Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição dos Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Entendendo a Liturgia: O que é Liturgia? (parte: 1/4)


p  ASSEMBLÉIA LITÚRGICA.
p  “Proclamai uma reunião sagrada! Reuni o povo, convocai uma assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens”... (Joel 2,16)
p  Definição:
p  É uma reunião de pessoas em vistas de um determinado objetivo, meta ou fim.
p  Assembléia Litúrgica: É um povo convocado por Deus para responder à sua Palavra em atitude de fé. É o corpo de Cristo: sinal visível do grande mistério da Igreja em toda a sua realidade.
p  Quem convoca a assembléia litúrgica é o próprio Deus. Foi ele quem escolheu cada um de seus membros (“fui eu que vos escolhi” – Jo 15,16) por chamado especial. “Tomar-vos-eis por meu povo, e serei o vosso Deus” (Ex 6,7).
p  O que é liturgia?
p  LITURGIA: palavra grega composta de leito, que significa público, e de urgia, que significa obra ou ato, o que em português chamamos de ato público: serviço divino. Os livros que contêm o modo de celebrar os santos mistérios denominam-se liturgias.
p  Litúrgico: que pertence ou se refere às liturgias.
p  Liturgistas: escritores ou estudiosos de liturgia.
p  O que celebra a liturgia?
“A obra da salvação, continuada pela Igreja, se realiza na liturgia.” (SC,6)
p  Como toda Celebração, a liturgia envolve um grande acontecimento: trata-se de celebrar o MISTÉRIO PASCAL – a paixão, a morte, a ressurreição e a glorificação de Cristo. E é este o acontecimento central de nossa fé.
p  Mistério Pascal: Costumamos dizer que liturgia é a celebração dos mistérios de Deus. Que mistérios são esses? Quando falamos em mistérios de Deus queremos indicar os projetos de Deus que se realizam na pessoa de Jesus Cristo: a redenção e a salvação de todos os homens, a implantação do Reino de Deus no mundo, a participação de todos da vida e da felicidade de Deus...
p  Qual é o mistério central da vida de Cristo? É a sua paixão, morte e ressurreição. Que nome se dá ao mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo? Dá-se o nome de Mistério Pascal.
p  E o que se quer dizer Pascal? Deriva-se de páscoa, que significa passagem. Portanto, mistério pascal é a passagem de Cristo pelo sofrimento e morte até a sua ressurreição-glorificação.
Quando se fala em mistério pascal não se deve pensar somente em Jesus. A páscoa de Jesus está unida à páscoa do povo de Deus. A páscoa é páscoa do Cristo total: cabeça e membros.
p  O que faz a liturgia? A liturgia celebra a páscoa do Senhor e a páscoa do se povo. Celebra os sofrimentos, a morte, a ressurreição-glorificação de Jesus; mas celebra também, por um lado, as lutas as dores, as angústias e a morte do nosso povo, e por outro lado, celebram suas conquistas, alegrias e esperança em vista de uma sociedade fundada na justiça e na fraternidade.
p  Que lugar ocupa a liturgia no plano de Deus? Deus organizou um plano que passa pelos profetas e por Cristo chega até nós. E ele quis o prolongamento deste plano na história dos homens. A liturgia se inscreve na continuidade da Obra de Deus desde a criação até a Parusia - o fim dos tempos, quando na Nova Jerusalém celebramos de um modo perfeito e definitivo a liturgia celeste (SC, 8).
p  O Papel da Liturgia na Missão de Cristo: Para unir, reunir e congregar todos os homens em Deus, Cristo permanece presente, atual, vivo, hoje e sempre na celebração litúrgica. Ele é o litúrgico por excelência. É altar e oferenda, vítima e holocausto. Nele encontra-se a plenitude do culto divino. Toda a vida de Cristo é litúrgica e sacerdotal. Está a serviço:
p  Da glorificação de Deus (“Eu te louvo, ó Pai” – Lc 10,21);
p  A santificação dos homens (“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” – Jô 8,32);
p  Da reconciliação de todos com Deus (“Eu não quero a morte do pecador, mas que ele se converta e viva” – Mt 9,13).
