Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição dos Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

sábado, 28 de abril de 2012

Frei Luiz ordenado presbítero no Rio de Janeiro

Recebeu hoje pelas mãos de Dom Paulo Cesar - Bispo auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro - na Paróquia de Santa Luzia em Gardênia Azul  na cidade do Rio de Janeiro, ao Segundo Grau da Ordem (Ministério Ordinário), ou seja, o Presbiterato: Frei Luiz Fernando Lima Rangel, OFMConv.
Frei Luiz Fernando
Frei Luiz Fernando, OFMConv.
Uma cerimônia solene com a presença dos paroquianos, de familiares e amigos de vários bairros do Rio de Janeiro e de cidades onde Frei Luiz morou ou trabalhou como: Araruama e Paraíba do Sul;  amigos de outros estados como Brasília e Curitiba e representantes da Ordem Franciscana Secular de várias fraternidades. Estavam presentes para prestigiar e participar com muita devoção e alegria deste momento de tão grande importância para a Ordem Franciscana Conventual e para toda a Igreja que ganha mais um pastor para cuidar do rebanho de Cristo!
Toda a liturgia era voltada para a figura do Bom Pastor, que nas palavras de Dom Paulo: "Jesus é para ti, Frei Luiz, a imagem e o modelo do Bom e Belo Pastor".
Houve muito momentos marcantes e emocionantes dos quais destacamos a Litania, a entrega das vestes sacerdotais pela mãe Dona Dalva e os irmãos Evandro e José Antônio, a vestição e a unção sacramental.
Toda a Custódia Provincial se fez presente, com frades representantes de todas as nossas paróquias; os aspirantes, postulantes com seu vice-formador e os frades estudantes com seu formador, de todos estes destacamos nosso Custódio Provincial Frei Antônio Molisani e nosso Vice-Custódio Frei José Luís.
Que o Bom Pastor te guie neste ministério e que a Virgem Imaculada e nosso Seráfico Pai interceda por ti Frei Padre Luiz Fernando!
Segue algumas fotos:



















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terça-feira, 24 de abril de 2012

Um sonho de comunidade



Por: Pedro Romero*


Carta de um boletim de uma Província Franciscana da Bolívia, com uma carga enorme de idealismo, mas rica em sugestões da psicologia da comunicação e do mais puro evangelho:

“Os seres humanos, a meu ver, dividem-se em duas categorias: os que sonham e os que se limitam a dormir. Os primeiros fazem historia. Os outros quando acordam, se dão conta do que aconteceu, do que também eles poderiam ter feito se tivessem tido a coragem de sonhar”.



Ninguém é mais realista do que o sonhador. Ou seja, aquele que obrig a realidade a seguir os passos dos seus sonhos.
Hoje apresento  um sonho meu, com a esperança de que possa servir de realidade.

O sonho, pois, de uma comunidade.
Uma comunidade formada de irmãos, mas na qual o termo “irmãos” não dependa do regulamento ou do costume, mas seja algo conquistado, com o suor de todos, dia após dia.
Sonho com uma comunidade em que o “real” representa a lei mais importante, da qual dependam todas as outras leis. O real, ou seja, estas pessoas, com esta mentalidade, esta cultura, esta formação, estas qualidades, esta idade, esta situação peculiar, neste ambiente adequado, com esta missão a cumprir, neste tempo.


Sonho com uma comunidade que reconheça a primazia da pessoa e na quais todos tenham a certeza de que o bem comum só pode coincidir com o bem de todas as pessoas.
Uma comunidade construída em função das pessoas. Uma comunidade em que as estruturas e as obras estejam em função do equilíbrio, do desenvolvimento, do crescimento das pessoas.
Sonho com uma comunidade em que o tempo não seja desperdiçado. Em outras palavras, uma comunidade em que se reserve tempo para o descanso, a diversão, a desintoxicação, mas não se perca tempo com fofocas, insinuações, suspeitas, cochichos e futilidades. Onde há o amor, não há tempo a ser desperdiçado. Não há nada que absorva tanto como o amor.
Uma comunidade onde ninguém se leve muito a sério, mas onde cada um se sinta levado a sério pelos outros.

