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sábado, 15 de outubro de 2011

O uso de projetor na Liturgia

Por: Irmã Miria Terezinha Kolling*




Na última assembléia dos Bispos – maio de 2010 - em Brasília, a Comissão Episcopal para a Liturgia fez uma séria reflexão sobre o uso, cada vez mais freqüente, de audiovisuais nas celebrações litúrgicas. A Comissão reconhece o valor desse recurso, que muitas comunidades introduziram, em substituição aos folhetos, folhas e livros de canto, talvez até por questões econômicas, ecológicas ou mesmo práticas e pastorais, buscando promover a participação do povo.




Uma questão complexa, que merece ser aprofundada mas também questionada... Vê-se em muitas comunidades o uso da multimídia, projetando não só os cantos, mas também as orações presidenciais, os textos das leituras, o salmo responsorial, a oração eucarística, e mais grave ainda, desenhos, ícones, cenas bíblicas e mensagens alheias ao mistério, enquanto ele está sendo celebrado no altar, as leituras sendo proclamadas no ambão, a ação litúrgica acontecendo na mesa eucarística... O telão, acima ou ao lado do altar, desvia a atenção e o olhar da assembléia, competindo com o altar...





Os Bispos nos dão alguns elementos de reflexão sobre essa realidade, a ser revista e redimensionada, em vista da plena e ativa participação da assembléia, como requer a liturgia e como nos orienta o Concílio. Vários foram os pontos colocados pela Comissão, que podemos resumir nos seguintes:



1. Os dois elementos essenciais do espaço celebrativo, o centro da celebração litúrgica, são as duas mesas: a da Palavra e a da Eucaristia. Nada nos pode desviar nem distrair desse centro, para onde deve convergir nossa atenção, nosso olhar e nosso coração. A igreja é o espaço onde a comunidade se reúne para celebrar o Mistério Pascal do Senhor e encontrar-se com o Cristo Ressuscitado.
2. A mesa da Palavra – Na celebração litúrgica, o leitor proclama a Palavra e a assembléia escuta, voltada atentamente para o ambão. É diálogo de Deus com seu povo. É o Pai que pronuncia a Palavra, falando-nos de muitas formas, mas sobretudo pelo seu Filho Jesus, o Verbo da vida. Diz a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR 38): “A dignidade da Palavra de Deus requer na Igreja um lugar condigno de onde possa ser anunciada e para onde se volte espontaneamente a atenção dos fiéis no momento da liturgia da Palavra”. Olhos fixos, ouvidos atentos e coração aberto são as atitudes do discípulo que escuta seu Senhor, para depois colocar em prática a palavra do Mestre. Não é litúrgico acompanhar o texto impresso e projetado num telão...
3. A mesa da Eucaristia – ao entrar na igreja, devemos olhar e reverenciar o altar, lugar de destaque e centro das atenções, pois ele se torna sagrado, pela força do mistério maior que ali se realiza: por ele, Deus desce ao mundo, e o mundo sobe até Deus. É em torno da mesa eucarística que se proclama a “grande ação de graças da Igreja ao Pai, por Cristo e no Espírito Santo... A Oração Eucarística é o centro e ápice de toda a celebração.” (GMR 78). Por isso, tudo deve convergir para o altar, a mente e o coração devem estar voltados para ele, ouvindo a proclamação do presidente e participando desse momento ritual. “Imagens projetadas durante a celebração desviam a nossa atenção da ação de Jesus Cristo, aqui e agora, na própria ação ritual.”


4. O ministro, quando preside a Eucaristia, age in persona Christi. O Concilio nos diz: “O sacerdote ministerial realiza o sacrifício eucarístico na pessoa de Cristo e oferece este sacrifício eucarístico a Deus, em nome de todo o povo.” Jesus Cristo assume a voz, o rosto, os braços, o corpo todo do ministro para, por meio dele, se comunicar com o povo reunido em assembléia... Perguntam os bispos: “Como fica quando a assembléia se vê obrigada a ter que desviar sua atenção para o telão, exatamente quando teria de contemplar a ação do Cristo vivo na pessoa do ministro? E como fica a “participação ativa”, tão desejada pela Igreja?”





5. A assembléia – não é mera expectadora, mas participante do mistério celebrado. Todos devem estar envolvidos, havendo interação entre a presidência e a assembléia; entre quem proclama a Palavra e o povo que escuta; entre Deus e seu povo, e entre o povo e seu Deus, pela força da ação ritual que se realiza na liturgia. A projeção de imagens é elemento estranho ao espaço celebrativo, desfocando a atenção da assembléia daquilo que é central na celebração.


6. O uso didático do projetor multimídia, assim como toda a tecnologia, pode ser muito útil para a Catequese, os estudos bíblicos, a formação litúrgica e a preparação aos Sacramentos, onde presta notável serviço à sagrada liturgia, tornando-a mais participativa, orante, simbólica e pascal.



Concluindo, a Comissão Episcopal invoca sobre todos nós a luz do Espírito Santo, pedindo que nos ilumine, para qualificarmos sempre mais nossas celebrações e todos os seus ministérios.“Tudo para que nossas assembléias litúrgicas, corpo eclesial de Cristo, possam sentir-se plenamente sujeito das ações rituais e, ao mesmo tempo, todas as pessoas que as compõem sintam-se envolvidas pelo mistério da salvação e glorifiquem ao Pai por uma vida santa.”

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