
(http://conventuaisrj.blogspot.com.br/2012/05/conventualidade-no-carisma-franciscano.html)

Por: Frei Carlos Roberto de Oliveira Charles,OFMConv.


No seu estilo conventual de ser, a fraternidade franciscana se caracteriza como:

a) Ministério fraterno (ministros e guardiães): exercido por ministros mediatos e imediatos e, mais concretamente, pelos guardiães de cada convento. Estes são e devem ser os primeiros animadores da vida fraterna. As Constituições Gerais de 1984 mencionam como autoridade por excelência o Capítulo e como autoridades que fazem cumprir a deliberação capitular apenas o Ministro Geral, os Ministros Provinciais, os Custódios e Delegados, deixando os Guardiães como frades que exercem uma função conventual. Todavia, o guardião é quem preside tanto a vida comunitária quanto o capítulo conventual, chamado a promover a Conventualidade como expressão da fraternidade local, e é quem se responsabiliza por fazer cumprir as deliberações de cada convento: “é tarefa do guardião dirigir e coordenar a vida e as atividades dos frades segundo a Regra, as Constituições e os Estatutos, e promover o espírito da verdadeira fraternidade.”[1] Ainda conforme as Constituições, compete ao guardião “o poder ordinário sobre todos os frades da família e outros que residam no convento.”[2]
Assim, o Guardião é o frade que tem por ofício o fraterno ministério de solicitude, tanto no cuidado, quanto no zelo e na promoção da vida dos demais frades de cada convento, e deve exercer sua função na tensão materno-filial/fraterno-pessoal.


b) Capítulo Conventual: o encontro de todos os frades, no início ocasional, depois sistemático, foi uma exigência da primeira geração franciscana. Nasciam assim os “capítulos”, que diferentemente do que acontecia nas Ordens Monásticas, possuíam um caráter mais fraterno e espiritual do que organizativo e administrativo. Verdadeiros exercícios espirituais, nos quais os frades redescobriam o genuíno de sua vocação à luz dos ensinamentos de Francisco, se confrontavam com a experiência dos irmãos em uma sincera revisão de vida, reforçando os vínculos da comunhão recíproca na alegria de pertencer à mesma família.[3] Assim, o Capítulo Conventual é o encontro solene de todos os frades de um convento para o compartilhamento da vida comunitária, produzindo, desenvolvendo e aprimorando a fraternidade. Este compartilhamento funciona como esforço comum para cultivar a vivência espiritual, facilitar o trabalho pastoral, corrigir fraternalmente, legislar e executar a programação da vida dos frades.
O Capítulo Conventual deve ser entendido e vivido pela comunidade como lugar privilegiado de ausculta do Espírito Santo, que permite discernir juntos, através do diálogo sincero entre irmãos, aquilo que o Senhor deseja.[4]

c) Vida compartilhada: a imagem de mesa e altar ilustra bem a ideia que se pode ter de vida compartilhada como ponto de partida e de chegada do encontro comunitário para a fraternidade. Fiéis ao horário comum das refeições, em torno da mesa os frades não só partilham o alimento comum, mas os serviços que o produzem e organizam, e através deles, partilham a própria vida pelo diálogo descontraído, alegre e respeitoso. O mesmo se dá ao redor do altar, mesa do Senhor, para a oração comum e a liturgia, onde a partilha comum abrange o mistério divino e alimenta espiritualmente a vida fraterna. Mesa e altar são referências centrais do que acontece no interior de cada comunidade, cujo compartilhamento se constrói no encontro frequente, no diálogo franco e aberto, na mútua confiança, no respeito e valorização do outro como pessoa, na solicitude do zelo e cuidado pelas relações interpessoais, como também na solidariedade frente aos desafios individuais, comunitários e pastorais.
Se a comunidade é o lugar da vida partilhada, onde a partir da mesa e do altar se celebra a festa da vida, também, a comunidade é o lugar do perdão. Este é um elemento evangélico salutar para refazer e amadurecer as relações de fraternidade.

