Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Os Santos Arcanjos.

Com alegria, comemoramos a festa de três Arcanjos neste dia: Miguel, Gabriel e Rafael. A Igreja Católica, guiada pelo Espírito Santo, herdou do Antigo Testamento a devoção a estes amigos, protetores e intercessores que do Céu vêm em nosso socorro pois, como São Paulo, vivemos num constante bom combate. A palavra “Arcanjo” significa “Anjo principal”. E a palavra “Anjo”, por sua vez, significa “mensageiro”.


São Miguel
O nome do Arcanjo Miguel possui um revelador significado em hebraico: “Quem como Deus”. Segundo a Bíblia, ele é um dos sete espíritos assistentes ao Trono do Altíssimo, portanto, um dos grandes príncipes do Céu e ministro de Deus. No Antigo Testamento o profeta Daniel chama São Miguel de príncipe protetor dos judeus, enquanto que, no Novo Testamento ele é o protetor dos filhos de Deus e de sua Igreja, já que até a segunda vinda do Senhor estaremos em luta espiritual contra os vencidos, que querem nos fazer perdedores também. “Houve então um combate no Céu: Miguel e seus anjos combateram contra o dragão. Também o dragão combateu, junto com seus anjos, mas não conseguiu vencer e não se encontrou mais lugar para eles no Céu”. (Apocalipse 12,7-8)


São Gabriel
O nome deste Arcanjo, citado duas vezes nas profecias de Daniel, significa “Força de Deus” ou “Deus é a minha proteção”. É muito conhecido devido a sua singular missão de mensageiro, uma vez que foi ele quem anunciou o nascimento de João Batista e, principalmente, anunciou o maior fato histórico: “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré… O anjo veio à presença de Maria e disse-lhe: ‘Alegra-te, ó tu que tens o favor de Deus’…” a partir daí, São Lucas narra no primeiro capítulo do seu Evangelho como se deu a Encarnação.
São Rafael
Um dos sete espíritos que assistem ao Trono de Deus. Rafael aparece no Antigo Testamento no livro de Tobit. Este arcanjo de nome “Deus curou” ou “Medicina de Deus”, restituiu à vista do piedoso Tobit e nos demonstra que a sua presença, bem como a de Miguel e Gabriel, é discreta, porém, amiga e importante. “Tobias foi à procura de alguém que o pudesse acompanhar e conhecesse bem o caminho. Ao sair, encontrou o anjo Rafael, em pé diante dele, mas não suspeitou que fosse um anjo de Deus” (Tob 5,4).

São Miguel, São Gabriel e São Rafael, rogai por nós!

domingo, 25 de setembro de 2011

4º Encontro Vocacional

Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo, Paz e Bem!
Enfim, mais um fim de semana agraciado por Deus com mais um encontro vocacional, que se realizou nestes dias (23, 24 e 25 de setembro), com o tema da missão e evangelização da Ordem no mundo contemporâneo. As exposições foram de grande estima, pois contamos com a presença de frades que fizeram e que fazem missões dentro e fora do Brasil. Os palestrantes foram: Fr. José Cardoso, OFMConv, Fr. Ariel Ribeiro, OFMConv, Fr Cláudio Vieira, OFMConv e Fr. Leonardo Rodrigues, OFMConv, com os respectivos sub temas: Presença da Ordem no mundo contemporâneo, Missão e Evangelização na América Latina e Brasil, Processo Formativo na Ordem e na Custódia Imaculada Conceição e Ordem Franciscana Secular (OFS).
Contamos com a presença de sete jovens, a saber: Arthur e Luiz Henrique, de Araruama, Eduardo, Jonathan e Rafael, de Costa Barros – Rio e Carlos Magno, de Conceição do Mato Dentro – MG. Esses jovens experimentaram e refletiram mais sobre o sentido da Ordem Franciscana no mundo não somente pelas reflexões e atividades no encontro, mas também puderam sentir a experiência dos frades que realizaram missões na Itália e no Equador pelo relato dos freis José Cardoso e Ariel, respectivamente. Ademais, eles [jovens] também tiveram momentos de muita oração, dinâmicas, animação.
Agora estamos preparando o estágio vocacional, que realizar-se-á dos dias 11 a 15 de novembro. E contamos com as orações de todos para que tudo seja feito com bastante ânimo e coragem. Que Maria santíssima e São Francisco de Assis intercedam por todos os nossos pedidos e por novas e santas vocações para a Igreja e para a Ordem Franciscana Conventual. Abraços a todos e que o Senhor vos conceda a paz!
Fr. Leonardo Rodrigues, OFMConv
Serviço de Animação Vocacional.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Rio + 20: não deixemos passar a hora!

