Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Filosofia Franciscana

Excerto do capítulo 5 do tratado De mysterio Trinitatis, de São Boaventura de Bagnoregio:

"Cumpre dizer que o ser divino é eterno, precisamente por ser Ele simples e infinito. - Pois, com ser infinito, não tem princípio ou fim. Caso tivesse ou um ou outro, tocar-lhe-ia um termo e um limite por aquela parte, e assim não seria sumamente imenso. Sendo simples, porém, ele carece de anterioridade e de posterioridade, que necessariamente trazem certa diversidade e composição. Logo, a suma simplicidade importa em simultaneidade onímoda, e a suma imensidade, em interminabilidade total; ambas, perfazem a eternidade. Pois eternidade outra coisa não é senão "a posse ilimitada e totalmente simultânea da vida". E visto que ambas, isto é, a imensidade e a simplicidade, não se encontram simultamente em nenhum outro, salvo em Deus, por isso o atributo da eternidade não pode pertencer a ninguém fora de Deus.

Demais, como uma e outra ultrapassam a nossa imaginação e estimação, a duração da eternidade não pode ser corretamente entendida, a menos que se exclua inteiramente a imaginação. Portanto, é mister combinar as duas coisas para se compreender a duração infinitíssima e simplicíssima do ser divino, e por ela a sua verdadeira permanência, isenta de começo e de mudança, quer por aumento ou divisão ou terminação; livre, enfim, de toda e qualquer sucessão.

Ainda que nada se possa encontrar de inteiramente semelhante nas criaturas, devido à sua imperfeição, há contudo nelas alguma coisa que, embora algo imperfeita, encaminha à inteligência da eternidade no ser divino, sob a condição de que o intelecto prescinda daquela imperfeição. É o que se pode verificar de algum modo, tanto na imagem como no vestígio. Pois na alma, que é imagem de Deus, há uma recordação das coisas passadas, uma inteligência das presentes e uma previsão das futuras. E todas estas coisas estão simultaneamente na alma, que é uma substância espiritual, une-se e ajunta-se o que acontece sucessivamente e em tempos diversos. Todavia, por ser limitada e receber algo da realidade exterior, ela não atinge àquela simultaneidade perfeita. Deus, ao invés, não recebe absolutamente nada e não está sujeito a nenhuma limitação. Por isso é necessário entender todas as coisas como presentes a Ele, e isto sem princípio e sem fim. Só então se compreende a eternidade."

quarta-feira, 30 de março de 2011

Lectio Divina 4º Domingo da Quaresma

LECTIO DIVINA - Domingo 03 de abril de 2011

4º Domingo da Quaresma Ano A

Texto Bíblico: João 9, 1-41 – Cura do cego de nascença

Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. Seus discípulos perguntaram: Rabi, quem foi que pecou para ele ter nascido cego? Ele, ou os seus pais? Jesus respondeu. Nem pecou ele, nem seus pais. Isto aconteceu para nele se manifestarem as obras de Deus... Dito isto, cuspiu no chão. Fez lama com a saliva, ungiu-lhe os olhos com a lama e disse-lhe: Vai, lava-te na piscina de Siloé. Ele foi, lavou-se e começou a ver. Os vizinhos que o conheciam per­guntavam: Não é este o que estava por aí sentado a pedir esmola? Uns diziam: E ele mesmo! Outros afir­mavam: De modo nenhum. É outro parecido com ele. Ele, porém, res­pondia: Sou eu mesmo! Perguntaram: Como foi que os teus olhos se abriram? Ele respondeu: “Esse homem, que se chama Jesus, fez lama, ungiu-me os olhos e disse-me: Vai à piscina de Siloé e lava-te”. Então eu fui, lavei-me e comecei a ver! Perguntaram-lhe: Onde está Ele? Respondeu: Não sei. Levaram aos fariseus o que fora cego. Aquele dia era sábado. Os fariseus perguntaram-lhe como tinha recobrado a vista. Ele respondeu-lhes: Pôs-me lama nos olhos, lavei-me e fiquei a ver. Diziam então alguns dos fariseus: Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado. Outros, diziam: Como pode um pecador realizar tais sinais miraculosos? Havia, pois, divisão entre eles. Perguntaram novamente ao cego: E tu que dizes dele, por ter aberto os olhos? Ele responde. É um profeta! Não acreditando ainda chamaram os pais dele. Perguntaram: Este é seu filho, que nasceu cego? Como é que agora vê? Os pais responderam: Sabemos que ele é nosso filho que nasceu cego; mas não sabemos como é que agora vê, nem quem foi que o pôs a ver. Perguntem a ele. Já tem idade para falar de si. Os pais responderam assim, pois já tinham combinado expulsar da sinagoga quem confessasse que Jesus era o Messias.

Chamaram, então, novamente o que fora cego, e disseram-lhe: Dá glória a Deus! Quanto a nós, o que sabemos é que esse homem é um pecador! Ele, porém, respondeu: se é um pecador, não sei. Só sei, uma coisa: que eu era cego e agora vejo. Eles insistiram: O que é que Ele te fez? Como é que te pôs a ver? Respondeu: Eu já disse e não me deram ouvidos. Porque desejam ouvir outra vez? Será que querem fazer-se seus discípulos? Então, zombaram dele, disseram: Discípulo dele és tu! Nó somos discípulos de Moisés! Sabemos que Deus falou a Moisés; mas quanto a esse, não sabemos donde é! Disse o cego: Isso é de espantar: que vocês não saibam donde Ele é, e me tenha dado a vista. Deus não atende os pecadores, mas se alguém honrar a Deus e cumpre a sua vontade, Ele o atende. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha dado a vista a um cego de nascença. Se este não viesse de Deus, não teria podido fazer nada. Responderam-lhe: Tu nasceste coberto de pecados e dá-nos lições? E puseram-no fora. Jesus ouviu dizer que o tinham expulsado e, quando o encontrou, disse-lhe: Tu crês no Filho do Ho­mem? Ele respondeu: E quem é, Senhor, para eu crer nele? Disse-lhe Jesus: Já o viste. É este que está a falar contigo... Então, excla­mou: Eu creio, Senhor! E prostrou-se diante dele. Palavras da Salvação...

l – LEITURA: O que diz o texto?

