Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Devoção Mariana Franciscana


Por: Frei Donil Alves, OFMConv*

Para compreendermos a devoção de Francisco de Assis à Maria mãe de Deus é preciso primeiramente como base: o conhecimento da palavra de Deus (Evangelhos), os ícones Marianos, os vitrais e as imagens, enfim a intuição e o aprendizado que receberá nas suas peregrinações e as orientações vindo dos sacerdotes e da Igreja Mãe medieval.
Francisco nunca emite um pensamento de fé, um conceito teológico sem conexão com atitude vital global e sintética que possa abarcar a totalidade da existência.
Sua espiritualidade está estruturada em suas intuições básicas e concatenadas, a saber, em 03 vias:
a) penitência para encontrar Cristo e Deus no irmão esquecido e abandonado à mercê das forças de morte presentes no mundo e na sociedade; Em uma leitura Mariana poderíamos dizer: “derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes!”.


b) o consequente distanciamento destas forças, associando-se aos "menores"; o despojamento de sua condição de Filho de Bernardone: “Porque ele viu a pequenez de sua serva”.
c) a - pobreza voluntária para obrigar a sociedade a reconhecer, respeitar e honrar, através do retomo a Justiça, a dignidade ofendida dos pequenos; e, finalmente, a alegria ao pensar nas promessas escatológicas de Deus, em sua presença onde está o amor e na atualização da Páscoa em nossas celebrações.  Em um contexto Mariano: “A minha engrandece ao Senhor e se alegra o meu Espírito em, Deus meu Salvador”.

São estes aspectos que Francisco encontra, reverencia, canta e Invoca em Maria.
Segundo o dicionário Franciscano, Francisco não era um teólogo no sentido que comumente se dá a este termo. Por isso não se pode esperar dele formulações mariológicas de cunho escolástico. Em tudo ele foi filho de seu tempo e aceitou plenamente o ardoroso ensinamento da Igreja de sua época sobre Maria.
Na LM e 2 Cel 198  revela a sua rica piedade Mariana: “Tinha uma amor indizível pela Virgem mãe de Jesus, porque fez nosso irmão o Senhor da majestade. Consagrava-lhe louvores especiais, orações, afetos, tantos e tais que uma língua humana nem podem contar.”
Maria é, para Francisco, a "Senhora" pobre (2Cel 83) e Deus, escolhendo-a por Mãe, compartilha a pobreza com ela (2CtFi4-5) como caminho em vista da salvação dos homens, levando-os a viver a paternidade divina a partir de uma fraternidade humana renovada, que consiste na solidariedade real com os pobres, uma vez que, como dizia Francisco, é dignidade real e insigne nobreza "seguir o Senhor que, sendo rico, se fez pobre por nós" [2Cel 73) e partilham a pobreza salvífica de Jesus da qual devem participar todos os seus seguidores.
Ao exigir a pobreza dos frades, Francisco os coloca em relação com Cristo que foi "pobre e peregrino e vivia de esmola, ele mais a bem-aventurada Virgem e seus discípulos" (RNB 9,6). E a tua última vontade é "seguir a vida e a pobreza de nosso altíssimo Senhor Jesus Cristo e de sua Mãe santíssima e nela perseverar até o fim”. Francisco associa a pobreza de Jesus à pobreza de Maria, porque ela estava sempre presente nos momentos decisivos de seu Filho.
Era com lágrimas nos olhos que Francisco meditava na pobreza do Senhor Jesus Cristo e de sua Mãe (2Cel 2,00: LM 7, 1). Este pranto amargurado de Francisco diante do que Cristo e Maria passaram será mal entendido se não for colocado junto com a escolha de pobreza voluntária que fez e com
a honra que tributava a todos os pobres: a pobreza voluntária, unida à alegria que a acompanha, provém do fato de que para Francisco o Evangelho do Reino e da presença misteriosa de Deus em nosso meio se tomaram mais importantes do que os próprios interesses, e, para acolhê-los, é preciso
mesmo esquecer os interesses próprios, "converter-se", "fazer penitência".
O Deus que decidiu partilhar a pobreza com Maria tornando-se seu filho é o Deus novo que transforma em supremo o que é ínfimo (ser o último), é o Deus diferente, que não age a partir de nossa lógica, que escolhe a pobreza e o pobre como seu "sacramento", como seu sinal e seu símbolo.
Francisco possui uma mariologia equilibrada. A relação de Francisco com Maria se situa na compreensão da íntima relação da Santíssima virgem com a obra da Redenção. Também a ela devemos o fato da misericórdia de Deus ter vindo até nós (LM 9,3).
No OfP Francisco estabelece união entre a adoração da humilde criatura pela majestade Divina, tão característica da piedade medieval e amorosa ação de graças pela proximidade de Deus que vem a nós, nascendo da virgem Maria. A maternidade divina de Maria não é somente motivo de júbilo e de louvor ao Pai celestial, como também a primeira e mais importante razão para o louvor e honra a própria Maria (CtOr 21).
Francisco via o Filho da pobre Senhora em todos os pobres, ou seja, Jesus, pois "o levava nu em seu coração como ela o tinha carregado em seus braços" [2Cel 83). Neste aspecto também Francisco revela ter sido o pai dos teólogos franciscanos que não conhecem outra teologia, outra cristologia ou mariologia senão aquela que, refletindo sobre a vida de Cristo e de Maria, neles descobre aquilo que torna nossa existência melhor.
Francisco tem consciência que a salvação de Deus é para todos, mas sabe também que a maneira como ela se manifesta não é igual para todos: Deus, na encarnação - "kénosis", assumindo a condição pobre de sua Mãe e aceitando o sofrimento inerente à finitude humana, exalta os pobres e os humilhados, os fracos e os sofredores que, depois da glorificação de Cristo e de Maria, são o espelho no qual se Imprime e se perpetua a Imagem de Deus que se exprimiu entre nós, em Cristo e Maria, pobres e sofredores: "Quando vês um pobre, meu irmão, tens à frente um espelho do Senhor e de sua pobre Mãe. Também nos doentes deves ver as enfermidades que ele assumiu por nossa causa" (2Cel 85).
A devoção mariana permite ao Poverello viver esta dimensão teologal da pobreza e as mais profundas raízes da alegria dos "menores". Estes, em sua própria pobreza e na dos outros, experimentam como mais importante do que todos os interesses particulares, a presença de Deus no mundo e o seu Reino que vem.