d) Formação: elemento fundamental para o discernimento vocacional, para a assimilação do carisma e constante processo de atualização formativa. Embora que toda a vida seja um processo de conformação com Cristo, o período de formação inicial tem uma particular importância. Constitui-se num verdadeiro tirocínio no discipulado, no qual, guiado por seus responsáveis, o frade aprende a discernir a voz de Deus entre tantas mensagens que ouve e, após decidir-se pelo seguimento do Senhor, é ajudado a tirar proveito do ensinamento e da experiência que lhe é oferecida para o amadurecimento de sua opção.[5]
É preciso que o frade menor conventual prossiga o itinerário de interiorização dos valores evangélicos, empreendido no período de formação inicial, ou melhor, o empenho de um crescimento constante integra-se no direito e no dever de cada  frade, principalmente em face da vida moderna.[6]
Assim, a formação acontece no quotidiano da experiência comum e sempre é promovida em nível local pelo Capítulo Conventual, e em nível jurisdicional pelos Capítulos Gerais/Provinciais e pelo exercício de seus governos. Desta forma, preparam o frade para uma vida responsável diante de Deus, da Igreja, da Ordem e do mundo.

e) Apostolado: para Alfonso Pompei o apostolado e a formação (estudos) estão intimamente ligados, e esta última, considerando os estudos como adequada preparação para o bom exercício do ministério pastoral, nasce em função do apostolado: se quisermos permanecer fiéis à Conventualidade franciscana, é preciso lembrar o primeiro desenvolvimento da Ordem de Francisco de Assis: recordar os tempos em que os Frades da Comunidade organizavam o ambiente da vida religiosa franciscana (Conventos, com estudos e escolas implementadas e eficientes; grandes igrejas para exercer aquele serviço de apoio ao clero, sem estar ligados ao território paroquial e diocesano, clericalização que não significa substituição do clero secular nas paróquias, mas uma ajuda específica e especializada na re-evangelização interna e nas missões entre os infiéis.[7]
Assim rezam as Constituições, “Os frades consagrem de modo especial todas as energias para manifestar ao mundo, com palavras e obras, a mensagem de Cristo, e comunicar sua graça de modo que possam imbuir do espírito do Evangelho as várias coletividades e os vários ambientes, testemunhando o advento do Reino de Deus.”[8]
Este trabalho apostolar/pastoral é exercido através da Igreja para evangelizar o mundo, enchendo-o da presença do Espírito do Senhor. Portanto, realizado pela comunidade conventual através de uma paróquia, de uma associação e de variados serviços.

Visualizados e compreendidos os elementos constitutivos da Conventualidade, podemos afirmar com segurança, que superada a questão histórica, todas as Ordens Franciscanas, são essencialmente conventuais, uma vez que todas contém os mesmos elementos, os mesmos símbolos, a mesma linguagem, além do processo natural de “conventualismo” adotado por toda e qualquer forma de vida religiosa consagrada de expressão comunitária.
Entretanto, aquilo que é próprio de uma ordem que adjetivou, apenas em sua nomenclatura distintiva, a substancialidade fraternitas minoritas de “Conventualidade” é mesmo o modo como se experimenta esses mesmos elementos comuns, o que configura o carisma específico e diferencial.
Exemplificando: a maneira conventual de exercitar o ministério; o jeito próprio de exercer o guardianato, como a relação deste com toda a comunidade; a forma de celebrar os capítulos e o acento que este tem sobre a vida comunitária; o encontro fraterno e a partilha da vida na oração, na celebração, no trabalho, no lazer, no estudo e na administração (seja ela conventual ou paroquial). Tudo isto é próprio do carisma franciscano conventual.
Ver como se dá esta idealização na prática é o grande desafio pela busca do essencial e o vencer a si mesmo, tão próprio da religiosidade consagrada.
4. A práxis da Conventualidade