O Senhor devolve ao cego, não só a vista, mas sua dignidade de filho de Deus. Outros não reconhecem Jesus como Messias. Naquele tempo, a doença era maldição, causada pelos pecados no passado ou por algum antepassado. Por isso, a reação dos discípulos. Jesus mostra o rosto de Deus, que é misericórdia: para que se manifestem nele as obras de Deus. Os judeus não entendem, e querem expulsar a quem proclame que Jesus é o Messias. Jesus vai ao encontro do cego e o cura. O cego proclama que diante de seus olhos está o Filho de Deus, o Salvador do mundo e que Deus olhou sua frágil natureza e a havia restaurado.

Outros textos bíblicos para confrontar: Lc 13,2; Mt 12, 10; 16,14 e Is 8,20

Perguntas para a leitura:

* Por que Jesus ao passar fixa o olhar no cego de nascença? O que pretendia ao curá-lo?

* Que sentido tem a resposta de Jesus à pergunta inicial dos discípulos?

* Qual é a reação das pessoas diante da cura do cego de nascença?

* Qual a resposta do cego ao milagre recebido? Como reage?

2 – MEDITAÇÃO: O que me diz o texto? O que nos diz o texto?

* Qual é a minha cegueira? O que me está impedindo de ver o mestre?

* Em que momentos de minha vida senti a presença curadora de Deus?

* Sinto que Deus me dá a vista e me permite ver a verdadeira luz?

3 – ORAÇÃO: O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?

Obrigado Senhor pela luz e força de tua Palavra para nosso caminhar. Fortalece-nos em teu amor, renova-nos como missionários da tua voz para sermos fiéis discípulos do teu Reino.

Jesus, devolveste a vista ao cego, cura a cegueira de nossa mente e coração para ver o caminho que tu nos propões. Ajuda-nos a descobrir em nossas fraquezas tua graça que cura.

Permita-nos ver não o porquê das coisas, mas o para quê de muitas coisas que tu, em tua infinita bondade, permites que vivamos.

Aos que estão cegos, enfermos, prostrados numa cama ou com alguma enfermidade, Jesus conceda-lhes descobrir que por meio deste sofrimento oferecido com amor se dê glória a teu nome, pois sabemos que serás sempre o caminho, a verdade e a vida. Amém!

4 – CONTEMPLAÇÃO: Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?

Contemplemos em nós nossa pobre condição humana, às vezes com um coração cego, por causa dos pecados. Interiorizando-a conseguiremos entender que o desejo de Deus, de encontrar-nos e ajudar-nos é maior. Devemos, pois, deixar-nos ser encontrados por ele.

Jesus, possamos ver o mundo como tu. Que em tudo e em todos te demos graças e glória.

5 – AÇÃO: Com o que me comprometo? Com o que nos comprometemos?

Propostas pessoais: Preparemos melhor para a Semana Santa: dedicar tempo para interiorizar os mistérios divinos de Deus, que se revela a nós na liturgia quaresma! Jejuar nas coisas mais difíceis, como o orgulho, a mentira, a fofoca e tudo aquilo que prejudica a nós e aos demais.

Propostas comunitárias:

* Reunir-nos com nosso grupo para a meditação da Palavra de Deus, para encontrarmos um sentido mais forte e profundo a nossa participação na liturgia dominical.

* Buscar melhor preparação para viver o mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor.


Fonte: Mons. Paulo Daher, Vigário Geral Diocese de Petropolis

domingo, 27 de março de 2011

Franciscanos Conventuais na América Latina: 65 anos

A Custódia Imaculada Conceição foi a primeira fundação na América Latina, depois de uma tentativa sem êxito, por parte da província de Gênova, em Honduras, e de uma da província Romana em Minas Gerais, no início do século.

A possibilidade da província Imaculada Conceição/EUA, fundada em 1872, assegurar o trabalho missionário na América do Sul parece ter sido citado no Capítulo Provincial de 1942.
O primeiro frade franciscano conventual, nos tempos modernos, a tomar residencia no Brasil foi o reverendíssimo Frei Andréas Wild, OFMConv, o qual já havia desenpenhado as funções de comissário geral da Província Húngara e de confessor apóstolico na Basílica São Pedro em Roma.
A efetiva fundação da Ordem, contudo, deveria aguardar o fim das hostilidades. A Província da Imaculada Conceição (EUA), tinha por muitos anos, considerado a possibilidade de enviar seus membros para a América do Sul com o propósito de dar assistência a notável necessidade de padres neste vasto continente.
Encorajado, sem dúvida, por informações de Frei Andréas, o Capítulo Provincial de junho de 1945 escolheu o Brasil como principal campo de trabalho.
                                                                       (...)

Os frades estabeleceram-se no Rio de Janeiro, capital do país na época, a convite de Dom Jaime de Barros Câmara, cardeal arcebispo, do qual aceitaram a paróquia São Pedro de Alcantara, então em processo de organização. O Cardeal afavelmente cedeu ao desejo do provincial de mudar o título da Paróquia para São Franscico de Assis. Mais tarde, ele pessoalmente conduziu Frei Daniel e Frei Cyril a um passeio a lugares possíveis a sua instalação.
Foram todos favoráveis a uma propriedade na Rua Caetano Martins, 42, Rio Comprido, um bairro do Rio de Janeiro, que os donos concordaram em vender por $37.000 e os conselheiros eclesiásticos dos frades, os aconselharam segurar.
                                                                               (...)
A Ordem dos Frades Menores Conventuais, enquanto Custódia Imaculada Conceição, foi organizada civilmente como Associação dos Franciscanos Menores Conventuais. Logo com a chegada dos frades Americanos no Brasil; para que eles pudessem realizar seus trabalhos e serem ao mesmo tempo acolhidos no país, com representatividade jurídica, foi fundada uma associação de direito civil; AOS 28 DE MARÇO DE 1946.