Sonho com uma comunidade que reprove toda e qualquer intenção de falar mal de uma pessoa ausente.
Uma comunidade na qual todos se encontrem seguros. Isto é, em que cada um se sinta seguro em relação à liberdade, à dignidade, ao respeito e, especialmente, à responsabilidade pessoal.

Sonho com uma comunidade na qual todos possam participar das discussões importantes. E que a linguagem seja sincera. E que não tenham medo da verdade, sobretudo porque adota um estilo de verdade que penetra, incomoda, mas não humilha ninguém. Uma verdade que cura, mesmo que seja com dor, mas não fere. Felicidade é poder dizer a verdade sem que ninguém chore.
Uma comunidade na qual os que se considerem mestres sejam condenados a viver segundo a sua palavra. E que todos os que se considerem juizes sejam condenados a se sentir cúmplices.
Sonho com uma comunidade onde a única suspeita válida seja a suspeita de que algum irmão não recebeu a parte de amor que lhe corresponde.

Sonho com uma comunidade provincial, um conselho provincial, um secretário, uma comunidade regional ou local que me demonstre que... sonhei a realidade. 


*Pedro Romero: Comunicação e vida comunitária – Aspectos psicossociais e possibilidades – Edições Paulinas.
 http://www.paulinas.org.br/loja/DetalheProduto.aspx?idproduto=4197#Detalhes

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Fazei-nos instrumentos de Tua paz.


Por: Raimundo César de O. Mattos, OFS*

O início da oração atribuída a São Francisco de Assis, também conhecida como oração da paz, pede ao Senhor para sermos instrumentos, não de uma paz comum, mas daquela paz que o próprio Jesus comunicou aos seus apóstolos no entardecer daquele primeiro dia da semana, após a sua ressurreição dos mortos: “A paz esteja convosco” (Jo 20, 19b). E termina com uma adaptação de uma outra passagem evangélica: “é morrendo que se vive para a vida eterna”. “Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas se morre, produz muito fruto” (Jo 12, 24).
            Ao entregar sua vida pelo resgate de cada um de nós, Jesus se tornou este grão de trigo fecundo que, descendo à terra inculta e estéril de nossos corações, nos fez aptos a receber a Palavra que foi neles semeada. Encerrado no sepulcro de nossas existências sem vida, Ele nos deu a graça da libertação do pecado e da morte. Estávamos errando sem rumo, buscando uma razão que nos motivasse e nos orientasse em nossa caminhada, e Ele se revela “caminho, verdade e vida”. Sem sabermos exatamente o que buscávamos, já corríamos ansiosos por chegar à fonte de onde jorra a água da vida. “Tarde te amei”, diz Santo Agostinho, “tarde te amei, beleza tão antiga e tão nova”. Ou, pior, como lamentava São Francisco, “o amor não é amado”. E Ele, contudo, nos amou desde toda a eternidade. “E nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou, e nos enviou o seu Filho como vítima expiatória para nossos pecados” (1Jo 4, 10).