Se por um lado, os elementos idealizadores positivos podem ser visualizados em muitas realidades em toda a Ordem, por outro, há também, desafios de superação do negativo na prática conventual.
A realidade do carisma conventual, vivido e experimentado nos tempos atuais, consiste concretamente na desafiadora tentativa de colocar em prática os princípios fundadores e basilares da aventura franciscana, sobretudo, nesses tempos modernos/pós-modernos contrários à vida comunitária.
Frente aos desafios culturais e antropológicos do cultivo do individualismo, do materialismo, do consumismo, onde o carisma conventual deveria ser a contra-mão e produzir luzes suficientes para iluminar as sombras perversas das sociedades pós-modernas, tem, ao contrário, se ofuscado e deixado se influenciar pelos meios que antes deveriam ser transformados por ele.
Vejamos, pois, a partir dos elementos idealizados que configuram a Conventualidade, como, de fato, conseguem se exprimir na prática, pelo menos a partir de alguns exemplos significativos:

a) Ministério fraterno (ministros e guardiães): na prática, verifica-se em muitas realidades a autoridade como fiscal, como mantenedor dos status institucional, e por isso, com certo glamour no exercício do poder. O mesmo não se pode dizer do guardião, que já em muitos lugares, sobretudo em conventos menos clássicos e menos rígidos, tornou-se uma função obsoleta, decorativa, desprovida de autoridade; um coordenador “pro-forma” que obedece e faz obedecer normas estruturais. Muitas vezes, visto pela comunidade como representante local da instituição, é evitado e, quando não isolado, distanciado tanto das partilhas pessoais quanto das subjetividades autônomas.

b) Capítulo Conventual: em muitos casos deixou de ser o lugar solene de celebração da fraternidade para se tornar uma reunião cansativa de administração do convento e da paróquia, como também de prestação de contas e de frequente e acalorados confrontos de individualidades feridas. Isso, quando se consegue reunir os frades, tão atarefados em seus compromissos pessoais e pastorais

c) Vida compartilhada: muitas vezes compreendida apenas como o cumprimento canônico de horas comuns, ou seja, viver comunitariamente. A vida comunitária, por si só, não é pressuposto de fraternidade num convento, mas por outro lado, a fraternidade só é possível mediante a vivência comunitária dos elementos que a tornam possível: horários comuns para o encontro interpessoal e comunitário. Assim, pode-se, num convento cumprir-se os horários comuns de oração, de lazer, de pastoral, de refeição sem haver nenhum nível de produção fraterna. A fraternidade que nasce do encontro, do diálogo, da partilha, do cuidado, da pertença, da valorização do irmão, só é possível quando há um exercício constante de provocar o compartilhamento da vida, da fé e do apostolado.
Não há convento onde não há compartilhamento da vida e de seus elementos simbólicos, mas tão somente uma “casa paroquial” chamada de convento, que abriga pessoas que têm funções em comum, vivem o fechamento de sua subjetividade, influenciada pela cultura moderna do individualismo e do fechamento como também da produção mercadológica de suas atividades.

d) Formação: assiste-se com muita frequência, em muitos lugares da Ordem, uma formação incipiente tanto para a iniciação à vida fraterna quanto para o ministério ordenado. O estudo, nessa linha, tem sido apenas pré-requisito para a profissão dos votos e principalmente para a ordenação, e em muitos casos, não levados a sério para formação integral do frade como pessoa humana. Os estudos complementares e especializados nem são motivados, dados a urgência dos frenéticos trabalhos pastorais e da escassez sacerdotal em diversas regiões onde se fazem presentes os Conventuais. A formação permanente, muito reduzida nos capítulos conventuais é encarada com descaso, desinteresse, algo “pro-forma”, ou uma “desobriga” religioso-comunitária. Muitos frades, acostumados ao comando, à direção, liderança pastoral não se vêm motivados a continuar aprendendo, atualizando, renovando seus conhecimentos, pois se consideram mestres, formados e bem preparados, e não conseguem mais ouvir seus pares.