É precisamente nesta alegria franciscana, pela presença divina, que a pobreza não é somente uma teoria, mas de grande eficácia: o Deus da alegria é o Deus que reverencia os pobres e denuncia forças tenebrosas que são causa de tanto sofrimento. Ao realizar esta denúncia Deus não prega o ódio aos que encarnam tais forças e se tornam seus instrumentos, aos que cedem a cobiças e ambições, mas partilhando com Maria a pobreza.
Francisco compreende a força presente na prática da pobreza evangélica, sem agressividade e ódio. Ao pobre que encontrou em Collestrada de Perúsia e que amaldiçoava "com ódio mortal" o patrão "que lhe havia tirado os bens", Francisco diz: "Irmão, pelo amor de Deus perdoa teu patrão: assim haverás de salvar tua alma..." (2Cel 89).
O amor cavalheiresco de Francisco por Maria certamente não é uma fantasia. Esta expressão, no entanto, é ambígua e pode levar a pensar numa devoção feita de "galanteios", quando na realidade se trata de expressão de uma piedade caracterizada pela participação na alegria de Maria que, em sua pobreza, se torna solidária dos pobres para participar na obra da encarnação de Deus, cuja paternidade só pode ser fundamentalmente invocada por aqueles que se unem a Cristo, e a tudo o que ele fez para que pudéssemos vencer a desumanidade do que sofre e possibilitar o nascimento de uma nova humanidade sob a única soberania de Deus.

Maria orienta Francisco rumo ao Espírito Santo.
Diante de Maria, Francisco invoca sua intercessão para viver com ela, a primeira crente da “Nova Aliança” deixando abraçar pelo Espírito Santo e transformar-se, com ela, em mãe de Cristo. Sob o influxo do Espírito Santo Maria é mãe de Cristo, e através de sua intercessão celeste e de seu exemplo, nos impele à docilidade do Espírito, assim como ela foi dócil ao mesmo espírito. Desta forma ela é nossa mãe. Esta maternidade de Maria por sua vez, é também protótipo de nossa para com os nossos irmãos, já que, os que são dóceis ao Espírito, geram com Maria o Cristo no próprio coração e, pelo seu exemplo, no coração dos outros.

* É formador dos frades professos temporários e estudantes em Teologia; Texto base: Dicionário Franciscano pp. 407-415; verbetes: Maria, Nossa Senhora, Mãe Imaculada.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Fazer o bem "con il cuore".


Começou a mais importante campanha solidária dos Frades Franciscanos conventuais em Assis.

 Enquanto temos tempo façamos o bem (São Francisco). Este é o lema de "Con il Cuore" (Com o Coração), noite beneficente, que une música, cultura e espiritualidade, dirigida por Carlo Conti, transmitida pela cadeia de televisão italiana "RAI 1" e "Radio RAI 1" da belíssima praça inferior da Basília de São Francisco de Assis.
O evento será transmitido ao vivo segunda-feira, 4 de junho, às 21h10, todas as informações na página www.sanfrancesco.org.
Na Europa será possível ajudar as realidades mais pobres do mundo doando 2 euros, basta inviar um SMS ao 45502, de todos os celulares TIM, Vodafone, Wind, 3, PosteMobile, CoopVoce, Tiscali e Noverca ou ligando para o mesmo número da rede fixa Telecom Italia, Infostrada, Fastweb, Tiscali e TeleTu.
Todos os rendimentos da noite serão doados para projetos de caridade destinados às realidades mais necessitadas do planeta. O primeiro será realizado no Sul do Sudão, em Rajaf perto da capital Juba, onde será criado uma estrutura de recuperação para jovens de rua. O segundo projeto será no Quênia em Ruiri, onde o Frades Menores Conventuais construirão uma estrutura que possa ajudar as crianças desfavorecidas no estudo.
As vozes mais bonitas do mundo artístico italiano, unidas por uma causa humanitária na praça de uma das mais belas cidades da Itália. Ao longo dos anos já tocaram no palco de Assis: Andrea Bocelli, Lucio Dalla, Renato Zero, Roberto Vecchioni, Nek, Noemi, Tiziano Ferro, Massimo Ranieri, Claudio Baglioni, Gino Paoli e os Pooh para citar alguns.
Dez anos de caridade que viram juntar-se com a música de grandes artistas momentos de cultura: Antonio Paolucci, Franco Cardini, Bruno Vespa, e de grande espiritualidade: núncio apostólico do Haiti, do Sri Lanka, do Sudão, e testemunhos de fé.
Con il Cuore, é um evento promovido pelo Sagrado Convento de Assis e pelo Instituto para o Crédito Esportivo, que fazem uso do apoio dos Correios italianos, Banca Popolare di Spoleto e Eni. Este ano a produção é confiada à RAI com o apoio moral da: Presidência do Conselho dos Ministros, Região Umbria, província de Perugia, Município de Assis e Câmara de Comércio de Perugia.
Fonte: ASSIS, segunda-feira, 28 de maio de 2012 (ZENIT.org)

domingo, 27 de maio de 2012

Patronos da Jornada Mundial da Juventude 2013



No Santuário de Nossa Senhora da Penha, bairro da Penha Zona Norte do Rio de Janeiro, foram anunciados, hoje a tarde (27/05), pelo Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião, Dom Orani Tempesta, OCist. os patronos e intercessores da JMJ 2013 que acontecerá aqui na cidade do Rio de Janeiro nos dias 23 a 28 de junho.




São eles:
Nossa Senhora da Conceição Aparecida;
São Sebastião;
Santo Antônio de Santana Galvão;
Santa Teresa de Lisieux
Beato João Paulo II.
Os cinco Patronos da Jornada Mundial da Juventude 2013

Sob o manto da padroeira do Brasil, a guarda Soldado de Cristo, com o coração jovem, em missão e cheio de paz. Assim está a JMJ Rio2013 com a proteção de seus patronos. Ao todo são cinco patronos e 13 intercessores.
Entenda melhor a diferença entre os dois e conheça as invocações de cada um:
Patronos - pais espirituais dos jovens
Os patronos são os pais espirituais dos jovens, lhe ensinam, como verdadeiros pais e mestres, os caminhos para santidade. Foram escolhidos por estarem intimamente ligados ao espírito da JMJ Rio 2013. Dentre estes estão também representantes da nação. O tema missionário inspira o pedido por proteção e entusiasmo para enfrentar os desafios da evangelização nos dias atuais. Oração e ação são dimensões inseparáveis dos discípulos-missionários de Jesus Cristo.
Nossa Senhora da Conceição Aparecida, protetora da Igreja e das famílias!
São Sebastião, Soldado e mártir da fé!
Santo Antônio de Santana Galvão, arauto da paz e da caridade!
Santa Teresa de Lisieux, padroeira das missões!
Beato João Paulo II, amigo dos jovens!
Intercessores - um modelo a ser imitado
Os jovens desejam encontrar-se com a verdade que dê sentido a sua existência. Dentre os intercessores escolhidos para a JMJ Rio 2013 estão homens e mulheres que mesmo na juventude souberam escolher a melhor parte em suas vidas: Jesus Cristo. A história de suas vidas inspira-nos a cultivar suas virtudes. O número 13 poderia apontar para o ano da Jornada, mas, além disso, atesta para todos que a santidade na vida concreta é possível. A geração JMJ é convidada a entregar sua vida àquele que concede felicidade e liberdade em abundância.
Santa Rosa de Lima, fiel à vontade de Deus!
Dom Orani abençoa os ícones dos intercessores da JMJ 2013

