Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Entendendo a Liturgia: Símbolos, Espaço Sagrado e Ano Litúrgico (parte: 2/4)


  Introdução:
  O ser humano é, ao mesmo tempo, corporal e espiritual. É matéria e espírito. Sua percepção, pois, das realidades espirituais depende de imagens e de símbolos, e sua comunicação só é plenamente objetiva na linha de comunhão. Em todas as civilizações e culturas e em todos os momentos da história, esse dado antropológico é registrado, sem discussões. O homem percebe as coisas pela linguagem própria, viva e silenciosa das coisas e se situa - ele próprio - no mundo do mistério. Tendo consciência de sua realidade transcendente, o homem busca, pois, a comunhão no mistério, que se dá sobretudo na linguagem silenciosa dos símbolos.
  De fato, os símbolos nos mostram, em sua visibilidade, uma realidade que os transcende, invisível. Falam sempre a linguagem do mistério, apontando para além deles próprios. Por aqui pode-se perceber o quanto é útil e necessária na liturgia esta linguagem misteriosa dos símbolos, e eles não têm, como objetivo, explicar o mistério que se celebra, pois o mistério é para ser vivido, mais portanto que ser explicado. A finalidade dos símbolos é adornar, na linguagem simples das coisas criadas, a expressão profunda do mistério, que é invisível.
  Todo símbolo litúrgico deve, pois, mergulhar-nos na grandeza do mistério, sem reduzir este, e sem banalizá-lo, e, como símbolo, deve ser simples, como simples é toda a criação visível. Sua principal função, sobretudo na liturgia, é, pois, comunicar-nos aquela verdade inefável, que brota do mistério de Deus e que, portanto, não se pode comunicar com palavras. Na participação litúrgica devemos passar da visibilidade do símbolo, isto é, de seu sentido imediato, de significante, para a sua dimensão mistérica, invisível, atingindo o significado, que é o objetivo final de toda realidade simbólica. Se o símbolo não nos leva a essa passagem para um nível superior de crescimento espiritual, ou ele já não tem mais força expressiva, simbólica, ou somos nós que falhamos na nossa maneira de participar da liturgia.
  Na liturgia - saibamos - tudo, pois, é simbólico. E a liturgia é descrita como ação simbólica, no sentido mais pleno. Desde a assembléia reunida até a pequenina chama da vela que arde, tudo é expressão simbólica, que nos remete ao abismo do mistério de Deus. Na compreensão desse dado litúrgico está a beleza de todo ato celebrativo, e de sua consciência brota já a alegria pascal, como antecipação sacramental das alegrias futuras, definitivas e eternas.
  Vejamos então algumas noções dos símbolos e procuremos descobrir sua ministerialidade na liturgia.

  “Com especial zelo a Igreja cuidou que as sagradas alfaias servissem digna e belamente ao decoro do culto, admitindo aquelas mudanças ou na matéria, ou na forma, ou na ornamentação que o progresso da técnica da arte trouxe no decorrer dos tempos"
                                                             (SC, 122c).
  Livros Litúrgicos
  MISSAL - Livro usado pelo sacerdote na celebração eucarística
  LECIONÁRIO
Livro que contém as leituras para a celebração.
São três:
I - Lecionário dominical - Contém as leituras dos domingos e de algumas solenidades e festas.
II - Lecionário semanal - Contém as leituras dos dias de semana. A primeira leitura e o salmo responsorial estão classificados por ano par e ímpar. O evangelho é sempre o mesmo para os dois anos.
III - Lecionário santoral - Contém as leituras para as celebrações dos santos. Nele também constam as leituras para uso na administração de sacramentos e para diversas circunstâncias.

  EVANGELIÁRIO
  - É o livro que contém o texto do evangelho para as celebrações dominicais e para as grandes solenidades.
  Espaço Sagrado
  Espaço Sagrado
  Para a celebração da Eucaristia, o povo de Deus reúne-se normalmente na igreja ou, quando esta falta ou é insuficiente, num lugar decente e que seja digno de tão grande mistério. Por isso, as igrejas e os outros lugares devem ser aptos para a conveniente realização da ação sagrada e para se conseguir a participação ativa dos fiéis. Além disso, os edifícios sagrados e os objetos destinados ao culto divino devem ser dignos e belos como sinais e símbolos das realidades celestes. (IGMR 253)
  ALTAR:
  Mesa fixa, podendo também ser móvel, destinada à celebração eucarística. É o espaço mais importante da Igreja. Lugar onde se renova o sacrifício redentor de Cristo.
  Durante a missa, o pão e o vinho são consagrados no altar, ou seja, é no altar que ocorre o mistério eucarístico. O presidente da celebração ao chegar beija o altar em sinal de carinho e reverência por tão sublime lugar. Por incrível que possa parecer, o local mais importante de uma igreja é o altar.