            A grande mensagem da Páscoa que Jesus nos traz, ainda hoje, é a da paz e a do amor com que Ele próprio nos amou, até o fim. Buscamos uma paz terrena, incapaz de corresponder aos anseios mais escondidos de nossos corações. E fechamos nossa vida para recebermos a paz verdadeira. Paz que não é apenas ausência de guerras, mas fecundada pelo amor onipotente de um Deus que não hesitou em nos redimir pelo sangue de seu “Filho amado, em quem colocou toda a sua complacência”. Essa paz começa em nossos corações, devendo transbordar em nossas vidas, comunicando-se àqueles que estão ao nosso redor,  chegando a todos indistintamente.
A paixão, morte e ressurreição de Jesus são a consumação do mistério da salvação operada por Deus, quando seu próprio Filho, tendo assumido nossa natureza mortal, entregou-se para “iluminar os que viviam nas trevas e na sombra da morte, para guiar nossos passos no caminho da paz” (Lc 1, 79). Tal entrega é fruto deste amor de nosso Deus que, tendo criado o homem à sua imagem e semelhança, não o abandonou sob o poder do pecado, mas o resgatou de forma sublime. Tão sublime que, no precônio pascal entoado no início da vigília da ressurreição, canta-se “o pecado de Adão indispensável, pois o Cristo o redime em seu amor. A culpa tão feliz que há merecido, a graça de um tão grande redentor”. Este mistério profundo do amor sem limites de Deus por cada um de nós levou o seu Filho único às últimas conseqüências, entregando-se por amor de nós, para nos livrar de nossas doenças, de nossas faltas, abrindo-nos as portas da salvação.
O Tríduo Pascal torna presente, em nossos dias, o drama sem igual de nossa redenção. Cada passo dado por Jesus, resolutamente, rumo à Jerusalém, mostra-nos a sua decisão inquebrantável de cumprir até o fim a vontade do Pai, para que alcançássemos a salvação. Da entrada messiânica em Jerusalém até o alto do Gólgota, trazemos diante dos olhos o seu amor profundo por nós: o exemplo de humildade do lava-pés; o mandamento novo; o anúncio da traição de Judas e da negação de Pedro; a doação de Si mesmo nas espécies eucarísticas; a agonia do Getsêmani; a prisão, sofrimentos, paixão e morte na cruz, consumando-se esta doação total, a entrega de sua vida por nós, incapazes de alcançarmos, sozinhos, a salvação; o silêncio da sepultura, com a terra mergulhada nas trevas, quando o sol de justiça se ocultou no horizonte, até a manhã gloriosa do domingo da ressurreição.
Ele é a razão de nossa esperança, é o caminho que nos leva ao Pai, é a verdade que nos orienta, é a vida que nos foi prometida, para passarmos do pecado à vida da graça, das trevas para a sua luz admirável. “As trevas vão se dissipando e já brilha a verdadeira luz. Quem diz estar na luz e odeia seu irmão, ainda está nas trevas. Quem ama seu irmão, permanece na luz e não há nele qualquer ocasião de queda” (1 Jo 2, 8-10).
            Ele, que desejou a paz aos discípulos, nos conceda a sua paz. Como depositários da paz que nos vem com a ressurreição do Senhor, sejamos, neste mundo, instrumentos do seu amor, semeadores desta paz que somente Ele pode nos dar.
            Que o Senhor nos dê a sua paz. Que Ele nos conceda vislumbrarmos a luz da sua ressurreição e nos oriente os passos no caminho que nos conduz à salvação. Que a paz e o bem reinem em nossas vidas, nesta Páscoa e sempre.

* o autor é membro da Fraternidade Nossa Senhora da Glória - OFS de Valença/RJ;  Professor,  doutorando em História pela UERJ, membro da Academia Valenciana de Letras. Contato: raimundomattos@bol.com.br.

O direito à vida e a Moral Cristã

Por: Raimundo César de O. Mattos, OFS*

Todos nós assistimos, justamente na primeira semana da Páscoa de 2012, a uma discussão que, infelizmente, terminou de forma inglória. O Supremo Tribunal Federal, órgão máximo de nosso Poder Judiciário, levou a plenário a votação acerca da permissão do aborto de fetos anencéfalos. O resultado, e as conseqüentes manifestações de apoio, deixariam qualquer um perplexo há algum tempo atrás. Hoje em dia, no entanto, estamos presenciando uma inversão absoluta dos valores. Para entendermos tais fatos, é necessário que recordemos alguma coisa da caminhada histórica da Igreja, desde os seus primórdios no Império Romano, até recentemente.
            Quando dava os seus primeiros passos no mundo, o cristianismo chocou-se com uma realidade bem diversa dos princípios que pregava. Imoralidade, infanticídios, exploração, lutas fratricidas e de gladiadores, tudo destoava do amor ao próximo pregado pelo Evangelho. Até mesmo séculos antes disso, quando o povo judeu adentrou a terra prometida, os cultos idolátricos e os costumes abomináveis dos demais povos que ali se encontravam horrorizaram aqueles que viriam lançar as sementes da revelação divina. Pouco a pouco, porém, e principalmente a partir da recepção do Decálogo, iniciou-se um processo de transformação que levou ao que hoje se denominam, inclusive de forma pejorativa, de “moral judaico-cristã”.
            O Judaísmo e, depois dele, o Cristianismo, foi dilapidando as pessoas, quais diamantes brutos, mediante as verdades da fé. Assim, o decadente, mas ainda temido Império Romano, foi vencido pela cruz, sem que outro sangue fosse derramado, a não ser o dos mártires. O infanticídio, como o praticado por vários povos orientais que sacrificavam suas crianças aos seus falsos deuses e até mesmo pelos gregos que, em Esparta, deixavam ao poder civil a decisão sobre a vida ou a morte dos recém-nascidos, foi banido. As lutas de gladiadores, mortais e aviltantes, foram proibidas. Chegou-se ao período que foi, sem sombra de dúvidas, chamado de a “doce primavera da fé”. Malgrado tudo isso, inúmeros são aqueles que, ignorantes do processo histórico, inclusive muitos pertencentes às fileiras da própria Igreja, só conseguem ver sombras no período medieval, desconhecendo por completo os benefícios trazidos pela cristandade ao mundo que se desagregava com as invasões dos bárbaros. Contudo, a Igreja conseguiu se manter, cumprindo-se as palavras de Jesus de que “as portas do inferno jamais prevaleceriam sobre ela”. O mundo ocidental plasmou-se pela Igreja Católica.