e) Apostolado: no início dos anos de 1980, o Ministro Geral já chamava atenção para a maneira do serviço pastoral exercido pelos Conventuais nas Dioceses e paróquias: “muitas vezes nos reduzimos a administrar as paróquias a nós confiadas como se fôssemos padres seculares aos quais a paróquia é dada como ‘benefício’ sobre o qual eles exercem amplos poderes. Para mitigar estes antigos poderes é que nasceu o ‘Conselho pastoral’ que alarga a responsabilidade a toda a comunidade paroquial. Nós, porém, desde a origem, temos algo a mais e de melhor que o Conselho pastoral: é o capítulo conventual, onde, com respeito aos problemas pastorais o frade provisionado pároco deveria, poderia e pode organizar a vida pastoral em fraterna harmonia e colaboração com todos os irmãos da Fraternidade.”[9]
De lá para cá, assiste-se, cada vez mais, a um “paroquialismo”[10] perigoso que compromete a vida em comunidade e a desgasta. “Paroquialismo” que transforma o frade, provisionado como pároco, em poderoso e “super-frade”, que muitas vezes ofusca o ministério do guardião e dos demais frades; transforma o convento e “casa paroquial”, os frades em meros vigários paroquiais e a vida religiosa em exclusiva função pastoral/paroquial.
Em seu generalato, Vital Bommarco, talvez como um desabafo exortativo, apontava para os novos desafios da realidade conventual; “muitas vezes engatamos uma marcha ré que nos levou a privilegiar os assim ditos ‘modernos eremitérios’, vida em particular ou quase apartamentos, onde se satisfazem todas as exigências de uma vida burguesa e onde, no lugar do silêncio e da oração, entra e prospera o barulho da vida moderna. Será que muitos dos nossos conventos não viraram boas casa paroquiais que nada têm a ver de diferente daquelas do clero secular invadidas pelas perpétuas empregadas, radinhos, toca-discos, gravadores (e hoje acrescentaríamos DVDs, TVs, computadores, celulares), etc? Como é difícil em muitos conventos a renúncia à livre iniciativa particular em favor de uma orgânica vida de comunidade, de oração em comum, recreação fraterna, de um trabalho feito em nome de todos!... Como é pouco o tempo que hoje dedicamos à reflexão e ao estudo, nós que somos os herdeiros dos conventos nascidos para responder a uma sempre maior exigência de formação teológica e cultural. A administração do dinheiro sempre foi dado na Conventualidade sabiamente delegada à comunidade, enquanto que hoje vê-se muitíssimas vezes sob variadas formas e desculpas renascer o ‘pecúlio privado’ e desenvolver-se com tanta liberalidade a disponibilidade e o uso do dinheiro. E com relação ao capítulo conventual, esse precioso tesouro da Conventualidade? Não está na hora de reforçar este pilar das nossas comunidades e relançar a sua validade e eficiência a todas as exigências do nosso viver e atuar em conjunto? Se estamos convencidos de que a ‘perfecta communitas’, aquela que não oprime a pessoa, mas a insere no bem comum, ajudando-a a superar o individualismo negativo, é a coisa mais linda à qual devemos tender, então devemos acreditar deveras no ‘carisma da Conventualidade’, senti-lo como motivo de fraternidade, vivê-lo juntos superando personalismos, partilhando tudo em razão da única finalidade que nos reúne, com convicção e entusiasmo, no louvor e no agradecimento aquele que nos chamou a viver em comunhão.”[11]
O que é relevante para a Conventualidade hoje: buscar a idealização como único caminho e processo? Dispensar o projeto idealizado, e viver o carisma a partir do que é real, concreto e possível? Iluminar a realidade com a idealização? Aperfeiçoar a idealização a partir da realidade? Esta é uma tensão salutar própria também da Conventualidade.


