Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição dos Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

segunda-feira, 14 de março de 2011

TEMPO QUARESMAL

Eis o tempo de Conversão!

“E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal” (Jl 2, 3)

Estamos vivendo o período da Quaresma, palavra que provém do latim quadragésima, que designa os quarentas dias antes do ápice da festa do Cristianismo, a Festa da Páscoa. Este período iniciou-se na Quarta-feira de Cinzas e se estenderá até a Quinta-feira Santa, na Missa da Ceia do Senhor.

Na Sagrada Escritura, vemos que o número quatro representa o universo material e o zero significa o tempo de nossas vidas na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, são relatadas as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Estes períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer. Logo, durante o tempo quaresmal, nós, cristãos, somos convidados a nos prepararmos para a Solenidade da Ressurreição através de uma profunda análise de nossas vidas e somos impelidos a viver um tempo de oração, penitência e caridade, lapidando o que há em nós que nos impede de sermos reflexos do próprio Cristo para que, desta forma, possamos “renascer” juntamente com Ele para uma vida nova.

Vale ressaltar que a penitência é um aspecto interno, em que nós, nos reconhecendo míseros pecadores, procuramos nos assemelhar a Deus, já que somos sua imagem e semelhança e, através dela, externar este desejo de sermos novas criaturas. Por isto, como uma das práticas deste tempo, percebemos, sobretudo, o jejum e a abstinência. A Santa Igreja Católica propõe aos cristãos estas práticas como formas de “sacrifícios” e os mesmos devem ser escolhidos livremente, de acordo com a consciência, hábitos e costumes de cada um.

Todavia, através destes sacrifícios, devemos observar, inclusive, que esta é uma maneira de nos educarmos, de percebemos que os bens materiais são efêmeros e que o ser humano necessita, antes de tudo, de Deus, que é o centro e Senhor de todas as coisas. São formas de nos desprendermos daquilo que antes nos pesava para que possamos elevar nossos corações e almas a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vivamos este tempo da Quaresma com nosso coração contrito, para que possamos oferecer “um sacrifício agradável a Deus”, para que livres do que antes nos prendia, deixemos que o Amor Misericordioso de nosso Deus nos preencha, para, assim como o apóstolo São Paulo, exclamemos “não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”.

Rodolpho Gomes Chaves

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