            Chegados aos dias de hoje, uma avalanche de críticas inconsistentes desaba sobre o modelo moral seguido pela Igreja, considerado ultrapassado. A “moral judaico-cristã” não é apropriada aos tempos modernos, afirma-se. Precisamos de novos modelos. E quais os resultados disso tudo? Paulatinamente, retornam os costumes anteriormente considerados bárbaros: o infanticídio é praticado até mesmo pelos pais que, descontentes com o nascimento de um filho, o abandonam ou os atiram à morte; as lutas de gladiadores, que jamais imaginávamos que pudessem voltar a existir, atualizaram-se, e aí estão os ditos combates de UFC, ou seja lá que nome tenham os modernos lutadores que, por enquanto, ainda não chegam à morte, a não ser de forma acidental. É esta a moral que serve para o nosso mundo moderno. Não precisamos falar nada sobre a moralidade e o que era chamado de “bons costumes”. Mas, a respeito do infanticídio, ele ainda consegue chocar a sociedade quando ocorre nos casos de abandono ou mesmo de assassinato puro e simples (crianças arremessadas pela janela, como vimos há algum tempo atrás, por exemplo). Já em relação àquelas que sequer conseguiram ver a luz do dia, o caso é bem outro.
            Quais membros do conselho de anciãos de Esparta, que determinavam que os recém-nascidos com deficiências físicas fossem lançados do Monte Taigeto, nossa suprema corte acaba de definir que um feto portador de anencefalia não precisa nascer, pois não é um ser humano. É um natimorto, que não compensa deixar que se desenvolva. Não entro em pormenores médicos, dos quais pouco ou nada entendo, mas não me parece, por vários casos conhecidos, que tais crianças não consigam sobreviver. Pelo menos, por algum tempo, durante o qual possuem o direito inalienável à vida, garantido em nossa constituição, e de sentir o amor dos pais que, sim, não desejaram um filho nestas condições, mas não podem limitar o seu amor à situação física de uma criança.

Esqueceram-se, ainda, os nossos magistrados, argumentando que o Estado é laico, a existência da lei natural, a qual garante os direitos básicos a todos os seres humanos, sendo que esta independe das religiões. O direito à vida, primeiro entre todos, foi definido inclusive pela Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, da Revolução Francesa, movimento totalmente laico e até, em grande parte, anti-religioso. E isso foi feito para coibir os Estados que se consideravam detentores do poder de vida e morte sobre seus súditos. O Estado, que deveria ser o primeiro defensor da vida dos seus cidadãos, desde o instante mesmo da fecundação, principalmente pelo fato de que arrecada impostos para isso, tornou-se, uma vez mais, o definidor do destino final de crianças que, se ainda estão se formando no útero materno, já são possuidoras de uma existência própria e não são, ao contrários do que foi dito, uma espécie de zumbis que não podem vir à nossa existência. A dor de uma mãe com um filho em tais condições nos braços é, realmente, enorme. Mas ela um dia irá se recordar deste filho como alguém que amou, e não como algo que desprezou. Neste último caso, como será a dor dessa mãe? Ou, estamos tão anestesiados moralmente que sequer conseguimos imaginar que isso venha a ocorrer?
            Mas o que causou maior espanto foram as comemorações de grupos pretensamente defensores dos direitos humanos quando da divulgação do resultado da votação no STF. Comemoravam o quê? O assassinato, puro e simples, de inocentes? A que ponto chegamos. Cícero, destacado senador romano no primeiro século antes de Cristo, ao discursar a respeito da desagregação moral de Roma, não usaria outra expressão hoje, além daquela que empregou: “o tempora, o mores”. Ó tempos, ó costumes. Vamos comemorar a matança dos inocentes, à semelhança de Herodes. Estamos livres de um estorvo. O Estado, que deveria ser o primeiro a garantir o direito do cidadão, voltou a determinar quem deve nascer e quem deve morrer.

