Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

sábado, 3 de março de 2012

Entendendo a Liturgia: Gestos Litúrgicos, Leitores, Ministério de Música e Equipe de Liturgia (Parte 3/4)


  Gestos Litúrgicos
A atitude comum do corpo, que todos os participantes na celebração devem observar, é sinal de unidade dos membros da comunidade cristã reunidos para a sagrada Liturgia: exprime e favorece os sentimentos e a atitude interior dos presentes (Nova IGMR 42)
—   AS MÃOS - Que ora se erguem em louvor; ora se estendem em abertura e oferecimento; ora se elevam em súplica; ora se juntam em recolhimento; ora se abrem em oferta. Também se faz a imposição de mãos nas ordenações.
 
OS PÉS - Não só caminham nas procissões litúrgicas, em sentido simbólico de peregrinação, como também se prestam para o ritmo de danças. Na missa da Quinta-Feira Santa são lavados em memória do mandamento novo da última Ceia do Senhor com seus discípulos. Podemos pensar nos pés do Cristo Peregrino, nas estradas difíceis da Palestina, identificados com os nossos pés, na difícil caminhada de nossa vida.
 
OS OLHOS - Na leitura eucarística, principalmente, os olhos devem ver, enxergar, contemplar. Aqui o mistério é "visto". Daí, a atenção que se requer para os movimentos litúrgicos que se realizam no altar.
 
OS OUVIDOS - Na Liturgia da Palavra, nosso sentido auditivo é chamado a participar mais vivamente. Trata-se de ouvir, como no Antigo Testamento: "Ouve Israel...", a oração judaica mais preciosa (o Shemá judaico, no convite de Dt 6,4).
 