Estamos presentes atualmente no Rio de Janeiro/RJ; Andrelândia/MG; Araruama/RJ; Paraíba do Sul/RJ; Petrópolis/RJ; Juiz de Fora/MG; Costa Barros/RJ

Relação dos Custódios Provinciais:
1971/1973 (como Comissário Provincial) & 1974/1976 (primeiro Cutódio) Frei Otto John Fouser, OFMConv.
1977/1979 Frei Wayne F. Mathews, OFMConv.
1980/1982 Frei Elias James Manning, OFMConv.
1983/1985 Frei André John Lambert, OFMConv.
1986/1988 Frei Evan James Bucci,OFMConv.
1989/1991 Frei Ivar Antônio da Silva, OFMConv. (primeiro brasileiro)
1992/1994 Frei Evan James Bucci, OFMConv.
1995/1997 & 1998/2001 Frei Valdomiro Soares Machado,OFMConv. (dois mandatos consecutivos)
2001/2005 Frei José Goretti Pio,OFMConv.
2005/2009 Frei Donil Alves da Silva Junior,OFMConv.
2010...       Frei Antônio Molisani Telles,OFMConv.

Fonte: Frei Ronaldo Gomes da Silva,OFMConv. HISTÓRICO CUSTODIAL: Araruama/2003.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!


Que a Imaculada Mãe de Deus e nosso Seráfico Pai São Francisco de Assis interceda pelos frades, formandos, vocacionados, amigos e benfeitores...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Mensagem pela beatificação de João Paulo II

Mensagem pela beatificação de João Paulo II


11:33 - 25/03/2011

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, hoje, 25, uma mensagem pela beatificação do papa João Paulo II, que ocorrerá no dia 1º de maio, em Roma. A mensagem foi aprovada pelo Conselho Permanente da entidade, reunido em Brasília desde quarta-feira, 23. A reunião terminha hoje, ao meio dia.
Na mensagem, a CNBB exalta as virtudes de João Paulo II, lembrando suas três visitas ao Brasil. “Entre nós, ele foi carinhosamente acolhido e aclamado como ‘João de Deus’”, recorda a mensagem.
Segundo a CNBB, João Paulo II foi marcado pela espiritualidade da cruz que “o acompanhou na experiência da orfandade e da pobreza, nas atrocidades da guerra e do regime comunista, mas principalmente no atentado sofrido na Praça de São Pedro”.
A CNBB destaca, ainda, o empenho do papa na defesa da vida e da família. “O mundo inteiro foi edificado pelo seu empenho em favor da vida, da família e da paz, dos direitos humanos, da ecologia, do ecumenismo e do diálogo com as religiões”, diz a mensagem.
Leia, abaixo, a íntegra da mensagem.
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Mensagem da CNBB
Por ocasião da beatificação do Papa João Paulo II
“Deus nos chamou à santidade” (1 Ts 4,7)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dirige-se aos católicos e a todas as pessoas de boa vontade para manifestar sua alegria e gratidão a Deus pela beatificação do Servo de Deus, João Paulo II, no próximo dia primeiro de maio. O Papa João Paulo II amava muito o Brasil e visitou nosso País por três vezes. Entre nós, ele foi carinhosamente acolhido e aclamado como “João de Deus”.
A beatificação nos incentiva a aprofundar nossa vocação universal à santidade. Na sua primeira mensagem, ele convidou a todos: “abri as portas a Cristo Jesus!” Sua vida foi um testemunho eloquente de santidade, pela grande fé, amor à Eucaristia, devoção filial a Maria e pela prática do perdão incondicional. A Palavra de Deus foi por ele intensamente vivida e anunciada aos mais diferentes povos. A espiritualidade da cruz o acompanhou na experiência da orfandade e da pobreza, nas atrocidades da guerra e do regime comunista, mas principalmente no atentado sofrido na Praça de São Pedro. De maneira serena e edificante, suportou as incompreensões e oposições, as limitações da idade avançada e da doença.
O mundo inteiro foi edificado pelo seu empenho em favor da vida, da família e da paz, dos direitos humanos, da ecologia, do ecumenismo e do diálogo com as religiões. Revelou-se um grande líder mundial, um verdadeiro “pai” da família humana. Pediu várias vezes perdão pelas falhas históricas dos filhos da Igreja. Ele mesmo foi ao encontro do seu agressor, na prisão, oferecendo-lhe o perdão. Pela encíclica Dives in Misericordia e na instituição do “Domingo da Divina Misericórdia”, manifestou seu compromisso com a reconciliação da humanidade.
Foi um papa missionário. Numerosas viagens apostólicas marcaram seu pontificado e incentivaram, na Igreja, o ardor missionário e o diálogo com as culturas. No Grande Jubileu conclamou e encorajou a Igreja a entrar no terceiro milênio cristão, “lançando as redes em águas mais profundas”. Afirmou e promoveu a dignidade da mulher; ampliou o ensino Social da Igreja e confirmou que a promoção humana é parte integrante da evangelização. Valorizou os meios de comunicação social a serviço do Evangelho. A todos cativou pelo seu afeto e sensibilidade humana; crianças, jovens, pobres, doentes, encarcerados e trabalhadores foram seus preferidos.
O Papa João Paulo II estimulou, especialmente, as vocações sacerdotais, religiosas e missionárias. Aos sacerdotes dirigiu, todos os anos, na Quinta-Feira Santa, sua Mensagem pessoal. Leigos e consagrados foram valorizados e encorajados nos Sínodos a eles dedicados, para promover sua dignidade, vocação e missão na Igreja.
Convidamos, portanto, todo o povo a louvar e agradecer a Deus pela beatificação do Papa João Paulo II. “O Brasil precisa de santos”, proclamou ele na beatificação de Madre Paulina. Sensibilizados por essas palavras, confiamos à sua intercessão a santificação da Igreja e a paz no mundo. Fazemos votos de que seu testemunho e seus ensinamentos continuem a animar a grande família dos povos na construção de uma convivência justa, solidária e fraterna, sinal do Reino de Deus, entre nós.
Brasília, na Solenidade da Anunciação do Senhor,
25 de março de 2011
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB
Fonte: CNBB