E, para concluir, uma declaração de um defensor do aborto, comentando que não há perigo de se generalizar os casos permitidos por lei, fez uma declaração bem esclarecedora: “ainda é cedo para falar em descriminalização do aborto de forma irrestrita”. Ainda. Vale lembrar que Esparta, que matava os seus recém-nascidos, não deixou nenhuma herança para o mundo moderno a não ser esta triste lembrança e a de que os seus habitantes eram propriedade do Estado. Laico. Realmente, a “moral judaico-cristã” deve ser uma coisa ultrapassada.

* o autor é membro da Fraternidade Nossa Senhora da Glória - OFS de Valença/RJ;  Professor,  doutorando em História pela UERJ, membro da Academia Valenciana de Letras. Contato: raimundomattos@bol.com.br.

domingo, 22 de abril de 2012

A comunicação a serviço da vida comunitária.

Por: Frei Donil Alves, OFMConv (de Pedro Romero)


É possível superar as contra-indicações que se interpõem na comunicação e na vida comunitária? É possível aproveitar o dinamismo psicológico  para melhorar as relações interpessoais?
Se tivermos uma resposta positiva é preciso que a comunidade facilite ao menos a vivência dos valores do Reino ( aqueles que o Espírito comunica) e que deve expressar a fraternidade da vida comunitária e exercer assim sua função: O Testemunho. Ele pode nos ajudar a nos tornar mais fraterno.
Creio que uma correta comunicação interpessoal pode facilitar a vida comunitária. Devemos reconhecer que não é uma tarefa fácil, mas é importante tentar, pois a dimensão humana tende a se impor sobre a experiência religiosa e até mesmo a bloqueá-la.
Podemos partir de uma convicção pessoal: é possível comunicar melhor e, assim, tornar evangelicamente mais fraterna a vida Religiosa. Digo isto porque acredito na capacidade que a pessoa possui para integrar de maneira positiva aqueles elementos de nossas experiências pessoais e projeta-las a uma melhor comunicação. Aprender a comunicar-se é completar e melhorar a própria personalidade que assim atine sua maturidade psico afetiva, um maturidade que muitos autores chegam a considerar “Um caminho de fé”.
Como fazer isto? Como reconstruir condutas contaminadas por aspectos inconscientes da personalidade? Como refazer as relações? Como corrigir hábitos adquiridos de comunicação negativa? Aqui, abre-se um grande horizonte, tão grande como é a pessoa em relação. Não é bom complicar as coisas, mas também não é fácil simplifica-las. É preciso alimentar o DESEJO. Não nos tornamos religiosos para alimentar uma perfeição individualista, à margem dos demais, pois a perfeição cristã só é alcançada em COMUNHÃO.  Para haver comunhão é preciso haver relação interpessoal, e esta relação com todos os seus dinamismos e abertos aos frutos do espírito, condiciona a relação fraterna. Por isso, é preciso cuidar da dimensão pessoal do humano em  sua totalidade: afetivo, social, moral, intelectual, espiritual;  assim o religioso, recorda que precisa dos outros para medir seu equilíbrio emocional. O ser humano se aperfeiçoa nas muitas dificuldades que apresentam nas relações humanas: mede sua capacidade de resistência, afirma sua personalidade, se enriquece no contato com os demais e contribui para o crescimento humano dos outros. A pessoa não é um ser solitário,e  sim um ser solidário. Por isso, o propósito de alcançar a perfeição evangélica deve ser entendido como o PRINCIPAL OBJETIVO DE SUA CONSAGRAÇÃO.  Não se trata de uma perfeição individual, mas solidária.
Um dos grandes meios para alcançar esta perfeição é orientar as tendências do amor, porque a comunicação pressupõe reciprocidade amorosa ( nas linguagens verbais e não-verbais). Esta reciprocidade é essencial para que haja  experiências constantes, ora bem sucedidas, ora mal sucedidas, mas o mais importante é alimentar o DESEJO de realizar a dimensão social da pessoa. Esta frase é muito importante. O desejo é um recurso importante que mobiliza a personalidade. Pode ser ao mesmo tempo estímulo e motivo; tão forte que brota da essência do nosso ser; assim quanto melhor nos comunicar-nos com o melhor de nós mesmos, maior será a qualidade humana demonstrada, e isso aumenta a auto-estima.
Com isto o ser humano, e não somente os religiosos têm uma tarefa larga e um desafio muito grande pela frente, isto porque reconhecemos que as realidades humanas são imperfeitas e está sujeita as múltiplas surpresas. Encontramos em nossos caminhos correntes sociais que circulam com muita força e acentuam os efeitos do individualismo: déficit de comunicação, dificuldade de chegar a um consenso, potenciação das características diferenciadas; ver os outros como competidores, situar os interesses pessoais à margem da comunidade, carência de gratificações recíprocas.