Por: Comissão Brasileira de Justiça e Paz da CNBB

Isto é um grito de angústia e um apelo. Só a cidadania mobilizada e com propostas pode impedir um fracasso anunciado de mais uma conferência da ONU. A sustentabilidade da vida e do planeta depende de nós, cidadãs e cidadãos do mundo, que temos a Terra e suas diferentes formas de vida a compartir entre todos, hoje e com gerações futuras, respeitando a sua integridade. Devemos agir enquanto é tempo para mudar de rumo e evitar o pior em termos de destruição ambiental e impacto social do desenvolvimento atual.
Estamos a menos de um ano da conferência Rio + 20, aqui no Rio de Janeiro, em começo de junho de 2012, e quase nada acontece. Nem parece que estamos diante do desafio incontornável de reverter um processo de desenvolvimento destrutivo da base natural da vida. Os nossos governantes estão mais preocupados com a queima de capital especulativo nas bolsas e a saúde dos bancos do que com as múltiplas crises em que a humanidade afunda: climática, alimentar, das condições de vida, da política e de valores éticos. Isso porque na atual estrutura de poder mundial, controlada pelos interesses das grandes corporações econômico-financeiras, pelos países desenvolvidos e pelos “emergentes”, não existe um real interesse político em mudar o que pode pôr em risco o “negócio do desenvolvimento”. Cidadãos e cidadãs indignados se insurgem contra tudo isso em várias partes do mundo, mas ainda não se deu a liga entre eles, a articulação que junta a diversidade num grande movimento irreversível.
Estamos diante de uma crise da própria civilização capitalista industrial, com seu produtivismo e consumismo, movida pelo acumular de riqueza, crescendo sempre, sem limites. Nunca podemos esquecer que esta civilização, em que a riqueza de um povo é medida pelo ter sempre mais e mais bens, pela renda per capita, pela acumulação e pelo crescimento do PIB, foi feita a pau e fogo, literalmente, durante os últimos séculos da história humana. Conquista e colonização, com escravidão de povos inteiros, revolução industrial baseada no uso intenso de energia fóssil e matéria-prima, com destruição e poluição ambiental quase sem volta, gerando a crise climática, com extrema miséria e extrema riqueza. Imperialismos e guerras, mudando de mãos e territórios, foram se sucedendo na medida da necessidade para garantir a dominação de tal civilização, até hoje. Com a globalização capitalista das últimas décadas, ela virou referência para praticamente toda a humanidade. Pelo pior caminho criamos as condições para a emergência de uma comunidade planetária, interdependente. Falta-nos transformar tal fato em sonho coletivo, e vontade, em ação, na diversidade do que somos.
Em meio ao lixo e mais lixo, à convivência de abundância extrema com a miséria extrema, a civilização capitalista industrial produtivista e consumista exerce um fascínio enorme, conquistando corações e mentes quase sem fronteiras. O fato é que a economia e o poder que a sustentam, bem como o estilo de vida desta civilização, tem como pressupostos indispensáveis à dominação, o racismo e a discriminação, o machismo e a exclusão social, uma destruição ambiental que compromete a sustentabilidade da vida e do planeta.
Começa a surgir no seio das sociedades civis do mundo inteiro a consciência que assim não dá para continuar. Precisamos mudar já! Mas eticamente não dá para salvar o planeta e esquecer a humanidade. Como mudar conciliando a agenda da sustentabilidade da natureza e da vida com a justiça social? Eis a grande questão para a cidadania e a democracia, do local em que vivemos ao mundo todo, reconhecendo-nos como comunidade cidadã planetária, com direitos e responsabilidades compartidos, comungando valores de liberdade e igualdade, de solidariedade e participação democrática, valorizando nossa diversidade e interdependência.
A enorme esperança gerada pelo Eco-92, a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, não foi capaz de se transformar em contraponto à avassaladora globalização neoliberal que tomou de conta do mundo nos anos 1990 e começo do novo século. Na mesma proporção em que cresceram as grandes empresas, aumentaram a disputa mundial por recursos, a destruição e a desigualdade. O objetivo do crescimento dos negócios a qualquer preço foi favorecido pela liberalização, desregulação e flexibilização, com desmonte da própria capacidade promotora de direitos e reguladora dos Estados. Esvaziou-se a ONU e cresceu o ilegítimo G8, sob liderança da única potência militar imperial, os EUA. Agora, no bojo da crise, apareceu o G20, um alargamento do clube fechado do poder mundial do G8, que não muda a essência da assimetria do poder e a dominação que propicia.
A agenda da justiça social foi relegada aos chamados ODM – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, oito pontos nada ambiciosos, onde se acorda a fazer justiça sem mudar as causas da injustiça. Aliás, nem isto está sendo feito. A falta de vontade de mudar o modo de organizar as sociedades, a sua economia e o seu poder ficam mais claros ainda nas negociações que seguiram as convenções assinadas em 1992. A muito custo se chegou ao Protocolo de Kyoto, sobre mudanças climáticas, que nada mais é do que o pagamento pelo direito de continuar poluindo para que outros, em outros lugares do mundo, assumam o compromisso de captar carbono, com florestas em pé. Em Durban, em 2002, o negócio verde ganhou espaço na conferência e perdeu a esperança que ainda fosse possível almejar mudanças mais radicais. Novamente, em 2009, em Copenhague, parecia ressurgir a esperança. Apesar da pressão das ruas, os governantes não passaram de uma declaração de vagas promessas.
Assim não dá mais! As múltiplas e combinadas crises, que do coração dos países desenvolvidos dominantes se alastram e contaminam o mundo todo, só reforçam a convicção de ativistas por outro mundo. O paradigma industrial capitalista, produtivista e consumista está sendo corroído pelas suas próprias contradições. Não é uma mera remodelação do mesmo que vai dar outro rumo.
No caso da conferência Rio+20, tudo isso parece operar ao mesmo tempo. A crise funciona como desculpa para governantes não se comprometerem. Obama visitou o Brasil este ano, esteve no Rio, acionou seu arsenal contra a Líbia e falou de quase tudo, até de Copa do Mundo de Futebol de 2014 e das Olimpíadas de 2016, mas nada da Conferência tão vital para a humanidade e o planeta. Olhando para outro lado, o que os líderes europeus estão fazendo para tornar a Rio+20 algo marcante? A crise da zona do euro justifica o silêncio? E do Japão – dos terremotos, tsunamis e vazamentos nucleares – dá para esperar algo? Os “emergentes” – nós, brasileiros, entre eles – com suas ambições de rápido crescimento, a qualquer custo, são parte do problema e não da solução. E aí o que fazer se o próprio presidente da Conferência Rio+20 é um embaixador chinês na ONU? A Conferência será no Brasil, mas na nossa agenda temos a retomada das usinas nucleares, o petróleo do pré-sal, as grandes barragens na Amazônia e, para complicar mais, a flexibilização do Código Florestal. O quadro não poderia ser mais desalentador.
No seu conteúdo mesmo pouco ou nada dá para esperar da conferência. O tema principal é a economia verde, algo mais palatável do que falar de sustentabilidade que, no mínimo, põe em relevo a relação sociedade e natureza de forma mais ampla. Qualificar de verde uma economia cuja lógica é acumular riqueza antes e acima de tudo, continuando a comodificar e mercantilizar a vida e a natureza, gerando destruição e desigualdades, mesmo em nome de empregos, não passa de abertura de uma nova frente de negócios. O tema da governança, também na pauta, não passa de outro engodo, pois se tratam de empoderar organismos na ONU para a regulação do “negócio verde”.
Para completar, o formato não é de uma cúpula, mas de uma conferência de nível ministerial, esvaziada por definição.
A nascente cidadania planetária, em sua diversidade de identidades e vozes dissonantes, não tem nada a esperar da Rio+20. Precisamos acreditar na nossa capacidade de instituintes e constituintes, chamados a destampar contradições e fazer avançar a história em certos momentos. Penso que estamos diante de um grande desafio e de uma possibilidade. O desafio é ter ousadia para sonhar as mudanças impossíveis que a humanidade e o planeta precisam para mudar de paradigma. O desafio é, também, ter a coragem de fazer propostas vistas como impossíveis e agir para torná-las possíveis. É assim que se fez a história humana, com seus caminhos e descaminhos.
A possibilidade é aproveitar o tempo daqui até a conferência Rio+20 e a sua realização e inverter o jogo, criar a o espaço vibrante da cidadania mundial pela sustentabilidade da vida e do planeta. Ao invés de reagirmos ao que se propõe e discute na conferência oficial ou de fazer eventos paralelos, na volta, façamos com que o evento principal seja o da cidadania, cabendo aos representantes da conferência oficial reagir ao que propomos e demandamos. O método é o nosso método da cidadania ativa, onde o número mobilizado em torno a uma causa vira qualidade política e forças transformadoras. Precisamos ocupar e alargar o espaço público, politizar a economia e a vida, radicalizar as demandas democratizando a própria democracia, desta vez diversa, mas de dimensões e impacto planetário. A receita é simples: mobilização, participação e pressão, acreditando na força de nossos sonhos e idéias, formulando propostas ousadas.
Façamos da Rio 2012 um momento de indignação planetária e de virada cidadã. Precisamos fazer valer nosso poder cidadão, com o seu enraizamento profundo na diversidade do que somos e situações que vivemos, na força de nossas idéias, a riqueza de nossas experiências de construção do futuro aqui e agora, na nossa capacidade de construir redes e mobilizar, na nossa incidência política. Como diz o poeta, “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.



