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domingo, 17 de abril de 2011

Domingo de Ramos e da Paixão



O Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor da início a Grande Semana, como os cristão antigos chamavam. Vale realçar dois aspectos distintos neste dia: Primeiro a entrada de Jesus em Jerusalém, aclamado pelo povo com cortejo de Ramos. Este momento é celebrado pela PROCISÃO DE RAMOS ou ENTRADA SOLENE NA MISSA (Mt 21,1-11); e, em segundo, é celebrado o mistério da Paixão e Morte de Jesus na Missa (Mt 26,14-27,66). Portanto, a celebração de Ramos é celebrada exclusivamente na procissão ou entrada solene e não na missa em si, que já visa outra dimensão da vida de Jesus.

A explicação desta dicotomia de mistérios a serem celebrados, que no fundo se completam, esta na história: Em Roma, não havia Semana Santa. Celebrava-se no sexto domingo a Paixão e Morte de Cristo, e no domingo seguinte, a Páscoa do Senhor. Somente no século XI é que a Procissão de Ramos, costume nascido em Jerusalém, passando para a Espanha, depois, para a Gália (atual França), chegou a Roma.

Na procissão de Ramos reconhecemos Jesus como Messias, “o que vem em nome do Senhor” (Mt 21,9) e manifestamos esta alegria assim como fizeram com Jesus, os ramos e o jumento. No Antigo testamento o Rei era aclamado pelo povo com o jumento, como o rei Davi fez a seu filho e herdeiro do trono, Salomão: “tomai convosco a guarda real, fazei montar na minha mula o meu filho Salomão ... e vós tocareis a trombeta e gritareis: ‘Viva o Rei Salomão’” (1Rs 1,33-34). E, portanto, sendo Jesus o Esperado, descendente de Davi, o Rei, foi exaltado pelos símbolos judaicos que reconhecem a sua majestade.

Porém este mesmo Rei é aquele que irá, logo em seguida, ser crucificado, ou seja, Ele não é como os outros que o prefiguraram e não como os judeus esperavam. Jesus Cristo é pobre, humilde, servo de todos, será um escândalo para todos pendurado no madeiro. Seus discípulos irão negá-Lo logo em seguida, a multidão que o exaltava será aquela que irá implorar a Sua crucificação. Portanto não é só os aspectos externos que nos devem levar a reconhecer a Sua majestade, ou seja seus milagres, mas além disso é o testemunho de Cristo que após a crucificação ressuscitou, como São Paulo diz, “abaixou-se, tornando-se obediente até a morte, à morte sobre uma cruz. Por isso Deus soberanamente o exaltou.”(Fl 2,8-9). Assim contemplando estes Mistérios desejamos participar da mesma sorte que Cristo, colocar-nos debaixo do Messias, e participar da sua glória, que está unicamente no Pai. Ou seja, assemelhando-nos a Cristo, por sua mediação, também somos vitoriosos.

Neste Mistério encontramos Jesus abandonado por seus discípulos, traído por quem comia na mesma mesa, negado por seu discípulo. Assim compreendemos a nossa dificuldade em assemelhar-nos a Cristo crucificado, nós fugimos da cruz! Como Francisco de Assis, Cristo Pobre e Crucificado possa ser imagem da perfeição que buscamos. E que Ele disponha nosso ser para imitá-lo na Cruz, dando a vida pelos irmãos, e guiar-nos neste caminho de salvação.

Algumas anotações litúrgicas para este dia:

(1) A cor dos paramentos é vermelho, cor da paixão, do sangue, do Espírito de amor que faz dar a vida pelos irmãos.

(2) Em cada igreja somente pode haver uma procissão de ramos, feita antes da missa principal. No caso de uma outra missa importante, pode-se fazer nova bênção dos ramos e a entrada solene, como está na "Segunda forma" do Missal Romano: à porta da igreja os fiéis se reúnem, trazendo ramos nas mãos. O celebrante dirige-se para lá com os acólitos, abençoa os ramos, lê o Evangelho próprio e entra com o povo para a missa.

(3) A igreja deve estar discretamente ornamentada com ramos, não com flores.

(4) Para a procissão, é aconselhável que o padre use o pluvial. Somente chegando à igreja, depois de beijar e incensar o altar, tira o pluvial e coloca a casula.

(5) Na procissão, o padre vai à frente, com um ramo na mão, precedido pelos acólitos e seguido pelo povo.

(6) Os cânticos devem ser os próprios para esta celebração. Estão no missal. Existem CDs com composições próprias para esta momento.

(7) O padre, após revestir-se com a casula, já inicia a missa com a oração da Coleta.

(8) ATENÇÃO: Ainda que não haja bênção dos ramos, o Evangelho da Missa é sempre a Paixão e nunca o da entrada de Jesus em Jerusalém. Nunca se deve esquecer: não há missa de ramos! A missa é da Paixão; de ramos é a procissão!

(9) A Paixão pode ser lida por várias pessoas, mas nunca dramatizada! A liturgia não é um teatro! Isso seria uma completa e total deturpação do que é uma celebração litúrgica!

(10) Os ramos devem ser levados para casa, colocados num lugar digno e devolvidos à paróquia antes da Quarta-feira de Cinzas do ano seguinte, para ser transformado em cinzas.

Texto-base: http://www.domhenrique.com.br/index.php/liturgia/geral/189-o-domingo-de-ramos-e-da-paixao-do-senhor-

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