Tudo isto, longe de desanimar, deve estimular o cumprimento das tarefas na vida religiosa. A partir da auto-estima, como grande estímulo ao crescimento pessoal, o religioso deve procurar se conhecer em si e em relação, corrigir sua própria personalidade e construir para a cura a dinâmica comunitária na qual vive.

* Pesquisa sobre o texto de Pedro Romero do livro "Comunicação e vida comunitária" Edições Paulinas: São Paulo. 2012. 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ad multos annos, Sancter Pater!

O Santo Padre, o Papa Bento XVI, completa hoje 85 anos. Ontem, durante a oração do Regina Caeli, ele afirmou sobre o outro aniversário que se aproxima, o de sua eleição ao Sólio Pontifício: “Na próxima quinta-feira, por ocasião do sétimo aniversário da minha eleição para a sede de Pedro, peço-vos que rezem por mim, para que o Senhor me dê a força de cumprir a missão que me foi confiada”.

℣. Oremus pro Pontifice nostro Benedicto.
℟. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.

℣. Tu es Petrus,
℟. Et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam.

Oremus.

Deus, omnium fidelium pastor et rector, famulum tuum Benedictum, quem pastorem Ecclesiae tuae praeesse voluisti, propitius respice: da ei, quaesumus, verbo et exemplo, quibus praeest, proficere: ut ad vitam, una cum grege sibi credito, perveniat sempiternam.
Per Christum, Dominum nostrum.
℟. Amen.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Convocações - Abril de 2012

Dileto(a) Amigo(a) espiritual,
Que o Senhor te dê a paz!

Cristo Ressuscitou, Aleluia!
Neste mês de abril nós do Convocações queremos celebrar com você, estimado(a) benfeitor(a), a vitória da Cruz de Cristo e da ressurreição do Senhor. São Paulo nos ensina que a alegria que move a nossa esperança e a nossa fé é a certeza da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esse é o nosso diferencial enquanto cristãos: nós sabemos que a morte não tem a última palavra em nossa vida. Nós cremos na vitória do amor sobre o ódio; da vida sobre a morte. E isso nos move a seguirmos em frente, ainda que o mundo pareça nos dizer o contrário. A nossa esperança não é vã, pois sabemos em quem colocamos a nossa confiança. Deus é fiel e honra a sua promessa de estar sempre junto a nós. Por isso, após esses dias quaresmais onde não rezamos o Glória e nem catamos o Aleluia, queremos junto com toda a Igreja proclamar a Boa Nova que nos salva: Deus nos ama e entregou a vida por nós numa cruz para que tenhamos vida em plenitude. Não há prova de amor maior do que dar a vida por quem se ama. E isso Deus fez por todos e cada um de nós. Por esse motivo queremos dizer, como São Francisco, em todos os lugares do mundo: “É preciso amar o Amor!”
NOSSA VIDA...
Na busca da proclamação do amor de Deus pelos homens, os nossos frades estudantes, tal como São Francisco fazia, saíram em missão para algumas paróquias a fim de ajudar os párocos nas celebrações da Semana Santa e com o desejo de que em todos os cantos do Brasil e do mundo a Semana Maior da Igreja seja vivida com intensidade e devoção.
Neste sentido, Frei Fábio foi para o Distrito de Jacarandira no povoado do Cajuru em Resende Costa (MG).
Frei Leonardo, juntamente com o nosso custódio provincial, Frei Antonio Molisani, retornou à cidade de Vila Velha (ES); Frei Luis Henrique ajudou nas celebrações de Contagem (MG); Frei Marcelo serviu ao Povo de Deus da cidade de Ubá (MG).
Frei Michel serviu à Igreja presente no Povoado de Ouro Fino da cidade de Oliveira (MG); Frei Paulo auxiliou nas celebrações em Santos Dumont (MG).
Frei Donil, nosso formador, foi ajudar nas celebrações de São João Del Rey;e Frei Willian retornou à Sabará (MG) para ajudar nas celebrações locais. Convém destacar, serviço prestado pelos nossos frades e formandos de Petrópolis às comunidades presentes no Vale do Carangola em Petrópolis (RJ). Além disso, em todas as nossas paróquias celebramos com devoção e piedade essa Semana Santa.
MAIS NOVIDADES...