Lectio Divina 3º Domingo da Quaresma

LECTIO DIVINA - Domingo 27 de março de 2011

3º Domingo da Quaresma Ano A

Texto Bíblico: João, 4, 5-42

Jesus com os discípulos chegou à cidade da Samaria chamada Sicar, onde se acha o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era quase meio dia. Chega uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe pede: Dá-me de beber. Seus discípulos tinham ido à cidade para comprar o que comer. A mulher, samaritana, disse: Como? Tu, um judeu, me pedes de beber a mim, uma samaritana? (Os judeus, não se davam com os samaritanos.) Jesus respon­deu: Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: 'Dá-me de beber', tu é que lhe pedirias e ele te daria água viva. A mulher disse: Senhor, não tens um balde, e o poço é fundo; como vais tirar a água? Serias maior que Jacó, que nos deu o poço? Jesus respon­deu: quem bebe desta água ainda terá sede. Mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Esta água será nele uma fonte para a vida eterna". A mulher disse: Senhor, dá-me essa água, para que eu não tenha mais sede e não precise vir aqui tirar água". Jesus lhe disse: Vai, chama o teu marido e volta aqui. A mulher respondeu: Não te­nho marido. E Jesus: dizes bem: 'Não tenho marido'; tiveste cinco, e o que tens agora não é teu marido. Senhor, disse a mulher, vejo que és um profeta. Nossos pais adoraram sobre esta montanha, e vocês afirmam que é em Jerusalém que se deva adorar." Jesus lhe disse: Acredita-me, mulher, vem a hora em que nem nesta montanha, nem em Jerusalém adorarão o Pai. Vocês adoram o que não conhecem. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus.Mas vem a hora, e é agora, na qual os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Deus é espírito, e os que o adoram devem adorar em espírito e verdade. A mulher disse: Eu sei que o Messias, o Cristo deve vir. Quando vier, eles nos anunciará todas as coisas. Jesus lhe disse: Sou eu, eu que estou falando a ti. Nisso, os discípulos chegaram. Espantaram-se vendo Jesus falar com uma mulher; mas ninguém disse: Por que lhe falas? A mulher, largando o cântaro foi à cidade e disse ao povo: Venham ver um homem que me disse tudo o que eu fiz Não seria ele o Cristo? Eles vieram ter com ele. Os discípulos insistiam: Rabi, come! Ele disse: Eu tenho para comer um alimento que vocês não conhecem. O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. Muitos sa­maritanos daquela cidade tinham acredi­tado nele por causa da palavra da mulher que afirmava:"Ele me disse tudo o que eu fiz. E pediram que fi­casse entre eles. E ele ficou lá dois dias. Mais numerosos foram os que creram por causa da própria palavra de Jesus. Diziam à mulher: Não é somente por tuas palavras que nós cremos; nós o ouvimos e sabemos que ele é verdadeiramente o Salvador do mundo.

l – LEITURA: O que diz o texto?

Indicações para a leitura:

Como vão os compromissos quaresmais de oração e penitência? Esperamos que vocês estejam se preparando muito bem neste tempo de graça e de reconciliação.

Jesus, no calor do sol, estava sentado junto ao poço de Jacó ao meio-dia. Descansava. Seus discípulos foram buscar comida. Em seguida aparece uma mulher com a qual Jesus inicia um diálogo. Pensemos no encontro de Jesus com esta mulher. Analisemos passo a passo, devagar, a conversa, a inteligência da samaritana e a sabedoria de Jesus, sua proposta.

Perguntas para a leitura:

* Qual o conceito dos judeus ao que não são da sua raça?

* A mulher samaritana se refere a que tipo de água?

* Quais são as características da água da qual fala Jesus?

* Que pretendia Jesus ao falar dos cinco maridos da mulher?

* Que significa adorar a Deus em espírito e verdade?

* Por que Jesus foi ouvindo e respondendo àquela mulher?

* Qual foi o final de toda esta conversa? E para o povo da cidade?

2 – MEDITAÇÃO: O que me diz o texto? O que nos diz o texto?

* Aproximo-me com regularidade para beber da Palavra que é fonte de vida?

* Em que uso meu tempo e que me impede de aproximar-me?

* Que farei na quaresma para aproximar-me mais da fonte de vida eterna?

* Desprezo ou excluo alguém? Que faz Jesus com quem não é do seu povo e não crê nele?

3 – ORAÇÃO: O que digo a Deus? O que dizemos a Deus?

Senhor, ajuda-nos a interiorizarmos tua palavra. Queremos ser melhor à luz do teu amor.

Ajuda-nos a aproximar-nos da fonte de água viva. A fonte de água que mata a sede para sempre.

Dá-nos a graça de te aceitarmos como o Senhor das nossas vidas.

Assim como fez a samaritana, dá-nos força para renunciar aos nossos falsos deuses.

