Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Entendendo a Liturgia: Símbolos, Espaço Sagrado e Ano Litúrgico (parte: 2/4)


  Introdução:
  O ser humano é, ao mesmo tempo, corporal e espiritual. É matéria e espírito. Sua percepção, pois, das realidades espirituais depende de imagens e de símbolos, e sua comunicação só é plenamente objetiva na linha de comunhão. Em todas as civilizações e culturas e em todos os momentos da história, esse dado antropológico é registrado, sem discussões. O homem percebe as coisas pela linguagem própria, viva e silenciosa das coisas e se situa - ele próprio - no mundo do mistério. Tendo consciência de sua realidade transcendente, o homem busca, pois, a comunhão no mistério, que se dá sobretudo na linguagem silenciosa dos símbolos.
  De fato, os símbolos nos mostram, em sua visibilidade, uma realidade que os transcende, invisível. Falam sempre a linguagem do mistério, apontando para além deles próprios. Por aqui pode-se perceber o quanto é útil e necessária na liturgia esta linguagem misteriosa dos símbolos, e eles não têm, como objetivo, explicar o mistério que se celebra, pois o mistério é para ser vivido, mais portanto que ser explicado. A finalidade dos símbolos é adornar, na linguagem simples das coisas criadas, a expressão profunda do mistério, que é invisível.
  Todo símbolo litúrgico deve, pois, mergulhar-nos na grandeza do mistério, sem reduzir este, e sem banalizá-lo, e, como símbolo, deve ser simples, como simples é toda a criação visível. Sua principal função, sobretudo na liturgia, é, pois, comunicar-nos aquela verdade inefável, que brota do mistério de Deus e que, portanto, não se pode comunicar com palavras. Na participação litúrgica devemos passar da visibilidade do símbolo, isto é, de seu sentido imediato, de significante, para a sua dimensão mistérica, invisível, atingindo o significado, que é o objetivo final de toda realidade simbólica. Se o símbolo não nos leva a essa passagem para um nível superior de crescimento espiritual, ou ele já não tem mais força expressiva, simbólica, ou somos nós que falhamos na nossa maneira de participar da liturgia.
  Na liturgia - saibamos - tudo, pois, é simbólico. E a liturgia é descrita como ação simbólica, no sentido mais pleno. Desde a assembléia reunida até a pequenina chama da vela que arde, tudo é expressão simbólica, que nos remete ao abismo do mistério de Deus. Na compreensão desse dado litúrgico está a beleza de todo ato celebrativo, e de sua consciência brota já a alegria pascal, como antecipação sacramental das alegrias futuras, definitivas e eternas.
  Vejamos então algumas noções dos símbolos e procuremos descobrir sua ministerialidade na liturgia.

  “Com especial zelo a Igreja cuidou que as sagradas alfaias servissem digna e belamente ao decoro do culto, admitindo aquelas mudanças ou na matéria, ou na forma, ou na ornamentação que o progresso da técnica da arte trouxe no decorrer dos tempos"
                                                             (SC, 122c).
  Livros Litúrgicos
  MISSAL - Livro usado pelo sacerdote na celebração eucarística
  LECIONÁRIO
Livro que contém as leituras para a celebração.
São três:
I - Lecionário dominical - Contém as leituras dos domingos e de algumas solenidades e festas.
II - Lecionário semanal - Contém as leituras dos dias de semana. A primeira leitura e o salmo responsorial estão classificados por ano par e ímpar. O evangelho é sempre o mesmo para os dois anos.
III - Lecionário santoral - Contém as leituras para as celebrações dos santos. Nele também constam as leituras para uso na administração de sacramentos e para diversas circunstâncias.

  EVANGELIÁRIO
  - É o livro que contém o texto do evangelho para as celebrações dominicais e para as grandes solenidades.
