Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição dos Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

sábado, 19 de março de 2011

Belíssimo sermão de Busset sobre São José!






É opinião generalizada e sentir comum entre os homens que o depósito, isto é, um bem que recebemos para guardar, tem qualquer coisa de sagrado e que o devemos conservar para quem no-lo confia não somente por fidelidade mas por uma espécie de sentimento religioso. Por isso o grande Santo Ambrósio ensina-nos no livro 29 dos seus Ofícios que era piedoso costume estabelecido entre os fiéis o de trazer aos bispos e ao seu clero aquilo que se queria guardar com mais cuidado, para que fosse colocado junto ao altar, em virtude da santa persuasão em que estavam de que não havia melhor lugar para guardar um tesouro do que aquele ao qual o próprio Deus confiou a guarda dos seus, isto é, os santos mistérios.

Este costume tinha-se introduzido na Igreja a exemplo da sinagoga antiga. Lemos na História Sagrada que o augusto templo de Jerusalém era lugar de depósito para os judeus. Autores profanos também nos ensinam que os pagãos tributavam esta honra aos seus falsos deuses, colocando os seus depósitos nos templos e confiando-os aos seus sacerdotes, como se a própria natureza das coisas nos ensinasse que o respeito ao depósito tem algo de religioso e que não pode estar mais bem colocado do que nos lugares santos onde se reverencia a Divindade, nas mãos daqueles que a religião consagra.
Ora, se jamais existiu depósito que merecesse tanto ser chamado santo, santamente guardado.Fala-se que a providência do Pai confia à fé do justo José, tanto assim que a sua casa se assemelha a um templo porque Deus aí se digna habitar e entregar-se a Si próprio em depósito. José deve ter sido, portanto, consagrado a fim de guardar tão santo tesouro. E realmente o foi: o seu corpo pela continência, a sua alma por todos os dons da graça.

Primeiramente, é fácil ver o quanto esta qualidade é, para ele, honra, porque, se o título de depositário já inclui a nota de estima e testemunho de probidade, se para confiar um depósito costumamos escolher entre os nossos amigos aquele cuja virtude é mais reconhecida, cuja fidelidade é mais comprovada, enfim o mais íntimo e mais confidente, qual não será a glória de São José, que Deus fez depositário não somente da bem-aventurada Virgem Maria, cuja pureza angélica a torna agradável aos Seus olhos, mas ainda do Seu próprio Filho, único objeto das suas complacências, única esperança da nossa salvação: de modo que guardando a pessoa de Jesus Cristo, São José é instituído depositário do tesouro comum de Deus e dos homens. Que eloquência poderá igualar a grandeza e a majestade desse título? Se esse título é tão glorioso e vantajoso àquele a quem se deve hoje fazer o panegírico, é preciso que penetremos em tão grande mistério com o socorro da graça; e que, procurando nas Escrituras o que aí lemos sobre José, possamos ver que tudo converge para esta bela qualidade de depositário. Efetivamente,encontramos nos Evangelhos três depósitos confiados ao justo José pela Providência divina, e, ali também, três qualidades que refulgem entre as outras e que correspondem a esses três depósitos:

- O primeiro de todos os depósitos que foi confiado à sua fé (o primeiro na ordem do tempo) é a santa virgindade de Maria, a qual São José devia conservar intacta sob o véu sagrado do seu matrimonio, que ele sempre guardou santamente como um depósito sagrado que não lhe era permitido tocar.

- O segundo, o mais augusto, é a pessoa de Jesus Cristo, que o Pai celeste depõe nas suas mãos a fim de que lhe sirva de pai, ao Santo Menino que não o tem na Terra.

- Mas observemos ainda um terceiro.É preciso compreender que o segredo é uma espécie de depósito. Trair o segredo de um amigo é como violar a santidade do depósito. Pelas leis humanas sabemos que, se alguém divulga o segredo de um testamento a ele confiado, pode ser acusado de ter violado o depósito. É evidente, pois, a razão por que o segredo é como um depósito. Por onde podemos facilmente compreender que, se José é o depositário do Pai eterno, é porque Este lhe contou o Seu segredo. Que segredo? Um segredo admirável: a encarnação do Seu Filho. Assim, porque, como sabemos, era desígnio de Deus esconder Jesus Cristo do mundo até que a Sua hora houvesse chegado, São José foi escolhido não somente para O guardar mas também para O esconder. Por isso lemos no Evangelista (S. Lucas 2, 33) que José, com Maria, admirava tudo o que se dizia do Salvador, mas não lemos que ele falasse, porque o Pai eterno, desvendando-lhe o mistério, fez dele um segredo sob a obrigação do silêncio. Este segredo é o terceiro depósito que o Pai acrescenta aos outros dois. Segundo o que nos diz o grande São Bernardo, Deus quis confiar à sua fé o segredo mais santo do seu coração.

Como sois querido de Deus, ó incomparável José, já que Ele a vós confia esses três grandes depósitos: a Virgindade de Maria, a pessoa do Seu Filho único e o segredo do Seu mistério!

Mas não julgueis que ele desconhecia essas graças. Se Deus o honrava com aqueles três depósitos, da sua parte José apresentava a Deus, em sacrifício, três virtudes que podemos observar no Evangelho. Não duvidemos que a sua vida tenha sido ornada com todas as outras, mas eis aqui as três principais virtudes que Deus quer que vejamos na sua Escritura.

A primeira é a pureza, que aparece pela continência no seu matrimonio; a segunda, a sua fidelidade; a terceira, a sua humildade e o seu amor à vida obscura. Quem não verá a pureza de São José nesta santa sociedade de desejos pudicos, nesta admirável correspondência à Virgindade de Maria e nas suas bodas espirituais? A segunda, a sua fidelidade, aparece nos cuidados infatigáveis que tem para com Jesus no meio das tantas adversidades que por todas as partes seguem esse Menino divino desde o começo da sua vida. A terceira, a sua humildade, vê-se em que, possuindo tão grande tesouro por uma graça extraordinária do Pai eterno, longe de se vangloriar por esses dons ou de publicar as suas vantagens, se esconde tanto quanto pode aos olhos dos mortais, contemplando, em gozo pacífico com Deus, o mistério que lhe fora revelado e as riquezas imensas que tem sob a sua guarda.

Quanta grandeza vejamos nesses depósitos, quantos exemplos vejamos nessas virtudes! E como a explicação desse assunto tão belo será glorioso para São José e frutuoso para todos os fiéis!

Que Deus Todo-Poderoso,em nome de Nosso Santíssimo Senhor Jesus Cristo e, pela intercessão da santíssima Virgem Maria,abra os nossos corações para os salutares exemplos do glorioso São José patrono da Igreja.Para que,a exemplo dele,possamos também zelar pelos Sagrados Mistérios amando esse Amor que nos ama.

Aos caríssimos leitores, saúdo-vos cordialmente PAZ E BEM!


por, Alex Fonseca Chagas

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