5. A tensão entre Conventualidade ideal e Conventualidade real

O confronto entre aquilo que se deseja alcançar (o ideal) e aquilo que se consegue viver (o real) produz uma tensão natural, sadia e constante na tentativa de elaboração possível e plausível de uma síntese. É assim na dimensão pessoal, familiar, grupal, eclesial, social e também na Vida Consagrada.
É nesta dialética que a Conventualidade pode encontrar sua sustentação, aberta ao novo, sem perder o que lhe é próprio: o carisma fraterno para a missão, e se projetar para um futuro luminoso. Esta dialética só é possível na medida em que se vence o medo do confronto, considerando integralmente que o ideal não é algo do passado, caduco, mas sempre uma proposta de iluminar e direcionar para uma melhor expressão da realidade; considerando, ainda, que o real não se desvincula da história, da tradição e não pode ser interpretado apenas pelo crivo das múltiplas subjetividades.
É no seio da comunidade/fraternidade (família religiosa) que o confronto deve acontecer: vendo a realidade em que se vive, sua problemática, seus desafios, crises, interferências culturais, energias, para iluminá-la com a idealização, julgando-a a partir da Palavra de Deus, do carisma do fundador, da intuição das origens, da história com sua continuidade e ruptura, também dos textos jurídicos (Regra, Constituições e Estatutos) para se chegar a uma vivência e ação capazes de comunicar a essência da Conventualidade como carisma franciscano.
A síntese do confronto entre ideal e real possibilita uma nova maneira de preservar os elementos constitutivos da Conventualidade e re-interpretá-los em cada convento, em cada jurisdição, em cada região, etc.
Uma tentativa sintética poderia, por exemplo, se manifestar assim:

a) O ministério fraterno servirá sempre para forjar a comunhão nas diferenças personalizadas, promovendo sempre a vida da comunidade como expressão de Conventualidade. Neste sentido, lembrando-se sempre que é um ministério, e portanto, “um-estar-a-serviço” que quebra a espinha dorsal e verticalizada do poder para que seja verdadeira autoridade, ou seja, capacidade de liderar, influenciar e  afetar a vida daqueles que integram a Ordem em todos os seus níveis. Por isso, o Guardião deverá ser não o vigilante dos frades de família, mas vigilante da fraternidade na promoção de sua autêntica expressão conventual.

b) O Capítulo Conventual é o espaço sagrado para experimentar esta tensão e positivá-la em benefício do crescimento e da melhor expressão do carisma. Por isso, deve ser resgatado, cada vez mais, como celebração fraterna e nucleação do amor-fraterno, do diálogo interpessoal e comunitário, do compartilhamento da vida, da alteridade, do respeito mútuo, do perdão generoso.

c) A vida compartilhada é, antes de tudo, ação do Espírito, que assume a fraqueza e se mescla com nossa ambiguidade humana para provocar um sair de si, um desinstalar-se em direção ao outro, sempre acolhido como dom de Deus, irmão dado pelo próprio Deus para re-inventar a aventura franciscana anunciada ao mundo de hoje como projeto de evangelização. Depois, resposta livre e humana de cada frade, movido pela graça, para se libertar das amarras do individualismo, e livremente, contribuir para a libertação do irmão e da comunidade.

d) A formação para a vida consagrada deve calcar nos princípios elementares da identidade humana e de suas relações interpessoais. Formar o frade para uma harmoniosa relação consigo mesmo, também para o acolhimento da alteridade na relação com o outro; na relação com o mundo criado (natureza) e com o Grande Outro, o Deus Criador, Libertador, Deus da Vida. Não pode a formação ser centrada no clericalismo, na administração pastoral, no sacramentalismo, mas antes na vida comum.