  É o lugar onde se renova o sacrifício redentor de Cristo. De acordo com as normas da liturgia, cada altar conserva, numa cavidade especial, grãos de incenso, relíquias de santos e um documento de consagração assinado pelo bispo. Antes, os altares eram encostados à parede, sendo o altar-mor (o principal da igreja) localizado em um nível mais alto, acessível por um número ímpar de degraus. Após a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, o altar fica numa localização mais central do presbitério, podendo o sacerdote, portanto, circundá-lo, na celebração. Tanto os altares fixos quanto os móveis são dedicados, os móveis podem receber apenas as bênçãos.  (IGMR 259-266)
      Pela reverência devida à celebração do memorial do Senhor e ao banquete em que é distribuído o Corpo e o Sangue de Cristo, o altar sobre o qual se celebra deve ser coberto ao menos com uma toalha de cor branca, que, pela sua forma, tamanho e ornato, deve estar em harmonia com a estrutura do altar. (Nova IGMR 304)
  AMBÃO
Chama-se também Mesa da Palavra. É a estante de onde se proclama a palavra de Deus. Não deve ser confundida com a estante do comentador e do animador do canto. Esta não deve ter o mesmo destaque do ambão e nem estar no presbitério. E se possível no mesmo material do altar.
  CREDÊNCIA
  Pequena mesa onde se colocam os objetos litúrgicos, que serão utilizados na celebração. Geralmente, fica próxima do altar
  Cadeira do sacerdote
  Deve manifestar a sua função de presidir a assembléia e dirigir a oração. Por isso, o seu lugar mais apropriado é de frente para o povo no fundo do presbitério, a não ser que a estrutura do templo ou outras circunstâncias o impeçam... Evite-se toda espécie de trono.
  Presbitério 
  É a parte da Igreja reservada aos oficiantes (presbíteros). Com freqüência, situa-se num nível mais elevado, para pôr em relevo a sacralidade do lugar e também para tornar mais visível o desenrolar do rito sagrado aos fiéis. É, por assim dizer, o espaço vital do templo, onde se desenvolve todas as ações litúrgicas. Nele estão o altar, a cátedra do bispo (quando houver), os assentos para os sacerdotes, o ambão...
  NAVE DA IGREJA - Espaço do templo reservado aos fiéis sem separações ou barreiras que impeçam de ver, de escutar, de participar ativamente, de se mover e realizar as procissões previstas pelo rito. (Cf.IGMR 273)
  Átrio e o lugar para os cantores
  Entrada do espaço celebrativo de acolhida, tem a função de preparar, predispor, informar, fazer a transição ( do lugar comum para o lugar sagrado). Aqui se coloca os cartazes, avisos, fotos de eventos pastorais uma frase do Evangelho do dia para introduzir no mistério celebrado...
  O grupo de cantores... Deve ser colocado de tal forma que se manifeste claramente sua natureza, i.é, que faz parte da assembléia dos fiéis, onde desempenha um papel particular e possam participar plenamente da Missa. (IGMR 274)
  SACRÁRIO (capela do Santíssimo)
  Chama-se também Tabernáculo. É uma pequena urna sólida e não transparente onde são guardadas as partículas consagradas e o Santíssimo Sacramento. Recomenda-se que fique num lugar apropriado, com dignidade, geralmente numa capela lateral para a adoração e a oração particular dos fiéis. (IGMR 276-277)
  A ornamentação com flores deve ser sempre sóbria e, em vez de as pôr sobre a mesa do altar, disponham-se junto dele.
          Sobre a mesa do altar, apenas se podem colocar as coisas necessárias para a celebração da Missa, ou seja, o Evangeliário desde o início da celebração até à proclamação do Evangelho; e desde a apresentação dos dons até à purificação dos vasos, o cálice com a patena, a píxide, se for precisa, e ainda o corporal, o sanguinho e o Missal.
                Além disso, devem dispor-se discretamente os instrumentos porventura necessários para amplificar a voz do sacerdote.
          Os castiçais prescritos para cada ação litúrgica, em sinal de veneração e de celebração festiva dispõem-se em cima do próprio altar ou em volta dele, como for mais conveniente, de acordo com a estrutura quer do altar quer do presbitério, de modo a formar um todo harmónico e a não impedir os fiéis de verem facilmente o que no altar se realiza ou o que nele se coloca.
         Sobre o altar ou junto dele coloca-se também uma cruz, com a imagem de Cristo crucificado, que a assembleia possa ver bem. Convém que, mesmo fora das ações litúrgicas, permaneça junto do altar uma tal cruz, para recordar aos fiéis a paixão salvadora do Senhor.
    (Nova IGMR 306-308)
  Outros lugares
  Nas Igrejas paroquiais devehaver um lugar apropriado para a realização do sacramento do batismo e da reconciliação de forma visível e condizentes com o mistérios celebrados.  Deve se cultivar um lugar para as Imagens sacras obedecendo suas importâncias e não havendo mais que uma do mesmo santo (IGMR278). Não esqueçamos da sacristia, lugar de silêncio oração e preparação; está intimamente ligado com o espaço celebrativo!
  OBJETOS LITÚRGICOS
  CORPORAL - Tecido em forma quadrangular sobre o qual se coloca o cálice com o vinho e a patena com o pão.
 
MANUSTÉRGIO - Toalha com que o sacerdote enxuga as mãos no rito do Lavabo.
 
PALA - Cartão quadrado, revestido de pano, para cobrir a patena e o cálice.
 
SANGUINHO - Chamado também purificatório. É um tecido retangular, com o qual o sacerdote, depois da comunhão, seca o cálice e, se for preciso, a boca e os dedos.
 
VÉU DE ÂMBULA - Pequeno tecido, branco, que cobre a âmbula, quando esta contém partículas consagradas. É recomendado o seu uso, dado o seu forte simbolismo. O véu vela (esconde) algo precioso, ao mesmo tempo que revela (mostra) possuir e trazer tal tesouro.
  ÂMBULA, CIBÓRIO OU PÍXIDE - É um recipiente para a conservação e distribuição das hóstias aos fiéis.
 
CÁLICE - Recipiente onde se consagra o vinho durante a missa.
 
PATENA - Pequeno prato, geralmente de metal, para conter a hóstia durante a celebração da missa.
CALDEIRINHA E ASPERSÓRIO - A caldeirinha é uma pequena vasilha, onde se coloca água benta para a aspersão. Já o aspersório é um pequeno instrumento com o qual se joga água benta sobre o povo ou sobre objetos. Na liturgia são inseparáveis.