p  A Liturgia é vida para a Igreja: A vida da Igreja resume-se no serviço de Cristo que salva. Por isso, a Igreja é sinal, instrumento e sacramento visível de unidade e salvação. Este serviço é de modo especial à liturgia – serviço em favor do povo. Nela a Igreja atualiza o Mistério Pascal do Cristo para a salvação do mundo e louva a Deus em nome de toda a humanidade. A liturgia é o momento culminante da vida da Igreja, da atuação do Espírito Santo e da perseverança do Cristo Glorioso. É a vida da Igreja onde o Cristo se faz presente, realizando a salvação do seu povo. Liturgia é, portanto, a salvação celebrada atualizada, acontecida e vivida.
p  A HISTÓRIA DA LITURGIA.
p 
p  O que Cristo deixou determinado com relação à liturgia?
                Jesus Cristo não deixou nada escrito. Não traçou nenhum ritual de cerimônias religiosas. A grande liturgia de sua vida foi, de fato, a sua entrega, na cruz, oferecendo-se como sacrifício, ao Pai e aos homens. Os apóstolos, porém, assistidos pelo Espírito Santo, organizaram as primeiras comunidades e criaram maneiras novas para o culto das mesmas. Tudo foi sendo conforme a realidade e necessidade do povo.
                A Igreja vai se encarnando, se aculturando, se adaptando conforme as necessidades de cada lugar e de cada época. E isto é bem claro com relação à liturgia. No principio, os apóstolos, como os primeiros cristãos, continuam frequentando o templo para oração. A Igreja, no seu começo, não possuía um culto próprio diferente do culto do judaísmo. Mas, ao mesmo tempo em que frequentavam o templo, os cristãos iam criando formas próprias de culto. O mesmo vai acontecendo nas casas.
Ai, os cristãos se reúnem para a sua liturgia, celebrando a nova aliança com morte de Cristo pela renovação da Ceia Pascal do Senhor.
p  AS PRIMERIAS LITURGIAS
p  “Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”. (At 2,42).
p  Nossa liturgia tem sua origem (fato):
p  A nossa liturgia tem a sua origem na última ceia de Jesus Cristo com o grupo dos 12 apóstolos. Dela falam os evangelistas Mateus (26,26-28) Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de ter pronunciado a bênção, ele o partiu; depois, dando-o aos discípulos, disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. A seguir, tomou uma taça e, depois de ter dado graças, deu-a a eles, dizendo: Bebei dela todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, derramado em prol da multidão, para o perdão dos pecados. Cf.: Marcos (14,22-25) e Lucas (22,19-20) e o apóstolo Paulo (1Cor 11,23-25). Eles ainda apresentam o pedido de Jesus “Fazei isto em memória de mim”.
p  As Primeiras Liturgias nas primeiras comunidades: As primeiras liturgias das comunidades primitivas eram bem celebradas e participativas; conservavam um sabor especial que era a presença viva de Jesus. Celebravam nas casas, entre as famílias.
p  Os alimentos, os cantos, a música, tudo era parte das pessoas e não algo estranho a elas. A Eucaristia era, acima de tudo, a recordação viva do mestre Jesus. E essa recordação era para ser confrontada com a vida pessoal de cada um e com a vida da comunidade. O mais importante em tudo isto era a viva participação de todos: “Quando estais reunido, cada um de vós, pode cantar um canto, proferir um ensinamento ou uma revelação... mas que tudo se faça para a edificação” (1Cor 14,26).
p  Entre os primeiros Cristãos já havia um rito da palavra: Os primeiros Cristãos reunidos para a liturgia tinham a consciência de que a pregação dos apóstolos era a Palavra de Deus. Após ouvir com atenção, a pregação dos apóstolos, eles celebravam a ceia do Senhor. Assim, desde o inicio, a palavra anunciada antecede à celebração Eucarística.
p  O que aprendemos da Liturgia dos primeiros Cristãos?