Queremos reconhecê-Lo como o único e verdadeiro. Amém.

4 – CONTEMPLAÇÃO: Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?

* Relembre o evangelho de hoje e imagine a mulher samaritana colocando Jesus à prova.

* Imagine também Jesus, que com sabedoria e paciência, consegue converter esta mulher depois de uma conversa cheia de amor e ternura.

* Reflita a respeito das palavras Jesus a esta mulher e a capacidade de respeito que caracteriza Jesus em cada ocasião de encontro com as pessoas de outra raça ou religião.

5-AÇÃO: Com o que me comprometo? Com o que nos comprometemos?

Propostas pessoais:

* Não envolver-me em discussão por causa da fé. Tentar convencer outras pessoas com o testemunho da própria vida.

* Orar pelos que não conhecem a Jesus e orar pelas vocações missionárias.

Propostas comunitárias:

* Reunir-nos com outros para refletir sobre os perigos da sociedade (drogas, dinheiro fácil, irresponsabilidade sexual etc.) e fazer uma oração por aqueles que por servir aos interesses deste mundo, pouco se importam com o Senhor;

* Realizemos uma visita ao Santíssimo pedindo por todos os que não se aproximam de Deus e depositam suas confianças em fontes que não saciam.


Fonte: Mitra Diocesa de Petropolis-RJ

quinta-feira, 24 de março de 2011

1º S.A.V Conventual 2011


Nos dias 18 a 20 de março foi realizado o primeiro encontro vocacional do ano de 2011. Os jovens Luis Henrique, Artur e Wallace, da cidade de Araruama, Douglas e Rodrigo, da cidade do Rio de Janeiro compareceram são muito curiosos e dedicaram-se de corpo e alma ao que foi a proposta do encontro: conhecer de forma simples e humilde o carisma franciscano. Foi um fim de semana de várias atividades com palestras sobre vocação; orações; passeio ao Mosteiro da Ajuda das Monjas Concepcionistas Franciscanas, em Vila Isabel; apresentação de filmes sobre são Francisco e sobre a ecologia, tema da CF 2011; recreação, etc. Enfim, muitas atividades, mas com o vigor franciscano de carinho e amor.
            Louvado seja meu Senhor por ter-nos dado jovens tão ardorosos em conhecer a vida franciscana conventual. A equipe do Serviço de Animação Vocacional só tem a agradecer tamanho desejo em partilhar conosco esses dias tão especiais. E você que ainda está na curiosidade de nos conhecer: CORAGEM!!! E venha para o nosso próximo encontro, que realizar-se-á nos dias 13 a 15 de maio de 2011. Sua presença enriquecerá cada vez mais o nosso encontro. Que o Senhor vos dê a Paz!!!
 
Frei Leonardo Rodrigues de Valença, OFMConv.
Promotor S.A.V Conventual/RJ

No altar–mor da capela do Mosteiro.

: Os jovens Luis Henrique, Artur, Douglas e Rodrigo rezando a Coroa Franciscana.

Palestra sobre vocação humana com o Fr. Luiz Fernando.

Frei Leonardo, Luis Henrique, Rodrigo, Artur, Wallace, Douglas eo Fr. Luiz Fernando se preparando para o passeio ao Mosteiro da Ajuda das Monjas Concepcionistas Franciscanas. 

Na sacristia do Mosteiro

Junto com o Fr. Michel, que nos acompanhou no passeio.

A irmã lua deu-nos a alegria de iluminar a bela noite do sábado
 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Ordens menores

No dia 23/03 numa missa conventual, Frei Luiz Fernando Rangel OFMConv. recebeu as Ordens Menores do Acolitato e do Leitorato à vista da preparação para as Ordens Maiores que estão por vir. Aproveitamos a ocasião para esclarecer um pouco o que isso significa.
Ordens menores
Dentre os ministérios que, desde os primeiros séculos, se encomendavam aos cristãos, ao serviço da comunidade, alguns foram considerados como «ordens maiores», o sacramento da Ordem – episcopado, presbiterado e diaconado. Mas, desde muito cedo (já no século III). Existem, além disso, subdiáconos, acólitos, leitores, ostiários e exorcistas, além de outros ministérios que não tiveram tanta importância. Nos Ordines Romani (34 e 35) estão as estruturas da sua ordenação. O subdiaconado considerou-se, a partir do século XII, como pertencente às «ordens maiores», enquanto que se chamava «ordens menores» ao leitorado, acolitado, ostiariado e exorcistado.
Papa Paulo VI, em 1972, com o seu Motu Proprio Ministeria Quædam, decidiu rever esta prática. Estabeleceu que se suprimissem o subdiaconado, a tonsura e as «ordens menores», e que ficassem com a qualidade de «ministérios» para a Igreja universal – deixando às Conferências Episcopais o poder pedir a instituição de outros – o do Leitor e o do Acólito, à volta da Palavra e do Altar. Estes ministérios são para leigos, ou seja, não supõem a entrada no ministério ordenado, que se inicia com o diaconado. As funções dos ministérios, substitutos das ordens menores, passaram a ser conferidas por «instituição», em vez de «ordenação», que se reserva exclusivamente ao bispo, presbítero e diácono.
Para quem está no processo formativo, seja numa casa religiosa ou num seminário diocesano, durante o curso da Teologia, os que se sentem vocacionados ao presbiterato, recebem do bispo ou do superior da Ordem, esta instituição.
Frei Luiz Fernando Rangel, OFMConv
Seguem as fotos desta cerimônia:










Frei Luiz recebe a Sagrada Escritura

Frei Luiz recebe as espécies do Pão

Contamos com a presença dos frades e do Formador da Casa de Formação São Francisco de Assis: Frei Donil Alves; do Formador do Convento São Boaventura Frei Robson, Frei Cláudio; Frei Alessandro (vigário de Costa Barros), da promotora vocacional Carmem e amigos do Frei Luiz Fernando. Esta Missa foi presidida pelo Custódio Provincial Frei Antônio Molissani Telles, OFMConv.