Festa de São Francisco 2011


Clique na foto para visualizar em tamanho maior!

Segue o cartaz da programação dos festejos em honra a São Francisco de Assis na única Paróquia no Rio de Janeiro dedicada ao Seráfico Pai, aos cuidados dos Frades Franciscanos! Venham participar!

domingo, 18 de setembro de 2011

Passeio Socrático

Por Frei Betto,OP

Ao viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'.
Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...'. 'Que tanta coisa?', perguntei.. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada.
Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa? Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual.. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra!
Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é 'entretenimento'. Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.
Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, ­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!'
O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal  maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor..
Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não
se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas.
Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
'Estou apenas fazendo um passeio socrático'. Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:´Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!"




Frei Betto, OP - Autor, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de "O desafio ético" (Garamond), entre outros livros. Além de escritor, é também frei dominicano.

sábado, 17 de setembro de 2011

Impressão das Chagas de S.Francisco. (parte 3/3)

O modo de amar a teu Criador ensina-o o teu esposo no evangelho: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Repara bem, caríssima serva de Jesus Cristo, que amor o teu dileto esposo exige de ti. Quer o teu amado que ao seu amor dediques todo o teu coração, toda a tua alma, todo o teu espírito, de sorte que absolutamente ninguém em todo o teu coração, em toda a tua alma, em todo o teu espírito, tenha parte com ele. Que, pois, fará para amares o Senhor teu Deus realmente de todo o coração? Que quer dizer: de todo o coração? Vê como São João Crisóstomo ensina: “Amar a Deus de todo o coração significa não estar o teu coração inclinado a nenhuma outra coisa mais do que ao amor de Deus; não te comprazeres nas coisas desse mundo mais do que em Deus, nem nas honras, nem mesmo nos pais. Se, todavia, o teu coração se ocupar em alguma destas coisas, já não o amas de todo o coração”. Peço-te, serva de Cristo, não te iludas. Fica sabendo que, se amas alguma coisa, e não a amas em Deus e por Deus, já não o amas de todo o coração. Por isso diz Santo Agostinho: “Senhor, menos te ama quem ama alguma coisa contigo”. Se amas alguma coisa que não te faz progredir no amor de Deus, não o amas de todo coração. E se, por amor de alguma coisa, negligencias aquilo que deves a Cristo, já não o amas de todo o coração. Ama, pois, o Senhor teu Deus de todo o coração.
Não somente de todo o coração, mas também de toda a alma devemos amar a Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor. Que significa: de toda a alma? Vai dizê-lo Santo Agostinho: “Amar a Deus de toda a alma é amá-lo com toda a vontade, sem restrições”. Amarás, certamente, de toda a alma, se sem contradição e de boa vontade fizeres não o que tu queres, nem o que aconselha o mundo, nem o que te inspira a carne, mas aquilo que reconheceres como sendo a vontade de Deus. Amarás, de fato, a Deus de toda a tua alma quando por amor de Jesus Cristo entregares de boa vontade tua vida à morte, sendo necessário. Se nisto, porém, faltares, já não amas de toda a alma. Ama, pois, ao Senhor teu Deus de toda a tua alma, isto é, faze a tua vontade sempre em conformidade com a vontade divina.
Entretanto, não só de todo o coração, não só de toda a alma, deves amar o teu esposo, Jesus Cristo. Ama-o também de todo o teu espírito. Que quer dizer: de todo o teu espírito? Di-lo novamente Santo Agostinho: “Amar a Deus de todo o espírito, é amá-lo com toda a memória, sem esquecimento”. (in: Obras Escolhidas. Porto Alegre: EST, 1983, p. 433-435).

fonte: www.franciscanos.org.br - autor: Frei João Mannes, OFM

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Bote Fé em São Paulo


Neste domingo dia 18/09/2011, haverá a acolhida da cruz da Jornada Mundial da Juventude que acontecerá no Rio de Janeiro no ano de 2013! Esta cruz, e o ícone de Nossa Senhora, vão percorrer várias cidades brasileiras até o início da JMJ na Cidade Maravilhosa. Segue a programação principal do evento no domingo, no Campo de Marte em São Paulo, e o cartaz!




Programação
Palco Central
9hAbertura – Ze Vicente, padre Joãozinho, scj, e Grupo Cantores de Deus
9h45Fala do Cardeal Arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, e do presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, dom Eduardo Pinheiro
10h às 12hApresentações musicais dos padres
- Padre Hevaldo
- Padre Fábio de Melo
- Padre Gleuson
- Padre Irala
- Padre Reginaldo Manzotti
- Frei Rinaldo
- Padre Juarez de Castro
- Pregação do padre Robson
12hClipe sobre a história da Jornada Mundial da Juventude e testemunho de um jovem
12h15Apresentações musicais
- Olívia Ferreira
- Márcio Pacheco
- Banda Dom (Fred)
13hDJs e Cristo Dance
13h15Banda Beatrix
13h35DDD
13h45Vida Reluz
14h15Clipe Resumo da Jornada Mundial da Juventude – Madri – 2011
14h30Apresentações musicais
- Adriana
- Eugênio Jorge
(Participações de Dunga e Eliana Ribeiro e Walmir Alencar e Fátima)
15h15Terço encenado, com Grupo Oração Pela Arte (OPA)
15h30Preparação para a Celebração (Equipe de Liturgia)
16hProcissão – acolhida da Cruz - Celebração Eucarística
18hMinistério Adoração e Vida
18h45Intervalo
19hEncerramento, com Comunidade Canção Nobva
- Dunga
- Eliana Ribeiro
- Salete
- Diácono Nelsinho
- Amor e Adoração
- Banda Conexa
Fonte:http://www.botefesp.com.br/index.html