 Os primeiros cristãos não apenas celebravam a liturgia, mas vivia a liturgia. Do seu comportamento podemos retirar algumas lições para nós, hoje: Constata-se, em primeiro lugar, uma estreita ligação entre a celebração e a vida deles. A celebração da entrega do Corpo e Sangue do Senhor Jesus era a expressão da doação de suas vidas pelos outros. Todos se preocupavam pelos problemas de todos “Um por todos e todos por um”.
p  (1cor 11, 17-26). Isto posta, eu não tenho de que vos felicitar: as vossas reuniões, muito ao invés de vos fazer progredir, vos prejudicam. Primeiramente, quando vos reunis em assembléia, há entre vós divisões, dizem-me, e creio que em parte seja verdade: é mesmo necessário que haja cisões entre vós, a fim de que se veja quem dentre vós resiste a essa provação. Mas quando vos reunis em comum, não é a ceia do Senhor que tomais. Pois na hora de comer, cada um se apressa a tomar a própria refeição de maneira que um tem fome, enquanto o outro está embriagado. Então, não tendes casas para comer e beber? Ou desprezais a Igreja de Deus, e quereis afrontar os que não têm nada? Que vos dizer? É preciso louvar-vos? Não, neste ponto eu não vos louvo.
p  De fato, eis o que eu recebi do Senhor, e o que vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou pão, e após ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, em prol de vós, fazei isto em memória de mim. Ele fez o mesmo quanto ao cálice, após a refeição, dizendo: Este cálice é a nova Aliança no meu sangue; fazei isto todas as vezes que dele beberdes, em memória de mim. Pois todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.
p  Sente-se a ligação entre a missa e Igreja: pela Eucaristia a Igreja se constrói anunciando, denunciando e vivendo Jesus.
p  O Domingo.
p  Porque os cristãos das comunidades primitivas tinham o costume de reunir-se no domingo?
Porque foi no domingo – “o primeiro dia da semana” – que o Senhor Jesus Cristo Ressuscitou.
p  “Devido à tradição apostólica que tem sua origem no dia mesmo da Ressurreição de Cristo, a Igreja celebra cada oitavo dia o Mistério Pascal. Esse dia Chamava-se justamente dia do Senhor ou domingo(Dies Domini). Neste dia, pois, os cristãos devem reunir-se para, ouvindo a Palavra de Deus e participando da Eucaristia, lembrarem-se da Paixão, Ressurreição e Glória do Senhor”.
p  "Para darem graças a Deus que os regenerou para a viva esperança, pela Ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos.” (1Pd 1,3).Por isso, o domingo é um dia de festa primordial que deve ser lembrado e inculcado à piedade dos fieis, de modo que seja também uma dia de alegria e de descanso do trabalho”. (cf. SC, 106).
“No dia do Sol todos nos congregamos... Porque nesse dia ressuscitou dentre os mortos Jesus Cristo, nosso Salvador”. (São Justino).
p  De onde vem este nome? São João, no Apocalipse, é o primeiro autor sagrado que fala do “Dia do Senhor”: “Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, na realeza e na perseverança em Jesus, encontrava-me na ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus... E no Dia do Senhor...” (cf. Ap 1,9-10).
p   No final do século I a Didaqué também faz menção deste nome: “Reuni-vos cada Dia do Senhor, parti o pão e daí graças depois de haver confessado vossos pecados, a fim de que vosso sacrifício seja puro”.
p  Qual é a origem do domingo? Estes mesmo textos citados demonstram que era costume dos apóstolos assistir ao culto sinagogal, continuando logo com uma vigília que se estendia até a madrugada do primeiro dia. Havia, pois, uma justaposição do culto sabático judeu com o nascente culto dominical cristão.
p  O que se celebra neste dia? São Justino dá testemunho da consciência da celebração semanal da Páscoa da Igreja nascente: “nos reunimos no dia do sol, tanto porque é o primeiro dia em que Deus Criou o mundo, como porque nesse mesmo dia Cristo, Salvador, ressuscitou dentre os mortos” (Apol. nº 67).
p  Quais as características do domingo Cristão?
p  A Aspersão – recordação da incorporação batismal no mistério de Cristo.
p  A celebração da Eucaristia e a obrigação de assistência à mesma.