Frei Marcelo: salmodiando


Frei Donil proclamando o Evangelho

Homilia do Frei Molisani


Receba a Sacrada Escritura

Receba a espécie do Pão

servindo ao altar

servindo ao altar

servindo ao altar

servindo ao altar







segunda-feira, 21 de março de 2011

A raiz dos problemas nas celebrações litúrgicas


“Na raiz de todos os problemas que encontramos em nossas celebrações litúrgicas, e também desta falta de espiritualidade, está a insuficiência da formação litúrgica”, afirma o padre Gregório Lutz CSSp. Doutor em liturgia e autor de vários livros sobre o tema, padre Gregório Lutz concedeu esta entrevista a ZENIT.

ZENIT: A ‘Sacrosanctum Concilium’, no número 7, diz; "com razão se considera a Liturgia como o exercício da função sacerdotal de Cristo". Poderia nos explicar, por favor?

Pe. Gregório Lutz: As palavras citadas do documento do Concílio Vaticano II sobre a Liturgia são as primeiras da frase talvez mais importante de todo este documento. Muitos consideram esta frase como uma definição de Liturgia. Parece-me que junto com estas palavras devemos logo considerar pelo menos ainda as últimas desta frase que nos dizem quem é este Cristo que na Liturgia exerce o seu sacerdócio: É o Cristo todo, cabeça e membros. Para entendermos bem tal afirmação do Concílio Vaticano II, é bom lembrar o pano de fundo, diante do qual ela foi feita: Era a compreensão da Liturgia como ritual externo, como conjunto de cerimônias, como rubricas e prescrições que regulamentam as celebrações. Além disso, como celebrantes da Liturgia consideravam-se somente os ordenados, sobretudo os padres e os bispos, ao passo que os leigos assistiam às celebrações, mas não tinham parte ativa nelas. Pelo movimento litúrgico que se considera ter começado em 1909, esta compreensão da liturgia se corrigiu em muitas cabeças, mas sabemos que ela existe ainda hoje.

Já o Papa Pio XII tinha declarado, no ano de 1947, em sua encíclica ‘Mediator Dei’ sobre a Liturgia: "Estão ... muito longe da verdadeira e autêntica noção da sagrada Liturgia aqueles que a julgam como sendo apenas a parte externa e sensível do culto divino, fazendo-a consistir no aparato decorativo das cerimônias; e não erram menos os que a têm como simples conjunto de leis e regras com que a hierarquia eclesiástica manda ordenar a execução dos ritos sagrados" (nº 23 da edição ‘Documentos Pontifícios’ da Editora Vozes, de 1963). De modo positivo, o Papa Pio XII deu, no mesmo documento, a seguinte definição de Liturgia: "A Sagrada Liturgia é ... o culto público que o nosso Redentor rende ao Pai como Cabeça da Igreja e que a sociedade dos fiéis rende ao seu fundador e, por ele, ao Pai eterno; ou, em breves palavras, é o culto integral do Corpo Místico de Jesus Cristo, isto é, da Cabeça e dos membros" (nº 17).

Esta encíclica aprovou amplamente aquilo pelo qual os protagonistas do movimento litúrgico tinham lutado e que na consciência e na prática celebrativa de muitos católicos e comunidades já tinha sido assumido: Liturgia não é só o ritual que o clero realiza, mas é Jesus Cristo, nosso Sumo Sacerdote no meio do seu povo sacerdotal e com os membros do seu corpo místico celebrando a obra divina de salvação da humanidade. O Concílio Vaticano II, como suprema instância da Igreja, ratificou esta visão da Liturgia e colocou as balizas para a reforma litúrgica que devia facilitar que todos que no batismo foram ungidos sacerdotes, pudessem celebrar a Liturgia, participando dela ativa, externa e interna, consciente, plena e frutuosamente, e assim exercer o seu direito e dever como povo sacerdotal (cf. SC 14), em lugar de apenas assistir da nave da igreja ao que o clero faz no altar. Conforme o Concílio, os fiéis devem até aprender "a oferecer-se a si próprios, oferecendo a hóstia imaculada, não só pela mãos do sacerdote" (SC 48).

ZENIT: "Qualquer celebração litúrgica é, por ser obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo que é a Igreja, ação sagrada por excelência, cuja eficácia, com o mesmo título e no mesmo grau, não é igualada por nenhuma outra ação da Igreja" (SC 7). Como o senhor vê o protagonismo advogado por muitos sacerdotes e também por leigos nas celebrações litúrgicas?