  Espaço Sagrado
  Espaço Sagrado
  Para a celebração da Eucaristia, o povo de Deus reúne-se normalmente na igreja ou, quando esta falta ou é insuficiente, num lugar decente e que seja digno de tão grande mistério. Por isso, as igrejas e os outros lugares devem ser aptos para a conveniente realização da ação sagrada e para se conseguir a participação ativa dos fiéis. Além disso, os edifícios sagrados e os objetos destinados ao culto divino devem ser dignos e belos como sinais e símbolos das realidades celestes. (IGMR 253)
  ALTAR:
  Mesa fixa, podendo também ser móvel, destinada à celebração eucarística. É o espaço mais importante da Igreja. Lugar onde se renova o sacrifício redentor de Cristo.
  Durante a missa, o pão e o vinho são consagrados no altar, ou seja, é no altar que ocorre o mistério eucarístico. O presidente da celebração ao chegar beija o altar em sinal de carinho e reverência por tão sublime lugar. Por incrível que possa parecer, o local mais importante de uma igreja é o altar.

  É o lugar onde se renova o sacrifício redentor de Cristo. De acordo com as normas da liturgia, cada altar conserva, numa cavidade especial, grãos de incenso, relíquias de santos e um documento de consagração assinado pelo bispo. Antes, os altares eram encostados à parede, sendo o altar-mor (o principal da igreja) localizado em um nível mais alto, acessível por um número ímpar de degraus. Após a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, o altar fica numa localização mais central do presbitério, podendo o sacerdote, portanto, circundá-lo, na celebração. Tanto os altares fixos quanto os móveis são dedicados, os móveis podem receber apenas as bênçãos.  (IGMR 259-266)
      Pela reverência devida à celebração do memorial do Senhor e ao banquete em que é distribuído o Corpo e o Sangue de Cristo, o altar sobre o qual se celebra deve ser coberto ao menos com uma toalha de cor branca, que, pela sua forma, tamanho e ornato, deve estar em harmonia com a estrutura do altar. (Nova IGMR 304)
  AMBÃO
Chama-se também Mesa da Palavra. É a estante de onde se proclama a palavra de Deus. Não deve ser confundida com a estante do comentador e do animador do canto. Esta não deve ter o mesmo destaque do ambão e nem estar no presbitério. E se possível no mesmo material do altar.
  CREDÊNCIA
  Pequena mesa onde se colocam os objetos litúrgicos, que serão utilizados na celebração. Geralmente, fica próxima do altar
  Cadeira do sacerdote
  Deve manifestar a sua função de presidir a assembléia e dirigir a oração. Por isso, o seu lugar mais apropriado é de frente para o povo no fundo do presbitério, a não ser que a estrutura do templo ou outras circunstâncias o impeçam... Evite-se toda espécie de trono.
  Presbitério 
  É a parte da Igreja reservada aos oficiantes (presbíteros). Com freqüência, situa-se num nível mais elevado, para pôr em relevo a sacralidade do lugar e também para tornar mais visível o desenrolar do rito sagrado aos fiéis. É, por assim dizer, o espaço vital do templo, onde se desenvolve todas as ações litúrgicas. Nele estão o altar, a cátedra do bispo (quando houver), os assentos para os sacerdotes, o ambão...
  NAVE DA IGREJA - Espaço do templo reservado aos fiéis sem separações ou barreiras que impeçam de ver, de escutar, de participar ativamente, de se mover e realizar as procissões previstas pelo rito. (Cf.IGMR 273)
  Átrio e o lugar para os cantores
  Entrada do espaço celebrativo de acolhida, tem a função de preparar, predispor, informar, fazer a transição ( do lugar comum para o lugar sagrado). Aqui se coloca os cartazes, avisos, fotos de eventos pastorais uma frase do Evangelho do dia para introduzir no mistério celebrado...