p  Qual a origem da idéia do repouso dominical?
Sua origem descansa na doutrina vétero-testamentária do sábado. No cristianismo só se conhece a partir da segunda metade do século III. O imperador Constantino se encarregou de generalizar o descanso dominical estabelecido como lei o que já era costume bastante difundido entre os cristãos. Prescrições cada vez mais rigorosas foram aparecendo no século seguinte.
p  Qual é a significação teológica do domingo na tradição cristã?
p  Podemos considerá-la em três aspectos, a saber:
p  O dia da Ressurreição;
p  O dia da vinda do Senhor;
p  O dia da presença do Senhor.
p  O dia da Ressurreição – Aspecto Comemorativo:
p  Nos primeiros séculos do cristianismo, a Páscoa foi a única festa que se celebrou em toda a Igreja a sua celebração foi semanal. Concretamente, no domingo. A primazia do domingo sobre os demais, como comemoração anual, apareceu bem mais no século II. São inumeráveis os testemunhos da celebração dominical da Páscoa. Santo Inácio de Antioquia recomenda festejar o oitavo dia “Porque nele Jesus ressuscitou dentre os mortos”. Tertuliano dá ao domingo o nome de “Dia da Ressurreição”. Posteriormente, São Jerônimo, Santo Agostinho e outros remontam aos apóstolos a instituição do domingo como “a celebração semanal da Ressurreição”.
p  O dia da vinda do Senhor – Aspecto escatológico.
p  O elemento escatológico é essencial na fé e na vida cristã. “A Igreja, nos ensina o Concilio Vaticano II, a que todos temos sido chamados em Cristo Jesus e na qual, pela graça de Deus, adquirimos a santidade, não será elevada à sua plena perfeição senão quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas” (At 3,21) e quando o gênero humano, também o universo inteiro, que está intimamente unido com o homem por ele alcançar seu fim, será perfeitamente renovado. (cf. Ef. 1,10; Cl 1,20 e 2pd 1,10-13).
p  Isto é o que professamos todos os domingos na recitação do credo: “... de novo há de vir julgar os vivos e os mortos (...) Cremos na ressurreição da carne e na vida eterna”. (Cf. Profissão de fé).
p  Como se vê esta ansiosa espera da Igreja da vinda definitiva do Senhor tem lugar, de maneira especial, na celebração litúrgica do domingo, chamado também o “oitavo dia”, quer dizer o dia que segue ao tempo, o dia eterno “que não conhece o ocaso”.
p  O dia da presença do Senhor – Aspecto Significativo.
p  A celebração dominical de Cristo ressuscitado atualiza em nossas existências sua presença e seu ministério salifico. A constituição Sacrossanctum Concilium sobre a liturgia, no nº 7, nos mostra os vários modos da presença de Cristo e de seu ministério na Celebração Eucarística. Desta maneira se vê claro que o domingo é o dia da presença do ressuscitado. É o “aqui e o agora” da festa cristã.
p  Através dos distintos elementos da celebração dominical, se fazem presentes, no meio de sua Igreja, o Senhor Ressuscitado e seu mistério salvífico pascal.
p  Nos primeiros tempos do cristianismo havia somente os domingos. Cada domingo era de festa. Celebrava-se o mistério Pascal: morte e ressurreição do Senhor. Com o tempo, os cristãos começaram a celebrar um destes domingos de modo especial: chamado-o Domingo da Páscoa.
p  Depois, celebravam em dias determinados do ano, uma festa especial ou outros acontecimentos importantes da vida de Cristo: Nascimento, Epifania, Ascensão, Pentecostes. Assim teve origem as festas do Ano Litúrgico.


Pesquisado por: Frei Fábio Soares, OFMConv e equipe.

Confira:


Parte 1/4:http://conventuaisrj.blogspot.com.br/2012/02/formacao-liturgica-o-que-e-liturgia.html

Parte 2/4:http://conventuaisrj.blogspot.com.br/2012/02/formacao-liturgica-simbolos-espaco.html

Parte 3/4:http://conventuaisrj.blogspot.com.br/2012/03/formacao-liturgica-gestos-liturgicos.html

Parte 4/4:http://conventuaisrj.blogspot.com.br/2012/03/formacao-liturgica-introducao-liturgia.html

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