Santa Teresa de Los Andes, contemplativa de Cristo!
Beata Laura Vicuña, mártir da pureza!
Beato José de Anchieta, apóstolo do Brasil!
Dom Orani abençoa os ícones dos intercessores da JMJ 2013 

Beata Albertina Berkenbrock, virtuosa nos valores evangélicos!
Beata Chiara Luce Badano, toda entregue a Jesus!
Dom Orani abençoa os ícones dos intercessores da JMJ 2013 

Beata Irmã Dulce, embaixadora da Caridade!
Dom Orani abençoa os ícones dos intercessores da JMJ 2013 

Beato Adílio Daronch, amigo de Cristo!
Beato Pier Giogio Frassati, amor ardente aos pobres e a Igreja!
Beato Isidoro Bakanja, mártir do escapulário!
Beato Ozanam, servidor dos mais pobres!
São Jorge, combatente do Mal!
Santos André Kim e companheiros, mártires da evangelização!
Que estes santos intercedam por todos nós e que possamos ser exemplos de santidade no anúncio do Evangelho de Jesus Cristo! Que o Senhor abençoe e conduza a todos que estão preparando a JMJ 2013!

Fotos álbum virtual de Dom Orani:https://www.facebook.com/domorani

Espirito Santo


O Espírito Santo quer ser «alma de nossa alma», assegura Papa

O Espírito Santo quer ser «alma de nossa alma», explicou Bento XVI nesta quarta-feira, durante a audiência geral.

A terceira Pessoa da Trindade é «a parte mais secreta de nosso ser», «supre nossas carências e oferece ao Pai nossa adoração, junto com nossas aspirações mais profundas», declarou.

Na meditação que ofereceu aos milhares de peregrinos congregados na praça de São Pedro, no Vaticano, o pontífice seguiu aprofundando pela terceira vez na vida e obra do apóstolo Paulo, em particular, em seu ensinamento sobre o Espírito Santo.

Saulo de Tarso, recordou, não só mostra que o Espírito Santo imprime o impulso para «testemunhar o Evangelho pelos caminhos do mundo», como se mostra nos Atos dos Apóstolos, mas também ilustra «sua presença na vida do cristão».

«Ou seja -- declarou --, Paulo reflete sobre o Espírito mostrando seu influxo não somente sobre o atuar do cristão, mas sobre seu próprio ser.»

Para o «décimo quarto apóstolo», recordou, «o Espírito adentra até em nossas profundidades pessoais mais íntimas».

Pelo Espírito, recebido no Batismo, o cristão pode exclamar «Abbá, Pai!», declara na carta aos Romanos (8, 2.15).

«Nisto consiste nossa grande dignidade: não somos só imagem, mas filhos de Deus», comentou o Papa.

Deste modo, segundo disse em uma manhã ensolarada, «não pode haver autêntica oração sem a presença do Espírito em nós».

«O Espírito do Pai e do Filho, se converte como na alma de nossa alma, na parte mais secreta de nosso ser, da qual se eleva incessantemente para com Deus um movimento de oração, do qual não podemos nem sequer precisar os termos», indicou.

Esta constatação levou ao Papa a exortar os presentes a «serem cada vez mais sensíveis, mais atentos a esta presença do Espírito em nós, a transformá-la em oração, a experimentar esta presença e a aprender deste modo a rezar, a falar com o Pai como filhos, no Espírito Santo».

Recordando uma famosa frase de santo Agostinho de Hipona: «Vês a Trindade se vês o amor», o bispo de Roma declarou que «o Espírito é essa potência interior que harmoniza seu coração [dos crentes] com o coração de Cristo e os move a amar aos irmãos como Ele os amou».

«O Espírito nos estimula a estabelecer relações de caridade com todos os homens. Deste modo, quando amamos, deixamos espaço ao Espírito, permitimos-lhe expressar-se em plenitude.»

A catequese concluiu com um chamado a compreender que «a ação do Espírito orienta nossa vida para com os grandes valores do amor, da alegria, da comunhão e da esperança».

Foi a terceira meditação do Papa, de uma série na qual apresentará figuras de homens e mulheres das origens da Igreja, depois de ter meditado nos doze apóstolos.
FONTE: CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 15 de novembro de 2006 (ZENIT.org)

sábado, 26 de maio de 2012

A opção preferencial pelos pobres


Ir. Julio Nobre, OFS* 

Se a “Dama Pobreza” é a esposa de São Francisco,logo, ela é mãe de todo franciscano. E é através da mãe que o filho consegue realizar a justiça perfeita do “Pai Maior” nas relações mantidas com esse mesmo Pai, com o próximo e consigo mesmo.

Mas até que ponto vai o comprometimento de cada um com o ideal da “Dama Pobreza?”

Para responder essa pergunta é preciso viabilizar esse ideal. E para viabilizar esse ideal temos que acolher de forma absoluta e radical o espírito de São Francisco, deixando para trás tudo o que provoca a injustiça e a desigualdade, que são os grandes patrocinadores da miséria e da opressão.
No Evangelho de São Mateus (6,19-24), que tomamos como base para desenvolver esse artigo temos a compreensão desse ideal. É nele que encontramos uma explicação aprofundada sobre a primeira “Bem-Aventurança”que se encaixa tão bem ao espírito franciscano: “Bem Aventurado os pobres...”(5,3). Mas para que de fato essa sentença seja cumprida satisfatoriamente, é necessário que renunciemos a tudo o que a ela se opõe, no caso, a “Senhora Riqueza e todos os seus artifícios sedutores”, que são mantidos pelo espírito da acumulação dos bens que geram a desigualdade e a injustiça.

