Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

sábado, 21 de maio de 2011

Missas em rito antigo: Vaticano divulga instruções.

            Por: Carlos Eduardo Bittencourt*

            A comissão Pontifícia Ecclesia Dei divulgou a Instrução que regula a forma de celebrar a missa, “Universae Ecclesiae”. Isto foi realizado segundo o Missal anterior à reforma litúrgica.
            A Instrução chega três anos e meio depois da publicação do Motu Próprio , “Summorum Pontificum”, pelo Papa Bento XVI, que regula o uso da liturgia, facilitando o acesso de todos os fiéis.
            A regulamentação atual recebeu o parecer dos bispos de todo o mundo, e o principal objetivo é esclarecer algumas questões que tinham causado problemas na Igreja há alguns anos.
            O próprio texto da Instrução reconhece que “diversos fiéis, tendo sido formados no espírito das formas litúrgicas precedentes ao Concílio Vaticano II, expressaram o ardente desejo de conservar a antiga tradição, que parecia ser destinada ao esquecimento depois da reforma litúrgica feita pelo Papa Paulo VI”.
            Em 1988, houve um rompimento com os seguidores do Cardeal Marcel Lefebre, que há décadas solicitavam poder celebrar a liturgia segundo o uso antigo, e que não aceitavam a reforma litúrgica. Muitos bispos diocesanos também temiam que isso fosse causa de divisão em suas dioceses.
            De acordo com o Cardeal William Levada, presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, a Instrução, neste sentido, é para evitar que isso implique divisão ou ruptura. “Ela explica muito claramente que os fiéis que pedem a celebração de forma extraordinária não devem apoiar nem pertencer a grupos que se manifestam contrários à validade ou à legitimidade da Santa Missa ou dos Sacramentos celebrados na forma ordinária, nem ser contrários ao Romano Pontífice como pastor supremo da Igreja universal”.
            O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, destacou o espírito de continuidade que permeia os últimos pontificados, no que diz respeito à liturgia. Ele lembrou que em 1984 o Papa João Paulo II tinha aceitado o Missal Romano de 1962, e que em 1988 recomendou aos bispos de todo o mundo que fossem generosos em conceder tal faculdade a todos os fiéis que pedissem a missa em rito antigo. Segundo padre Lombardi, o respaldo definitivo foi dado por Bento XVI em 2007, com a promulgação do “Summorum Pontificum”, no qual se dava um passo a mais para a normatização do uso do Missal de 1962.
            No documento aprovado pelo Papa em 30 de abril de 2011, o texto recorda que não existe qualquer contradição entre uma edição e outra do missal, mas faz parte da historia da Liturgia, com crescimento e progresso, sem nenhuma ruptura. “Aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial”.
            A Instrução quer assegurar o acesso de todos os fiéis que desejarem a forma extraordinária, considerada pela Igreja um tesouro precioso a ser conservado.
            O documento analisa uma série de normas que contribuirão para favorecer o acesso dos fiéis ao uso antigo, nas próprias paróquias, assim como a possibilidade de rezar o Tríduo Santo e com o antigo breviário em latim.
            Qualquer sacerdote poderá celebrar a missa no rito antigo, e recomenda também aos bispos que garantam o direito dos fiéis de poder celebrar a liturgia segundo a forma extraordinária, e que tomem as disposições necessárias para que haja lugares na diocese onde se possa celebrar.
            Outro ponto importante é que ele pede às dioceses que os seminários possam formar os futuros sacerdotes para que conheçam a forma extraordinária e possam celebrá-la.
            “O objetivo do Papa Bento XVI é promover o uso da liturgia anterior à reforma por parte dos sacerdotes e fiéis que sintam este desejo sincero para o bem espiritual. Ele quer garantir a legitimidade e a eficácia de tal uso na medida do razoavelmente possível, reiterando com muita força o espírito de comunhão eclesial, que deve estar presente em todos, fiéis, sacerdotes, bispos, para que o objetivo de reconciliação, tão presente na decisão do Santo Padre, não seja dificultado ou frustrado, mas favorecido e alcançado”, esclareceu padre Federico Lombardi.        
             
Fonte: Jornal "Testemunho de Fé" ano XX (XI) nº 693 maio de 2011 página 2.

Nenhum comentário:

Os Mais Vistos