Este mês estaremos também nos alegrando com a ordenação presbiteral de Frei Luis Fernando Lima Rangel, OFMconv, que será realizada dia 28 de abril às 10h, na Paróquia deSanta Luzia (Av. das Lagoas, 12 - Gardênia Azul - Jacarépaguá - Rio de Janeiro/RJ). Venha e traga a sua família para participar da nossa alegria alcançada graças à sua ajuda.
Nós, frades e formandos, queremos mais. Temos consciência de que aquilo que fazemos ainda é pouco. Queremos gastar a nossa vida na realização do Reino de Deus e na construção de um mundo mais fraterno e solidário; um mundo de paz e bem. Para isso, nós contamos com as suas orações e ajuda.
São Francisco nos ensina:
“Comece fazendo onecessário e depois o possível e de repente estará você fazendo o impossível”.
FALE CONOSCO:
Nós estamos sentindo falta das suas intenções de oração em issa, bem como de participar mais da sua vida retirando as suas possíveis dúvidas de fé e de vida. Nós queremos levar um diálogo de fé. Queremos lhe ouvir, ter um encontro pessoal, sermos, de fato, amigos. Portanto, quando quiser e necessitar, não se acanhe, entre em contato conosco, escreva-nos uma carta ou mande-nos um e-mail. Ficaremos muito felizes em servir e ajudar a quem tanto bem nos faz.

E como nunca é demais lembrar:
Cada jovem, que nos procura, vem aos nossos encontros vocacionais e entra para a nossa Ordem, precisa da sua ajuda para que não morra no coração dele a semente vocacional plantada por Deus. Por isto, precisamos de sua ajuda para continuar tornando realidade o sonho de São Francisco.

Que o Senhor vos recompense!!!

sábado, 7 de abril de 2012

Pela vida da mãe e de seu filho

Por Dom Odilo P. Scherer*
De novo, em pauta a questão do aborto. Estamos num ano eleitoral, os partidos vão costurando suas alianças e, como não podia deixar de ser, na pauta dos ajustes também entram questões polêmicas, em discussão há mais tempo pela opinião pública e também no Congresso Nacional.

Há quem gostaria que certos temas delicados não estivessem nos grandes debates político-eleitorais, talvez para não exigir uma tomada de posição clara perante os eleitores; prefere-se, então, qualificá-las como "questões religiosas", das quais o Estado laico não se deveria ocupar, nem gastar tempo com elas na discussão política... Não penso assim. Decisões sobre a vida e a morte de outros seres humanos, sobre o modelo de casamento, família e educação, sobre justiça social e princípios éticos básicos para o convívio social são questões do mais alto interesse e relevância política. Dizer que são "temas religiosos" significa desqualificar a sua discussão pública, relegando-os à esfera da vida privada, ou ao ativismo de grupos voltados mais para interesses particulares do que para o bem comum. Tirar da pauta política esses temas também poderia sugerir que pessoas sem religião não precisam estar vinculadas a valores e convicções éticas, o que é falso e até ofensivo.