O espírito de partilha e fraternidade de São Francisco que em contra partida gera a justiça, a liberdade e a igualdade das primitivas comunidades cristãs é o maior trunfo que temos para colocar abaixo toda essa falsa estrutura montada pela “Senhora Riqueza”.
Todo o franciscano tem o dever de entender e o de fazer entender que, por sua própria natureza, o ser humano necessita de uma meta e de um valor supremo que dirija a sua visão e ação no mundo. Em outras palavras: O ser humano não é Deus e somente servindo a Deus é que ele poderá encontrar paz, proteção, confiança e inspiração para solucionar os inúmeros problemas do seu dia-a-dia. Este é o tesouro que todos buscam para a ele se entregar completamente. Só que o ser humano é tentado a confundir esse tesouro com o dinheiro. Quem tem dinheiro acha que tudo está resolvido e que ao desposar a “Senhora Riqueza”poderá comprar tudo e a todos e com isso se livrar de qualquer problema ou necessidade. Nada mais ilusório: O dinheiro desperta a cobiça dos ladrões e ambiciosos que não deixam o esposo da “Senhora Riqueza” em paz. Isso para não falar das gravíssimas conseqüências que ele produz: como o enriquecimento de uns poucos as custas da miséria de milhares. Situação insustentável!
É justamente neste ponto que o ser humano tem que decidir se sua opção é Deus ou o dinheiro.Se o seu tesouro é Deus e seu projeto de liberdade e vida ou é o dinheiro acumulado ás custas da miséria e da desgraça do seu semelhante. Não há meio termo quanto a isso: Ou se está com o Deus vivo e verdadeiro ou com o ídolo da riqueza
O franciscano é aquele que vive o espírito da pobreza e faz dela a sua opção preferencial. Isso não significa que tenha que viver miseravelmente. Não! Não é isso que Deus quer e tampouco, Francisco. O franciscano é aquele que imita o seu Pai Espiritual, que por sua vez, foi o espelho mais fiel de Cristo que já existiu no mundo. Como os primeiros cristãos, o franciscano faz sua opção pela partilha de bens e pela liberdade que possibilita a todo ser humano ao desabrochar da sua originalidade irrepetível, ter o necessário para uma vida digna.
Terminada a ilusão dos ricos e a angústia dos pobres, entenderemos finalmente que o verdadeiro tesouro é a sabedoria do Pai que é justo com todos, e faz com que todos experimentem a felicidade de uma vida verdadeiramente humana de plena Paz e repleta de todo o Bem.
Nisso se resume todo o nosso alento e toda a nossa esperança: Viver sob a luz do evangelho a cada instante de nossa vida! Essa é a nossa herança e o nosso compromisso não só como franciscanos, mas acima de tudo como filhos de Deus.


*Ir. Julio Nobre OFS (Secretário; CODHJUPIC da Fraternidade Franciscana Apóstolo São Pedro, Cavalcante- Rio de Janeiro/RJ.


Confira original:https://plus.google.com/u/0/108573752101283961130/posts

sexta-feira, 18 de maio de 2012

CONVOCAÇÕES / Maio 2012


Dileto(a) Amigo(a) espiritual,
Que o Senhor te dê a paz!

Chegamos a maio. Este é o mês das mães e das noivas. Maio também é o mês daquela que é modelo mãe e de esposa: Maria Santíssima. E é com a alegria de chegarmos a este mês tão lindo da vida da Igreja que comemora no seu primeiro dia São José Operário, intercessor e exemplo de homem trabalhador, e no seu último dia (31 de maio) a memória da Visitação de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel, devoção difundida nos primórdios por nós franciscanos, que queremos partilhar com o(a) senhor(a) a alegria que termos entregado no último dia 29 mais um sacerdote para a nossa Mãe Igreja. De fato, graças à sua ajuda amigo(a) espiritual, Frei Luis Fernando Lima Rangel, OFMconv foi ordenado presbítero da Santa Igreja e passa a servir à Paróquia de São Pedro e São Paulo em Paraíba do Sul (RJ). Queremos, neste sentido, pedir a Deus que abençoe o ministério do Frei Luis e que recompense a você, caro(a) benfeitor(a), pelo bem que realiza na vida de cada um de nós, frades e estudantes. Muito obrigado!
Neste mês trazemos uma reflexão sobre a relação de São Francisco com a Virgem Maria escrita por Frei Luis Henrique Nascimento Lima, OFMConv*, um dos frades estudantes auxiliados com a sua ajuda mensal.

"Seu amor para com a bem-aventurada Mãe de Cristo, a puríssima Virgem Maria, era de fato indizível, pois nascia em seu coração quando considerava que ela havia transformado em irmão nosso o próprio Rei e Senhor da glória e que por ela havíamos merecido alcançar a divina misericórdia. Em Maria, depois de Cristo, punha toda a sua confiança. Por isto a escolheu para advogada sua e de seus religiosos, e em sua honra jejuava devotamente desde a festa de São Pedro e São Paulo até à festa da Assunção"(Legenda Maior).

O grande amor a Cristo, qual o vivera São Francisco e o qual legou à sua Ordem, não podia deixar de estender Nossa Senhora. E assim se fez devoto entregando toda a Ordem nas mãos de seu materno amor. Derivada do amor de Deus e de Cristo, orientado pelo Evangelho e nos costumes dos cavaleiros medievais, esta piedade mariana do Santo fundador é parte integrante do que legou à sua Ordem e aí foi cultivada com todo fervor.
As Fontes nos mostram a dedicação de Francisco com as Igrejas, especialmente a dedicada a Nossa Senhora dos Anjos. Onde em pouco tempo transformou aquela Igreja em ruínas, num templo digno de louvor e de contemplação e fixou neste lugar a sua morada. Sempre partia em missão, para a pregação, mas sempre voltava a Porciúncula para se encontrar com o Senhor. E nessa mesma igrejinha Francisco entregou sua alma a Deus.
Como sabemos, Maria é a primeira dentre aquelas que ouvem a Palavra de Deus e a põe em prática. A devoção à Santa Virgem significa a união íntima com o Filho e a cooperação na Sua obra de salvação. Em Maria podemos descobrir o rosto de um Deus que compartilha as alegrias e sofrimentos da humanidade, o “Deus Conosco”, que ela concebeu em seu seio, seguindo com amor desde Nazaré até sua cruz e ressurreição.
 Maria Santíssima, tão agraciada por Deus, possui encantos mil e à semelhança do seu Filho Divino é tão rica que um coração humano não pode venerar de uma só vez todas as prerrogativas de que foi cumulada pela generosidade divina. Assim, Deus juntou todas as graças e gerou Maria que nos mostra seu Filho e nosso Salvador.
(* Frei Luis Henrique é natural de Belo Horizonte (MG), entrou para o nosso aspirantado, em Andrelândia (MG), no ano de 2007, fez seus primeiros votos em fevereiro de 2012, está cursando o 1° ano de Teologia na PUC-RJ, e mora na Casa de Formação São Francisco de Assis (Rio de Janeiro –RJ). Ele trabalha no Serviço de Animação Vocacional e dá assistência espiritual à Pastoral da Comunicação da Paróquia São Francisco de Assis /RJ)


Continuamos com a nossa campanha Convoque+um. Neste sentido, continuamos a enviar junto com o nosso boletim informativo deste mês, uma ficha de inscrição para o CONVOCAÇÔES. E uma outra para que o(a) senhor(a) possa nos enviar suas intenções de oração e missa, para que possamos rezar em nossas Casas de Formação. Se deseja ser também um benfeitor envie uma carta para:

Franciscanos Conventuais (Projeto Convocações)

Rua Caetano Martins, 42 – Rio Comprido CEP: 20251-050 - Rio de Janeiro - RJ
                                 Ou
Rua Estrela, 14 – Rio Comprido CEP: 20251-020 – Rio de Janeiro – RJ



Que o Senhor vos recompense!!!