  O grupo de cantores... Deve ser colocado de tal forma que se manifeste claramente sua natureza, i.é, que faz parte da assembléia dos fiéis, onde desempenha um papel particular e possam participar plenamente da Missa. (IGMR 274)
  SACRÁRIO (capela do Santíssimo)
  Chama-se também Tabernáculo. É uma pequena urna sólida e não transparente onde são guardadas as partículas consagradas e o Santíssimo Sacramento. Recomenda-se que fique num lugar apropriado, com dignidade, geralmente numa capela lateral para a adoração e a oração particular dos fiéis. (IGMR 276-277)
  A ornamentação com flores deve ser sempre sóbria e, em vez de as pôr sobre a mesa do altar, disponham-se junto dele.
          Sobre a mesa do altar, apenas se podem colocar as coisas necessárias para a celebração da Missa, ou seja, o Evangeliário desde o início da celebração até à proclamação do Evangelho; e desde a apresentação dos dons até à purificação dos vasos, o cálice com a patena, a píxide, se for precisa, e ainda o corporal, o sanguinho e o Missal.
                Além disso, devem dispor-se discretamente os instrumentos porventura necessários para amplificar a voz do sacerdote.
          Os castiçais prescritos para cada ação litúrgica, em sinal de veneração e de celebração festiva dispõem-se em cima do próprio altar ou em volta dele, como for mais conveniente, de acordo com a estrutura quer do altar quer do presbitério, de modo a formar um todo harmónico e a não impedir os fiéis de verem facilmente o que no altar se realiza ou o que nele se coloca.
         Sobre o altar ou junto dele coloca-se também uma cruz, com a imagem de Cristo crucificado, que a assembleia possa ver bem. Convém que, mesmo fora das ações litúrgicas, permaneça junto do altar uma tal cruz, para recordar aos fiéis a paixão salvadora do Senhor.
    (Nova IGMR 306-308)
  Outros lugares
  Nas Igrejas paroquiais devehaver um lugar apropriado para a realização do sacramento do batismo e da reconciliação de forma visível e condizentes com o mistérios celebrados.  Deve se cultivar um lugar para as Imagens sacras obedecendo suas importâncias e não havendo mais que uma do mesmo santo (IGMR278). Não esqueçamos da sacristia, lugar de silêncio oração e preparação; está intimamente ligado com o espaço celebrativo!
  OBJETOS LITÚRGICOS
  CORPORAL - Tecido em forma quadrangular sobre o qual se coloca o cálice com o vinho e a patena com o pão.
 
MANUSTÉRGIO - Toalha com que o sacerdote enxuga as mãos no rito do Lavabo.
 
PALA - Cartão quadrado, revestido de pano, para cobrir a patena e o cálice.
 
SANGUINHO - Chamado também purificatório. É um tecido retangular, com o qual o sacerdote, depois da comunhão, seca o cálice e, se for preciso, a boca e os dedos.
 
VÉU DE ÂMBULA - Pequeno tecido, branco, que cobre a âmbula, quando esta contém partículas consagradas. É recomendado o seu uso, dado o seu forte simbolismo. O véu vela (esconde) algo precioso, ao mesmo tempo que revela (mostra) possuir e trazer tal tesouro.
  ÂMBULA, CIBÓRIO OU PÍXIDE - É um recipiente para a conservação e distribuição das hóstias aos fiéis.
 
CÁLICE - Recipiente onde se consagra o vinho durante a missa.
 
PATENA - Pequeno prato, geralmente de metal, para conter a hóstia durante a celebração da missa.
CALDEIRINHA E ASPERSÓRIO - A caldeirinha é uma pequena vasilha, onde se coloca água benta para a aspersão. Já o aspersório é um pequeno instrumento com o qual se joga água benta sobre o povo ou sobre objetos. Na liturgia são inseparáveis.

BACIA E JARRA - Em tamanho pequeno, contendo a jarra a água, para o rito do "Lavabo", na preparação e apresentações dos dons.
GALHETAS - São dois recipientes para a colocação da água e do vinho, para a celebração da missa.