Impressão das Chagas de S. Francisco. (parte 2/3)

Na Terceira consideração dos sacrossantos estigmas observemos que, aproximando-se a festa da Santa Cruz no mês de setembro, o pai Francisco, na hora do alvorecer, se pôs em oração, diante da saída de sua cela, e entre lágrimas orava desta forma: “Ó Senhor meu Jesus Cristo, duas graças te peço que me faças antes que eu morra: a primeira é que em vida eu sinta na alma e no corpo, quanto for possível, aquelas dores que tu, doce Jesus, suportaste na hora da tua acerbíssima paixão; a segunda é que eu sinta no meu coração, quanto for possível, aquele excessivo amor do qual tu, Filho de Deus, estavas inflamado para voluntariamente suportar uma tal paixão por nós pecadores”(I Fioretti)). E, relata Boaventura que, enquanto Francisco rezava, “viu um Serafim que tinha seis asas (cf. Is 6,2) tão inflamadas quão esplêndidas a descer da sublimidade dos céus. E […] apareceu entre as asas a imagem de um homem crucificado que tinha as mãos em forma de cruz e os pés estendidos e pregados na cruz. […] Imediatamente começaram a aparecer nas mãos e nos pés dele os sinais dos cravos” (LM 13,3). Assim, Francisco transformara-se todo na semelhança de Cristo crucificado (cf LM 13,5). Pois, de fato, trazia Jesus no coração, na boca, nos ouvidos, nos olhos, nas mãos, nos sentimentos e em todos os demais membros (cf. I Cel 9,115), e conseqüentemente podia exclamar com o apóstolo Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).
O Pobre de Assis, no seguimento de Jesus Cristo, perdeu a sua própria vida, mas recuperou-a inteiramente em Deus, de acordo com a palavra do Evangelho: “Quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la” (Mt 12,25). Todavia, Francisco não somente reencontrou a si mesmo em Deus, como filho de Deus, mas a todos os seres do universo. O Cântico das Criaturas, que compôs pouco antes de sua morte corporal, é expressão jubilosa dessa intensa experiência eco-espiritual: “Louvado sejas meu Senhor, com todas as tuas criaturas”.
O pai Francisco tornou-se assim um mestre na sequella Iesu. De imediato despertou o fascínio de muitas pessoas e atraiu muitos discípulos e discípulas, entre as quais, Santa Clara. Clara e suas Irmãs, a exemplo de Francisco, também querem chegar ao cimo da montanha da perfeição do amor. A propósito subscrevemos parte do VII capítulo (Do perfeito amor de Deus) de um interessantíssimo opúsculo que Boaventura escreveu à abadessa das Irmãs, do convento de Assis, sobre A perfeição da vida:
“Não é possível excogitar um meio mais apto e mais fácil para mortificar os vícios, para progredir na graça, para atingir o auge de todas as virtudes do que a caridade. Por isso diz Próspero, no seu livro Sobre a vida Contemplativa: “A caridade é a vida das virtudes e a morte dos vícios”. Como a cera se derrete diante do fogo, assim os vícios perecem diante da caridade. Porque a caridade possui tanto poder que só ela fecha o inferno, só ela abre o céu, só ela dá a esperança da salvação, só ela nos torna dignos do amor de Deus. Tal poder possui a caridade que entre todas as virtudes só ela é chamada propriamente virtude. Quem a possui é rico, tem abundância, é feliz. […] E diz Santo Agostinho: “Se a virtude conduz a uma vida bem-aventurada, eu quisera afirmar em absoluto que nada é propriamente virtude senão o sumo amor de Deus”. Sendo, por conseguinte, o amor de Deus uma virtude tão elevada, cumpre insistir em alcançá-lo acima de todas as demais virtudes; porém, não um amor qualquer, mas só aquele com que Deus é amado sobre todas as coisas e o próximo por amor de Deus.

continua...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A Coroa das 7 dores de Nossa Senhora


A Coroa de Nossa Senhora das Dores teve início na Itália em 1617, por iniciativa da Ordem dos Servos de Maria, assim como a Missa de Nossa Senhora das Dores, que hoje é celebrada em toda a Igreja no dia 15 de setembro.
A Coroa é um dos frutos do carisma mariano da Ordem, cultivado desde 1233, ano de sua fundação. 
A Coroa surgiu inicialmente como alimento da piedade mariana dos leigos reunidos em grupos chamados Ordem Terceira. 
A Coroa das Dores teve sempre a aprovação dos Papas. 

Introdução 

D- Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. 

R- Amém! 

D- Nós vos louvamos, Senhor, e vos bendizemos! 

R- Porque associastes a Virgem Maria à obra da salvação. 

D- Nós contemplamos vossas Dores, ó Mãe de Deus! 

R- E vos seguimos no caminho da fé! 

Primeira Dor - Profecia de Simeão 

Simeão os abençoou e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser ocasião de queda e elevação de muitos em Israel e sinal de contradição. Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma (Lc 2,34-35). 
1 Pai Nosso; 7 Ave Marias 

Segunda Dor - Fuga para o Egito 

O anjo do Senhor apareceu em sonho a José e disse: Levanta, toma o menino e a mãe, foge para o Egito e fica lá até que te avise. Pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo. Levantando-se, José tomou o menino e a mãe, e partiu para o Egito (Mt 2,13-14). 
1 Pai Nosso; 7 Ave Marias 

Terceira Dor - Maria procura Jesus em Jerusalém 

Acabados os dias da festa da Páscoa, quando voltaram, o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que os pais o percebessem. Pensando que estivesse na caravana, andaram o caminho de um dia e o procuraram entre parentes e conhecidos. E, não o achando, voltaram a Jerusalém à procura dele (Lc 2,43b-45). 
1 Pai Nosso; 7 Ave Marias 

Quarta Dor - Jesus encontra a Sua Mãe no caminho do Calvário 

Ao conduzir Jesus, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e o encarregaram de levar a cruz atrás de Jesus. Seguia-o grande multidão de povo e de mulheres que batiam no peito e o lamentavam (Lc 23,26-27). 
1 Pai Nosso; 7 Ave Marias 

Quinta Dor - Maria ao pé da Cruz de Jesus 

Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Vendo a Mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse Jesus para a mãe: Mulher, eis aí o teu filho! Depois disse para o discípulo: Eis aí a tua Mãe! (Jo 19,15-27a). 
1 Pai Nosso; 7 Ave Marias 

Sexta Dor - Maria recebe Jesus descido da Cruz 

Chegada a tarde, porque era o dia da Preparação, isto é, a véspera de sábado, veio José de Arimatéia, entrou decidido na casa de Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos, então, deu o cadáver a José, que retirou o corpo da cruz (Mc 15,42). 
1 Pai Nosso; 7 Ave Marias 

Sétima Dor - Maria deposita Jesus no Sepulcro 

Os discípulos tiraram o corpo de Jesus e envolveram em faixas de linho com aromas, conforme é o costume de sepultar dos judeus. Havia perto do local, onde fora crucificado, um jardim, e no jardim um sepulcro novo onde ninguém ainda fora depositado. Foi ali que puseram Jesus (Jo 19,40-42a). 
1 Pai Nosso; 7 Ave Marias 

Ladainha de Nossa Senhora das Dores
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai, que estais nos Céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do Mundo, tende piedade de nós.
Espírito Santo Paráclito, tende piedade de nós.
Trindade Santa, Deus uno e Trino, tende piedade de nós.