Texto original do folder para os benfeitores mês de maio 2012
Por: Frei Michel Alves, OFMConv e equipe.




Concurso para a logo marca " Franciscanos na JMJ 2013"


Em julho do ano que vem, o Brasil irá sediar o maior encontro de Jovens da Igreja. Trata-se da Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá dos dias 23 a 28 de julho, com sede no Rio de Janeiro.
Nesse evento estarão presentes jovens provindos do mundo inteiro, além dos franciscanos e franciscanas de todas as nacionalidades.
Assim, todos os Franciscanos do Brasil queremos acolher nossos irmãos e irmãs de braços abertos, assim como o Cristo Redentor acolhe a cada um que chega ao Rio. Além disso, queremos deixar a nossa marca franciscana impressa nesse grande evento, de modo que todos os jovens possam conhecer ainda mais o Carisma de São Francisco e Santa Clara.
Desse modo, estamos iniciando um Concurso Cultural, aberto à participação de todos, para escolher uma logomarca que irá nos identificar enquanto franciscanos durante a JMJ 2013. Nossa intenção é envolver o maior número de jovens e interessados nesse concurso, pois a logomarca será a nossa marca oficial na Jornada.
Portanto, todos os jovens ou profissionais da área de design poderão dar asas à sua imaginação e criar uma logomarca para os “Franciscanos na JMJ2013”. O vencedor do Concurso irá ganhar um Smartphone como reconhecimento do seu esforço e criatividade.
Como a festa já começa com a sua preparação, junte-se a nós ajude-nos a criar uma logomarca oficial para os “Franciscanos na JMJ 2013”.


DO QUE SE TRATA? 
O objetivo do concurso é criar um referencial visual para a presença dos franciscanos (as) na Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá no Brasil, de 23 a 28 de julho de 2013. A logomarca vencedora será usada como marca oficial da presença dos jovens franciscanos na Jornada.

QUEM PODE PARTICIPAR? 
O concurso é aberto a todos os interessados, tais como agentes de 
pastoral, religiosos e leigos simpatizantes do franciscanismo, profissionais de publicidade e propaganda, designers, artistas gráficos e estudantes de áreas afins.

COMO SE INSCREVER?
As inscrições devem ser feitas pelo e-mail  franciscanosjmj2013@franciscanos.org.br até o dia 20 de agosto.

QUANDO SAIRÁ O RESULTADO?

A classificação acontecerá no dia 5 de setembro, em São Paulo.

QUAL A PREMIAÇÃO?

1º Lugar: o vencedor do concurso ganhará um Smartphone e uma 
Camiseta Personalizada com o seu nome e a sua Logo vencedora.
2º Lugar: o segundo colocado ganhará um Kit franciscano, contendo inúmeros produtos e obras literárias de cunho religioso e franciscano, além de uma imagem de São Francisco e Santa Clara.

COMO AJUDAR?
Ajude-nos divulgando essa ideia entre seus amigos e conhecidos. Se você está sem inspiração para criar uma logomarca, descubra alguém que possa fazer isso e assim você estará fazendo parte da nossa grande família franciscana na preparação para a Jornada Mundial da Juventude. Queremos mostrar nosso rosto juvenil e franciscano para todo o mundo. Crie sua logomarca e envie-nos até o dia 20 de agosto. Contamos com o seu talento e criatividade.
Por: Frei Diego Atalino de Melo, OFM
Conheça o regulamento do concurso e maiores detalhes clicando aqui: http://conventuaisrj.blogspot.com.br/p/concurso-franciscanos-na-jmj-2013.html

BOA SORTE, MUITO OBRIGADO! PAZ & BEM!






quinta-feira, 17 de maio de 2012

Vocação


A vocação é uma realidade fundamental, dela depende a felicidade humana.

Da consciência da mesma depende o saber por que estamos na vida e como devemos estar.

Não é, portanto, um problema neutro, mas um assunto vital.

TUDO QUANTO EXISTE É RESPOSTA A UM CHAMAMENTO

A palavra «vocação» (do verbo latino «vocare» = chamar) é uma das palavras carregadas de densidade e conteúdo.

Ela diz que na origem de tudo está «Alguém» que «chama», que o universo tem uma finalidade, que nada nem ninguém existe à toa, que a vida tem um sentido, que a pessoa humana tem uma missão a realizar.

Diz-nos igualmente que tudo é fruto de um pensamento amoroso; e diz-nos também que a existência é fruto de um «chamamento», a vida consiste numa «resposta».

 O que é vocação?

ØA Vocação é um chamamento de Deus e tem como finalidade a realização plena da pessoa humana.

ØÉ um gesto gracioso de Deus que visa a plena humanização do Homem.

ØÉ um dom, é graça, é uma eleição cuidadosa, apontando para construção do Reino de Deus.

ØÉ um chamamento para fazer algo, para cumprir uma missão.

ØToda pessoa é vocacionada, é eleita por Deus.

O que é vocação cristã?

ØNo Evangelho há um contínuo convite a seguir Jesus Cristo. Vem e segue-Me. (Mt 9,9; Mc 8,34; Lc 18,22; Jo 8,12).

ØVEM - CHAMADO: é um convite pessoal dirigido por Deus a cada pessoa.

ØSEGUE-ME - MISSÃO: é o seguimento da prática de Jesus.

ØÉ uma iniciativa gratuita, proposta que parte de Deus (dimensão teológica). Impulso interior de cada pessoa onde conscientemente responde ao plano de amor de Deus (dimensão antropológica).

Distinção vocacional
Para compreendermos em profundidade o significado da vocação, temos de fazer uma distinção entre:

VOCAÇÃO FUNDAMENTAL: Matrimônio,  Batismo, ministério sacerdotal, Matrimônio

VOCAÇÃO ESPECÍFICA: celibato consagrado, Batismo, vida religiosa, celibato consagrado.

 VOCAÇÃO FUNDAMENTAL
Entendemos por vocação fundamental o chamamento de cada pessoa A VIDA, a ser Filho de Deus, a ser Cristão, a ser Igreja. A tomar consciência de que todos somos irmãos e fazemos parte do Reino de Deus.
 
Pela revelação sabemos que todos os homens foram chamados por Deus à santidade (Gn 1,26; 2,7; lPe 1,15-16). É um chamamento a desenvolver plenamente todas as nossas potencialidades. Todas as vocações específicas derivam desta vocação fundamental.
 
Pelo Batismo todos somos chamados à Santidade. A Pastoral Vocacional deveria ser a Pastoral da Vocação Fundamental, sob a qual é possível descobrir a Vocação Específica.
 