  Pão (Hóstias):
  Destinado à Eucaristia, o pão significa: união, alimento e vida. Como o alimento se torna “um” com o homem, Deus quer unir os homens em comunhão. Na Páscoa era o ázimo, que para o povo judeu o pão sempre expressou a benção de Deus. Comido sem fermento significa a pressa que o povo tinha para sair do Egito.
  O pão ázimo sendo o pão da Eucaristia guarda característica de alimento: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo” (Jo 6,51).
  Alimentar a vida, a comunhão – é este o conteúdo da realidade simbólica do pão eucarístico.
  “A natureza de sinal exige que a matéria da Eucaristia tenha o aspeto de autêntico alimento. Convém, portanto, que o pão eucarístico, embora ázimo e apresentando a forma tradicional, seja confeccionado de modo que o sacerdote, na Missa com participação do povo, possa realmente partir a hóstia em várias partes e distribuí-las pelo menos a alguns dos fiéis. Todavia, de modo algum se excluem as hóstias pequenas, quando assim o exija o número dos comungantes ou outras razões de ordem pastoral. No entanto, o gesto da “fração do pão” – assim era designada a Eucaristia na época apostólica – manifesta de modo mais expressivo a força e o valor de sinal da unidade de todos em um só pão e de sinal da caridade, pelo fato de um só pão ser repartido entre os irmãos.”(IGMR 283)
  Vinho
  O vinho para celebrar a Eucaristia deve ser de uvas, fruto da videira (cf. Lc 22, 18), natural e puro, quer dizer, sem qualquer mistura de substâncias estranhas.
  Tenha-se grande cuidado em que o pão e o vinho destinados à Eucaristia se conservem em perfeito estado, isto é, que nem o vinho se azede nem o pão se estrague ou endureça tanto que se torne difícil parti-lo.(IGMR 284-285)
  Lembra a generosidade de Deus. Servindo nas festas significa: alegria, felicidade. Aproxima as pessoas – os amigos e familiares. Feito de muitas uvas exprime união, fusão dos corações.
  Na ceia de Jesus ele se torna “o sangue da nova aliança e eterna aliança” – cf. Lc 22,20. A antiga aliança foi selada no sangue das vitimas. “Eis, disse Moisés, o sangue da Aliança que o Senhor fez conosco” (cf. Ex 24,8). Jesus é a vinha nova, cujo sangue sela a Aliança definitiva, sinal de alegria para toda a humanidade redimida.
  Água
Recordamos o dom precioso da vida. No batismo esta vida vem e deve ser conservada como o dom. Mediante a fé é também comunhão com a vida trinitária e com os irmãos. Pode ser também símbolo da morte: “Pelo batismo, fomos sepultados com ele (Cristo) na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos para a glória do Pai, assim também vivamos a vida nova”. (Rm 6,4). É sinal de benção na aspersão e na entrada da igreja, rito de purificação e sinal da humanidade na consagração do Pão e do Vinho.
  Óleo:
  Na história dos Israelitas ou, mais precisamente, no Antigo Testamento, eram ungidos os sacerdotes, os reis e os profetas. Samuel unge a cabeça de Saul dizendo: “O Senhor te ungiu príncipe sobre a tua herança” (1Sm 10,1). A unção com o óleo significa consagração, benção e reconhecimento da parte de Deus e especial distinção diante dos homens. O sacerdote Aarão foi ungido pelo Espírito. O óleo torna-se símbolo do Espírito de Deus! Quando começa a missão messiânica o evangelista coloca em sua boca as palavras do Profeta Isaias: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu” (cf. Lc 4,18). O próprio Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com sua força (cf. At. 10,38). Cristo – o ungido - unge por sua vez os cristãos e os tornam participantes de sua santidade e de sua salvação. É usado nos sacramentos do Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos, e nas Ordenações Presbiterais e Episcopais. Também usado para a unção do altar fixo e das paredes de uma igreja dedicada.
