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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Homilia Dom Filippo Santoro

Homilia de Dom Filippo Santoro, Bispo Diocesano de Petrópolis, na Missa celebrada no Santuário de Aparecida do Norte, em 23 de janeiro de 2011.

Como ouvimos no Evangelho[1], na cidade de Cafarnaum, naquela região da Galileia dos gentios, Jesus se proclamou luz das nações. É o início do Reino de Deus que Ele oferece a todos.
Nas nossas regiões, por causa destas chuvas, muitas casas e igrejas foram destruídas. Mesmo assim tantas outras igrejas e igrejinhas, como a fachada da igreja de Santo Antônio em Nova Friburgo, ficaram de pé para demonstrar, para dizer, que a cruz de Cristo permanece no meio do sofrimento como fonte de esperança, de vida, como promessa de ressurreição, como anúncio de salvação para todos.
Diante destas chuvas, podemos ter várias leituras: uma primeira leitura que muitos estão fazendo é o juízo crítico sobre a ocupação irregular das encostas (é irresponsável porque não é a primeira vez que acontece), ou sobre a falta de políticas públicas de planejamento urbano para moradia para os pobres, ou ainda, a agressão à natureza, como não podemos desrespeitar a natureza. Esta leitura analisa a situação.
A nossa leitura acolhe estes dados, no entanto, vai mais a fundo, como aquelas cruzes que permaneceram de pé no meio da destruição, permaneceram de pé no meio do mar de lama e de chuva. Aquelas igrejinhas levantam a esperança em todos e, por isso, estamos aqui aos pés de Nossa Senhora Aparecida, nossa mãe e entregamos às suas mãos as nossas dioceses, confiando nEle e junto a ela que nos repete: “Não tenhas medo; eu estou aqui porque sou a sua mãe”. Como fala Nossa Senhora Aparecida, como fala Nossa Senhora de Guadalupe: “Sou sua mãe, eu estou aqui e vou ajudar cada um na reconstrução. Eu irei ajudar vocês a edificar mais bonitas as suas cidades, as belas cidades da Serra Fluminense”.
Estamos cheios de esperança, também pelo espetáculo da solidariedade. Quantas pessoas colaboram! Há uma grande colaboração com o governo do Estado, com as Prefeituras, com muitos voluntários vindos de todo o Brasil. É um momento de solidariedade, de unidade, de comunhão, e esta Missa está em comunhão com todas as igrejas do Brasil que neste dia rezam por nós, estão junto de nós. É um momento de grande celebração, um momento intenso de oração e queremos reafirmar, mesmo na dificuldade, a vitória a Cristo.
Naquele momento do silêncio, do drama, a pessoa que está morrendo, ou ela encontra esperança ou está desesperada. Todas as análises que se podem fazer não chega ao coração do drama da vida. A resposta foi-me sugerida por uma irmã de clausura à qual telefonei: Irmã, o que fazem as pessoas que, dormindo na noite, são arrastadas pela chuva e não podem nem se arrepender? E ela respondeu-me: “Dom Filippo, não tenhas medo. No momento da morte, Jesus mostra o Seu rosto bonito e a pessoa abre o seu coração e se arrepende e diz o seu sim”. O rosto bonito de Cristo é aquele que oferece esperança aos mortos e aos vivos. O rosto bonito do nosso redentor é o centro da nossa vida.
Estas chuvas revelam como a nossa vida é frágil, como é precária. De um momento para outro podemos ser eliminados, mas, ao mesmo tempo, como é grande a nossa fé. A riqueza que temos é a nossa fé pela qual reconhecemos o rosto de Cristo, o rosto de Deus, e nos entregamos a Ele cheios de confiança. É para mudar a vida, para não viver de banalidades, para retomar a vida com maior entusiasmo, com maior coragem, com maior solidariedade.
Tantos fatos testemunham esta presença da fé e da solidariedade: um deles aconteceu em uma capela em Contendas, região de São José do Vale do Rio Preto. A água estava alcançando a altura do sacrário, estavam vindo a água e a lama. O esposo de uma Ministra da Santa Comunhão, com a autorização do pároco, foi até lá, pegou o Santíssimo Sacramento, envolveu-o em um pano, colocou-o em um saquinho plástico e, nadando na correnteza da enchente, levou-o à Matriz. Jesus foi salvo das águas, mas é Ele quem nos salva. No entanto, este jovem deu-nos o exemplo do que temos que fazer que é confiar na graça de Cristo.
Ao mesmo tempo, devemos trabalhar, tomar iniciativas, porque as nossas cidades devem ressuscitar. O centro das cidades de Petrópolis e Teresópolis não foi afetado e o trabalho continua, a vida continua com o seu ritmo. Mas na região central de Nova Friburgo a ressurreição está acontecendo e deve acontecer ainda mais.
Esta é a nossa vida que é cheia de esperança e com a responsabilidade de apaixonados por Jesus na Eucaristia. Ele faz com cada um o mesmo que fez na narração do Evangelho de hoje: estando ao longo do mar da Galileia, viu dois homens, Pedro e André, e os chamou: “Vinde comigo”. Da mesma forma, ele fala a cada um de nós: “Vinde comigo! Eu farei de vocês pescadores de homens”. Deixando tudo, eles seguiram Jesus, luz do mundo. Assim, cada um de nós deixa o mal, o pecado, e seguimos o Senhor.
Sejamos cristãos verdadeiros e solidários com os outros, seguindo os passos de Cristo. Nossa Senhora nos acolhe em suas mãos e nós nos abandonamos.
Que paz e serenidade quando eu e Dom Edney passamos na frente de Nossa Senhora e colocamos as nossas dioceses, colocamos o nosso trabalho!
A partir de agora o trabalho será mais intenso, particularmente quando os holofotes serão apagados. É aí que precisamos da proteção de Nossa Senhora, da graça de Jesus, do dom do Espírito Santo, da colaboração de todo o Brasil. Quando os holofotes se apagam é aí que aparece a verdadeira fé, a beleza de seguir Jesus, a beleza de ajudar os irmãos, a beleza e a graça da reconstrução e da vida!
Assim seja. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado.

[1] Mt. 4, 12-23

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