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terça-feira, 24 de abril de 2012

Um sonho de comunidade



Por: Pedro Romero*


Carta de um boletim de uma Província Franciscana da Bolívia, com uma carga enorme de idealismo, mas rica em sugestões da psicologia da comunicação e do mais puro evangelho:

“Os seres humanos, a meu ver, dividem-se em duas categorias: os que sonham e os que se limitam a dormir. Os primeiros fazem historia. Os outros quando acordam, se dão conta do que aconteceu, do que também eles poderiam ter feito se tivessem tido a coragem de sonhar”.



Ninguém é mais realista do que o sonhador. Ou seja, aquele que obrig a realidade a seguir os passos dos seus sonhos.
Hoje apresento  um sonho meu, com a esperança de que possa servir de realidade.

O sonho, pois, de uma comunidade.
Uma comunidade formada de irmãos, mas na qual o termo “irmãos” não dependa do regulamento ou do costume, mas seja algo conquistado, com o suor de todos, dia após dia.
Sonho com uma comunidade em que o “real” representa a lei mais importante, da qual dependam todas as outras leis. O real, ou seja, estas pessoas, com esta mentalidade, esta cultura, esta formação, estas qualidades, esta idade, esta situação peculiar, neste ambiente adequado, com esta missão a cumprir, neste tempo.


Sonho com uma comunidade que reconheça a primazia da pessoa e na quais todos tenham a certeza de que o bem comum só pode coincidir com o bem de todas as pessoas.
Uma comunidade construída em função das pessoas. Uma comunidade em que as estruturas e as obras estejam em função do equilíbrio, do desenvolvimento, do crescimento das pessoas.
Sonho com uma comunidade em que o tempo não seja desperdiçado. Em outras palavras, uma comunidade em que se reserve tempo para o descanso, a diversão, a desintoxicação, mas não se perca tempo com fofocas, insinuações, suspeitas, cochichos e futilidades. Onde há o amor, não há tempo a ser desperdiçado. Não há nada que absorva tanto como o amor.
Uma comunidade onde ninguém se leve muito a sério, mas onde cada um se sinta levado a sério pelos outros.

Sonho com uma comunidade que reprove toda e qualquer intenção de falar mal de uma pessoa ausente.
Uma comunidade na qual todos se encontrem seguros. Isto é, em que cada um se sinta seguro em relação à liberdade, à dignidade, ao respeito e, especialmente, à responsabilidade pessoal.

Sonho com uma comunidade na qual todos possam participar das discussões importantes. E que a linguagem seja sincera. E que não tenham medo da verdade, sobretudo porque adota um estilo de verdade que penetra, incomoda, mas não humilha ninguém. Uma verdade que cura, mesmo que seja com dor, mas não fere. Felicidade é poder dizer a verdade sem que ninguém chore.
Uma comunidade na qual os que se considerem mestres sejam condenados a viver segundo a sua palavra. E que todos os que se considerem juizes sejam condenados a se sentir cúmplices.
Sonho com uma comunidade onde a única suspeita válida seja a suspeita de que algum irmão não recebeu a parte de amor que lhe corresponde.

Sonho com uma comunidade provincial, um conselho provincial, um secretário, uma comunidade regional ou local que me demonstre que... sonhei a realidade. 


*Pedro Romero: Comunicação e vida comunitária – Aspectos psicossociais e possibilidades – Edições Paulinas.
 http://www.paulinas.org.br/loja/DetalheProduto.aspx?idproduto=4197#Detalhes

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