Pe. Gregório Lutz: Pelo Concílio Vaticano II a Igreja católica queria retornar às suas fontes, não por uma tendência arqueologística, mas para voltar a ser a Igreja autêntica de Jesus Cristo. Já que a Igreja é formada por pessoas humanas que nem em tudo são perfeitas, não todas as evoluções ao longo dos séculos eram positivas, para melhorar a Igreja. O mesmo aconteceu com a Liturgia. A meta da reforma litúrgica era voltar à liturgia romana clássica, como ela foi criada e existia nos séculos 5 a 7. A Liturgia desta época era tipicamente romana, quer dizer, simples e sóbria. Nela se expressava o mistério celebrado em palavras e gestos concisos, sem enfeites supérfluos que ofuscam o essencial das celebrações. Os livros litúrgicos que temos daquela época nos mostram isso claramente. Os responsáveis pela elaboração dos novos livros litúrgicos pensaram também que os ritos e as orações de tal liturgia pós-conciliar, elaborada em Roma para a Igreja inteira, devesse e pudesse facilmente ser adaptada nas diversas partes e culturas do mundo. Isso, no entanto, quase não aconteceu, nem no Brasil. Por isso, sobretudo a celebração da missa, para muitos, fiéis e padres, foi percebida como seca e fria, de algum modo como esqueleto sem carne. Então, para se conseguir uma liturgia "mais quente e com carne", surgiu uma rica criatividade, mas com muita frequência sem critérios válidos para uma liturgia autêntica. Tal criatividade, que antes deterioriza as celebrações em lugar de facilitar o mergulho das assembleias no mistério de Cristo, se devia e se deve sobretudo à falta de formação litúrgica do clero e dos fiéis. Ainda pior são os resultados de tais iniciativas quando os seus protagonistas pensam que são peritos competentes para criar a "sua" liturgia e não lembram que são apenas administradores da liturgia da Igreja, que nos vem de Cristo e dos apóstolos, mas da qual não somos os donos. Estes amadores não têm consciência de que são ministros, isto é, servidores na Igreja e na assembleia litúrgica, para que o povo de Deus possa, com sua ajuda, celebrando fazer sua a salvação que Cristo operou, cuja memória fazemos na Liturgia.

ZENIT: O senhor considera que há um certo descuido e até mesmo falta de espiritualidade séria que leva a abusos e banalização da Liturgia hoje no Brasil?

Pe. Gregório Lutz: Assim como, infelizmente, muitos dos nossos irmãos padres e leigos não têm consciência da função de Jesus Cristo como "celebrante principal" da Liturgia, muitos também não sabem que nas ações litúrgicas tudo acontece "pela força do Espírito Santo" (SC 6). Espiritualidade diz de fato respeito à presença e ação do Espírito Santo em nosso ser e agir como membros da Igreja e, particularmente, na Liturgia. É verdade que o Espírito Santo sopra onde quer e, certamente no campo da Liturgia ele estava presente em muitas das iniciativas próprias e características da Igreja no Brasil. Mas, sobretudo quando uma pessoa acha que só ela possui o Espirito Santo ou, pior ainda, quando ela se acha dono da Liturgia, deve-se duvidar que o espírito, no qual age, seja o de Deus. Em verdadeira espiritualidade trabalha quem entende os ministérios ou qualquer serviço dentro da Liturgia ou ligado a ela, no espírito de Jesus, que é o de servir gratuitamente, para que os outros tenham vida; neste espírito a pessoa se esforçará na medida do possível e para uma Liturgia autêntica. Acho que devemos reconhecer que também no Brasil nem todos os agentes de pastoral litúrgica têm esta espiritualidade e que esta falta é causa de abusos e banalizações que de fato também existem entre nós. Neste contexto, eu gostaria de lembrar mais uma vez que na raiz de todos os problemas que encontramos em nossas celebrações litúrgicas, e também desta falta de espiritualidade, está a insuficiência da formação litúrgica.

ZENIT: Como cuidar do esmero e da beleza da Liturgia?

Pe. Gregório Lutz: Tenho a impressão que particularmente em comunidades de população pobre é difícil, por um motivo bem concreto, que se percebe sobretudo na construção e arrumação dos espaços litúrgicos: A comunidade de pobres já fica contente se tem um espaço para suas reuniões celebrativas, se este ambiente tem um aperfeiçoamento como o têm suas próprias casas. Quando há as paredes com janelas e portas e um telhado, está tudo bem, já porque não há condições para conseguir mais, como reboco e pintura. O mesmo estou observando na construção de igrejas e capelas e suas instalações. Todavia, quando se consegue aperfeiçoar a construção e a torná-la fora e dento mais bonita, isso se sente como algo agradável para a comunidade e também conveniente para a casa Deus.

Ora, quando a comunidade tem a sensibilidade e possibilidade de tornar o seu salão, sua capela ou igreja mais bonita, existe o perigo de trazer enfeites que não ajudam a sentir melhor o mistério que em nossas igrejas se celebra. Antes, às vezes são elementos que desviam a atenção do essencial que acontece na assembleia litúrgica, ou até são de mau gosto. Sempre a comunidade deve poder reconhecer o seu espaço celebrativo como seu. A solução também aqui me parece ser uma formação adequada. Em primeiro lugar seria necessário tentar elevar o nível humano e cultural da comunidade, depois ajudá-la a aprofundar sua fé em geral e particularmente com respeito à Liturgia; então será mais fácil despertar uma sensibilidade melhor também para o esmero e a beleza da Liturgia.

ZENIT: A ‘Sacrosanctum Concilium’, ao mesmo tempo em que enfatiza a primazia do canto gregoriano "como canto próprio da liturgia romana" (nº 116), mas também "aprova e aceita no culto divino todas as formas autênticas de arte, desde que dotadas das qualidades requeridas" (nº 112), pede que "se guarde e se desenvolva com diligência o patrimônio da música sacra" (nº 114). O senhor considera que se vê em nossas celebrações litúrgicas o cuidado e qualidade artística que se deveria ter com a música sacra?

Pe. Gregório Lutz: Eu pessoalmente acho uma pena que nas "minhas comunidades" (extremamente carentes, de periferia) não podemos cantar o canto gregoriano, e me alegro que por exemplo no mosteiro de São Bento no centro de São Paulo há todo domingo a missa principal com canto gregoriano, e uma grande assembléia de pessoas da cidade participa desta missa. Mas onde não se sabe latim, tal canto não ficaria louvor vazio dos lábios, que Deus detesta? O mesmo vale, em ambientes semelhantes de população carente, para a polifonia clássica. Sei que às vezes pode ser participação de alguma maneira ativa também o mero ouvir de uma melodia que ajuda a entrar no mistério de Cristo. No entanto, "o canto sacro, baseado em palavras, faz parte necessária e integrante da liturgia solene" e a música sacra exerce uma "função ministerial ... no culto do Senhor" (SC 112) .