Preocupo-me quando ouço que, no Brasil, a cada ano são realizados mais de 1 milhão de abortos "clandestinos" e que tantas mil mulheres (número bem expressivo!) morrem em consequência de abortos mal feitos! Há algo que não convence nesses números e afirmações. Sendo clandestinos, como pode alguém afirmar com tanta certeza dados tão impressionantes? Maior perplexidade ainda é suscitada quando isso é afirmado por uma autoridade representativa do Estado, mostrando que tem, supostamente, conhecimento seguro de uma violação aberta e grave da lei e nada fazendo para que ela seja respeitada para preservar tantas vidas! De fato, continua valendo a lei que veta o aborto indiscriminado no Brasil.
Esses números assombrosos ou estão pra lá de superdimensionados e manipulados para pressionar e atingir, de maneira desonesta, objetivos almejados, ou, então, alguém está faltando com seu dever de maneira consciente e irresponsável, deixando que a lei seja violada impunemente, em casos tão graves, nos quais vidas humanas inocentes e indefesas são ceifadas, às centenas de milhares, ou até na conta dos milhões!
É lamentável a morte de cada mulher em consequência de um aborto clandestino e mal feito. Lamentável também, e muito, é a sorte trágica de cada ser humano que tem a sua vida tolhida antes mesmo de ter visto a luz. Se há um problema de saúde pública a ser encarado, a solução não deveria ser a instrumentalização dessa tragédia humana para promover a legalização do aborto. Dar roupagem legal à tragédia curaria a dor e faria sossegar a consciência? Questão de saúde pública deve ser enfrentada com políticas voltadas para a melhoria da saúde e das condições de vida, e não para a promoção da morte seletiva. Uma campanha de conscientização sobre a ilegalidade das práticas abortistas protegeria melhor a mulher e o ser que ela está gerando. Haveria muito a fazer para alertar contra os riscos do recurso às clínicas - nem tão clandestinas - de "interrupção da gravidez". Alguém conhece alguma campanha do governo ou alguma política pública para desestimular práticas abortivas contrárias à lei e arriscadas para a saúde da mulher? Não seria o caso de fazer?
Está em curso a discussão sobre a reforma do Código Penal Brasileiro; em muitas coisas, certamente, ele deverá ser revisto e adequado. Chama, no entanto, a atenção e merece uma reflexão atenta da sociedade a proposta relativa ao artigo 128, sobre novos casos de aborto "não puníveis", além dos dois casos já previstos - risco de vida para a mãe e gravidez resultante de estupro (cf. http:/migre.me/845Dp).

No inciso I do artigo 128, propõe-se que não haja crime "se houver risco de vida ou à saúde da gestante". A alusão ao "risco à saúde da mulher" é absolutamente vaga e, por si só, já ofereceria base para a universalização do aborto legal. No inciso II, propõe-se que não haja crime se a gravidez resultar de "violação da dignidade sexual, ou do emprego de técnica não consentida de reprodução assistida". O que se pretende qualificar como "violação da dignidade sexual"? O delito, neste caso, não aparece configurado e poderia ser facilmente alegado, sem que ninguém fosse capaz de comprovar a real ocorrência dos fatos. Além disso, a "reprodução assistida" já está legalizada e regulamentada no Brasil?
No inciso III do mesmo artigo, propõe-se que não haja punibilidade quando "comprovada a anencefalia, ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado pelo médico". Além da anencefalia, já em discussão no Supremo Tribunal Federal, acrescentam-se outras "graves e incuráveis anomalias", o que é preocupante, pois isso abriria as portas para uma inaceitável, do ponto de vista ético, "seleção pré-natal" dos indivíduos considerados "aptos" a viver e o descarte de outros, considerados "inviáveis". É o controle de qualidade aplicado ao ser humano, já praticado em tempos passados por regimes condenados quase universalmente por suas práticas eugênicas. Vamos legalizar isso no Brasil agora?! No inciso IV, propõe-se que, "por vontade da gestante até a 12.ª semana de gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade", o aborto poderia ser praticado sem penalidades. Passa-se ao médico o peso da decisão sobre a vida ou a morte de seres humanos. Acho isso absolutamente inadequado!

É preciso refletir muito, para não legalizar a banalização da vida humana.    
*CARDEAL-ARCEBISPO DE SÃO PAULO

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