PALADAR E OLFATO – São dois sentidos quase “despercebidos” na Celebração Litúrgica, na Liturgia Eucarística tem seu lugar ao receber o Corpo e o sangue do Senhor!
  Genuflexões
  A genuflexão, que se faz dobrando o joelho direito até ao solo, significa adoração; é por isso reservada ao Santíssimo Sacramento e à santa Cruz desde a solene adoração na Ação litúrgica da Sexta-Feira da Paixão do Senhor, até ao início da Vigília pascal.
  Na Missa, o sacerdote celebrante faz três genuflexões: após a ostensão da hóstia, após a ostensão do cálice e antes da Comunhão.
  Mas, se o sacrário com o Santíssimo Sacramento estiver no presbitério, o sacerdote, o diácono e os outros ministros genufletem, quando chegam ao altar, ou quando se afastam dele, não, porém, durante a própria celebração da Missa.
  Aliás, todos os que passam diante do Santíssimo Sacramento genufletem, a não ser quando se vai em procissão.
   Os ministros que levam a cruz processional ou os círios, em vez de genufletirem fazem uma inclinação de cabeça. (Nova IGMR 274)
  Inclinações (vênia)
    A inclinação significa a reverência e a honra que se presta às próprias pessoas ou aos seus símbolos. As inclinações são de duas espécies: inclinação de cabeça e inclinação do corpo.
  a) A inclinação de cabeça faz-se ao nomear as três Pessoas divinas conjuntamente, ao nome de Jesus, da Virgem Santa Maria e do Santo em cuja honra é celebrada a Missa.
  b) A inclinação do corpo, ou inclinação profunda, faz-se: ao altar; às orações Purificai o meu coração e De coração humilhado; no Símbolo às palavras E encarnou pelo Espírito Santo no Cânone Romano às palavras Humildemente Vos suplicamos Também o diácono faz inclinação profunda ao pedir a bênção, antes da proclamação do Evangelho. Além disso, o sacerdote faz uma pequena inclinação enquanto diz as palavras do Senhor, na consagração.
  Estar de pé:
  Os fiéis estão de pé: desde o início do cântico de entrada, ou enquanto o sacerdote se encaminha para o altar, até à oração coleta, inclusive; durante o cântico do Aleluia que precede o Evangelho; durante a proclamação do Evangelho; durante a profissão de fé e a oração universal; e desde o invitatório “Orai, irmãos”, antes da oração sobre as oblatas, até ao fim da Missa, exceto nos momentos adiante indicados.
  E um dos importantes gestos da tradição litúrgica, pois demonstra a nova condição do batizado em Cristo, a saber, a do homem ressuscitado, livre de toda escravidão (Gl 5,1; Ap 7,9; 15,2), levantando da queda (Lc 21,28). Sinal de respeito e prontidão!
  Estar sentados:
  Estão sentados: durante as leituras que precedem o Evangelho e durante o salmo responsorial; durante a homilia e durante a preparação dos dons ao ofertório; e, se for oportuno, durante o silêncio sagrado depois da Comunhão. Sinal de escuta, aprendizado e ensinamento (O Bispo faz a pregação sentado na cátedra, de mitra e báculo, salvo se lhe parecer melhor de outro modo./ Cerimonial dos bispos N° 17), e  a pronta atenção aos atos litúrgicos.
  Estar de joelhos:
  Estão de joelhos durante a consagração, excepto se razões de saúde, a estreiteza do lugar, o grande número dos presentes ou outros motivos razoáveis a isso obstarem. Aqueles, porém, que não estão de joelhos durante a consagração, fazem uma inclinação profunda enquanto o sacerdote genuflecte após a consagração. (Nova IGMR 43)
  Outras posturas:
  Para se conseguir a uniformidade nos gestos e atitudes do corpo na celebração, os fiéis devem obedecer às indicações que, no decurso da mesma, lhes forem dadas pelo diácono, por um ministro leigo ou pelo sacerdote, de acordo com o que está estabelecido nos livros litúrgicos.
            Entre os gestos contam-se também: as ações e as procissões do sacerdote ao dirigir-se para o altar com o diácono e os ministros; do diácono, antes da proclamação do Evangelho, ao levar o Evangeliário ou Livro dos evangelhos para o ambão; dos fiéis ao levarem os dons e ao aproximarem-se para a Comunhão. Convém que estas ações e procissões se realizem com decoro, enquanto se executam os cânticos respectivos, segundo as normas estabelecidas para cada caso.
  O silêncio
            Também se deve guardar, nos momentos próprios, o silêncio sagrado, como parte da celebração. A natureza deste silêncio depende do momento em que ele é observado no decurso da celebração. Assim, no ato penitencial e a seguir ao convite à oração, o silêncio destina-se ao recolhimento interior; a seguir às leituras ou à homilia, é para uma breve meditação sobre o que se ouviu; depois da Comunhão, favorece a oração interior de louvor e ação de graças.
                  Antes da própria celebração é louvável observar o silêncio na igreja, na sacristia e nos lugares que lhes ficam mais próximos, para que todos se preparem para celebrar devota e dignamente os ritos sagrados. (Nova IGMR 44-45)
  Atenção!
  Expressão corporal: é a comunicação do corpo. Nosso modo de olhar, gesticular, entrar na Igreja, tudo revela nosso interior. Por vezes, fazemos o sinal-da-cruz tão apressadamente e sem concentração, que mais parece o gesto de espantar moscas! É que estamos distraídos, então o gesto torna-se mecânico. Nesse caso, há incoerência, pois falta sintonia entre o que deveríamos expressar e o que de fato expressamos. Nunca estar na Igreja como se estivesse num banco de praça ou num cinema!

¨  Cantos & leitura na Celebração Eucarística
¨  Cantar a Missa!