Mãe de Jesus crucificado, rogai por nós.
Mãe do Coração Transpassado, rogai por nós.
Mãe do Cristo Redentor, rogai por nós.
Mãe dos discípulos de Jesus, rogai por nós.
Mãe dos redimidos, rogai por nós.
Mãe dos viventes, rogai por nós.

Virgem obediente, rogai por nós.
Virgem oferente, rogai por nós.
Virgem fiel, rogai por nós.
Virgem do silêncio, rogai por nós.
Virgem da espera, rogai por nós.
Virgem da Páscoa, rogai por nós.
Virgem da Ressurreição, rogai por nós.

Mulher que sofreu o exílio, rogai por nós.
Mulher forte, rogai por nós.
Mulher corajosa, rogai por nós.
Mulher do sofrimento, rogai por nós.
Mulher da Nova Aliança, rogai por nós.
Mulher da Esperança, rogai por nós.

Nova Eva, rogai por nós.
Colaboradora na salvação, rogai por nós.
Serva da reconciliação, rogai por nós.
Defesa dos inocentes, rogai por nós.
Coragem dos perseguidos, rogai por nós.
Fortaleza dos oprimeidos, rogai por nós.
Esperança dos pecadores, rogai por nós.
Consolação dos aflitos, rogai por nós.
Refúgio dos marginalizados, rogai por nós.
Conforto dos exilados, rogai por nós.
Sustento dos fracos, rogai por nós.
Alívio dos enfermos, rogai por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.

D- Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R- Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Amém.

Oração:
Ó Deus, por vosso admirável desígnio, dispusestes prolongar a Paixão do vosso Filho, também nas infinitas cruzes da humanidade.
Nós Vos pedimos: assim com oquisestes que ao pé da Cruz do Vosso Filho, estivesse Sua Mãe, da mesma forma, à imitação da Virgem Maria, possamos estar sempre ao lado dos nossos irmãos que sofrem, levando amor e consolo.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


Impressão das Chagas de S. Francisco. (parte 1/3)

No dia 17 de setembro celebra-se a festa da impressão das chagas de São Francisco de Assis. Os estigmas que Francisco recebeu em 1224, no Monte Alverne, após uma visão do Cristo crucificado em forma de Serafim alado, são sinais visíveis de sua semelhança à humanidade de Cristo, nos seus três modos: na vida, na paixão e na ressurreição.
Francisco encontrou-se pela primeira vez com o Crucificado na pequena Igreja de São Damião. Num certo dia, conduzido pelo Espírito, entrou nessa Igreja e prostrou-se diante da imagem do Cristo crucificado que, movendo de forma inaudita os seus lábios, disse: “Francisco, vai e restaura minha casa que, como vês, está toda destruída” (2Cel 10,5). E, conta-nos Celano, que Francisco sentiu desde então uma inefável mudança em si mesmo, pois são impressos mais profundamente no seu coração, embora ainda não na carne, os estigmas da venerável paixão.
No entanto, foi ao ouvir o Evangelho acerca da missão dos apóstolos (Mt 10, 7-13), que Francisco compreendeu o real significado da voz do Crucificado, e imediatamente exclamou: “É isto que eu quero, é isto que eu procuro, é isto que eu desejo fazer do íntimo do coração” (1Cel 8,22). Assim, sob o toque ou o apelo de uma afeição, começou devotadamente a colocar em prática o que ouvira, isto é, distribuiu aos pobres todos os seus bens materiais, bem como renegou-se a si mesmo para que, exterior e interiormente livre, pudesse ir pelo mundo e anunciar aos homens a paz, a penitência e, enfim, o amor não amado de Deus.
O amor que é Deus realizou-se na sua profundeza, largura e altitude na pessoa de Jesus Cristo. A encarnação, o estábulo, o lava-pés e a Eucaristia são expressões concretas do modo de amar como só o Deus de Jesus Cristo pode e sabe amar. Porém, foi especialmente ao entregar incondicional e gratuitamente a sua vida na Cruz, que o Filho de Deus revelou à humanidade que Deus é essencialmente caridade perfeita.
Francisco, por inspiração divina, abraçou pobre e humildemente a cruz de Jesus e deixou-se impregnar, arrebatar e transformar totalmente pelo espírito de abnegação divina. Isso quer dizer que a imitação de Cristo, por parte de Francisco, não é mera repetição mecânica dos gestos exteriores de Jesus, mas é manifestação de sua profunda sintonia com a experiência originária de Jesus Cristo: o Reino de Deus. Somente quem possui o Espírito do Senhor pode observar “com simplicidade e pureza” a Regra e o Testamento de São Francisco e realizar em si mesmo as santas operações do Senhor.

continua...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A Palavra de Deus