BACIA E JARRA - Em tamanho pequeno, contendo a jarra a água, para o rito do "Lavabo", na preparação e apresentações dos dons.
GALHETAS - São dois recipientes para a colocação da água e do vinho, para a celebração da missa.
  Pão (Hóstias):
  Destinado à Eucaristia, o pão significa: união, alimento e vida. Como o alimento se torna “um” com o homem, Deus quer unir os homens em comunhão. Na Páscoa era o ázimo, que para o povo judeu o pão sempre expressou a benção de Deus. Comido sem fermento significa a pressa que o povo tinha para sair do Egito.
  O pão ázimo sendo o pão da Eucaristia guarda característica de alimento: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo” (Jo 6,51).
  Alimentar a vida, a comunhão – é este o conteúdo da realidade simbólica do pão eucarístico.
  “A natureza de sinal exige que a matéria da Eucaristia tenha o aspeto de autêntico alimento. Convém, portanto, que o pão eucarístico, embora ázimo e apresentando a forma tradicional, seja confeccionado de modo que o sacerdote, na Missa com participação do povo, possa realmente partir a hóstia em várias partes e distribuí-las pelo menos a alguns dos fiéis. Todavia, de modo algum se excluem as hóstias pequenas, quando assim o exija o número dos comungantes ou outras razões de ordem pastoral. No entanto, o gesto da “fração do pão” – assim era designada a Eucaristia na época apostólica – manifesta de modo mais expressivo a força e o valor de sinal da unidade de todos em um só pão e de sinal da caridade, pelo fato de um só pão ser repartido entre os irmãos.”(IGMR 283)
  Vinho
  O vinho para celebrar a Eucaristia deve ser de uvas, fruto da videira (cf. Lc 22, 18), natural e puro, quer dizer, sem qualquer mistura de substâncias estranhas.
  Tenha-se grande cuidado em que o pão e o vinho destinados à Eucaristia se conservem em perfeito estado, isto é, que nem o vinho se azede nem o pão se estrague ou endureça tanto que se torne difícil parti-lo.(IGMR 284-285)
  Lembra a generosidade de Deus. Servindo nas festas significa: alegria, felicidade. Aproxima as pessoas – os amigos e familiares. Feito de muitas uvas exprime união, fusão dos corações.
  Na ceia de Jesus ele se torna “o sangue da nova aliança e eterna aliança” – cf. Lc 22,20. A antiga aliança foi selada no sangue das vitimas. “Eis, disse Moisés, o sangue da Aliança que o Senhor fez conosco” (cf. Ex 24,8). Jesus é a vinha nova, cujo sangue sela a Aliança definitiva, sinal de alegria para toda a humanidade redimida.
  Água
Recordamos o dom precioso da vida. No batismo esta vida vem e deve ser conservada como o dom. Mediante a fé é também comunhão com a vida trinitária e com os irmãos. Pode ser também símbolo da morte: “Pelo batismo, fomos sepultados com ele (Cristo) na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos para a glória do Pai, assim também vivamos a vida nova”. (Rm 6,4). É sinal de benção na aspersão e na entrada da igreja, rito de purificação e sinal da humanidade na consagração do Pão e do Vinho.
  Óleo:
  Na história dos Israelitas ou, mais precisamente, no Antigo Testamento, eram ungidos os sacerdotes, os reis e os profetas. Samuel unge a cabeça de Saul dizendo: “O Senhor te ungiu príncipe sobre a tua herança” (1Sm 10,1). A unção com o óleo significa consagração, benção e reconhecimento da parte de Deus e especial distinção diante dos homens. O sacerdote Aarão foi ungido pelo Espírito. O óleo torna-se símbolo do Espírito de Deus! Quando começa a missão messiânica o evangelista coloca em sua boca as palavras do Profeta Isaias: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu” (cf. Lc 4,18). O próprio Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com sua força (cf. At. 10,38). Cristo – o ungido - unge por sua vez os cristãos e os tornam participantes de sua santidade e de sua salvação. É usado nos sacramentos do Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos, e nas Ordenações Presbiterais e Episcopais. Também usado para a unção do altar fixo e das paredes de uma igreja dedicada.
  Círio Pascal:
  Vela grande que é benta e solenemente introduzida na Igreja no início da vigília pascal; em seguida é colocada ao lado da mesa da palavra ou ao lado do altar. O círio permanece acesso durante as ações litúrgicas do tempo pascal (até a festa de Pentecostes). Em muitos lugares costuma-se colocar o círio, fora do tempo pascal, junto à fonte batismal, acendendo-o em cada celebração batismal. O círio pascal aceso simboliza o Cristo ressuscitado. (cf. p. 272 Missal)
  Cruz:
  Não só a cruz processional, isto é, a que guia a procissão de entrada, mas também uma cruz menor, que pode ficar sobre o altar. A cruz simboliza o sofrimento de um povo que caminha em direção ao seu Senhor.
  Acima de tudo há-de prestar-se a maior atenção àquilo que, na celebração eucarística, está diretamente relacionado com o altar, como são a cruz do altar e a cruz que é levada na procissão. (Nova IGMR 350)
  Velas:
  Os castiçais requeridos pelas ações litúrgicas para manifestarem nossa reverencia e o caráterfestivo da celebração, sejam colocados, como parecer melhor, sobre o altar  ou junto dele, levando em conta as proporções do altar e do presbitério, de modo a formarem um conjunto harmonioso e que não impeçam os fiéis de verem aquilo que se realiza ou se coloca sobre o altar. (IGMR 269). Devem ser de no mínimo duas e no máximo sete (caso seja o bispo o presidente da celebração) (cf. IGMR 79)
  Incenso
Queimar incenso é um ato de adoração e de oferta (sacrifício), é símbolo da prece que sobe ao céu. Incensar determinados objetos (cruz, altar, livro dos Evangelhos, círio pascal, pão e vinho...) ou pessoas (ministros, assembléia, corpo de um morto) durante a celebração indica respeito e homenagem porque vimos neles uma referência à pessoa de Jesus Cristo. O perfume lembra a fragrância o "bom odor de Cristo" (Cf.: 2Cor 2, 14-17) que será espalhado onde o Evangelho for anunciado.
  Ostensório
  OSTENSÓRIO - Espécie de vaso onde a hóstia grande consagrada é colocada numa abertura coberta por dois vidros, como uma janela redonda. Nele fica exposto o Santíssimo Sacramento para adoração dos fiéis. É usado na procissão de Corpus Christi, ficando sempre entre duas velas acesas. Também é usado para dar a bênção eucarística.
CUSTÓDIA - Parte central do Ostensório, onde se coloca a hóstia consagrada para exposição do Santíssimo. É parte fixa do Ostensório.
LUNETA - Peça circular do Ostensório, onde se coloca a hóstia consagrada, para a exposição do Santíssimo. É peça móvel.
  Cinzas
As cinzas, principalmente na celebração da Quarta-Feira de Cinzas, são para nós sinal de penitência, de humildade e de reconhecimento de nossa natureza mortal. Mas estas mesmas cinzas estão intimamente ligadas ao Mistério Pascal. Não nos esqueçamos de que elas são fruto das palmas do Domingo de Ramos do ano anterior, geralmente queimadas na Quaresma, para o rito quaresmal das cinzas.
Ò  Vestes e cores do Ano Litúrgico
Ò  Vestes Litúrgicas
Ò  Vestes e cores do Ano Litúrgico
 Amito: É um lenço de linho, branco, que recobre as costas, os ombros e o pescoço do sacerdote. Era a peça do vestuário que os povos antigos usavam para cobrir a cabeça, quando saíam ao ar livre. Recorda o pano com que os soldados vendaram os olhos de Jesus, para melhor ludibriarem-No. Simboliza o capacete da fé, com o qual venceremos os nossos inimigos. Ai vesti-la, o sacerdote faz a seguinte oração: ” Colocai, Senhor, sobre a minha cabeça, o capacete da salvação, para que eu possa resistir às ciladas do demônio”.
 Alva: Esta palavra vem do vocábulo “albus”, que significa branco. É uma túnica talar, de linho branco, que recobre todo o corpo. Era usada pelos nobres gregos e romanos, e também pelos povos de climas quentes, como se vê, ainda hoje, em alguns países do Oriente tropical. Recorda a túnica branca de escárnio com que Herodes mandou vestir Jesus. Simboliza a pureza do coração. Ao vesti-la, o sacerdote reza: “Fazei-me puro, Senhor, e santificai o meu coração, para que , purificado com o Sangue do Cordeiro, mereça fruir as alegrias eternas”.
Ò  Cíngulo: É um cordão branco ou da cor dos paramentos, de seda, linho ou algodão, com que o sacerdote se cinge à cintura. Os antigos o usavam para maior comodidade, a fim de que a alva, comprida, não os estorvasse nos trabalhos ou nas longas caminhadas. Recorda as cordas com que Jesus foi atado pelos algozes. Simboliza o combate às paixões e a pureza do coração. Ao cingir-se com o cíngulo, o sacerdote reza: “Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza e extingui em meu coração o fogo da concupiscência, para que floresça em meu coração a virtude da caridade”.