  Círio Pascal:
  Vela grande que é benta e solenemente introduzida na Igreja no início da vigília pascal; em seguida é colocada ao lado da mesa da palavra ou ao lado do altar. O círio permanece acesso durante as ações litúrgicas do tempo pascal (até a festa de Pentecostes). Em muitos lugares costuma-se colocar o círio, fora do tempo pascal, junto à fonte batismal, acendendo-o em cada celebração batismal. O círio pascal aceso simboliza o Cristo ressuscitado. (cf. p. 272 Missal)
  Cruz:
  Não só a cruz processional, isto é, a que guia a procissão de entrada, mas também uma cruz menor, que pode ficar sobre o altar. A cruz simboliza o sofrimento de um povo que caminha em direção ao seu Senhor.
  Acima de tudo há-de prestar-se a maior atenção àquilo que, na celebração eucarística, está diretamente relacionado com o altar, como são a cruz do altar e a cruz que é levada na procissão. (Nova IGMR 350)
  Velas:
  Os castiçais requeridos pelas ações litúrgicas para manifestarem nossa reverencia e o caráterfestivo da celebração, sejam colocados, como parecer melhor, sobre o altar  ou junto dele, levando em conta as proporções do altar e do presbitério, de modo a formarem um conjunto harmonioso e que não impeçam os fiéis de verem aquilo que se realiza ou se coloca sobre o altar. (IGMR 269). Devem ser de no mínimo duas e no máximo sete (caso seja o bispo o presidente da celebração) (cf. IGMR 79)
  Incenso
Queimar incenso é um ato de adoração e de oferta (sacrifício), é símbolo da prece que sobe ao céu. Incensar determinados objetos (cruz, altar, livro dos Evangelhos, círio pascal, pão e vinho...) ou pessoas (ministros, assembléia, corpo de um morto) durante a celebração indica respeito e homenagem porque vimos neles uma referência à pessoa de Jesus Cristo. O perfume lembra a fragrância o "bom odor de Cristo" (Cf.: 2Cor 2, 14-17) que será espalhado onde o Evangelho for anunciado.
  Ostensório
  OSTENSÓRIO - Espécie de vaso onde a hóstia grande consagrada é colocada numa abertura coberta por dois vidros, como uma janela redonda. Nele fica exposto o Santíssimo Sacramento para adoração dos fiéis. É usado na procissão de Corpus Christi, ficando sempre entre duas velas acesas. Também é usado para dar a bênção eucarística.
CUSTÓDIA - Parte central do Ostensório, onde se coloca a hóstia consagrada para exposição do Santíssimo. É parte fixa do Ostensório.
LUNETA - Peça circular do Ostensório, onde se coloca a hóstia consagrada, para a exposição do Santíssimo. É peça móvel.
  Cinzas
As cinzas, principalmente na celebração da Quarta-Feira de Cinzas, são para nós sinal de penitência, de humildade e de reconhecimento de nossa natureza mortal. Mas estas mesmas cinzas estão intimamente ligadas ao Mistério Pascal. Não nos esqueçamos de que elas são fruto das palmas do Domingo de Ramos do ano anterior, geralmente queimadas na Quaresma, para o rito quaresmal das cinzas.
Ò  Vestes e cores do Ano Litúrgico
Ò  Vestes Litúrgicas
Ò  Vestes e cores do Ano Litúrgico
 Amito: É um lenço de linho, branco, que recobre as costas, os ombros e o pescoço do sacerdote. Era a peça do vestuário que os povos antigos usavam para cobrir a cabeça, quando saíam ao ar livre. Recorda o pano com que os soldados vendaram os olhos de Jesus, para melhor ludibriarem-No. Simboliza o capacete da fé, com o qual venceremos os nossos inimigos. Ai vesti-la, o sacerdote faz a seguinte oração: ” Colocai, Senhor, sobre a minha cabeça, o capacete da salvação, para que eu possa resistir às ciladas do demônio”.
