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domingo, 22 de abril de 2012

A comunicação a serviço da vida comunitária.

Por: Frei Donil Alves, OFMConv (de Pedro Romero)


É possível superar as contra-indicações que se interpõem na comunicação e na vida comunitária? É possível aproveitar o dinamismo psicológico  para melhorar as relações interpessoais?
Se tivermos uma resposta positiva é preciso que a comunidade facilite ao menos a vivência dos valores do Reino ( aqueles que o Espírito comunica) e que deve expressar a fraternidade da vida comunitária e exercer assim sua função: O Testemunho. Ele pode nos ajudar a nos tornar mais fraterno.
Creio que uma correta comunicação interpessoal pode facilitar a vida comunitária. Devemos reconhecer que não é uma tarefa fácil, mas é importante tentar, pois a dimensão humana tende a se impor sobre a experiência religiosa e até mesmo a bloqueá-la.
Podemos partir de uma convicção pessoal: é possível comunicar melhor e, assim, tornar evangelicamente mais fraterna a vida Religiosa. Digo isto porque acredito na capacidade que a pessoa possui para integrar de maneira positiva aqueles elementos de nossas experiências pessoais e projeta-las a uma melhor comunicação. Aprender a comunicar-se é completar e melhorar a própria personalidade que assim atine sua maturidade psico afetiva, um maturidade que muitos autores chegam a considerar “Um caminho de fé”.
Como fazer isto? Como reconstruir condutas contaminadas por aspectos inconscientes da personalidade? Como refazer as relações? Como corrigir hábitos adquiridos de comunicação negativa? Aqui, abre-se um grande horizonte, tão grande como é a pessoa em relação. Não é bom complicar as coisas, mas também não é fácil simplifica-las. É preciso alimentar o DESEJO. Não nos tornamos religiosos para alimentar uma perfeição individualista, à margem dos demais, pois a perfeição cristã só é alcançada em COMUNHÃO.  Para haver comunhão é preciso haver relação interpessoal, e esta relação com todos os seus dinamismos e abertos aos frutos do espírito, condiciona a relação fraterna. Por isso, é preciso cuidar da dimensão pessoal do humano em  sua totalidade: afetivo, social, moral, intelectual, espiritual;  assim o religioso, recorda que precisa dos outros para medir seu equilíbrio emocional. O ser humano se aperfeiçoa nas muitas dificuldades que apresentam nas relações humanas: mede sua capacidade de resistência, afirma sua personalidade, se enriquece no contato com os demais e contribui para o crescimento humano dos outros. A pessoa não é um ser solitário,e  sim um ser solidário. Por isso, o propósito de alcançar a perfeição evangélica deve ser entendido como o PRINCIPAL OBJETIVO DE SUA CONSAGRAÇÃO.  Não se trata de uma perfeição individual, mas solidária.
Um dos grandes meios para alcançar esta perfeição é orientar as tendências do amor, porque a comunicação pressupõe reciprocidade amorosa ( nas linguagens verbais e não-verbais). Esta reciprocidade é essencial para que haja  experiências constantes, ora bem sucedidas, ora mal sucedidas, mas o mais importante é alimentar o DESEJO de realizar a dimensão social da pessoa. Esta frase é muito importante. O desejo é um recurso importante que mobiliza a personalidade. Pode ser ao mesmo tempo estímulo e motivo; tão forte que brota da essência do nosso ser; assim quanto melhor nos comunicar-nos com o melhor de nós mesmos, maior será a qualidade humana demonstrada, e isso aumenta a auto-estima.
Com isto o ser humano, e não somente os religiosos têm uma tarefa larga e um desafio muito grande pela frente, isto porque reconhecemos que as realidades humanas são imperfeitas e está sujeita as múltiplas surpresas. Encontramos em nossos caminhos correntes sociais que circulam com muita força e acentuam os efeitos do individualismo: déficit de comunicação, dificuldade de chegar a um consenso, potenciação das características diferenciadas; ver os outros como competidores, situar os interesses pessoais à margem da comunidade, carência de gratificações recíprocas.

Tudo isto, longe de desanimar, deve estimular o cumprimento das tarefas na vida religiosa. A partir da auto-estima, como grande estímulo ao crescimento pessoal, o religioso deve procurar se conhecer em si e em relação, corrigir sua própria personalidade e construir para a cura a dinâmica comunitária na qual vive.

* Pesquisa sobre o texto de Pedro Romero do livro "Comunicação e vida comunitária" Edições Paulinas: São Paulo. 2012. 

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