A Palavra de Deus


Assim fala a Carta aos Hebreus: “A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes”1.
A Palavra de Deus é viva. É uma Palavra que “já não é apenas audível, não possui somente uma voz; agora a Palavra tem rosto, que por essa mesma podemos ver: Jesus de Nazaré”2 . Jesus de Nazaré é a Palavra da “Nova e Eterna Aliança” que lança sobre a criação inteira um raio de luz que jamais deixará de irradiar no coração daqueles que pela fé abrem-se à vida em Deus. Abrir o coração para receber a Palavra de Deus é reconhecer o quanto Ela pode proporcionar esperança e alegria. Assim canta o Salmista: “Hoje, se lhe ouvirdes a voz, não endureçais vossos corações”3 . Pois, “nós que abraçamos a fé, entraremos no repouso prometido”4 .
Toda experiência de fé já “é fundamentalmente uma resposta a uma proposta.”5 . É o homem e a mulher de fé que com gratuidade respondem a Proposta feita por Deus em revelar-se a toda pessoa humana. Essa Palavra gera no homem a fé e lhe revela o próprio Deus, no qual a fé é comprometer-se inteiramente com a verdade e a justiça em função do Reino de Deus.
No entanto, a Palavra de Deus realiza no homem uma grande mudança, na qual não crer mais em si mesmo, mas em Deus. A vida é tomada por um novo sentido e uma nova forma de agir. A pessoa humana não encontra mais em si o fundamento da vida. Ocorre uma inversão completa que o faz dizer juntamente com São Paulo: “Tudo considero como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por Ele, perdi tudo e tudo tenho como esterco, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo como minha justiça aquela que vem da lei, mais aquela pela fé em Cristo, aquela que vem de Deus e se apóia na fé..."6.
A partir da fé o homem deixa-se penetrar profundamente pela palavra de Deus comprometendo toda sua vida em função do Reino. Pois, caso contrário, para aquele que crer, seria impossível viver de outra forma que não seja com a experiência da fé dada pela palavra de Deus.
Neste ínterim, São Boaventura afirma no Brevilóquio: “O fruto da Sagrada Escritura não é um fruto qualquer, mas a plenitude da felicidade eterna. De fato, a Sagrada Escritura é precisamente o livro no qual estão escritas as palavras de vida eterna, por que não só acreditamos mas também possuímos a vida eterna, porque não só acreditamos mas também possuímos a vida eterna, em que veremos, amaremos e serão realizados todos os nossos desejos”7 .
Que esta Palavra habite em nossos corações e nos faça cada vez mais homens e mulheres que se comprometem através de sua fé para instaurar em toda a terra o Reino de paz, justiça, amor, liberdade, gratuidade: Reino de Deus.


1.Heb. 4,12
2.Exortação Apostólica Pós-sinodal. Verbum Domini: sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja.Ed. Paulinas. São Paulo, 2010.
3.Sl. 95.
4.Heb. 4.3a.
5.BINGEMER, Maria Clara Luchetti. Revelação. Ed. PUC-Rio.
6.Fil.3,8-9.
7.Prol.: Opera Omnia, V (Quaracchi 1891), pp. 201 -202.

A cruz de Cristo e São Francisco

Francisco de Assis fez-se cruz e nela depositou toda a sua fidelidade a Deus. Seu hagiógrafo, São Boaventura, afirma que Francisco é um alter Christus, ou seja, outro Cristo, visto que vitalmente o Homem de Assis buscou Cristo apaixonadamente. Eis aqui um belo exemplo, de modo especial, neste tempo em que estamos por adentrar, que é a semana santa.
A cruz antes de Jesus era motivo de desonra, pois era a pior condenação que o império romano impunha. Porém, em Cristo a cruz recebe novo sentido. Se outrora a cruz era sinal de condenação e morte agora ela passa a ser sinal de vida e ressurreição.
Francisco, logo no início de sua conversão, teve um profícuo encontro com a cruz e nela pode descobrir a sua vocação. Assim como o Poverello, nós somos convidados a fazer essa mesma experiência.
O Homem de Assis teve um dos encontros mais significativos de sua vida, encontro este que mudou completamente o rumo de sua existência, assim como relata a Legenda dos Três Companheiros:
“Francisco certa vez, passando perto de São Damião, o Senhor o inspirou que visitasse aquela igreja e orasse. Entrando, posse em fervorosa oração diante da imagem de um Crucifixo o qual piedosa e benignamente lhe falou: ‘Francisco, não vês que minha casa está em ruínas? Vai e restaura-a para mim’… Desde àquela hora seu coração tornou-se tão vulnerado e comovido, ao recordar a paixão do Senhor, que sempre enquanto viveu trouxe os estigmas do Senhor Jesus em seu coração como depois claramente se patenteou pela renovação dos mesmos estigmas maravilhosamente realizada em seu corpo…” (cf. LTC 13-14).
Para Francisco a cruz tornou-se caminho e sincera compaixão para com o crucificado e nele pôde vislumbrar toda a criatura como uma grande fraternidade. Ao atender prontamente ao chamamento que o Senhor lhe faz, o Homem de Assis adota para si e para seus irmãos um hábito, uma veste, a qual fez questão de desenhá-la em forma de cruz. Ainda hoje, se observarmos nos hábitos dos frades franciscanos nós veremos o desenho de uma Cruz.
A cruz para todo cristão simboliza vida e renovação, pois por ela Jesus Cristo deu-nos a salvação. Francisco pode compreender na cruz a sua vocação e nela edificou a sua vida.
Os hagiógrafos de São Francisco unânimes afirmam que a paixão deste santo estava imersa a paixão de Nosso Senhor. Esta realidade não pode ser expressa em palavras. O Poverello experimentou a cruz através do silêncio, pois só no silêncio da cruz é que podemos compreender o imenso amor de Cristo por nós.
Que nós, nesta semana santa, possamos imergir no silêncio da Cruz de Cristo, para então, ressuscitar com ele para sermos instrumentos da paz neste mundo.
Frei Osvaldo Maffei, OFM
fonte: http://www.freimaffeiofm.com.br/2011/04/a-cruz-de-cristo-e-sao-francisco/




terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Tau, símbolo franciscano

O TAU tem a forma da letra grega TAU (T) que é uma cruz.
As duas maiores influências diretas em Francisco, em relação ao TAU, foram os antonianos e o Quarto Concílio Laterano.
São Francisco tomou o TAU e seu significado dos antonianos. Eles eram uma comunidade religiosa masculina, fundada em 1095, cuja única função era cuidar dos leprosos.
Em seus hábitos era pintada uma grande cruz. Francisco tinha relações muito familiares com eles, porque trabalhavam no leprosário de Assis, no Hospital de São Brás, em Roma, onde Francisco esteve hospedado.
No princípio de sua conversão, Francisco encontrou os antonianos e seu símbolo do TAU. Mas a influência mais forte que fez do TAU um símbolo tão querido para Francisco e pela qual ele se tornou sua assinatura, foi a do Concílio de Latrão. Os historiadores geralmente admitem que Francisco estava presente nesse Concílio, no qual o Papa Inocêncio III fez o discurso de abertura, incorporando em sua homilia a passagem de Ezequiel (9,4) que diz que os eleitos, os escolhidos serão marcados com o sinal do TAU: "Percorre a cidade, o centro de Jerusalém, e marca com uma cruz na fronte os que gemem e suspiram devido a tantas abominações que na cidade se cometem e acrescenta: "O TAU é a última letra do alfabeto hebraico e a sua forma representa a cruz, exatamente tal e qual foi a cruz antes de ser nela fixada a placa com inscrição de Pilatos. O TAU é o sinal que o homem porta na fronte quando - como diz o apóstolo - crucifica o corpo com os seus pecados quando diz: "Não quero gloriar-me a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo" (...) Sejam, portanto mestres desta cruz!
Sejam os campeões do TAU!
Quando Inocêncio III terminou sua homilia com "SEJAM OS CAMPEÕES DO TAU!" Francisco tomou estas palavras como dirigidas a ele e fez do TAU seu próprio símbolo, o símbolo de sua Ordem, de sua assinatura; mandou pintá-lo em toda parte e teve grande devoção a ele até o fim de sua vida.
Simples e basicamente, o TAU representa a CRUZ. Os Concílios da Igreja foram convocados para reformar a Igreja, cabeça e membros. Assim o grande tema da Reforma: pessoal, interior, conversão constante e mudança de vida. Aqueles que deviam comprometer-se com a conversão contínua, uma vida de constante penitência, deviam ser marcados com o TAU.
O TAU para Francisco é um sinal da certeza de salvação; é o sinal de universalidade da salvação e é o símbolo da conversão contínua.
Se você permite ser marcado com o TAU ou usa o TAU, você está dizendo que se comprometeu com a conversão contínua, isto é, com o tema da Espiritualidade Franciscana. Não que você esteja convertido de uma só vez, mas dia-a-dia, mês após mês, ano após ano, você conserva seu olhar fixo no Senhor como sua única meta, e caminha em direção a ele com a mente indivisa (Carta S. Mary Margaret, out. 1989).




Benção de São Francisco com o TAU.



O Senhor te abençoe e
te guarde. O Senhor te
mostre a sua face e se
compadeça de ti. O Senhor
volva o seu rosto para ti
e te de a paz.
o Senhor te T abençoe!




Retirado do livro "Orando com a Bíblia e São Francisco de Assis", a. Jussara Lima Dias, da Comunidade Católica Shalom. Ed. Shalom.

sábado, 10 de setembro de 2011

O eterno "11 de setembro" africano!

Por Renato Fragoso*




Na última segunda-feira (05/09) chamou  minha atenção à informação de que nos próximos anos 780 mil crianças morrerão na Somália por causa das restrições alimentares segundo dados da UNICEF caso nada seja feito para mudar essa situação. Veja bem:  só crianças são 780 mil  somadas  à 3 milhões e 200 mil adultos aproximadamente.

Sem petróleo, sem diamantes, sem riquezas naturais que faça daquele território um lugar lembrado pelas grandes economias mundiais, muitos irmãos nossos vivem ainda mais dramaticamente a filosofia do que “ao nascermos já começamos a morrer”. Não temos como pensar em direitos humanos numa realidade como essa, porque o que vemos ali é que o único “direito humano” que se têm é o de morrer de fome e abandonado.

Enquanto isso, o mundo todo volta seus olhares a cada ano para o tal do 11 de Setembro numa referência ao grande atentado que destruiu as Torres Gêmeas, símbolo de um império que ostenta o título de “dono do mundo”. Somando todos os mortos no 11 de setembro isso não representa 10% do número de pessoas que estão condenadas à morte e que nós nada ou pouco fazemos para evitar. Quanto vale uma vida humana? A vida humana de um norte americano vale mais do que a vida de um esquecido da Somália? Hipocrisia demais!

A vida humana perdeu de fato sua dignidade, o que antes era inviolável hoje é violável, e àquilo que era inalienável já é passível de alienação dependendo das “razões” que motivam tal negociata. Em nenhum momento quero aqui desvalorizar o acontecimento do 11 de Setembro, mas apenas manifestas a minha indignação da forma como a mídia explora o acontecimento “a partir dos seus próprios interesses” que quase sempre se fundamenta no enriquecimento  das grandes empresas de comunicação ou manutenção de poderes corruptos e viciados.

A mobilização mundial  de solidariedade ao povo norte americano na queda das “Torres Gêmeas” foi notável e digna de reconhecimento, mas,  e os nossos negros somalinos o que estamos fazendo por eles? O que nossas mídias estão fazendo para ajudar? E nós em nossas casas, aqui mesmo no nosso torrão o que fazemos para mudar a nossa cultura de desperdício enquanto tantos passam fome?


Se muitos passam fome e são privados de sua dignidade é justamente fruto de impérios construídos a partir do modelo representados pelas Torres Gêmeas. Elas permaneciam em pé à custa de muitos, violados em seus direitos. Aqui no Brasil também temos “duas torres gêmeas” em Brasília que se revestem do mesmo significado: sustentadas na corrupção e na imoralidade de nossos políticos e administradores. Aqui também muitos morrem, muitos passam fome, muitos não tem atendimento médico e ainda são tratados como “esterco”, pisados e jogados nas fossas construídas pelas estruturas injustas e de morte da política brasileira.

Já se foram 10 anos desde aquele dia que o mundo parou, quantos morreram? Quantos continuam morrendo… esquecidos naquele território presente no mapa e esquecido pelas nações…
O 05, 06, 07, 08, 09,10... de setembro, outubro, novembro…. Ninguém lembra e quando lembra é tudo muito tímido. Enquanto isso, a cada dia muitos morrem de fome, mortes essas que poderiam ser evitadas se nós fossemos mais humanos e capazes de ver a “globalização” também como responsabilidade mútua uns pelos outros.

Quem são os somalinos aí de sua querida “Ipiranga”? Porventura algum império que se mantém de pé à custa da corrupção e do desrespeito aos direitos básicos  tais como a saúde, educação, etc. Por acaso olhando o seu contexto observa-se o estágio avançado de algumas “torres pessoais” que se erguem passando por cima de tudo e de todos?
Você pode ser um Líder pacífico a partir do momento que reagir contra o “sistema” imposto pelos grandes impérios midiáticos e políticos corruptos. SE VOCÊ NÃO PODE MUDAR O MUNDO, MUDE O SEU MUNDO! Certamente, pertinho de você existem oprimidos e opressores que precisam ser defendidos e combatidos respectivamente. VOCÊ tem o poder em suas mãos… e tudo passa por suas escolhas.
                   (Não esqueçe de dar "pause" na Rádio no fim da página para ouvir este vídeo)

Você quiser ajudar concretamente os somalinos faça depósito em uma das seguintes contas:
Banco do Brasil: AG. 3475-4, C/C 26.116-5
Caixa Econômica Federal: AG. 1041, OP. 003, C/C 1751-6
Banco Bradesco: AG. 0606-8, C/C 187587-6
*para DOC e TED o CNPJ é: 33.654.419/0001-16
Maiores informações: www.caritas.org.br



FONTE DO TEXTO: 
 http://vozdeipiranga.com/2011/e-o-05-de-setembro/

Link Curto: http://vozdeipiranga.com/?p=3960





* Renato Fragoso é cronista, formado em Direito, e graduando em Teologia no Piauí.