 Alva: Esta palavra vem do vocábulo “albus”, que significa branco. É uma túnica talar, de linho branco, que recobre todo o corpo. Era usada pelos nobres gregos e romanos, e também pelos povos de climas quentes, como se vê, ainda hoje, em alguns países do Oriente tropical. Recorda a túnica branca de escárnio com que Herodes mandou vestir Jesus. Simboliza a pureza do coração. Ao vesti-la, o sacerdote reza: “Fazei-me puro, Senhor, e santificai o meu coração, para que , purificado com o Sangue do Cordeiro, mereça fruir as alegrias eternas”.
Ò  Cíngulo: É um cordão branco ou da cor dos paramentos, de seda, linho ou algodão, com que o sacerdote se cinge à cintura. Os antigos o usavam para maior comodidade, a fim de que a alva, comprida, não os estorvasse nos trabalhos ou nas longas caminhadas. Recorda as cordas com que Jesus foi atado pelos algozes. Simboliza o combate às paixões e a pureza do coração. Ao cingir-se com o cíngulo, o sacerdote reza: “Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza e extingui em meu coração o fogo da concupiscência, para que floresça em meu coração a virtude da caridade”.
Ò  - Manípulo: É uma faixa de pano, do mesmo tecido e cor da casula. Tem uns 40 cm de comprimento e uns 12 de largura. É preso ao braço esquerdo. Antigamente, servia para limpar o pó ou suor da fronte durante as caminhadas e trabalhos, ou ainda, com suas dobras, fazia-se as vezes de algibeira. Recorda as cordas com que Jesus foi manietado. Simboliza o amor ao trabalho, ao sacrifício e às boas obras. Ao acomodá-la ao braço, o sacerdote reza: “Que eu mereça, Senhor, trazer este manípulo de dor e penitência, para que possa, com alegria, receber os prêmios dos meus trabalhos”.
Ò  Estola: É uma faixa de pano, do mesmo tecido e cor da casula e do manípulo. Mede uns oito palmos de comprimento e uns 12 cm de largura. Dá a volta ao pescoço, cruzando ao peito e passando sob o cíngulo, à altura da cintura. Os antigos a usavam como sudário ou como símbolo de autoridade e condecoração honorífica. Recorda as cordas com que Jesus foi puxado ao Calvário. Simboliza o poder espiritual do sacerdote, bem como a nossa dignidade de cristão e penhor de imortalidade. Ao vesti-la, o sacerdote reza: “Restituí-me, Senhor, a estola da imortalidade que perdi pelo pecado dos nossos primeiros pais; e ainda que eu seja indigno de acercar-me aos vossos Santos Mistérios, possa, contudo, merecer a felicidade eterna.
Ò  - Casula: É a última veste que o sacerdote usa, por cima de todas as outras. Tem, geralmente, atrás, uma grande Cruz. Os antigos a usavam como uma capa, nas estações chuvosas. Casula, em latim, significa “pequena casa”. Recorda a túnica inconsútil de Nosso Senhor, tecida, segundo a tradição, por Nossa Senhora. No Calvário, os soldados não quiseram retalhá-la, mas sortearam-na entre si. Simboliza o suave jugo da Lei de Deus que devemos levar, e que se torna leve para as almas generosas. Ao vesti-la, o sacerdote reza: “Ó Senhor, que dissestes: ‘ o meu jugo é suave e o meu fardo é leve’ (Mt 11, 30); fazei que eu possa levar a minha cruz de tal modo que possa merecer a vossa graça
Ò  Dalmática: É uma túnica originária da Dalmácia. É usada pelo diácono nas Missas solenes.
Ò  Pluvial: É uma capa comprida, usada pelos antigos em tempos de chuva, como indica o seu mesmo nome. Atrás, em cima. há uma dobra ou capucho, com que os antigos se cobriam a cabeça, à semelhança de algumas capas impermeáveis modernas. O sacerdote a usa nas Bênçãos do Santíssimo Sacramento, nas procissões e outras funções litúrgicas solenes.