¨  “Reunido o povo, enquanto o sacerdote entra com os ministros, começa o canto de entrada. A finalidade desse canto é abrir a celebração, promover a união  da assembléia, introduzir no mistério do tempo litúrgico ou da festa, e acompanhar a procissão do sacerdote e dos ministros”(IGMR n.25)
¨  Durante a missa, todas as músicas fazem parte de cada momento. Através da música participamos da missa cantando. A música não é simplesmente acompanhamento ou trilha musical da celebração: a música é também nossa forma de louvarmos a Deus. Daí a importância da participação de toda assembléia durante os cantos.
¨  Cantar “A Missa”
e não “na Missa”.
¨  O canto litúrgico está a serviço do louvor de Deus e de nossa santificação. Não é apenas para embelezar a missa, mas ajudar toda a assembléia a rezar. E cada canto deve estar em plena sintonia com o movimento litúrgico que se celebra, a fim de que não se cante “na missa”, mas se cante “a missa”.
¨  O que cantar em uma celebração?
O que é importante é cantar a liturgia, priorizando aclamações e repostas da assembléia, os textos próprios da Missa...
¨  Critérios do canto litúrgico:
¨  Sejam de inspiração bíblica;
¨  Tenham referência ao mistério pascal;
¨  Leve em conta a realidade do povo.
¨  Cantos Litúrgicos X Cantos Animação:
¨  Cantos de Animação (louvor ou religiosos): São cantos com mensagens religiosas e ritmos de animação, que são cantos para encontros, grupos de oração, peregrinações, apresentações...
¨  Cantos Litúrgicos: Cantos adequados aos ritos da liturgia.
¨  Lembremos que existe os “cantos devocionais popular*” que nunca devem fazer parte da Liturgia, por muitas vezes contradizer aos elementos Litúrgicos, Bíblicos e da fé da Igreja.
¨  (* nomenclatura criada pelo expositor)
Os ritos que podem ser cantados na celebração Eucarística:
¨  Entrada: Reunido o povo, enquanto entra o sacerdote com o diácono e os ministros, inicia-se o cântico de entrada. A finalidade deste cântico é dar início à celebração, favorecer a união dos fiéis reunidos e introduzi-los no mistério do tempo litúrgico ou da festa, e ao mesmo tempo acompanhar a procissão de entrada do sacerdote e dos ministros.

¨            O cântico de entrada é executado alternadamente pelos cantores e pelo povo, ou por um cantor alternando com o povo, ou por toda a assembleia em conjunto, ou somente pelos cantores. Pode utilizar-se ou a antífona com o respectivo salmo que vem no Gradual Romano ou no Gradual simples, ou outro cântico apropriado à ação sagrada ou ao carácter do dia ou do tempo, cujo texto tenha a aprovação da Conferência Episcopal (Nova IGMR 47/48).
¨  Ato Penitencial: É um canto de repouso e não de movimento, sendo uma aclamação a Cristo, com forte caráter de inovação penitencial. Cabe aqui dizer, que o “Senhor, tende piedade” não  pertence necessariamente ao ato penitencial. Este se dá após a absolvição do padre e é um canto que clama pela piedade de Deus, os vocativos presentes em cada frase referem-se a Jesus Cristo, aquele que intercede ao Pai por nossos pecados. Neste caso, não deve ser excluído o Senhor, tende piedade de nós (Kýrie, eléison)!
¨  Hino de Louvor: Espécie de salmo composto pela Igreja, o glória é uma mistura de louvor e súplica, em que a assembléia congregada no Espírito Santo, dirige-se  ao Pai e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto deste hino por outro. É começado pelo sacerdote ou, se for oportuno, por um cantor, ou pela schola, e é cantado ou por todos em conjunto, ou pelo povo alternando com a schola, ou só pela schola. Se não é cantado, é recitado ou por todos em conjunto ou por dois coros alternadamente.