Ò  - Manípulo: É uma faixa de pano, do mesmo tecido e cor da casula. Tem uns 40 cm de comprimento e uns 12 de largura. É preso ao braço esquerdo. Antigamente, servia para limpar o pó ou suor da fronte durante as caminhadas e trabalhos, ou ainda, com suas dobras, fazia-se as vezes de algibeira. Recorda as cordas com que Jesus foi manietado. Simboliza o amor ao trabalho, ao sacrifício e às boas obras. Ao acomodá-la ao braço, o sacerdote reza: “Que eu mereça, Senhor, trazer este manípulo de dor e penitência, para que possa, com alegria, receber os prêmios dos meus trabalhos”.
Ò  Estola: É uma faixa de pano, do mesmo tecido e cor da casula e do manípulo. Mede uns oito palmos de comprimento e uns 12 cm de largura. Dá a volta ao pescoço, cruzando ao peito e passando sob o cíngulo, à altura da cintura. Os antigos a usavam como sudário ou como símbolo de autoridade e condecoração honorífica. Recorda as cordas com que Jesus foi puxado ao Calvário. Simboliza o poder espiritual do sacerdote, bem como a nossa dignidade de cristão e penhor de imortalidade. Ao vesti-la, o sacerdote reza: “Restituí-me, Senhor, a estola da imortalidade que perdi pelo pecado dos nossos primeiros pais; e ainda que eu seja indigno de acercar-me aos vossos Santos Mistérios, possa, contudo, merecer a felicidade eterna.
Ò  - Casula: É a última veste que o sacerdote usa, por cima de todas as outras. Tem, geralmente, atrás, uma grande Cruz. Os antigos a usavam como uma capa, nas estações chuvosas. Casula, em latim, significa “pequena casa”. Recorda a túnica inconsútil de Nosso Senhor, tecida, segundo a tradição, por Nossa Senhora. No Calvário, os soldados não quiseram retalhá-la, mas sortearam-na entre si. Simboliza o suave jugo da Lei de Deus que devemos levar, e que se torna leve para as almas generosas. Ao vesti-la, o sacerdote reza: “Ó Senhor, que dissestes: ‘ o meu jugo é suave e o meu fardo é leve’ (Mt 11, 30); fazei que eu possa levar a minha cruz de tal modo que possa merecer a vossa graça
Ò  Dalmática: É uma túnica originária da Dalmácia. É usada pelo diácono nas Missas solenes.
Ò  Pluvial: É uma capa comprida, usada pelos antigos em tempos de chuva, como indica o seu mesmo nome. Atrás, em cima. há uma dobra ou capucho, com que os antigos se cobriam a cabeça, à semelhança de algumas capas impermeáveis modernas. O sacerdote a usa nas Bênçãos do Santíssimo Sacramento, nas procissões e outras funções litúrgicas solenes.
Ò  Batina ou hábito: Veste talar dos abades, padres e religiosos, cujo uso diário é aconselhado pelo Vaticano. Alguns sacerdotes fazem o uso do Clerical ou “Clericman” como meio de identificação, sendo esta uma peça única de vestuário, ou seja, um colarinho circular que envolve o pescoço com uma pequena faixa branca central.
Ò  Tonsura: Corte circular, rente, do cabelo, na parte mais alta e posterior da cabeça, que se faz nos clérigos, também denominado cercilho ou coroa, em desuso. A “Prima Tonsura” consiste em cerimônia religiosa em que o prelado, conferindo ao ordinando o primeiro grau de clericato, lhe dá a tonsura.
Ò  Opa: Roupa usada pelos ministros extraordinários da eucaristia;
Ò  Palium: Cobertura com franja, apoiada em quatro varas, que cobre o ministro que leva o ostensório com a hóstia consagrada.
Ò  Véu Umeral ou Véu de Ombros: Manto retangular que o sacerdote utiliza sobre os ombros para dar a bênção do Santíssimo Sacramento.
Ò  Veste de Coroinha: Veste utilizadas pelos coroinhas nas Celebrações Eucarísticas, pode ser uma alva, ou uma túnica colorida com uma sobrepeliz
Ò  Mitra: Uma espécie de chapéu alto com duas pon­tas na parte superior e duas tiras da mesma tela que caem sobre os ombros.
Ò  Solidéu: Um pequeno barrete em forma de calota, usada pelos bispos sobre a cabeça,usado embaixo da mitra, na celebração geralmente o bispo usa o solidéu em algumas partes que ele usa a mitra sobre ele.
Ò   Anel: Simboliza a união do bispo com os fieis de sua diocese e, de maneira mais abrangente, a união do bispo com toda a igreja.
Ò  Cruz Peitoral: Cruz que os bispos levam sobre o peito.
Ò  Báculo: Bastão episcopal; Cajado que o bispo utiliza para as celebrações. Simboliza que o bispo é pastor.
Ò  AS CORES DOS PARAMENTOS LITURGICOS
Ò  A liturgia sagrada da Igreja tem uma linguagem simbólica muito expressiva, através das cores. As cores propriamente litúrgicas são seis: branco, vermelho, verde, roxa, rosáceo e preto. Em alguns lugares, por privilégio, usa-se o azul celeste na festividade da Imaculada Conceição.
Ò  Branca: Resultado de todas as cores juntas, simboliza a pureza e a alegria. É usada em todas as festividades de Nosso Senhor (excetuadas as da Paixão), que é a Luz do mundo; nas festas de Nossa Senhora, dos anjos e dos santos não-mártires e na maioria das Solenidades Liturgicas.
Ò  Verde: Simboliza a esperança. É adotada nos domingos que seguem a festa da Epifania, até à Quarta- Feira de cinzas; e após o Pentecostes, até o Advento. Ou seja, durante todo o Tempo Comum!
Ò  Vermelha: Simboliza o fogo do amor, da caridade ou do martírio. É adotada nas festividades do Espírito Santo da Santa Cruz e dos Santos Mártires.
Ò  Roxa: Simboliza a penitência e a contrição. Usa-se no tempo da Quaresma e do Advento (que pode se usar em tom lilás)
Ò  Rosácea: Simboliza a alegria, dentro de um tempo destinado à penitência. Usa-se no 3º. domingo do Advento e no 4º. domingo da Quaresma.
Ò  Preta: Simboliza o luto, dor e tristeza. É usada na Sexta-feira Santa e nas Missas de defuntos, quando a Igreja chora, respectivamente, a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo e a dos seus filhos espirituais.
Ò  Ano Litúrgico
Ò  “Revela todo mistério de Cristo no decorrer do ano, desde a encarnação e nascimento até a ascensão, ao pentecostes, à expectativa da feliz esperança e da vinda do Senhor”. (SC, 102)
Ò  Conceito:
Ò  É o período através do qual a Igreja celebra todo o mistério de Cristo: da Encarnação ao Pentecostes e à espera da vinda do Senhor. Inicia com o primeiro domingo do advento e termina com a festa de Cristo Rei.
Ò  A divisão do Ano Litúrgico:
Ò  O Ano litúrgico tem fundamentalmente dois grandes ciclos: o da Páscoa, o mais importante, e o do Natal. Cada um tem uma preparação, a celebração e o prolongamento. O que corresponde ao seguinte esquema:
Ò  O CICLO DA PÁSCOA:
Ò  Preparação – Quaresma:
Ò  Os catecúmenos se iniciam na vida da Igreja. Os batizados renovam os compromissos do Batismo pela penitência.
Ò  * Ideias-força deste tempo: Oração, conversão e penitência. Da Quarta feira de Cinzas até a Quarta feira Santa.
Ò  Celebração: Tríduo Pascal,Páscoa, Ascensão e Pentecostes.
Ò  *Idéias-força deste tempo:
Ò  Ser testemunha da Ressurreição pela palavra e pelas obras, na vida: familiar, pessoal e social.
Ò  O ciclo do Natal:
Ò  Preparação – Advento:
Ò  A vinda de Jesus na humanidade. Está incluída a espera de Jesus na Glória (até o dia 17/12) e sua vinda no dia de nossa vida.
Ò  *Idéias-força deste tempo:
Ò  A esperança e o desejo de que Cristo se manifeste na História dos homens.
Ò  Celebração: Natal e Epifania.
Ò  Natal:
Ò  Assumido a natureza na Virgem Maria, Cristo se torna participante da natureza divina.
Ò  Epifania:
Ò  A manifestação de Jesus como Filho de Deus representado pelos magos. Os homens a quem Cristo se manifesta devem, por sua vez, manifesta-lo aos outros como fizeram os pastores e os reis magos.
Ò  Prolongamento: Domingo após a Epifania até o batismo do Senhor.
Ò   
Ò  O TEMPO COMUM:
Ò  Além dos tempos com características próprias, restam no ciclo anual 33 ou 34 semanas. Nelas, não se celebra algum aspecto especial do mistério de Cristo, mas comemora-se o próprio mistério de Cristo em sua plenitude, principalmente aos domingos. Este é o tempo comum.
Ò  Começo e fim do tempo comum: Inicia-se na segunda-feira seguinte ao domingo depois do dia 6 de janeiro e se estende até a terça-feira antes da Quaresma. Recomeça na segunda-feira depois do domingo de Pentecostes e termina antes das primeiras vésperas do primeiro domingo do advento.
Ò  Culto aos dias dos Santos: A celebração do mistério de Cristo se completa na festa dos Santos, que são membros gloriosos da Igreja. Sem dúvida, Jesus é o único Santo. E é tão santo que comunica aos homens a sua própria santidade. No principio do Cristianismo a Igreja festejava os mártires que tinham dado a vida pela fé (Cf. Ap 14,1-5; 21,4). Terminadas as perseguições o povo começa a venerar os grandes heróis da santidade: bispos, eremitas, etc...
Ò  O vaticano II afirma que os santos são “os nossos irmãos, amigos e benfeitores”. A Igreja proclama “O Mistério Pascal (SC nº 40) nos santos que sofreram e são glorificados em Cristo”.
Ò  Cada Igreja particular honra os santos mais ligados à piedade popular. No fim do ano, reunimos numa só festividade todos os santos, de todos os povos e nações que já chegaram à Glória do Pai.
Ò  O Lugar de Maria:
Ò  Entre todos os eleitos, resplandece a figura de Maria, a Senhora Nossa – Mãe de Jesus e Mãe do Povo de Deus. Ela é “membro eminente e modelo da Igreja”. Várias vezes, anualmente, desfilam diante de nós as festas de Nossa Senhora – sem esquecer o mês de maio, a ela totalmente consagrado.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CF 2012