e) O apostolado é, e deve ser, o serviço necessário da ação da fraternidade, anúncio e testemunho de uma comunidade afetada pelo Evangelho, que o comunica na prática a partir de dentro do coração da família religiosa. Não é, e nem deve ser mais importante que a vida comunitária, mas antes, onde a vida comunitária produz luminosidade evangélica para sinalizar o Reino de Deus.
A síntese só é possível mediante a abertura e disponibilidade de cada frade, de cada Fraternidade e jurisdição Locais, à graça de Deus no impulso e na força de seu Espírito. É o Espírito Santo quem suscita o carisma e trabalha no escondimento para formar na liberdade a comunidade fraterna. É o mesmo Espírito que em sua força/fraqueza assume a nossa fraqueza, a nossa ambiguidade, para gerar vida. Por isso, diante do desafio de se chegar ao senso comum entre projeto ideal e realidade do projeto. Há que considerar a ação do Espírito e abrir-se, pessoal e comunitariamente a sua ação.


[1] Cf. OFMConv. Constituições – 1984, 201, § 1.
[2] Ibidem, § 2.
[3] UCOB, O Capítulo Conventual – O discernimento comunitário, a revisão de vida e a correção fraterna. Santo André: Província São Francisco de Assis, 1997, p. 7.
[4] Cf. OFMCOnv. Capítulo Geral Extraordinário de 1998 – A formação na Ordem – linhas para um compromisso renovado. Roma: Cúria Geral OFMConv., 1998, p. 28.
[5] Cf. OFMConv. Discipulado Franciscano – Diretório Geral de Formação, 25. Roma: Cúria Geral, 2001, p. 19.
[6] Ibidem, 102, p. 48.
[7] Cf. POMPEI, Alfonso. Os estudos no carisma franciscano menor conventual. Tradução de Geraldo Monteiro, 1994.
[8] Cf. OFMConv. Constituições – 1984, 121, § 1.
[9] BOMMARCO, Vital. A Ordem dos Frades Menores Conventuais. Tradução de Geraldo Monteiro, em: subsídios para reflexão 1/83, 1981.
[10] Apesar da concessão feita no novo Código de Direito Canônico, a Igreja mantém nas cidades a estrutura obsoleta da paróquia. O clero está sendo preparado para atuar dentro do quadro paroquial. Os próprios religiosos estão integrados em paróquias. Ora, estruturalmente, a paróquia é feita para conservar, ajudar, promover os que participam do culto, as pessoas que pertencem à pequena minoria dos que já estão no templo. A paróquia vive em função do templo, ainda que diga o contrário. Em lugar de preparar os cristãos para evangelizar a sociedade, ela se fecha sobre a minoria fiel às instituições do passado. A paróquia não assume as fábricas nem os supermercados, nem as escolas, nem os colégios, nem as universidades, nem os hospitais, as instituições esportivas, culturais, de diversão, nem os meios de comunicação da cidade. Ela está organizada ao redor dos sacramentos e das festas litúrgicas. Nem sequer consegue organizar a catequese dos adultos, menos ainda sua formação missionária. Ela concentra as energias dos fiéis no próprio templo, em si própria. A Igreja está claramente a serviço de si própria. Não se pode negar as excelentes intenções de muitos párocos, toda a imaginação para fazer uma paróquia missionária. O problema é estrutural. Já foi denunciado por Santo Tomás de Aquino. Depois de 8 séculos ainda não se deu a solução. A conseqüência é um povo passivo, incapaz de dar testemunho na sociedade, fechado em si mesmo, numa espiritualidade de pura interioridade: cf. COMBLIN, José. As grandes incertezas na Igreja atual, em: REB 265 (jan. 2007, 36-38.
[11] BOMMARCO, Vital. A Ordem dos Frades Menores Conventuais. Tradução de Geraldo Monteiro, em: subsídios para reflexão 1/83, 1981.

Confira a continuação e última parte: http://conventuaisrj.blogspot.com.br/2012/05/conventualidade-como-expressao-de.html

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