¨  Canta-se ou recita-se nos domingos fora do Advento e da Quaresma, bem como nas solenidades e festas, e em particulares celebrações mais solenes. (Nova IGMR 53)
¨   
¨  Salmo Responsorial:
  • Este é o único que é essencialmente um Salmo ou canto bíblico. Tem a função de ser um eco da palavra de Deus, uma resposta, uma verdadeira meditação. Não usa anunciá-lo e evite-se o “todos” para a resposta da assembléia. Como é a Palavra de Deus cantada, esta deve ser feita no Ambão da Palavra.
¨  Aclamação:
  • Um clamor, à palavra e ação de Deus, a participação deve ser solene por toda a assembléia. Durante a quaresma, o refrão “aleluia”, é substituído por outro texto aclamativo. Deve ser cantado durante a procissão com o Evangeliário. Nos domingo é indicado pelas rubricas, conforme o tempo litúrgico um refrão apropriado ao Evangelho do dia e este que pode ser cantado!
  • O Creio: Se for cantado, que seja numa simples cantilena e não numa extensa estrutura musical. Deve manter o conteúdo do símbolo apostólico tradicional.
¨  Preparação das Oferendas: Sua função é acompanhar a procissão dos dons, e acompanhar o rito de preparação das Oferendas. O canto não é proibido, mas deve procurar durar exatamente o tempo da apresentação das oferendas, para que o sacerdote não fique esperando para dar prosseguimento à celebração.
¨  Santo: Inicia o centro e o cume de toda a celebração eucarística, que é a narrativa da instituição. Seu sentido é que toda a congregação dos fieis se uma a Cristo na proclamação das maravilhas de Deus.
¨  A oração eucarística é o centro e ápice de toda celebração, é prece de ação de graças e santificação. O sacerdote convida o povo a elevar os corações ao Senhor na oração e na ação de graças e o associa à prece que dirige a Deus Pai por Jesus Cristo em nome de toda comunidade. O sentido desta oração é que toda a assembléia se una com Cristo na proclamação das maravilhas de Deus e na oblação do sacrifício” (IGMR 54).
¨  Pai-Nosso: Uma preparação para a comunhão com o Senhor. Deve ser rezado (cantado) com dição calma e compassada, de pausas e de canto leve, quando cantado, deve manter os termos da oração ensinada pelo próprio Jesus Cristo aos discípulos.
¨  Canto de Comunhão: Acompanhar e solenizar a participação dos fiéis à Eucaristia e a caridade fraterna e comunhão no Mistério Pascal de Jesus Cristo, podendo ter um conteúdo que lembre o Evangelho do dia e nunca usar cantos de adoração e nem de louvor para este rito.
¨  Ação de graças: São três possibilidades para realizar o agradecimento. Seja um momento de silêncio (mais recomendado) ou um canto instrumental ou um canto de louvor a Trindade que esteja em sintonia com a liturgia celebrada não use o “canto religioso (louvor)” e nunca o “canto devocional popular”.
¨  Canto de despedida: Canto de dissolução da Assembléia, com estímulo para a semana. Aconselha-se um canto mariano ou de envio! Não existe o “canto final”...
¨  Nota:
¨  O cumprimento da Paz (canto de Paz)
¨  É um gesto simbólico, representando nosso bem-querer ao próximo. Por ser um gesto simbólico não há a necessidade em sair do local para cumprimentar a todos na Igreja. Se todos tivessem em mente o simbolismo expresso nesse momento não seria necessária a dispersão que o caracteriza na maioria dos casos. Também não é conveniente que se cante durante esse momento, uma vez que deveria durar pouco tempo. A música pode ficar para Missas celebradas em pequenos grupos.
¨  “Cordeiro de Deus”  se for cantado deve ser em seguida o rito da paz, quando este houver, ou após a oração da paz. Enquanto o sacerdote parte o pão e deita uma parte da hóstia no cálice, o coral ou um cantor canta ou pelo menos recita em voz alta a invocação Cordeiro de Deus, a que todo o povo responde. A invocação acompanha a fração do pão, pelo que pode repetir-se o número de vezes que for preciso, enquanto durar o rito. Na última vez conclui-se com as palavras: Dai-nos a paz.
¨  Nota II:
¨  O que não devemos esquecer:
¨  - A atitude da acolhida
- Favorecer um clima de silêncio
- O canto de entrada não é preciso anunciá-lo: basta iniciar
- O canto de entrada não é para acolher o Padre, mas é expressão da fé da comunidade reunida. Deve estar sempre relacionado com o tempo litúrgico. Pode ser também um salmo.
- O beijo no altar, pouco valorizado, significa, no entanto, beijar o próprio Cristo, Pedra Angular.
- Quem preside deve ficar sempre no altar de forma solene e discreta!