 

   A VIDA COMO «VOCAÇÃO»:  UM APELO À SANTIDADE

A Igreja é comunidade de crentes chamados à «juventude da santidade», à vocação universal à santidade.

São necessários «pais» e «mães» abertos à vida e ao dom da vida;
Esposos e esposas que testemunhem e celebrem a beleza do amor humano abençoado por Deus;
•Pessoas capazes de diálogo e de «caridade cultural», para a transmissão da mensagem cristã, mediante as linguagens da nossa sociedade;
Profissionais e pessoas simples, capazes de imprimir a transparência da verdade e a intensidade da caridade cristã ao compromisso na vida civil e às relações de trabalho e de amizade;
Mulheres que redescubram na fé cristã a possibilidade de viver plenamente o seu gênio feminino;
 Presbíteros de coração grande, como o do Bom Pastor;
Diáconos permanentes que anunciem a Palavra e a liberdade do serviço aos mais pobres;
Apóstolos consagrados capazes de se imergirem no mundo e na história com coração contemplativo, e místicos tão familiarizados com o mistério de Deus, que saibam celebrar a experiência do divino e apontar Deus presente no vivo da ação.

 COMO É QUE DEUS CHAMA?

Pela comunidade (Mc 3,13 – 19)

Pelas necessidades do mundo e da Igreja (Mc 3, 7- 12)

Pessoalmente e pelo nome (Mt 4, 18-22 ou Lc 5,1-11)

Através de mediadores (Jo 1, 37 – 48)

Pelos valores que nos atraem (Jo 4, 1 – 42)


  Postura vocacional
Estar em sintonia àquele que nos chamou. Vislumbrar na vocação qual é a meta do seguimento para, sempre de novo, retomar o Caminho de con-formação ao Senhor!
O seguir Jesus está além de qualquer programa / projeto pessoal ou desejo à realizar!
É o Senhor quem vai ditando como deve ser este seguimento e como bem realizá-lo! A nós basta a coragem, perseverança e esperança! O formador, com sua experiência, nos auxiliam e animam no Seguimento Vocacional, porém o Agente Primeiro da Vocação é o próprio Deus e o Vocacionado no cultivo do encontro com o Senhor Jesus!
Devemos rezar pelas famílias, o primeiro celeiro das vocações: leigas, consagradas, matrimoniais, religiosas ou clericais! Para que o Senhor envie para a Sua Igreja, santas e sinceras vocações à serviço do Reino e do Povo de Deus! 

n “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto (Is 55,6).” 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Conventualidade como expressão de esperança na América Latina

Continuação do texto: A Conventualidade no carisma Franciscano...
Parte 1: http://conventuaisrj.blogspot.com.br/2012/05/conventualidade-no-carisma-franciscano.html
Parte 2: http://conventuaisrj.blogspot.com.br/2012/05/elementos-constitutivos-da.html

Por: Frei Carlos Roberto Charles, OFMConv.


Poderíamos, então, a partir da prática, falar de uma Conventualidade própria da América Latina? A priori não se pode esgotar o sentido de Conventualidade nem a partir de um Continente, nem de um País, nem tão pouco de províncias diferentes, mas antes a partir do elemento central, que é o carisma e de cada fraternidade local. Assim não há, a priori, num sentido distintivo e conflitante, uma Conventualidade latino-americana como não há uma Conventualidade brasileira, porque estaríamos focando a fraternidade apenas no aspecto sócio-cultural e padronizando as diversas e diferentes expressões num único e padronizado bloco geográfico-cultural.
Todavia, a partir de uma releitura do fundador e de seu carisma na ótica latino-americana, de uma eclesiologia da missão, e de um olhar profundo e crítico para as estruturas hodiernas da instituição, o rosto da Conventualidade, como expressão ad intra e ad extra, se desenha com mais facilidade, porque social, cultural, antropológica, teológica e eclesialmente a prática evangélica da Conventualidade se adéqua ao seu contexto. Desta maneira, podemos falar de uma Conventualidade de expressão latino-americana, quando emergem latentes os elementos da solidariedade com os empobrecidos e quando são detectados no interior dos conventos, situados na América Latina, elementos estruturais e ideológicos importados da cultura continental que comprometem a própria Conventualidade.

Francisco de Assis na ótica latino-americana

Segundo Mário Cayota, “a visão que podemos ter de Francisco, a partir da América Latina, sem perder a necessária objetividade, é inegavelmente de feições muito próprias. Olhamos o irmão Francisco a partir da pobreza e da marginalização. A partir de duma conjuntura muito dolorosa; com nossos membros desconjuntados pela violência e crueldade: a partir do sofrimento.”[1] 
Francisco, na ótica do oprimido, é sempre libertado, libertador e livre. Libertado, porque livrou-se das amarras estruturais e das vinculações dos sistemas para uma nova forma de sociabilidade: a fraternidade minorítica; libertador porque buscou libertar os homens daqueles sentimentos e práticas que os levam ao ódio e a violência; e livre porque foi, de fato, fundamentalmente um homem livre, cujo frescor da liberdade irradiou de seus gestos e palavras, como conquista de um longo e oneroso processo de libertação.[2]
Francisco intuiu que “a fraternidade entre os homens e o encontro com Deus são obstaculizados, dificultados e até mesmo destruídos pela vontade de posse e poder. Interpomos entre nós e os outros as coisas possuídas egoisticamente, os interesses. Tememos expor-nos, coração a coração, olho a olho; preferimos as propriedades que nos asseguram, mas nos afastam dos outros e assim das raízes que alimentam a nossa humanidade: a ternura, a convivialidade, a solidariedade, a compaixão e o amor,”[3] tão caras à Conventualidade. O projeto carismático de Francisco é um plano onde todos se encontram e se confraternizam, por isso a pobreza consistirá num esforço de remover as propriedades de qualquer tipo para que daí resulte o encontro entre homens e se possibilite a fraternidade. Ser radicalmente pobre para poder ser plenamente irmão, e idendificar-se com Jesus.[4]

Francisco é o homem pobre-solidário que voluntariamente se posicionou a favor do empobrecido, do desclassificado, marginalizado, constituindo-se menor e fraterno num “ser-para-o-outro”. Seu grito profético de consequências revolucionárias tanto para a Igreja quanto para a sociedade não saiu tanto de sua voz, mas de seu testemunho, de seu posicionamento e de sua experiência do Espírito, que agiu nele, libertando-o, tomando consciência da palavra, formando comunidade para preservar, promover e gerar a vida.
Francisco, em Cristo, é o arquétipo do ser humano integrado, de uma subjetividade aberta direcionada à experimentação do Cristo, pobre, crucificado e libertador manifestado na dor, no sofrimento e na exclusão dos mais vulneráveis deste mundo. É a partir desta compreensão que a vida e o carisma do Poverello iluminam a vida fraterno-conventual no Continente da Esperança.

