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quinta-feira, 31 de março de 2011

Filosofia Franciscana

Excerto do capítulo 5 do tratado De mysterio Trinitatis, de São Boaventura de Bagnoregio:

"Cumpre dizer que o ser divino é eterno, precisamente por ser Ele simples e infinito. - Pois, com ser infinito, não tem princípio ou fim. Caso tivesse ou um ou outro, tocar-lhe-ia um termo e um limite por aquela parte, e assim não seria sumamente imenso. Sendo simples, porém, ele carece de anterioridade e de posterioridade, que necessariamente trazem certa diversidade e composição. Logo, a suma simplicidade importa em simultaneidade onímoda, e a suma imensidade, em interminabilidade total; ambas, perfazem a eternidade. Pois eternidade outra coisa não é senão "a posse ilimitada e totalmente simultânea da vida". E visto que ambas, isto é, a imensidade e a simplicidade, não se encontram simultamente em nenhum outro, salvo em Deus, por isso o atributo da eternidade não pode pertencer a ninguém fora de Deus.

Demais, como uma e outra ultrapassam a nossa imaginação e estimação, a duração da eternidade não pode ser corretamente entendida, a menos que se exclua inteiramente a imaginação. Portanto, é mister combinar as duas coisas para se compreender a duração infinitíssima e simplicíssima do ser divino, e por ela a sua verdadeira permanência, isenta de começo e de mudança, quer por aumento ou divisão ou terminação; livre, enfim, de toda e qualquer sucessão.

Ainda que nada se possa encontrar de inteiramente semelhante nas criaturas, devido à sua imperfeição, há contudo nelas alguma coisa que, embora algo imperfeita, encaminha à inteligência da eternidade no ser divino, sob a condição de que o intelecto prescinda daquela imperfeição. É o que se pode verificar de algum modo, tanto na imagem como no vestígio. Pois na alma, que é imagem de Deus, há uma recordação das coisas passadas, uma inteligência das presentes e uma previsão das futuras. E todas estas coisas estão simultaneamente na alma, que é uma substância espiritual, une-se e ajunta-se o que acontece sucessivamente e em tempos diversos. Todavia, por ser limitada e receber algo da realidade exterior, ela não atinge àquela simultaneidade perfeita. Deus, ao invés, não recebe absolutamente nada e não está sujeito a nenhuma limitação. Por isso é necessário entender todas as coisas como presentes a Ele, e isto sem princípio e sem fim. Só então se compreende a eternidade."

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