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Reeleito o Provincial da Provincia Rioplatense

Em 8 setembro de 2011, durante o Capítulo Provincial Ordinario da Província Santo Antônio de Pádua, Rioplatense, realizado em Buenos Aires, foi reeleito Provincial frei Carlos Alberto Trovarelli.

fr. Javier Fontana
Segretario del Capitol


FONTE: http://www.francescani.net/

A arte ajuda na relação com Deus.

CASTEL GANDOLFO, quarta-feira, 31 de agosto de 2011– Apresentamos, a seguir, a catequese que o Papa Bento XVI dirigiu hoje aos fiéis reunidos para a audiência geral no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo. A catequese de hoje, que pertence ao ciclo da oração, centrou-se na relação entre a arte e a oração.

Queridos irmãos e irmãs:

Neste período, recordei muitas vezes a necessidade que todo cristão tem de encontrar tempo para Deus, através da oração, em meio às muitas ocupações da nossa jornada. O próprio Senhor nos oferece muitas oportunidades para que nos lembremos d'Ele.

Hoje eu gostaria de falar brevemente de um desses meios que podem nos conduzir a Deus e ser também uma ajuda para encontrar-nos com Ele: é o caminho das expressões artísticas, parte dessa via pulchritudinis – “via da beleza” – da qual falei tantas vezes e que o homem deveria recuperar em seu significado mais profundo.
Talvez já tenha lhes acontecido que, diante de uma escultura, um quadro, alguns versos de poesia ou uma peça musical, tenham sentido uma íntima emoção, uma sensação de alegria; percebem claramente que, diante de vocês, não existe somente matéria, um pedaço de mármore ou de bronze, uma tela pintada, um conjunto de letras ou um cúmulo de sons, e sim algo maior, algo que nos “fala”, capaz de tocar o coração, de comunicar uma mensagem, de elevar a alma. Uma obra de arte é fruto da capacidade criativa do ser humano, que se interroga diante da realidade visível, que tenta descobrir o sentido profundo e comunicá-lo através da linguagem das formas, das cores, dos sons. A arte é capaz de expressar e tornar visível a necessidade do homem de ir além do que se vê, manifesta a sede e a busca do infinito. Inclusive é como uma porta aberta ao infinito, a uma beleza e uma verdade que vão além do cotidiano. E uma obra de arte pode abrir os olhos da mente e do coração, conduzindo-nos ao alto.
Há expressões artísticas que são verdadeiros caminhos rumo a Deus, a Beleza suprema, que inclusive são uma ajuda para crescer na relação com Ele, na oração. Trata-se das obras que nascem da fé e que a expressam. Um exemplo disso é quando visitamos uma catedral gótica: sentimo-nos cativados pelas linhas verticais que se elevam até o céu e que atraem nosso olhar e nosso espírito, enquanto, ao mesmo tempo, nos sentimos pequenos ou também desejosos de plenitude... Ou quando entramos em uma igreja românica: sentimo-nos convidados de forma espontânea ao recolhimento e à oração. Percebemos que nesses esplêndidos edifícios se recolhe a fé de gerações. Ou também quando escutamos uma peça de música sacra que faz vibrar as cordas do nosso coração, nossa alma se dilata e se sente impelida a dirigir-se a Deus. Vem-me à memória um concerto de música de Johann Sebastian Bach, em Munique, dirigido por Leonard Bernstein. No final da última peça, uma das Cantatas, senti, não racionalizando, mas no profundo do coração, que o que eu havia escutado havia me transmitido verdade, verdade do sumo compositor que me conduzia a dar graças a Deus. Ao meu lado estava o bispo luterano de Munique e espontaneamente lhe comentei: “Ouvindo isso se entende: é verdadeira, é verdadeira a fé tão forte e a beleza que expressa irresistivelmente a presença da verdade de Deus”.
Quantas vezes quadros ou afrescos, frutos da fé do artista, com suas formas, com suas cores, com suas luzes, nos conduzem a dirigir o pensamento a Deus e fazem crescer em nós o desejo de acudir à fonte de toda beleza! É profundamente certo o que escreveu um grande artista, Marc Chagall: que os pintores mergulharam seus pincéis, durante séculos, no alfabeto de cores que é a Bíblia. Quantas vezes as expressões artísticas podem ser oportunidades para lembrarmos de Deus, para ajudar nossa oração ou para converter o nosso coração! Paul Claudel, famoso poeta, dramaturgo e diplomata francês, ao escutar o canto do Magnificat durante a Missa de Natal na basílica de Notre Dame, em Paris, em 1886, advertiu a presença de Deus. Não havia entrado na igreja por motivos de fé, mas para encontrar argumentos contra os cristãos. No entanto, a graça de Deus agiu no seu coração.
Queridos amigos, eu lhes convido a redescobrir a importância deste caminho também para a oração, para a nossa relação viva com Deus. As cidades e os países do mundo inteiro contêm tesouros de arte que expressam a fé e nos recordam a relação com Deus. Que a visita a lugares de arte não seja somente ocasião de enriquecimento cultural, mas que possa se tornar um momento de graça, de estímulo para reforçar nosso vínculo e nosso diálogo com o Senhor, para deter-nos a contemplar – na transição da simples realidade exterior à realidade mais profunda que expressa – o raio de beleza que nos atinge, que quase nos “fere” e que nos convida a elevar-nos até Deus. Termino com uma oração de um salmo, o salmo 27: “Uma só coisa pedi ao Senhor, só isto desejo: poder morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida; poder gozar da suavidade do Senhor e contemplar seu santuário” (v.4). Esperemos que o Senhor nos ajude a contemplar sua beleza, seja na natureza ou nas obras de arte, para sermos tocados pela luz do seu rosto e, assim, podermos ser, também nós, uma luz para o nosso próximo.
Amados peregrinos de língua portuguesa, uma cordial saudação de boas-vindas para todos, nomeadamente para os fiéis da diocese de Viseu. Procurem descobrir na arte religiosa um estímulo para reforçar a sua união e o seu diálogo com o Senhor, através da contemplação da beleza que nos convida a elevar o nosso íntimo para Deus. E que Ele os abençoe. Obrigado.


FONTE: ZENIT

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