Eclesiologia da missão

Em toda a América Latina a Conventualidade se experimenta em muitas e diversas teologias, e consequentemente, em variadas eclesiologias que se misturam, que se confrontam, convivendo dialeticamente para a expressão do carisma. Assim, encontramos elementos de cristandade, neo-cristandade, de pentecostalismo e até neo-pentecostalismo, como também de libertação.
Deste modo, não é a pluralidade des-convergente, que define a expressão latino-americana da Conventualidade, mas antes a unidade na pluralidade, voltada sempre para uma situação bem peculiar do Continente: como falar de Deus e como experimentá-Lo numa realidade que clama, ainda, por libertação?
Uma tentativa de resposta pode ser o modo de ser Igreja em constante missão, e dentro desta perspectiva o modo de ser frade menor conventual aberto à missão ad intra e ad extra. Fermento na massa, sal e luz que produzam crescimento, sabor e luminosidade para o Reino de Deus.
Vejamos, então, pelas lentes do teólogo Leonardo Boff, que eclesiologia da missão é esta:
A Igreja na América latina fez uma opção pela libertação integral. Fala consequentemente de evangelização libertadora, liturgia libertadora e de teologia da libertação e da pastoral libertadora. Como o franciscano aborda essa urgência de nossa realidade? É uma temática que não olvida o conflito, pois falamos em libertação, em oposição à opressão. Como se depreende, o tema envolve certo grau de conflitividade com enfrentamentos inevitáveis, para quem luta pela justiça. Assim, inserir-se no processo de libertação implica assumir as causas do povo oprimido e falar e agir a partir da ótica deles. Os temas axiais dos oprimidos se centralizam nos temas da vida, dos meios da vida, da justiça do trabalho, do direito á saúde, á escola, à participação nos bens na cultura. Estas exigências supõem uma opção por uma sociedade diferente daquela que realizamos agora, marcada por um profundo conflito de classes.[5]

Assim, Boff salienta “que o franciscano não se insere no meio do povo como um mestre que sabe tudo, mas como um irmão que caminha junto. Não é fácil combinar função ministerial-sacerdotal com estilo fraterno. A grande maioria fomos formados para sermos mestres do povo, seus pastores, seus orientadores de vida moral.”[6]
Assim, a Conventualidade, olhando para dentro de seu coração e de suas estruturas, abre-se para fora como testemunho livre-libertado para efetivar libertação. “Ao andar pelo mundo, os irmãos devem andar, evangelicamente pobres, anunciar a paz, comer o que a gente tiver, e renunciar a qualquer tipo de violência e dar a quem pedir. O sair pelo mundo implica num entrar mais profundamente num mundo novo.”[7]

Um olhar ad intra

Na América Latina, os frades são pessoas livres, libertadas das amarras estruturais, políticas e econômicas que tanto oprimem e excluem o Povo de Deus?
Há quem diga que na Ordem não existe esta realidade conflitiva do binômio opressor/oprimido e nem o conceito de exclusão/excluído, argumentando que todos os frades têm os mesmos direitos e deveres como também a possibilidade de questionar, reclamar e de se defender de possíveis posturas de exclusão e opressão religiosas, em várias instâncias tais como os capítulos, o definitório custodial/geral/Geral.
Teoricamente, há verdade nesta afirmação! Todavia, o argumento é um tanto frágil na prática e a partir de um olhar mais atento sobre a realidade de muitos conventos pontuados em todas as partes do mundo, onde a Ordem se faz presente, revela que a Conventualidade, enquanto parte da Igreja e inserida no mundo, imersa numa culturalidade moderna, não está imune e nem alheia aos mesmos problemas e desafios detectados na sociedade e em suas instituições. Assim, a partir de uma ótica latino-americana, percebe-se no interior de muitas comunidades conventuais, senão o todo da lógica perversa e desumanizante da opressão/exclusão, pelo menos partes e sombras dela.
Não se pode negar, por exemplo, que há uma clara distinção entre clérigos e leigos (frades ordenados e frades não ordenados); párocos e vigários; governo e oposição; ilustrados e néscios que, por si só, já acenam para a lógica dicotômica que produz enfrentamento, divisão e exclusão. Esta, por sua vez, como exclusão na fraternidade não estaria visível na questão do “frade problemático” que nenhum convento quer abrigar ou o frade bem idoso e enfermo (mental ou corporalmente) que se torna um estorvo para a comunidade? O frade improdutivo ou incapaz, como também o “Irmão leigo” que não produz economicamente em seu trabalho pastoral, não carrega em si o estigma do excluído? As desigualdades econômicas entre conventos e jurisdições, a dependência financeira de jurisdições matrizes, não sinalizam o mesmo tipo de problema vivido especialmente na América Latina pela dinâmica de trabalho-produção-ganho-consumo? A problemática de subjetividades fechadas, o desinteresse pelo comum, a falta de motivação para a oração, não tem dependido, no fundo, desta mesma dinâmica? Intervenções, quando arbitrárias (unilaterais) motivadas por falsas interpretações e “achismo” por parte de autoridades mediatas, além de ferirem o princípio de subsidiaridade e o princípio evangélico da correção fraterna, baseado na exaustão do diálogo, não estariam refletindo a ideologia da opressão?
A corrida e a articulação para o poder que precedem os capítulos ordinários eletivos como o esforço para manter ad eternum os mesmos frades nas funções administrativas, políticas e econômicas não demonstram a contaminação do ministério-serviçal pela secular batalha pelo poder?
Responder, com demorada reflexão, afirmativamente a estas questões é admitir que vivemos num mesmo contexto continental e enfrentamos os mesmos desafios das sociedades latino-americanas. No entanto, não se esgotaria o debate, pois, necessariamente tal resposta afirmativa partiria sempre da ótica de quem sofre tal suposta opressão.
Assim, outros argumentos são necessários para se afirmar uma Conventualidade de expressão latino-americana, como por exemplo, a partir de pontos comuns, também de uma metodologia teológico-pastoral experimentada pela Igreja latino-americana, e por fim, da forma familiar como são construídos a maioria dos conventos na América.
Pontos comuns dessa expressão são a alegria, simpatia, hospitalidade e esperança.[8] Na América Latina os frades mostram-se sempre solícitos em acolher com bastante disposição aqueles que chegam, e fazem festa, na alegria franciscana do encontro, de quem realmente recebe, acolhendo um irmão. É também um sinal de esperança, muito próprio do Continente também chamado da Esperança, que mesmo, “remando contra a maré”, confia, espera, trabalhando pela transformação.
Se é verdadeira a afirmação de que sérios problemas modernos desafiam a Conventualidade, é também verdade que na América Latina busca-se o enfrentamento dessas questões num esforço continuado para que o Evangelho recupere sua primazia e centralidade no coração da fraternidade. Este esforço segue, na maioria das vezes, seja na dinâmica da comunidade, seja nos capítulos locais, nos capítulos ordinários e extraordinários das jurisdições, seja nos demais momentos do grupo como um todo, o método latino-americano  ver-julgar-agir.
Este método, quando utilizado na estrutura conventual torna-se instrumento efetivo e eficaz para a expressão da fraternidade na medida em que se coloca com sinceridade a problemática experimentada, visualizando suas causas e consequências e a ilumina com o próprio Evangelho, o carisma do fundador e o carisma da Ordem para se chegar a uma prática transformada e facilitadora ao crescimento fraterno.
Na mesma linha, considerando as dificuldades internas e suas frequentes tentativas de superá-las a partir da própria comunidade, visualiza-se como elemento favorável a configuração dos próprios conventos. Estes se distiguem, em sua maioria, daqueles mais clássicos e antigos, tornando-se, tanto na arquitetura quanto na experiência de vida fraterna, mais familiar, mais simples, mais aberto às novas subjetividades e aberto à relação e convivência mais calorosa com as pessoas que frequentam as paróquias, escolas e instituições dirigidas pelos frades.
Os conventos latino-americanos são menos monacais e menos rígidos em suas estruturas, facilitando essa relação familiar, doméstica que não se distancia da realidade doméstica de tantas famílias.
Por fim, a síntese da tensão entre ideal e real dos elementos constitutivos do carisma conventual na América Latina se configura como expressão latino-americana da própria Conventualidade.
Tudo o que dissemos acima vale tanto para a Ordem como um todo e também para a América Latina, lembrando que aquilo que é próprio da Conventualidade de expressão latino-americana é o seu posicionamento frente aos desafios, começando pela tomada de consciência da problemática, passando pela confrontação, até se chegar a uma síntese possível que possibilite uma conventualidade.
Assim, a expressão latino-americana da Conventualidade, não só é real, como também é um contributo para a Ordem como um todo, sobretudo, naqueles lugares onde os contextos culturais se aproximam. Contributo, porque pela sua expressão, não fere os princípios institucionais e nem tão pouco alteram em sua essência o mesmo e convergente carisma.