- As primeiras palavras do presidente deve ser as palavras bíblicas: Em nome do Pai... O presidente não deve dizer “bom dia” ou “boa tarde”, porque isto já foi falado pelo comentarista...
- Aos domingos é oportuno que se faça a procissão de entrada, da qual deve compreender, basicamente:
¨  A cruz
¨  Os coroinhas (se houver)
¨  Os ministros
¨  O celebrante
¨    O Apóstolo exorta os fiéis, que se reúnem à espera da vinda do Senhor, a que unam as suas vozes para cantar salmos, hinos e cânticos espirituais (cf. Col 3, 16). O canto é sinal de alegria do coração (cf. Atos 2, 46). Bem dizia Santo Agostinho: “Cantar é próprio de quem ama”[48]. E vem já de tempos antigos o provérbio: “Quem bem canta, duas vezes reza”. (Nova IGMR 39)
¨  Leituras:
¨  Na celebração Eucarística podemos perceber dois grandes ritos principais: Rito da Palavra (Liturgia da Palavra) e Rito Eucarístico (Liturgia Eucarística). Vamos entender a importância das leituras no Rito da Palavra.
¨  Quando na Igreja se lê a Sagrada Escritura, é o próprio Deus quem fala ao seu povo, é Cristo, presente na sua palavra, quem anuncia o Evangelho.
¨  Por isso as leituras da palavra de Deus, que oferecem à Liturgia um elemento da maior importância, devem ser escutadas por todos com veneração. E embora a palavra divina, contida nas leituras da Sagrada Escritura, seja dirigida a todos os homens de todos os tempos e seja para eles inteligível, no entanto a sua mais plena compreensão e a sua eficácia são favorecidas por um comentário vivo, isto é, a homilia, que faz parte da ação litúrgica (Nova IGMR 29)
¨  Palavra: é o meio mais comum da comunicação entre as pessoas. Temos que tomar cuidado com a palavra, pois ela pode ser fonte de um mal entendido, podemos usa-la para omitir a comunicação ou até mesmo conturbar a própria comunicação.
¨  Liturgia da Palavra
¨  a) Importância da Palavra de Deus na Liturgia:
¨  Na liturgia o lugar especial. Ela é a palavra viva e atual do Senhor: é Cristo Ressuscitado no meio de nós.
¨  A primeira função da palavra de Deus na Missa é convocar a assembleia para celebrar o Mistério de Cristo.
¨  A segunda função da Palavra de Deus é anunciar a realidade de Cristo Ressuscitado presente no meio de nós:
¨  - é o mesmo Cristo que abre os olhos aos cegos...
- que faz ouvir os surdos, andar os coxos
- que liberta os pobres...
¨  Por isso é que respondemos: “Palavra da Salvação – Palavra do Senhor”
¨  O Cristo que nós escutamos é o mesmo que foi anunciado no Antigo Testamento: a partir do Êxodo, referência fundamental para os judeus, ao longo de toda história do povo de Deus, passando pelos Salmos e Profetas:
¨  As leituras bíblicas na Missa
¨  Na missa dominical são lidos os quatros evangelhos quase que inteiramente e são assim distribuídos:
¨  Ano A: Evangelho de Mateus
¨  Ano B: Evangelho de Marcos
¨  Ano C: Evangelho de Lucas
¨  O evangelho de João é lido durante a Quaresma e o Tempo Pascal, também em algumas festas e solenidades.
¨  A primeira Leitura é sempre tirada do antigo testamento, menos no tempo pascal, no qual se lê os Atos dos Apóstolos.
¨  A primeira leitura está sempre relacionada com o Evangelho.
¨  O Salmo de resposta está sempre relacionado com a primeira leitura.
¨  A segunda leitura é tirada das Cartas e, geralmente, não segue o tema do Evangelho.
¨  Desta forma, em três anos temos a possibilidade de ler quase toda a Bíblia. Além disso, podemos seguir os caminhos de Jesus passo a passo, tendo a possibilidade de aderir a Ele sempre mais profundamente.
¨  As leituras bíblicas dos dias da semana seguem um esquema de dois anos: anos pares e anos ímpares. O Evangelho é o mesmo nos dois anos.
¨  Alguns elementos da Palavra celebrada;
 A leitura deve sempre ser proclamada:
¨  Uma leitura se diz “PROCLAMADA” quando estamos num contexto de celebração.
¨  Uma leitura se diz “LIDA” quando estamos num contexto de reflexão, estudo, comunitário ou pessoal.
¨  O que significa proclamar uma leitura?
¨  - Conhecer muito bem o contexto e o conteúdo da leitura;
- Ter a consciência que estamos transmitindo a mensagem de Deus para o povo;
- Ter a preocupação que o povo efetivamente ESCUTE a mensagem
¨  Quais são as atitudes para escutar a Palavra de Deus?
¨  Requer:
¨  - Gratuidade e disponibilidade de coração ao se deixar tocar, converter pela palavra.
¨ 
- Escuta atenta: a atitude básica é aquela de Maria que aos pés de Jesus, ouvia as suas palavras, quase que pendurada aos seus lábios.
¨   Daí a necessidade de ESCUTAR e não ler no folheto e nem na bíblia. Dificilmente na bíblia conseguimos acompanhar direitinho o leitor, consequentemente podemos perder o fio da mensagem transmitida. Mas o principal motivo fica sempre que a leitura deve se ESCUTADA.