Ò  Batina ou hábito: Veste talar dos abades, padres e religiosos, cujo uso diário é aconselhado pelo Vaticano. Alguns sacerdotes fazem o uso do Clerical ou “Clericman” como meio de identificação, sendo esta uma peça única de vestuário, ou seja, um colarinho circular que envolve o pescoço com uma pequena faixa branca central.
Ò  Tonsura: Corte circular, rente, do cabelo, na parte mais alta e posterior da cabeça, que se faz nos clérigos, também denominado cercilho ou coroa, em desuso. A “Prima Tonsura” consiste em cerimônia religiosa em que o prelado, conferindo ao ordinando o primeiro grau de clericato, lhe dá a tonsura.
Ò  Opa: Roupa usada pelos ministros extraordinários da eucaristia;
Ò  Palium: Cobertura com franja, apoiada em quatro varas, que cobre o ministro que leva o ostensório com a hóstia consagrada.
Ò  Véu Umeral ou Véu de Ombros: Manto retangular que o sacerdote utiliza sobre os ombros para dar a bênção do Santíssimo Sacramento.
Ò  Veste de Coroinha: Veste utilizadas pelos coroinhas nas Celebrações Eucarísticas, pode ser uma alva, ou uma túnica colorida com uma sobrepeliz
Ò  Mitra: Uma espécie de chapéu alto com duas pon­tas na parte superior e duas tiras da mesma tela que caem sobre os ombros.
Ò  Solidéu: Um pequeno barrete em forma de calota, usada pelos bispos sobre a cabeça,usado embaixo da mitra, na celebração geralmente o bispo usa o solidéu em algumas partes que ele usa a mitra sobre ele.
Ò   Anel: Simboliza a união do bispo com os fieis de sua diocese e, de maneira mais abrangente, a união do bispo com toda a igreja.
Ò  Cruz Peitoral: Cruz que os bispos levam sobre o peito.
Ò  Báculo: Bastão episcopal; Cajado que o bispo utiliza para as celebrações. Simboliza que o bispo é pastor.
Ò  AS CORES DOS PARAMENTOS LITURGICOS
Ò  A liturgia sagrada da Igreja tem uma linguagem simbólica muito expressiva, através das cores. As cores propriamente litúrgicas são seis: branco, vermelho, verde, roxa, rosáceo e preto. Em alguns lugares, por privilégio, usa-se o azul celeste na festividade da Imaculada Conceição.
Ò  Branca: Resultado de todas as cores juntas, simboliza a pureza e a alegria. É usada em todas as festividades de Nosso Senhor (excetuadas as da Paixão), que é a Luz do mundo; nas festas de Nossa Senhora, dos anjos e dos santos não-mártires e na maioria das Solenidades Liturgicas.
Ò  Verde: Simboliza a esperança. É adotada nos domingos que seguem a festa da Epifania, até à Quarta- Feira de cinzas; e após o Pentecostes, até o Advento. Ou seja, durante todo o Tempo Comum!
Ò  Vermelha: Simboliza o fogo do amor, da caridade ou do martírio. É adotada nas festividades do Espírito Santo da Santa Cruz e dos Santos Mártires.
Ò  Roxa: Simboliza a penitência e a contrição. Usa-se no tempo da Quaresma e do Advento (que pode se usar em tom lilás)
Ò  Rosácea: Simboliza a alegria, dentro de um tempo destinado à penitência. Usa-se no 3º. domingo do Advento e no 4º. domingo da Quaresma.
Ò  Preta: Simboliza o luto, dor e tristeza. É usada na Sexta-feira Santa e nas Missas de defuntos, quando a Igreja chora, respectivamente, a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo e a dos seus filhos espirituais.
Ò  Ano Litúrgico
Ò  “Revela todo mistério de Cristo no decorrer do ano, desde a encarnação e nascimento até a ascensão, ao pentecostes, à expectativa da feliz esperança e da vinda do Senhor”. (SC, 102)
Ò  Conceito:
Ò  É o período através do qual a Igreja celebra todo o mistério de Cristo: da Encarnação ao Pentecostes e à espera da vinda do Senhor. Inicia com o primeiro domingo do advento e termina com a festa de Cristo Rei.