Apresentação e Texto-base da Campanha da Fraternidade 2012
Por Dom Leonardo Ulrich Steiner*
Clique para ampliar...“Converte-te e crê no Evangelho”!
Ao recebermos a imposição das cinzas, no início da quaresma, somos convidados a viver o Evangelho, viver da Boa Nova.
A Boa Nova que recebemos é Jesus Cristo. Ele abriu um novo horizonte para todas as pessoas que nele creem.
Crer no Evangelho é crer em Jesus Cristo que na doação amorosa da cruz deu-nos vida nova e concedeu-nos a graça de sermos filhos do Pai. Com sua morte transformou todas as realidades, criando um novo céu e uma nova terra.
A quaresma é o caminho que nos leva ao encontro do Crucificado-ressuscitado. Caminho, porque processo existencial, mudança de vida, transformação da pessoa que recebeu a graça de ser discípulo-missionário. A oração, o jejum e a esmola indicam o processo de abertura necessária para sermos tocados pela grandeza da vida nova que nasce da cruz e da ressurreição.
Assim, atingidos por Ele e transformados n’Ele, percebemos que todas as realidades devem ser transformadas, para que todas as pessoas possam ter a vida plena do Reino.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove a Campanha da Fraternidade, desde o ano de 1964, como itinerário evangelizador para viver intensamente o tempo da quaresma.
A Igreja propõe como tema da Campanha deste ano: “A fraternidade e a Saúde Pública”, e com o lema: Que a saúde se difunda sobre a terra (cf. Eclo 38,8). Deseja assim, sensibilizar a todos sobre a dura realidade de irmãos e irmãs que não têm acesso à assistência de Saúde Pública condizente com suas necessidades e dignidade. É uma realidade que clama por ações transformadoras. A conversão pede que as estruturas de morte sejam transformadas.
A Igreja, nessa quaresma, à luz da Palavra de Deus, deseja iluminar a dura realidade da Saúde Pública e levar os discípulos-missionários a serem consolo na doença, na dor, no sofrimento e na morte. E, ao mesmo tempo, exigir que os pobres tenham um atendimento digno em relação à saúde. Que ela se difunda sobre a terra, pois a salvação já nos foi alcançada pelo Crucificado.
À nossas Comunidades, grupos e famílias, uma abençoada caminhada quaresmal e celebremos a Jesus Cristo que fez novas todas as coisas.