¨  Obs: A leitura – estudo da Palavra de Deus nos grupos (grupos de rua, grupos de oração etc...) é diferente. Nos grupos é o próprio Jesus que fala para nós hoje e nós temos a obrigação de escutar a sua Palavra a sua palavra de vida, para nos converter. Neste Caso a Palavra não tem uma função sacramental, como na Missa, e sim espiritual.
¨   Umas dicas para os leitores:
¨  - A Palavra de Deus deve ser sempre proclamada (pro-clamar) no Ambão da Palavra, reservada somente para este uso.
- O Salmo responsorial também deve ser cantado no Ambão da Palavra, pois ele é Palavra de Deus. Seria bom que o Salmo fosse cantado pelo salmista e não pelo povo, que, porém pode intervir com um refrão, preferivelmente cantado e nunca dizer o “todos”.
- O leitor deve possuir uma leitura suficientemente fluente, pois o povo tem direito de ouvir a mensagem de Deus.
- As leituras sejam proclamadas do Lecionário. Não é oportuno que o leitor leve a sua Bíblia Pessoal e nem use os folhetos.
- O leitor anuncia a Palavra dizendo “leitura da carta de", sem dizer capítulo e versículo e conclui dizendo “Palavra do Senhor”, não diga também “primeira ou segunda leitura”.
- O leitor escalado deve preparar muito bem, mesmo se tem boa leitura, pois o dele é um dos mistérios mais importantes. Deverá também participar da preparação semanal da equipe de liturgia.
¨  Função da homilia:
¨  Fazer uma breve explicação do texto bíblico
¨  Atualizá-lo, ligando-o com realidade da comunidade, mostrando como Deus nos chama a nos converter e a colaborar com ele para a transformação da nossa vida a da nossa sociedade.
¨  Ligar todo anúncio feito nas leituras com a liturgia eucarística, no intuito de introduzir o povo no ministério que está sendo celebrado.
¨  A homilia não deve durar mais de dez a quinze minutos.
¨  Depois da homilia seria oportuno um momento de silêncio para todos interiorizarem a Palavra ouvida e explicada.
¨  Depois do “Credo”, a comunidade eleva a Deus as suas preces. As preces devem ser da comunidade, nelas expressamos a nossa dor, a nossa angustia, mas também as alegrias e as esperanças que nos levam adiante.
¨  Umas dicas para as preces:
¨  As preces devem ser dirigidas Deus Pai
¨  Alguém propõe a intenção de oração e o povo dá o seu consentimento com uma resposta aclamada ou cantada.
¨  A comunidade deve preparar as suas preces, usando as do folheto somente em caso particulares.
¨  Obs: As preces, bem como os comentários deveriam sair da preparação da equipe de liturgia.
¨  É sempre oportuno deixar um momento de silêncio para as pessoas fazerem as suas preces particulares: são os momentos privilegiados de encontro com Deus
¨  Pastoral Litúrgica
¨  SERVIÇO DE ANIMAÇÃO LITURGICA.
Todas as pastorais brotam da liturgia e a ela convergem. A liturgia deve dinamizar todas as pastorais e movimentos. Uma celebração litúrgica não é algo que cai pronto do céu: requer preparação. É uma realidade que deve ser pensada e preparada com muito carinho.
¨  Fazem parte do serviço de animação litúrgica:
¨  a) A equipe de liturgia
¨  b) As equipes de celebração.
¨  c) Ministério de música e leitores.
¨  A equipe litúrgica:
¨  É formada por membros da comunidade que tenham a tarefa específica de celebrar ou que sintam carinho e aptidão para este tipo de serviço.
¨  Ela é formada:
¨  Þ Pelo coordenador/a
¨  Þ Pelo padre e pelos ministros da comunidade
¨  Þ Pelos representantes das pastorais que amem a liturgia e que tenham a tarefa de dinamizar liturgicamente a pastoral
¨  Þ Pelos representantes de cada equipe de celebração
¨  Þ Pelos representantes do canto litúrgico.
¨  Tarefa da equipe de liturgia:
¨  Þ Garantir a vida litúrgica da comunidade
¨  Þ Coordenar as atividades das equipes de celebração e escalá-las para diversas celebrações
¨  Þ Programar e avaliar a atividade da pastoral litúrgica
¨  Þ Favorecer cursos, encontros de formação para equipes de celebração.
¨  Þ Promover a dimensão litúrgica junto a movimentos e pastoral
¨  Þ Manter a ligação com a paróquia e ou setor.
¨  Þ Organizar a preparação semanal para apresentação das leituras, comentários, preces, homilia... (A esta preparação deve participar, pelos menos o coordenador/a).
¨  Þ Se reunir pelo menos uma vez por mês.
¨  Equipe de celebração:
¨   É um grupo de pessoas pertencentes a uma pastoral, movimentos ou que se encarrega de preparar em específica celebração.
¨  Ela é formada:
¨  Þ Pelo coordenador, representante da pastoral.