Outra questão se levanta a respeito do cuidado e da qualidade artística do que se canta geralmente em nossas assembleias litúrgicas no Brasil. Penso que devemos ter cuidado não somente com a qualidade artística do nosso canto, mas também com sua função litúrgica. A este respeito não há nenhum modelo melhor do que o próprio canto gregoriano, enquanto sua letra é totalmente integrada na liturgia e sempre bíblica ou pelo menos de inspiração bíblica. Sendo de uma assembleia, o canto não deve ser individualista, nem totalmente subjetivista ou até sentimental. Evidentemente não deve faltar uma boa qualidade artística na letra e na melodia. Que sob todos estes aspectos muitas vezes o canto em nossas celebrações deixa a desejar, não é segredo. No entanto, para superar estas deficiências, em geral não será uma solução voltar ao canto gregoriano

ou investir só na polifonia clássica. Ambas estas formas de canto não precisam ser banidas totalmente das nossas comunidades simples, menos ainda das igrejas em lugares de classe média ou alta. Mas, em todos estes casos, é mister sobretudo a formação de todos, especialmente de cantores e instrumentistas, para que o canto e a música, que podem tanto ajudar a mergulhar no mistério que celebramos, possam cumprir sua missão que o Concílio Vaticano II lhes atribui.

ZENIT: Poderia nos falar, por favor, dos trabalhos de tradução do novo Missal?

Pe. Gregório Lutz: No ano de 2000 foi publicado em Roma uma nova edição do Missal. Novo é nele, em comparação à edição anterior, a introdução de algumas memórias de santos recentemente canonizados, e orações sobre o povo no fim de todas as missas dos dias de semana da Quaresma. Este Missal, evidentemente editado em latim, deve ser traduzido para as línguas modernas dos diferentes povos do mundo, também para o Brasil, que não adotará a tradução feita para os outros países de língua portuguesa. Já que a maior parte dos textos desta edição é em latim idêntica aos da edição anterior, estes precisam apenas de uma revisão. Para tradução e revisão, a Congregação para o Culto Divino, em Roma, publicou uma instrução especial.

Enquanto consta, em nenhum país este trabalho de tradução e revisão foi terminado no prazo estabelecido de cinco anos a partir de 2002. No Brasil, a comissão que foi encarregada deste serviço está terminando a sua tarefa até a páscoa deste ano. Mas, o que nós, três padres e um leigo, fazemos aqui em São Paulo, deve ser visto e eventualmente corrigido ou melhorado por uma comissão de cinco bispos, e depois ser apresentado à assembleia geral do bispos do Brasil, para aprovação. Este trabalho dos bispos está ainda longe de ser terminado. Depois da aprovação pela assembleia geral dos bispos, o texto vai ser enviado a Roma, para exame e confirmação pela Congregação para o Culto Divino. Só com esta confirmação o novo Missal poderá ser editado no Brasil. É impossível dizer quando isso será. Certamente vamos ter que esperar ainda alguns anos.

Fonte: Zenit

Morre o bispo emérito, dom frei Agostinho Januszewicz

Morreu na manhã deste domingo, 20, em Juruá, estado do Amazonas, o bispo emérito de Luziânia (GO), dom Frei Agostinho Stefan Januszewicz, OFMConv, que sofria de câncer. Dom Agostinho, 80, era franciscano conventual. Foi o primeiro bispo de Luziânia e fundador da Província São Maximiliano Kolbe dos Frades Menores Conventuais, em Brasília.

“Dom Agostinho honrou o carisma da Ordem dos Frades Menores Conventuais e testemunhou com fidelidade o amor a Deus e à Igreja. Prestou vários serviços à Igreja e a nossa província. Sua vida foi um testemunho de dedicação ao serviço ao Reino de Deus e de amor à Virgem Imaculada”, disse o secretário provincial, frei Marcelo Veronez, em nota divulgada no site da Ordem.

O bispo diocesano de Luziânia, dom Afonso Fioreze, viajou para Juruá onde acompanhará as exéquias de dom Agostinho. Amanhã, às 10h, haverá missa de corpo presente e, em seguida, o sepultamento no cemitério da cidade.

Dom Agostinho nasceu na Polônia em 29 de novembro de 1930; fez o noviciado em 1950 e a profissão solene dos votos em 4 de outubro de 1954. Ordenado presbítero em 3 de agosto de 1958, foi eleito bispo em 29 de março de 1989, recebendo a ordenação episcopal em 10 de junho do mesmo ano. Era doutor em teologia sistemática, tendo chegado ao Brasil no dia 16 de outubro de 1974.

“Ao longo de sua vida, dom Agostinho adotou o Brasil como sua pátria, como lugar de sua doação até o fim”, disse frei Marcelo.

Dom Agostinho tornou-se bispo emérito de Luziânia em setembro de 2004. Em janeiro do ano seguinte, vai para a prelazia de Tefé, estado de Amazonas, passando a residir em Juruá. Realizava um antigo sonho de ser missionário na Amazônia, atuando na paróquia Nossa Senhora de Fátima. Desde 2008, quando se constata a doença, contava com a companhia do frei Janusz Daneck.

Fonte: CNBB

sábado, 19 de março de 2011

Missa em honra a São José (fotos)

Solenidade em honra a São José, Patrono da Igreja Universal, das famílias cristãs e da Ordem Seráfica. Celebrada na Capela da Casa de Formação São Francisco de Assis no Rio Comprido/RJ, com a presença dos frades da Casa de Formação, dos vocacionados e do Pároco da Igreja São Luis Rei de França (Costa Barros/RJ), presedida pelo Formador/Guardião Frei Donil Alves.












São José, padroeiro da Ordem Seráfica, rogai hoje e sempre pela nossa formação. Amém

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