*Bispo Prelado de São Felix - MT
Secretário Geral da CNBB

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

LOGOMARCA OFICIAL DA JMJ RIO2013: CONCEITO

Conceito
Com base no trecho da Palavra do Evangelho de São Mateus, percebe-se a necessidade de expressar uma referência direta à imagem de Jesus e ao sentido do discípulo. Neste episódio, Jesus se encontrou com seus discípulos em uma montanha, após sua ressurreição. Como símbolo da cidade do Rio de Janeiro, o Cristo Redentor também se encontra em uma montanha e é um monumento reconhecido no mundo inteiro. O tema é uma palavra de ordem proclamada pelo próprio Senhor Jesus, e assim a Sua imagem possui destaque no centro do símbolo.
Os elementos do símbolo formam a imagem de um coração. Na fé dos povos o coração assumiu papel central, assim como o Brasil será o centro da juventude na Jornada Mundial. Também designa o homem interno por inteiro, se tornando nesta composição a referência aos discípulos que possuem Jesus em seus corações.
Os braços do Cristo Redentor ultrapassam a figura do coração, como o abraço acolhedor de Deus aos povos e jovens que estarão no Brasil. Representa nossa acolhida, como povo de coração generoso e hospitaleiro.
A parte superior (em verde) foi inspirada nos traços do Pão de Açúcar, símbolo universal da cidade do Rio de Janeiro, e a cruz contida nela reforça o sentido do território brasileiro conhecido por Terra de Santa Cruz. As formas que finalizam a imagem do coração possuem a cor azul, representando o litoral, somada ao verde e amarelo que transmitem a brasilidade das cores da bandeira nacional.

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Logomarca oficial da JMJ Rio2013 protegida nos termos da Lei de Direitos Autorais.
SETOR COMUNICAÇÃO JMJ RIO2013


Fonte:http://www.rio2013.com/pt/noticias/detalhes/202/logomarca-oficial-da-jmj-rio2013-conceito

Entendendo a Liturgia: O que é Liturgia? (parte: 1/4)