¨  Þ Pelo comentarista
¨  Þ Pelos leitores e salmistas
¨  Þ Pelos acólitos e pessoas encarregadas da acolhida e coletas
¨  Þ Pelos cantores/as e músicos
¨  Tarefa da equipe de celebração:
¨  Þ Organizar o local da celebração para que seja acolhedor e agradável
¨  Þ Escolher com antecedência os leitores e comentaristas, e, se forem vários, escalá-los.
¨  Þ Fazer a preparação semanal da celebração para o qual foi escalada, junto com a equipe da liturgia.
¨  Þ Nesta preparação semanal devem participar obrigatoriamente leitores escalados para o Domingo seguinte. Nunca se entrega uma leitura a quem não esteja preparado com antecedência.
¨  Þ O comentarista, ao introduzir a leitura, evite dizer o nome do leitor (a proclamação da Palavra não é um espetáculo).
¨  Þ Distribuir as tarefas da celebração e prepará-la a fim de que todos possam participar.
¨  Þ Ser criativos e, ao mesmo tempo, se ater as regras litúrgicas da Região e da comunidade.
¨  Dicas para os comentaristas.
¨  Þ O ministério do comentarista é muito importante porque tem o papel de introduzir, orientar e acompanhar a assembléia em todos os momentos da celebração;
¨  Þ É como o professor que acompanha o aluno para ele aprender.
¨  Þ Se possível personalize os comentários, falando para o povo e não lendo: comentarista não é leitor!
¨  Þ O comentarista deve conhecer muito bem todos os momentos da celebração, especialmente nas festas e solenidades.
¨  Þ Deve também ter conhecimento do mistério litúrgico celebrado, do conteúdo e das leituras.
¨  Þ Os comentários e as leituras devem ser breves e objetivas.
¨  Þ No inicio da celebração deverá falar de forma que a Assembléia se disponha a uma atenta celebração.
¨  Þ Ele pode e deve chamar a atenção sobre os principais momentos da celebração.
¨  Þ Se couber a ele dar avisos e recados, seja breve, claro e objetivo.
¨  Dicas para o Ministério de Música:
¨  Þ O cantor/a na Igreja deve saber que está exercendo um verdadeiro ministério – serviço e como tal se põe a serviço do povo e da comunidade e não de si mesmo.
¨  Þ A escolha das músicas e cantos deve obedecer a um critério litúrgico e nunca se faz a gosto ou de qualquer jeito.
¨  Þ Seria oportuno que, pelos menos dentro da mesma paróquia se cantem os mesmos cantos, como sinal de unidade.
¨  Þ Cantores e tocadores devem ensaiar juntos pelos menos uma vez ao mês ou toda vez que haja um canto novo. Evitam-se longos ensaios antes da celebração.
¨  Þ Entre os músicos haja alguém que saiba mexer com o som para testá-los antes da celebração.
¨  Nota:
¨    A leitura do Evangelho constitui o ponto culminante da liturgia da palavra. Deve ser-lhe atribuída a maior veneração. Assim o mostra a própria Liturgia, distinguindo esta leitura das outras com honras especiais, quer por parte do ministro encarregado de a anunciar e pela bênção e oração com que se prepara para o fazer, quer por parte dos fiéis que, com as suas aclamações, reconhecem e confessam que é Cristo presente no meio deles quem lhes fala, e, por isso, escutam a leitura de pé; quer ainda pelos sinais de veneração ao próprio Evangeliário. (Nova IGMR 60)

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