7. Conclusão

A Conventualidade, que evoluiu historicamente a partir do conceito de convento, é constitutiva do carisma franciscano. O “prius” deste carisma é a fraternidade, mas seu “primado” é a Conventualidade. Desde que nasceu a fraternidade em torno de Francisco, nasceu também seu modo, sua expressão, que amadureceu na vivência comum e estrutural, sintonizada com os novos desafios e necessidades da Igreja.
Por convento entenda-se, aqui, não só a casa, mas toda a vida da comunidade, e sobretudo sua produção de fraternidade.
Desta forma e nesta linha, a Conventualidade é a encarnação da fraternidade, o corpo espiritualizado no qual ela se faz possível, existe e evolui naturalmente como expressão carismática do franciscanismo. Sem a Conventualidade, o franciscanismo tenderia há uma mera abstração romântica ou uma espiritualização desencarnada da sua essência, que é viver os valores evangélicos a partir da fraternidade.
 A atualização do carisma se efetiva na dinâmica dialética da tensão entre entre a Conventualidade idealizada, sistematizada e desejada e a Conventualidade possível, real, prática.
Na América Latina há um modo muito peculiar de expressar e re-inventar a Conventualidade, e passa, muitas vezes, pela tomada da consciência dos problemas comuns de todo o Continente, e sobretudo, pelo desejo e empenho, de radicá-los a partir do coração da fraternidade conventual.

Paraíba do Sul, RJ, 04 de outubro de 2011 - Festa do Seráfico Pai
 São Francisco de Assis


Bibliografia

BOFF, Leonardo et alli. Francisco na ótica latino-americana. Petrópolis: Reproarte Gráfica Ltda, 1991
BOFF, Leonardo. São Francisco de Assis: ternura e vigor. Petrópolis: Vozes, 1991, 5ª ed.
BOMMARCO, Vital. A Ordem dos Frades Menores Conventuais. Tradução de Geraldo Monteiro, em: subsídios para reflexão 1/83, 1981.
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BONI, Andréa. Dicionário Franciscano, Petrópolis, Vozes, 2ª Edição, 1999, pp. 273
CAYOTA, Mário et alli. Francisco na ótica latino-americana. Petrópolis: Reproarte Gráfica Ltda, 1991.
COMBLIN, José. As grandes incertezas na Igreja atual, em: REB 265, 2007.
Constituições da ordem dos Frades menores Conventuais Roma: Mediagraf Padovana, 1984.
Fontes Franciscanas. São Francisco de Assis – Escritos e biografias de São Francisco de Assis – crônicas e outros testemunhos do primeiro século franciscano, 5ª ed. Petrópolis: Vozes/Cefepal, 1988.
HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Petrópolis: Vozes, 2006.
 LE GOFF, Jacques. São Francisco de Assis. Tradução de Marcos de Castro. Rio de Janeiro/São Paulo: Editora Record, 2010, 9ª edição.
MIDALI, Mário. Carisma da vida religiosa – U.S.G, Roma, 1981.
OFMCOnv. Capítulo Geral Extraordinário de 1998 – A formação na Ordem – linhas para um compromisso renovado. Roma: Cúria Geral OFMConv., 1998.
OFMConv. Discipulado Franciscano – Diretório Geral de Formação, 25. Roma: Cúria Geral, 2001.
POMPEI, A. et alli. Frades Menores Conventuais – História e vida -1209-1995. Cidade Ocidental: edições Kolbe, 1997.
POMPEI, Alfonso. Os estudos no carisma franciscano menor conventual. Tradução de Geraldo Monteiro, 1994.
UCOB, O Capítulo Conventual – O discernimento comunitário, a revisão de vida e a correção fraterna. Santo André: Província São Francisco de Assis, 1997.



[1] CAYOTA, Mário et alli. Francisco na ótica latino-americana. Petrópolis: Reproarte Gráfica Ltda, 1991, p. 37.
[2] Cf. BOFF, Leonardo. São Francisco de Assis: ternura e vigor. Petrópolis: Vozes, 1991, 5ª ed, p. 111,119,123.
[3] Ibidem, p. 92.
[4] Idem.
[5] BOFF, Leonardo et alli. Francisco na ótica latino-americana. Petrópolis: Reproarte Gráfica Ltda, 1991, p. 32.
[6] Idem.
[7] BOFF, Leonardo. São Francisco de Assis: ternura e vigor. Petrópolis: Vozes, 1991, 5ª ed, p. 115.
[8] Expressão do Assistente Geral para a América Latina, Frei Jorge Fenandez (2011).


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