p  ASSEMBLÉIA LITÚRGICA.
p  “Proclamai uma reunião sagrada! Reuni o povo, convocai uma assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens”... (Joel 2,16)
p  Definição:
p  É uma reunião de pessoas em vistas de um determinado objetivo, meta ou fim.
p  Assembléia Litúrgica: É um povo convocado por Deus para responder à sua Palavra em atitude de fé. É o corpo de Cristo: sinal visível do grande mistério da Igreja em toda a sua realidade.
p  Quem convoca a assembléia litúrgica é o próprio Deus. Foi ele quem escolheu cada um de seus membros (“fui eu que vos escolhi” – Jo 15,16) por chamado especial. “Tomar-vos-eis por meu povo, e serei o vosso Deus” (Ex 6,7).
p  O que é liturgia?
p  LITURGIA: palavra grega composta de leito, que significa público, e de urgia, que significa obra ou ato, o que em português chamamos de ato público: serviço divino. Os livros que contêm o modo de celebrar os santos mistérios denominam-se liturgias.
p  Litúrgico: que pertence ou se refere às liturgias.
p  Liturgistas: escritores ou estudiosos de liturgia.
p  O que celebra a liturgia?
“A obra da salvação, continuada pela Igreja, se realiza na liturgia.” (SC,6)
p  Como toda Celebração, a liturgia envolve um grande acontecimento: trata-se de celebrar o MISTÉRIO PASCAL – a paixão, a morte, a ressurreição e a glorificação de Cristo. E é este o acontecimento central de nossa fé.
p  Mistério Pascal: Costumamos dizer que liturgia é a celebração dos mistérios de Deus. Que mistérios são esses? Quando falamos em mistérios de Deus queremos indicar os projetos de Deus que se realizam na pessoa de Jesus Cristo: a redenção e a salvação de todos os homens, a implantação do Reino de Deus no mundo, a participação de todos da vida e da felicidade de Deus...
p  Qual é o mistério central da vida de Cristo? É a sua paixão, morte e ressurreição. Que nome se dá ao mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo? Dá-se o nome de Mistério Pascal.
p  E o que se quer dizer Pascal? Deriva-se de páscoa, que significa passagem. Portanto, mistério pascal é a passagem de Cristo pelo sofrimento e morte até a sua ressurreição-glorificação.
Quando se fala em mistério pascal não se deve pensar somente em Jesus. A páscoa de Jesus está unida à páscoa do povo de Deus. A páscoa é páscoa do Cristo total: cabeça e membros.
p  O que faz a liturgia? A liturgia celebra a páscoa do Senhor e a páscoa do se povo. Celebra os sofrimentos, a morte, a ressurreição-glorificação de Jesus; mas celebra também, por um lado, as lutas as dores, as angústias e a morte do nosso povo, e por outro lado, celebram suas conquistas, alegrias e esperança em vista de uma sociedade fundada na justiça e na fraternidade.
p  Que lugar ocupa a liturgia no plano de Deus? Deus organizou um plano que passa pelos profetas e por Cristo chega até nós. E ele quis o prolongamento deste plano na história dos homens. A liturgia se inscreve na continuidade da Obra de Deus desde a criação até a Parusia - o fim dos tempos, quando na Nova Jerusalém celebramos de um modo perfeito e definitivo a liturgia celeste (SC, 8).
p  O Papel da Liturgia na Missão de Cristo: Para unir, reunir e congregar todos os homens em Deus, Cristo permanece presente, atual, vivo, hoje e sempre na celebração litúrgica. Ele é o litúrgico por excelência. É altar e oferenda, vítima e holocausto. Nele encontra-se a plenitude do culto divino. Toda a vida de Cristo é litúrgica e sacerdotal. Está a serviço:
p  Da glorificação de Deus (“Eu te louvo, ó Pai” – Lc 10,21);
p  A santificação dos homens (“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” – Jô 8,32);
p  Da reconciliação de todos com Deus (“Eu não quero a morte do pecador, mas que ele se converta e viva” – Mt 9,13).
p  A Liturgia é vida para a Igreja: A vida da Igreja resume-se no serviço de Cristo que salva. Por isso, a Igreja é sinal, instrumento e sacramento visível de unidade e salvação. Este serviço é de modo especial à liturgia – serviço em favor do povo. Nela a Igreja atualiza o Mistério Pascal do Cristo para a salvação do mundo e louva a Deus em nome de toda a humanidade. A liturgia é o momento culminante da vida da Igreja, da atuação do Espírito Santo e da perseverança do Cristo Glorioso. É a vida da Igreja onde o Cristo se faz presente, realizando a salvação do seu povo. Liturgia é, portanto, a salvação celebrada atualizada, acontecida e vivida.
p  A HISTÓRIA DA LITURGIA.
p 
p  O que Cristo deixou determinado com relação à liturgia?
                Jesus Cristo não deixou nada escrito. Não traçou nenhum ritual de cerimônias religiosas. A grande liturgia de sua vida foi, de fato, a sua entrega, na cruz, oferecendo-se como sacrifício, ao Pai e aos homens. Os apóstolos, porém, assistidos pelo Espírito Santo, organizaram as primeiras comunidades e criaram maneiras novas para o culto das mesmas. Tudo foi sendo conforme a realidade e necessidade do povo.
                A Igreja vai se encarnando, se aculturando, se adaptando conforme as necessidades de cada lugar e de cada época. E isto é bem claro com relação à liturgia. No principio, os apóstolos, como os primeiros cristãos, continuam frequentando o templo para oração. A Igreja, no seu começo, não possuía um culto próprio diferente do culto do judaísmo. Mas, ao mesmo tempo em que frequentavam o templo, os cristãos iam criando formas próprias de culto. O mesmo vai acontecendo nas casas.
Ai, os cristãos se reúnem para a sua liturgia, celebrando a nova aliança com morte de Cristo pela renovação da Ceia Pascal do Senhor.
p  AS PRIMERIAS LITURGIAS
p  “Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”. (At 2,42).
p  Nossa liturgia tem sua origem (fato):
p  A nossa liturgia tem a sua origem na última ceia de Jesus Cristo com o grupo dos 12 apóstolos. Dela falam os evangelistas Mateus (26,26-28) Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de ter pronunciado a bênção, ele o partiu; depois, dando-o aos discípulos, disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. A seguir, tomou uma taça e, depois de ter dado graças, deu-a a eles, dizendo: Bebei dela todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, derramado em prol da multidão, para o perdão dos pecados. Cf.: Marcos (14,22-25) e Lucas (22,19-20) e o apóstolo Paulo (1Cor 11,23-25). Eles ainda apresentam o pedido de Jesus “Fazei isto em memória de mim”.
p  As Primeiras Liturgias nas primeiras comunidades: As primeiras liturgias das comunidades primitivas eram bem celebradas e participativas; conservavam um sabor especial que era a presença viva de Jesus. Celebravam nas casas, entre as famílias.
p  Os alimentos, os cantos, a música, tudo era parte das pessoas e não algo estranho a elas. A Eucaristia era, acima de tudo, a recordação viva do mestre Jesus. E essa recordação era para ser confrontada com a vida pessoal de cada um e com a vida da comunidade. O mais importante em tudo isto era a viva participação de todos: “Quando estais reunido, cada um de vós, pode cantar um canto, proferir um ensinamento ou uma revelação... mas que tudo se faça para a edificação” (1Cor 14,26).
p  Entre os primeiros Cristãos já havia um rito da palavra: Os primeiros Cristãos reunidos para a liturgia tinham a consciência de que a pregação dos apóstolos era a Palavra de Deus. Após ouvir com atenção, a pregação dos apóstolos, eles celebravam a ceia do Senhor. Assim, desde o inicio, a palavra anunciada antecede à celebração Eucarística.
p  O que aprendemos da Liturgia dos primeiros Cristãos?
 Os primeiros cristãos não apenas celebravam a liturgia, mas vivia a liturgia. Do seu comportamento podemos retirar algumas lições para nós, hoje: Constata-se, em primeiro lugar, uma estreita ligação entre a celebração e a vida deles. A celebração da entrega do Corpo e Sangue do Senhor Jesus era a expressão da doação de suas vidas pelos outros. Todos se preocupavam pelos problemas de todos “Um por todos e todos por um”.