Ò  A divisão do Ano Litúrgico:
Ò  O Ano litúrgico tem fundamentalmente dois grandes ciclos: o da Páscoa, o mais importante, e o do Natal. Cada um tem uma preparação, a celebração e o prolongamento. O que corresponde ao seguinte esquema:
Ò  O CICLO DA PÁSCOA:
Ò  Preparação – Quaresma:
Ò  Os catecúmenos se iniciam na vida da Igreja. Os batizados renovam os compromissos do Batismo pela penitência.
Ò  * Ideias-força deste tempo: Oração, conversão e penitência. Da Quarta feira de Cinzas até a Quarta feira Santa.
Ò  Celebração: Tríduo Pascal,Páscoa, Ascensão e Pentecostes.
Ò  *Idéias-força deste tempo:
Ò  Ser testemunha da Ressurreição pela palavra e pelas obras, na vida: familiar, pessoal e social.
Ò  O ciclo do Natal:
Ò  Preparação – Advento:
Ò  A vinda de Jesus na humanidade. Está incluída a espera de Jesus na Glória (até o dia 17/12) e sua vinda no dia de nossa vida.
Ò  *Idéias-força deste tempo:
Ò  A esperança e o desejo de que Cristo se manifeste na História dos homens.
Ò  Celebração: Natal e Epifania.
Ò  Natal:
Ò  Assumido a natureza na Virgem Maria, Cristo se torna participante da natureza divina.
Ò  Epifania:
Ò  A manifestação de Jesus como Filho de Deus representado pelos magos. Os homens a quem Cristo se manifesta devem, por sua vez, manifesta-lo aos outros como fizeram os pastores e os reis magos.
Ò  Prolongamento: Domingo após a Epifania até o batismo do Senhor.
Ò   
Ò  O TEMPO COMUM:
Ò  Além dos tempos com características próprias, restam no ciclo anual 33 ou 34 semanas. Nelas, não se celebra algum aspecto especial do mistério de Cristo, mas comemora-se o próprio mistério de Cristo em sua plenitude, principalmente aos domingos. Este é o tempo comum.
Ò  Começo e fim do tempo comum: Inicia-se na segunda-feira seguinte ao domingo depois do dia 6 de janeiro e se estende até a terça-feira antes da Quaresma. Recomeça na segunda-feira depois do domingo de Pentecostes e termina antes das primeiras vésperas do primeiro domingo do advento.
Ò  Culto aos dias dos Santos: A celebração do mistério de Cristo se completa na festa dos Santos, que são membros gloriosos da Igreja. Sem dúvida, Jesus é o único Santo. E é tão santo que comunica aos homens a sua própria santidade. No principio do Cristianismo a Igreja festejava os mártires que tinham dado a vida pela fé (Cf. Ap 14,1-5; 21,4). Terminadas as perseguições o povo começa a venerar os grandes heróis da santidade: bispos, eremitas, etc...
Ò  O vaticano II afirma que os santos são “os nossos irmãos, amigos e benfeitores”. A Igreja proclama “O Mistério Pascal (SC nº 40) nos santos que sofreram e são glorificados em Cristo”.
Ò  Cada Igreja particular honra os santos mais ligados à piedade popular. No fim do ano, reunimos numa só festividade todos os santos, de todos os povos e nações que já chegaram à Glória do Pai.
Ò  O Lugar de Maria:
Ò  Entre todos os eleitos, resplandece a figura de Maria, a Senhora Nossa – Mãe de Jesus e Mãe do Povo de Deus. Ela é “membro eminente e modelo da Igreja”. Várias vezes, anualmente, desfilam diante de nós as festas de Nossa Senhora – sem esquecer o mês de maio, a ela totalmente consagrado.


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