p  (1cor 11, 17-26). Isto posta, eu não tenho de que vos felicitar: as vossas reuniões, muito ao invés de vos fazer progredir, vos prejudicam. Primeiramente, quando vos reunis em assembléia, há entre vós divisões, dizem-me, e creio que em parte seja verdade: é mesmo necessário que haja cisões entre vós, a fim de que se veja quem dentre vós resiste a essa provação. Mas quando vos reunis em comum, não é a ceia do Senhor que tomais. Pois na hora de comer, cada um se apressa a tomar a própria refeição de maneira que um tem fome, enquanto o outro está embriagado. Então, não tendes casas para comer e beber? Ou desprezais a Igreja de Deus, e quereis afrontar os que não têm nada? Que vos dizer? É preciso louvar-vos? Não, neste ponto eu não vos louvo.
p  De fato, eis o que eu recebi do Senhor, e o que vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou pão, e após ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, em prol de vós, fazei isto em memória de mim. Ele fez o mesmo quanto ao cálice, após a refeição, dizendo: Este cálice é a nova Aliança no meu sangue; fazei isto todas as vezes que dele beberdes, em memória de mim. Pois todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.
p  Sente-se a ligação entre a missa e Igreja: pela Eucaristia a Igreja se constrói anunciando, denunciando e vivendo Jesus.
p  O Domingo.
p  Porque os cristãos das comunidades primitivas tinham o costume de reunir-se no domingo?
Porque foi no domingo – “o primeiro dia da semana” – que o Senhor Jesus Cristo Ressuscitou.
p  “Devido à tradição apostólica que tem sua origem no dia mesmo da Ressurreição de Cristo, a Igreja celebra cada oitavo dia o Mistério Pascal. Esse dia Chamava-se justamente dia do Senhor ou domingo(Dies Domini). Neste dia, pois, os cristãos devem reunir-se para, ouvindo a Palavra de Deus e participando da Eucaristia, lembrarem-se da Paixão, Ressurreição e Glória do Senhor”.
p  "Para darem graças a Deus que os regenerou para a viva esperança, pela Ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos.” (1Pd 1,3).Por isso, o domingo é um dia de festa primordial que deve ser lembrado e inculcado à piedade dos fieis, de modo que seja também uma dia de alegria e de descanso do trabalho”. (cf. SC, 106).
“No dia do Sol todos nos congregamos... Porque nesse dia ressuscitou dentre os mortos Jesus Cristo, nosso Salvador”. (São Justino).
p  De onde vem este nome? São João, no Apocalipse, é o primeiro autor sagrado que fala do “Dia do Senhor”: “Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, na realeza e na perseverança em Jesus, encontrava-me na ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus... E no Dia do Senhor...” (cf. Ap 1,9-10).
p   No final do século I a Didaqué também faz menção deste nome: “Reuni-vos cada Dia do Senhor, parti o pão e daí graças depois de haver confessado vossos pecados, a fim de que vosso sacrifício seja puro”.
p  Qual é a origem do domingo? Estes mesmo textos citados demonstram que era costume dos apóstolos assistir ao culto sinagogal, continuando logo com uma vigília que se estendia até a madrugada do primeiro dia. Havia, pois, uma justaposição do culto sabático judeu com o nascente culto dominical cristão.
p  O que se celebra neste dia? São Justino dá testemunho da consciência da celebração semanal da Páscoa da Igreja nascente: “nos reunimos no dia do sol, tanto porque é o primeiro dia em que Deus Criou o mundo, como porque nesse mesmo dia Cristo, Salvador, ressuscitou dentre os mortos” (Apol. nº 67).
p  Quais as características do domingo Cristão?
p  A Aspersão – recordação da incorporação batismal no mistério de Cristo.
p  A celebração da Eucaristia e a obrigação de assistência à mesma.
p  Qual a origem da idéia do repouso dominical?
Sua origem descansa na doutrina vétero-testamentária do sábado. No cristianismo só se conhece a partir da segunda metade do século III. O imperador Constantino se encarregou de generalizar o descanso dominical estabelecido como lei o que já era costume bastante difundido entre os cristãos. Prescrições cada vez mais rigorosas foram aparecendo no século seguinte.
p  Qual é a significação teológica do domingo na tradição cristã?
p  Podemos considerá-la em três aspectos, a saber:
p  O dia da Ressurreição;
p  O dia da vinda do Senhor;
p  O dia da presença do Senhor.
p  O dia da Ressurreição – Aspecto Comemorativo:
p  Nos primeiros séculos do cristianismo, a Páscoa foi a única festa que se celebrou em toda a Igreja a sua celebração foi semanal. Concretamente, no domingo. A primazia do domingo sobre os demais, como comemoração anual, apareceu bem mais no século II. São inumeráveis os testemunhos da celebração dominical da Páscoa. Santo Inácio de Antioquia recomenda festejar o oitavo dia “Porque nele Jesus ressuscitou dentre os mortos”. Tertuliano dá ao domingo o nome de “Dia da Ressurreição”. Posteriormente, São Jerônimo, Santo Agostinho e outros remontam aos apóstolos a instituição do domingo como “a celebração semanal da Ressurreição”.
p  O dia da vinda do Senhor – Aspecto escatológico.
p  O elemento escatológico é essencial na fé e na vida cristã. “A Igreja, nos ensina o Concilio Vaticano II, a que todos temos sido chamados em Cristo Jesus e na qual, pela graça de Deus, adquirimos a santidade, não será elevada à sua plena perfeição senão quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas” (At 3,21) e quando o gênero humano, também o universo inteiro, que está intimamente unido com o homem por ele alcançar seu fim, será perfeitamente renovado. (cf. Ef. 1,10; Cl 1,20 e 2pd 1,10-13).
p  Isto é o que professamos todos os domingos na recitação do credo: “... de novo há de vir julgar os vivos e os mortos (...) Cremos na ressurreição da carne e na vida eterna”. (Cf. Profissão de fé).
p  Como se vê esta ansiosa espera da Igreja da vinda definitiva do Senhor tem lugar, de maneira especial, na celebração litúrgica do domingo, chamado também o “oitavo dia”, quer dizer o dia que segue ao tempo, o dia eterno “que não conhece o ocaso”.
p  O dia da presença do Senhor – Aspecto Significativo.
p  A celebração dominical de Cristo ressuscitado atualiza em nossas existências sua presença e seu ministério salifico. A constituição Sacrossanctum Concilium sobre a liturgia, no nº 7, nos mostra os vários modos da presença de Cristo e de seu ministério na Celebração Eucarística. Desta maneira se vê claro que o domingo é o dia da presença do ressuscitado. É o “aqui e o agora” da festa cristã.
p  Através dos distintos elementos da celebração dominical, se fazem presentes, no meio de sua Igreja, o Senhor Ressuscitado e seu mistério salvífico pascal.
p  Nos primeiros tempos do cristianismo havia somente os domingos. Cada domingo era de festa. Celebrava-se o mistério Pascal: morte e ressurreição do Senhor. Com o tempo, os cristãos começaram a celebrar um destes domingos de modo especial: chamado-o Domingo da Páscoa.
p  Depois, celebravam em dias determinados do ano, uma festa especial ou outros acontecimentos importantes da vida de Cristo: Nascimento, Epifania, Ascensão, Pentecostes. Assim teve origem as festas do Ano Litúrgico.


Pesquisado por: Frei Fábio Soares, OFMConv e equipe.

Confira:


Parte 1/4:http://conventuaisrj.blogspot.com.br/2012/02/formacao-liturgica-o-que-e-liturgia.html

Parte 2/4:http://conventuaisrj.blogspot.com.br/2012/02/formacao-liturgica-simbolos-espaco.html

Parte 3/4:http://conventuaisrj.blogspot.com.br/2012/03/formacao-liturgica-gestos-liturgicos.html

Parte 4/4:http://conventuaisrj.blogspot.com.br/2012/03/formacao-liturgica-introducao-liturgia.html

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